{"id":10355,"date":"2023-07-10T11:38:00","date_gmt":"2023-07-10T09:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=10355"},"modified":"2023-07-10T11:38:00","modified_gmt":"2023-07-10T09:38:00","slug":"os-testamentos-da-sra-desbassayns","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/a-familia-desbassayns\/os-testamentos-da-sra-desbassayns\/","title":{"rendered":"Os testamentos da Sra. Desbassayns"},"content":{"rendered":"<h2>Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau de Montbrun (1755-1846), vi\u00fava de Henri Paulin Panon Desbassayns, escreveu dois testamentos: o primeiro data de 20 de novembro de 1807, quando ela tinha 52 anos; e o segundo foi redigido 37 anos mais tarde, em 20 de junho de 1845, quando ela tinha 89 anos <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5927708559518707\" aria-label=\"Os dois testamentos t\u00eam a refer\u00eancia 3 E 426 nos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o (ADR).\">&nbsp;<\/span>.<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Os testamentos diferem em volume (dois f\u00f3lios, no caso do primeiro, e 36, no do segundo), apresentam-se mais ou menos no mesmo estado, o que dificulta a leitura de certos trechos, e t\u00eam objetos diversos.<br \/>\nO testamento de 1845 n\u00e3o invalida nem completa o de 1807. As disposi\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias continuam a ser comuns em todos os estratos da sociedade. A relev\u00e2ncia deste artigo reside na testadora, figura de proa do seu tempo e que ainda hoje persiste na mem\u00f3ria coletiva da Ilha da Reuni\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Em 1807<\/h3>\n<div><\/div>\n<figure id=\"attachment_10366\" aria-describedby=\"caption-attachment-10366\" style=\"width: 792px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FRAD974_3_E_0426_03_007-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10366 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FRAD974_3_E_0426_03_007-2.jpg\" alt=\"\" width=\"792\" height=\"1100\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FRAD974_3_E_0426_03_007-2.jpg 792w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FRAD974_3_E_0426_03_007-2-216x300.jpg 216w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FRAD974_3_E_0426_03_007-2-768x1067.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FRAD974_3_E_0426_03_007-2-737x1024.jpg 737w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10366\" class=\"wp-caption-text\">Testamento de Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau, vi\u00fava Panon Desbassayns. <br \/>20 de novembro de 1807. Manuscrito. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 3 E 426<\/figcaption><\/figure>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Nesse ano, a Sra. Desbassayns adota uma disposi\u00e7\u00e3o a favor dos mais carenciados: \u00abOrdeno que, no m\u00eas a seguir \u00e0 minha morte, se distribua uma quantia de 2000 piastras em milho ou dinheiro pelos pobres do meu distrito.\u00bb<\/p>\n<\/div>\n<div>O resto do testamento recompensa os seus \u00abmelhores Negros\u00bb pela excel\u00eancia do seu servi\u00e7o, sendo nomeados pelo menos 28 (os filhos n\u00e3o s\u00e3o todos mencionados). Ela legou-lhes, por vezes cumulativamente, parcelas de terrenos, escravos para os servir e rendas anuais em dinheiro e milho. Essas pens\u00f5es eram vital\u00edcias e doadas em duas presta\u00e7\u00f5es semestrais. As rendas em dinheiro variavam entre 10 e 60 piastras por pessoa.<br \/>\n\u00c0 sua ama Madelaine, atribuiu uma pens\u00e3o de 50 piastras e 4 milhares de milho por ano, bem como uma escrava forte para a servir. O casal formado por Philippe e C\u00e9leste foi objeto da sua solicitude, tendo ela pedido aos filhos que lhes concedessem um lote de terreno com uma produ\u00e7\u00e3o de milho calculada em 12000 kg, desde que n\u00e3o se situasse demasiado perto da costa, al\u00e9m de uma renda de 60 piastras por ano, tr\u00eas bons escravos e os edif\u00edcios necess\u00e1rios. Paya teria uma pens\u00e3o de 30 piastras, 3 milhares de milho por ano e um Negro para o servir. O mesmo se aplicava a Nathalie, a quem foi oferecida uma Negra; e a Sabine, \u00abcuidadora dos doentes da casa de meu pai\u00bb.<br \/>\nA alguns, permitiu escolher o seu propriet\u00e1rio, \u00abentre todos os propriet\u00e1rios desta col\u00f3nia\u00bb, sob a condi\u00e7\u00e3o de que os senhores escolhidos n\u00e3o fossem obrigados a pagar mais de 100 piastras por cabe\u00e7a. No seu entender, os escravos que tivessem escolhido um senhor n\u00e3o deveriam, de modo algum, ser vendidos. Os escravos cujo senhor escolhido morresse ou abandonasse a col\u00f3nia teriam novamente o direito de procurar outro e de levar os filhos com eles.<br \/>\nOs escravos a quem atribuiu uma pens\u00e3o em milho e dinheiro, que n\u00e3o tivessem senhor, poderiam viver no seu jardim, na extremidade da lagoa, ou em Saint-Paul, por detr\u00e1s da casa do seu pai, onde lhes seriam constru\u00eddas cubatas adequadas a cada um.<\/div>\n<div><\/div>\n<figure id=\"attachment_10311\" aria-describedby=\"caption-attachment-10311\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/2002-4-46-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10311 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/2002-4-46-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"602\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/2002-4-46-1.jpg 900w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/2002-4-46-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/2002-4-46-1-768x514.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10311\" class=\"wp-caption-text\">Vista da extremidade da lagoa de Saint Paul. G. Bos, lit\u00f3grafo; segundo Louis Antoine Roussin, desenhador.<br \/>1868. Litografia, realce a cores.<br \/>Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 2002.4.46<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como elemento de compara\u00e7\u00e3o, calculando que uma piastra corresponderia a tr\u00eas libras, um armaz\u00e9m de 22,80 m2 feito em materiais dispostos na horizontal e coberto de folhas, do falecido Louis Fontaine, na ravina de Pont no rio Rivi\u00e8re d&#8217;Abord, foi avaliado em cerca de 67 piastras no invent\u00e1rio de 9 de abril de 1807<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9618982644964438\" aria-label=\"ADR, 3 E 1 556. \">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nEsses atos de generosidade funcionavam como recompensa, mas n\u00e3o alteravam o estatuto dos recompensados.<\/p>\n<p>A Sra. Desbassayns nomeou seus testamenteiros os filhos ou genros que residissem na col\u00f3nia \u00e0 data da sua morte, contanto que fossem dois. Caso contr\u00e1rio, a tarefa seria confiada a um dos seus amigos (Antoine Parny, Sainte-Croix&#8230;) em troca de um presente de 500 piastras em argentaria.<\/p>\n<h3>Em 1845<\/h3>\n<div>\n<figure id=\"attachment_10285\" aria-describedby=\"caption-attachment-10285\" style=\"width: 836px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/3_E_0426_02_001-testament-1845.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10285 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/3_E_0426_02_001-testament-1845.jpg\" alt=\"\" width=\"836\" height=\"1118\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/3_E_0426_02_001-testament-1845.jpg 836w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/3_E_0426_02_001-testament-1845-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/3_E_0426_02_001-testament-1845-768x1027.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/3_E_0426_02_001-testament-1845-766x1024.jpg 766w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10285\" class=\"wp-caption-text\">Testamento de Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau de Montbrun, <br \/>vi\u00fava de Henri Paulin Panon Desbassayns propriet\u00e1rio residente em Saint-Gilles, comuna de Saint-Paul.<br \/>20 de junho de 1845. Manuscrito. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 3 E 426<\/figcaption><\/figure>\n<p>A senhora Desbassayns tencionava dividir os seus bens entre todos os filhos, netos e bisnetos. Do testamento constam todas as suas propriedades, os seus animais e os pormenores relativos aos seus escravos, bem como um cap\u00edtulo especial dedicado \u00e0 capela de Saint-Gilles.<\/p>\n<p>Somando a bomba a vapor do estabelecimento de Bernica (5000 F), o dinheiro dispon\u00edvel em Bourbon (56 950 F) e a restitui\u00e7\u00e3o que os seus descendentes deviam fazer \u00e0 heran\u00e7a (104 270 F), o montante total a partilhar ascendia a 1 661 350 F.<\/p>\n<p>As suas propriedades situadas no oeste da ilha foram divididas em v\u00e1rias partes.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<h4>A propriedade mais importante era Saint-Gilles<\/h4>\n<figure id=\"attachment_10290\" aria-describedby=\"caption-attachment-10290\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1998-8-7-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10290 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1998-8-7-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"685\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1998-8-7-1.jpg 900w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1998-8-7-1-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1998-8-7-1-768x585.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10290\" class=\"wp-caption-text\">Propriedade Desbassayns (St-Gilles). Dureau, lit\u00f3grafo. 1847. Louis Antoine Roussin, desenhador. 1847. Litografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1998.8.7.1<\/figcaption><\/figure>\n<p>A propriedade de Saint-Gilles inclu\u00eda:<br \/>\n&#8211; O terreno, a casa principal, os anexos (dois pavilh\u00f5es de madeira, quatro armaz\u00e9ns, uma pris\u00e3o, um hospital, uma cozinha para os Negros, uma cozinha de pedra para os Senhores, um pavilh\u00e3o que servia de despensa, um galinheiro, est\u00e1bulos etc.);<br \/>\nA refinaria de a\u00e7\u00facar (sete edif\u00edcios de pedra que serviam de armaz\u00e9m, purga de xarope, forja, barrac\u00e3o contendo uma bomba a vapor de seis cavalos com um moinho de oito cavalos e uma Wetzell, est\u00e1bulos de pedra etc);<br \/>\nUma m\u00e1quina hidr\u00e1ulica utilizada para captar a \u00e1gua da parte baixa de Saint-Gilles at\u00e9 \u00e0 f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar, tubos e cisternas para a condu\u00e7\u00e3o e a rece\u00e7\u00e3o da \u00e1gua;<br \/>\nUma casa constru\u00edda em madeira e argamassa; um edif\u00edcio de pedra onde habitava o administrador; e um outro situado perto da costa que servia de dep\u00f3sito para o transporte do a\u00e7\u00facar.<br \/>\nA estimativa total perfaz 502 500 francos.<\/p>\n<p>&#8211; Os 295 escravos associados a essas propriedades s\u00e3o avaliados em 428 150 francos.<\/p>\n<p>&#8211; Por fim, os animais de tra\u00e7\u00e3o e outros animais (16 mulas vindas de Poitou ou de Buenos Aires com carro\u00e7as e arreios, bem como 39 bois de carro\u00e7a da ilha e de Madag\u00e1scar com as respetivas carro\u00e7as) s\u00e3o avaliados em 20 000 F. Um rebanho de 13 bois e 36 cabras \u00e9 citado a t\u00edtulo de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O montante total ascende a 950 650 francos, ou seja, 57 % do total. \u00c0 semelhan\u00e7a de outras propriedades, o valor da m\u00e3o de obra, os escravos, representa uma propor\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel (45 % dos bens de Saint-Gilles).<\/p>\n<p>Os terrenos de Saint-Gilles foram divididos em v\u00e1rias parcelas. O de Saint-Gilles propriamente dito (concess\u00e3o de Duhal), que era o mais extenso, inclu\u00eda um lote de 89 ha 65 a 4 ca para a cultura da cana, al\u00e9m de outro com 54 ha 63 a 6 ca apenas para a cultura de g\u00e9neros aliment\u00edcios, sendo o restante constitu\u00eddo por terrenos baldios ou incultos sem valor apreci\u00e1vel.<br \/>\nDividida em planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar e cultivo para alimenta\u00e7\u00e3o, a terra denominada Emery Mah\u00e9 constitu\u00eda um anexo da anteriormente citada; o terreno denominado L\u00e9on Parny, do qual uma parte era de qualidade inferior; a terra denominada Carrosse (41 ha 70 a 61 ca, e outro lote de qualidade inferior de 25 ha 46 a 35 ca); a parcela Millemont Ricquebourg composta por 11 ha 87 a 11 ca de terras boas e as restantes em comum; o terreno Tourangeau, do qual 21 ha 36 a 79 ca eram terras cultivadas; as terras situadas em Grande Ravine, das quais apenas uma parte muito pequena se encontrava desbravada e o resto eram bosques e savanas. A superf\u00edcie total de todas as terras de Saint-Gilles perfazia mais de 316 ha.<\/p>\n<h4>A propriedade Bernica<\/h4>\n<p>A propriedade Bernica era composta pelos seguintes terrenos:<br \/>\n&#8211; Bernica com uma parcela de 28 ha 49 a 5 ca de terras de alta qualidade e as comunas que delas dependiam, bem como tr\u00eas parcelas situadas no local denominado Tan rouge (parte das terras haviam sido oferecidas pelo pai aos seus Negros alforriados);<br \/>\n&#8211; Parny com 5 ha 93 a 55 ca de terras de alta qualidade;<br \/>\n&#8211; Cadet com 31 ha 22 a 9 ca de terras de alta qualidade;<br \/>\n&#8211; Ch\u00e2teaubrun com 9 ha 49 a 68 ca de terras de alta qualidade e 4 ha 74 a 84 ca de terras de qualidade inferior;<br \/>\n&#8211; Val\u00e8re e Virginie com 2 ha 37 a 42 ca de terras de alta qualidade;<br \/>\n&#8211; \u00abPetite Terre\u00bb, com 6 ha 64 a 77 ca de terras de alta qualidade;<br \/>\n&#8211; Hilarion Ricquebourg e Maunier, com 18 ha 99 a 36 ca de terras de alta qualidade e 23 ha 74 a 22 ca de terras de qualidade inferior e os munic\u00edpios que delas dependiam;<br \/>\n&#8211; Massard, com 4 ha 74 a 84 ca de terras de alta qualidade e 18 ha 99 a 36 ca de terras de qualidade inferior, mais os munic\u00edpios, onde existia uma casa de arrecada\u00e7\u00e3o de madeira;<br \/>\n&#8211; Um terreno delimitado na base pela estrada vicinal e a sul pelo Bras de Bernica com cerca de 18 ha 99 a 36 ca de terreno baixo;<br \/>\n&#8211; Br\u00fbl\u00e9, utilizadas para pastagens, come\u00e7ando na deriva\u00e7\u00e3o formada pelos dois bra\u00e7os do rio de Bernica que subiam ao cimo da serra.<\/p>\n<p>Em Bernica havia uma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar composta por uma bomba a vapor de quatro cavalos conhecida como Guerry que tinha um tambor de dez cavalos; uma bateria de cobre; uma m\u00e1quina Wetzell; um edif\u00edcio de pedra utilizado como refinaria de a\u00e7\u00facar; um edif\u00edcio de pedra utilizado como purga; dois armaz\u00e9ns de pedra, um grande e um pequeno; uma casa de habita\u00e7\u00e3o coberta de palha; outra casa utilizada que alojava o diretor; estrebarias; est\u00e1bulos de bois etc.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, existia uma casa principal constru\u00edda em pedra, uma grande despensa e uma cozinha empedrada, um barrac\u00e3o de madeira, uma cozinha de madeira para os Negros, uma arrecada\u00e7\u00e3o coberta de folhas etc.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1980\" aria-describedby=\"caption-attachment-1980\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/maison-du-bernica-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1980 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/maison-du-bernica-1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/maison-du-bernica-1.jpg 600w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/maison-du-bernica-1-300x174.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1980\" class=\"wp-caption-text\">Casa Bernica, fachadas norte e leste. 1940. Fotografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Particular<\/figcaption><\/figure>\n<p>No mesmo terreno, havia uma casa de madeira em mau estado chamada Bois de N\u00e8fles, um pavilh\u00e3o, dois armaz\u00e9ns de madeira, um grande e um pequeno, e uma velha cozinha empedrada; e, no terreno conhecido como Ch\u00e2teaubrun, erguia-se uma casa de madeira com um andar superior n\u00e3o conclu\u00edda, mas em bom estado.<br \/>\nA estimativa total do valor do terreno com os moinhos de a\u00e7\u00facar e outras constru\u00e7\u00f5es era de 266 000 francos.<\/p>\n<p>A do dos 111 escravos que lhe estavam associados ascendia a 151 750 francos.<\/p>\n<p>A do dos animais de tra\u00e7\u00e3o e outros animais perfazia 16 500 francos.<\/p>\n<p>O montante total dos bens de Bernica elevava-se a 434 250 francos, ou seja, 26 % do total.<\/p>\n<h4>As suas outras propriedades situavam-se quase todas em Saint-Paul<\/h4>\n<p>Dessas propriedades, constava uma parcela de terreno sem edif\u00edcios denominada \u00abdes dattes\u00bb; uma outra junto \u00e0 estrada da qual dependia uma subparcela separada da principal pela rua Saint-Louis e onde se encontrava um pavilh\u00e3o com uma prensa de algod\u00e3o e uma pequena parcela de terreno com g\u00e9neros aliment\u00edcios em frente \u00e0 casa principal; o arrozal de La Fontaine com 1 ha 42 a 45 ca; o terreno de Touchard delimitado na sua base pelas \u00e1guas da lagoa com 17 ha 31 a 8 ca, dos quais 14 ha eram dedicados \u00e0 cultura da cana; o terreno de Roche Blanche em Saint-Paul delimitado na sua base pelas \u00e1guas da lagoa; e, finalmente, o terreno de Pointe des Galets decorrente da heran\u00e7a da m\u00e3e com cerca de 2 ha 37 a 42 ca.<\/p>\n<p>O montante era de 110 250 F, sendo o valor mais elevado atribu\u00eddo ao terreno Touchard (60 000 F) e o mais baixo, ao da Pointe des Galets (250 F).<\/p>\n<h4>Os escravos<\/h4>\n<p>Parte integrante do seu patrim\u00f3nio, tal como no caso de todos os propriet\u00e1rios da col\u00f3nia, os 406 escravos da Senhora Desbassayns eram \u00abdesignados pelos seus nomes, castas, idades e profiss\u00f5es com indica\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o feita pelos peritos\u00bb. Listados por fam\u00edlia ou por indiv\u00edduo, a sua avalia\u00e7\u00e3o baseava-se na idade, na profiss\u00e3o e no estado f\u00edsico.<\/p>\n<p>A grande maioria era crioula (nascida na ilha), o que n\u00e3o \u00e9 surpreendente, pois o tr\u00e1fico de escravos foi proibido em 1817, sendo essa proibi\u00e7\u00e3o confirmada em 1830. A esse respeito, notamos que alguns escravos, fossem eles cafres ou malgaxes, eram relativamente jovens, o que prova que foram introduzidos tardiamente na col\u00f3nia. Por exemplo, Paulin-Leroux, cafre, capataz, de 26 anos, e Ferdinand, malgaxe, sapateiro, de 23 anos, que foi condenado a tr\u00eas anos de cativeiro.<\/p>\n<p>Os nomes s\u00e3o quase todos \u00abconvencionais\u00bb (Olivier, Genevi\u00e8ve, Candide, Jean Baptiste etc.), mas outros h\u00e1 que refletem fontes de inspira\u00e7\u00e3o muito ecl\u00e9ticas, desconhecendo-se quem os atribuiu. Esse tipo de nomes n\u00e3o era exclusivo dos escravos da Sra. Desbassayns, tais como L\u00e9veill\u00e9, Lindor, Lafleur, Z\u00e9phir, Adonis&#8230; Encontramos Mardi (Ter\u00e7a-feira), Mercredi (Quarta-feira), Janvier (Janeiro), mas tamb\u00e9m S\u00e9nateur (Senador), Hercule (H\u00e9rcules), Olympe (Olimpo), Charlemagne (Calos Magno), V\u00e9nus, Neptune (Neptuno) e Minerve (Minerva). Bayonne \u00e9 atribu\u00eddo a um escravo, assim como Coblentz (refer\u00eancia \u00e0 hist\u00f3ria?). Destacam-se tamb\u00e9m Lolo, Barr\u00e9, Modeste Petite, Henri Petit (nanismo?) Ozone, Carbon, Mambo, Catiche, Dominique Macond\u00e9, Cafre, \u00c9line de Phan\u00e9lie (filia\u00e7\u00e3o?) e Roger dito Dauphin (Delfim).<\/p>\n<figure id=\"attachment_10294\" aria-describedby=\"caption-attachment-10294\" style=\"width: 348px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/2000-2-5-1-e1684914255979.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10294 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/2000-2-5-1-e1684914255979.jpg\" alt=\"\" width=\"348\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10294\" class=\"wp-caption-text\">V\u00e9nus, crioula, negra de recados. Ann Marie Valencia, pintora. <br \/>1999. Tinta acr\u00edlica. Papel maruflado. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 2000.2.5.1<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>Cerca de 30 indiv\u00edduos padeciam de doen\u00e7as que lhes reduziam o valor, cinco eram qualificados como doentes, achacados ou \u00abfracos\u00bb. O contingente maiorit\u00e1rio era o dos inv\u00e1lidos ou aleijados, 21 de ambos os sexos, tr\u00eas coxos, um com \u00abuma perna grande\u00bb, dois cegos, outro surdo e dois leprosos.<\/div>\n<div>A t\u00edtulo de informa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o citados escravos em fuga, \u00abmarroneur\u00bb, bem como \u00c9milie, uma crioula de 75 anos, \u00abcarta branca\u00bb.<\/div>\n<div>Os Negros e Negras de picareta eram os mais numerosos. A pan\u00f3plia de outros of\u00edcios era vasta, embora apenas dissesse respeito a um pequeno n\u00famero de indiv\u00edduos, como os doze capatazes, dos quais dez se encontravam em Saint-Gilles e tr\u00eas eram mulheres. Os 17 criados dom\u00e9sticos (dos quais nove eram mulheres) trabalhavam exclusivamente na propriedade principal, bem como a criada e a costureira, o cocheiro, o palafreneiro, as oito costureiras, os cinco cozinheiros (entre os quais, uma mulher), a lavadeira e a engomadeira, os tr\u00eas jardineiros e a jardineira, o negro da corte, a criada do galinheiro, o padeiro, a enfermeira e o carroceiro.\u00a0<span style=\"font-size: 1rem;\">Trinta e nove eram guardi\u00f5es ou guardi\u00e3s, por vezes, encarregados de cuidar de uma \u00e1rea ou de um animal: ovelhas, porcos, hospital, bois, casa, jardim ou galinheiro. Um guardi\u00e3o-chefe trabalhava em Bernica. Duas parteiras exerciam nas duas propriedades principais, respetivamente, tal como os dois carpinteiros-chefes e os nove pedreiros. Havia nove carpinteiros, um ferreiro, um ferreiro tanoeiro, um ferreiro e chefe de grupo, um tanoeiro, um tanoeiro sapateiro (j\u00e1 referido acima), um carvoeiro, um pedreiro, um a\u00e7ucareiro, um a\u00e7ucareiro-chefe. Alguns destes of\u00edcios indicam \u00abescravos de talento\u00bb, apesar de os of\u00edcios nem sempre serem expl\u00edcitos. \u00c9 surpreendente que o n\u00famero de trabalhadores do a\u00e7\u00facar fosse t\u00e3o reduzido.<\/span><\/div>\n<h4>A capela de Saint-Gilles<\/h4>\n<p>A Sra. Desbassayns atribuiu uma renda anual e perp\u00e9tua de 1250 francos \u00e0 Capela. Os abandonat\u00e1rios da propriedade cumpririam a sua vontade e garantiriam a sua continuidade ap\u00f3s falecerem. Caso a entregassem a uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa, a um superior eclesi\u00e1stico ou \u00e0 comuna, a anuidade seria devida e paga ao novo propriet\u00e1rio. Celebrar-se-iam a\u00ed missas por ela, pelo marido e pelos membros da sua fam\u00edlia, a t\u00edtulo anual e perp\u00e9tuo. Os escravos e os habitantes pobres das redondezas, para os quais mandou construir a capela, teriam lugares gratuitos. Se alguma vez se realizasse ali outro culto que n\u00e3o o cat\u00f3lico, o servi\u00e7o da anuidade cessaria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10298\" aria-describedby=\"caption-attachment-10298\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FRAD974_99FI44.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10298 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FRAD974_99FI44.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"635\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FRAD974_99FI44.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FRAD974_99FI44-300x238.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FRAD974_99FI44-768x610.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10298\" class=\"wp-caption-text\">Lembran\u00e7a da Ilha Bourbon, N\u00b0. 41. Capela de Desbassayns. (Saint-Gilles). Louis Antoine Roussin. 1847. Litografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 99FI44<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m da capela, ela pretendia que os quadros, os vasos sagrados, os casti\u00e7ais, os ornamentos, os tapetes, os aparadores, os bancos, os cadeir\u00f5es e as cadeiras, destinados ao seu uso, bem como o altar de m\u00e1rmore que mandara vir de Fran\u00e7a, fossem inclu\u00eddos na atribui\u00e7\u00e3o que fez aos cinco filhos da propriedade de Saint-Gilles.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Estes testamentos, atos privados, constituem, assim, livros abertos sobre as suas propriedades e instala\u00e7\u00f5es. Para al\u00e9m dos aspetos puramente familiares, proporcionam a oportunidade de mergulhar na sociedade colonial de Bourbon do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10324,"parent":5028,"menu_order":50,"template":"","class_list":["post-10355","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/10355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}