{"id":13878,"date":"2024-10-21T10:16:36","date_gmt":"2024-10-21T06:16:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=13878"},"modified":"2026-04-09T10:52:37","modified_gmt":"2026-04-09T06:52:37","slug":"o-trafico-de-escravos-no-oceano-indico-ocidental-na-segunda-metade-do-seculo-xix","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/o-trafico-de-escravos\/o-trafico-de-escravos-no-oceano-indico-2\/o-trafico-de-escravos-no-oceano-indico-ocidental-na-segunda-metade-do-seculo-xix\/","title":{"rendered":"O tr\u00e1fico de escravos no oceano \u00cdndico ocidental na segunda metade do s\u00e9culo XIX"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/poster-cheriau-1.jpg\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Cheriau-PORT.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1881, o \u00abDjamila\u00bb, um navio com pavilh\u00e3o franc\u00eas, foi capturado com 94 escravos a bordo pela marinha brit\u00e2nica ao largo de Zanzibar, na costa oriental de \u00c1frica. Os documentos apresentados pelo capit\u00e3o aos oficiais de Sua Majestade estavam em ordem. O \u00abDjamila\u00bb arvorava legalmente as cores da bandeira de Fran\u00e7a. Estes documentos foram obtidos em Maiote, territ\u00f3rio franc\u00eas desde 1841. \u00c9 poss\u00edvel que o navio se dirigisse \u00e0 Reuni\u00e3o, \u00e0s Comores ou a Madag\u00e1scar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.1325086855193467\" aria-label=\"C\u00f4nsul Ansley para Earl Granville, 30 de novembro de 1880, in House of Commons Parliamentary Papers (HCPP) 1882 (C3160), anexo no N\u00b035, p. 144.\">&nbsp;<\/span>. O capit\u00e3o e o armador do navio eram oriundos de Maiote e de Nossi-B\u00e9 respetivamente. Nos termos dos acordos confidenciais franco-brit\u00e2nicos de 1867 sobre o direito de visita aos navios envolvidos no tr\u00e1fico de escravos, a embarca\u00e7\u00e3o, a tripula\u00e7\u00e3o e os escravos foram rapidamente confiados ao capit\u00e3o do navio \u00abLaclocheterie\u00bb que fazia parte da esquadra da esta\u00e7\u00e3o naval francesa no oceano \u00cdndico e era respons\u00e1vel, entre outras miss\u00f5es, pela proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos. O capit\u00e3o e o propriet\u00e1rio do Djamila foram levados para a ilha da Reuni\u00e3o e condenados pelo Tribunal Correcional de Saint-Denis a dois anos de pris\u00e3o e a uma multa de 50 francos. O navio foi queimado e os escravos \u00ablibertados\u00bb, tendo hipoteticamente sido acolhidos por uma miss\u00e3o religiosa ou recrutados como \u00abtrabalhadores contratados\u00bb numa das planta\u00e7\u00f5es da ilha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7234334283385908\" aria-label=\"Os \u00abtrabalhadores contratados\u00bb ou \u00absob contrato\u00bb assinavam um contrato de trabalho por um determinado per\u00edodo (geralmente tr\u00eas, cinco ou sete anos) em troca de um sal\u00e1rio. Viviam uma nova forma de servid\u00e3o. Ver Mich\u00e8le Marimoutou-Oberl\u00e9, \u00abL'engagisme \u00e0 La R\u00e9union\u00bb, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/documentaires\/abolition-de-l-esclavage\/apres-l-abolition\/engagisme\/\">&nbsp;<\/span>. O mist\u00e9rio permanece enterrado no sil\u00eancio dos arquivos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69efff55e87b5&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"818\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FRANOM32_44PA123_V049-b.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13898\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FRANOM32_44PA123_V049-b.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FRANOM32_44PA123_V049-b-300x205.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FRANOM32_44PA123_V049-b-1024x698.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FRANOM32_44PA123_V049-b-768x524.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Morondava. Dhow indiano no porto. Viagem do general Gallieni de Tananarive a Majunga e \u00e0 costa ocidental, 1898.<br> Estado-maior de Gallieni (servi\u00e7o geogr\u00e1fico). 1898. Fotografia, papel baritado colado em cart\u00e3o. <br>Col. ANOM, inv. FR ANOM 44PA123\/93 <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Longe de ser um caso isolado e irris\u00f3rio, esta ocorr\u00eancia, revelada por fontes parlamentares brit\u00e2nicas, \u00e9 uma prova de que do tr\u00e1fico de escravos no oceano \u00cdndico ocidental continuava a vigorar durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX e recorda que os navios franceses desempenharam um papel importante, embora n\u00e3o exclusivo, como sugerido por Londres, na prossecu\u00e7\u00e3o desse tr\u00e1fico. Por \u00faltimo, sublinha as tentativas, por vezes bem sucedidas, das autoridades francesas e brit\u00e2nicas para o proibir.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O oceano \u00cdndico ocidental: importante palco de um tr\u00e1fico de escravos desconhecido<\/h3>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as ao trabalho dos historiadores, \u00e9 atualmente poss\u00edvel estimar que mais de 12 milh\u00f5es de seres humanos tenham sido deportados devido ao tr\u00e1fico atl\u00e2ntico de escravos entre os s\u00e9culos XV e XIX<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.051418034029319326\" aria-label=\"https:\/\/www.slavevoyages.org\/. \u00abSlave Voyages\u00bb visa compilar uma base de dados digital acess\u00edvel de dados hist\u00f3ricos relativos a todas as viagens de tr\u00e1fico de escravos no Atl\u00e2ntico e no continente americano. O projeto foi lan\u00e7ado pelo Emory Center for Digital Scholarship da Universidade da Calif\u00f3rnia e pela Universidade da Calif\u00f3rnia.\">&nbsp;<\/span>.N\u00e3o obstante a aboli\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos pela Gr\u00e3-Bretanha (1807), pelos Estados Unidos (1808) e pela Fran\u00e7a (1817), o tr\u00e1fico continuou a prosperar vigorosamente no s\u00e9culo XIX, calculando-se que cerca de 3,9 milh\u00f5es de pessoas dele tenham sido v\u00edtimas entre 1800 e 1866<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.12713677774843424\" aria-label=\"https:\/\/www.slavevoyages.org\/assessment\/estimates.\">&nbsp;<\/span>. Este tr\u00e1fico, de car\u00e1cter e dimens\u00e3o excecionais na hist\u00f3ria da humanidade, desapareceu progressivamente ap\u00f3s a Guerra Civil Americana (1861-1865) e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil (1888). Todavia, no momento em que o tr\u00e1fico de escravos no atl\u00e2ntico entrava no seu crep\u00fasculo, o tr\u00e1fico de escravos no oceano \u00cdndico ocidental atingia o seu apogeu entre 1860 e 1890<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.14004481513324119\" aria-label=\"Matthew S. Hopper, \u00ab East Africa and the End of the Indian Ocean Slave Trade \u00bb, Journal of African Development, vol. 13, n\u00b0 1, 2011, p. 41.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pese embora a sua import\u00e2ncia, este tr\u00e1fico permaneceu durante muito tempo desconhecido. Esta lacuna tem vindo a ser progressivamente preenchida gra\u00e7as \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o efetuada por historiadores de todos os horizontes ao longo dos \u00faltimos quarenta anos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6992840395864017\" aria-label=\"Matthew S. Hopper, Slaves of One Master: Globalization and Slavery in Arabia in the Age of Empire, Yale University Press, 2015; Henri M\u00e9dard et alii (dir.), Traites et esclavages en Afrique orientale et dans l\u2019oc\u00e9an Indien, Karthala 2013; Hideaki Suzuki, Slave Trade Profiteers in the Western Indian Ocean: Suppression and Resistance in the Nineteenth Century, Palgrave Macmillan, 2017.\">&nbsp;<\/span>. A falta de conhecimento relativamente a este tr\u00e1fico deve-se, em parte, aos parcos arquivos que deixou no seu rasto. Ao contr\u00e1rio do tr\u00e1fico do Atl\u00e2ntico, \u00e9 quase imposs\u00edvel estimar com exatid\u00e3o o n\u00famero de homens, mulheres e crian\u00e7as que dele foram v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, os investigadores consideram algumas ordens de grandeza, distinguindo tr\u00eas grandes epicentros na costa oriental do continente: o Corno de \u00c1frica, a \u00c1frica Oriental e o Canal de Mo\u00e7ambique. Relativamente \u00e0 \u00c1frica Oriental, que \u00e9 a zona mais conhecida, os investigadores pensam que cerca de 100 000 pessoas foram alvo do tr\u00e1fico no s\u00e9culo XVII e quase 400&nbsp;000 no s\u00e9culo XVIII<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.009889193966814203\" aria-label=\"Matthew S. Hopper \u00abSlaves of One Master: Globalization and the African Diaspora in Arabia in the Age of Empire\u00bb in Atas da 10\u00aa Confer\u00eancia Internacional Anual do Gilder Lehrman Center, 7-8 de novembro de 2008, Universidade de Yale, p.5.\">&nbsp;<\/span>. Estima-se que entre 800 000 e mais de dois milh\u00f5es de mulheres, homens e crian\u00e7as foram tamb\u00e9m alvo de tr\u00e1fico no s\u00e9culo XIX<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7603376447977608\" aria-label=\"Gwyn Campbell, \u201cServitude and the Changing Face of the Demand for Labor in the Indian Ocean World c. 1800-1900\u201d in Robert Harms et alii (dir.), Indian Ocean Slavery in the Age of Abolition, Yale University Press, 2013, p.34.\">&nbsp;<\/span>. Durante este \u00faltimo per\u00edodo, quase metade deles foram deportados para a costa da \u00c1frica Oriental, enquanto os outros enfrentaram a terr\u00edvel viagem rumo ao Mar Vermelho, \u00e0 Ar\u00e1bia, ao Golfo P\u00e9rsico, \u00e0 \u00cdndia Ocidental, \u00e0s Comores, a Madag\u00e1scar, \u00e0 Reuni\u00e3o, \u00e0s Maur\u00edcias e \u00e0s Seychelles. Pensa-se que somente os traficantes europeus, mais bem documentados pelos arquivos, tenham arrancado entre 950 000 e 1,2 milh\u00f5es de pessoas da \u00c1frica Oriental entre 1500 e 1850<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3492587326400156\" aria-label=\"Richard B. Allen, European Slave Trading in the Indian Ocean, 1500\u20111850, Ohio University Press, 2015 p.38.\">&nbsp;<\/span>. Entre o final da d\u00e9cada de 1850 e 1873, cerca de 15 000 a 20 000 africanos eram capturados anualmente no continente e transportados para Zanzibar para serem vendidos por traficantes, na sua maioria sua\u00edlis ou oriundos do mundo \u00e1rabe e persa<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.06515354448097233\" aria-label=\"Thomas Vernet \u00abLa splendeur des cit\u00e9s swahili\u00bb in l'Histoire, n.\u00ba 284, 2004: \u00abOs Swahili formam uma sociedade homog\u00e9nea, estabelecida na orla costeira da \u00c1frica Oriental, entre Mogad\u00edscio e o sul de Mo\u00e7ambique (\u2026), no arquip\u00e9lago das Comores e no noroeste de Madag\u00e1scar (\u2026) onde floresceu uma cultura urbana e mar\u00edtima, de religi\u00e3o isl\u00e2mica, especificamente africana mas impregnada de influ\u00eancias \u00e1rabes e indianas\u00bb.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69efff55e94c0&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"1193\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2017-1-51.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13745\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2017-1-51.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2017-1-51-300x298.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2017-1-51-1024x1018.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2017-1-51-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2017-1-51-768x764.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2017-1-51-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Escravatura em \u00c1frica. O mercado de escravos em Zanzibar. Gustave Janet, desenhador; Hippolyte Dutheil, gravador. 1877. <br>Estampa. Em <em>Le Monde Illustr\u00e9<\/em>, 20 de outubro de 1877, p. 244. <br>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le. Acervo Michel Pol\u00e9nyk, inv. ME.2017.1.51<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>85% dos quais se destinavam \u00e0s planta\u00e7\u00f5es do arquip\u00e9lago ou da costa, ao passo que os restantes 15% faziam a travessia para o Golfo P\u00e9rsico ou para a Ar\u00e1bia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7945775530369317\" aria-label=\"Abdul Sheriff, Slaves, Spices and Ivory in Zanzibar, Currey, 1987, p.231.\">&nbsp;<\/span>. J\u00e1 no tocante ao Canal de Mo\u00e7ambique, sup\u00f5e-se que mais de 437 200 escravos foram levados para Madag\u00e1scar entre 1800 e 1865<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6346926896039924\" aria-label=\"Henri M\u00e9dard \u00ab La plus ancienne et la plus r\u00e9cente des traites \u00bb in Traites et esclavages en Afrique orientale, op.cit., p. 65-118.\">&nbsp;<\/span>. No Corno de \u00c1frica, o tr\u00e1fico \u00abatingiu o seu auge\u00bb entre 1825 e 1850 (150 000 a 175 000 indiv\u00edduos), perfazendo um total de 500 000 pessoas durante todo o s\u00e9culo. Nas ilhas Mascarenhas, estima-se que 200 000 seres humanos tenham sido v\u00edtimas de tr\u00e1fico no s\u00e9culo XIX<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.43547821343579884\" aria-label=\"Ibid.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, \u00e9 de notar que \u00abno total, tendo em conta outras regi\u00f5es [\u00cdndia e Sudeste Asi\u00e1tico] e os escravos n\u00e3o africanos, o n\u00famero acumulado de seres humanos v\u00edtimas de tr\u00e1fico no espa\u00e7o mar\u00edtimo do oceano \u00cdndico ao longo dos s\u00e9culos [desde a Antiguidade at\u00e9 ao s\u00e9culo XIX] ultrapassa largamente os 10 a 12 milh\u00f5es de escravos desembarcados nas Am\u00e9ricas\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.39048381846511093\" aria-label=\"Campbell, op. cit., p.32\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00abO Oceano \u00cdndico n\u00e3o \u00e9 o Atl\u00e2ntico\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7225141173614018\" aria-label=\"Hubert Gerbeau, \u201cL\u2019oc\u00e9an Indien n\u2019est pas l\u2019Atlantique. La traite ill\u00e9gale \u00e0 Bourbon au XIXe si\u00e8cle\u201d, Outre-Mers, no. 336\u2013337 (2002): 79\u2013108.\">&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>O tr\u00e1fico atl\u00e2ntico de escravos e o tr\u00e1fico de escravos no oceano \u00cdndico s\u00e3o dois fen\u00f3menos muito distintos. Antes de mais, os prim\u00f3rdios deste \u00faltimo remontam \u00e0 Antiguidade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.47631414371384184\" aria-label=\"Thomas Vernet, \u201cSlave Trade and Urban Slavery on the Swahili Coast from Medieval Times to Abolition\u201d https:\/\/doi.org\/10.1093\/acrefore\/9780190277734.013.887, Oxford Research Encyclopedias, 17 April 2024. \">&nbsp;<\/span>. Al\u00e9m disso, durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX, o tr\u00e1fico de escravos n\u00e3o era exclusivo, pelo que os navios n\u00e3o estavam especificamente armados para este com\u00e9rcio, como acontecia no Atl\u00e2ntico. Esta \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais as marinhas brit\u00e2nica e francesa, ap\u00f3s terem enveredado pela via da aboli\u00e7\u00e3o, tiveram tanta dificuldade em combater o tr\u00e1fico, sendo ami\u00fade dif\u00edcil identificar um traficante. Poucos eram os navios que transportavam grandes quantidades de escravos, havendo uma m\u00e9dia de 25 escravos a bordo dos navios na costa oriental de \u00c1frica nas d\u00e9cadas de 1860 e 1870<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6680486696355559\" aria-label=\"Rapha\u00ebl Cheriau, Intervention d\u2019humanit\u00e9, CNRS \u00e9ditions, 2023, p. 352.\">&nbsp;<\/span>. Neste sentido, o caso do Djamila \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era f\u00e1cil distinguir os escravos do resto da tripula\u00e7\u00e3o porque, em geral, n\u00e3o se encontravam acorrentados ao fundo do por\u00e3o, contrariamente \u00e0 imagem veiculada na Europa da \u00e9poca. Se tal acontecia, era raro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69efff55ea035&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"1013\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_22.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13749\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_22.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_22-300x253.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_22-1024x864.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_22-768x648.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Barco \u00e1rabe de escravos, corte te\u00f3rico para mostrar o amontoado de infelizes escravos agachados e escondidos entre os pisos. <br>Estampa. In <em>La traite des n\u00e8gres et la croisade africaine<\/em>, Alexis Gochet, 1889, p. 131. <br>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 2003-6_22<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Por \u00faltimo, embora o tr\u00e1fico no oceano \u00cdndico ocidental tenha sido dominado por marinheiros europeus e respetivos navios durante a primeira metade do s\u00e9culo XIX, sobretudo franceses, a segunda metade do s\u00e9culo foi marcada pela preponder\u00e2ncia de navios com tripula\u00e7\u00f5es sua\u00edlis e propriet\u00e1rios de Zanzibar, Om\u00e3, Ar\u00e1bia, Golfo P\u00e9rsico ou \u00cdndia ocidental. Na maior parte das vezes, estes traficantes navegavam sem bandeira nem documentos de bordo, o que dificultava ainda mais a tarefa dos abolicionistas daquela altura, bem como dos historiadores de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a expans\u00e3o dos imp\u00e9rios europeus, os navios de tr\u00e1fico &#8211; veleiros com cascos longos equipados com uma ou duas velas triangulares &#8211; simbolizavam no imagin\u00e1rio ocidental o tr\u00e1fico de escravos africanos no oceano \u00cdndico. No entanto, estes navios de origem \u00e1rabe, conhecidos pelo termo ingl\u00eas dhow, abarcavam mais de oitenta tipos diferentes de veleiros, sem qualquer liga\u00e7\u00e3o particular ao tr\u00e1fico de escravos. Por\u00e9m, a partir da d\u00e9cada de 1870, estes navios e os seus marinheiros tornaram-se a encarna\u00e7\u00e3o, na imprensa europeia, do \u00abderradeiro tr\u00e1fico\u00bb a ser combatido, acabando por servir para estigmatizar \u00abos \u00e1rabes\u00bb, \u00abos mu\u00e7ulmanos\u00bb ou o Isl\u00e3o, embora este tr\u00e1fico global, tal como o do Atl\u00e2ntico, n\u00e3o possa ser reduzido a uma \u00fanica religi\u00e3o ou origem<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.17146127686259205\" aria-label=\"Frederick Cooper, Plantation Slavery on the East Coast of Africa, Heinemann, 1997, p.23.\">&nbsp;<\/span>. \u00c9 o que ilustra claramente a gravura do <em>Illustrated London News<\/em> de 1889, que apresenta traficantes \u00ab\u00e1rabes\u00bb.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69efff55eaa7c&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"884\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2009-01-85.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13753\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2009-01-85.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2009-01-85-300x221.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2009-01-85-1024x754.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ME-2009-01-85-768x566.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arab slave-traders Throwing slaves overboard to avoid capture. Estampa. <br>In <em>The Illustrated London News<\/em>, 4 de maio de 1889, p. 571 <br>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le. Acervo Michel Pol\u00e9nyk, inv. ME.2009.01.85<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Era rapidamente esquecido o facto de que este com\u00e9rcio foi dominado pelos europeus durante a primeira parte do s\u00e9culo e que, durante a segunda metade, muitos navios \u00abescravos\u00bb navegavam sob bandeiras ocidentais com tripula\u00e7\u00f5es e capit\u00e3es sua\u00edlis vindos dos quatro cantos do oceano \u00cdndico.<\/p>\n\n\n\n<p>O tr\u00e1fico de escravos no oceano \u00cdndico ocidental n\u00e3o era exclusivo, mas acompanhava a circula\u00e7\u00e3o das mercadorias que constitu\u00edam os fluxos comerciais nesta zona. Entre elas, as especiarias, o caf\u00e9, o marfim, as p\u00e9rolas, as t\u00e2maras, o copal, o peixe seco e as armas. Misturadas com o tr\u00e1fico de seres humanos, estas mercadorias eram transportadas em navios entre os portos da costa oriental de \u00c1frica (Lamu, Momba\u00e7a, Zanzibar, Kilwa), do Mar Vermelho (Aden, Mukulla, Mocha), do Golfo de Om\u00e3 (Mascate, Sour), do Golfo P\u00e9rsico (Bandar Abbas, Bushire, Basra) e da costa ocidental da \u00cdndia (Diu, Surat, Bombaim, Calecute, Cochim).<\/p>\n\n\n\n<p>O principal objetivo do tr\u00e1fico de seres humanos no oceano \u00cdndico era fornecer m\u00e3o de obra escrava para as planta\u00e7\u00f5es de cravo-da-\u00edndia e de coco que medravam na costa oriental de \u00c1frica pelo Sultanato de Zanzibar a partir da d\u00e9cada de 1840. Esses escravos eram igualmente utilizados para satisfazer as necessidades das planta\u00e7\u00f5es de t\u00e2maras e das obras de irriga\u00e7\u00e3o na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, bem como das frotas de pesca de p\u00e9rolas no Golfo P\u00e9rsico e no Mar Vermelho. Em Madag\u00e1scar, a ilha era abastecida de escravos a fim de desenvolver a agricultura e a industrializa\u00e7\u00e3o. O tr\u00e1fico abastecia igualmente o mercado interno de escravos das classes abastadas da regi\u00e3o, bem como as caravanas de carregadores que transportavam marfim para a costa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69efff55eb4d4&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_18.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13757\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_18.jpg 1170w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_18-293x300.jpg 293w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_18-998x1024.jpg 998w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2003_6_18-768x788.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Com\u00e9rcio de marfim na costa de Mo\u00e7ambique. Escravos carregadores. Estampa. <br>In <em>La traite des n\u00e8gres et la croisade africaine<\/em>, Alexis Gochet, 1889, p. 111. <br>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 2003-6_18<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em Fran\u00e7a, apesar da aboli\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos (1817) e da escravatura (1848), o com\u00e9rcio ilegal continuou a abastecer as planta\u00e7\u00f5es coloniais francesas no oceano \u00cdndico com escravos e \u00abtrabalhadores contratados\u00bb, como ilustra o caso do Djamila. Este com\u00e9rcio deu origem a uma nova forma de tr\u00e1fico entre a \u00c1frica Oriental, as Comores, Madag\u00e1scar e a Reuni\u00e3o. Durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX, cerca de 50 000 \u00abtrabalhadores contratados\u00bb foram \u00abrecrutados\u00bb pelos plantadores destas ilhas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7435928940061709\" aria-label=\"Allen, op. cit., cap\u00edtulo 5.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69efff55ebe06&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"805\" height=\"1200\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/les-grands-axes-de-la-traite-en-afrique-orientale-au-xixe-siecle.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13882\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/les-grands-axes-de-la-traite-en-afrique-orientale-au-xixe-siecle.jpg 805w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/les-grands-axes-de-la-traite-en-afrique-orientale-au-xixe-siecle-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/les-grands-axes-de-la-traite-en-afrique-orientale-au-xixe-siecle-687x1024.jpg 687w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/les-grands-axes-de-la-traite-en-afrique-orientale-au-xixe-siecle-768x1145.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">As principais rotas do tr\u00e1fico de escravos da \u00c1frica Oriental no s\u00e9culo XIX. Alexandre Nicolas, cart\u00f3grafo. <br>In <em>Intervention d&#8217;humanit\u00e9 : la r\u00e9pression de la traite \u00e0 Zanzibar<\/em>, Rapha\u00ebl Cheriau, CNRS \u00e9ditions, 2023, p. 16. Todos os direitos reservados.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um tr\u00e1fico de longa dura\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Embora tenha sido combatido no seu apogeu pelas pot\u00eancias europeias, que estavam em plena expans\u00e3o colonial, o tr\u00e1fico de escravos s\u00f3 mais tarde entrou em decl\u00ednio. A aboli\u00e7\u00e3o e a coloniza\u00e7\u00e3o apenas o abrandaram significativamente, sem no entanto o erradicar. Os historiadores demonstraram que este com\u00e9rcio s\u00f3 terminou efetivamente ap\u00f3s a Grande Guerra, quando o com\u00e9rcio de t\u00e2maras e p\u00e9rolas da Ar\u00e1bia entrou em colapso como resultado da globaliza\u00e7\u00e3o. Contudo, \u00e9 de notar que continuou de forma residual at\u00e9, pelo menos, \u00e0 d\u00e9cada de 1950. O almirante brit\u00e2nico Lord West, evocando os seus primeiros anos de servi\u00e7o no oceano \u00cdndico ocidental, recorda que nessa altura embarcou, ao largo da costa de Om\u00e3, num navio que transportava pessoas escravizadas. Tratava-se de jovens mulheres de Zanzibar, raptadas para serem vendidas algures no Golfo P\u00e9rsico, onde a escravatura s\u00f3 tardiamente foi abolida, como no Qatar em 1952 e em Om\u00e3 em 1970<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.23695560015012318\" aria-label=\"Admiral Lord West, Britain at Sea, Episode 3: Decolonisation\u201d, BBC Radio 4. http:\/\/www.bbc.co.uk\/programmes\/b046j8zm \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":13783,"parent":13889,"menu_order":2,"template":"","class_list":["post-13878","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/13878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/13889"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}