{"id":12216,"date":"2024-01-08T15:17:20","date_gmt":"2024-01-08T11:17:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=12216"},"modified":"2024-02-16T10:33:09","modified_gmt":"2024-02-16T06:33:09","slug":"charles-desbassayns-1782-1863","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/a-familia-desbassayns\/charles-desbassayns-1782-1863\/","title":{"rendered":"Charles Desbassayns (1782-1863)"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-12216-1\" width=\"525\" height=\"295\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/GERAUD-PORTUGAIS-SUB.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/GERAUD-PORTUGAIS-SUB.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/GERAUD-PORTUGAIS-SUB.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<blockquote><p>\u00abOs capatazes s\u00e3o homens muito preciosos para n\u00f3s; \u00e9 do seu zelo, da sua capacidade, da sua fidelidade que depende a atividade das oficinas&#8230; e, de certo modo, a prosperidade e a seguran\u00e7a da col\u00f3nia. Temo-los em grande estima e, quando eles merecem a nossa confian\u00e7a, preferimo-los aos chefes brancos\u00bb.<\/p><\/blockquote>\n<p>O habitante \u2013 designa\u00e7\u00e3o dada ao plantador na Ilha Bourbon\/Ilha da Reuni\u00e3o \u2013 que no in\u00edcio dos anos 1830 expressou desta forma o seu apre\u00e7o pelos capatazes \u2013 os escravos \u00abde confian\u00e7a\u00bb que dirigiam os grupos de Negros nos campos, estas \u00abcorreias de transmiss\u00e3o\u00bb que serviam de intermedi\u00e1rios entre os senhores e a massa de escravizados \u2013 tinha uma vis\u00e3o invulgar dos escravos e da escravatura. Neste contexto, os senhores estabeleciam uma hierarquia no seio da popula\u00e7\u00e3o escravizada; avaliando as capacidades dos escravos, reconhecendo-lhes assim a possibilidade de aprendizagem e evolu\u00e7\u00e3o que lhes era habitualmente negada.<br \/>\nEste habitante \u00e9 Charles Desbassayns (1782-1863), o quinto filho de Henri-Paulin e Ombline Panon-Desbassayns, a quem a fam\u00edlia chamava \u00abVilmur\u00bb. As suas palavras indicam que para os plantadores a escravatura tinha entrado numa transi\u00e7\u00e3o. E de certa forma, em Bourbon, Charles Desbassayns era o homem da transi\u00e7\u00e3o. Foi um dos principais protagonistas da \u00abviabiliza\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar\u00bb na ilha a partir dos anos 1810, uma convuls\u00e3o agroindustrial que provocou uma muta\u00e7\u00e3o na escravatura, tentando modificar o estatuto pol\u00edtico da ilha, em v\u00e3o. Acompanhou a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, uma medida imposta pela segunda rep\u00fablica (1848) e tentou adequar a religi\u00e3o cat\u00f3lica \u00e0 economia industrial na ilha.<br \/>\nA hist\u00f3ria atual abandonou a ideia de que os indiv\u00edduos eram sobredeterminados por for\u00e7as supraindividuais, o \u00abEsp\u00edrito universal\u00bb de Hegel, as \u00abmassas\u00bb dos populistas, as \u00abfor\u00e7as produtivas\u00bb de um marxismo comum, interrogando-se sobre o sujeito. Certos indiv\u00edduos fazem hist\u00f3ria, porque a sua atividade particular tem um car\u00e1cter geral. Produzidos pela hist\u00f3ria, eles s\u00e3o tamb\u00e9m produtores de hist\u00f3ria. Charles Desbassayns \u00e9 um deles.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8526\" aria-describedby=\"caption-attachment-8526\" style=\"width: 505px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.046.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8526 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.046.jpg\" alt=\"\" width=\"505\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.046.jpg 505w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.046-216x300.jpg 216w\" sizes=\"auto, (max-width: 505px) 100vw, 505px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8526\" class=\"wp-caption-text\">Sr. Ch. Desbassayns, Oficial da Legi\u00e3o de Honra, Presidente do Conselho Geral e da C\u00e2mara da Agricultura da Ilha da Reuni\u00e3o. 1861. Appassamy Francine. 1860. Litografia. <br \/>Col. Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como \u00e9 que algu\u00e9m se torna Charles Desbassayns? As primeiras indica\u00e7\u00f5es remontam \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o. Com apenas sete anos de idade acompanhou o pai, Henri Paulin, a Fran\u00e7a continental aquando da sua segunda viagem em 1789. Com ele estava o irm\u00e3o Joseph, bem como duas irm\u00e3s. Alguns anos antes, o pai matriculara os tr\u00eas irm\u00e3os mais velhos em Sor\u00e8ze. O mesmo n\u00e3o ocorreu no caso de Joseph e Charles. O pai atribuiu um capital de 3000 F de renda vital\u00edcia a cada um dos filhos que depois completou com investimentos em fundos p\u00fablicos. Durante essa estada, Charles frequentou as li\u00e7\u00f5es de um in\u00edcio de curso escolar, enquanto o pai, que visitava amigos e conhecidos, se debru\u00e7ava com interesse sobre moinhos, bombas de inc\u00eandio e mec\u00e2nica em geral. Em setembro de 1792, na altura dos massacres, decidiu regressar a Bourbon, acompanhado por um tutor. Charles tinha ent\u00e3o somente dez anos de idade.<\/p>\n<p>A fim de assegurar uma vida suficientemente abastada aos filhos, os progenitores Desbassayns, enviaram primeiramente carregamentos consider\u00e1veis de bens coloniais para os Estados Unidos, pa\u00eds com o qual durante o bloqueio Bourbon se habituara a comercializar, e depois o pai Desbassayns adquiriu terras e rendas em Nova Iorque, bem como nos estados de Massachusetts e Maine. Para supervisionar os seus investimentos americanos, enviou o segundo filho Henri, conhecido como Montbrun, confiando-lhe os dois irm\u00e3os mais novos, Joseph e Charles, para que aprendessem a negociar num contexto de seguran\u00e7a, liberdade e ordem. Os tr\u00eas irm\u00e3os n\u00e3o voltariam a ver o pai, que morreu em 1800. Impressionado pela ousadia empreendedora dos americanos, Charles adquiriu nesta estada conhecimentos indel\u00e9veis. As suas ideias alargaram-se, o seu patriotismo crioulo foi refor\u00e7ado pelo contacto com o civismo americano. Foi ali tamb\u00e9m que nasceu o seu gosto por melhorias em geral e pelo progresso. Em 1803, Charles regressou dos Estados Unidos passando por Fran\u00e7a onde come\u00e7ou a estudar qu\u00edmica com Louis Nicolas Vauquelin (1763-1829), professor de qu\u00edmica no Coll\u00e8ge de France e no Museu de Hist\u00f3ria Natural. Foi gra\u00e7as ao contacto com este eminente farmac\u00eautico, um homem bem versado na prepara\u00e7\u00e3o racional de produtos qu\u00edmicos, que Charles desenvolveu um interesse pela qu\u00edmica que mais tarde aplicaria ao a\u00e7\u00facar e recebeu as bases cient\u00edficas que, atrav\u00e9s de uma leitura constante, lhe permitiriam superar as dificuldades da ind\u00fastria a\u00e7ucareira.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8523\" aria-describedby=\"caption-attachment-8523\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/bqimg_ci_CIPB1430.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8523 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/bqimg_ci_CIPB1430.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/bqimg_ci_CIPB1430.jpg 567w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/bqimg_ci_CIPB1430-243x300.jpg 243w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8523\" class=\"wp-caption-text\">Louis Nicolas Vauquelin. Antoine Maurin; Langlum\u00e9. S\u00e9culo XIX. Litografia. <br \/>Col. BIU Sant\u00e9 M\u00e9decine, CIPB1430<\/figcaption><\/figure>\n<p>Charles e o irm\u00e3o regressaram a Bourbon no final de 1806, escolhendo tal como o pai, a profiss\u00e3o de cultivadores que lhes proporcionou uma not\u00e1vel reputa\u00e7\u00e3o. Charles foi marcado pelos modelos paterno e materno, construindo-se a si pr\u00f3prio com base numa imita\u00e7\u00e3o dos mesmos. O pai transmitira-lhe um esp\u00edrito de modera\u00e7\u00e3o, ordem e previd\u00eancia. Obcecado pelo sucesso dos filhos, tentou cas\u00e1-los com membros da nobreza, por vezes em busca de alian\u00e7as. Charles casou em Ile de France com Sophie de Labauve d&#8217;Arifat, filha de Marc de Labauve d&#8217;Arifat, um antigo soldado que se tornou comerciante de Castres. Escreveram-se versos encantadores aquando do regresso do casal a Bourbon. Quanto \u00e0 m\u00e3e, de intelig\u00eancia precoce, a sua educa\u00e7\u00e3o havia sido um pouco negligenciada, segundo o seu bi\u00f3grafo e sobrinho. Todavia, ela legou a Charles uma alma ardente, entusiasta e profundamente religiosa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8478\" aria-describedby=\"caption-attachment-8478\" style=\"width: 535px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1990-203_Sophie-de-Labauve-d-Arifat.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8478 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1990-203_Sophie-de-Labauve-d-Arifat-e1656307471271.jpg\" alt=\"\" width=\"535\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8478\" class=\"wp-caption-text\">Sophie de La Bauve d&#8217;Arifat (1792-1874). Pormenor de <em>Arbre g\u00e9n\u00e9alogique de la famille Desbassayns<\/em>. J\u00e9han de Vill\u00e8le. 1989. Aguarela, carv\u00e3o.<br \/>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de 1810, Bourbon beneficiou claramente de uma situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar. Ao perder a ilha de Saint-Domingue, a Fran\u00e7a perdeu uma produ\u00e7\u00e3o de 86 000 toneladas de a\u00e7\u00facar (81% das exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar das ilhas para Fran\u00e7a). As outras Antilhas francesas, enfraquecidas pela ocupa\u00e7\u00e3o inglesa, forneciam pouco a\u00e7\u00facar devido a estruturas arcaicas. Depois de \u00cele de France ter passado para os ingleses, as \u00fanicas possibilidades de produ\u00e7\u00e3o situavam-se em Bourbon. Um punhado de habitantes do Nordeste, Savariau, Montrose Bellier, Dior\u00e9, Fr\u00e9on, Brun etc. lan\u00e7aram-se no cultivo da cana em poucos meses. Joseph e Charles Desbassayns encontravam-se na linha da frente.<br \/>\nDe facto, as planta\u00e7\u00f5es de cana destinavam-se inicialmente a produzir araca, que proporcionava lucros confort\u00e1veis. Por\u00e9m, os elevados impostos e os constrangimentos administrativos do governo dissuadiram os destiladores, pelo que os lucros diminu\u00edram. Charles, que tinha criado uma <em>guildiverie<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.31630475342510245\" aria-label=\"Destilaria.\">&nbsp;<\/span> em Rivi\u00e8re des Pluies, apercebeu-se de que podia lucrar mais com a cana. Em 1809, comprou a Guy L\u00e9on uma propriedade em Chaudron na qual, em 1813, mandou plantar cana-de-a\u00e7\u00facar, construindo ali uma refinaria em 1815. Viveu na propriedade at\u00e9 a vender a Fr\u00e9on em 1822.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8499\" aria-describedby=\"caption-attachment-8499\" style=\"width: 1045px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/029-ADR-19_.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8499 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/029-ADR-19_.jpg\" alt=\"\" width=\"1045\" height=\"1100\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/029-ADR-19_.jpg 1045w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/029-ADR-19_-285x300.jpg 285w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/029-ADR-19_-768x808.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/029-ADR-19_-973x1024.jpg 973w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8499\" class=\"wp-caption-text\">Planta e pormenores da segunda f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar do Sr. Charles Desbassayns, localizada em Chaudron. Desenho. <br \/>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde logo, Charles Desbassayns tornar-se-ia o fundador da agroind\u00fastria do a\u00e7\u00facar em Bourbon. Comparativamente aos seus concorrentes, tinha a vantagem de possuir conhecimentos em qu\u00edmica, o dom de se projetar no futuro de uma atividade especulativa, a capacidade de solucionar problemas e de os resolver do ponto de vista cient\u00edfico.<br \/>\nAcima de tudo, tinha a sorte de realizar uma atividade nova que, contrariamente \u00e0s Antilhas, n\u00e3o estava tecnicamente limitada por d\u00e9cadas de h\u00e1bitos que remontavam ao s\u00e9culo XVIII (Padre Labat), e que os Desbassayns consideravam completamente ultrapassados. Solicitou a recolha de informa\u00e7\u00f5es sobre as f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar de \u00cele-de-France, entrando em contacto com um antigo mec\u00e2nico de Saint-Domingue. A tecnologia que ele lhe revelou era a mais avan\u00e7ada para o seu tempo; pelo que Charles a adotou.<br \/>\nA instala\u00e7\u00e3o do Chaudron, cuidadosamente concebida, combinava inova\u00e7\u00f5es decisivas: uma bateria de cinco caldeiras dispostas no fundo da refinaria; uma chamin\u00e9 cuja altura foi calculada para efetuar a extra\u00e7\u00e3o ideal; um moinho de ferro horizontal de fabrico ingl\u00eas, acionado por uma m\u00e1quina a vapor inglesa de 6 CV de pot\u00eancia (Fawcett), que substitu\u00eda o oneroso moinho puxado por mulas. Ao sair da \u00faltima caldeira, o xarope pastoso era lan\u00e7ado sobre tr\u00eas mesas de a\u00e7\u00facar onde cristalizava.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8487\" aria-describedby=\"caption-attachment-8487\" style=\"width: 1100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/030-ADR-18_.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8487 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/030-ADR-18_.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/030-ADR-18_.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/030-ADR-18_-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/030-ADR-18_-768x405.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/030-ADR-18_-1024x540.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8487\" class=\"wp-caption-text\">Perfil de m\u00e1quina; Moinho da m\u00e1quina a vapor de Chaudron. Desenho. <br \/>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Charles Desbassayns abriu de imediato as suas instala\u00e7\u00f5es aos outros propriet\u00e1rios para que pudessem emular o seu equipamento. \u00abO seu moinho e a sua bateria, serviram de modelo; as f\u00e1bricas que se multiplicaram nos \u00faltimos anos foram quase todas constru\u00eddas de acordo com os seus conselhos\u00bb, nota Billiard no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1820. Assim, Desbassayns aliou as t\u00e9cnicas do oceano \u00cdndico, das Antilhas e da Europa, criando uma t\u00e9cnica coerente e din\u00e2mica em Bourbon.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8502\" aria-describedby=\"caption-attachment-8502\" style=\"width: 1100px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/00020a-Chaudron.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8502 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/00020a-Chaudron.jpg\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"707\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/00020a-Chaudron.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/00020a-Chaudron-300x193.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/00020a-Chaudron-768x494.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/00020a-Chaudron-1024x658.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8502\" class=\"wp-caption-text\">Corte da grande f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar de M. Charles Desbassayns em Rivi\u00e8re des Pluies, desenhado por ordem de Louis de Saulces de Freycinet, capit\u00e3o de navio, comandante e administrador do rei na ilha de Bourbon. Gaudin. 1822. Desenho. <br \/>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Posteriormente, continuou a sua busca pela melhoria e progresso da ind\u00fastria a\u00e7ucareira da ilha. Entre outros exemplos, pode-se mencionar o recrutamento do seu futuro genro Chateauvieux (1831), que tinha trabalhado com o Conde de Villiers numa f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar (1820) antes de gerir a refinaria dos irm\u00e3os P\u00e9rier em Choisy (1825), bem como o de Wetzell (engenheiro da universidade Polytechnique), cuja miss\u00e3o era melhorar a quantidade e a qualidade do a\u00e7\u00facar local ao mais baixo custo. Wetzell efetuou a medi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da adi\u00e7\u00e3o de cal ao suco da cana-de-a\u00e7\u00facar (\u00e9nivrage) com base nos resultados de quinze anos de observa\u00e7\u00f5es do propriet\u00e1rio. A partir de 1835, Desbassayns contratou Wetzell na f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar da m\u00e3e em Saint-Gilles les Hauts, onde desenvolveu m\u00e1quinas locais que permitiam cozinhar o xarope, evitando a sua carameliza\u00e7\u00e3o (rotadores). Assim, Charles \u00absempre a par dos estudos e descobertas cient\u00edficas\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9860131142649748\" aria-label=\"Gibert des Moli\u00e8res, vice-presidente do Conselho Geral (1863).\">&nbsp;<\/span> foi um vulgarizador incans\u00e1vel dos aperfei\u00e7oamentos industriais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8791\" aria-describedby=\"caption-attachment-8791\" style=\"width: 2500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/9M11.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8791 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/9M11.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1034\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/9M11.jpg 2500w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/9M11-300x124.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/9M11-768x318.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/9M11-1024x424.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8791\" class=\"wp-caption-text\">Aparelho para cozinhar solu\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar com vapor n\u00e3o comprimido a baixa temperatura em sistema wetzell, 1o modo chamado \u00ab\u00e0 rotins\u00bb 1837. <br \/>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Interessou-se tamb\u00e9m pelas variedades da cana, sendo que em 1841 recebeu do bot\u00e2nico Diard enxertos de diferentes variedades (Tebo\u00eb Mara, Tebo\u00eb Glaga etc.) cujos rendimentos comparou, estabelecendo a superioridade da primeira (cana Diard). O bot\u00e2nico das Maur\u00edcias Louis Bouton menciona um estudo que o propriet\u00e1rio realizou em 1848 sobre as variedades de cana-de-a\u00e7\u00facar da Reuni\u00e3o, estudo esse cujo rastro se perdeu. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1850, como presidente da c\u00e2mara da agricultura, levou a cabo observa\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas em todas as comunas da ilha. Estudou o abastecimento de \u00e1gua (o canal do rio Rivi\u00e8re des Pluies), com base num sistema rodovi\u00e1rio espec\u00edfico que inspiraria Lancastel (caminhos agr\u00edcolas na sua propriedade, pavimenta\u00e7\u00e3o da estrada real, constru\u00e7\u00e3o de uma ponte para ligar a sua f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar em Rivi\u00e8re des Pluies \u00e0 cidade principal).<\/p>\n<figure id=\"attachment_8529\" aria-describedby=\"caption-attachment-8529\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8529 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_2.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"644\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_2.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_2-300x193.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_2-768x495.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8529\" class=\"wp-caption-text\">Ponte e refinaria Desbassayns, Rivi\u00e8re des Pluies. Louis Antoine Roussin. 1867. Litografia. <br \/>Col. Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_8532\" aria-describedby=\"caption-attachment-8532\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8532 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"626\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_1.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_1-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14937.206-207_1-768x481.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8532\" class=\"wp-caption-text\">Ponte-Arqueduc sobre o rio Rivi\u00e8re des Pluies: propriedade de M. M. Gillot l&#8217;Etang, Desbassyns e Maz\u00e9rieux (1865). Louis Antoine Roussin. 1867. <br \/>Col. Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00abA propriedade do Sr. Charles Desbassayns, bem como a da m\u00e3e, que ele geria, foram os laborat\u00f3rios onde todos os sistemas e ideias que tinham como objeto a explora\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar foram estudados e testados\u00bb.<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.42476949104437356\" aria-label=\"Dejean de la Batie (1863).\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nA sua vida acabou porventura em amargura, por n\u00e3o ter logrado assentar a prosperidade do seu pa\u00eds numa base s\u00f3lida: na altura da sua morte, em 1863, o Borer, a doen\u00e7a da cana-de-a\u00e7\u00facar, generalizou-se levando \u00e0 quebra no pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar e ao encerramento dos primeiros estabelecimentos.<\/p>\n<p>\u00abDesbassayns \u00e9 o propriet\u00e1rio de quatrocentos Negros; ele pr\u00f3prio os a\u00e7oita\u00bb, escreveu F. R. Schack em 1830<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.19730432440003853\" aria-label=\"\u00abRelation d'une travers\u00e9e aux Indes orientales\u00bb (Relato de uma viagem \u00e0s \u00cdndias Orientais), Revue des Deux Mondes, out-nov 1830.\">&nbsp;<\/span>. \u00abEle deveria ter dito que o Sr. Charles Desbassayns aboliu a puni\u00e7\u00e3o com chicote na sua propriedade, substituindo-a pela pris\u00e3o e pela priva\u00e7\u00e3o de dias de descanso; mesmo assim, sendo essas puni\u00e7\u00f5es aplicadas somente por um j\u00fari de escravos Negros. N\u00e3o temo ser desmentido ou contestado ao citar a propriedade do Sr. Desbassayns como modelo\u00bb, responde na mesma revista Moiroud, ex-procurador-geral do Tribunal Real da Ilha Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9324034082508965\" aria-label=\"Revue des Deux Mondes, per\u00edodo inicial, volume 1, 1831.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nN\u00e3o entraremos no debate ocioso sobre se houve bons, menos bons ou maus senhores&#8230; E faremos nossa a reflex\u00e3o de uma das personagens do escritor Duxel Dagu\u00e8res: \u00abN\u00e3o pode haver bons senhores&#8230; H\u00e1 senhores e basta!\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5226424159354699\" aria-label=\"Duxel Dagu\u00e8res, La Corde vide.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nTodavia, Charles Desbassayns refletiu profundamente sobre o trabalho for\u00e7ado. Deixou um documento interessante, <em>Notes des objets \u00e0 observer comme moyen de contr\u00f4le et de surveillance<\/em> (\u00abNotas sobre os objetos a observar como meio de controlo e de vigil\u00e2ncia\u00bb), relativo \u00e0 propriedade a\u00e7ucareira da sua m\u00e3e, que ele disse ser \u00abo segredo mais importante do of\u00edcio\u00bb. O objetivo n\u00e3o era melhorar as condi\u00e7\u00f5es dos escravos, mas sim obter mais m\u00e3o de obra servil. Para tal, decide refor\u00e7ar e sistematizar a vigil\u00e2ncia do trabalho. O primeiro meio para atingir esse objetivo passava por efetuar v\u00e1rias chamadas durante o dia nos diversos espa\u00e7os de trabalho, no sentido de evitar qualquer tipo de parasitismo. Os escravos n\u00e3o se deixavam enganar e queixavam-se. Era necess\u00e1rio supervision\u00e1-los em todas as suas tarefas. Os t\u00edtulos dos par\u00e1grafos do livro de ordens falam por si: \u00abRegras de supervis\u00e3o\u00bb do hospital, \u00abSupervisionar Louis Marie e Christophe\u00bb etc. Contudo, a supervis\u00e3o era in\u00fatil a menos que se prestasse contas: Gentil, ferreiro: \u00abPresta contas todas as tardes e na chamada\u00bb. Por fim, os escravos deviam vigiar-se uns aos outros. Esta vigil\u00e2ncia tinha tr\u00eas objetivos: evitar castigos, que levariam os escravos a ausentar-se do seu trabalho; evitar roubos, prova de que quando os escravos n\u00e3o eram suficientemente vigiados n\u00e3o trabalhavam; e fazer com que o trabalho dos escravos fosse produtivo: a vigil\u00e2ncia era tanto um instrumento dissuasor como pedag\u00f3gico. Charles Desbassayns declarou em v\u00e1rias ocasi\u00f5es que era necess\u00e1rio fazer com que os escravos compreendessem como trabalhar e desenvolver as suas capacidades, salientando-o j\u00e1 em 1822 no Chaudron: \u00abAqui, s\u00e3o os escravos que operam estas m\u00e1quinas e por enquanto nenhuma das que est\u00e3o em funcionamento sofreu algum acidente grave\u00bb.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_8520\" aria-describedby=\"caption-attachment-8520\" style=\"width: 694px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/R03445.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8520 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/R03445.jpg\" alt=\"\" width=\"694\" height=\"672\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/R03445.jpg 694w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/R03445-300x290.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 694px) 100vw, 694px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8520\" class=\"wp-caption-text\">A f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar. Autor n\u00e3o identificado. [1879 ?]. Gravura. Em <em>Le journal de Marguerite ou les Deux ann\u00e9es pr\u00e9paratoires \u00e0 la premi\u00e8re communion (\u00abO jornal de Marguerite ou os dois anos de prepara\u00e7\u00e3o para a comunh\u00e3o\u00bb)<\/em>, de Melle V. Monniot, vol. 2, p. 252. <br \/>Col. Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Estamos perante uma contradi\u00e7\u00e3o bem conhecida: desde o in\u00edcio, os colonos reconheceram que os escravos, a quem a instru\u00e7\u00e3o era negada, eram pass\u00edveis de melhoria atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o de per\u00edcia, sendo por conseguinte dotados de capacidades cognitivas que lhes permitiam adquiri-la. O objetivo era aprimorar a rentabilidade das propriedades com refinarias de a\u00e7\u00facar. Desbassayns expressa-o numa met\u00e1fora brilhante: \u00abEnt\u00e3o tudo parece simples e f\u00e1cil como uma m\u00e1quina bem afinada e bem ensebada que funciona sem ru\u00eddo\u00bb. A vigil\u00e2ncia torna-se a base da produtividade. O escravo passa de uma l\u00f3gica de domina\u00e7\u00e3o, caracter\u00edstica das estruturas coloniais at\u00e9 ao in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, para uma l\u00f3gica de explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o obstante ter beneficiado da escravatura, Desbassayns aceitou a sua aboli\u00e7\u00e3o: \u00abEsta medida \u00e9 inevit\u00e1vel\u00bb, confidenciou em 1844 ao Dr. Yvan que estava de visita a Bourbon; \u00abmas desejo ardentemente que a lei de emancipa\u00e7\u00e3o s\u00f3 seja promulgada depois da morte da minha velha m\u00e3e\u00bb. Neste contexto, na d\u00e9cada de 1840, juntamente com alguns propriet\u00e1rios, decidiram cristianizar os escravos, o que prefiguraria a sua integra\u00e7\u00e3o como homens livres. Em 1843, o Padre Levavasseur recebeu a miss\u00e3o fundada por Monnet na sua casa em Rivi\u00e8re des Pluies. O propriet\u00e1rio disponibilizou o alojamento e as refei\u00e7\u00f5es at\u00e9 Levavasseur poder construir uma pequena casa perto da igreja. Estes mission\u00e1rios do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria organizaram prociss\u00f5es soberbas. Em 1844, teve lugar uma prociss\u00e3o em honra do Sant\u00edssimo Sacramento na magn\u00edfica avenida que conduzia \u00e0 casa de Charles. Duas bandeiras e a cruz precediam um dossel transportado por raparigas dispostas em duas linhas e todos os Negros alinhados numa fila dupla de ambos os lados.<br \/>\nEm vez de se obstinar em n\u00e3o abrir m\u00e3o de privil\u00e9gios simb\u00f3licos, Charles Desbassayns mostrou-se disposto a efetuar a transi\u00e7\u00e3o do mundo esclavagista para o novo mundo. Isso n\u00e3o \u00e9 surpreendente vindo de um homem impregnado pelas ideias de Charles Fourier, que partilhava com o inventor do falanst\u00e9rio a detesta\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e um desejo de \u00abemancipa\u00e7\u00e3o gradual\u00bb. Embora pouco se conhe\u00e7a sobre a propaga\u00e7\u00e3o da filosofia de Fourier na Ilha Bourbon, sabe-se que se alastrou \u00e0s Maur\u00edcias, com as quais Desbassayns tinha contactos permanentes, tendo sido adotada por intelectuais\/cultivadores como Laverdant, Autard (de Bragard), Lecl\u00e9zio, Desmarais, Bouton etc. Contrariamente a Fourier, estes falansterianos das Maur\u00edcias demonstraram a sua piedade numa altura em que a Igreja mauriciana se esfor\u00e7ava por fortalecer a sua influ\u00eancia, como atesta a miss\u00e3o do Padre Laval (1841).<br \/>\nIsto explica a posi\u00e7\u00e3o inicial de Desbassayns em 1848 relativamente ao futuro dos libertados. Um importante debate dividiu o Conselho Privado a 23 de outubro. O produtor de a\u00e7\u00facar Ruyneau de Saint Georges, que tamb\u00e9m era advogado, declarou que \u00abposto que a emancipa\u00e7\u00e3o foi aceite de antem\u00e3o pela maioria \u00edntegra dos propriet\u00e1rios, eles deviam estar muito preocupados com o futuro da continua\u00e7\u00e3o do trabalho e da manuten\u00e7\u00e3o da ordem\u00bb. Acrescentou: \u00abNo que diz respeito aos sal\u00e1rios [dos alforriados] ser\u00e3o inevitavelmente muito baixos atualmente, uma vez que os propriet\u00e1rios s\u00e3o todos de certo modo desprovidos de recursos\u00bb. Desbassayns, em nome de um liberalismo \u00abcrist\u00e3o\u00bb de responsabiliza\u00e7\u00e3o e da sua fibra de seguidor de Fourrier, prop\u00f4s que se considerasse a possibilidade de proceder \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o por associa\u00e7\u00e3o: os produtores de a\u00e7\u00facar colocariam a terra \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, os alforriados a m\u00e3o de obra, e os lucros seriam partilhados. Os libertados teriam que pagar a alimenta\u00e7\u00e3o, o vestu\u00e1rio e a habita\u00e7\u00e3o, a fim de adquirirem h\u00e1bitos de ordem e economia, o que implicaria sal\u00e1rios mais elevados, concluindo: \u00abO car\u00e1cter distintivo da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 o indol\u00eancia e a apatia\u00bb. Ruyneau, por outro lado, argumentou que estes custos deveriam recair sobre os propriet\u00e1rios, que os sal\u00e1rios deveriam ser reduzidos em conformidade e que uma parte deles deveria ser retida a fim de \u00abassegurar a exist\u00eancia dos idosos e enfermos\u00bb, que ele estimou em 15 000, 2 000 de acordo com Desbassayns. \u00c9 a op\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada por Ruyneau que prevalece. Os alforriados tornar-se-iam meros assistidos, e o dom\u00ednio simb\u00f3lico do Senhor, n\u00e3o obstante a emancipa\u00e7\u00e3o, perpetuar-se-ia.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_8538\" aria-describedby=\"caption-attachment-8538\" style=\"width: 562px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRAD974_2FI50.4.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8538 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRAD974_2FI50.4.jpg\" alt=\"\" width=\"562\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRAD974_2FI50.4.jpg 562w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRAD974_2FI50.4-241x300.jpg 241w\" sizes=\"auto, (max-width: 562px) 100vw, 562px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8538\" class=\"wp-caption-text\">A Lanterna M\u00e1gica n\u00b0. 6. Os Novos Brancos. [discuss\u00e3o entre dois homens e na parte de tr\u00e1s uma mulher]: dar-te-ei duas piastras por m\u00eas, dar-te-ei de comer, vestir-te-ei, cuidarei de ti, e enterrar-te-ei &#8211; Ah! &#8230; o que \u00e9 que diz? Vai enterrar-me, senhor? Mas est\u00e1 velho, morrer\u00e1 antes de mim. [sic] &#8211; Idiota! &#8230; de acordo com o artigo 9 &#8230;, j\u00e1 te disse que te enterrarei. Adolphe Pot\u00e9mont. 1848. Litografia. <br \/>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Este entrela\u00e7amento entre os aspetos social e religioso \u00e9 uma constante em Charles Desbassayns. A preocupa\u00e7\u00e3o religiosa, herdada da sua m\u00e3e, \u00e9 real\u00e7ada pelos elogios f\u00fanebres pronunciados sobre o seu caix\u00e3o. Para o abade Fava, este ser a quem Deus muito tinha dado tamb\u00e9m soube devolver muito a Deus. Lagrange falou da sua f\u00e9 cat\u00f3lica ativa. Dejean de la Batie evocou o crist\u00e3o exemplar, o amigo dos pobres, o benfeitor que sacrificou parte da sua fortuna por eles.<br \/>\nApoiou as sociedades ou confer\u00eancias de S\u00e3o Vicente de Paulo, antes de se tornar presidente do respetivo Conselho Superior. Fundada em 1833 em Paris, nos arredores de Bailly, a sociedade foi introduzida na ilha em 1854 por Albert de Vill\u00e8le, seu sobrinho. Os seus membros distribu\u00edam esmolas materiais e espirituais em seu redor. As despesas em 1860 ascenderam a 14 000 francos, destinados \u00e0 ajuda a 150 fam\u00edlias, \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o de 50 crian\u00e7as em escolas, e \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de cerca de 40 casamentos de alforriados.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o religiosa de Charles Desbassayns n\u00e3o se limitou \u00e0 assist\u00eancia aos desfavorecidos. Tamb\u00e9m contribuiu para a implanta\u00e7\u00e3o dos Jesu\u00edtas e, uma vez presidente do Conselho Geral (1855), apoiou as sucessivas administra\u00e7\u00f5es em colabora\u00e7\u00e3o com o bispo Desprez, financiando sem hesitar a constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias capelas, igrejas, uma nova catedral que nunca foi conclu\u00edda, e do Estabelecimento da Provid\u00eancia que beneficiava de um subs\u00eddio de 80 000 francos por ano. Desbassayns ilustra esta primeira gera\u00e7\u00e3o de catolicismo social que surgiu no meio conservador, em oposi\u00e7\u00e3o ao liberalismo pol\u00edtico e econ\u00f3mico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8535\" aria-describedby=\"caption-attachment-8535\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.126-127_1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8535 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.126-127_1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"685\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.126-127_1.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.126-127_1-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/FRB974115201_R14935.126-127_1-768x526.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8535\" class=\"wp-caption-text\">Estabelecimento da Provid\u00eancia: escola profissional e casa do diretor. Louis Antoine Roussin. 1860. Litografia. <br \/>Col. Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A este apego \u00e0 Santa S\u00e9 acresceu uma \u2013 tardia \u2013 lealdade \u00e0 Fran\u00e7a, bem como uma paix\u00e3o pela Reuni\u00e3o: ele encarnava o patriotismo crioulo na altura. Esta dupla fidelidade foi demonstrada, no final do s\u00e9culo, por Fran\u00e7ois de Mahy. Mas j\u00e1 nos anos 1840, o poeta Auguste Lacaussade afirmava a sua \u00abdupla perten\u00e7a\u00bb \u00e0 p\u00e1tria crioula e \u00e0 p\u00e1tria francesa. Nada de original, pois era o n\u00facleo da ideologia franco-crioula dos anos 1830. No caso de Charles Desbassayns a situa\u00e7\u00e3o era mais complexa. Verosimilmente, no in\u00edcio, mostrava-se mais preocupado em afirmar a sua identidade crioula. O mesmo sucedia j\u00e1 na \u00e9poca do seu pai, que se autodenominava \u00abo Africano\u00bb aquando das suas duas viagens a Paris. Charles, tal como a sua m\u00e3e, teria facilitado a ocupa\u00e7\u00e3o inglesa de 1810. Sigoyer afirma claramente no seu di\u00e1rio: \u00abCharles Desbassayns \u00e9 um dos que entregaram a col\u00f3nia aos ingleses em 1810\u00bb. Fez o juramento de fidelidade ao rei George sem pestanejar. P. P. U. Thomas, que dirigiu a administra\u00e7\u00e3o da Ilha Bourbon durante seis anos, acrescenta que Desbassayns foi o principal secret\u00e1rio do governo durante os primeiros anos da ocupa\u00e7\u00e3o inglesa. Desbassayns tornou-se um legitimista em 1815, mas tentou opor-se ao poder do governador, que considerava demasiado intrusivo nos assuntos dos colonos. Segundo Thomas: \u00abO surto de c\u00f3lera [1820], e subsequente interrup\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es, foi um pretexto utilizado pelos Desbassayns, por\u00e9m bastante mal explorado. Tentaram tirar partido do facto de a vigil\u00e2ncia do governo j\u00e1 n\u00e3o ser suficientemente direta ou ativa&#8230; resolveram deportar o governo e mand\u00e1-lo de volta para Fran\u00e7a&#8230; e tiveram de tentar fazer com que somente o governador [Milius] deixasse a col\u00f3nia. Acreditaram que a ocasi\u00e3o era favor\u00e1vel e vieram com rodeios ter comigo para me falarem dos seus planos\u00bb. Thomas recusou esta trai\u00e7\u00e3o, e no final o plano acabou por n\u00e3o ir mais longe.<br \/>\nPosteriormente, as suas posi\u00e7\u00f5es mudaram. Compreendeu que podia aspirar a uma posi\u00e7\u00e3o de grande destaque na col\u00f3nia, independentemente do regime da metr\u00f3pole, e n\u00e3o estava errado. Foi sucessivamente nomeado membro do Comit\u00e9 consultivo de agricultura e com\u00e9rcio de Bourbon em 1820, e membro do Conselho Privado. Em 1825 foi nomeado cavaleiro da Legi\u00e3o de Honra e conselheiro colonial a partir de 1826. Foi membro do novo Comit\u00e9 agr\u00edcola criado em 1839 pelo governador de Hell. Ap\u00f3s o an\u00fancio da revolu\u00e7\u00e3o em 1848, ele, o propriet\u00e1rio de escravos conservador, foi nomeado por aclama\u00e7\u00e3o presidente da Assembleia Colonial cujo objetivo \u00abn\u00e3o pode ser o de colocar a col\u00f3nia em situa\u00e7\u00e3o de hostilidade face \u00e0 Metr\u00f3pole, nem o de fazer recuar a emancipa\u00e7\u00e3o\u00bb. Eleito conselheiro municipal de Sainte-Marie em 1854, tornou-se conselheiro geral do mesmo cant\u00e3o no ano seguinte. Ano ap\u00f3s ano, as suas responsabilidades tornaram-se cada vez mais importantes: primeiro presidente da C\u00e2mara da agricultura em 1854, e dois anos mais tarde, presidente do Conselho Geral. Tr\u00eas anos antes de falecer, foi nomeado oficial da Legi\u00e3o de Honra. Assim, Charles Desbassayns concordava com Welcome Ozoux: \u00abAceita-se qualquer mudan\u00e7a de regime que a p\u00e1tria m\u00e3e gosta de infligir a si pr\u00f3pria com uma calma e serenidade que, uma vez confirmada, se transforma ami\u00fade em entusiasmo de interesseiro e quase sempre em lealismo transit\u00f3rio\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8410277051002253\" aria-label=\"E. Welcome Ozoux, La r\u00e9volution de 1848 et l'\u00e9mancipation des esclaves \u00e0 l'\u00eele Bourbon (\u00abA revolu\u00e7\u00e3o de 1848 e a emancipa\u00e7\u00e3o dos escravos na ilha Bourbon\u00bb), Revue philomathique de Bordeaux et du sud-ouest, ano XV, n\u00b0 6, novembro-dezembro 1912.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Em 1863, o homem que facilitou a transi\u00e7\u00e3o de uma col\u00f3nia de esclavagista para uma col\u00f3nia agroindustrial, a Ilha da Reuni\u00e3o tal como hoje a conhecemos, faleceu.<br \/>\nDesbassayns, tal como os seus hom\u00f3logos produtores de a\u00e7\u00facar, compreendeu a rentabilidade limitada da escravatura num contexto capitalista, comparativamente ao trabalho assalariado. Optou por manter os la\u00e7os de perten\u00e7a \u00e0 metr\u00f3pole, na condi\u00e7\u00e3o de que a natureza desses la\u00e7os passasse definitivamente do n\u00edvel pol\u00edtico para o n\u00edvel econ\u00f3mico, numa l\u00f3gica de configura\u00e7\u00e3o de assimila\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma das caracter\u00edsticas definidoras do regime republicano, desde logo aceite pelos plantadores.<br \/>\nCharles Desbassayns tinha-se tornado uma esp\u00e9cie de autoridade universal na ilha, conhecedor dos estudos e descobertas da ci\u00eancia, e reconhecido como um incans\u00e1vel experimentador nos campos agr\u00edcola e industrial. A qualquer estrangeiro que viesse visitar ou estudar a col\u00f3nia fazia-se a seguinte pergunta: \u00abEsteve com o Sr. Desbassayns?\u00bb.<br \/>\nDiz-se que este homem, cuja liga\u00e7\u00e3o \u00e0 sua ilha era proverbial, alguns dias antes da sua morte, deixou com esfor\u00e7o o leito onde padecia para ser levado ao Conselho Geral, onde, apesar do seu sofrimento, presidiu lucidamente debates s\u00e9rios.<br \/>\nTodas as personalidades not\u00e1veis da ilha, a m\u00fasica da Ressource, as filhas de Maria, os jesu\u00edtas, uma multid\u00e3o consider\u00e1vel assistiu ao seu funeral. Os cord\u00f5es do pano mortu\u00e1rio, como se costuma dizer, foram segurados por de Lagrange, diretor do Interior, des Moli\u00e8res, presidente da C\u00e2mara de Saint-Denis e vice-presidente do Conselho Geral, Bellier de Villentroy, presidente do Tribunal imperial, Thomy Lory, presidente da C\u00e2mara de Sainte Rose e membro do Conselho Geral, Mottet, not\u00e1rio e membro do Conselho Municipal e Dejean de la Batie.<\/p>\n<p>Atualmente, Charles Desbassayns caiu totalmente no esquecimento.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8474,"parent":5028,"menu_order":40,"template":"","class_list":["post-12216","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/12216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}