{"id":13688,"date":"2024-09-03T11:50:35","date_gmt":"2024-09-03T07:50:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=13688"},"modified":"2024-09-03T11:50:36","modified_gmt":"2024-09-03T07:50:36","slug":"mulheres-escravizadas-em-bourbon","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/condicao-e-vida-quotidiana-do-escravo\/mulheres-escravizadas-em-bourbon\/","title":{"rendered":"Mulheres escravizadas em Bourbon"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">No universo dos escravizados, os malgaxes constitu\u00edam o grupo dominante, pelo que deveria reinar a harmonia entre homens e mulheres, j\u00e1 que, de acordo com a mitologia malgaxe, a mulher \u00e9 filha de Deus, de origem celeste, tendo o prest\u00edgio de ser capaz de influenciar e distribuir a fertilidade. Sendo igualmente fonte de vida, de poder e de for\u00e7a, deve ser respeitada. Durante o per\u00edodo em que a col\u00f3nia era gerida pela Companhia Francesa das \u00cdndias Orientais, os grandes <em>marronneurs<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.0017945557688139324\" aria-label=\"N. da T.: Escravos fugitivos\">&nbsp;<\/span><em> <\/em>regressavam para levar as mulheres \u00e0 for\u00e7a com vista a criar reinos sedent\u00e1rios e duradouros. Outra manifesta\u00e7\u00e3o deste respeito das mulheres ocorreu durante a revolta de Saint-Leu, em in\u00edcios de novembro de 1811, quando um dos chefes da rebeli\u00e3o ordenou aos seus homens que n\u00e3o atacassem as mulheres dos colonos. O grupo das escravizadas na ilha de Bourbon\/da Reuni\u00e3o apresenta alguns tra\u00e7os distintivos. Eram muito menos numerosas do que os homens. Paradoxalmente, este desequil\u00edbrio tornou-as v\u00edtimas da viol\u00eancia associada ao sistema. Todavia, por meio das suas a\u00e7\u00f5es, contribu\u00edram para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade reunionense e para o seu \u00eaxito econ\u00f3mico.<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um grupo quase sempre em desvantagem num\u00e9rica<\/h3>\n\n\n\n<p>O equil\u00edbrio de g\u00e9nero entre os escravizados era fr\u00e1gil. Em 1704, dos 311 homens escravizados, 68,8 % eram do sexo masculino e 31,2 % do sexo feminino. Em 1711, dos 370 homens escravizados, as propor\u00e7\u00f5es eram de 64,8 % e 35,2 %, respetivamente. Ap\u00f3s a sua chegada em 1714, os lazaristas militaram para que os filhos dos escravizados nascessem em fam\u00edlias unidas perante a Igreja. Para que isso fosse poss\u00edvel, os governantes e os senhores tinham de concordar em trazer para a col\u00f3nia tantos homens como mulheres e assegurar que o equil\u00edbrio dos sexos fosse respeitado em cada planta\u00e7\u00e3o. Esta pol\u00edtica encontraria algum apoio aquando do lan\u00e7amento da cultura do cafeeiro Moka, uma vez que as remessas continham um n\u00famero ligeiramente superior de mulheres.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d305d6f&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"843\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ME-2017-1-17-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13534\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ME-2017-1-17-1.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ME-2017-1-17-1-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ME-2017-1-17-1-1024x719.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ME-2017-1-17-1-768x540.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00c1frica. A escravatura em Zanzibar. &#8211; O mercado de escravos. Daniel Vierge, desenhador. 1872. Estampa. <br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le. Acervo Michel Pol\u00e9nyk, inv. ME.2017.1.17<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em 1735, a discrep\u00e2ncia entre os sexos parece diminuir. De um total de 7057 escravos, 54,2 % eram homens e 45,8 % mulheres. Por\u00e9m, esse progresso foi tempor\u00e1rio. Os mission\u00e1rios falharam na sua tentativa de criar uma sociedade ordenada e de reduzir as tens\u00f5es entre os sexos no seio dos escravizados, devido \u00e0 falta de uma verdadeira coopera\u00e7\u00e3o por parte daqueles que lucravam com o sistema. Foi certamente por essa raz\u00e3o que as mulheres escravizadas foram objeto de viol\u00eancia desde muito cedo, tanto por parte dos seus senhores como dos homens escravizados. Em vez de aumentar o seu pre\u00e7o e valor e, por conseguinte, o respeito, o facto de serem raras tornou-as presas demasiado procuradas e geralmente obtidas de modo violento.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d3068a5&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"998\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/le-rapt-de-la-negresse.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13588\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/le-rapt-de-la-negresse.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/le-rapt-de-la-negresse-300x250.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/le-rapt-de-la-negresse-1024x852.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/le-rapt-de-la-negresse-768x639.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sc\u00e8ne de Moeurs, conhecida como O rapto da negra. Christian van Couwenberg (1604-1667). 1632. Pintura. <br>Col. Museu de Belas Artes de Estrasburgo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, o desequil\u00edbrio acentuou-se. Nada mudaria at\u00e9 \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravatura.<br>Em 1826, dos 63 447 indiv\u00edduos privados de liberdade, 65 % eram homens e 35 % mulheres. Em 1836, os efeitos do tr\u00e1fico de escravos s\u00e3o evidentes no crescimento global da popula\u00e7\u00e3o escrava. O facto da maioria dos escravos comercializados serem de sexo masculino durante o per\u00edodo do tr\u00e1fico clandestino, afetou a popula\u00e7\u00e3o de escravos adultos, que passou a ser composta por dois homens para cada mulher. Das 69 296 pessoas escravizadas, 65 % eram homens e 35 % mulheres. Nas v\u00e9speras da aboli\u00e7\u00e3o do sistema, houve uma ligeira recupera\u00e7\u00e3o. Em 1842, 65 915 pessoas eram escravizadas, sendo 62,6 % homens e 37,4 % mulheres. Em 1847, dos 60 260 escravizados, as propor\u00e7\u00f5es eram de 61,6 % e 38,4 %.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">V\u00edtimas de viol\u00eancia, consequ\u00eancia direta do desequil\u00edbrio entre os sexos<\/h3>\n\n\n\n<p>As mulheres escravizadas eram sujeitas \u00e0 domina\u00e7\u00e3o de um senhor, mas tamb\u00e9m, por consequ\u00eancia, \u00e0 dos seus companheiros masculinos. Para escapar aos golpes dos seus senhores, as mulheres escravizadas podiam optar por se rebelar, conquistando ilegalmente a sua liberdade. Os tumultos entre escravos e escravas eram constantes. As escravas preferiam permanecer solteiras. Em primeiro lugar, porque deviam ter autoriza\u00e7\u00e3o do senhor para casar e a situa\u00e7\u00e3o dos futuros c\u00f4njuges era complicada quando n\u00e3o pertenciam ao mesmo senhor. Em segundo lugar, como as mulheres eram escassas, quando viviam em concubinato n\u00e3o eram maltratadas, porque o companheiro receava ser abandonado. Contudo, quando se casavam, no dia do casamento o casal fazia um juramento de fidelidade, segundo o qual que quem tra\u00edsse devia ser chicoteado na pra\u00e7a p\u00fablica pela v\u00edtima. Assim, se o marido fosse tra\u00eddo optava por n\u00e3o bater na mulher em p\u00fablico, preferindo corrigi-la dentro da cubata, \u00e0 porta fechada. Desta forma, evitava ser ridicularizado pelos seus companheiros de infort\u00fanio. No entanto, o casamento nada mudava para os escravizados, independentemente do seu sexo, uma vez que continuavam a ser propriedade de um senhor que podia dispor dos seus s\u00fabditos como bem entendesse. Ao viver em concubinagem, a mulher escravizada recusava-se a submeter-se \u00e0 domina\u00e7\u00e3o masculina. A escravatura enfraquece o ser humano a tal ponto que o homem escravizado, que n\u00e3o \u00e9 melhor do que a mulher, pode ver na viol\u00eancia contra os mais fracos (mulheres e crian\u00e7as) uma forma de imitar os dominadores, de se dar import\u00e2ncia e de se fazer temer.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As escravas protagonistas da hist\u00f3ria econ\u00f3mica e pol\u00edtica da ilha<\/h3>\n\n\n\n<p>Como a agricultura era a base da economia da ilha Bourbon, a maioria das mulheres escravizadas trabalhava com a enxada, sendo as restantes dom\u00e9sticas. Quando a cultura do cafeeiro Moka foi imposta aos plantadores pela Companhia das \u00cdndias, algumas escravas foram afetadas ao fabrico de material para secar os gr\u00e3os de caf\u00e9 e de sacos de <em>vacoa<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.19237989659555566\" aria-label=\"N. da T. : folhas da planta Pandanus utilis\">&nbsp;<\/span> para embalar o produto com vista \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, tornando-se assim <em>mandares<\/em>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d307a43&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1103\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R03702.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13542\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R03702.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R03702-300x259.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R03702-1024x882.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R03702-768x662.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colheita do caf\u00e9. 1887. Gravura. Em La R\u00e9union et Madagascar, Fernand Hue, Paris, H. Lec\u00e8ne et H. Oudin, p. 119. <br>Col. Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o, inv. R03702.119_1<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Quando a col\u00f3nia se voltou para a produ\u00e7\u00e3o industrial de a\u00e7\u00facar, a propor\u00e7\u00e3o de mulheres escravas, que variara entre 31 % e 35 %, tornou-se ligeiramente inferior, sendo em m\u00e9dia, 26,8 %, ou seja pouco mais de um quarto da popula\u00e7\u00e3o total. A estrat\u00e9gia da produtividade favorecia a compra de homens. A situa\u00e7\u00e3o mudou ligeiramente a partir de 1836, com a propor\u00e7\u00e3o a atingir os 30 %. Durante este per\u00edodo, alguns produtores de a\u00e7\u00facar (30 em 48) compraram mais mulheres (+45,6\u00a0%) do que homens (+22,3 %). Para 28 destas refinarias, a propor\u00e7\u00e3o de homens e mulheres alterou-se devido ao aumento do pre\u00e7o dos escravos, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do capital investido na compra de maquinaria e ao custo inferior das mulheres. As mulheres eram raramente empregadas na refinaria, sendo de um modo geral, empregadas no tratamento da cana antes da mesma entrar na f\u00e1brica e dos sacos de a\u00e7\u00facar para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho da ama n\u00e3o deve ser esquecido. Se a mulher do patr\u00e3o n\u00e3o pudesse amamentar o filho rec\u00e9m-nascido, uma escrava poderia servir de ama-de-leite. Neste caso, criavam-se la\u00e7os especiais entre o amamentado e a nutrice. No Atelier Colonial criado em 1771 durante a Monarquia de Julho, as amas-de-leite &#8211; ou seja, as escravizadas gr\u00e1vidas ou lactantes &#8211; foram objeto de debate. De acordo com o decreto de 12 de fevereiro de 1833, as mulheres negras eram consideradas amas-de-leite do s\u00e9timo m\u00eas de gravidez at\u00e9 ao sexto m\u00eas de amamenta\u00e7\u00e3o. A partir do s\u00e9timo m\u00eas de gravidez, como o seu desempenho profissional j\u00e1 n\u00e3o era considerado bom, recebiam um tratamento especial para evitar acidentes e limitar os abortos espont\u00e2neos. A partir do s\u00e9timo m\u00eas de amamenta\u00e7\u00e3o, as escravas tinham de regressar ao trabalho. Em 1833, esta oficina de amas-de-leite foi instalada no lazareto junto ao Cap Bernard e a supervis\u00e3o foi confiada a uma escrava de confian\u00e7a. Do s\u00e9timo ao nono m\u00eas, as amas-de-leite confecionavam panos, cestos, roupas de crian\u00e7a, cal\u00e7as, camisas, almofadas e remendos de len\u00e7\u00f3is hospitalares. As amas podiam ser disponibilizadas por um per\u00edodo de um ano \u00e0s pessoas que o desejassem, mediante o pagamento de 30 francos por m\u00eas ao Tesouro Colonial<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9497892106334596\" aria-label=\"ADR, 16 K 13, Decreto de 30 de dezembro de 1833, p.314\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d30849d&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1196\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Nourrice_noire_tenant_une_petite_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13596\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Nourrice_noire_tenant_une_petite_.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Nourrice_noire_tenant_une_petite_-257x300.jpg 257w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Nourrice_noire_tenant_une_petite_-877x1024.jpg 877w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Nourrice_noire_tenant_une_petite_-768x897.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">[Enfermeira negra com uma menina ao colo.] N\u00e3o identificado. 1842-1855. Fotografia. <br>Col. Biblioteca nacional de Fran\u00e7a, EST RESERVE EG2-438<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No seio da <em>n\u00e8grerie <\/em>du Roi, algumas das mulheres escravizadas eram servas da marinha, enquanto outras trabalhavam no hospital ou no armaz\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da Restaura\u00e7\u00e3o, a oficina de escravos da comuna de Saint-Denis era composta por 73 indiv\u00edduos, dos quais 35\u00a0homens, 21 mulheres, 10 negrinhos e 7 negrinhas. Das mulheres cuja profiss\u00e3o era conhecida, 10 trabalhavam no campo, a cafre Suzanne, de 27 anos, era empregada no governo e 6 eram amas. Em Saint-Paul, todas as mulheres eram oper\u00e1rias. Em Saint-Pierre, havia 27 mulheres na oficina comunal, entre as quais as cafres Euph\u00e9mie, de 23 anos, epil\u00e9tica, Fran\u00e7oise, de 71\u00a0anos, Marie Joseph, de 54 anos, Marie, de 77 anos e Louise, de 59 anos, inv\u00e1lidas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.43032042032597784\" aria-label=\"ADR, 11 M 42, Saint-Pierre\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d308fb0&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"776\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FRAD974_26J13-Esclaves-au-travail.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4735\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FRAD974_26J13-Esclaves-au-travail.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FRAD974_26J13-Esclaves-au-travail-300x182.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FRAD974_26J13-Esclaves-au-travail-768x466.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FRAD974_26J13-Esclaves-au-travail-1024x621.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">[Escravos a trabalhar] \/ Jean-Joseph Patu de Rosemont. [1800-1810]. Desenho, pena, tinta castanha. <br>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 26J13<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo revolucion\u00e1rio, havia algumas mulheres escravizadas sob a mira da justi\u00e7a, quer por terem liga\u00e7\u00f5es com homens considerados suspeitos, quer porque os seus coment\u00e1rios indicavam que seriam angl\u00f3filas, facto que atesta que se interessam pela vida pol\u00edtica. Acreditavam que a transi\u00e7\u00e3o da ilha para o dom\u00ednio ingl\u00eas poderia significar a sua liberta\u00e7\u00e3o. A 26 de fevereiro de 1800, Marie Anne foi acusada de ter afirmado que se regozijava com a chegada dos ingleses e de ter falado com Romain, um conspirador<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.1542375924398196\" aria-label=\"ADR, L 325, Carta de 7 vent\u00f4se ano 8 (26 fevereiro 1800)\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os escravizados tinham apenas uma ambi\u00e7\u00e3o: viver em liberdade. Os mais ponderados decidiam agir deslocando-se para a parte alta da ilha. Se fossem recapturados num prazo de 30 dias, ficavam sob a responsabilidade da justi\u00e7a do senhor. Mas se fossem apanhados ap\u00f3s 30 dias, ficavam sob a al\u00e7ada da justi\u00e7a real ou republicana. Da primeira vez, eram castigados com o corte das orelhas, uma marca de flor-de-lis num dos ombros e outros castigos corporais. Da segunda vez, era-lhes cortado o jarrete, marcados com a flor-de-lis no outro ombro e chicoteados e, da terceira vez, eram condenados \u00e0 morte. As mulheres eram submetidas \u00e0s mesmas penas que os homens. A 16 de junho de 1785, Marie, a escrava malgaxe de Sieur Ferri\u00e8re, foi capturada ap\u00f3s uma fuga de curta dura\u00e7\u00e3o<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.39878171285525177\" aria-label=\"ADR, 37 C\">&nbsp;<\/span>. Esta primeira tentativa falhada n\u00e3o bastou para a fazer mudar de ideias, tornando-se fugitiva profissional at\u00e9 \u00e0 sua morte. Durante a \u00e9poca real, no terceiro caso, os escravos j\u00e1 n\u00e3o eram punidos com a morte. Esta pena foi comutada, ap\u00f3s recurso, para pris\u00e3o perp\u00e9tua, sendo que Marie beneficiou desta altera\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das que participavam no <em>marronnage<\/em>, s\u00e3o poucas as mulheres escravizadas conhecidas. Podemos citar Fanny, libertada pouco antes da Revolu\u00e7\u00e3o de 1789, m\u00e3e do poeta Auguste Lacaussade; Delphine nascida em Sainte-Marie a 7 de agosto de 1809, de apelido H\u00e9lod, libertada em 1835, costureira em Saint-Paul, falecida a 13 de maio de 1836 na mesma cidade; C\u00e9cilia, filha do escravo Janvier, falecida em Saint-Beno\u00eet com vinte anos; e Flore, escrava-ama da mulher e dos filhos de Patu de Rosemont em Rivi\u00e8re des Roches.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d309b46&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"895\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/26J16.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13584\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/26J16.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/26J16-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/26J16-1024x764.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/26J16-768x573.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">[Momento de descanso na propriedade: Ama sentada na relva com tr\u00eas crian\u00e7as e dois c\u00e3es]. <br>Jean-Joseph Patu de Rosemont. [1810]. Desenho, sangu\u00ednea. <br>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 26J16  <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o oral herdada dos marronneurs, conhecida pelos brancos que viveram nessa altura e registada por dois deles, Eug\u00e8ne Dayot e Auguste Vinson, permite-nos identificar v\u00e1rias mulheres. Os feitos dos grandes marronneurs vindos de Madag\u00e1scar mostram que se encontravam imersos na mitologia do seu pa\u00eds natal e que desejavam faz\u00ea-la perdurar. A partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX, os intelectuais puderam identificar o casal de marronneurs, Anchaingue<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.252447708663748\" aria-label=\"O nome desta escrava foi deformado. Por quest\u00f5es de r\u00edtmica, Auguste Lacaussade utiliza Anchaine. Esta grafia foi retomada em finais do s\u00e9culo XIX pelo m\u00e9dico Auguste Vinson. Eug\u00e8ne Dayot \u00e9 o que mais se aproxima da realidade ao escrever Anchaing.\">&nbsp;<\/span> e H\u00e9va como figuras m\u00edticas. Para viver plenamente o seu amor, H\u00e9va superou-se a si pr\u00f3pria, sacrificou-se, assumiu as suas responsabilidades e partiu com Anchaingue.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d30a54a&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_6714_b.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13638\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_6714_b.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_6714_b-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_6714_b-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_6714_b-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">H\u00e9va. Gilbert Clain. 2000. Escultura instalada em Salazie, pra\u00e7a de Hell-Bourg. <br>Fotografia de Ibrahim Mulin. Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Anchaingue e H\u00e9va, estes dois defensores da liberdade, gastaram toda a sua energia a viver nos limites do seu eremit\u00e9rio e da sua solid\u00e3o, estando confrontados com o mesmo drama e o mesmo desejo de recria\u00e7\u00e3o social. Viviam isolados, mas contentavam-se com o essencial: o entendimento. A generosidade da natureza fornecia-lhes \u00e1gua, alimentos e plantas medicinais. Subsistiam gra\u00e7as \u00e0 jardinagem. Acima de tudo, eram livres de se deslocarem e de tomarem as suas pr\u00f3prias decis\u00f5es. N\u00e3o obstante o medo constante de serem recapturados por ca\u00e7adores de escravos fugitivos, j\u00e1 n\u00e3o estavam sujeitos \u00e0s press\u00f5es humanas repetitivas e insuport\u00e1veis da estrutura da planta\u00e7\u00e3o. O isolamento refor\u00e7ou o seu amor. A salva\u00e7\u00e3o dependia da sua capacidade de definir e realizar projetos e de se ouvirem e compreenderem mutuamente. Tudo contribuiu para que fossem insepar\u00e1veis. Atrav\u00e9s da sua experi\u00eancia de indiv\u00edduos que viviam ilegalmente em liberdade, transmitiam uma mensagem de monta, em primeiro lugar, sobre a necessidade de serem congruentes, n\u00e3o reproduzindo o modelo costeiro revulsivo, sem constantes ajustes de contas, e, em segundo lugar, sobre a responsabilidade e o esp\u00edrito de uni\u00e3o. Gra\u00e7as a eles, as montanhas passaram a ser a zona de salvaguarda da identidade primordial da ilha, ou seja, da harmonia, que exclui a viol\u00eancia e preconiza o perd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o <em>marrone<\/em>, a figura de La Marianne \u00e9 original, pois faz a liga\u00e7\u00e3o entre as culturas ocidental e oriental, entre os ideais da rep\u00fablica francesa defendidos por Lemarchand e a rep\u00fablica institu\u00edda pelos <em>Marrons<\/em>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-zoooom\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e076d30b6ec&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7500.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13642\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7500.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7500-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7500-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7500-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fam\u00edlia <em>marronne<\/em>: Cimendef e Marianne. Marco Ah-Kiem. Escultura, Saint-Denis &#8211; Barachois. <br>Fotografia de Ibrahim Mulin. Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No seu romance <em>Sortil\u00e8ges cr\u00e9oles, Eudora ou L&#8217;\u00eele Enchant\u00e9e<\/em>, Marguerite-H\u00e9l\u00e8ne Mah\u00e9, escritora do final do per\u00edodo colonial, narra que um destacamento de ca\u00e7adores de <em>marrons <\/em>liderados pelo velho Caron<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5049830412949137\" aria-label=\"Trata-se de Fran\u00e7ois Caron\">&nbsp;<\/span>, um sobrevivente da antiga equipa de Mussard-le Vieux<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5345470054281409\" aria-label=\"Fran\u00e7ois Mussard\">&nbsp;<\/span>, capturou Anchaingue<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4077383736131224\" aria-label=\"Ela escreve Anching (Marguerite-H\u00e9l\u00e8ne Mah\u00e9, Sortil\u00e8ges cr\u00e9oles, p.111)\">&nbsp;<\/span> e os seus cinco filhos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.04008268331236131\" aria-label=\"Marguerite-H\u00e9l\u00e8ne Mah\u00e9, Sortil\u00e8ges cr\u00e9oles, p.111\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura chamada Kalla, popularizada sob o nome de Av\u00f3 Kalle, est\u00e1 associada ao mundo natural e animal, ao mundo da noite, ao mundo da perdi\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 a \u00abBesta Tou\u2026 tou\u2026 oute\u00bb e grita como o <em>fouquet<\/em>, o p\u00e1ssaro do mau press\u00e1gio, arauto da morte. Kalla era uma pequena escrava africana presenteada pelo Sr. de K\u00e9rouet \u00e0 sua filha Eudora, para a distrair ap\u00f3s a partida do seu amigo de inf\u00e2ncia, o branco de classe baixa Fran\u00e7ois Mussard. De companheira de brincadeira, Kalla tornou\u2011se \u00abcriada de habita\u00e7\u00e3o\u00bb, deixando o campo para viver sob o mesmo teto que a sua senhora. Atrav\u00e9s dela, a cultura do quintal penetra na casa do senhor. A negrita Kalla e a senhorinha Sylvie aculturavam-se simultaneamente. Manteve-se fiel \u00e0 senhora durante toda a sua vida, at\u00e9 pedindo a Deus a gra\u00e7a de poder avisar Eudora, ap\u00f3s a sua morte, dos infort\u00fanios que a amea\u00e7am, bem como aos seus descendentes. Eudora revive a hist\u00f3ria da antepassada, Sylvie. Quando a sua senhora \u00e9 sequestrada, por infort\u00fanio, na sua vez, pelos seguidores de Zelindor, amante de Kalla, esta soa o alarme para que um destacamento de ca\u00e7adores de <em>marrons <\/em>possa ir resgat\u00e1-la o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Durante este ataque, Zelindor tenta matar Fran\u00e7ois Mussard. Ferido por Eudora, ele foge, mas logo \u00e9 capturado pelos ca\u00e7adores, levado a tribunal e condenado \u00e0 morte. Kalla aceita a pron\u00fancia desta pena, mas fica muito preocupada com as consequ\u00eancias da tortura a que o cad\u00e1ver de Zelindor seria submetido ap\u00f3s a sua execu\u00e7\u00e3o, porque como o ritual f\u00fanebre dos escravos africanos n\u00e3o havia sido respeitado, ela sabia que ele seria privado da resid\u00eancia ancestral. Ela teme que o opr\u00f3brio dessa morte infame se reflita nos seus descendentes. A sua preocupa\u00e7\u00e3o aumenta, e com raz\u00e3o, quando descobre que, antes de sua execu\u00e7\u00e3o, Zelindor a amaldi\u00e7oou, gritando perante a multid\u00e3o que ela havia \u00abtra\u00eddo a ra\u00e7a\u00bb, e pedindo aos seus homens para que o vingassem. Para tranquiliz\u00e1-la, Eudora promete pedir missas para o repouso da alma daquele que ela amou para a eternidade. Kalla foi capturada pelos <em>marrons <\/em>que, de acordo com o desejo expresso pelo seu l\u00edder Zelindor, a lan\u00e7aram do abismo de Entre-Deux. G\u00e9rard de Nadal, noivo de Eudora, que n\u00e3o era um modelo de fidelidade, enlouquece e suicida-se no mesmo s\u00edtio. Alguns interpretam essa coincid\u00eancia como um sinal dos poderes malignos de Kalla. Para eles, neste lugar, os mortos apoderam-se dos vivos. A maldi\u00e7\u00e3o de Zelindor d\u00e1 frutos, Kalla pertence \u00e0 categoria das almas condenadas. Eudora s\u00f3 tem uma ideia: enterrar Kalla para que sua alma n\u00e3o esteja condenada a vagar; esta ideia torna-se obsess\u00e3o. Fran\u00e7ois Mussard, que se especializou em espeleologia durante os seus estudos em Fran\u00e7a, foi respons\u00e1vel por explorar a gruta no sentido de verificar que os seus restos mortais ali estavam, conseguindo, desta forma, realizar o desejo de Eudora.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que a aventura de Kalla, \u00e9 o resultado da difus\u00e3o noutras camadas da popula\u00e7\u00e3o da conce\u00e7\u00e3o da alma veiculada pelos escravizados que \u00e9 digno de interesse. Essa permeabilidade inesperada das mentes une o que o sistema econ\u00f3mico atual divide; constr\u00f3i pontes sobre as barreiras estabelecidas pelos costumes sociais e promove o reencontro.<\/p>\n\n\n\n<p>Marguerite-H\u00e9l\u00e8ne Mah\u00e9 tamb\u00e9m descreve um retrato sedutor de Rahariane, que se tornou esposa de Zelindor durante a sua fuga. \u00c9 \u00abde uma beleza f\u00e9rtil e selvagem. Alta, forte, graciosa, pisando o ch\u00e3o como que para lhe extrair a seiva. As pernas longas, os quadris volumosos, tudo parecia ser concebido para suportar o busto que se oferecia com perfei\u00e7\u00e3o na sua plenitude. O cabelo dividia-se em tran\u00e7as finas, reluzindo com \u00f3leo de coco, e puxado para tr\u00e1s como uma crista, harmonizando a pequena cabe\u00e7a com l\u00e1bios cheios. O nariz reto e a pele pouco escura indicavam toda a distin\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a Hova.\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.0017703037436032076\" aria-label=\"Marguerite-H\u00e9l\u00e8ne Mah\u00e9, Sortil\u00e8ges cr\u00e9oles, Eudora ou l\u2019\u00eele enchant\u00e9e, p.158 \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto as fontes escritas guardam os vest\u00edgios das poucas mulheres escravizadas que agitaram a ordem colonial, as fontes orais tiram do esquecimento aquelas que decidiram viver livres na clandestinidade, colocando as suas vidas em perigo e atestam que para as pessoas escravizadas a liberdade \u00e9 um bem precioso inestim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":13529,"parent":5036,"menu_order":70,"template":"","class_list":["post-13688","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/13688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13529"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}