{"id":10754,"date":"2023-08-02T12:04:35","date_gmt":"2023-08-02T10:04:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=10754"},"modified":"2023-08-02T12:04:35","modified_gmt":"2023-08-02T10:04:35","slug":"escrita-literaria-sobre-a-escravatura-e-o-marronnage-na-ilha-da-reuniao","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/memoria-da-escravatura\/expressoes-artisticas\/escrita-literaria-sobre-a-escravatura-e-o-marronnage-na-ilha-da-reuniao\/","title":{"rendered":"Escrita liter\u00e1ria sobre a escravatura e o <em>marronnage<\/em> na Ilha da Reuni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>Os primeiros textos escritos sobre a ilha, que, na altura, ainda n\u00e3o se chamava Reuni\u00e3o, consistem essencialmente em narrativas de viagens ou documentos administrativos. N\u00e3o \u00e9 de surpreender que contenham observa\u00e7\u00f5es sobre o espa\u00e7o, as paisagens, o esplendor do lugar e a abund\u00e2ncia da natureza; contudo, no intermeio, surgem notas sobre as rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos que ocupavam o lugar e, por conseguinte, sobre a escravatura e o <em>marronnage<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9812321794424412\" aria-label=\"O marronnage \u00e9 o ato de fuga de um escravo. (N. da T.)\">&nbsp;<\/span>, pr\u00e1ticas consubstanciais \u00e0 cria\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica do mesmo.<\/h2>\n<p>Desde o in\u00edcio, estes dois temas est\u00e3o presentes na literatura reunionense, de forma expl\u00edcita ou impl\u00edcita. Poder-se-ia mesmo afirmar que a literatura da Reuni\u00e3o nasceu de uma interroga\u00e7\u00e3o e problematiza\u00e7\u00e3o destes temas e assuntos, \u00e0 imagem, e talvez \u00e0 semelhan\u00e7a, da literatura das Maur\u00edcias, nomeadamente, da obra de Jacques-Henri Bernardin de Saint\u2212Pierre, <em>Paulo e Virg\u00ednia<\/em> (1788) e, sobretudo, da sua<em> Voyage \u00e0 l&#8217;Isle de France, \u00e0 l&#8217;Isle Bourbon, au cap de Bonne\u2212Esp\u00e9rance<\/em> (1773).<\/p>\n<p>Em janeiro de 1775, \u00c9variste de Parny escreve a Bertin, come\u00e7ando por elogiar a beleza da natureza, a excel\u00eancia do ar e da fruta e a tranquilidade para, depois, salientar a monotonia e o t\u00e9dio constantes, tra\u00e7ando um retrato negativo da sociedade crioula que considera fundar-se na pregui\u00e7a, na decad\u00eancia dos costumes, no engodo e na inveja, e tecendo uma longa descri\u00e7\u00e3o dos males da escravatura.<br \/>\nO seu texto mais importante, <em>Chansons mad\u00e9casses<\/em> (1787), evoca os escravizados e, em filigrana, o <em>marronnage<\/em>, veiculando as suas vozes e produ\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas. Escritas segundo o modelo do discurso po\u00e9tico malgaxe, estas can\u00e7\u00f5es versavam o que ouvia no espa\u00e7o familiar, sendo os autores ou criadores originais do texto, com sua pros\u00f3dia, ret\u00f3rica, ritmo e musicalidade, portanto, os escravos malgaxes de Bourbon. Poema anticolonialista e antiesclavagista que denuncia a preda\u00e7\u00e3o colonial, o tr\u00e1fico de escravos e a escravatura, <em>Les Chansons mad\u00e9casses<\/em> \u00e9 a primeira obra po\u00e9tica em prosa da literatura francesa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10690\" aria-describedby=\"caption-attachment-10690\" style=\"width: 824px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Chansons_mad\u00e9casses___traduites_en_...Parny_\u00c9variste_bpt6k1525423v_29.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10690 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Chansons_mad\u00e9casses___traduites_en_...Parny_\u00c9variste_bpt6k1525423v_29.jpg\" alt=\"\" width=\"824\" height=\"522\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Chansons_mad\u00e9casses___traduites_en_...Parny_\u00c9variste_bpt6k1525423v_29.jpg 824w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Chansons_mad\u00e9casses___traduites_en_...Parny_\u00c9variste_bpt6k1525423v_29-300x190.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Chansons_mad\u00e9casses___traduites_en_...Parny_\u00c9variste_bpt6k1525423v_29-768x487.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10690\" class=\"wp-caption-text\">Quinta can\u00e7\u00e3o. Jean \u00c9mile Laboureur. 1920. Gravura em madeira a cores. Em <em>Chansons mad\u00e9casse<\/em>s, traduzido para o franc\u00eas por \u00c9variste de Parny, Paris: \u00c9d. de la Nouvelle Revue fran\u00e7aise, 1920, p. 19. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>A escravatura e a resist\u00eancia constituem, assim, a base da literatura da Reuni\u00e3o, tanto em franc\u00eas como em crioulo. Em 1828, Louis-\u00c9mile H\u00e9ry publica as suas <em>Fables cr\u00e9oles d\u00e9di\u00e9es aux dames de l\u2019Isle Bourbon<\/em> e, em 1821, nas Maur\u00edcias, Fran\u00e7ois Chrestien publica <em>Essais d&#8217;un bobre africain<\/em>. Tal como o t\u00edtulo do poema em prosa de Parny evocava as vozes malgaxes, o da obra de Chrestien aludia a um instrumento musical africano, o bobre. \u00c9 significativo que a terceira edi\u00e7\u00e3o alargada da obra de Louis H\u00e9ry (1856) se intitule <em>Nouvelles esquisses africaines<\/em>.<br \/>\nA presen\u00e7a e as vozes dos escravizados animam o texto, nomeadamente, em <em>Le meunier, son fils et l&#8217;\u00e2ne<\/em>, um teatro lingu\u00edstico e vernacular que protagonizam e que, embora semelhante ao de La Fontaine, revela um cen\u00e1rio e pr\u00e1ticas lingu\u00edsticas, discursivas e antropol\u00f3gicas claramente associadas ao mundo das planta\u00e7\u00f5es de Bourbon.<\/p>\n<p>O nascimento do romance reunionense est\u00e1 tamb\u00e9m ligado a estes mundos. O primeiro, <em>Les Marrons<\/em> de Louis-Timag\u00e8ne Houat (1844), relata a viol\u00eancia inerente ao sistema das planta\u00e7\u00f5es, explicitamente, campos de trabalho, onde predominam o terror, a humilha\u00e7\u00e3o, a desumaniza\u00e7\u00e3o, o abuso e a tortura. Al\u00e9m disso, fala de miscigena\u00e7\u00e3o. As duas personagens principais, e n\u00e3o s\u00f3, s\u00e3o <em>marrons<\/em>, o negro Fr\u00eame e a companheira branca, Marie. O romance termina com uma revolta generalizada dos escravos que decidem coletivamente ir viver num espa\u00e7o de <em>marronnage<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1797\" aria-describedby=\"caption-attachment-1797\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1797 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation-300x185.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation-768x473.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1797\" class=\"wp-caption-text\">A propriedade. Tony de B., del. ; F\u00e9lix, sc. Estampa. <br \/>Em <em>Les marrons<\/em> de Louis Timag\u00e8ne Houat. Ebrard, 1844. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o. Biblioteca administrativa e hist\u00f3rica, inv. BIB2896.2<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1847, Leconte de Lisle publicou Sacatove, a hist\u00f3ria de um marron que se apaixona por Marie, filha do antigo senhor, e a rapta. Inspirada em Bug-Jargal (Victor Hugo, 1826), a personagem corresponde ao que L\u00e9on-Fran\u00e7ois Hoffmann definiu como a figura do \u00abnegro rom\u00e2ntico\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.11760203608061581\" aria-label=\"L\u00e9on-Fran\u00e7ois Hoffmann, Le N\u00e8gre romantique personnage litt\u00e9raire et obsession collective, Paris, \u00c9ditions Payot, 1975.\">&nbsp;<\/span>. Tal como Bug-Jargal, Sacatove \u00e9 descrito como um ser cavalheiresco com sentimentos nobres, perdidamente apaixonado por Marie, a filha do seu senhor. A sua morte, igualmente infligida pelos seus senhores, p\u00f5e t\u00e9rmino \u00e0s semelhan\u00e7as entre as duas personagens: Bug-Jargal \u00e9 fuzilado pelo ex\u00e9rcito que lidera a luta contra os insurretos, enquanto Sacatove, desesperado com a recusa de Marie em am\u00e1-lo, se rende, sendo morto pelo irm\u00e3o dela. O final da hist\u00f3ria, por\u00e9m, fica em aberto. Ao regressar \u00e0 propriedade paterna, Marie \u00e9 imediatamente dada em casamento pelo pai e d\u00e1 \u00e0 luz uma crian\u00e7a que o narrador diz ser de pele branca como qualquer outra, dando a entender que Sacatove \u00e9 o pai da crian\u00e7a. Enquanto o texto de Hugo mostra claramente a separa\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as, o texto de Leconte de Lisle deixa entrever a miscigena\u00e7\u00e3o como utopia para sair da escravatura.<\/p>\n<figure id=\"attachment_602\" aria-describedby=\"caption-attachment-602\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-frad974-bib2896-4-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-602 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-frad974-bib2896-4-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-frad974-bib2896-4-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-frad974-bib2896-4-web-300x186.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-frad974-bib2896-4-web-768x475.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-602\" class=\"wp-caption-text\">A caverna. Tony de B., del.; F\u00e9lix, sc. Estampa. Em<em> Les marrons<\/em> de Louis Timag\u00e8ne Houat. Ebrard, 1844. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o. Biblioteca administrativa e hist\u00f3rica, inv. BIB2896.4<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1848,<em> Le courrier de Saint-Paul<\/em> publicou <em>Bourbon pittoresque<\/em> de Eug\u00e8ne Dayot, um romance inacabado consagrado ao grande <em>marronnage<\/em> do s\u00e9culo XVIII sob a perspetiva dos ca\u00e7adores de <em>marrons<\/em>. O tom corresponde ao que foi descrito como \u00abg\u00f3tico haitiano\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8106865729844428\" aria-label=\"Em 1848, Le courrier de Saint-Paul publicou Bourbon pittoresque de Eug\u00e8ne Dayot, um romance inacabado consagrado ao grande marronnage do s\u00e9culo XVIII sob a perspetiva dos ca\u00e7adores de marrons. O tom corresponde ao que foi descrito como \u00abg\u00f3tico haitiano\u00bb\">&nbsp;<\/span>, ou seja, trata-se de uma descri\u00e7\u00e3o denegridora e negativa dos marrons, mas partilha do fio condutor comum a todos estes textos, apresentando as personagens brancas com uma postura melanc\u00f3lica sist\u00e9mica associada ao contexto da planta\u00e7\u00e3o esclavagista e logicamente presente em todos os romances coloniais da Ilha da Reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Mulato como Houat, Auguste Lacaussade retoma o tema dos <em>marrons<\/em> na sua cole\u00e7\u00e3o <em>Po\u00e8mes et Paysages<\/em>, de 1862. J\u00e1 em <em>Les Salaziennes<\/em> (1839), a quinta pe\u00e7a da colet\u00e2nea, <em>Le lac des gouyaviers et le piton d&#8217;Anchaine<\/em>, evoca a figura do <em>marron<\/em> Anchaing e louva a resist\u00eancia e a liberdade a todo o custo.<br \/>\nO poema XVIII de <em>Po\u00e8mes et Paysages<\/em>, <em>Une voix lointaine<\/em>, \u00e9 um violento ataque ao sistema de escravatura e \u00e0 submiss\u00e3o que contrasta o esplendor da paisagem campestre de Bourbonnais com a situa\u00e7\u00e3o dos escravizados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10695\" aria-describedby=\"caption-attachment-10695\" style=\"width: 964px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1989-535.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10695 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1989-535.jpg\" alt=\"\" width=\"964\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1989-535.jpg 964w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1989-535-300x202.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1989-535-768x518.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10695\" class=\"wp-caption-text\">Vista interior da ilha, registada nas proximidades do jardim da cidade de St-Denis (Ile Bourbon). <br \/>Alphonse Bichebois; Adam; Langlum\u00e9. 1827. Litografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1989.535<\/figcaption><\/figure>\n<p>No poema LXXIX (79), <em>Le bengali<\/em>, Lacaussade retrata uma personagem isolada na noite que, numa melodia melanc\u00f3lica, evoca tanto a sua situa\u00e7\u00e3o servil como o tempo em que vivia livre na sua terra natal.<\/p>\n<p>Em 1958, dando continuidade ao romance colonial, Claire Bosse publica <em>Colonisation de l&#8217;\u00eele Bourbon ou l&#8217;id\u00e9al amour<\/em>, que se apresenta como uma vers\u00e3o feliz, do ponto de vista dos senhores brancos, do romance de Dayot, publicado um s\u00e9culo antes. A narrativa utiliza caracteriza\u00e7\u00f5es \u00abg\u00f3ticas\u00bb, atrav\u00e9s de express\u00f5es como \u00abselvagens absolutos\u00bb (p. 8), \u00abhordas de b\u00e1rbaros\u00bb (p. 9) e \u00ablobos gananciosos\u00bb (p. 9). Em contrapartida, o narrador fala da \u00abvida pac\u00edfica e sorridente dos habitantes civilizados do litoral\u00bb, que gozam \u00aba eterna primavera da ilha\u00bb. Este texto, que marca a longa guerra entre duas utopias racializadas e de classes, a da soberania dos marrons nas montanhas e a dos senhores no litoral, prop\u00f5e fundar a felicidade dos brancos num genoc\u00eddio. A erradica\u00e7\u00e3o total do marronnage \u00e9 apresentada como a condi\u00e7\u00e3o para uma \u00abfelicidade sem nuvens\u00bb, sendo a condi\u00e7\u00e3o do \u00c9den o massacre de todos os marrons. Esta \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o clara de que os temas da escravatura e do marronnage na literatura s\u00e3o sempre abordados por via de um paradigma de guerra, um confronto que recome\u00e7a incessantemente.<\/p>\n<p>Os romances de Marius-Ary Leblond assentam num estilo po\u00e9tico que pretende ser naturalista e n\u00e3o ex\u00f3tico. Embora a escravatura e o <em>marronnage<\/em> estejam ausentes dos seus romances e contos, a sua sombra n\u00e3o deixa de se insinuar. O romance mais marcado por esta presen\u00e7a\/aus\u00eancia \u00e9 <em>Ulysse Cafre. Histoire dor\u00e9e d&#8217;un Noir<\/em>, (1924). Os temas da deambula\u00e7\u00e3o, da filia\u00e7\u00e3o, da nomea\u00e7\u00e3o dos lugares e da l\u00edngua fazem vir \u00e0 tona as vozes, as presen\u00e7as e as a\u00e7\u00f5es dos escravos e dos <em>marrons<\/em>. Certo dia, o cozinheiro da fam\u00edlia do narrador, Ulysse deixa-os para ir procurar o filho que h\u00e1 muito perdeu de vista. No seu p\u00e9riplo pela ilha, encontra v\u00e1rias personagens, a uma das quais revela a sua genealogia e filia\u00e7\u00e3o, explicando a origem do nome do pai, Abel, que havia sido escravo.<br \/>\nEsta passagem mostra como a atribui\u00e7\u00e3o de nomes aos escravos os despoja dos nomes originais e das respetivas linhagens, desenraizando-os e marcando-os como posses do senhor, numa esp\u00e9cie de redobramento simb\u00f3lico da marca de propriedade no corpo. O discurso de Ulysse sobre o nome do pai, por\u00e9m, faz renascer o nome dado pela filia\u00e7\u00e3o, associado ao lugar de origem, que permanece na mem\u00f3ria inconsciente da descend\u00eancia. Este nome, Laouall\u00e9, regressado \u00e0 mem\u00f3ria e aos sonhos, assombra a narrativa de Ulysse e transforma a pr\u00f3pria textura do romance. No conjunto do romance colonial, a aparente aus\u00eancia de narrativas sobre a escravatura e o <em>marronnage<\/em>, faz delas, de certa forma, a origem de qualquer afirma\u00e7\u00e3o que procure descrever o lugar reunionense contempor\u00e2neo, bem como os processos da sua constru\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante a tentativa do narrador de mostrar a assimila\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o (numa posi\u00e7\u00e3o subalterna) do descendente de escravos nos valores da civiliza\u00e7\u00e3o branca e crist\u00e3, a viagem de Ulysse revela-se um <em>marronnage<\/em> contempor\u00e2neo ilustrado pela descoberta de lugares e pr\u00e1ticas ocultas, secretas, subterr\u00e2neas, espa\u00e7os de terapia e feiti\u00e7aria, o elogio de uma ocupa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o ecol\u00f3gica do mundo herdadas precisamente das pr\u00e1ticas dos <em>marrons<\/em>.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_10699\" aria-describedby=\"caption-attachment-10699\" style=\"width: 494px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_1P8.32.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10699 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_1P8.32.jpg\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_1P8.32.jpg 494w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_1P8.32-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10699\" class=\"wp-caption-text\">[Traje ritual de palha com grupo]. 19&#8230; Fotografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o particular Arnaud Bazin (1977-), inv. 1 P8.32<\/figcaption><\/figure>Esta presen\u00e7a de marrons, e a ambiguidade da filia\u00e7\u00e3o, torna-se expl\u00edcita no romance de Marguerite-H\u00e9l\u00e8ne Mah\u00e9, <em>Sortil\u00e8ges cr\u00e9oles. Eudora ou l&#8217;\u00eele enchant\u00e9e<\/em> (1952, 1955, 1985). Texto sobre o duplo, o car\u00e1cter indecisivo das origens, o segredo de uma filia\u00e7\u00e3o atormentada e amb\u00edgua, bem como a repara\u00e7\u00e3o<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3938011381740911\" aria-label=\"Ver Marie-Jos\u00e9e Matiti-Picard, Passages et portes du r\u00e9el. D'une mise en \u00e9criture du surnaturel dans la litt\u00e9rature r\u00e9unionnaise (2005) e Brigitte Cassirame, Hantise et survivance chez des \u00e9crivains issus de l'espace colonial et post-colonial (2011).\">&nbsp;<\/span>, o romance faz coincidir os in\u00edcios dos s\u00e9culos XVIII e XX em Mahavel, meca do <em>marronnage<\/em> e dos seus vest\u00edgios, da feiti\u00e7aria, dos fantasmas e das almas errantes. \u00c9 tamb\u00e9m um texto sobre <em>Granm\u00e9rkal<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2389997117122269\" aria-label=\"Lenda sobre uma bruxa que assombra o vulc\u00e3o da Reuni\u00e3o. (N. da T.)\">&nbsp;<\/span>e a sua liga\u00e7\u00e3o estrutural \u00e0 escravatura e ao <em>marronnage<\/em>.<br \/>\nO romance narra a hist\u00f3ria de tr\u00eas mulheres, Sylvie de K\u00e9rou\u00ebt, Kalla, a escrava que lhe era inteiramente dedicada e que foi morta pelo chefe dos <em>marrons<\/em>, Z\u00e9lindor, e Eudora de Nadal, descendente de Sylvie, mas cuja filia\u00e7\u00e3o \u00e9 indecisiva<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9426762234544863\" aria-label=\"N\u00e3o sabemos se \u00e9 descendente do Cavaleiro de Nadal, marido de Sylvie de Kerou\u00ebt, de Fran\u00e7ois Mussard, seu amante, ou mesmo de Z\u00e9lindor, que, ao raptar Sylvie, a confunde com Kalla.\">&nbsp;<\/span>. Gra\u00e7as ao di\u00e1rio da sua antepassada, Eudora fica a conhecer a hist\u00f3ria entrela\u00e7ada de Sylvie e Kalla, que pagou com a pr\u00f3pria vida a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 sua senhora e cujo corpo nunca foi encontrado. Esta aus\u00eancia de sepultura faz de Kalla uma alma errante, <em>Granm\u00e9rkal<\/em>, que aparece para anunciar aos De Nadal a morte iminente de um deles ou para os avisar de um perigo. Eudora, que acredita ser a reencarna\u00e7\u00e3o da sua antepassada, torna-se muito melanc\u00f3lica. Para se curar e se sentir leg\u00edtima em Mahavel, em harmonia com o lugar e a sua hist\u00f3ria, tem de encontrar os restos mortais de Kalla e dar-lhe uma sepultura, o que acontece no final do romance.<br \/>\nNa fronteira entre os romances coloniais e p\u00f3s-coloniais, a narrativa \u00e9 amb\u00edgua: a sepultura de Kalla tem menos que ver com a atribui\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o nesse lugar do que com a restitui\u00e7\u00e3o da paz a Eudora e \u00e0 sua linhagem, pacificando a propriedade dos senhores, mesmo que o reaparecimento dos restos mortais de Kalla contribua para o surgimento de uma outra Hist\u00f3ria ou da Hist\u00f3ria dos outros na mem\u00f3ria, no discurso e no texto.<\/p>\n<p>Foram os textos po\u00e9ticos da segunda metade do s\u00e9culo XX que se encarregaram explicitamente desta Hist\u00f3ria.<br \/>\nO \u00faltimo verso de \u00abpressentimento\u00bb na antologia <em>Zamal<\/em> (1951) de Jean Albany \u00e9: <em>Bobre, bobre, instrument de musique cr\u00e9ole<\/em>. No romance colonial, \u00ab<em>cr\u00e9ole<\/em>\u00bb significava \u00abbranco\u00bb; na obra de Albany, a palavra \u00e9 integradora. Desde ent\u00e3o, o bobre tornou-se um s\u00edmbolo da cultura reunionense.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10703\" aria-describedby=\"caption-attachment-10703\" style=\"width: 479px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2001-9-12.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10703 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2001-9-12.jpg\" alt=\"\" width=\"479\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2001-9-12.jpg 479w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2001-9-12-205x300.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10703\" class=\"wp-caption-text\">Ilha da Reuni\u00e3o. Um tocador de bobre. Luda, fot\u00f3grafo. <br \/>Primeiro quartel do s\u00e9culo XX. Fot\u00f3tipo; preto e branco. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 2001.9.12<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Bal Indigo<\/em>, publicado em crioulo (1976), \u00e9 mais expl\u00edcito. \u00abCapataz\u00bb evoca a viol\u00eancia e a tortura a que s\u00e3o submetidos os escravos e abre a perspetiva do fim do sistema esclavagista atrav\u00e9s de uma revolta generalizada liderada pelos <em>marrons<\/em>. Significativamente, no pen\u00faltimo verso, o artigo partitivo que precede \u00ableite\u00bb e \u00abmel\u00bb \u00e9 escrito de acordo com a pron\u00fancia atribu\u00edda ao escravo de origem africana, que o historiador crioulo Eug\u00e8ne Volcy Focard descreveu num artigo de 1884<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8734312650068401\" aria-label=\"\u00ab Le Patois cr\u00e9ole de l\u2019\u00eele Bourbon \u00bb em le Bulletin de la Soci\u00e9t\u00e9 des Sciences et Arts.\">&nbsp;<\/span> como \u00abcrioulo de mo\u00e7ambique\u00bb.<br \/>\n<em>Monte Chemin Cormoran<\/em>, com cerca de vinte p\u00e1ginas, evoca a figura da Senhora Desbassayns, a situa\u00e7\u00e3o infernal dos seus escravos e o <em>marronnage<\/em> como destrui\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p><em>Tienbo le rein e Beaux visages cafrines sous la lampe<\/em> de Alain Lorraine (1975), associam a hist\u00f3ria da Reuni\u00e3o ao ex\u00edlio, \u00e0 migra\u00e7\u00e3o e \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o, sendo a escravatura e o marronnage os fundamentos da ilha. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o poema de abertura da antologia se intitula \u00abMo\u00e7ambique\u00bb e frisa a rela\u00e7\u00e3o entre a mem\u00f3ria e a resist\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10707\" aria-describedby=\"caption-attachment-10707\" style=\"width: 652px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DC-189-11-FOL.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10707 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DC-189-11-FOL.jpg\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DC-189-11-FOL.jpg 652w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/DC-189-11-FOL-300x267.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10707\" class=\"wp-caption-text\">Negros marrons em emboscada. Lacoste (fam\u00edlia). S\u00e9culo XIX. Estampa. <br \/>Em <em>Recueil. Oeuvre de Denis Marie Auguste Raffet.<\/em> <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a, inv. DC-189 11-FOL<\/figcaption><\/figure>\n<p>Contudo, o excelente texto que canta a epopeia dos marrons \u00e9 <em>Vali pour une reine morte<\/em>, de Boris Gamaleya (1973), um longo poema-teatro que narra a hist\u00f3ria dos <em>marrons<\/em> atrav\u00e9s das figuras de Rahariane e Cimendef, cuja mem\u00f3ria deve ser mantida viva para caracterizar e habitar uma ilha diferente da que resultou historicamente do tr\u00e1fico de escravos, da escravatura e do colonialismo. O que o texto destaca, tanto na rela\u00e7\u00e3o entre Rahariane e Cimendef como na oposi\u00e7\u00e3o entre Cimendef e o ca\u00e7ador de <em>marrons<\/em> Mussard, ou Ombline Desbassyns, \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 a contradi\u00e7\u00e3o entre habitar uma terra associada \u00e0s planta\u00e7\u00f5es com m\u00e3o de obra escrava e ao colonialismo, mas tamb\u00e9m o facto de essa terra ser habit\u00e1vel. Viver ali, em tal situa\u00e7\u00e3o, torna-a de facto inabit\u00e1vel, pelo que se torna necess\u00e1rio habit\u00e1-la enquanto <em>marron<\/em> e articular plenamente a presen\u00e7a humana com outras presen\u00e7as vegetais ou espirituais.<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07673554875920718\" aria-label=\"Para uma an\u00e1lise mais precisa desta articula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do habitar do marronnage, permitam-me remeter-vos para o meu artigo \u00abPr\u00e9sences, spectres et voix en paysages dans l'\u0153uvre po\u00e9tique de Boris Gamaleya\u00bb, a publicar nas Atas do col\u00f3quio Gamaleya (2023) e para as seguintes obras: Denetem Touam Bona, Fugitif, o\u00f9 cours-tu?, Presses Universitaires de France, 2016; Malcom Ferdinand, Une \u00e9cologie d\u00e9coloniale. Penser l'\u00e9cologie depuis le monde carib\u00e9en (Seuil, 2019) e Christine Chivallon, L'Humain-L'Inhumain: l'impens\u00e9 des nouveaux mat\u00e9rialismes (\u00c9ditions Atlantiques d\u00e9cha\u00een\u00e9es, 2022).\">&nbsp;<\/span> \u00c9 por isso que as terras altas, os morros, os picos, os cumes e as montanhas desempenham um papel t\u00e3o importante no conjunto da poesia de Boris Gamaleya. Trata\u2212se do espa\u00e7o do <em>marronnage<\/em> em si, pouco acess\u00edvel aos senhores das planta\u00e7\u00f5es e aos ca\u00e7adores de <em>marrons<\/em>, mas sobretudo um espa\u00e7o de soberania, liberdade e entrela\u00e7amento do que \u00e9 vivo, tanto seres humanos como n\u00e3o humanos. Para Gamaleya, o marronnage \u00e9 o oposto da planta\u00e7\u00e3o. O espa\u00e7o marron associa as palavras e os corpos \u00e0s montanhas, \u00e0s \u00e1rvores e \u00e0s plantas, reconstruindo os la\u00e7os que se desatam porque atam. \u00c9 por ser <em>marronne<\/em> que a natureza est\u00e1 no \u00e2mago da escrita de Gamaleya: ela \u00e9 a mem\u00f3ria <em>marronne<\/em> que permite que as temporalidades se entrelacem e o infinito renascimento na hist\u00f3ria do <em>marronnage<\/em>, da liberdade das l\u00ednguas, da linguagem, dos discursos, das vozes e dos sujeitos que deixaram de estar encerrados em identidades arrepiantes.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_10711\" aria-describedby=\"caption-attachment-10711\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_5P3.JL_.105.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10711 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_5P3.JL_.105.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"821\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_5P3.JL_.105.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_5P3.JL_.105-300x205.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_5P3.JL_.105-768x525.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/FRIHOI_5P3.JL_.105-1024x701.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10711\" class=\"wp-caption-text\">[Ilha da Reuni\u00e3o: Cimendef]. Jean Legros.1960-1970]. Fotografia. <br \/>Acervo do fot\u00f3grafo Jean Legros (1920-2004), inv. 5P3.JL.105<\/figcaption><\/figure>No \u00fanico n\u00famero da revista cultural <em>Lansiv<\/em> (1984), os autores de um artigo sobre a literatura reunionense contempor\u00e2nea descrevem a obra de Boris Gamaleya como um pref\u00e1cio \u00e0 literatura da Reuni\u00e3o. N\u00e3o querendo limitar a enorme produ\u00e7\u00e3o do autor a esta qualifica\u00e7\u00e3o, \u00e9 evidente que o lugar central atribu\u00eddo ao <em>marronnage<\/em> esteve na origem de uma produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de grande riqueza no final do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, nomeadamente, na m\u00fasica e, de forma singular, nos nomes e textos das in\u00fameras bandas de Maloya<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8842432509596241\" aria-label=\"G\u00e9nero musical da ilha da Reuni\u00e3o (N. da T.)\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10727,"parent":5046,"menu_order":50,"template":"","class_list":["post-10754","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/10754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5046"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}