{"id":11037,"date":"2023-08-31T11:23:43","date_gmt":"2023-08-31T09:23:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=11037"},"modified":"2023-09-04T12:30:29","modified_gmt":"2023-09-04T10:30:29","slug":"maison-rouge-a-saint-louis-des-desforges-boucher-a-la-famille-benard-1722-1971","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/uma-sociedade-de-plantacao\/as-grandes-familias-de-plantadores\/maison-rouge-a-saint-louis-des-desforges-boucher-a-la-famille-benard-1722-1971\/","title":{"rendered":"Maison Rouge em Saint-Louis: da fam\u00edlia Desforges-Boucher \u00e0 fam\u00edlia B\u00e9nard (1722-1971)"},"content":{"rendered":"<p>Em 1716, Henri de Justamond, governador de Bourbon de 1715 a 1718, autorizou a ca\u00e7a entre Saint-Leu e a Rivi\u00e8re Saint-Etienne, abrindo as portas \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o do Sul. Tr\u00eas anos mais tarde, a 5 de mar\u00e7o de 1719 <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9812604414125905\" aria-label=\"ADR, C\u00b0 1923 F\u00b0 61.\">&nbsp;<\/span>, Antoine Desforges-Boucher (c. 1681-1725)<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2678872000574206\" aria-label=\"Funcion\u00e1rio da Companhia das \u00cdndias em Bourbon de 1702 a 1708, Desforges-Boucher regressou \u00e0 ilha em 1718, assumindo o cargo de diretor do com\u00e9rcio e, depois, de governador de 1723 at\u00e9 \u00e0 sua morte em Saint-Paul a 1 de dezembro de 1725. Foi ele quem promoveu a cultura do caf\u00e9 em Bourbon, a primeira grande cultura especulativa da ilha, impondo a cultura de 10 cafeeiros por escravo a partir de 1718.\">&nbsp;<\/span> obteve a concess\u00e3o do Gol, entre a ravina com o mesmo nome a leste e a ravina dos Cafres a oeste, a primeira no que \u00e9 hoje o munic\u00edpio de Saint-Louis. Em 18 de julho de 1722, a plan\u00edcie inclinada entre a ravina do Gol a oeste e o Bras du Milieu a leste (tamb\u00e9m conhecido como ravina do Mouchoir Gris) foi concedida ao cunhado, Paul Sicre de Fontbrune, que chegara a Bourbon no mesmo ano.<\/p>\n<p>Estabelecido em Saint-Paul e, depois, em Sainte-Suzanne, Paul Sicre de Fontbrune n\u00e3o conseguiu desenvolver a concess\u00e3o de Saint-Louis que, a 19 de mar\u00e7o de 1725, foi devolvida \u00e0 Companhia. Seis dias mais tarde, a propriedade foi novamente entregue a Antoine Desforges-Boucher, que passou, assim, a deter todas as terras situadas entre a ravina dos Cafres e a ravina do Mouchoir Gris, tornando-se um dos maiores propriet\u00e1rios da col\u00f3nia.<\/p>\n<h3>Maison Rouge e Le Gol: gest\u00e3o conjunta (1725-1783)<\/h3>\n<p>Desforges-Boucher morreu a 1 de dezembro de 1725 sem ter conseguido aplicar \u00e0 cultura do caf\u00e9 nas suas terras de Saint-Louis as medidas que tentava impor aos colonos. A 4 de dezembro, os seus herdeiros procederam ao invent\u00e1rio dos seus bens na ilha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8559493165430361\" aria-label=\"ADR 3E46, sucess\u00e3o Desforges-Boucher.\">&nbsp;<\/span>. O invent\u00e1rio da propriedade \u00abGaule\u00bb \u00e9 curto, sendo as respetivas terras avaliadas em 15 000 libras, incluindo os terrenos arroteados e os cafezais plantados. A propriedade inclu\u00eda tamb\u00e9m 30 escravos cujo valor ascendia a 28 805 libras, bem como gado (100 bois, 140 ovelhas, borregos e cabras e 47 porcos) avaliado em 1713 libras. O total perfazia 45 518 libras, o equivalente a cerca de 700 000 euros nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Sete anos ap\u00f3s este invent\u00e1rio, a 16 de agosto de 1732, os bens dos herdeiros de Desforges-Boucher foram partilhados, tendo o Gol sido dividido em duas propriedades: a primeira, da ravina do Maniron a oeste ao \u00abprimeiro bra\u00e7o da lagoa do Golle\u00bb a leste; a segunda, desde o \u00abprimeiro bra\u00e7o da lagoa do Golle a oeste at\u00e9 \u00e0 ravina da lagoa do Golle a leste\u00bb. Se considerarmos \u00abo primeiro bra\u00e7o da lagoa do Golle\u00bb como a atual ravina do Gol e a ravina da lagoa do Gol como a atual ravina do Mouchoir Gris, esta partilha de 1732 deu origem \u00e0s propriedades distintas do Gol e da Maison Rouge, que foram deixadas por dividir, encontrando-se entre os herdeiros Antoine-Marie e Jacques, a seguir mencionados.<\/p>\n<p>Em 1735, o recenseamento geral efetuado a pedido de Bertrand Fran\u00e7ois Mah\u00e9 de La Bourdonnais pouco tempo ap\u00f3s a sua chegada \u00e0s ilhas Mascarenhas indica que os herdeiros de Desforges-Boucher detinham 24 escravos em Saint-Louis, dos quais 15 homens e nove mulheres. A propriedade continha 20 000 cafeeiros e produzia 500 quintais de trigo (25 t), 200 de milho (10,16 t) e 500 p\u00e9s de feij\u00e3o (25,4 t).<\/p>\n<figure id=\"attachment_10765\" aria-describedby=\"caption-attachment-10765\" style=\"width: 574px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10765 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-1.jpg\" alt=\"\" width=\"574\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-1.jpg 574w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-1-215x300.jpg 215w\" sizes=\"auto, (max-width: 574px) 100vw, 574px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10765\" class=\"wp-caption-text\">Desenho bot\u00e2nico de um cafeeiro de meados do s\u00e9culo XVIII. <br \/>Col. Bernard Leveneur<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_10769\" aria-describedby=\"caption-attachment-10769\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10769 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-2.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-2-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10769\" class=\"wp-caption-text\">Maison Rouge, reconstitui\u00e7\u00e3o de um campo de caf\u00e9. <br \/>2023, fotografia de Bernard Leveneur<\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois de concluir a sua forma\u00e7\u00e3o na metr\u00f3pole, os irm\u00e3os Desforges-Boucher regressaram \u00e0s Mascarenhas: Antoine-Marie em 1736 e Jacques em 1749. O primeiro, engenheiro militar colocado na ilha Bourbon e, depois, na ilha de Fran\u00e7a, teve uma carreira brilhante que culminou no cargo de governador-geral das Mascarenhas em 1767, ano em que se retirou para Saint-Louis, antes de deixar a col\u00f3nia com destino a Lorient em 1783.<\/p>\n<p>Jacques Desforges-Boucher, antigo oficial dos navios da Companhia das \u00cdndias<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6148299546646196\" aria-label=\"Richard, Jean, Les Desforges boucher. Chroniques familiales, 1979-1981, manuscrito in\u00e9dito. A maioria das informa\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas sobre Jacques prov\u00e9m deste documento conservado pelos descendentes dos Desforges-Boucher. A sua carreira na marinha mercante decorreu de 1735 a 1749, per\u00edodo em que fez sete campanhas no Oceano \u00cdndico.\">&nbsp;<\/span>, estabeleceu-se em Saint-Louis em 1749, onde casou com Marie Elisabeth Le Lubois<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8003891700039316\" aria-label=\"Nascida em Baiona, partiu sozinha de Fran\u00e7a rumo \u00e0 ilha para se juntar ao irm\u00e3o Julien Le Lubois.\">&nbsp;<\/span> a 17 de outubro de 1752. De acordo com o seu contrato de casamento, Jacques Desforges-Boucher acrescentou ao seu apelido a part\u00edcula de Maison Rouge que estava na origem do nome da propriedade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8763135307618668\" aria-label=\"Concedeu a si pr\u00f3prio este t\u00edtulo de nobreza em Bourbon, mas n\u00e3o o utilizou em Lorient.\">&nbsp;<\/span>. O casal teve dez filhos, tendo os nove primeiros nascido em Saint-Louis entre 1753 e 1766. Perante as responsabilidades do irm\u00e3o mais velho, Jacques toma a seu cargo a grande propriedade familiar do Gol e de Maison Rouge.<\/p>\n<p>Os recenseamentos de 1740-1750 fornecem-nos informa\u00e7\u00f5es sobre as culturas realizadas nas terras da fam\u00edlia Desforges-Boucher. Em 1744, a propriedade do Gol era administrada por tr\u00eas ec\u00f3nomos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8761651278402196\" aria-label=\"Ec\u00f3nomo talvez deva ser aqui interpretado como gestor de culturas ou gestor da propriedade.\">&nbsp;<\/span>. As terras eram cultivadas por 146 escravos e continham 20 000 cafeeiros, perfazendo uma colheita anual de 209 quintais de caf\u00e9 (10,6 t). Ser\u00e1 que estes valores se referem apenas ao Gol ou incluem tamb\u00e9m as terras de Maison Rouge?<\/p>\n<p>Oito anos mais tarde, em 1752, outro recenseamento permitiria avaliar a fortuna de Jacques Desforges-Boucher, posto que os bens dos dois irm\u00e3os foram avaliados separadamente. Jacques detinha 99 escravos em Saint-Louis, dos quais, 76 adultos que decerto viviam na Maison Rouge. A \u00e1rea cultivada da propriedade ocupava 651 arpentes (222,56 ha) com 10\u00a0000\u00a0cafeeiros. No entanto, havia tamb\u00e9m planta\u00e7\u00f5es de milho (200 quintais, 10,16 t), trigo (100 quintais, 5,080 t) e arroz (100 quintais, 5,080 t), al\u00e9m do gado que compreendia 250 bois, 120 ovelhas e 100 porcos.<\/p>\n<p>Estes valores podem ser comparados com os do recenseamento do seu irm\u00e3o mais velho em Le Gol, uma propriedade cuja administra\u00e7\u00e3o foi atribu\u00edda a um ec\u00f3nomo e onde Antoine Marie Desforges-Boucher possu\u00eda 162 escravos, dos quais, 129\u00a0adultos. O gado era constitu\u00eddo por 180 bois, 150 ovelhas e 180 porcos e as colheitas de trigo rendiam 180 quintais (9,14 t), as de milho, 600 quintais (30,481 t) e as de arroz, 60 quintais (3 t). Por \u00faltimo, existiam 40 000 cafeeiros que se estendiam por uma \u00e1rea de 836 arpentes (285,807 ha).<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os Desforges-Boucher devem ser considerados, e com raz\u00e3o, os mais importantes propriet\u00e1rios de Saint-Louis de meados do s\u00e9culo XVIII. A casa constru\u00edda alguns anos antes (1747) por Antoine Marie perto da lagoa, o famoso Ch\u00e2teau du Gol<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8073757657155292\" aria-label=\"Em 1755, Antoine Marie Desforges Boucher comprou as a\u00e7\u00f5es dos seus co-herdeiros da propriedade do Gol, tornando-se, assim, o \u00fanico propriet\u00e1rio do dom\u00ednio. O \u00abCh\u00e2teau du Gol\u00bb situava-se onde se encontra agora a esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1guas residuais de Saint-Louis, como o atestam os alicerces escavados durante a constru\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o.\">&nbsp;<\/span>, atesta este \u00eaxito not\u00e1vel.<\/p>\n<figure id=\"attachment_542\" aria-describedby=\"caption-attachment-542\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-542 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-web-300x223.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-web-768x571.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-542\" class=\"wp-caption-text\">Louis Antoine Roussin, Souvenirs de l&#8217;\u00eele Bourbon n\u00b0. 48, Ch\u00e2teau du Gol, 1848. <br \/>Col. Museu L\u00e9on Dierx, inv. 1984.07.01.50<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com Jean Richard<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.09337618825474481\" aria-label=\"Richard, p. 108. Segundo o mesmo autor, Jacques Fran\u00e7ois permaneceu em Fran\u00e7a durante a Guerra dos Sete Anos, ou seja, de 1761 a 1764.\">&nbsp;<\/span>, \u00aba vida familiar (de Jacques Desforges-Boucher) durante o per\u00edodo passado em Bourbon n\u00e3o mereceu grandes coment\u00e1rios: teve os seus altos e baixos inerentes \u00e0s varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Nas suas cartas, Antoine Marie s\u00f3 falava com o irm\u00e3o sobre assuntos materiais e financeiros, colheitas, gado e fornecimentos a pedir aos armaz\u00e9ns da Companhia\u00bb. Em agosto de 1767, quando Antoine Marie se instalou definitivamente no Le Gol, o irm\u00e3o Jacques partiu para Lorient, onde se fixou em julho do mesmo ano.<\/p>\n<p>De acordo com uma carta de Antoine Desforges-Boucher datada de 5 de fevereiro de 1767<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.18830228578409836\" aria-label=\"Ibidem, p. 109, carta de Antoine Marie Desforges-Boucher.\">&nbsp;<\/span>, Jacques vendeu a sua propriedade de Maison Rouge a um certo Duclos. Numa outra carta datada de 25 de agosto de 1768, Antoine Marie escreveria: \u00abO Sr. e a Sra. Boucher (Jacques e a esposa) tiveram raz\u00e3o em vender a propriedade e mudar-se para a Europa; estavam a morrer de t\u00e9dio nas suas montanhas\u00bb. Todavia, Duclos n\u00e3o honrou a sua d\u00edvida e Jacques Desforges-Boucher recuperou a Maison Rouge em 1773, confiando a sua gest\u00e3o a Taillepied, descrito por Antoine-Marie<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7315597071219082\" aria-label=\"Ibidem, p 110.\">&nbsp;<\/span> como \u00abo melhor e mais inteligente cultivador das duas ilhas\u00bb, que seria substitu\u00eddo por um capataz branco ap\u00f3s a sua morte em 1775.<\/p>\n<p>Finalmente, em 1779, a Maison Rouge foi arrendada por dois anos (8000 libras por ano) a Nicolas Le Meur, ex cirurgi\u00e3o da Marinha que se estabeleceu na ilha em 1771, mas que acabaria por deixar Bourbon em 1780. Nessa altura, Antoine Marie confiou a Maison Rouge a Etienne de Saint-Martin<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7656879795095943\" aria-label=\"Etienne de Saint-Martin, estribeiro, vigilante e, mais tarde, agente da guarda real ordin\u00e1ria, nasceu em Port Bourbon (Ile de France) em 8 de dezembro de 1729. Era filho de Didier de Saint-Martin (1698-1777), governador de Bourbon de 1743 a 1748, e de Mich\u00e8le Duhamel (c 1708-1778), cunhados de Antoine Marie Desforges-Boucher.\">&nbsp;<\/span>, Etienne de Saint-Martin, estribeiro, vigilante e, mais tarde, agente da guarda real ordin\u00e1ria, nasceu em Port Bourbon (Ile de France) em 8 de dezembro de 1729. Era filho de Didier de Saint-Martin (1698-1777), governador de Bourbon de 1743 a 1748, e de Mich\u00e8le Duhamel (c 1708-1778), cunhados de Antoine Marie Desforges-Boucher<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7835864684793659\" aria-label=\"Em 4 de julho de 1775, as col\u00f3nias inglesas da Am\u00e9rica do Norte proclamaram a sua independ\u00eancia, contando com o apoio da Fran\u00e7a de 1778 a 1783. O conflito prosseguiu no oceano \u00cdndico.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Em 1783, Antoine Marie Desfroges-Boucher tamb\u00e9m partiu de Bourbon para se estabelecer definitivamente em Lorient. Em dezembro de 1784, vendeu a sua propriedade do Gol a Antoine Fran\u00e7ois Pascalis e Jean-Baptiste de Lestrac levando a que, no final do Antigo Regime, a Maison Rouge, \u00faltima propriedade dos Desforges-Boucher em Saint-Louis, se tornasse uma propriedade completamente separada da do Gol.<\/p>\n<h3>A Maison Rouge e a sucess\u00e3o de Jacques Desforges-Boucher (1784-1827)<\/h3>\n<p>Jacques Desforges-Boucher morreu com 65 anos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2309727928299159\" aria-label=\"Vinte anos mais tarde, a 21 de outubro de 1808, Elisabeth Le Lublois morreria tamb\u00e9m em Lorient.\">&nbsp;<\/span> em Lorient em 17 de agosto de 1786, e os herdeiros mandaram inventariar os seus bens em Bourbon a 7 de outubro de 1789<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.02754914234739103\" aria-label=\"ADR 3E1530.\">&nbsp;<\/span>, na presen\u00e7a de um deles, Joseph Jacques Fran\u00e7ois, cognominado \u00abJoson\u00bb Desforges-Boucher (1764-1838), que representava as irm\u00e3s. A avalia\u00e7\u00e3o foi efetuada por Antoine Fran\u00e7ois Pascalis, oficial de armaz\u00e9m do Rei em Etang-Sal\u00e9 e Grimaud, ex capit\u00e3o do corpo de volunt\u00e1rios de Bourbon e inquilino da propriedade. Do invent\u00e1rio constava:<\/p>\n<blockquote><p>Uma casa principal de dois andares com telhado de ripas que, tal como os frechais, as portas e as janelas, estava em muito mau estado; um armaz\u00e9m com madeiramento coberto de ripas, soalho superior e inferior e paredes em muito mau estado; outro armaz\u00e9m de madeira com telhado de ripas, revestido e coberto de folhas, tamb\u00e9m em muito mau estado de conserva\u00e7\u00e3o e sem capacidade para guardar sementes; uma pequena cabana de madeira redonda usada como armaz\u00e9m a desmoronar; uma capoeira coberta de folhas; as cubatas dos negros em muito mau estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>A propriedade acolhia 115 escravos e continha tr\u00eas parcelas de terreno cultivadas com milho, uma com arroz e \u00abum cafezal recente com tr\u00eas a quatro anos que promete uma boa colheita\u00bb, mas os herdeiros Desforges-Boucher deviam 821 libras a Grimaud pela sua explora\u00e7\u00e3o. \u00abJoson\u00bb Desforges-Boucher permaneceu em Bourbon pretensamente para resolver assuntos da propriedade, embora a raz\u00e3o mais prov\u00e1vel tenha sido certamente fugir \u00e0 agita\u00e7\u00e3o causada pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Ter\u00e1 ele, ent\u00e3o, vivido na Maison Rouge? Em 8 de julho de 1795, casou com Genevi\u00e8ve Euphrasie El\u00e9onore Fr\u00e9on em Sainte-Suzanne, da qual se divorciaria em 1814, e ter\u00e1 deixado definitivamente a ilha em 1805<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9792902202436842\" aria-label=\"Informa\u00e7\u00e3o fornecida pelo Sr. Nicolas Sicre de Fontbrune, que foi para o Oceano \u00cdndico desde 1784, estabelecendo-se, primeiro, na Cidade do Cabo, depois, na Ile de France, e, por fim, em Bourbon em 1794.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Os recenseamentos dos propriet\u00e1rios do bairro de Saint-Louis entre 1800 e 1810 s\u00e3o atualmente as \u00fanicas fontes dispon\u00edveis sobre a hist\u00f3ria da propriedade no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Foram encontrados tr\u00eas correspondentes aos anos de 1805, 1808 e 1811.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"85\"><strong>Anos<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>Escravos<\/strong><\/td>\n<td width=\"142\"><strong>Culturas<\/strong><\/td>\n<td width=\"123\"><strong>\u00c1rea cultivada (ha.)<\/strong><\/td>\n<td width=\"122\"><strong>Colheitas (t.)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" width=\"85\">1805<\/td>\n<td rowspan=\"4\" width=\"95\">103<\/td>\n<td width=\"142\">Trigo<\/td>\n<td width=\"123\">125<\/td>\n<td width=\"122\">12,7<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Milho<\/td>\n<td width=\"123\">5<\/td>\n<td width=\"122\">77,219<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Algod\u00e3o<\/td>\n<td width=\"123\">2,4<\/td>\n<td width=\"122\">1,27<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Caf\u00e9<\/td>\n<td width=\"123\">1<\/td>\n<td width=\"122\">1,16<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" width=\"85\">1807<\/td>\n<td rowspan=\"4\" width=\"95\">109<\/td>\n<td width=\"142\">Trigo<\/td>\n<td width=\"123\">125<\/td>\n<td width=\"122\">12,192<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Milho<\/td>\n<td width=\"123\">5<\/td>\n<td width=\"122\">30,481<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Algod\u00e3o<\/td>\n<td width=\"123\">2,4<\/td>\n<td width=\"122\">1<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Caf\u00e9<\/td>\n<td width=\"123\">1<\/td>\n<td width=\"122\">1,422<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" width=\"85\">1811<\/td>\n<td rowspan=\"4\" width=\"95\">117<\/td>\n<td width=\"142\">Trigo<\/td>\n<td width=\"123\">0,5<\/td>\n<td width=\"122\">N\u00e3o id.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Milho<\/td>\n<td width=\"123\">1<\/td>\n<td width=\"122\">N\u00e3o id.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Algod\u00e3o<\/td>\n<td width=\"123\"><\/td>\n<td width=\"122\">N\u00e3o id.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0Caf\u00e9<\/td>\n<td width=\"123\">3<\/td>\n<td width=\"122\">N\u00e3o id.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Estas indica\u00e7\u00f5es atestam a import\u00e2ncia da cultura de alimentos em Bourbon no s\u00e9culo XVIII, no Sul, que constitu\u00eda a principal fonte de rendimento da fam\u00edlia Desforges-Boucher no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Entretanto, a cultura do caf\u00e9 regrediu e, em 1811, talvez devido \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas registadas na col\u00f3nia, a propriedade parece ter sido abandonada.<\/p>\n<h3>Maison Rouge no s\u00e9culo XIX: dos Murat aos Hoareau<\/h3>\n<p>Em 1814, nas v\u00e9speras da retrocess\u00e3o da ilha, o recenseamento dos herdeiros de Desforges-Boucher indica como seu representante em Bourbon Richard Nairac (1763-1831), ent\u00e3o com 52 anos, o qual vivia em Saint-Louis com a esposa Marianne Barbe de Lanux (1763-1828) desde 1788.<\/p>\n<p>Nairac adquiriu gradualmente as suas partes, como comprova a venda datada de 11 de setembro de 1827 dos \u00abseus direitos e partes sobre uma propriedade denominada Maison Rouge e respetivos anexos situados em Saint-Louis\u00bb por Sophie Doizon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7180372823177241\" aria-label=\"ADR, Hipoteca de Saint-Denis, vol. 27 n.\u00b0 3062. Sophie Doizon era filha de Pierre Andr\u00e9 Doizon e de Julie Louise Desforges-Boucher e neta de Jacques Fran\u00e7ois Desforges-Boucher. Virginie Violette era a segunda esposa de Joseph Gaspard Landes de Saint-Palois, vi\u00favo de um primeiro casamento com Julie Constance Doizon, e tamb\u00e9m neta de Jacques Fran\u00e7ois Desforges-Boucher.\">&nbsp;<\/span>, vi\u00fava Delahutte F\u00e9rat e Virginie Violette, vi\u00fava Landes de Saint-Palois e esposa Couchoux. N\u00e3o foi poss\u00edvel determinar as datas exatas de outras vendas efetuadas pelos herdeiros de Jacques Fran\u00e7ois Desforges-Boucher a Nairac no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, mas sabe-se que, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1830, ele era o \u00fanico propriet\u00e1rio da Maison Rouge.<\/p>\n<p>Em 21 de julho de 1831, Nairac morreu em Saint-Louis, deixando cinco herdeiros: Anne Marie Lucie Nairac (1769-1868), vi\u00fava de Hyacinthe Murat<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5946429769267791\" aria-label=\"Hyacinthe Murat, origin\u00e1rio de Marselha, mudou-se para Bourbon em novembro de 1807, abrindo um neg\u00f3cio em Saint-Denis, na rua La Bourdonnais. Aos 45 anos, em 18 de julho de 1814, casou-se em Saint-Louis com Anne-Marie Lucie Nairac, 17 anos mais nova, com quem teve tr\u00eas filhos e uma filha: Hyacinthe (1815-1879), Jules (1817-1894), Albert (1820-1880) e Juliette (1819-1827). \">&nbsp;<\/span> ; Auguste Baptistine Edite Nairac (1787-?), esposa de Nicolas Seuriot; Antoinette Sophie Henriette Nairac (1791-?), esposa de Auguste Baudry; Paul \u00c9mile Henri Nairac (1796-1858); Suzanne Marie Anne Nairac (1797-?), esposa de Jean S\u00e9nac.<\/p>\n<p>O invent\u00e1rio foi redigido em 5 de agosto de 1831 na Maison Rouge numa propriedade localizada em Ravine Blanche e numa casa da rue Royale em Saint-Pierre. O invent\u00e1rio dos bens de Maison Rouge revela um conjunto muito r\u00fastico comparativamente \u00e0s outras propriedades.<\/p>\n<p>Um ano mais tarde, em 20 de agosto de 1832<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6774804007809785\" aria-label=\"ADR 3E 1407.\">&nbsp;<\/span>, os herdeiros de Nairac partilharam os seus bens, tendo a Maison Rouge sido dividida em quatro faixas de terreno paralelas, da jun\u00e7\u00e3o das duas ravinas ao cume das montanhas, distribu\u00eddas por Anne Marie Lucie Murat, Paul \u00c9mile Nairac, Henriette Baudry e Suzanne S\u00e9nac, respetivamente. Na d\u00e9cada de 1830, Anne Marie Lucie Murat reconstituiu toda a propriedade para si, comprando as partes do irm\u00e3o e das irm\u00e3s. Estas transforma\u00e7\u00f5es fundi\u00e1rias surgiram no contexto do \u00abboom a\u00e7ucareiro\u00bb da col\u00f3nia nos primeiros 40 anos do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<h3>Anne-Marie Lucie Nairac-Murat: a \u00abplanta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar\u00bb na Maison Rouge (1832-1867)<\/h3>\n<p>Efetivamente, tal como noutros pontos da ilha, o territ\u00f3rio da comuna de Saint-Louis passava por progressivas mudan\u00e7as: os campos de cana-de-a\u00e7\u00facar substitu\u00edam o caf\u00e9, o algod\u00e3o e, sobretudo, os cereais que enriqueceram o bairro. Consciente das mudan\u00e7as econ\u00f3micas em curso, Lucie Murat reorganizou os campos da Maison Rouge, facto confirmado pela cria\u00e7\u00e3o de uma refinaria de a\u00e7\u00facar, em 1834-1835, financiada por uma opera\u00e7\u00e3o financeira especial.<\/p>\n<p>De facto, a 26 de novembro de 1834, Alphonse Lefebvre, corretor de c\u00e2mbios de Saint-Paul, e Virginie Pillet de Troissy, professora prim\u00e1ria, constitu\u00edram uma sociedade com o intuito de construir uma refinaria de a\u00e7\u00facar na Maison Rouge, junto \u00e0 casa principal, tendo-se Lucie Murat comprometido a entregar a sua produ\u00e7\u00e3o de cana em contrapartida. O investimento industrial n\u00e3o foi, portanto, efetuado pelo propriet\u00e1rio de Maison Rouge, mas sim por financiadores. A liquida\u00e7\u00e3o da sucess\u00e3o de Nairac e a compra das partes Maison Rouge pertencentes aos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s sobrecarregaram as finan\u00e7as de Lucie Murat, a quem, em 7 de mar\u00e7o de 1835, Alphonse Lefebvre e Virginie de Troissy aceitaram vender a f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar que estavam a construir em Maison Rouge por 140 milhares de a\u00e7\u00facares. Virginie de Troissy vendeu as suas partes em 30 de junho de 1837, e os herdeiros Lefebvre seguiram-lhe o exemplo em 27 de maio de 1840 . Esta \u00faltima escritura de venda cont\u00e9m a \u00fanica descri\u00e7\u00e3o pormenorizada da f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar da Maison Rouge do s\u00e9culo XIX, composta por quatro edif\u00edcios: \u00ab[\u2026] um edif\u00edcio de pedra com uma m\u00e1quina a vapor de quatro cavalos; um edif\u00edcio de madeira utilizado como refinaria com uma bateria de seis caldeiras de ferro fundido (bateria Adrienne), duas mesas de a\u00e7\u00facar, dez colheres de a\u00e7\u00facar, dez escumadeiras e uma cuba revestida de cobre com dois compartimentos; um edif\u00edcio de madeira utilizado como refinaria de xarope com uma bateria de uma \u00fanica caldeira de ferro fundido e uma mesa de a\u00e7\u00facar; um edif\u00edcio de madeira com um andar utilizado como purga com 42 formas de a\u00e7\u00facar (&#8230;) todos os edif\u00edcios cobertos de ripas.\u00bb Estes edif\u00edcios industriais encontravam-se no local da atual loja de adubos, constru\u00edda no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10777\" aria-describedby=\"caption-attachment-10777\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-4.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10777 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"797\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-4.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-4-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-4-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-4-1024x680.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10777\" class=\"wp-caption-text\">Maison Rouge, antiga loja de adubos, fotografia 2023. Fotografia de Bernard Leveneur. <br \/>No primeiro plano, os muros baixos em ru\u00ednas e as duas ac\u00e1cias-rubras que ocupam o lugar do antigo moinho da refinaria<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os recenseamentos anuais dos latifundi\u00e1rios durante a primeira metade do s\u00e9culo XIX n\u00e3o cont\u00eam qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre as colheitas efetuadas em Maison Rouge, apenas o registo dos escravos e, por vezes, do gado. Entre 1835<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.08076422541538064\" aria-label=\"Os recenseamentos dos propriet\u00e1rios de Saint-Louis anteriores a 1835 j\u00e1 n\u00e3o existem.\">&nbsp;<\/span>e 1848, o n\u00famero de escravos passa de 118 para 217, um aumento de 89 indiv\u00edduos. Na sua maioria crioulos, isto \u00e9, nascidos na ilha, os escravos eram sobretudo Negros de picareta, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de alguns, que eram Negros de talento, como Auguste, de 26 anos, crioulo, chefe de bomba, e David, de 33 anos, crioulo, chefe a\u00e7ucareiro.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que a mans\u00e3o Maison Rouge tenha sido constru\u00edda pela fam\u00edlia Murat, substituindo a casa Desforges-Boucher. Com uma varanda central de arcadas e janelas de bandeira, a fachada ecr\u00e3, um estilo introduzido na arquitetura crioula na d\u00e9cada de 1830, reflete a influ\u00eancia da arquitetura neocl\u00e1ssica da primeira metade do s\u00e9culo XIX desenvolvida em Bourbon durante esse per\u00edodo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10781\" aria-describedby=\"caption-attachment-10781\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-5.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10781 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-5.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-5.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-5-300x270.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-5-768x691.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-5-1024x922.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10781\" class=\"wp-caption-text\">Vista da fachada sul do solar, ca. 1830 ? <br \/>Col. DAC da Reuni\u00e3o, levantamento SADP 1987<\/figcaption><\/figure>\n<h3>A fam\u00edlia Hoarau na Maison Rouge (1867-1897)<\/h3>\n<p>De 1850 a 1863, a economia a\u00e7ucareira da Reuni\u00e3o atingiu o seu apogeu, sendo depois disso assolada por uma grave crise econ\u00f3mica. A fam\u00edlia Murat n\u00e3o escaparia ao marasmo que submerge a ilha e, em 1 de mar\u00e7o de 1864<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.061275122859673736\" aria-label=\"ADR 3E 855.\">&nbsp;<\/span> Lucie e o filho Hyacinthe hipotecam a propriedade ao comerciante de Saint Denis Jean-Baptiste Pruche-Aubry por 190 000 francos. Em 24\u00a0de janeiro de 1865, uma nova hipoteca viria incrementar a anterior, desta vez, a favor do Cr\u00e9dit Foncier Colonial, uma institui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito sediada na ilha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.22420530903024916\" aria-label=\"A escritura assinada com o Ma\u00eetre Le Brun n\u00e3o foi conservada.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nO incumprimento do pagamento das presta\u00e7\u00f5es por parte da fam\u00edlia Murat levou \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o da propriedade solicitada pelo Cr\u00e9dit Foncier Colonial, em 12 de maio de 1867, altura em que Dominique Edevin Hoarau pai (1815-1885) a comprou por 560 000 francos.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o notarial \u00e9 sucinta: 279 homens contratados, dos quais \u00ab194 homens com mais de 16 anos\u00bb, viviam no campo de Maison Rouge, tendo os seus contratos sido cedidos a Hoarau. A venda inclu\u00eda \u00abuma mans\u00e3o de dois andares, v\u00e1rios pavilh\u00f5es grandes e pequenos, cozinhas, diversas lojas, est\u00e1bulos, pombais, barrac\u00e3o, oficina de carro\u00e7as, edif\u00edcio utilizado como forja, cavalari\u00e7as, edif\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, edif\u00edcio para o moinho de cana, cisterna de xarope, dois barrac\u00f5es de baga\u00e7o, cabanas e barrac\u00f5es para empregados e trabalhadores contratados\u00bb. O equipamento da f\u00e1brica era constitu\u00eddo por \u00abum motor Desronne et Cail de seis cavalos para o funcionamento das turbinas, um motor Fawcett de seis cavalos para fazer funcionar o moinho de cana e as baixas temperaturas, um gerador de 40 cavalos, uma bateria Gimard composta por sete caldeiras de cobre, catorze mesas de madeira, cinco turbinas, cinco baixas temperaturas e dois defecadores de escumas\u00bb. O gado era constitu\u00eddo por 42 mulas, 10 porcos e 20 ovelhas, enquanto o material de transporte inclu\u00eda 16 carro\u00e7as de cana, cinco carro\u00e7as de palha e tr\u00eas carro\u00e7as de caixa m\u00f3vel. O facto de se mencionar um moinho de milho e um soprador de caf\u00e9 sugere a exist\u00eancia de planta\u00e7\u00f5es de alimentos e sobras de caf\u00e9.<\/p>\n<p>Nascido em Saint-Louis em 3 de janeiro de 1815, Dominique Edevin Hoarau era filho de Vilfride El\u00e9cy Hoarau (1793-1837), latifundi\u00e1rio, e Louise Lucine Mondon (1802-1841). O pai era neto de um ex major que comandara a Guarda Nacional de Saint-Louis em 1794, e a fam\u00edlia da m\u00e3e pertencia \u00e0 pequena burguesia mercantil da cidade. Em 24 de janeiro de 1844, casou-se em Saint-Louis com Marie-Anne Z\u00e9nithe Hibon (1783-1858), primeira vi\u00fava de Henri Michel Lossandi\u00e8re<br \/>\n(1785-1842)<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5649437651084479\" aria-label=\"Desta primeira uni\u00e3o nasceram pelo menos tr\u00eas filhos: Am\u00e9lie, esposa de Abel Hibon, Guillaume e Pierre Ala\u00fcs.\">&nbsp;<\/span>,\u00a0com a qual n\u00e3o teve descendentes.<\/p>\n<p>Este primeiro casamento abriu-lhe as portas da \u00abaristocracia a\u00e7ucareira\u00bb do Barlavento, j\u00e1 que a fam\u00edlia Hibon possu\u00eda v\u00e1rias propriedades de dimens\u00e3o consider\u00e1vel em Saint-Leu e Les Avirons, tal como a fam\u00edlia Lossandi\u00e8re. Em 1842, ap\u00f3s a morte do primeiro marido, Marie Anne Hibon herdou v\u00e1rias parcelas de terreno em Saint-Leu, tornando-se herdeira rica com a morte do pai, Jean Z\u00e9non Hibon, em 1845. Em 1867, Dominique Edevin Hoarau comprou a Maison Rouge com a fortuna que lhe fora deixada pela mulher, falecida em 18 de janeiro de 1858 em Saint-Louis.<\/p>\n<p>Seis anos mais tarde, em 26 de abril de 1864, Dominique Edevin Hoarau casou-se em segundas n\u00fapcias com Anatholie Leperlier (1839-1906), cognominada \u00abMarie Ernestine\u00bb, filha de Gabriel Duclesmur Leperlier (1800-1867) e Marie Sabine Hoarau (1802-1843). Desse casamento, nasceram seis filhos: Dominique Edevin filho, Marie Lucina Ernestine esposa de Michel Brun, Berthe esposa de Victor Fourcade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.12691888982263855\" aria-label=\"Foram os pais de Georges Fourcade (1884-1962), o famoso can\u00e7onetista crioulo.\">&nbsp;<\/span>, Louis Ely, Marie Mathilde e Ernestina, esposa de Henri Gonthtier.<\/p>\n<p>Propriet\u00e1rio da Maison Rouge de 1867 a 1885, Dominique Edevin Hoarau procedeu ao reagrupamento de v\u00e1rias parcelas de terreno localizadas nas proximidades: a parcela \u00c9peron (cerca de 30 ha), adquirida em 1870 a Anne-Marie Lucie Nairac, vi\u00fava Murat; a parcela Roches Maigres (onze parcelas, 119 ha) adquirida em 10 de agosto de 1871 a Am\u00e9d\u00e9e Patu de Rosemont<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8269502387533731\" aria-label=\"Antigos terrenos de AIbin Ozoux (1828-1889), marido de L\u00e9ontine Murat (1845-1876), filha de Jules Murat (1817-1894) e neta de Lucie Nairac, vi\u00fava de Murat. Os terrenos de Roches Maigres, vendidos a Patu de Rosemont, constitu\u00edam um dos lotes da propriedade de Bois de N\u00e8fles, mais tarde denominada Larr\u00e9e. Esta propriedade a\u00e7ucareira, na qual existe uma f\u00e1brica, pertencia aos filhos de Anne-Marie Lucie Murat, Jules e Hyacinthe filho (1815-1879). A complexidade da copropriedade levou o casal Ozoux a solicitar a partilha dos bens da fam\u00edlia Murat, o que conduziu \u00e0 divis\u00e3o da propriedade de Bois de N\u00e8fles em 1867.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>A estas aquisi\u00e7\u00f5es acresceram v\u00e1rias outras na mesma regi\u00e3o durante a d\u00e9cada de 1880. As aquisi\u00e7\u00f5es efetuadas na margem sul de Ravine du Mouchoir Gris levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, por volta de 1870-1880, de um telef\u00e9rico entre as duas margens deste curso de \u00e1gua, permitindo o transporte da cana-de-a\u00e7\u00facar plantada nas zonas altas de Roches Maigres para a refinaria de a\u00e7\u00facar de Maison Rouge.<\/p>\n<p>Maison Rouge (357 ha), l&#8217;Eperon (30 ha) e Roches Maigres (119 ha) formavam, ent\u00e3o, uma propriedade de mais de 500 ha em Saint Louis. O patrim\u00f3nio fundi\u00e1rio da fam\u00edlia Hoarau n\u00e3o se limitava a Maison Rouge e Roches Maigres, sendo tamb\u00e9m constitu\u00eddo por v\u00e1rios outros lotes de terras no Gol e em \u00c9tang-Sal\u00e9. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1870, Hoarau tornou-se um dos not\u00e1veis do Sul, cuja apet\u00eancia pela terra, embora mais modesta, poderia ser comparada \u00e0 das fam\u00edlias K\/V\u00e9guen ou Choppy durante o mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Dominique Edevin Hoarau morreu em Maison Rouge em 21 de agosto de 1885 e os seus bens, indivisos de 1885 a 1891, passaram a ser administrados por Dominique Edevin Hoarau filho que, em 1891, adquiriu a Maison Rouge e respetivas depend\u00eancias. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o familiar, Fernand Inard<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.14044568698322069\" aria-label=\"Dominique Edevin Hoarau filho era primo em primeiro grau de \u00c9glantine Leperlier (1861-1908), esposa de Fernand Inard. A m\u00e3e do primeiro, Anatholie Leperlier (1839-1906) e o pai da segunda, Duclesmur Leperlier (1832-1909) eram irm\u00e3os, filhos de Gabriel Duclesmur Leperlier (1800-1867).\">&nbsp;<\/span> adiantou-lhe os 500 000 francos necess\u00e1rios para a aquisi\u00e7\u00e3o da Maison Rouge com 357 hectares, dos quais, 23 de floresta, tr\u00eas para o local da f\u00e1brica e respetivos anexos, 24 ares de pastagem e o resto terras de cultivo com cafeeiros, cana-de-a\u00e7\u00facar e cereais. A f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar ainda se encontrava em funcionamento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10785\" aria-describedby=\"caption-attachment-10785\" style=\"width: 534px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-6.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10785 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-6.jpg\" alt=\"\" width=\"534\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-6.jpg 534w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-6-178x300.jpg 178w\" sizes=\"auto, (max-width: 534px) 100vw, 534px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10785\" class=\"wp-caption-text\">Dominique Edevin Hoarau filho, cerca de 1885. <br \/>Col. Kerbidy-Hoarau<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_10789\" aria-describedby=\"caption-attachment-10789\" style=\"width: 1127px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/7.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10789 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/7.jpg\" alt=\"\" width=\"1127\" height=\"1008\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/7.jpg 1127w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/7-300x268.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/7-768x687.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/7-1024x916.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10789\" class=\"wp-caption-text\">Localiza\u00e7\u00e3o da Maison Rouge, por volta de 1890. <br \/>Col. Catherine Lavaux<\/figcaption><\/figure>\n<p>A fam\u00edlia Hoarau \u00e9 provavelmente respons\u00e1vel pela disposi\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios ao redor da casa principal, embora n\u00e3o seja poss\u00edvel afirm\u00e1-lo. A oeste da resid\u00eancia, um pavilh\u00e3o era usado como sala de jantar, complementado por um p\u00e1tio posterior com casas de arrecada\u00e7\u00e3o e uma cozinha. A leste, um pavilh\u00e3o secund\u00e1rio com entrada independente servia de alojamento para outros membros da fam\u00edlia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10797\" aria-describedby=\"caption-attachment-10797\" style=\"width: 1300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-8.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10797 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-8.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"477\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-8.jpg 1300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-8-300x110.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-8-768x282.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-8-1024x376.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10797\" class=\"wp-caption-text\">Al\u00e7adas das fachadas sul da casa senhorial, da sala de jantar e do pavilh\u00e3o anexo. <br \/>Col. DAC da Reuni\u00e3o, levantamento SADP 1987<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11039\" aria-describedby=\"caption-attachment-11039\" style=\"width: 1031px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-9-copie.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11039 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-9-copie.jpg\" alt=\"\" width=\"1031\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-9-copie.jpg 1031w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-9-copie-258x300.jpg 258w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-9-copie-768x894.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-9-copie-880x1024.jpg 880w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11039\" class=\"wp-caption-text\">Plano de massa da casa e dos anexos no final do s\u00e9culo XIX. <br \/>Col. DAC da Reuni\u00e3o, levantamento SADP 1987<\/figcaption><\/figure>\n<p>Cinco anos mais tarde, em 5 de abril de 1896, a propriedade foi vendida a Charles Martin, residente em Saint-Denis. O montante da transa\u00e7\u00e3o, 150 000 francos, sugere que se tratou de uma venda realizada com vista a reembolsar as v\u00e1rias hipotecas sobre a propriedade. Um ano mais tarde, Martin ainda n\u00e3o havia reembolsado os 150 000 francos, acabando por vender a propriedade a Fernand Albert Inard, a 15 de mar\u00e7o de 1897. \u00c9 prov\u00e1vel que a atividade da refinaria tenha cessado pouco tempo depois, sendo ent\u00e3o a cana-de-a\u00e7\u00facar da Maison Rouge transportada para a f\u00e1brica do Gol<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.43519320553147756\" aria-label=\"No final do s\u00e9culo XIX, Le Gol pertencia aos herdeiros Chabrier. Em 1905, a propriedade foi adquirida pela Soci\u00e9t\u00e9 Robert Le Coat de K\/V\u00e9guen.\">&nbsp;<\/span> ou para a de La Rivi\u00e8re ou La Chapelle, em Saint-Louis<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.267134401744501\" aria-label=\"A f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar La Rivi\u00e8re, situada no cora\u00e7\u00e3o da plan\u00edcie de Bois de N\u00e8fles-Cocos, pertencia \u00e0 fam\u00edlia Le Coat de K\/V\u00e9guen e cessou de funcionar por volta de 1906-1908, ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de uma linha de caminho de ferro que a ligava a Le Gol.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<h3>Maison Rouge durante a primeira metade do s\u00e9culo\u00a0XX<\/h3>\n<p>De 1897 a 1971, a Maison Rouge<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9343772848250607\" aria-label=\"Esta \u00faltima parte foi escrita gra\u00e7as \u00e0 ajuda de Alain e Maria Grondin, a quem gostaria de agradecer calorosamente pela hospitalidade e informa\u00e7\u00f5es valiosas.\">&nbsp;<\/span> pertenceu a Fernand Inard e, depois, \u00e0 filha Fernande, esposa de L\u00e9onus B\u00e9nard, plantador, industrial e importante pol\u00edtico da Reuni\u00e3o na primeira metade do s\u00e9culo XX. Ao longo da hist\u00f3ria da Maison Rouge, estes dois nomes, Inard e B\u00e9nard, s\u00e3o os mais frequentemente citados na mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n<p>Nascido em 9 de setembro de 1860, Fernand Albert Inard (1860-1931) era bisneto de Mathurin Inard (1761-1828), administrador da Maison Rouge em 1805 por conta da fam\u00edlia Desforges-Boucher.<\/p>\n<p>O pai, Ernest Inard (1833-1875), pertencia \u00e0 pequena burguesia de Saint-Pierre, onde exercia a profiss\u00e3o de funcion\u00e1rio negociante em 1867, e, depois, at\u00e9 \u00e0 sua morte, de secret\u00e1rio da pol\u00edcia. A m\u00e3e, Ad\u00e8le Ambulan (c 1827-?), descendente de uma mulher de cor livre, era costureira. Fernand Inard e as tr\u00eas irm\u00e3s<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.579804688342761\" aria-label=\"S\u00e3o elas M\u00e9lanie Inard, nascida em 11 de mar\u00e7o de 1853, esposa de Henry Alezan, Marie-Blanche Inard, nascida em 7 de maio de 1856, esposa de Julien Alezan e Marie Ang\u00e9lina Inard, nascida em 5 de dezembro de 1863.\">&nbsp;<\/span> foram oficialmente reconhecidos por ocasi\u00e3o do casamento dos pais em Saint-Pierre em 24 de agosto de 1867.<\/p>\n<p>Em 1885, Fernand Inard casou-se com Marie Eglantine Leperlier (1861-1908), filha de Duclesmur Leperlier (1832-1909), latifundi\u00e1rio em Ravine des Cabris, matrim\u00f3nio esse que levou a uma alian\u00e7a com a fam\u00edlia de Dominique Edevin Hoarau s\u00e9nior, um dos tios da esposa. O casal teve tr\u00eas filhas: Fernande (1887-1971), esposa do comerciante e industrial L\u00e9onus B\u00e9nard; L\u00e9lia, esposa do magistrado Joseph Barquisseau; e Marcelle (1894-1924), esposa do farmac\u00eautico Auguste Langlois.<\/p>\n<p>Seguindo a tradi\u00e7\u00e3o familiar, Fernand Inard enriqueceu gra\u00e7as ao com\u00e9rcio de tabaco, uma cultura importante em Saint-Louis no final do s\u00e9culo XIX; em 1897, mudou-se para Maison Rouge, que abarcava os territ\u00f3rios das comunas de Saint-Louis e Saint-Pierre. Representante da comuna de Saint-Louis no Conselho-geral no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o not\u00e1vel Inard doou a propriedade da Maison Rouge e respetivos anexos \u00e0 filha Fernande, esposa de L\u00e9onus B\u00e9nard (1882-1952) em 30 de maio de 1917, conservando, por\u00e9m, o usufruto da casa senhorial, anexos e pomar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10809\" aria-describedby=\"caption-attachment-10809\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-10.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10809 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-10.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"626\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-10.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-10-300x157.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-10-768x401.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-10-1024x534.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10809\" class=\"wp-caption-text\">Fernande Inard e o marido L\u00e9onus B\u00e9nard, por volta de 1920. <br \/>Col. Gosselin<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta doa\u00e7\u00e3o refor\u00e7ou a fortuna do genro que, em 1907, se envolveu nos neg\u00f3cios do sogro. Nesse ano, Fernand Inard, L\u00e9onus B\u00e9nard e v\u00e1rios plantadores de Saint-Louis e Saint-Pierre compraram a Germain Pradel a propriedade e a f\u00e1brica de Pierrefonds, encerrada desde 1895. A \u00abSoci\u00e9t\u00e9 des Planteurs de Pierrefonds\u00bb renovou a f\u00e1brica, que voltou a funcionar durante a colheita de a\u00e7\u00facar de 1907-1908. Dissolvida em 1910, a \u00abSoci\u00e9t\u00e9 des Planteurs de Pierrefonds\u00bb foi vendida a Fernand Inard (318 a\u00e7\u00f5es), Jules Elys\u00e9e (218 a\u00e7\u00f5es) e L\u00e9onus B\u00e9nard (118 a\u00e7\u00f5es), Alfred Aubry (118 a\u00e7\u00f5es) e Sra. Eug\u00e8ne Murat, cujo nome de solteira era Aubry (118 a\u00e7\u00f5es), formando assim a \u00abSoci\u00e9t\u00e9 de Pierrefonds\u00bb. Durante a d\u00e9cada de 1910, L\u00e9onus B\u00e9nard foi adquirindo progressivamente as a\u00e7\u00f5es dos s\u00f3cios, tornando-se o \u00fanico propriet\u00e1rio de Pierrefonds.<\/p>\n<p>Em 1917, com Maison Rouge e Pierrefonds, os esposos B\u00e9nard detinham duas das mais belas propriedades do sul, com as quais fizeram fortuna, que seria refor\u00e7ada ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial pelo aumento do pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar. Em 1922, na sequ\u00eancia do desmembramento das propriedades da fam\u00edlia K\/V\u00e9guen pela Compagnie Fonci\u00e8re Maurice-R\u00e9union, L\u00e9onus B\u00e9nard aumentou consideravelmente as suas explora\u00e7\u00f5es no Sul, adquirindo a propriedade do Gol (incluindo os anexos em \u00c9tang-Sal\u00e9) e as propriedades Bel Air e La Rivi\u00e8re\/La Chapelle (atualmente denominadas Les Cocos) em Saint-Louis e v\u00e1rios terrenos de grandes dimens\u00f5es em Ravine des Cabris e Les Casernes em Saint-Pierre.<\/p>\n<p>Neste vasto imp\u00e9rio agroindustrial de v\u00e1rias centenas de hectares entre \u00c9tang-Sal\u00e9 e Le Tampon equipado com tr\u00eas refinarias de a\u00e7\u00facar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3769537946889985\" aria-label=\"Pierrefonds, Les Casernes e Le Gol. \">&nbsp;<\/span>, a Maison Rouge tinha um estatuto especial. Considerada propriedade pessoal de Fernande B\u00e9nard, nunca seria integrada na gest\u00e3o comum das propriedades do marido no Sul, sendo a sua identidade pr\u00f3pria engrandecida pela cria\u00e7\u00e3o, em 9 de junho de 1966, de uma sociedade denominada \u00abSoci\u00e9t\u00e9 civile de Maison Rouge\u00bb.<\/p>\n<p>Residente em Pierrefonds, Fernande B\u00e9nard confiou Maison Rouge a administradores, entre os quais Adrien Grondin, de 1926 a 1960, que dirigia a propriedade, tratando da contabilidade geral, dos sal\u00e1rios dos trabalhadores, da gest\u00e3o das exist\u00eancias, do gado e das colheitas de cana-de-a\u00e7\u00facar, milho, amendoim e mandioca, principais culturas da Maison Rouge em meados do s\u00e9culo XX. Era tamb\u00e9m a Maison Rouge que chegavam as produ\u00e7\u00f5es (ess\u00eancia de ger\u00e2nio e madeira da floresta) de Bon Accueil, nome da parte superior da propriedade, num local chamado Les Makes, cujas fotografias, conservadas pelo filho Alain, mostram o quotidiano e as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e outros habitantes de Maison Rouge durante estes 44 anos.<\/p>\n<p>O p\u00e1tio da quinta \u00e9 precedido a sul, no lado da cidade de Saint-Louis, por uma dezena de casas de madeira que albergavam as fam\u00edlias dos trabalhadores agr\u00edcolas: a aldeia de \u00abLa Cour\u00bb, o acampamento original da propriedade. Atr\u00e1s do parque, a norte da casa, no local conhecido como \u00abLa Barri\u00e8re\u00bb, um segundo grupo de casas alojava os colonos que trabalhavam nas terras da Maison Rouge.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10813\" aria-describedby=\"caption-attachment-10813\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-11.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10813 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-11.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"978\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-11.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-11-300x245.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-11-768x626.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-11-1024x835.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10813\" class=\"wp-caption-text\">Vista a\u00e9rea do s\u00edtio da Maison Rouge em 1950. <br \/>Col. IGN<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao p\u00e9 da casa, batizada \u00abLe Ch\u00e2teau\u00bb, v\u00e1rios edif\u00edcios rodeavam a esplanada, formando um p\u00e1tio de quinta. A leste, no lado da ravina de Mouchoir Gris, o p\u00e1tio era ladeado por casas de arrecada\u00e7\u00e3o de madeira cobertas de ripas que inclu\u00edam uma oficina de carpinteiro de carro\u00e7as, uma arrecada\u00e7\u00e3o para armazenar combust\u00edvel e uma arrecada\u00e7\u00e3o para os alimentos e outros cereais produzidos na propriedade. Atualmente, resta apenas o antigo alojamento do contabilista. Destru\u00edda por um inc\u00eandio no in\u00edcio dos anos 90, a casa da fam\u00edlia Grondin situava-se na sua extens\u00e3o e, na parte de baixo desta habita\u00e7\u00e3o, encontrava-se um edif\u00edcio de alvenaria em forma de U, utilizado como est\u00e1bulo para as numerosas mulas que transportavam a cana para a refinaria de a\u00e7\u00facar Gol. Ao lado, encontrava-se um curral de madeira. No lado oposto \u00e0s argamassas, na parte oeste do p\u00e1tio, havia um grande edif\u00edcio de madeira<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.31228999758521314\" aria-label=\"Destru\u00edda em 1989 pelo ciclone Firinga, atualmente resta apenas o envasamento de alvenaria.\">&nbsp;<\/span>, constru\u00eddo sobre um envasamento de alvenaria que servia de escrit\u00f3rio. Seguia-se um grande est\u00e1bulo de alvenaria<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5123978116937178\" aria-label=\"Atual sede do Museu de Artes Decorativas do Oceano \u00cdndico (MADOI). \">&nbsp;<\/span>,\u00a0 precedido de uma imponente fossa de estrume. Atr\u00e1s do est\u00e1bulo, a vasta esplanada, de declive suave, tamb\u00e9m era utilizada como campo de futebol nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940.<\/p>\n<p>Por toda a propriedade, distribu\u00edam-se casas destinadas a albergar os guardas da Maison Rouge: \u00e0 entrada da propriedade, debaixo do grande tamarindo que ainda se pode ver nas cercanias da ravina do Gol; no parque; na extremidade do caminho Jacques, perto da estrada Hubert-Delisle. O controlo das entradas da propriedade era essencial para manter a ordem na Maison Rouge.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ser ocupada durante todo o ano, a mans\u00e3o era regularmente alvo de manuten\u00e7\u00e3o. Cada visita de Fernande B\u00e9nard era precedida por uma armada de criados, nomeadamente, cozinheiros cuja principal tarefa era polir os utens\u00edlios de cobre da cozinha. Duas mulheres indianas eram especialmente encarregadas de pintar a fachada da casa.<\/p>\n<p>O jardim de lazer em frente \u00e0 casa dividia-se em duas partes: na base, grandes \u00e1rvores de benjoim formavam uma tela vegetal; no terra\u00e7o alto, ao p\u00e9 da casa e do pavilh\u00e3o de h\u00f3spedes, eram plantadas rosas nos canteiros, igualmente adornados com cravo-t\u00fanico e d\u00e1lias entre 1930 e 1940. As sebes regularmente aparadas de \u00ablaranjinhas\u00bb (Triphasia trif\u00f3lia) e \u00abmedalh\u00f5es\u00bb (arbustos de folhas brancas e verdes) acentuavam os caminhos, os canteiros e os lagos. Em frente da sala de jantar, um grande lago circular albergava um viveiro de peixes para alimentar a fam\u00edlia B\u00e9nard.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10817\" aria-describedby=\"caption-attachment-10817\" style=\"width: 579px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10817 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-1.jpg\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-1.jpg 579w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-1-217x300.jpg 217w\" sizes=\"auto, (max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10817\" class=\"wp-caption-text\">Mulher a posar no caminho de acesso \u00e0 casa principal, cerca de 1960. <br \/>Col. Gosselin<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_10821\" aria-describedby=\"caption-attachment-10821\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-10821 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-2.jpg\" alt=\"\" width=\"609\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-2.jpg 609w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-12-2-228x300.jpg 228w\" sizes=\"auto, (max-width: 609px) 100vw, 609px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10821\" class=\"wp-caption-text\">Fachada norte (traseira) da casa principal, cerca de 1960. <br \/>Col. ADR, s\u00e9rie 2 Fi<\/figcaption><\/figure>\n<p>A varanda do r\u00e9s do ch\u00e3o da casa principal era reservada \u00e0s cerim\u00f3nias. Duas outras varandas mais amplas, entre a casa e a sala de jantar, e a que se encontrava em frente da sala de jantar, constitu\u00edam os verdadeiros espa\u00e7os de repouso da fam\u00edlia B\u00e9nard. Nas traseiras da casa e no lado norte, v\u00e1rios pavilh\u00f5es, entre os quais uma cozinha com forno de alvenaria, formavam as depend\u00eancias da casa, atr\u00e1s da qual se estendia um vasto pomar plantado principalmente com l\u00edchias e mangueiras. Havia quatro grandes \u00e1leas, todas elas originalmente ladeadas por arbustos laranjinha aparados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10825\" aria-describedby=\"caption-attachment-10825\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-13.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10825 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-13.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"823\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-13.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-13-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-13-768x527.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-13-1024x702.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10825\" class=\"wp-caption-text\">Varanda da casa principal, cerca de 1960. <br \/>Col. Gosselin<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_10829\" aria-describedby=\"caption-attachment-10829\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-14.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10829 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-14.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"832\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-14.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-14-300x208.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-14-768x532.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ill-14-1024x710.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10829\" class=\"wp-caption-text\">Varanda defronte do pavilh\u00e3o da sala de jantar, cerca de 1960. <br \/>Col. Gosselin<\/figcaption><\/figure>\n<p>A morte de Fernande B\u00e9nard em 1971 e a crise da economia a\u00e7ucareira que atingiu a ilha nos anos 70 marcaram o fim do per\u00edodo de fausto de Maison Rouge. Em 1975, a Soci\u00e9t\u00e9 Civile de Maison Rouge vendeu \u00e0 S.E.D.R.E. a parte baixa e inculta da propriedade, outrora uma zona de pastagem para o gado (zebus e mulas), com o objetivo de criar habita\u00e7\u00f5es sociais, como as que j\u00e1 existiam nas imedia\u00e7\u00f5es das ravinas do Gol e Mouchoir Gris. No entanto, o projeto foi abandonado e, em 1979, o Departamento da Reuni\u00e3o adquiriu esses 40 hectares de savana. Dois anos mais tarde, em 21 de dezembro de 1981, o terreno foi vendido \u00e0 comuna de Saint-Louis. A fim de preservar este testemunho hist\u00f3rico da paisagem de Saint-Louis, esta parte da antiga propriedade de Maison Rouge foi inclu\u00edda no plano de ordenamento do territ\u00f3rio como zona arborizada classificada com vista \u00e0 replanta\u00e7\u00e3o de uma floresta com base nas descri\u00e7\u00f5es dos viajantes do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Em 29 de outubro de 1982, a Soci\u00e9t\u00e9 Civile de Maison Rouge vendeu os 348 hectares da parte superior da propriedade \u00e0 S.A.F.E.R., que procedeu \u00e0 sua divis\u00e3o em lotes pelos pequenos agricultores. Maison Rouge deixou, por fim, de ser uma grande propriedade a\u00e7ucareira. Sem saber o que lhe fazer, a mesma sociedade vendeu este singular conjunto arquitet\u00f3nico com a parte superior da savana, o p\u00e1tio das argamassas, a mans\u00e3o senhorial e o respetivo parque, as depend\u00eancias dom\u00e9sticas e agr\u00edcolas, os vest\u00edgios dos est\u00e1bulos e das cavalari\u00e7as, ao munic\u00edpio de Saint-Louis, em 20 de fevereiro e 2 de mar\u00e7o de 1987, na perspetiva da cria\u00e7\u00e3o de um museu de artes decorativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Cronologia dos propriet\u00e1rios<\/h3>\n<p>1664: Companhia das \u00cdndias<br \/>\n1722: Paul Sicre de Fontbrune<br \/>\nMar\u00e7o de 1725: Companhia das \u00cdndias<br \/>\nMar\u00e7o de 1725: Antoine Desforges-Boucher<br \/>\nDezembro de 1725: herdeiros Desforges-Boucher<br \/>\n1767: Duclos<br \/>\n1773: Jacques Desforges-Boucher<br \/>\n1788: herdeiros de Jacques Desforges-Boucher<br \/>\n1827: Richard Henri Nairac<br \/>\n1831: herdeiros Nairac<br \/>\n1832-1834: Lucie Nairac, vi\u00fava de Murat<br \/>\n1867: Dominique Edevin Hoarau pai<br \/>\n1891: Dominique Edevin Hoarau filho<br \/>\n1896: Charles Martin<br \/>\n1897: Fernand Inard<br \/>\n1917: Fernande Ad\u00e8le Inard, esposa de L\u00e9onus B\u00e9nard<br \/>\n1966: Sociedade civil de Maison Rouge<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":11081,"parent":5026,"menu_order":20,"template":"","class_list":["post-11037","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/11037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5026"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}