{"id":13460,"date":"2024-07-11T11:27:50","date_gmt":"2024-07-11T07:27:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=13460"},"modified":"2025-01-27T11:48:02","modified_gmt":"2025-01-27T07:48:02","slug":"a-casa-kerveguen","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/uma-sociedade-de-plantacao\/as-grandes-familias-de-plantadores\/a-casa-kerveguen\/","title":{"rendered":"A \u00abcasa\u00bb Kerv\u00e9guen"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma encosta chamada Kerv\u00e9guen, situada no limite do territ\u00f3rio de Saint-Beno\u00eet, na orla da floresta de B\u00e9bour\u2026 Algumas ruas denominadas Kerv\u00e9guen, bem como um audit\u00f3rio\u2026 Estes nomes, agora opacos para os reunionenses que os leem, s\u00e3o tudo o que resta de uma fam\u00edlia que dominou a ilha durante o s\u00e9culo XIX e in\u00edcios do s\u00e9culo XX. Comerciantes, produtores de a\u00e7\u00facar e pol\u00edticos por vias travessas, os membros da fam\u00edlia Kerv\u00e9guen fomentaram a industrializa\u00e7\u00e3o da ilha durante tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es, convertendo-a numa terra de inova\u00e7\u00e3o, enriquecendo e contribuindo para a cria\u00e7\u00e3o da primeira classe oper\u00e1ria do mundo, a dos escravos Negros das planta\u00e7\u00f5es\u2026 Estes empres\u00e1rios, hoje esquecidos, bem como o seu trabalho, instauraram progressivamente a modernidade econ\u00f3mica e social na ilha.<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Jean_Francois_Geraud_7.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Contrariamente ao sucedido na Europa, em Bourbon, o papel desempenhado pelos comerciantes ou negociantes na implanta\u00e7\u00e3o da atividade industrial foi irrelevante. No in\u00edcio (1810-1817), eram poucos (5%), pelo que o capital comercial n\u00e3o era determinante. Denis de Kerv\u00e9guen, comerciante de Saint-Pierre que se tornou plantador e mais tarde, em 1827, produtor de a\u00e7\u00facar, foi a not\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra.<\/p>\n\n\n\n<p>Denis Marie Le Coat de Kerv\u00e9guen, cadete naval origin\u00e1rio da Bretanha, foi o primeiro da linhagem insular a desembarcar na ilha em 1796. Descendente da nobreza, sem dinheiro nem perspetivas no contexto revolucion\u00e1rio, constr\u00f3i a sua prosperidade em Saint-Pierre recorrendo a uma estrat\u00e9gia dupla. Primeiramente, casa-se com Ang\u00e8le C\u00e9sarine Rivi\u00e8re, que o integra na sociedade de Bourbon e lhe proporciona uma base patrimonial (6000 libras e cinco propriedades); de seguida, casa-se com Genevi\u00e8ve Hortense Lenormand, que o insere na burguesia de Saint-Pierre e permite consolidar o seu patrim\u00f3nio. Contudo, o rendimento agr\u00edcola n\u00e3o lhe interessa. Vende uma parte das suas terras e abre uma casa de com\u00e9rcio, onde comercializa chap\u00e9us, tecidos \u2013 nomeadamente o tecido da Guin\u00e9, de tom azul \u00edndigo, utilizado para confecionar as roupas dos escravos \u2013, ferramentas, vinho, azeite e especiarias, que traz de Saint-Joseph. Gra\u00e7as \u00e0 ajuda de Joseph de la Poterie, instala dois moinhos na foz da Rivi\u00e8re d&#8217;Abord e funda uma padaria que fornece p\u00e3o \u00e0 cidade, \u00e0s aldeias da regi\u00e3o e aos navios de passagem. Durante a ocupa\u00e7\u00e3o inglesa, colabora tanto com os invasores como com os Desbassayns, n\u00e3o abrandando a sua atividade. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1820, decide reinvestir os lucros do neg\u00f3cio na compra de terras e lan\u00e7a-se no cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar. Em 1827, funda as primeiras f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar da fam\u00edlia em Casernes e Terre-Rouge, utilizando a \u00e1gua do canal de Saint-Etienne. Nesse mesmo ano, aquando da sua morte, a sua fortuna ultrapassava um milh\u00e3o de libras, mais de metade da qual era ainda constitu\u00edda por d\u00edvidas e menos de um ter\u00e7o por escravos e bens imobili\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, o filho mais velho, Gabriel, ligado pelos la\u00e7os do casamento<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8488658463070826\" aria-label=\"Com Anne Marie Zacharine Chaulmet (1831) cujo dote continha o dom\u00ednio da Ravine des Cabris.\">&nbsp;<\/span> \u00e0 poderosa fam\u00edlia Chaulmet, prossegue as atividades comerciais do pai.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259adf57d&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1059\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/02-Gabriel-de-Kerveguen-ER.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13340\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/02-Gabriel-de-Kerveguen-ER.jpg 1059w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/02-Gabriel-de-Kerveguen-ER-265x300.jpg 265w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/02-Gabriel-de-Kerveguen-ER-904x1024.jpg 904w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/02-Gabriel-de-Kerveguen-ER-768x870.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gabriel Le Coat de Kerveguen. S\u00e9culo XIX. Pintura. <br>Cole\u00e7\u00e3o privada<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em 1829, juntamente com o irm\u00e3o Augustin, desenvolve a atividade de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, comprando o seu primeiro navio Le Renard ao qual outros se seguiriam<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.22021476505244864\" aria-label=\"Os navios Gabriel, Jos\u00e9phine e Emilie-Ezilda, armados pela sociedade de navega\u00e7\u00e3o Kerv\u00e9guen, Desrieux &amp; Compagnie.\">&nbsp;<\/span>. Concession\u00e1rios de uma \u00abmarina\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8319398415820409\" aria-label=\"Desembarcadouro de pedra.\">&nbsp;<\/span>, os irm\u00e3os efetuam trocas comerciais no oceano \u00cdndico at\u00e9 \u00e0 China, bem como com a Metr\u00f3pole. Gabriel manda construir tr\u00eas novas marinas que abastecem diretamente as suas f\u00e1bricas e os seus armaz\u00e9ns de Saint-Philippe, Manapany, Vincendo, Langevin. Nos anos 1850, prop\u00f5e um projeto de porto em Saint-Pierre ao governador Darricau. Exporta caf\u00e9 e a\u00e7\u00facar para os portos de Havre, Nantes, Bordeaux e det\u00e9m o monop\u00f3lio da importa\u00e7\u00e3o de tecidos (tafet\u00e1, len\u00e7\u00f3is, gaze, musselina, chap\u00e9us), ferragens, perfumaria, selaria, bebidas espirituosas de luxo (champanhe, u\u00edsque, cerveja). Os seus navios tamb\u00e9m carregam arroz em Madag\u00e1scar, na \u00cdndia e at\u00e9 na Abiss\u00ednia. Guarda as exist\u00eancias num grande armaz\u00e9m<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.27784041285939165\" aria-label=\"Hoje sede da coletividade das Terras austrais e ant\u00e1rticas francesas.\">&nbsp;<\/span> nas encostas do rio Rivi\u00e8re d\u2019Abord em Saint\u2011Pierre.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae0570&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"794\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/03-Entrepot-Kerveguen-et-port.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13344\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/03-Entrepot-Kerveguen-et-port.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/03-Entrepot-Kerveguen-et-port-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/03-Entrepot-Kerveguen-et-port-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/03-Entrepot-Kerveguen-et-port-768x508.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Obras do porto de Saint-Pierre\u2026 Louis Antoine Roussin. 1860. Litografia. Em <em>Album da ilha da Reuni\u00e3o: compila\u00e7\u00e3o de desenhos que representam os lugares mais pitorescos<\/em>, Antoine Roussin, Saint-Denis, A. Roussin, 1860-1867, v. 2, p. 2. <br>Col. Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o, inv. R14935.002<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Constr\u00f3i outros armaz\u00e9ns em Saint-Joseph, \u00c9tang-Sal\u00e9, Saint-Leu, Champ-Borne e, o mais importante, em Saint-Denis.<br>Todavia, Gabriel dedica-se sobretudo ao a\u00e7\u00facar. Quatro anos ap\u00f3s a morte do pai, o valor das terras e dos escravos no patrim\u00f3nio passa de 33 % para 72 %. De 1828 a 1860, Gabriel de Kerv\u00e9guen realiza v\u00e1rias aquisi\u00e7\u00f5es, constituindo um imenso dom\u00ednio que passa de menos de 100 ha em 1828 para 2000 ha em 1840, e de 3100 ha em 1848, para mais de 5000&nbsp;ha em 1860. A base fundi\u00e1ria situa-se no sul, perfazendo 5199 ha, ou seja, 92,8 % do total (2895 ha em Saint-Pierre, 1449 ha em Saint-Louis, 754 ha em Saint-Joseph e 101 ha em Saint-Philippe). Mais tarde, em 1852, investiu no nordeste, em Quartier-Fran\u00e7ais (210 ha), e em 1854 no oeste, em Saint-Leu (160 ha na localidade de Portail).<br>\u00c0s duas refinarias de a\u00e7\u00facar que lhe legara o pai acrescentou outras, de modo que em 1836 j\u00e1 possu\u00eda seis estabelecimentos. De acordo com o contrato de casamento da filha Emma<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8464289530189686\" aria-label=\"De acordo com o governador Hubert Delisle ela era, \u00abo mais belo partido das duas ilhas\u00bb.\">&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae18f6&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"829\" height=\"1236\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/04-Emma-de-Kerveguen-Comtesse-de-Trevise.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13348\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/04-Emma-de-Kerveguen-Comtesse-de-Trevise.jpg 829w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/04-Emma-de-Kerveguen-Comtesse-de-Trevise-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/04-Emma-de-Kerveguen-Comtesse-de-Trevise-687x1024.jpg 687w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/04-Emma-de-Kerveguen-Comtesse-de-Trevise-768x1145.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Emma Le Coat de Kerveguen. Cerca de 1850. Pintura. <br>Cole\u00e7\u00e3o privada<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>com Napol\u00e9on Mortier de Tr\u00e9vise<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.34766945548392214\" aria-label=\"Bisneto de Edouard Adolphe Casimir Joseph Mortier (1768-1835), marechal de France (1804), e depois duque de Tr\u00e9vise (1807), ligado a Louis XVIII.\">&nbsp;<\/span>, \u00e0 data da sua morte, em 1860, possu\u00eda treze estabelecimentos, facto evocado pela compositora C\u00e9lim\u00e8ne<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.17992135119924968\" aria-label=\"C\u00e9lim\u00e8ne Jeance (nome de casada Gaudieux), 1806-1864, can\u00e7onetista de la Saline, neta do poeta Evariste de Parny.\">&nbsp;<\/span> : <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae2599&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"882\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/05-Celimene-ME-2009-01-320-B.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13352\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/05-Celimene-ME-2009-01-320-B.jpg 882w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/05-Celimene-ME-2009-01-320-B-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/05-Celimene-ME-2009-01-320-B-753x1024.jpg 753w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/05-Celimene-ME-2009-01-320-B-768x1045.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">C\u00e9lim\u00e8ne, mulata e poeta. Charles-Joseph Mettais, inspirado numa fotografia. 1862. Estampa. <br>Em <em>A Volta ao Mundo: novo di\u00e1rio das viagens<\/em>, VI. <br>Col. Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. ME.2009.01.320<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>\u00ab<em>Monsieur de Kerv\u00e9guen \/ n&#8217;est pas riche en vain \/ il a beaucoup de noirs \/ et treize \u00e9tablissements<\/em>\u00bb.<br>(\u00abMonsieur de Kerv\u00e9guen \/ n\u00e3o \u00e9 rico em v\u00e3o \/ tem muitos Negros \/ e treze estabelecimentos\u00bb).<\/p>\n\n\n\n<p><br>Esses tr\u00eas estabelecimentos consistem em dez f\u00e1bricas e tr\u00eas destilarias. O cora\u00e7\u00e3o da atividade situa-se em Saint-Pierre: acima da cidade, a f\u00e1brica Casernes, herdada do pai e a mais potente da ilha, com uma capacidade de 1 000 toneladas de a\u00e7\u00facar; a f\u00e1brica Mon Caprice (800 toneladas), na estrada de Le Tampon; em Petit Tampon (500 toneladas; adquirida aos irm\u00e3os Hoareau em 1837);<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae326d&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"712\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/06-Sucrerie-du-Petit-Tampon-FRAD974_40FI80.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13356\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/06-Sucrerie-du-Petit-Tampon-FRAD974_40FI80.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/06-Sucrerie-du-Petit-Tampon-FRAD974_40FI80-300x178.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/06-Sucrerie-du-Petit-Tampon-FRAD974_40FI80-1024x608.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/06-Sucrerie-du-Petit-Tampon-FRAD974_40FI80-768x456.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Le Tampon &#8211; Uma f\u00e1brica. 10 de fevereiro de 1866. Hippolyte Charles Napol\u00e9on Mortier de Tr\u00e9vise. Desenho, aguarela. Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 40FI80<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>em Entre-Deux (400 toneladas; refinaria descrita no \u00c1lbum de Roussin com o nome de Etablissement de La Rivi\u00e8re). Em Saint-Joseph, o Piton (sete), no sop\u00e9 do pico Babet (1854, 300 t);<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae4079&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"754\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/07-Sucrerie-Piton-Babet-Saint-Joseph-FRAD974_40FI93.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13360\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/07-Sucrerie-Piton-Babet-Saint-Joseph-FRAD974_40FI93.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/07-Sucrerie-Piton-Babet-Saint-Joseph-FRAD974_40FI93-300x189.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/07-Sucrerie-Piton-Babet-Saint-Joseph-FRAD974_40FI93-1024x643.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/07-Sucrerie-Piton-Babet-Saint-Joseph-FRAD974_40FI93-768x483.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">F\u00e1brica de a\u00e7\u00facar do Piton, Quartier St Joseph. 13 de julho de 1861. Hippolyte Charles Napol\u00e9on Mortier de Tr\u00e9vise. Desenho. <br>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 40FI93<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>em Langevin (1839; 500 t) e em Vincendo (comprada em 1852 com Montbel-Fontaine, 500 t). Em Saint-Louis, a f\u00e1brica La Chapelle ou Les Cocos (comprada ao irm\u00e3o em 1847; 700 t), e depois a f\u00e1brica Etang-Sal\u00e9 (300 t, adquirida ao sogro Andr\u00e9 Chaulmet em 1841). Por \u00faltimo, no nordeste, uma f\u00e1brica no Quartier-Fran\u00e7ais, criada em 1852 (800 t). As tr\u00eas destilarias de aguardente de cana localizam-se em Les Casernes (150 000 litros), Etang-Sal\u00e9 (100 000 litros) e Quartier-Fran\u00e7ais (100 000 litros).<br>Gra\u00e7as a essas f\u00e1bricas, Gabriel de Kerv\u00e9guen torna-se o maior empregador privado da col\u00f3nia. At\u00e9 1848, emprega 1538 escravos, a maioria em Saint-Joseph com 41,6 % e Saint-Pierre com 41,4 %, seguidos de Saint-Louis (9,5%) e Saint-Philippe (7,5 %). Esses escravos s\u00e3o maioritariamente de sexo masculino (73%), em conformidade com a regra geral. S\u00e3o oriundos de etnias diversas, por raz\u00f5es econ\u00f3micas (considera-se que as compet\u00eancias de cada etnia s\u00e3o inatas) e pol\u00edticas (esse facto permite evitar tens\u00f5es e revoltas pois gera-se menos solidariedade entre grupos que n\u00e3o conseguem comunicar devidamente e, por conseguinte, n\u00e3o se entendem entre eles). Em 1830, o grupo dominante presente nas propriedades de Gabriel de Kerv\u00e9guen \u00e9 o dos Cafres (57 %), seguido do dos Malgaxes (33 %) e do dos Crioulos mais aculturados (8,5 %), sendo os Indianos ainda poucos (1,5 %). Em 1847, os Crioulos (50,7 %) superaram os Cafres (34 %), os Malgaxes (13,5 %), e os Indianos (2 %). Uma minoria de Negros recebe qualifica\u00e7\u00e3o profissional: aos escravos \u00abde talento\u00bb, que constroem refinarias, acrescem os \u00abescravos t\u00e9cnicos\u00bb que produzem o a\u00e7\u00facar, operam e fazem a manuten\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas (30 %). Todavia, a maioria \u00e9 composta por \u00abNegros de picareta\u00bb (70 %).<br>Os escravos s\u00e3o albergados em cabanas de duas ou tr\u00eas pessoas. Na f\u00e1brica de Etang-Sal\u00e9 em 1841, 81 escravos vivem em \u00ab30 cubatas de Negros cobertas de folhas, em mau estado\u00bb, constru\u00eddas em palha, sobretudo em madeira, raramente em pedra, por vezes dispersas pelo lugar, na maioria agrupadas perto da casa, num \u00abacampamento de Negros\u00bb. S\u00e3o t\u00e3o maltratados por Kerv\u00e9guen, um fervoroso antiabolicionista, como por outros senhores. Em 1848, nos seus estabelecimentos de Saint-Pierre h\u00e1 4 % de <em>marrons <\/em>(escravos fugitivos), sobretudo \u00abpequenos <em>marrons<\/em>\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5686299236298986\" aria-label=\"O grande marronnage tinha uma dura\u00e7\u00e3o superior a um m\u00eas, enquanto o pequeno <em>marronnage <\/em>durava de tr\u00eas dias a um m\u00eas.\">&nbsp;<\/span>. Em Le Tampon, onde vivem mais de 200 escravos, s\u00e3o recenseados mais de 26 delitos: sete casos de marronnage (fuga), punidos com quinze dias de pris\u00e3o que, segundo Kerv\u00e9guen, s\u00e3o alvo de esc\u00e1rnio por parte dos Negros: \u00abDesde os novos decretos [\u00abLois Mackau\u00bb, 1845], escreveu ele, os Negros\u2026 consideram os quinze dias de pris\u00e3o como um tempo de repouso, e frequentemente zombam disso\u00bb; dois casos de insubordina\u00e7\u00e3o perante o capataz ou o vigia (quinze dias de pris\u00e3o); quatro casos de aus\u00eancia ou recusa de trabalhar (quinze ou dez dias de pris\u00e3o; treze casos de roubo de cabritos, coelhos, tartarugas, galinhas, arroz, caf\u00e9 verde, a\u00e7\u00facar e xarope igualmente punidos com quinze dias de pris\u00e3o. Os atos de resist\u00eancia (52 %), s\u00e3o concomitantes com os roubos, a fim de melhorar uma alimenta\u00e7\u00e3o pobre ou para trocar por dinheiro junto a recetadores (48 %). A dureza do trabalho, a brutalidade da supervis\u00e3o, a mis\u00e9ria, a aplica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das penas leva a que, uma vez alforriada em 1848, esta popula\u00e7\u00e3o deixe as f\u00e1bricas em massa. Em 1857, dos 3203 contratados apenas 249 eram pessoas que haviam sido alforriadas em 1848 (7,8 %), aos quais acrescem algumas pessoas que exercem trabalho dom\u00e9stico e que s\u00e3o pr\u00f3ximos da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae4db6&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"781\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/08-Victorine-Samsi-FRAD974_40FI52.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13404\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/08-Victorine-Samsi-FRAD974_40FI52.jpg 781w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/08-Victorine-Samsi-FRAD974_40FI52-195x300.jpg 195w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/08-Victorine-Samsi-FRAD974_40FI52-666x1024.jpg 666w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/08-Victorine-Samsi-FRAD974_40FI52-768x1180.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">A velha (Victorine) &#8211; Mme Samsi. 15 de dezembro de 1865. Hippolyte Charles Napol\u00e9on Mortier de Tr\u00e9vise. Desenho, aguarela. <br>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 40FI52<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>N\u00e3o obstante a sua recusa da aboli\u00e7\u00e3o, que manifesta ami\u00fade perante o Conselho Colonial, Kerv\u00e9guen n\u00e3o deixa de tirar partido da emancipa\u00e7\u00e3o. Como possui tesouraria, antes do pagamento efetivo da indemniza\u00e7\u00e3o em 1852, compra v\u00e1rios t\u00edtulos de indemniza\u00e7\u00e3o, a um pre\u00e7o abaixo do valor, a pequenos propriet\u00e1rios satisfeitos por assim limitarem as suas perdas. Ao declarar apenas 1538 dos escravos, obt\u00e9m o reembolso de 10 000 t\u00edtulos!<br>Ap\u00f3s 1848, \u00e9 o maior empregador de pessoas contratadas da ilha da Reuni\u00e3o, com 3203 trabalhadores em 1857. Africanos (30 %), Indianos (23 %), Malgaxes (23 %), percentagens que variam de um estabelecimento para o outro. O espa\u00e7o de vida desta popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mesmo: considerados estrangeiros culturais, os contratados s\u00e3o sistematicamente agrupados em acampamentos mais afastados da \u00abGrand\u2019Case\u00bb (Casa grande), alojados em cabanas coletivas. As condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho mudam pouco comparativamente \u00e0s da escravatura. Trabalham onze horas por dia, menos duas horas para as refei\u00e7\u00f5es; cada domingo recebem arroz, bacalhau, sal, leguminosas, bem como duas mudas de roupa por ano; por vezes beneficiam de cuidados m\u00e9dicos (de Liss\u00e8gues, de Mahy) e auferem os seus \u00ednfimos sal\u00e1rios a cada dois meses.<br>A quest\u00e3o do sal\u00e1rio leva Kerv\u00e9guen a realizar uma opera\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica do universo colonial. Considerados s\u00f3brios, trabalhadores e poupados, os contratados desconfiam do dinheiro de papel e preferem ser remunerados em moedas, facto que o contratador aceita para incit\u00e1-los a renovar os respetivos contratos. Por\u00e9m, a Reuni\u00e3o carece de numer\u00e1rio, pelo que Kerv\u00e9guen resolve importar moedas num valor de 20 kreuzers (<em>zwanziger<\/em>), que haviam sido recentemente desmonetizadas, a fim de pagar os sal\u00e1rios. Em 1859, com a aprova\u00e7\u00e3o das autoridades, foram introduzidas 227 000 moedas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae5858&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1300\" height=\"653\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/09-1-franc-kerveguen.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13437\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/09-1-franc-kerveguen.jpg 1300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/09-1-franc-kerveguen-300x151.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/09-1-franc-kerveguen-1024x514.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/09-1-franc-kerveguen-768x386.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">1 franco Kerveguen. \u00c1ustria. 1787. Prata. 28 mm (di\u00e2metro), 6,26 g. <br>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le. Don Philippe Delaygues<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u00eaxito, de tal modo que centenas de milhares de kreutzers afluem ilicitamente \u00e0 ilha. Quando, vinte anos ap\u00f3s a morte de Gabriel, em 1879, o governo da III\u00aa Rep\u00fablica decide retirar de circula\u00e7\u00e3o as moedas estrangeiras das col\u00f3nias, pelo que a confian\u00e7a nessas moedas, cujo n\u00famero ascende a mais de 800 000, cai significativamente, resultando na fal\u00eancia e na ru\u00edna de utilizadores e comerciantes. Depois de um longo processo, o filho, Denis-Andr\u00e9, compromete-se a reembolsar as 227 000 introduzidas inicialmente na ilha.<br>Durante toda a sua vida, Gabriel de Kerv\u00e9guen, manifesta muita prud\u00eancia relativamente \u00e0 vida p\u00fablica, evitando ligar-se a um qualquer regime, recusando honras e condecora\u00e7\u00f5es, inclusivamente a Legi\u00e3o de Honra. Distingue-se somente pela compra ao Vaticano de um t\u00edtulo de \u00abconde romano\u00bb e pela constru\u00e7\u00e3o de uma espl\u00eandida mans\u00e3o em Casernes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae655e&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"902\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/10-La-maison-des-Casernes-FRAD974_40FI47.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13372\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/10-La-maison-des-Casernes-FRAD974_40FI47.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/10-La-maison-des-Casernes-FRAD974_40FI47-300x226.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/10-La-maison-des-Casernes-FRAD974_40FI47-1024x770.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/10-La-maison-des-Casernes-FRAD974_40FI47-768x577.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Les Casernes &#8211; Quartier St Pierre &#8211; Ilha Bourbon. Hippolyte Charles Napol\u00e9on Mortier de Tr\u00e9vise. 1861. Desenho, aguarela a cores. <br>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 40FI47<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>No meio do jardim, um recanto e resguardo de verdura que separava a casa da refinaria e do acampamento dos Negros, havia duas casas com um andar unidas por uma varanda coberta orientada para \u00abo vento da terra\u00bb vindo da montanha, na grande sala de jantar com tr\u00eas janelas. A decora\u00e7\u00e3o de uma fachada, a encena\u00e7\u00e3o da mans\u00e3o sobre um vasto alpendre, a sua situa\u00e7\u00e3o defronte \u00e0 ba\u00eda onde se avistam os navios gra\u00e7as aos quais a fam\u00edlia enriquecera, espelham o desejo de representa\u00e7\u00e3o do rico fabricante de a\u00e7\u00facar.<br>Gabriel de Kerv\u00e9guen morre dia 4 de mar\u00e7o de 1860 num acidente de carro\u00e7a em Paris, estando sepultado no cemit\u00e9rio P\u00e8re Lachaise.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae71a2&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/11-Tombe-de-G-de-Kerveguen-au-P\u00bfre-Lachaise.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13376\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/11-Tombe-de-G-de-Kerveguen-au-P\u00bfre-Lachaise.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/11-Tombe-de-G-de-Kerveguen-au-P\u00bfre-Lachaise-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/11-Tombe-de-G-de-Kerveguen-au-P\u00bfre-Lachaise-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/11-Tombe-de-G-de-Kerveguen-au-P\u00bfre-Lachaise-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">T\u00famulo de Louis-Marie-Gabriel Le Coat de Kerveguen, cemit\u00e9rio P\u00e8re Lachaise. 2012. Fotografia. <br>Coyau, CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ele representa a passagem da agricultura cl\u00e1ssica para uma agricultura com o m\u00e1ximo de lucro, convertendo o plantador em empres\u00e1rio capitalista. A cana-de-a\u00e7\u00facar deixara de crescer nas suas terras para dar lugar ao crescimento de dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Denis-Andr\u00e9 Le Coat de Kerv\u00e9guen (1833-1908), o filho mais velho, ficara \u00f3rf\u00e3o de m\u00e3e muito cedo, sendo portanto criado pelas dom\u00e9sticas da fam\u00edlia na casa de Casernes e mimado pelas tias das quais a pintora Ad\u00e8le Ferrand, esposa do tio Denis-Fran\u00e7ois.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae7e94&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"879\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/12-Denis-Andre-de-Kerveguen.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13380\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/12-Denis-Andre-de-Kerveguen.jpg 879w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/12-Denis-Andre-de-Kerveguen-220x300.jpg 220w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/12-Denis-Andre-de-Kerveguen-750x1024.jpg 750w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/12-Denis-Andre-de-Kerveguen-768x1048.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Denis Andr\u00e9 Le Coat de Kerv\u00e9guen. S\u00e9culo XIX. Pintura. <br>Cole\u00e7\u00e3o privada<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ap\u00f3s breves estudos no Coll\u00e8ge Royal de Saint-Denis, associa-se ao pai nos neg\u00f3cios familiares atrav\u00e9s de uma sociedade em comandita destinada a preservar a fortuna da fam\u00edlia. Ap\u00f3s a morte do pai, dedica-se a modernizar a heran\u00e7a industrial, pelo que se associa ao cunhado, Hippolyte Mortier (1835-1892), no \u00e2mbito da empresa <em>Soci\u00e9t\u00e9 Le Coat-Tr\u00e9vise<\/em> que se desfaz dos estabelecimento menos rent\u00e1veis (Piton Rouge, Etang Sal\u00e9) e cujo produto permite investir em novas m\u00e1quinas. O flor\u00e3o da empresa \u00e9 a refinaria de Quartier Fran\u00e7ais, reconstru\u00edda a partir de 1870 e equipada com caldeiras de triplo efeito, de um desfibrador e de filtros para depurar as massas cozidas, levando ao encerramento dos estabelecimentos mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae897e&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"785\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/13-Usine-de-Quartier-Francais-MLD_ME_2020_1_6_67.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13384\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/13-Usine-de-Quartier-Francais-MLD_ME_2020_1_6_67.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/13-Usine-de-Quartier-Francais-MLD_ME_2020_1_6_67-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/13-Usine-de-Quartier-Francais-MLD_ME_2020_1_6_67-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/13-Usine-de-Quartier-Francais-MLD_ME_2020_1_6_67-768x502.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">F\u00e1brica de Quartier Fran\u00e7ais. 1889. Henri Georgi. Fotografia. <br>Col. Museu L\u00e9on Dierx. Doa\u00e7\u00e3o Hibon, inv. ME_2020_1_6_67<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Geridos por homens de confian\u00e7a, mais ou menos aparentados \u00e0 fam\u00edlia, as refinarias elaboram produtos premiados nas exposi\u00e7\u00f5es universais como a de 1867 (a\u00e7\u00facar, rum). Em finais do s\u00e9culo, Denis-Andr\u00e9 de Kerv\u00e9guen vende algumas das suas terres (Le Tampon, Saint-Pierre), devido ao facto de a ilha atravessar uma crise econ\u00f3mica grave e ao endividamento junto ao <em>Cr\u00e9dit Foncier Colonial<\/em>. Kerv\u00e9guen tenta atenuar as dificuldades investindo na Nova Caled\u00f3nia, a pedido do governador Guillain, outrora comandante da esta\u00e7\u00e3o naval de Bourbon (1836-1839). Contudo, a sociedade Ouam\u00e9nie-Le Coat, fundada com o reunionense Nas de Tourris, resiste durante apenas cerca de vinte anos. Contrariamente ao pai, Denis-Andr\u00e9, efetua estadias frequentes na Fran\u00e7a continental onde se casa com a irm\u00e3 de Fran\u00e7ois de Mahy, no pal\u00e1cio de Escoire (Dordogne). Os filhos nascem no seu pr\u00e9dio de Faubourg Saint Honor\u00e9 em Paris. Embora permane\u00e7a estreitamento ligado aos seus neg\u00f3cios da Reuni\u00e3o e se dirija ao Conselho geral da ilha algumas vezes, come\u00e7a a preparar o retorno da fam\u00edlia enriquecida \u00e0 p\u00e1tria ancestral. Falece em Paris, onde se instalara em fevereiro de 1908, ap\u00f3s ter associado o filho Robert aos neg\u00f3cios da sociedade em comandita.<\/p>\n\n\n\n<p>Robert Le Coat de Kerv\u00e9guen nasce em Paris em setembro de 1875, e \u00e9 o segundo filho de Denis-Andr\u00e9 Le Coat de Kerv\u00e9guen e de Ad\u00e8le de Mahy, irm\u00e3 de Fran\u00e7ois de Mahy<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.789373571674455\" aria-label=\"M\u00e9dico, deputado anticlerical, ministro da Marinha e das Col\u00f3nias (interessa-se pela coloniza\u00e7\u00e3o de Madag\u00e1scar), ministro da Agricultura de 1830 a 1906.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae9524&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"973\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/14-Robert-de-Kerveguen.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13388\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/14-Robert-de-Kerveguen.jpg 860w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/14-Robert-de-Kerveguen-265x300.jpg 265w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/14-Robert-de-Kerveguen-768x869.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Robert Le Coat de Kerveguen. Fotografia. <br>Cole\u00e7\u00e3o privada<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Robert estuda no Coll\u00e8ge Stanislas, e de seguida tira o curso de medicina, um per\u00edodo marcado pelas extravag\u00e2ncias dos jovens peraltas da di\u00e1spora reunionense. Quando regressa \u00e0 Reuni\u00e3o n\u00e3o abre um consult\u00f3rio, mas pratica medicina nas termas de Salazie. Ap\u00f3s a morte do pai, retoma os neg\u00f3cios familiares mediante uma nova sociedade em comandita constitu\u00edda entre ele pr\u00f3prio, os parentes do cunhado (Rochechouart-Mortemart) e a tia Emma, vi\u00fava de Mortier. Na ordem do dia est\u00e1 a moderniza\u00e7\u00e3o (procedimento de mistura de massa cozida e instala\u00e7\u00e3o de turbinas hidr\u00e1ulicas Weston) e a racionaliza\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es industriais. A f\u00e1brica de Le Tampon encerra em 1902, enquanto os investimentos passam a concentrar-se na f\u00e1brica de Casernes (que centraliza a cana proveniente das propriedades de Le Tampon), na f\u00e1brica de Quartier Fran\u00e7ais (destru\u00edda por um inc\u00eandio em 1899, mas imediatamente reconstru\u00edda e equipada com material americano) e na f\u00e1brica de Gol (a sua aquisi\u00e7\u00e3o em 1902 endividou consideravelmente a empresa). Juntamente com o Cr\u00e9dit Foncier Colonial, torna-se o principal produtor e industrial de a\u00e7\u00facar da ilha e assume o cargo de presidente do sindicato dos fabricantes de a\u00e7\u00facar fundado em 1908. As suas atividades s\u00e3o marcadas por um comportamento que a sociedade crioula considera escandaloso. Antes de se casar com Augustine de Vill\u00e8le (1917), Robert tem um caso com a atriz Mlle Deverne, que se muda para o \u00abch\u00e2teau\u00bb de Bel Air<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9488076493277444\" aria-label=\"Um dos principais lugares de rodagem do filme de filme de Truffaut, A sereia do Mississipi (1969).\">&nbsp;<\/span> (Le Tampon) que ele lhe comprara em 1908.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259ae9f8a&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/15-Chateau-de-Bel-Air-au-Tampon.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13392\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/15-Chateau-de-Bel-Air-au-Tampon.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/15-Chateau-de-Bel-Air-au-Tampon-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/15-Chateau-de-Bel-Air-au-Tampon-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/15-Chateau-de-Bel-Air-au-Tampon-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">O \u00abch\u00e2teau\u00bb de Bel-Air em Le Tampon. 2011. Fotografia. <br>Thierry Caro, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p> Trava uma longa batalha, caracterizada por rancores, mesquinharias e atribui\u00e7\u00e3o de culpa, contra o Padre Rognard, indignado com a mis\u00e9ria dos colonos de Kerv\u00e9guen.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259aeab31&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1037\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/16-Pere-Rognard-20240412_153547.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13396\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/16-Pere-Rognard-20240412_153547.jpg 1037w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/16-Pere-Rognard-20240412_153547-259x300.jpg 259w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/16-Pere-Rognard-20240412_153547-885x1024.jpg 885w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/16-Pere-Rognard-20240412_153547-768x889.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Retrato de P\u00e8re Eug\u00e8ne Rognard. Fotografia. <br>Cole\u00e7\u00e3o Episcopado da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Como muitos empres\u00e1rios que criticam o sistema de previd\u00eancia criado pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, Robert de Kerv\u00e9guen participa na vida pol\u00edtica da ilha. Defende os interesses dos industriais do a\u00e7\u00facar junto do governo de Doumergue e faz parte de uma delega\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Permanente do A\u00e7\u00facar (Bruxelas) no sentido de os representar; a partir de 1903 torna-se membro da Uni\u00e3o Colonial Francesa. Em 1914, apresenta-se como candidato conservador nas elei\u00e7\u00f5es legislativas contra Georges Boussenot, na esperan\u00e7a de obter os votos dos seus dependentes, trabalhadores e colonos. Ap\u00f3s uma campanha de rara viol\u00eancia, Kerv\u00e9guen, que encarna uma vis\u00e3o retr\u00f3grada da sociedade reunionense, ancorada na ignor\u00e2ncia e na subservi\u00eancia aos poderosos, \u00e9 derrotado. A 20 de mar\u00e7o de 1920, por raz\u00f5es pouco claras \u2013 fracasso pol\u00edtico, infelicidade familiar, receio de uma reforma agr\u00e1ria prejudicial, incertezas internacionais sobre o destino das col\u00f3nias, oportunidade de tirar partido da subida em flecha do pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar \u2013, liquida todos os bens da fam\u00edlia na Reuni\u00e3o em prol da Soci\u00e9t\u00e9 Fonci\u00e8re Maurice-R\u00e9union Limited, embora apenas recupere uma parte do pre\u00e7o de venda e as d\u00edvidas do Gol n\u00e3o sejam saldadas. A sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estar em fase com a realidade da ilha, o cansa\u00e7o devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, torna-se evidente. Quando regressa a Fran\u00e7a, Robert de Kerv\u00e9guen compra o Ch\u00e2teau de Vigny (em Vexin) e morre em Paris, em abril de 1934.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e1259aeb6bc&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"936\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/17-Chateau-de-Vigny.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13400\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/17-Chateau-de-Vigny.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/17-Chateau-de-Vigny-300x234.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/17-Chateau-de-Vigny-1024x799.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/17-Chateau-de-Vigny-768x599.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entrada norte do pal\u00e1cio de Vigny. 2007. Fotografia. <br>Ruizo, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Na ilha Bourbon dos dois primeiros membros da fam\u00edlia Kerv\u00e9guen, o dinheiro substitui a aus\u00eancia de distin\u00e7\u00e3o honor\u00edfica e de origens nobili\u00e1rquicas. Em \u00faltima an\u00e1lise, o dinheiro poderia ser equiparado \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o fosse o facto de, a partir dos anos 1820\/30, haver tamb\u00e9m uma vontade de expandir a empresa atrav\u00e9s da gest\u00e3o pessoal.<br>Depois deles, Robert de Kerv\u00e9guen v\u00ea o dinheiro apenas como uma comodidade e n\u00e3o como um s\u00edmbolo de posi\u00e7\u00e3o social. O rendimento pessoal permite fazer boa figura na sociedade, afirmar a sua posi\u00e7\u00e3o e fazer carreira. A era do plantador omnipotente termina na d\u00e9cada de 1880. A l\u00f3gica do sufr\u00e1gio universal, invisibilizada pelo paternalismo e pela depend\u00eancia assistencialista pr\u00f3prios da Reuni\u00e3o, amplificada pela legaliza\u00e7\u00e3o dos sindicatos, faz emergir uma nova gera\u00e7\u00e3o de dirigentes sindicais e pol\u00edticos (Gasparin, Boussenot), cujo objetivo \u00e9 melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de rendimento dos trabalhadores da Reuni\u00e3o. Neste contexto, as margens de lucro das empresas a\u00e7ucareiras diminuem ainda mais.<br>O sentimento de que a guerra, de alguma forma, colocara termo \u00e0 era de prosperidade e seguran\u00e7a da burguesia, agora partilhada por toda a ilha, explica tamb\u00e9m esta contra\u00e7\u00e3o, que foi rapidamente acompanhada por um apagamento da mem\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":13335,"parent":5026,"menu_order":30,"template":"","class_list":["post-13460","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/13460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5026"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}