{"id":10006,"date":"2023-04-14T07:59:41","date_gmt":"2023-04-14T05:59:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=10006"},"modified":"2024-02-16T10:24:38","modified_gmt":"2024-02-16T06:24:38","slug":"historia-da-refinaria-de-acucar-de-bois-rouge-1817-1912","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/uma-sociedade-de-plantacao\/a-refinaria-de-acucar\/historia-da-refinaria-de-acucar-de-bois-rouge-1817-1912\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da refinaria de a\u00e7\u00facar de Bois Rouge (1817-1912)"},"content":{"rendered":"<h2>A f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar de Bois Rouge, que foi constru\u00edda em 1817 e funcionou mais de 90 anos, est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 propriedade a\u00e7ucareira com o mesmo nome, bem como \u00e0 hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de not\u00e1veis: a Bellier-Montrose. Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose, criador da refinaria de a\u00e7\u00facar e da propriedade, e mais tarde o seu filho, Adrien Bellier-Montrose, estiveram na origem da constitui\u00e7\u00e3o de um \u201cimp\u00e9rio\u201d agroindustrial no leste da ilha durante os anos 1850-1860. Em 1912, os descendentes de Adrien, n\u00e3o querendo fragmentar a sua heran\u00e7a, fundaram a empresa Adrien Bellier, uma cria\u00e7\u00e3o que reflete tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo na Reuni\u00e3o no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Este artigo segue a hist\u00f3ria desta refinaria de a\u00e7\u00facar reunionense desde as suas origens at\u00e9 1912.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-10006-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/poster-leveneur2.png\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/LEVENEUR-PORTUGAIS-SUB.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/LEVENEUR-PORTUGAIS-SUB.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/LEVENEUR-PORTUGAIS-SUB.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<h3>O nascimento de Bois Rouge<\/h3>\n<p>Desde 1810-1820, Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose (1766-1846) manifestou interesse pela plan\u00edcie de Bois Rouge onde emparcelou os terrenos que formavam o cora\u00e7\u00e3o da propriedade. Acrescentou oito parcelas \u00e0 primeira, adquirida em 19 de junho de 1810, criando assim uma propriedade de mais de 100 hectares.<\/p>\n<p>Em Janeiro de 1816<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2177748794875305\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 6 M 3. \">&nbsp;<\/span>, \u00e9 mencionado um Alambique<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5474585604005091\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 6 M 3.\">&nbsp;<\/span>, em Bois Rouge, destinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool de cana. Em 1817, Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose criou a refinaria de a\u00e7\u00facar, facto atestado pelo censo de 1818<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.332795015922718\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 6 M 5 (1817) e 6 M 7 (1818), censo de Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose.\">&nbsp;<\/span> que refere a produ\u00e7\u00e3o de 300 000 quintais (3 toneladas) de a\u00e7\u00facar. 40 000 gaulettes\u00b2 (100 ha) s\u00e3o plantados com cana-de-a\u00e7\u00facar, 20 000 <em>gaulettes<\/em>\u00b2 (50 ha) com milho, 2000 <em>gaulettes<\/em>\u00b2 (5 ha) com batata-doce. Na lista de 121 escravos, surge pela primeira vez a men\u00e7\u00e3o a um \u201csucry\u00e9\u201d (sic) na pessoa de Jacquemin, um crioulo de 36 anos de idade. Trata-se de um pormenor interessante pois indica que um dos escravos de Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose adquiriu rapidamente os conhecimentos necess\u00e1rios para produzir a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>O moinho de Bois Rouge funcionava gra\u00e7as a uma m\u00e1quina a vapor de fabrico ingl\u00eas, uma inova\u00e7\u00e3o fundamental na ilha introduzida pelos irm\u00e3os Charles e Joseph Panon-Desbassayns. Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose seguiu o seu exemplo e Bois Rouge foi a terceira refinaria de a\u00e7\u00facar a ser equipada com uma m\u00e1quina a vapor no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1820. O governador Pierre Bernard Milius, que esteve em fun\u00e7\u00f5es em Bourbon de 1818 a 1821, afirmou a prop\u00f3sito do Quartier-Fran\u00e7ais:<\/p>\n<blockquote><p>Existem v\u00e1rias refinarias de a\u00e7\u00facar, incluindo as do Sr. Brun [Quartier Fran\u00e7ais] e do Sr. Monrose Bellier [Fran\u00e7ois-Xavier, Bois Rouge]. A f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar do Sr. Monrose Bellier \u00e9 not\u00e1vel devido \u00e0 ordem e economia que a\u00ed reina. Ele trouxe de Inglaterra um motor a vapor que lhe permite poupar m\u00e3o-de-obra mas que consome muito combust\u00edvel <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.014645527329419483\" aria-label=\"Arquivo Nacional, CAOM, S\u00e9rie Geogr\u00e1fica, caixa 462, ficheiro 5235.\">&nbsp;<\/span>.<\/p><\/blockquote>\n<p>A escolha das m\u00e1quinas a vapor \u201cmarcou uma rutura com a atividade a\u00e7ucareira mundial e colocou a ilha na dimens\u00e3o industrial. [&#8230;] A ilha converteu-se ao vapor quase de repente, muito mais rapidamente do que as Maur\u00edcias e as<br \/>\nAntilhas\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8547310820836147\" aria-label=\"Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud, 1783-1848: la mise en sucre de l'\u00eele Bourbon, documento dactilografado, slnd.\">&nbsp;<\/span>. A revolu\u00e7\u00e3o industrial estava em curso em Bourbon, impulsionada pelo estabelecimento da ind\u00fastria a\u00e7ucareira: de 1810 a 1820, o n\u00famero de refinarias de a\u00e7\u00facar aumentou de 10 para 91. Em Saint-Andr\u00e9, os censos mostram que havia 11 refinarias de a\u00e7\u00facar em 1818 e 17 em 1823<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.45966466370112613\" aria-label=\"Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud, Des habitations-sucrerie \u2026, p 195.\">&nbsp;<\/span>, tratando-se da segunda maior comuna depois de Saint-Beno\u00eet<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.049039559407434874\" aria-label=\"Ibid, p 217.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>De 1816 a 1822, o ano da \u00faltima aquisi\u00e7\u00e3o de Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose na plan\u00edcie de Bois Rouge, a \u00e1rea cultivada com cana-de-a\u00e7\u00facar na propriedade aumentou de 12 000 <em>gaulettes<\/em>\u00b2 (30 hectares) para 44 000 <em>gaulettes<\/em>\u00b2 (110 hectares). N\u00e3o dispomos dos mesmos n\u00fameros para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar devido \u00e0 falta de dados precisos. Havia tamb\u00e9m planta\u00e7\u00f5es de mandioca, milho e batata-doce, destinadas a alimentar os escravos da propriedade.<\/p>\n<p>Por volta de 1825-1826, a fam\u00edlia Bellier-Montrose mudou-se para uma grande casa de pedra erigida n\u00e3o muito longe da costa e da refinaria. Provavelmente constru\u00edda de acordo com as plantas de Jean-Baptiste de Lescouble, esta mans\u00e3o, marcada pela influ\u00eancia do neoclassicismo, era uma das primeiras manifesta\u00e7\u00f5es importantes deste estilo na Ilha da Reuni\u00e3o. A fachada sul com vista para o jardim e a cobertura original tamb\u00e9m s\u00e3o reprodu\u00e7\u00f5es de modelos neocl\u00e1ssicos criados em Pondicherry no final do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8308\" aria-describedby=\"caption-attachment-8308\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/FRAD974_98FI40-Habitation-Monrose.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8308 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/FRAD974_98FI40-Habitation-Monrose.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/FRAD974_98FI40-Habitation-Monrose.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/FRAD974_98FI40-Habitation-Monrose-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/FRAD974_98FI40-Habitation-Monrose-768x430.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/FRAD974_98FI40-Habitation-Monrose-1024x574.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8308\" class=\"wp-caption-text\">Jean-Baptiste Dumas, Propriedade Monrose em Saint-Andr\u00e9, 1829-1830, aguarela. <br \/>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 98FI40<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Da marinha mercante \u00e0 planta\u00e7\u00e3o: as ambi\u00e7\u00f5es de Alexandre Protet<\/h3>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 1830 e 1840, Bourbon atravessou a primeira crise econ\u00f3mica da era da cana-de-a\u00e7\u00facar. Em 1829-1830, tr\u00eas ciclones danificaram as terras e os edif\u00edcios. Al\u00e9m disso, as fracas vendas de a\u00e7\u00facar na metr\u00f3pole, em concorr\u00eancia com o a\u00e7\u00facar de beterraba chamado \u201cind\u00edgena\u201d, bem como a dificuldade de obter escravos, que eram cada vez mais necess\u00e1rios para o trabalho no campo em constante expans\u00e3o, puseram cobro \u00e0 euforia do a\u00e7\u00facar em Bourbon durante os primeiros 20\u00a0anos do s\u00e9culo XIX. Muitos plantadores faliram, incapazes de reembolsar as presta\u00e7\u00f5es dos empr\u00e9stimos contra\u00eddos para a aquisi\u00e7\u00e3o de material oneroso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8314\" aria-describedby=\"caption-attachment-8314\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1992-79_15.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8314 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1992-79_15.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"753\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1992-79_15.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1992-79_15-300x282.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1992-79_15-768x723.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8314\" class=\"wp-caption-text\">Honor\u00e9 Daumier, Combate do general Corque Betterave, 1839, reprodu\u00e7\u00e3o de uma litografia. <br \/>Col. Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1992.79.12<\/figcaption><\/figure>\n<p>Este per\u00edodo foi marcado na hist\u00f3ria da fam\u00edlia Bellier-Montrose pelo falecimento, em dezembro de 1830, de Anne de Boistel, esposa de Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose. Tanto a crise econ\u00f3mica emergente como esta morte deram in\u00edcio a um per\u00edodo dif\u00edcil para Bois Rouge.<\/p>\n<p>Em 21 de julho de 1831<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.1376778442562101\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 3 E 1066.\">&nbsp;<\/span>, tendo contra\u00eddo uma d\u00edvida junto a 15 credores que ascendia a mais de 1 700 000 francos, Fran\u00e7ois-Xavier, de 64 anos, foi obrigado a celebrar um acordo com os seus credores, a fim de prorrogar o pagamento das suas d\u00edvidas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7491566251785171\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 3 E 1066.\">&nbsp;<\/span>. Embora tenha mantido o usufruto da casa principal e a propriedade de 14 escravos dom\u00e9sticos dos 307\u00a0escravos que viviam em Bois Rouge, o contrato que assinou constrangia-o a renunciar \u00e0 propriedade da refinaria de a\u00e7\u00facar e das terras de Bois Rouge por um per\u00edodo de quatro anos. Um \u201c<em>\u00c9tat de situation de l&#8217;\u00e9tablissement du Bois Rouge<\/em>\u201d (<em>Estado da situa\u00e7\u00e3o do estabelecimento de Bois Rouge<\/em>) fornece um invent\u00e1rio sum\u00e1rio do local em 1831: dois edif\u00edcios distintos, um que continha o moinho equipado com uma bomba a vapor com a pot\u00eancia de dez cavalos e o outro duas baterias. No documento \u00e9 feita men\u00e7\u00e3o a \u201c<em>purgeries<\/em>\u201d (equipamentos de purga), dois grandes armaz\u00e9ns \u201c<em>para alimentos e a\u00e7\u00facar<\/em>\u201d, um hospital, uma fundi\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios pavilh\u00f5es e uma mans\u00e3o. Acrescem a estas instala\u00e7\u00f5es tr\u00eas grandes casas de arrecada\u00e7\u00e3o utilizadas como armaz\u00e9ns e um estabelecimento de marina.<\/p>\n<p>Os registos de tutela indicam um n\u00famero recorde de escravos para o per\u00edodo estudado: 307 indiv\u00edduos, incluindo 113\u00a0mo\u00e7ambicanos, 98 crioulos, 75 malgaxes e 21 \u201cmalaios\u201d. A maioria, 264 escravos, tinha entre 14 e 60 anos, tendo 30\u00a0escravos menos de 14 anos (20 homens e 10 mulheres) e 13 mais de 60 anos (sete homens e seis mulheres). Os homens superam as mulheres: 213 (69,3%) contra 51 (16,6%) no grupo et\u00e1rio dos 14 aos 60 anos, correspondendo aos escravos no auge da idade.<\/p>\n<p>A despropor\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o: durante o per\u00edodo de 1810 a 1848, a percentagem m\u00e9dia de mulheres nas propriedades a\u00e7ucareiras era de 24%. Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose, tal como outros industriais da sua \u00e9poca, optou pela \u201cescolha da produtividade\u201d com mais de 210 homens. Os escravos eram sempre comandados por oito capatazes, seis dos quais eram crioulos e dois cafres. Na longa lista de 1831, encontramos a distribui\u00e7\u00e3o entre Negros de picareta e \u201cescravos de of\u00edcio\u201d: doze \u201ccarpinteiros\u201d, quinze \u201ccriados ou criadas\u201d, dois \u201cferreiros\u201d, um \u201csapateiro\u201d e, por fim, um \u201ccozinheiro\u201d.<\/p>\n<p>As medidas tomadas pelos credores contra Bellier-Montrose n\u00e3o o levaram a renunciar, nem sequer temporariamente, \u00e0 gest\u00e3o dos seus bens. Treze dias ap\u00f3s a escritura de 21 de julho de 1831, pediu emprestada a soma de 151 310 francos a tr\u00eas dos seus credores, apresentando, mais uma vez, a propriedade e respetivos edif\u00edcios como garantia. Esta atitude irrespons\u00e1vel, o imposto sucess\u00f3rio e a situa\u00e7\u00e3o de indivis\u00e3o dos bens, bem como a partida para a metr\u00f3pole em janeiro de 1832 de Adrien Bellier-Montrose, filho de Fran\u00e7ois-Xavier, que estava muito envolvido na gest\u00e3o da propriedade, s\u00e3o as causas da venda de Bois Rouge em leil\u00e3o a 5 de fevereiro de 1832<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3384416251670366\" aria-label=\"Arq. dep. da Ilha da Reuni\u00e3o, 3 E 1067, n\u00b0 255.\">&nbsp;<\/span>. A escritura notarial cont\u00e9m uma breve descri\u00e7\u00e3o da propriedade delimitada:<\/p>\n<blockquote><p>a norte pelos passos geom\u00e9tricos, a sul por Abadie, Deheaulme e Chambrun Maillot, a leste pela vi\u00fava Maillot Chambrun e Ducros, e finalmente a oeste pelo antigo leito do rio Saint-Jean e pelo rio Saint-Jean\u201d. A propriedade continha: \u201cuma mans\u00e3o de pedra com uma galeria, com todos os seus edif\u00edcios anexos, um estabelecimento de marina, com um armaz\u00e9m de pedra, com chalupas, pirogas e acess\u00f3rios, uma refinaria de a\u00e7\u00facar, uma c\u00e2mara de purga, uma guildiverie [destilaria], constru\u00edda em pedra com todos os utens\u00edlios, um moinho a vapor para utiliza\u00e7\u00e3o na refinaria, uma arrecada\u00e7\u00e3o de pedra utilizada como armaz\u00e9m p\u00fablico para produtos alimentares destinados a serem expedidos, est\u00e1bulos, pocilgas, galinheiros, etc.<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta escritura confirma a configura\u00e7\u00e3o fragmentada do estabelecimento industrial. O a\u00e7\u00facar era fabricado em tr\u00eas edif\u00edcios separados, um m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o importado das Antilhas ou da ilha Maur\u00edcia. Durante o mesmo per\u00edodo outras f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar da ilha possu\u00edam a mesma linha de produ\u00e7\u00e3o repartida por tr\u00eas edif\u00edcios<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.12132706884127753\" aria-label=\"Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud, Arch\u00e9ologie industrielle des usines sucri\u00e8res \u00e0 La R\u00e9union 1815-1915 : m\u00e9thodologie, recensement, localisation, l'exemple du Chaudron, Disserta\u00e7\u00e3o do D.E.A de hist\u00f3ria, Universidade da Reuni\u00e3o, setembro de 1995.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Alexandre Pierre Protet (1798-ap.1855), genro de Fran\u00e7ois-Xavier Bellier-Montrose, comprou Bois Rouge. Origin\u00e1rio de Saint-Sevran (Ille-et-Vilaine), era ex-capit\u00e3o da marinha mercante e instalou-se em Bourbon em 1827. Dois anos mais tarde, casou com Aur\u00e9lie Bellier-Montrose (1809-1863), filha de Fran\u00e7ois-Xavier, e entrou no c\u00edrculo de fam\u00edlias not\u00e1veis da costa leste. Em 1831, estava em Bois Rouge com o seu sogro. O engenheiro Joseph Wetzell encontrou-o a supervisionar a instala\u00e7\u00e3o de \u201cuma bomba de ferro para alimentar os filtros e a tomar provid\u00eancias para iniciar a laminagem dentro de poucos dias\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.883368344154073\" aria-label=\"Citado por G\u00e9raud, Des habitations-sucreries ..., opus cit, anexo I, p. 84. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Durante as d\u00e9cadas de 1830 e 1840, Protet interessou-se por outras propriedades nas cercanias de Saint-Andr\u00e9. Em 1837, comprou Belle Vue, e mais tarde, em 1842, La Vigne, duas propriedades importantes em Sainte-Suzanne. Em 1845, adquiriu a\u00e7\u00f5es de uma segunda f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar em Saint-Andr\u00e9: a Nouvelle Esp\u00e9rance. Criada em 1835 por Emile Vincent e Fr\u00e9d\u00e9ric Sauger, encontrava-se situada na margem direita do rio Saint-Jean<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8303055767043168\" aria-label=\"Esta refinaria de a\u00e7\u00facar foi destru\u00edda no final do s\u00e9culo XIX. Estava localizada atr\u00e1s da f\u00e1brica de amido do Quartier-Fran\u00e7ais (destru\u00edda no final dos anos 1990), ao longo da antiga estrada nacional que ia de Sainte-Suzanne a Saint-Andr\u00e9.\">&nbsp;<\/span>. Foi a primeira refinaria central da col\u00f3nia no s\u00e9culo XIX, a primeira f\u00e1brica sem terras, prefigurando a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria a\u00e7ucareira da Reuni\u00e3o. Era tamb\u00e9m a f\u00e1brica mais moderna da col\u00f3nia, apetrechada de um conjunto completo de equipamento das oficinas de Desrones e Cail, fornecedores da ind\u00fastria de a\u00e7\u00facar de beterraba na Fran\u00e7a metropolitana. Ao produzir 1000 toneladas de a\u00e7\u00facar em 1840\u22121841, La Nouvelle Esp\u00e9rance tornou-se a primeira refinaria de a\u00e7\u00facar da col\u00f3nia, uma produ\u00e7\u00e3o que ultrapassou amplamente a das maiores unidades da ilha que, na altura, produziam 200 toneladas de a\u00e7\u00facar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6714635758401544\" aria-label=\"Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud, 1783-1848: la mise \u2026, op. cit.\">&nbsp;<\/span>. Estas aquisi\u00e7\u00f5es foram efetuadas em detrimento de Bois Rouge: entre 1832 e 1848, Protet comprou apenas uma parcela de terra com uma superf\u00edcie de nove hectares.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8323\" aria-describedby=\"caption-attachment-8323\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.0.04.53-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8323 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.0.04.53-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.0.04.53-1.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.0.04.53-1-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.0.04.53-1-768x482.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8323\" class=\"wp-caption-text\">Antoine Roussin, Refinaria de a\u00e7\u00facar de Nouvelle-Esp\u00e9rance, 1847, litografia.<br \/>Col. Museu L\u00e9on Dierx, inv. 1983.0.04.53<\/figcaption><\/figure>\n<p>Relativamente aos escravos, em 1842<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.557681197498759\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 6 M 71.\">&nbsp;<\/span>, 236 viviam em Bois Rouge: 98 crioulos, 57 malgaxes, 64 cafres e 17 \u00edndios. O grupo dos crioulos tornou-se a maioria e assim permaneceu at\u00e9 ao fim do regime servil, como resultado do refor\u00e7o, sob a Monarquia de Julho (1830-1848), dos controlos sobre o tr\u00e1fico de escravos ilegal entre a costa leste de \u00c1frica, Madag\u00e1scar e Bourbon. V\u00e1rios escravos foram especificamente designados para trabalharem na refinaria de a\u00e7\u00facar: Corneille, 40 anos, e Adrien, ambos crioulos, eram capatazes e \u201cchefes a\u00e7ucareiros\u201d; Bruneau, 44 anos, crioulo, foi nomeado \u201cmec\u00e2nico, \u201cchefe do moinho\u201d; Vulcain, 36 anos, era o segundo \u201cchefe a\u00e7ucareiro\u201d; Longol, um cafre de 43 anos, foi designado \u201cmec\u00e2nico\u201d. Estas informa\u00e7\u00f5es refletem a evolu\u00e7\u00e3o das tarefas nas propriedades de a\u00e7\u00facar durante a primeira metade do s\u00e9culo XIX. A partir da d\u00e9cada de 1830, alguns dos escravos da ilha Bourbon adquiriram as valiosas qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para operar a maquinaria de uma refinara de a\u00e7\u00facar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6795869212307406\" aria-label=\"Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud, \u00ab Esclaves et machines \u00e0 Bourbon \u00bb, in Regards crois\u00e9s sur l'esclavage, Saint-Denis, Somogy \/ C.N.H., 1998, pp 119-129.\">&nbsp;<\/span>, formando uma esp\u00e9cie de \u201celite\u201d entre a popula\u00e7\u00e3o escrava.<\/p>\n<p>O censo de 1847<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.46080736387046084\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 6 M 87.\">&nbsp;<\/span>, o \u00faltimo para Bois Rouge durante o per\u00edodo servil, indica: cinco hectares de savana, 35 hectares de milho, 52 hectares de cana-de-a\u00e7\u00facar e 10 hectares de mandioca. A colheita de milho ascendeu a 60 toneladas e a colheita de a\u00e7\u00facar a 250 toneladas. S\u00e3o mencionados 219 escravos: 104 crioulos, 49 malgaxes, 51 mo\u00e7ambicanos (cafres) e 15\u00a0malaios. Cerca de dez escravos eram ainda destinados especificamente \u00e0 refinaria de a\u00e7\u00facar. No documento constam v\u00e1rios nomes, mencionados j\u00e1 em 1842, tais como Bruneau, 49 anos, \u201cmec\u00e2nico\u201d, ou Corneille, 45 anos, e Adrien, 43 anos, ambos crioulos, comandantes e \u201cchefes a\u00e7ucareiros\u201d e tamb\u00e9m eles assistidos por Vulcain, 41 anos de idade, um malgaxe, que era o segundo chefe a\u00e7ucareiro. Um \u201cchefe dos trabalhadores\u201d, Lubin, um cafre de 53 anos, completa esta primeira equipa, bem como Petit Jasmin, 31 anos, cafre, ou Miliu, 41 anos, crioulo, ambos mec\u00e2nicos. No contexto do regime servil em Bourbon, a palavra \u201ctrabalhador\u201d parece anacr\u00f3nica.<\/p>\n<p>No tocante ao per\u00edodo de 1816 a 1848, a popula\u00e7\u00e3o escrava de Bois Rouge cresceu exponencialmente entre 1816 e 1831, passando de 118 para 307 indiv\u00edduos, o que reflete o desenvolvimento da propriedade constru\u00edda por Fran\u00e7ois-Xavier Bellier\u2212Montrose na plan\u00edcie de Bois Rouge. De 1831 a 1847, a tend\u00eancia inverte-se, passando de 307 escravos em 1831 para 219 em 1847. Esta diminui\u00e7\u00e3o pode ser explicada pelo facto de Alexandre Protet ter priorizado o desenvolvimento das outras propriedades que adquiriu nas d\u00e9cadas de 1830 e 1840, mas tamb\u00e9m por um certo desinteresse relativamente a Bois Rouge.<\/p>\n<p>A 30 de setembro de 1848<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9239608293988673\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 4 T 591 n\u00b0 8834 bis.\">&nbsp;<\/span>, tr\u00eas meses antes do fim do regime servil, Protet cedeu Bois Rouge a uma empresa formada pelos seus irm\u00e3os e cunhadas pela soma de 446 204 francos, incluindo os 10 terrenos, com \u201ca casa principal, uma bomba a vapor, uma refinaria de a\u00e7\u00facar, um armaz\u00e9m e v\u00e1rios edif\u00edcios, 20 mulas e mulos, v\u00e1rias carro\u00e7as\u201d e 205 escravos. Adrien era o acionista principal com metade das a\u00e7\u00f5es, sendo a outra metade repartida entre os seus irm\u00e3os, Fran\u00e7ois-Xavier e Prosper Bellier-Montrose, a sua irm\u00e3 Marianne Bellier-Montrose, esposa de L\u00e9opold Auguste Protet, os herdeiros menores de Cl\u00e9mentine Bellier-Montrose, falecida, esposa de Jules Henri Maingard e Jules-Xavier e Paul Maingard.<\/p>\n<p>Esta empresa, a primeira na hist\u00f3ria de Bois Rouge, cessou a 16 de mar\u00e7o de 1853: Adrien Bellier-Montrose comprou as a\u00e7\u00f5es dos seus familiares pela soma de 342 857,12 francos. No in\u00edcio do Segundo Imp\u00e9rio, possu\u00eda 100 hectares em Bois Rouge e 207 hectares nas terras altas de Sainte-Suzanne (propriedade La R\u00e9union, comprada em 1838), dois locais equipados com uma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar. Estes estabelecimentos industriais fazem parte das 274 refinarias criadas em Bourbon entre 1783 e 1848<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5309447192493655\" aria-label=\"Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud, Des habitations-sucreries \u2026 , opus cit., p 182.\">&nbsp;<\/span>, muitas das quais duraram pouco tempo.<\/p>\n<h3>O \u201cimp\u00e9rio\u201d de Adrien Bellier-Montrose<\/h3>\n<p>De 1851 a 1861, a Reuni\u00e3o foi poupada de ciclones devastadores gra\u00e7as a condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas excecionais. Al\u00e9m disso, registou-se uma melhoria dos rendimentos como resultado da utiliza\u00e7\u00e3o de novas variedades de cana-de-a\u00e7\u00facar e do uso em grande escala de guano, um fertilizante importado do Chile. A partir da d\u00e9cada de 1850, a m\u00e3o-de-obra escrava, que em parte havia deixado as grandes propriedades a\u00e7ucareiras, foi substitu\u00edda por trabalhadores livres sob contrato, os \u201ctrabalhadores contratados do a\u00e7\u00facar\u201d, a maioria dos quais foram recrutados na \u00cdndia, mas tamb\u00e9m na \u00c1frica oriental. Finalmente, durante esta d\u00e9cada, o a\u00e7\u00facar proveniente das col\u00f3nias com destino \u00e0 metr\u00f3pole beneficiou de uma isen\u00e7\u00e3o fiscal, facilitando assim a sua venda no mercado nacional.<\/p>\n<p>Neste contexto econ\u00f3mico favor\u00e1vel, a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar na Reuni\u00e3o aumentou de 18 540 toneladas em 1849 para 68 469 toneladas em 1860. Em 1856, Georges Imhaus, propriet\u00e1rio da refinaria de a\u00e7\u00facar de Rivi\u00e8re Saint-Pierre em Saint\u2212Beno\u00eet, e representante da col\u00f3nia em Paris, escreveu sobre a Reuni\u00e3o: \u201cDecerto, o maravilhoso desenvolvimento da sua agricultura e ind\u00fastria n\u00e3o cessar\u00e1 de modo algum\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.728167116795088\" aria-label=\"Ibidem, p 96-97. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Este curto per\u00edodo de prosperidade levou Adrien Bellier-Montrose, como muitos outros propriet\u00e1rios da ilha, a embarcar numa pol\u00edtica de aquisi\u00e7\u00e3o de terras. De 1853 a 1869, Bois Rouge tornou-se o centro nevr\u00e1lgico de um imp\u00e9rio agroindustrial espalhado por cinco comunas na costa oriental: Sainte-Marie, Sainte-Suzanne, Saint-Andr\u00e9, Bras-Panon e por fim Saint\u2212Beno\u00eet. \u00c0s propriedades de Bois Rouge e La R\u00e9union acresceram as propriedades <strong>L&#8217;Union<\/strong>, em Bras-Panon, comprada em 1857, <strong>Rivi\u00e8re des Roches<\/strong>, adquirida em 1863 e <strong>Dureau<\/strong>, mais tarde conhecida como <strong>La R\u00e9volution<\/strong>, em Sainte-Marie, comprada em 1869. Cada uma destas propriedades possu\u00eda uma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Quanto a Bois Rouge, de 1853 a 1856, Adrien Bellier comprou cinco grandes parcelas de terreno, cobrindo uma \u00e1rea de mais de 200 hectares: triplicou assim o tamanho da sua propriedade em Saint-Andr\u00e9. Em 1855, para poder exportar o seu a\u00e7\u00facar, Adrien reabriu a marina de Bois Rouge, fechada desde 1842. Esta marina dispunha de tr\u00eas barcos de 10 a 12 toneladas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8335\" aria-describedby=\"caption-attachment-8335\" style=\"width: 1300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2Q87.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8335 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2Q87.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"954\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2Q87.jpg 1300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2Q87-300x220.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2Q87-768x564.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2Q87-1024x751.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8335\" class=\"wp-caption-text\">Marina de Bois Rouge, 1855, desenho.<br \/>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 2Q87<\/figcaption><\/figure>\n<p>No final do Segundo Imp\u00e9rio, Adrien Bellier possu\u00eda v\u00e1rias centenas de hectares de terras no Leste e cinco f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar. O seu apetite fundi\u00e1rio \u00e9 compar\u00e1vel ao de outras fam\u00edlias da ilha que, durante o mesmo per\u00edodo, acumularam cada vez mais terras. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, podemos citar o exemplo das fam\u00edlias Orr\u00e9, Choppy ou Le Coat de K\/V\u00e9guen que constitu\u00edram vastas propriedades em Saint-Pierre, Petite-\u00cele ou Saint-Joseph. Contudo, a prosperidade da d\u00e9cada de 1850 era fact\u00edcia. Levantaram-se vozes na col\u00f3nia que chamavam a aten\u00e7\u00e3o para o emparcelamento das melhores terras nas m\u00e3os de poucas fam\u00edlias, o aumento irrefletido das \u00e1reas cultivadas com cana-de-a\u00e7\u00facar em detrimento das culturas de subsist\u00eancia, mas sobretudo o endividamento excessivo dos industriais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8338\" aria-describedby=\"caption-attachment-8338\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.02.04.51-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8338 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.02.04.51-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"688\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.02.04.51-1.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.02.04.51-1-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1983.02.04.51-1-768x528.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8338\" class=\"wp-caption-text\">Antoine Roussin, Quartier Fran\u00e7ais, le Bois Rouge, 1860, litografia.<br \/>Col. Museu L\u00e9on Dierx, inv. 1983.02.04.51<\/figcaption><\/figure>\n<h3>A crise<\/h3>\n<p>Em 1862, o engenheiro Louis Maillard escreveu: \u201cSer\u00e1 a invas\u00e3o da cana, que est\u00e1 agora a proporcionar fortuna \u00e0 col\u00f3nia, um bem? Ser\u00e1 um mal? Essa \u00e9 a pergunta frequentemente colocada [&#8230;] continuamos convencidos de que, mais cedo ou mais tarde, o cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar ir\u00e1 desaparecer [&#8230;]\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.15106176651415204\" aria-label=\"Louis Maillard, Notes sur l'\u00eele de La R\u00e9union, Paris, Dentu, 1862, p192.\">&nbsp;<\/span>. Um ano mais tarde, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica tornou-se extremamente desfavor\u00e1vel: a Reuni\u00e3o exportou 47 800 toneladas de a\u00e7\u00facar em 1863, comparativamente a 61 564 no ano anterior. A queda dos pre\u00e7os mundiais do a\u00e7\u00facar, o fim do regime de isen\u00e7\u00e3o fiscal do a\u00e7\u00facar colonial, o regresso de ciclones graves e o desenvolvimento do borer, um inseto que devastou os campos de cana-de-a\u00e7\u00facar, provocou uma queda na produ\u00e7\u00e3o, que variou de 20 000 a 40 000 toneladas entre os anos 1870 e 1900. No in\u00edcio desta nova crise, Cl\u00e9mentine de Heaulme, esposa de Adrien Bellier-Montrose, escreveu no seu di\u00e1rio: \u201cEste ano, de novembro de 1864 a dezembro de 1865, foi extraordinariamente f\u00e9rtil em desastres de todo o tipo: quedas e ru\u00ednas, [&#8230;] N\u00e3o temos mais colheitas todos os anos, estamos constantemente desapontados com tudo\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9080792794528525\" aria-label=\"Arquivo privado, Ilha da Reuni\u00e3o, di\u00e1rio de Cl\u00e9mentine Bellier-Montrose. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8341\" aria-describedby=\"caption-attachment-8341\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/M.E.2019.1.140.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8341 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/M.E.2019.1.140.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/M.E.2019.1.140.jpg 420w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/M.E.2019.1.140-180x300.jpg 180w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8341\" class=\"wp-caption-text\">Jules Lacombe, Cl\u00e9mentine Deheaulme, Mme Adrien Bellier-Montrose, ca. 1860, fotografia.<br \/>Col. Museu L\u00e9on Dierx, doa\u00e7\u00e3o Jean-Marie Ollivier, inv. M.E.2019.1.140<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tornou-se urgente modernizar para sobreviver, contrair empr\u00e9stimos para transformar a \u00fanica ind\u00fastria da ilha, que estava moribunda e frequentemente apetrechada com equipamento obsoleto, a fim de manter a sua competitividade. Foi neste contexto econ\u00f3mico desfavor\u00e1vel que Adrien Bellier-Montrose solicitou um empr\u00e9stimo de um milh\u00e3o de francos ao Cr\u00e9dit Foncier Colonial. Estabelecido na ilha desde 1863, este banco criou um novo tipo de empr\u00e9stimo: os empr\u00e9stimos a longo prazo (20 anos) com uma taxa de reembolso vantajosa, contr\u00e1ria \u00e0s taxas elevadas aplicadas na col\u00f3nia. Todavia, esses empr\u00e9stimos eram concedidos com cautela, ap\u00f3s a assinatura de um contrato muito rigoroso que estabelecia em pormenor as cl\u00e1usulas para o reembolso das presta\u00e7\u00f5es anuais cuja garantia era sempre os bens im\u00f3veis dos mutu\u00e1rios. A 31 de outubro de 1864 foi elaborado um contrato de garantia hipotec\u00e1ria<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7808040999423456\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 3 E 859 n\u00b0334.\">&nbsp;<\/span>. Bois Rouge, com uma superf\u00edcie total de 314 hectares, foi dividida em quatro unidades operacionais cont\u00edguas, sendo a principal delas a pr\u00f3pria \u201cpropriedade de Bois Rouge\u201d. Englobava dez parcelas de terreno delimitadas:<\/p>\n<blockquote><p>a sul pelo Quartier-Fran\u00e7ais e La Ciotat, formando a segunda e terceira \u201cpropriedades\u201d, a leste pelo Grand Etang e pela quarta propriedade conhecida como N\u00e9tancourt, a oeste pelo rio Saint-Jean e pelo terreno La Ciotat, a norte pelo mar e no restante por M. de K\/V\u00e9guen. Os seguintes edif\u00edcios encontravam-se ali localizados: \u201cuma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar de pedra, coberta de telhas; um grande edif\u00edcio de pedra, coberto de telhas, utilizado como destilaria, com m\u00e1quinas, aparelhos, alambiques, etc.; um estabelecimento de marina com cais de desembarque e alguns objetos utilizados para o seu funcionamento conhecido como Marina de Bois Rouge; um grande armaz\u00e9m de pedra e madeira, coberto de zinco com um andar; um armaz\u00e9m de pedra, coberto de zinco; um armaz\u00e9m de pedra usado para forjar e armazenar, coberto de telhas, dividido em v\u00e1rias partes; um edif\u00edcio com duas alas utilizadas como est\u00e1bulos, constru\u00eddo em pedra, coberto de telhas; v\u00e1rios grandes galp\u00f5es de pedra, cobertos com telhas, utilizados como habita\u00e7\u00e3o para os 400 trabalhadores; uma mans\u00e3o chamada \u201cCh\u00e2teau du Bois Rouge\u201d, constru\u00edda em pedra, com r\u00e9s-do-ch\u00e3o, primeiro andar e segundo andar nas \u00e1guas-furtadas, com telhado de ripas; um pavilh\u00e3o a leste, constru\u00eddo em madeira, com telhado de ripas.<\/p><\/blockquote>\n<p>A refinaria de a\u00e7\u00facar de 1864 era composta por um \u00fanico edif\u00edcio com uma superf\u00edcie de 1000 m\u00b2. O moinho ingl\u00eas da d\u00e9cada de 1810 (de seis cavalos-vapor) e, mais tarde, na d\u00e9cada de 1840 (de dez cavalos-vapor)<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5711230827878093\" aria-label=\"Arq. dep. da Reuni\u00e3o, 6 M 71.\">&nbsp;<\/span>, foi substitu\u00eddo em meados da d\u00e9cada de 1850 por um moinho de 20 cavalos de pot\u00eancia fabricado nas oficinas francesas de Desrones et Cail. Um gerador tubular de 100 cavalos e dois geradores de chama invertida de 50 cavalos cada alimentavam o moinho com vapor. A pot\u00eancia do moinho ou dos geradores contrasta com a natureza arcaica do equipamento de cozedura da garapa. De facto, ainda eram utilizadas duas \u201cbaterias Gimart\u201d, um processo de cozedura cont\u00ednua desenvolvido nos anos 1820 por um produtor de a\u00e7\u00facar local, Stanislas Xavier Gimart, ao passo que outros dispositivos de cozedura mais modernos existiam na ilha. Duas caldeiras de cozedura a v\u00e1cuo da marca Nillus completavam o sistema de cozedura. Uma vez cozinhado, o a\u00e7\u00facar era passado por oito turbinas de vapor, uma novidade que surgiu na Reuni\u00e3o na d\u00e9cada de 1840.<\/p>\n<p>Cinco anos ap\u00f3s este empr\u00e9stimo, Cl\u00e9mentine de Heaulme, esposa de Adrien Bellier-Montrose, faleceu em Saint-Beno\u00eet a 4\u00a0de novembro de 1869. A 7 de mar\u00e7o de 1870, Fran\u00e7ois Mottet, not\u00e1rio em Saint-Denis, foi a Bois Rouge e \u00e0s v\u00e1rias propriedades do casal para fazer um invent\u00e1rio ap\u00f3s a sua morte. Este documento fornece-nos informa\u00e7\u00f5es essenciais sobre os trabalhadores contratados que trabalhavam nas v\u00e1rias propriedades pertencentes a Adrien Bellier-Montrose. S\u00e3o mencionados 901 trabalhadores contratados no invent\u00e1rio, 283 dos quais em Bois Rouge, 118 em La R\u00e9union, 280 em L\u2019Union, 200 em Rivi\u00e8re-des-Roches e finalmente 120 na propriedade de Sainte-Marie. Entre eles, havia pelo menos 452\u00a0indianos, 46 cafres e 23 malgaxes, n\u00fameros incompletos uma vez que a distribui\u00e7\u00e3o por etnia das propriedades L\u2019Union e Rivi\u00e8re des Roches n\u00e3o se encontra especificada. Em Bois Rouge, viviam 250 indianos, 20 cafres e 13 malgaxes.<\/p>\n<p>Em 27 de julho de 1873, um leil\u00e3o p\u00f4s cobro \u00e0 situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica confusa que durava h\u00e1 quatro anos entre Adrien e os seus filhos. Ele comprou Bois Rouge, La R\u00e9union, L&#8217;Union e Rivi\u00e8re des Roches por 2 480 250 francos, evitando assim a fragmenta\u00e7\u00e3o do seu \u201cimp\u00e9rio\u201d. A propriedade Dureau em Sainte Marie tornou-se propriedade exclusiva de Emile Bellier\u2212Montrose, o seu terceiro filho. Adrien geriu as suas propriedades com a ajuda dos seus familiares at\u00e9 \u00e0 sua morte em Saint-Andr\u00e9, a 7 de agosto de 1891, com 85 anos de idade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8344\" aria-describedby=\"caption-attachment-8344\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ME-2019.1.139.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8344 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ME-2019.1.139.jpg\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ME-2019.1.139.jpg 434w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ME-2019.1.139-186x300.jpg 186w\" sizes=\"auto, (max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8344\" class=\"wp-caption-text\">Jules Lacombe, Adrien Bellier-Montrose, ca. 1870, fotografia.<br \/>Col. Museu L\u00e9on Dierx, doa\u00e7\u00e3o de Jean-Marie Ollivier, ME 2019.1.139<\/figcaption><\/figure>\n<p>Industrial e propriet\u00e1rio de terras, Adrien Bellier-Montrose foi tamb\u00e9m um pol\u00edtico importante na col\u00f3nia desde os anos 1830 at\u00e9 \u00e0 sua reforma da vida p\u00fablica em 1879. Membro da sociedade secreta dos Francs-Cr\u00e9oles durante a Monarquia de Julho, representou a col\u00f3nia de 1857 a 1859 no conselho permanente das col\u00f3nias junto do ministro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8347\" aria-describedby=\"caption-attachment-8347\" style=\"width: 516px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/M.E.2019.1.128.2-.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8347 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/M.E.2019.1.128.2-.jpg\" alt=\"\" width=\"516\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8347\" class=\"wp-caption-text\">An\u00f3nimo, Emile Bellier-Montrose, ca. 1900, fotografia. <br \/>Col. Museu L\u00e9on Dierx, doa\u00e7\u00e3o de Jean-Marie Ollivier, ME.2019.1.128.2<\/figcaption><\/figure>\n<p>Embora tentados pela divis\u00e3o do seu grande patrim\u00f3nio fundi\u00e1rio, os herdeiros de Bellier-Montrose preferiram posterg\u00e1-la em 1896, confiando a administra\u00e7\u00e3o geral das f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar e das propriedades que lhes pertenciam a um deles: Emile Bellier-Montrose (1837-1905), que se mudou para a casa de Bois Rouge.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8350\" aria-describedby=\"caption-attachment-8350\" style=\"width: 1100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/maison-de-Bois-Rouge.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8350 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/maison-de-Bois-Rouge.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"784\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/maison-de-Bois-Rouge.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/maison-de-Bois-Rouge-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/maison-de-Bois-Rouge-768x547.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/maison-de-Bois-Rouge-1024x730.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8350\" class=\"wp-caption-text\">An\u00f3nimo, Casa de Bois Rouge, fachada sul do jardim, ca. 1890, fotografia.<br \/>Col. Jacques Darricau<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_8353\" aria-describedby=\"caption-attachment-8353\" style=\"width: 1100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-39.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8353 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-39.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"729\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-39.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-39-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-39-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-39-1024x679.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8353\" class=\"wp-caption-text\">An\u00f3nimo, Casa de Bois Rouge, fachada norte, 1904, fotografia.<br \/>Col. ANOM, acervo Galli\u00e9ni 44PA178\/39<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sob a dire\u00e7\u00e3o de Emile Bellier-Montrose, a f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar foi ampliada, como se pode ver em duas fotografias datadas de 1897 e 1904. A f\u00e1brica foi parcialmente reconstru\u00edda e ampliada com v\u00e1rios edif\u00edcios erguidos na plataforma de rece\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar. No entanto, a aus\u00eancia de documentos de arquivo torna imposs\u00edvel especificar a natureza dessas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8356\" aria-describedby=\"caption-attachment-8356\" style=\"width: 1100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1897.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8356 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1897.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"755\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1897.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1897-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1897-768x527.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1897-1024x703.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8356\" class=\"wp-caption-text\">Henri Mathieu, Refinaria de Bois Rouge, 1897, fotografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o privada, Paris<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_8362\" aria-describedby=\"caption-attachment-8362\" style=\"width: 1100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-42.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8362 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-42.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"726\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-42.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-42-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-42-768x507.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/44PA178-42-1024x676.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8362\" class=\"wp-caption-text\">An\u00f3nimo, Refinaria de Bois Rouge, 1904, fotografia.<br \/>Col. ANOM acervo Galli\u00e9ni, 44PA178\/42<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s a morte de Emile Bellier-Montrose, os bens da fam\u00edlia foram administrados, de 1905 a 1912, por Armand Benjamin Barau (1860-1936). Este antigo advogado do Tribunal de Recurso de Saint-Denis casou com Anne Marie Ollivier (1866-1926), uma das netas de Adrien Bellier-Montrose, em 1889. Barau aprendeu o of\u00edcio de plantador em L&#8217;Union, uma propriedade pertencente ao av\u00f4 da esposa, cuja gest\u00e3o ele assumiu desde o seu casamento.<\/p>\n<p>Em 1910, solicitou os servi\u00e7os do engenheiro Albert Chassagne (1870-1940) para que executasse v\u00e1rias melhorias na f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar, e em maio de 1911 encarregou-o de elaborar um projeto de renova\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de Bois Rouge<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7335485047426584\" aria-label=\"Arquivo privado, Ilha da Reuni\u00e3o, correspond\u00eancia de Albert Chassagne.\">&nbsp;<\/span>. Chassagne tinha uma s\u00f3lida experi\u00eancia neste campo, tendo trabalhado para a maioria dos industriais da costa leste. Foi o autor dos planos de reconstru\u00e7\u00e3o da refinaria de a\u00e7\u00facar de Rivi\u00e8re du M\u00e2t, que foi completamente destru\u00edda por um inc\u00eandio a 17 de setembro de 1908, cujas obras supervisionou de 1910 a 1911.<\/p>\n<p>O seu projeto para Bois Rouge consistiu em modificar totalmente a envolvente arquitet\u00f3nica da refinaria de a\u00e7\u00facar e realizar transforma\u00e7\u00f5es no interior, respeitando a localiza\u00e7\u00e3o do equipamento existente e prevendo a adi\u00e7\u00e3o de novas pe\u00e7as como um efeito qu\u00e1druplo. Barau enviou o projeto de Chassagne a Fives-Lille, que lhe comunicou o seu or\u00e7amento em setembro de 1911.<\/p>\n<p>A obra teve lugar entre 1912 e 1913, per\u00edodo durante o qual os herdeiros de Bellier-Montrose formaram uma sociedade an\u00f3nima, a 26 de julho de 1912: a Sociedade Adrien Bellier (SAB). O capital era composto pelas terras de Bruguier em Sainte\u2212Marie, as terras de Bois Rouge, La R\u00e9union, L&#8217;Union e Rivi\u00e8re des Roches, e as f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar de Bois Rouge e L&#8217;Union, sendo o total estimado em 15 120 000 francos. Foi dividido em 1512 a\u00e7\u00f5es com um valor de 10 000 francos cada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8359\" aria-describedby=\"caption-attachment-8359\" style=\"width: 1100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1914.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8359 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1914.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"821\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1914.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1914-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1914-768x573.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sucrerie_bois_rouge_1914-1024x764.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8359\" class=\"wp-caption-text\">An\u00f3nimo, Refinaria de a\u00e7\u00facar de Bois Rouge por volta de 1914, fotografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o privada, Ilha da Reuni\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de 1912, embora o destino de Bois Rouge permane\u00e7a ligado ao de uma fam\u00edlia, a cria\u00e7\u00e3o da SAB abre uma nova p\u00e1gina na hist\u00f3ria da refinaria de a\u00e7\u00facar, a das sociedades an\u00f3nimas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8334,"parent":8566,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-10006","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/10006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/8566"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}