{"id":15048,"date":"2025-10-16T08:30:53","date_gmt":"2025-10-16T04:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=15048"},"modified":"2025-10-17T10:01:40","modified_gmt":"2025-10-17T06:01:40","slug":"leocadie-mulher-escrava-e-ombline-mulher-livre","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/condicao-e-vida-quotidiana-do-escravo\/leocadie-mulher-escrava-e-ombline-mulher-livre\/","title":{"rendered":"L\u00e9ocadie, mulher escrava, e Ombline, mulher livre\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na grande propriedade da fam\u00edlia Desbassayns em Saint-Paul, duas mulheres, uma escrava e outra livre, viveram um percurso singular a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII. Os antepassados de ambas haviam chegado no final do s\u00e9culo XVII \u00e0 Reuni\u00e3o e deram origem a um grande n\u00famero de descendentes, levando-nos assim a falar de dinastia L\u00e9ocadie, da mesma forma que se fala daquela que \u00e9 mais conhecida, a dinastia Desbassayns.<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/poster_Gerard_Galas.jpg\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Gilles_Gerard_3.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u00abDei a L\u00e9ocadie \u00e0 M\u00e9lanie\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5743609554375197\" aria-label=\"Testamento de 1807.\">&nbsp;<\/span>.<\/strong><br>Estas palavras, escritas por Ombline Desbassayns em 1807, resumem a rela\u00e7\u00e3o entre estas duas mulheres, que partilharam uma hist\u00f3ria comum, mas cujos caminhos foram paralelos e, por isso, nunca se cruzaram.<br>Ombline n\u00e3o voltaria a mencionar L\u00e9ocadie.<br>Eram ambas mulheres, por\u00e9m com estatutos contr\u00e1rios, uma escrava, a outra esclavagista, e pese embora os trajetos aparentemente semelhantes, tiveram vidas muito diferentes. Uma possu\u00eda n\u00e3o s\u00f3 imensos bens, mas sobretudo escravos cujo destino era maioritariamente controlado por ela. A outra n\u00e3o possu\u00eda nada de seu, nem mesmo os pr\u00f3prios filhos.<br>Duas mulheres que eram tamb\u00e9m filhas, esposas, m\u00e3es e av\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Duas filhas<\/h3>\n\n\n\n<p>L\u00e9ocadie nasceu em 1755, filha de Pierre e Pauline, escravos de Henry Paulin Panon-Desbassayns e descendentes, em parte, de Dominique Modoze e Pierre Mobiliha, dois indianos casados em 1690<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7449767344162864\" aria-label=\"Certid\u00e3o de casamento de 18 de fevereiro de 1969; ADR GG1 13.\">&nbsp;<\/span>.<br>O seu apelido s\u00f3 foi transmitido \u00e0 segunda gera\u00e7\u00e3o, acabando por desaparecer totalmente, por vontade do poder colonial, que negava assim a ancestralidade e a identidade dos escravos.<br>L\u00e9ocadie foi alimentada pela m\u00e3e, tal como os seus nove irm\u00e3os e irm\u00e3s<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.23447651170730122\" aria-label=\"Ver a genealogia completa efetuada por C. Galas no final do texto.\">&nbsp;<\/span>.<br>A fam\u00edlia pr\u00f3xima de Ombline diminuiu ap\u00f3s a morte do pai em 1801<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6650303791089095\" aria-label=\"Um dos maiores propriet\u00e1rios de terras da ilha, legou todos os seus bens a Ombline.\">&nbsp;<\/span>, ao passo que a fam\u00edlia de L\u00e9ocadie apresentava algumas singularidades. <br>Esta fam\u00edlia numerosa privilegiava as alian\u00e7as com escravos crioulos e a maioria trabalhava no servi\u00e7o da casa: criada dom\u00e9stica, ama, capataz, mordomo, etc.<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8271363105281393\" aria-label=\"Em 1800, 42% deste grupo pertencia \u00e0 fam\u00edlia L\u00e9ocadie.\">&nbsp;<\/span>.<br>Neste aspeto, distingue-se de muitos dos escravos v\u00edtimas do tr\u00e1fico, africanos e malgaxes, cujas uni\u00f5es eram frequentemente ignoradas, mas que originaram uma descend\u00eancia igualmente consider\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o essencial \u00e9 a natureza da rela\u00e7\u00e3o entre estas duas mulheres que \u00abcoabitariam\u00bb durante quase quatro d\u00e9cadas, cada uma no seu dom\u00ednio e, sobretudo, cada qual com o seu estatuto e o seu papel.<br>N\u00e3o consideramos que tenha havido qualquer tipo de \u00abconiv\u00eancia\u00bb entre estas duas pessoas, n\u00e3o implicando cumplicidade entre elas o facto de serem mulheres.<br>Os seus interesses, indubitavelmente afetivos no essencial, convergiam apenas em torno da quest\u00e3o dos filhos, da amamenta\u00e7\u00e3o e dos cuidados a prestar-lhes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ombline nasceu em 1751, filha de Julien Gonneau e Elisabeth L\u00e9ger. A m\u00e3e faleceu durante o parto, deixando Ombline \u00f3rf\u00e3 de m\u00e3e e filha \u00fanica, tendo sido amamentada por uma ama, Madeleine, uma crioula (1735-1814).<br>\u00abA ama de leite da mam\u00e3 tamb\u00e9m morreu\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2572020554645772\" aria-label=\"Carta de 25 de maio de 1814 de Gertrude Desbassayns \u00e0 cunhada: ADR 49 J 179.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e20d462fa74&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"909\" height=\"1229\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mae-preta.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14886\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mae-preta.jpg 909w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mae-preta-222x300.jpg 222w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mae-preta-757x1024.jpg 757w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mae-preta-768x1038.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00e3e Preta. Luc\u00edlio de Albuquerque. 1912. Pintura, \u00f3leo sobre tela.<br>Col. Museu de Arte da Bahia (Salvador, Brasil)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A quest\u00e3o das amas de leite e da amamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um fio condutor da rela\u00e7\u00e3o entre estas duas mulheres. L\u00e9ocadie, bem como as irm\u00e3s, cunhadas, filhas e netas, amamentariam os filhos de Ombline, bem como alguns dos seus netos.<br>Por exemplo, Julien Desbassayns teria tido como ama Appoline, m\u00e3e de L\u00e9ocadie, ou Darie, irm\u00e3 de L\u00e9ocadie, e Philippe Desbassayns Clotilde, irm\u00e3 de L\u00e9ocadie, ou Doroth\u00e9e. Quanto a Euphrasie e\/ou Joseph Desbassayns, foram certamente alimentados por Perp\u00e9tue, que os acompanhou a Fran\u00e7a entre 1790 e 1793. Por fim, Charles foi educado por Toinette, cunhada de L\u00e9ocadie. Os testemunhos dos v\u00e1rios filhos de Ombline em rela\u00e7\u00e3o a estas amas revelam sempre um certo apego.<br>Ap\u00f3s o nascimento da filha Candide, em 1780, L\u00e9ocadie tornar-se-ia ama de M\u00e9lanie, nascida em 1781, partindo para Fran\u00e7a com essa filha de Ombline e, \u00e9 este grupo familiar que, numa aldeia perto de Toulouse, ser\u00e1 afetado pelo falecimento de L\u00e9ocadie.<br>Podemos, portanto, aventar a hip\u00f3tese de uma proximidade afetiva entre L\u00e9ocadie e M\u00e9lanie, j\u00e1 que o papel de ama implica o contacto f\u00edsico entre a lactante e o lactente. \u00c9 prov\u00e1vel que as diferen\u00e7as de estatuto, de sexo e de cor desempenhassem um papel irris\u00f3rio nesta rela\u00e7\u00e3o.<br>A quest\u00e3o \u00e9 de tal forma importante que o genro de Ombline, Joseph de Vill\u00e8le, abordou v\u00e1rias vezes o tema da amamenta\u00e7\u00e3o e das amas de leite.<br>As representa\u00e7\u00f5es da amamenta\u00e7\u00e3o na sociedade da \u00e9poca s\u00e3o variadas. Joseph de Vill\u00e8le<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7080924299060012\" aria-label=\"Acervo das fam\u00edlias Panon-Desbassayns e De Vill\u00e8le (1667-2015); Op. cit.\">&nbsp;<\/span> passou a sua inf\u00e2ncia com uma ama de leite, a cerca de dez quil\u00f3metros dos pais, em Bourbon, pois as amas de leite trabalhavam em casa. O seu relato sobre as vantagens e desvantagens do recurso a amas \u00e9 esclarecedor. Quando ainda vivia em Bourbon escreveu:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>a minha mulher] que amamenta o seu beb\u00e9\u2026 como tem os seios enfermos, sofre sempre dores lancinantes\u2026 M\u00e9lanie amamenta a pequena Lu\u00edsa e est\u00e1 muito bem. A crian\u00e7a tamb\u00e9m aceita muito bem o biber\u00e3o\u2026 N\u00e3o conhecemos outro meio sen\u00e3o faz\u00ea-la mamar com precis\u00e3o e durante mais de um m\u00eas, e para isso usamos um c\u00e3ozinho de apenas sete ou oito dias; h\u00e1 muitos aqui que foram alimentados desta forma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta refer\u00eancia da utiliza\u00e7\u00e3o de animais em Bourbon para resolver problemas de seios gretados ou obstru\u00eddos ap\u00f3s o parto parece dizer respeito apenas \u00e0s mulheres de condi\u00e7\u00e3o livre. Pode ter sido o caso de Ombline, aquando de nascimento de filhos invi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Joseph de Vill\u00e8le tinha uma opini\u00e3o negativa sobre o recurso \u00e0s amas crioulas, o irm\u00e3o Jean Baptiste, casado com Gertrude, outra das filhas de Ombline, escreveu:<br>\u00abO meu menino ficou sem alimento e quase morreu. Fomos obrigados a dar-lhe uma ama, \u00e0 qual se adaptou bem e que o alimenta com brio at\u00e9 hoje.\u00bb<br>A mulher, Gertrude, escreveu:<br>\u00abOs Negros s\u00e3o sens\u00edveis ao que as crian\u00e7as fazem por eles. Fr\u00e9d\u00e9ric, em particular, com a sua ama, a quem tinha muito apego e que o alimentava de bom grado. Ele estava \u00e0s portas da morte quando esta mulher o come\u00e7ou a amamentar.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Para alimentar os filhos de Ombline, as amas partilhavam, ou negligenciavam, a amamenta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio filho. N\u00e3o h\u00e1 provas de que alimentassem duas crian\u00e7as de tenra idade ao mesmo tempo. Ao estabelecerem o v\u00ednculo estreito que a amamenta\u00e7\u00e3o implica, fazendo por vezes depender a sobreviv\u00eancia da crian\u00e7a da sua disponibilidade, estas mulheres, familiares de L\u00e9ocadie, apropriavam-se naturalmente de uma \u00abparte\u00bb destas crian\u00e7as. Todavia, isso n\u00e3o tornava Ombline mais pr\u00f3xima destas amas de leite, que lhe retiravam assim uma parte do seu poder materno. N\u00e3o sabemos porque \u00e9 que recorreu v\u00e1rias vezes a amas escravas; pode ter sido um costume social<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3684217027467829\" aria-label=\"<em>\u00ab<\/em> Th\u00e9ories et pratiques de l\u2019allaitement en France au XVIIIe si\u00e8cle \u00bb ; Morel Marie-France, In Annales de d\u00e9mographie historique, 1976. pp. 393-427.\">&nbsp;<\/span> no final do s\u00e9culo XVIII de p\u00f4r em causa a amamenta\u00e7\u00e3o, ou o resultado de uma impossibilidade fisiol\u00f3gica. No entanto, ela n\u00e3o partilhava a mesma perspetiva do genro Joseph de Vill\u00e8le, para quem:<br>\u00abA ideia de uma ama de leite nunca lhe ocorreu [\u00e0 esposa], e abster-me-ei de lha sugerir. Neste pa\u00eds, as consequ\u00eancias s\u00e3o ami\u00fade muito perniciosas.\u00bb<br>Isto deve-se, sem d\u00favida, ao facto de que em Bourbon as amas eram negras e escravas, ao passo que em Toulouse eram livres e brancas, o que o leva a apelar aos servi\u00e7os de uma ama para um dos seus filhos nascidos nesta regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este poder das mulheres escravas sobre os seus senhores tamb\u00e9m se verificou noutros pa\u00edses colonizados, como o Brasil, as Antilhas e a Am\u00e9rica do Norte, e muitas vezes a amamenta\u00e7\u00e3o de beb\u00e9s brancos por mulheres negras esbarrava com o preconceito da cor e o risco de o rec\u00e9m-nascido contrair doen\u00e7as ou formas de \u00abdegenera\u00e7\u00e3o\u00bb ligadas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o e \u00e0 cor dessas mulheres.<br>Os descendentes destas duas dinastias tinham, portanto, um aspeto em comum: uma hist\u00f3ria de amamenta\u00e7\u00e3o por uma mulher negra e escrava.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e20d4630e25&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1100\" height=\"849\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Brigantine_Polly_of_Newburyport_Captured_by_Algerine_Pirates_1793._American_Ships_VII.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14890\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Brigantine_Polly_of_Newburyport_Captured_by_Algerine_Pirates_1793._American_Ships_VII.jpg 1100w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Brigantine_Polly_of_Newburyport_Captured_by_Algerine_Pirates_1793._American_Ships_VII-300x232.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Brigantine_Polly_of_Newburyport_Captured_by_Algerine_Pirates_1793._American_Ships_VII-1024x790.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Brigantine_Polly_of_Newburyport_Captured_by_Algerine_Pirates_1793._American_Ships_VII-768x593.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bergantim Polly de Newburyport capturado por piratas argelinos, 1793. Georges Wales. 1926. Litografia.<br>Fonte : <a href=\"https:\/\/oldprintshop.com\/product\/28134?inventoryno=14176&amp;itemno=52\">Wikim\u00e9dia<\/a><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Duas esposas, duas m\u00e3es<\/h3>\n\n\n\n<p>Enquanto Ombline se casou, com quinze anos por fazer, com Henry Paulin Panon-Desbassayns, que tinha mais de vinte anos do que ela, L\u00e9ocadie casou-se com Manuell<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2782668279366062\" aria-label=\"Casamento de 3 de junho de 1776; ADR4 E1\/27.\">&nbsp;<\/span>, um escravo indiano da mesma idade, aos dezanove anos, reconciliando-se, assim, de certa forma, com a sua ancestralidade \u00abroubada\u00bb por falta de reconhecimento.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e20d4631870&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"404\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4E1-27.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14894\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4E1-27.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4E1-27-300x95.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4E1-27-1024x323.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4E1-27-768x242.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Certid\u00e3o de casamento de Manuel e L\u00e9ocadie, escravos do Sr. Panon Desbassayns, 3 de junho de 1776.<br>Extrato dos registos paroquiais e do estado civil: Saint-Paul: escravos. &#8211; Batismos, casamentos, sepulturas. 1775-21\/11\/1776.<br>Col. Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 4E1\/27<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>L\u00e9ocadie teve nove filhos, oito dos quais atingiram a idade adulta entre 1777 e 1801, sendo m\u00e3e aos vinte anos, enquanto Ombline teve o seu primeiro filho antes dos dezasseis anos.<br>Ombline deu \u00e0 luz catorze filhos entre 1771 e 1797, cinco dos quais morreram \u00e0 nascen\u00e7a ou na inf\u00e2ncia. A mortalidade infantil durante este per\u00edodo afetava tanto os filhos das mulheres livres como os que nasciam escravos.<\/p>\n\n\n\n<p>As suas experi\u00eancias da maternidade foram muito diferentes.<br>Os filhos de L\u00e9ocadie foram separados da m\u00e3e ap\u00f3s a morte de Henri Paulin Desbassayns e o ex\u00edlio de L\u00e9ocadie em Fran\u00e7a, em 1807. At\u00e9 ent\u00e3o, viviam com ambos os pais.<br>\u00ab Julien<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.907806794861909\" aria-label=\"ADR 49 J 179.\">&nbsp;<\/span> \u00e9 de Henry, foi a m\u00e3e que lho deu; e Petit Pierre \u00e9 de Fr\u00e9d\u00e9rick (De Vill\u00e8le). Dou-lhe estes pormenores, a minha irm\u00e3 M\u00e9lanie ficar\u00e1 muito satisfeita por sab\u00ea-los. Charles est\u00e1 muito contente com Julien. (Julien e Petit Pierre s\u00e3o os dois \u00faltimos filhos de L\u00e9ocadie)<br>Devido \u00e0 sucess\u00e3o, alguns foram para Saint-Denis, outros para Saint-Leu ou Sainte-Marie. Esta dispers\u00e3o explica o facto de, na altura da aboli\u00e7\u00e3o, terem sido atribu\u00eddos apelidos diferentes a estes irm\u00e3os e irm\u00e3s e aos respetivos filhos.<br>\u00c9 de notar que o \u00faltimo filho de L\u00e9ocadie, Julien, nascido a 22 de mar\u00e7o de 1801, tinha seis anos no momento em que foi separado da m\u00e3e, o que contradiz a lei que proibia a separa\u00e7\u00e3o antes dos sete anos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.43313250026388117\" aria-label=\"C\u00f3digo Decaen, Livro II, T\u00edtulo Primeiro, Cap\u00edtulo II, \u00abm\u00f3veis\u00bb 1803; ADR BL 226.\">&nbsp;<\/span>.<br>Os filhos de Ombline foram enviados para Fran\u00e7a para estudar desde muito cedo. Embora vissem o pai nas suas viagens, alguns passaram longos anos sem ver a m\u00e3e.<br>Enquanto todos os filhos de L\u00e9ocadie permaneceram em Bourbon, v\u00e1rios dos filhos de Ombline fixaram-se definitivamente em Fran\u00e7a, como foi o caso de tr\u00eas filhos e de uma filha, M\u00e9lanie.<br>As suas viv\u00eancias de m\u00e3es foram pontuadas por separa\u00e7\u00f5es em ambos os casos, mas n\u00e3o na mesma altura das suas vidas e por raz\u00f5es absolutamente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das duas enquanto av\u00f3s tamb\u00e9m foi diferente. Embora houvesse mantido apenas um contacto epis\u00f3dico com v\u00e1rios dos seus filhos, Ombline parece ter dado mais aten\u00e7\u00e3o aos seus netos, pelo menos aos que viviam na ilha. Por outro lado, devido ao ex\u00edlio, L\u00e9ocadie assistiu apenas ao nascimento de dois netos e n\u00e3o viu os outros crescerem.<br>Ao organizar a sua partida para Fran\u00e7a, Ombline tinha perfeita consci\u00eancia daquilo que fazia e de que podia fazer uso da escrava L\u00e9ocadie como bem lhe aprouvesse.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma longa viagem sem regresso<\/h3>\n\n\n\n<p>Ombline permaneceu em Bourbon durante toda a sua vida, com exce\u00e7\u00e3o de uma breve viagem \u00e0 Maur\u00edcia. Morreu a 4 de fevereiro de 1846, com mais de 90 anos. Ap\u00f3s o seu funeral, um acontecimento importante na col\u00f3nia, o seu t\u00famulo bem como uma est\u00e1tua que a representa passaram a fazer parte da paisagem da Reuni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e9ocadie viveu o ex\u00edlio e o desenraizamento quando, aos cinquenta anos de idade, foi enviada a Fran\u00e7a por Ombline para acompanhar M\u00e9lanie. Esta viagem est\u00e1 bem documentada nos documentos escritos por Joseph de Vill\u00e8le<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.902372971782587\" aria-label=\"M\u00e9moires et correspondance du Comte de Vill\u00e8le ; Volume I, Paris, Perrin &amp; Cie, 1888 ; Le retour de Vill\u00e8le de la R\u00e9union \u00e0 Bordeaux via New-York (14 mars-22 ao\u00fbt 1807) ; Fourcassi\u00e9 Jean, Godechot Jacques. In: Annales du Midi : revue arch\u00e9ologique, historique et philologique de la France m\u00e9ridionale.\">&nbsp;<\/span>. <br>Por causa da guerra franco-inglesa, o Polly, navio em que viajavam, passou por Nova Iorque, e temos informa\u00e7\u00f5es exatas sobre a vida a bordo. Descreveu a travessia do equador da seguinte forma:<br>\u00aba cerim\u00f3nia de batismo da linha\u2026 eles (os marinheiros) pouparam os nossos filhos e Cady.\u00bb<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e20d46324ff&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"809\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/broadway-1810-old-new-york.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14898\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/broadway-1810-old-new-york.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/broadway-1810-old-new-york-300x190.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/broadway-1810-old-new-york-1024x647.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/broadway-1810-old-new-york-768x485.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Broadway, 1810. Charles E Flower. 1907. S\u00e9rie de postais Raphael Tuck &amp; Sons n.\u00ba 2327 \u00abOld New York\u00bb.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em Nova Iorque e Broad Way, onde a fam\u00edlia ficou alojada numa pens\u00e3o, \u00aba metade do pre\u00e7o para as crian\u00e7as e para Cadi, a criada negra\u00bb, De Vill\u00e8le afirma:<br>\u00abOs negros e as negras est\u00e3o t\u00e3o bem vestidos como os outros, estas \u00faltimas com elegantes chap\u00e9us, toucas de tule, vestidos de tafet\u00e1, o que divertiu muito os nossos filhos e fez a nossa boa negra L\u00e9ocadie levantar os olhos ao c\u00e9u.\u00bb<br>Permaneceu apenas algumas semanas antes de partir novamente para Bord\u00e9us, depois para Toulouse, local de resid\u00eancia da fam\u00edlia De Vill\u00e8le, e finalmente para Mourvilles Basses, a pequena aldeia onde se encontrava o pal\u00e1cio da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e20d4632e8f&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"818\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mourvilles-basses.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14902\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mourvilles-basses.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mourvilles-basses-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mourvilles-basses-1024x654.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mourvilles-basses-768x491.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pal\u00e1cio de Mourvilles, Mourvilles Basses (Haute-Garonne), propriedade da fam\u00edlia Vill\u00e8le. <br>Cole\u00e7\u00e3o particular<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O pai de Joseph de Vill\u00e8le tamb\u00e9m referiu L\u00e9ocadie:<br>\u00abObtive autoriza\u00e7\u00e3o para trazer Cadi e recebi a resposta do Sr. DECRES\u2026 Conhe\u00e7o bem os teus bons princ\u00edpios para o destino desta boa negra que alimentou a tua mulher, cuidou dos teus filhos e que vos ser\u00e1 t\u00e3o \u00fatil.\u00bb<br>M\u00e9lanie Desbassayns partiu, portanto, com L\u00e9ocadie e n\u00e3o com a m\u00e3e.<br>O confinamento que implica uma viagem de barco t\u00e3o longa, seis meses, conduz inevitavelmente \u00e0 proximidade f\u00edsica e social entre estas pessoas cujo estatuto \u00e9 radicalmente oposto.<br>A import\u00e2ncia da presen\u00e7a de L\u00e9ocadie no pal\u00e1cio De Vill\u00e8le reflete-se nos documentos escritos pelo senhor, que salientam as suas responsabilidades em termos de gest\u00e3o da economia familiar. Perante as dificuldades financeiras da \u00e9poca, ele escrevia:<br>\u00abO pessoal dom\u00e9stico deve ser intimamente integrado nesta economia. Durante dois anos, a negra L\u00e9ocadie, que alimentou a Sra. de Vill\u00e8le, ajudou a sua senhora o melhor que p\u00f4de. Mas ela n\u00e3o suportou o clima e, em outubro de 1809, deixou-se morrer, para grande desespero de toda a fam\u00edlia\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.005593294649839375\" aria-label=\"Acervos das fam\u00edlias Panon-Desbassayns e De Vill\u00e8le (1667-2015); ADR 49 J 179.\">&nbsp;<\/span>.<br>Foi ali, a 2 de dezembro de 1809, nessa aldeia, que \u00aba negra L\u00e9ocadie, empregada dom\u00e9stica<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.15619570930788018\" aria-label=\"4 E 1460 - Mourvilles-Basses: \u00f3bitos, 1793-1822 (Cole\u00e7\u00e3o do registo civil) - 1793-1822 AD31 \u2013 Arquivos departamentais de Haute Garonne.\">&nbsp;<\/span>\u2026 filha de Pierre, negro, e de Pauline, negra\u00bb morreu \u00abde exaust\u00e3o\u00bb.<br>N\u00e3o resta nenhum vest\u00edgio da vida de L\u00e9ocadie neste lugar de ex\u00edlio, nenhuma marca no cemit\u00e9rio da aldeia onde est\u00e1 enterrada. Em contrapartida, os t\u00famulos da fam\u00edlia De Vill\u00e8le est\u00e3o bem assinalados. L\u00e9ocadie viveu apenas 52 anos.<br>Ao contr\u00e1rio do que havia conhecido durante meio s\u00e9culo, L\u00e9ocadie descobre n\u00e3o s\u00f3 um novo ambiente geogr\u00e1fico, mas tamb\u00e9m um clima agreste e, sobretudo, um isolamento identit\u00e1rio. No pal\u00e1cio De Vill\u00e8le, todos eram livres e brancos, n\u00e3o s\u00f3 os senhores, mas tamb\u00e9m todo o pessoal e os empregados da propriedade, o que constitui uma rutura total para L\u00e9ocadie e foi, sem d\u00favida, motivo de mal-estar e desespero.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As alforrias<\/h3>\n\n\n\n<p>Podemos interrogar-nos sobre a vis\u00e3o da emancipa\u00e7\u00e3o na dinastia Desbassayns e as suas consequ\u00eancias para a fam\u00edlia de L\u00e9ocadie.<br>Enquanto Julien Gonneau, o pai, alforriou cerca de quinze escravos em 1794<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5054765211643626\" aria-label=\"Assento de 31 de mar\u00e7o An III; ANOM, St Paul 1794; emancipa\u00e7\u00e3o de doze escravos pertencentes a Julien Gonneau.\">&nbsp;<\/span>, a filha n\u00e3o alforriou nenhum. Henry Paulin Desbassayns, tal como o pai Augustin Panon, libertou poucos escravos, exatamente tr\u00eas: o pai e a m\u00e3e de L\u00e9ocadie<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3257249439355535\" aria-label=\"Liberta\u00e7\u00e3o de Pierre e Pauline, 11 de abril de 1783. Arquivos Nacionais de Fran\u00e7a, 696 AP\/4, dossier 3.\">&nbsp;<\/span>, a quem deu um terreno e alguns escravos quando tinham mais de cinquenta anos, e tamb\u00e9m um sobrinho de L\u00e9ocadie, S\u00e9verin, que acompanhou o senhor na sua primeira viagem a Fran\u00e7a, no final de 1784, mas que n\u00e3o p\u00f4de pisar o solo franc\u00eas por n\u00e3o terem sido cumpridas todas as formalidades. Libertado em 1785, instala-se durante algum tempo em Saint-Andr\u00e9, onde morre em 1803 com o apelido Debassin<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6938753866565942\" aria-label=\"9 vent\u00f4se An XI, falecimento Saint-Andr\u00e9 1803, com o nome de Debassin; ANOM.\">&nbsp;<\/span>, que n\u00e3o p\u00f4de transmitir aos filhos e do qual foi, sem d\u00favida, o iniciador.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e20d46339f5&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"839\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" 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class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"842\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3E426_3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14914\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3E426_3.jpg 842w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3E426_3-197x300.jpg 197w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3E426_3-674x1024.jpg 674w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3E426_3-768x1168.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 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um terreno estabelecido e de dois escravos para que n\u00e3o sejam um peso para a col\u00f3nia\u00bb. 8 de abril de 1783.<br>Col. Arquivos nacionais. Acervo Panon-Desbassayns e de Vill\u00e8le, inv. 696AP\/4, Dossier 3<\/p>\n\n\n\n<p><br>Ombline ficou-se pela inten\u00e7\u00e3o de emancipar. Num \u00abtestamento\u00bb datado de 1807<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.09302398833892633\" aria-label=\"Saint-Paul, 20 de novembro de 1807, Montbrun vve Desbassayns; testamento anexado em 17 de fevereiro de 1846 ao testamento de 1845, ADR 3E 426.\">&nbsp;<\/span>, ela exprimiu a vontade de que os seus herdeiros libertassem uma dezena de escravos, entre os quais Manuel, marido de L\u00e9ocadie, e que dessem aos filhos de L\u00e9ocadie a liberdade de escolherem o seu senhor. L\u00e9ocadie embarcou a 14 de mar\u00e7o do mesmo ano. Contudo, Ombline s\u00f3 morreu cerca de quarenta anos mais tarde e o seu testamento n\u00e3o previa qualquer outra emancipa\u00e7\u00e3o.<br>Este comportamento permite-nos compreender o \u00e2mago da rela\u00e7\u00e3o entre estas duas mulheres de estatutos opostos, cujo poder duma sobre a outra era infal\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>As hist\u00f3rias muito diferentes de L\u00e9ocadie e Ombline s\u00f3 convergiram verdadeiramente na sua rela\u00e7\u00e3o com os filhos de Ombline. O seu estatuto oposto, uma escrava e a outra livre, seria sempre a base da sua \u00abcoabita\u00e7\u00e3o\u00bb. Enquanto uma, Ombline, tinha o poder da lei, a outra, L\u00e9ocadie, tirava partido de um poder completamente diferente, muito mais poderoso simbolicamente: o de m\u00e3e de substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/gw.geneanet.org\/galasc?birth=on&amp;birth_place=on&amp;child=on&amp;color=&amp;death=on&amp;death_age=on&amp;death_place=on&amp;gen=on&amp;lang=fr&amp;m=D&amp;marr=on&amp;marr_date=on&amp;marr_place=on&amp;n=molibiha&amp;occu=on&amp;p=pierre&amp;sosab=10&amp;t=H&amp;v=10\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A <\/a><a href=\"https:\/\/gw.geneanet.org\/galasc?birth=on&amp;birth_place=on&amp;child=on&amp;color=&amp;death=on&amp;death_age=on&amp;death_place=on&amp;gen=on&amp;lang=fr&amp;m=D&amp;marr=on&amp;marr_date=on&amp;marr_place=on&amp;n=molibiha&amp;nz=galas&amp;occu=on&amp;ocz=0&amp;p=pierre&amp;pz=christian&amp;sosab=10&amp;t=H&amp;v=10\">genealogia completa de L\u00e9ocadie efetuada por Christian Galas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":14940,"parent":5036,"menu_order":100,"template":"","class_list":["post-15048","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/15048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}