{"id":15762,"date":"2025-12-23T12:45:21","date_gmt":"2025-12-23T08:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=15762"},"modified":"2025-12-23T14:21:47","modified_gmt":"2025-12-23T10:21:47","slug":"a-escravatura-em-madagascar-os-escravos-reais-que-esquecemos","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/a-escravatura-no-oceano-indico\/a-escravatura-em-madagascar-os-escravos-reais-que-esquecemos\/","title":{"rendered":"A escravatura em Madag\u00e1scar. Os escravos reais que esquecemos"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O t\u00edtulo deste artigo foi de tal maneira recalcado que se poderia colocar a seguinte quest\u00e3o: haveria ainda algo a dizer relativamente a este tema t\u00e3o vasto, por vezes globalizante? No que nos toca, t\u00ednhamos pelo menos duas raz\u00f5es para retomar este assunto. A primeira raz\u00e3o s\u00e3o os qualificativos acima citados. A segunda raz\u00e3o deriva da primeira: seria interessante utilizar, pelo menos uma vez, fontes malgaxes e n\u00e3o de somenos import\u00e2ncia: o <em>Firaketana<\/em>, a primeira enciclop\u00e9dia escrita em malgaxe e cujo t\u00edtulo \u00e9: <em>Ny Fiteny sy ny Zavatra Malagasy<\/em>. Esta enciclop\u00e9dia foi publicada em 1957, apenas cinquenta anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o que era a escravatura em Madag\u00e1scar.<\/h2>\n\n\n\n<p>De facto, os autores que se debru\u00e7aram sobre Madag\u00e1scar n\u00e3o ignoraram esta institui\u00e7\u00e3o, sendo que o s\u00e9culo XIX malgaxe suscitou realmente a \u00abcuriosidade sob todas as formas e a todos os n\u00edveis\u00bb. O estado da arte atual sobre o pa\u00eds \u00e9 consider\u00e1vel, por\u00e9m quisemos partilhar aqui o termo <em>Andevo<\/em> &#8211; que significa escravo &#8211; no <em>Firaketana<\/em>, que parece ser a defini\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da realidade (no sentido do latim).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>NY ANDEVO<\/em>, um objeto do Direito<\/h3>\n\n\n\n<p>A palavra <em>Andevo<\/em> \u00e9 um termo gen\u00e9rico que, na sociedade malgaxe hierarquizada, designa o indiv\u00edduo que perdeu os seus direitos, em malgaxe, <em>very zo<\/em>, tornando-se um mero objeto em mat\u00e9ria de Direito. Esta express\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0 express\u00e3o <em>Ambaniandro<\/em>, ou seja, um sujeito de Direito, a pessoa que goza dos seus direitos reconhecidos por um regime mon\u00e1rquico (de direito divino). Esta express\u00e3o \u00e9 composta por duas palavras: <em>Ambani<\/em>, que significa debaixo e <em>Andro<\/em>, que pode significar dia ou sol. Neste caso, <em>Andro <\/em>tem dois significados. Nessa sociedade, se a pessoa n\u00e3o \u00e9 um sujeito real, \u00e9 necessariamente um \u00abescravo\u00bb. Aquando da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura em Madag\u00e1scar, as autoridades coloniais atentaram e destacaram esta denomina\u00e7\u00e3o de \u00absujeitos\u00bb, ao falar dos Malgaxes e quando a eles se dirigiam, a fim de suprimir esta caracter\u00edstica servil que, em princ\u00edpio e no Direito, j\u00e1 n\u00e3o deveria existir num territ\u00f3rio franc\u00eas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo partilho outras express\u00f5es relativas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o servil, tendo por base o <em>Firaketana<\/em>. A defini\u00e7\u00e3o do termo <em>Andevo<\/em> come\u00e7a assim: \u00ab<em>olo- mainty avy tany ivelany na tanindrana teto, izay voababo ny tenany na ny ray aman-dreniny na ny razany ka nampanompoina: mpanompo<\/em>\u00bb. De acordo com o <em>Firaketana<\/em>, originalmente este estatuto era atribu\u00eddo aos Negros que vinham de fora, a pessoas nascidas de progenitores escravos, ou a descendentes de antepassados escravos. O dicion\u00e1rio elenca duas ou tr\u00eas causas da escravatura. Em primeiro lugar, o tr\u00e1fico que vigorou durante o s\u00e9culo XIX em Madag\u00e1scar. Foi somente gra\u00e7as ao tratado de 23 de outubro de 1817<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6045852731893697\" aria-label=\"Ravelomanana, J., \u00ab Les trait\u00e9s anglo-malgaches de 1817-1820 : l\u2019abolition de la traite des esclaves dans l\u2019Oc\u00e9an Indien, un aspect des enjeux g\u00e9opolitiques du XIXe si\u00e8cle\u00bb, Revue Historique de l\u2019oc\u00e9an Indien, n\u00b0 14, Imprimerie GRAPHICA, Saint-Andr\u00e9 La R\u00e9union, 2017 , p. 366-371.\">&nbsp;<\/span> assinado por Radama I (1810-1828) e pelo governador da ilha Maur\u00edcia, Sir Robert Farquhar, representante do imp\u00e9rio brit\u00e2nico, que se deu a primeira tentativa de p\u00f4r cobro \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de Malgaxes e de importa\u00e7\u00e3o de Africanos oriundos, em geral, da \u00c1frica Oriental, em especial, de Mo\u00e7ambique<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.325594680458268\" aria-label=\"\u00ab Fanandevozana Esclavage \u00e0 Madagascar \u00bb. Atas do col\u00f3quio de comemora\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura em Madag\u00e1scar (24-26 de setembro de 1996).\">&nbsp;<\/span>. Essas pessoas constitu\u00edam objetos de troca entre os diversos reinos malgaxes, sobretudo os reinos de Merina, Sakalaba e Betsimisaraka, e os traficantes de escravos que vinham de diversos horizontes. Os <em>Antalaotra <\/em>\u2013 Malgaxes semi-islamizados \u2013 serviam de intermedi\u00e1rios entre os Nativos e os \u00c1rabes, os Europeus \u2013 Portugueses, Holandeses, Ingleses, Franceses, os Americanos e os Asi\u00e1ticos, em particular os Indianos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a0694&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1052\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2013-550.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15467\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2013-550.jpg 1052w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2013-550-247x300.jpg 247w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2013-550-842x1024.jpg 842w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2013-550-768x934.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Madag\u00e1scar. An\u00f3nimo. 1895. Estampa.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le. Acervo Michel Pol\u00e9nyk, inv. ME.2013.550<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o do termo <em>Andevo<\/em> apresenta duas raz\u00f5es para uma pessoa se \u00abtornar escrava\u00bb, contudo ainda havia outras, como por exemplo os esp\u00f3lios de guerra, o nascimento, as san\u00e7\u00f5es proferidas pelo tribunal e a insolvabilidade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8264367503203928\" aria-label=\"Ravelomanana, J., \u00abL\u2019esclavage \u00e0 Madagascar. G\u00e9n\u00e9ralit\u00e9s et particularit\u00e9s\u00bb, Revista Hist\u00f3rica do oceano \u00cdndico. N\u00b013, Gr\u00e1fica GRAPHICA, Saint-Andr\u00e9-La R\u00e9union, 2016, p. 432-437. Andr\u00e9, \u00abL\u2019esclavage \u00e0 Madagascar\u00bb, tese de doutoramento defendida em 1899, portanto tr\u00eas anos apenas ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o oficial da escravatura em Madag\u00e1scar. Foi assistente-comiss\u00e1rio em Madag\u00e1scar de 1895 \u00e0 1899. Era um testemunho ocular desta realidade.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O estatuo dos escravos atrav\u00e9s do prisma das \u00abdenomina\u00e7\u00f5es consagradas\u00bb, \u00ab<em>Fomba fiantsoana<\/em>\u00bb<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A- Segundo as tarefas<\/h4>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 importante salientar que todos os trabalhos a cargo de seres humanos eram executados por escravos. Essas tarefas eram distribu\u00eddas de acordo com a vontade dos senhores, o g\u00e9nero, a capacidade f\u00edsica e, por vezes, a compet\u00eancia de cada um, bem como a apar\u00eancia&#8230; Assim, os escravos que trabalhavam no pal\u00e1cio eram chamados de <em>Andevo-andapa<\/em> (<em>andevo<\/em>, escravo; <em>andapa<\/em>, no pal\u00e1cio). Por outro lado, os simples escravos dom\u00e9sticos que trabalhavam em casas particulares eram chamados de <em>Andevo-ampatana<\/em> (<em>ampatana <\/em>significa \u00abnos fog\u00f5es\u00bb). Todavia, as tarefas dom\u00e9sticas eram as mesmas tanto no pal\u00e1cio como nas casas dos amos. Havia que cuidar da casa, tratar das tarefas culin\u00e1rias tanto no dia a dia como nos banquetes \u2013 importa lembrar que os malgaxes tinham o costume de partilhar as suas refei\u00e7\u00f5es em cada reuni\u00e3o comunit\u00e1ria. Por conseguinte, os escravos tinham de garantir a moagem do arroz, a sua cozedura e a recolha de lenha. As outras tarefas eram a lavagem da roupa e o transporte dos senhores durante as suas desloca\u00e7\u00f5es <em>(milanja ny tompony<\/em>).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a112c&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img decoding=\"async\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1997-1-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15472\"\/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Madag\u00e1scar. Rohandrian com a mulher indo em visita. An\u00f3nimo. 1848. Estampa.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1997.1.4<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Al\u00e9m do transporte, as tarefas dom\u00e9sticas \u00abcomuns\u00bb eram, em princ\u00edpio, da responsabilidade das mulheres. Com efeito, a divis\u00e3o do trabalho tamb\u00e9m era feita de acordo com o g\u00e9nero, facto que era bem vis\u00edvel no trabalho no campo: as v\u00e1rias tarefas de prepara\u00e7\u00e3o dos terrenos agr\u00edcolas e dos arrozais eram reservadas aos homens. As mulheres ocupavam-se de semear e colher as espigas. Os rituais agr\u00e1rios podiam estar acess\u00edveis tanto aos sujeitos reais como aos indiv\u00edduos de condi\u00e7\u00e3o modesta, pois tratava-se aqui de um interesse comum: a comunh\u00e3o do mundo vis\u00edvel e do cosmos, o mundo invis\u00edvel para a conserva\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a. Esta pode ser uma das explica\u00e7\u00f5es para a \u00abnatureza mais suave do que noutros lugares\u00bb da condi\u00e7\u00e3o servil em Madag\u00e1scar.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito simplesmente, os nossos antepassados chegaram a esta outra situa\u00e7\u00e3o de <em>Andevo-havana<\/em> (<em>andevo<\/em>, escravos; <em>havana<\/em>, pais). Esta express\u00e3o designava os membros da fam\u00edlia alargada (<em>fianakaviambe<\/em>), pobres e sem meios de sustento num contexto e numa conjuntura dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">B- Segundo as origens<\/h4>\n\n\n\n<p>Esperamos que este artigo permita superar as ideias preconcebidas, com o objetivo de nos aproximar o m\u00e1ximo poss\u00edvel das verdades desta condi\u00e7\u00e3o servil, ou mais subtilmente chamadas de \u00abressurg\u00eancias da escravatura\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7884994532880505\" aria-label=\"\u00ab Fanandevozana, Esclavage \u00e0 Madagascar \u00bb, op.cit.\">&nbsp;<\/span>. Nesta parte do artigo, falaremos mais amplamente sobre uma categoria social pouco mencionada nos diversos documentos escritos, embora alguns dos seus membros tenham desempenhado um papel t\u00e3o importante nas conquistas ou nos simples acontecimentos que contribu\u00edram tanto para a grandeza desses reinos quanto aqueles realizados pelos Grandes, designados por v\u00e1rios nomes, um reflexo da sua import\u00e2ncia social, cultural, econ\u00f3mica e pol\u00edtica. Esses eram os <em>Lehibe <\/em>(os Grandes), os <em>Loholona <\/em>(os Anci\u00e3es), os <em>Hazomanga<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9258617835817738\" aria-label=\"Hazomanga, literalmente: \u00e1rvores azuis, palavra de tradu\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, mas que a Academia Militar em Antsirabe, que formava os futuros oficiais malgaxes e determinados cadetes africanos dos quais o Capit\u00e3o Thomas Sankara e o seu camarada Blaise Compaor\u00e9, escolheu para designar o melhor aluno do curso.\">&nbsp;<\/span> (os Majores, os Primeiros), os <em>Manamboninahitra <\/em>(aqueles que t\u00eam as honras, em especial os oficiais superiores).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a1de6&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"865\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15476\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-6.jpg 865w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-6-203x300.jpg 203w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-6-692x1024.jpg 692w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-6-768x1136.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">De \u00c1frica. Figura XL. Grande de Madag\u00e1scar. An\u00f3nimo. 1683. Xilografia.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1995.6<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Citemos dois exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1- A participa\u00e7\u00e3o dos escravos nas revolu\u00e7\u00f5es de pal\u00e1cio<\/strong><br>Podemos, pelo menos, citar duas. Estas revolu\u00e7\u00f5es de pal\u00e1cio tinham por causas, e n\u00e3o das m\u00ednimas, por um lado a ambiguidade das leis de sucess\u00e3o ao trono de Imerina emitidas pelas rainhas Rafohy e Rangita no s\u00e9culo XVI<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.05275387485738936\" aria-label=\"Ravelomanana, J., \u00abAs Rainhas Rafohy e Rangita, fundadoras da sucess\u00e3o ao trono da realeza merina nos planaltos centrais no s\u00e9culo XVI\u00bb, in \u00abTatamo anie aho ka tatamo. Historical Malagasy Women Portraits\u00bb, obra coletiva efetuada sob a dire\u00e7\u00e3o de Dinika sy Rindra Ho An\u2019Ny Vehivavy-DRV-5F3CM), 216 p., p. 32-45.\">&nbsp;<\/span> bem como a que foi imposta pelo rei Andrianampoinimerina (1785-1810) e, por outro lado, a cultura da impaci\u00eancia pol\u00edtica dos futuros soberanos Merina. Estes factos ocasionaram revolu\u00e7\u00f5es de pal\u00e1cio que resultaram na usurpa\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio real, sendo que neles estiveram envolvidos alguns escravos reais, dos quais <em>Tsimandoa <\/em>Ramboamamy, aquando do assassinato do rei Radama I (1810-1828), na noite de 27 a 28 de julho de 1828. De acordo com Raombana, na sua obra <em>Histoires<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8099670306536546\" aria-label=\"Raombana, \u00abHistoires\u00bb, Tr\u00eas volumes, Ed. Ambozontany, Cole\u00e7\u00e3o \u00abGasikarako\u00bb. A pagina\u00e7\u00e3o dos volumes \u00e9 da autoria do Professor Simon Ayache, p. 1050-1O95.\">&nbsp;<\/span>, naquela noite, deu-se uma revolu\u00e7\u00e3o, um golpe de estado que levou ao poder Ranavalona Ire (1828-1861) qualificado por Simon Ayache<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5935187526905391\" aria-label=\"Ayache, S. \u00abRaombana, l\u2019Historien\u00bb Cole\u00e7\u00e3o \u00abGasikarako\u00bb, Ed. Ambozontany \u2013 Fianarantsoa, 1976, 509 p.\">&nbsp;<\/span> como \u00abum golpe ao estilo \u00abpret\u00f3rio\u00bb, notavelmente organizado e executado, mas por fim sancionado pela pusilanimidade e o medo das massas\u2026\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.608311880076772\" aria-label=\"Ravelomanana- Randrianjafinimanana, J., \u00abLa femme et la Politique \u00e0 Madagascar avant 1896\u00bb, Minist\u00e9rio da Arte e das Culturas Revolucion\u00e1rias, Gr\u00e1fica Nacional, 1985, 63 p. Esta compila\u00e7\u00e3o de pesquisas foi impressa pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u00abA d\u00e9cada da Mulher (1985-1995)\u00bb. A segunda edi\u00e7\u00e3o foi realizada pela revista \u00abTsingy\u00bb.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a278e&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1055\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2009-01-24.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15480\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2009-01-24.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2009-01-24-300x247.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2009-01-24-1024x844.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ME-2009-01-24-768x633.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ranavalo Manjaka, rainha de Madag\u00e1scar e seus herdeiros presuntivos. Henry Linton, gravador; <br>Evremond de B\u00e9rard, desenhador. 1858. Gravura em madeira.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. ME.2009.01.24<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Eis os factos segundo Raombana, que acusa a rainha de ter sido a principal instigadora deste golpe de estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab\u00c9 de saber que durante o tempo todo que durou a doen\u00e7a grave do rei, a sua alimenta\u00e7\u00e3o habitual era preparada no pal\u00e1cio sul e transportada ao Tranovola ou Pal\u00e1cio de Prata; mas como Radama n\u00e3o podia consumir qualquer alimento, eram os <em>Tsimandoa <\/em>(escravos reais)<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7876873402291621\" aria-label=\"Os escravos reais ser\u00e3o vistos mais \u00e0 frente.\">&nbsp;<\/span> que o comiam. Este estratagema foi levado a cabo por pessoas pr\u00f3ximas dele, com o fito de manter o povo na ignor\u00e2ncia relativamente ao sofrimento, bem como ao verdadeiro estado do rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o monarca estava realmente prestes a morrer, Ramboamamy, um dos <em>Tsimandoa<\/em>, chegou \u00e0 conclus\u00e3o, com temor, que se Radama morresse a responsabilidade recairia sobre eles, j\u00e1 que a sua fam\u00edlia e o povo acreditavam que o rei estava bem de sa\u00fade, padecendo apenas de uma maleita benigna. Ficou t\u00e3o receoso que, se o rei falecesse naquele momento, o povo o condenasse \u00e0 morte juntamente com os seus companheiros, que se rendeu discretamente \u00e0s mulheres dele\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abAcompanhadas por alguns ministros, as esposas de Radama foram ao Pal\u00e1cio de Prata para o ver e constatar qual era o seu estado de sa\u00fade\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2782768953593383\" aria-label=\"Raombana, op.cit., p. 1046-1050\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a32db&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"809\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1998-1-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15484\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1998-1-7.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1998-1-7-300x190.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1998-1-7-1024x647.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1998-1-7-768x485.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Madag\u00e1scar &#8211; Pal\u00e1cio de Prata em Tananarive. 1a metade do s\u00e9culo XX. T\u00e9cnica fotomec\u00e2nica; preto e branco.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1998.1.7<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O seguimento deste extrato coloca a t\u00f3nica no papel de Mavo, a primeira esposa de Radama I, futura rainha Ranavalona I. \u00abEsta entrevista entre Radama e as suas mulheres est\u00e1 na origem de uma revolu\u00e7\u00e3o que derrubou totalmente a dinastia de Andrianampoinimerina e de Radama; uma revolu\u00e7\u00e3o que destituiu a coroa e o reino em prol de uma pessoa que n\u00e3o tinha qualquer direito ao trono, absolutamente nenhum, mas que dele se apoderou gra\u00e7as \u00e0s suas intrigas e por interm\u00e9dio de um pequeno grupo de homens a quem ela havia prometido uma posi\u00e7\u00e3o elevada, bem como riquezas\u2026\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8302672732967898\" aria-label=\"Raombana, op.cit., p. 1050-1055 \">&nbsp;<\/span>. Todavia, a releitura destes factos pode tamb\u00e9m trazer a lume o papel primordial dos <em>Tsimandoa <\/em>no assassinato de Radama I. O texto destaca a preocupa\u00e7\u00e3o destes servos face ao drama que se desenrolava sob os seus olhos, pois tinham plena consci\u00eancia daquilo que Mavo pretendia. Ela n\u00e3o os tinha posto diretamente a par deste crime premeditado, por\u00e9m a rea\u00e7\u00e3o de Ramboamamy questiona o leitor: sem a interven\u00e7\u00e3o destes escravos reais qual teria sido o destino do rei? Este assassinato pol\u00edtico, como tantos outros, deixa consternados tanto os protagonistas, como os testemunhos, os voyeurs e a opini\u00e3o p\u00fablica presente e futura\u2026 Que teria acontecido a esses <em>Tsimandoa<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 &#8211; A participa\u00e7\u00e3o de um escravo real no exerc\u00edcio do poder real: Rainisoavahia XII h, governador da prov\u00edncia de Ambositra (1880-1895)<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a3d23&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"819\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-1-31.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15488\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-1-31.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-1-31-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-1-31-1024x655.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995-1-31-768x491.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">369. Madag\u00e1scar &#8211; Vista de Ambositra. An\u00f3nimo. S\u00e9culo XX. Fototipia; preto e branco.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1995.1.31<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Rainisoavahia 12 honras, foi governador de Ambositra, a cidade que foi o centro nevr\u00e1lgico malgaxe no final do s\u00e9culo XIX (1889-1895). Era um cargo muito importante, quase t\u00e3o importante quanto o dos governadores de Toamasina ou Majunga, que eram nomeados pelo primeiro-ministro Rainilaiarivony para representar a rainha nos locais onde eram destacados. O seu estatuto n\u00e3o lhes conferia qualquer remunera\u00e7\u00e3o e podia dar origem a todo o tipo de abusos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.05923857655668785\" aria-label=\"Ravelomanana, J., \u00abLa vie religieuse \u00e0 Ambositra.(1880-1895)\u00bb, Tese de Mestrado, Departamento de Hist\u00f3ria, Universidade de Madag\u00e1scar, 1971, 150 p., p. 59-62.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abDe acordo com investiga\u00e7\u00f5es orais realizadas junto a alguns anci\u00e3os, Rainisoavahia era um <em>olo-mainty<\/em> (literalmente: um homem negro), mais precisamente, este governador, um <em>Tsiarondahy<\/em>, era origin\u00e1rio de Tanjombato<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7603306935992163\" aria-label=\"Tanjombato foi, outrora, a zona limite entre o n\u00facleo central da cidade de Antananarivo e a outra margem do rio Ikopa, que se devia atravessar para poder chegar a Tanjombato, bairro que hoje \u00e9 bastante diverso porque comporta, ao mesmo tempo, os \u00abBairros da baixa\u00bb, as zonas industriais e ilhas de belas casas, vest\u00edgios de uma \u00e9poca em que os Menamaso, s\u00e9quito do rei Radama I (1861-1863) frequentavam estes lugares, dando-lhe um aspeto din\u00e2mico e \u00aborganizado \u00e0 sua maneira\u00bb.\">&nbsp;<\/span>. No entanto, o que \u00e9 surpreendente \u00e9 o facto de muitas das pessoas mencionadas nos di\u00e1rios cat\u00f3licos e que ajudaram os padres a implantar o catolicismo no pa\u00eds betsileo serem <em>Tsiarondahy<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es orais foram un\u00e2nimes quanto \u00e0 boa governa\u00e7\u00e3o do governador Rainisoavahia: \u00ab&#8230; ele foi um excelente administrador. Pois foi um dos \u00fanicos que tentou ser imparcial, especialmente no que diz respeito \u00e0s miss\u00f5es\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8505934969919866\" aria-label=\"Ravelomanana, J ., op.cit., p. 62\">&nbsp;<\/span>. De facto, Rainisoavahia teve de lidar com a concorr\u00eancia entre mission\u00e1rios, o que n\u00e3o era nada f\u00e1cil entre as diferentes congrega\u00e7\u00f5es religiosas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.505009621469496\" aria-label=\"Ravelomanana, J., p .70-101\">&nbsp;<\/span> e Ambositra era uma zona interessante sob v\u00e1rios pontos de vista, com popula\u00e7\u00f5es diversificadas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8946835512040545\" aria-label=\"Ravelomanana, J., op.cit., p. 25-45\">&nbsp;<\/span>. Ambositra, um importante centro nevr\u00e1lgico, era a regi\u00e3o mineira por excel\u00eancia. Por\u00e9m, foi nessa \u00e9poca que Madag\u00e1scar teve de pagar v\u00e1rias indemniza\u00e7\u00f5es \u00e0 Fran\u00e7a ap\u00f3s a primeira guerra franco-malgaxe (1883-1885). Rainisoavahia teve, portanto, de aplicar a corveia do ouro<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.858468992295832\" aria-label=\"N. da T.: Trabalhos for\u00e7ados relacionados com a explora\u00e7\u00e3o mineira de ouro num contexto hist\u00f3rico ou colonial.\">&nbsp;<\/span> e enfrentar a desconfian\u00e7a de todos, incluindo da pr\u00f3pria rainha Ranavalona III (1883-1896). Contudo, Rainisaovahia foi salvo pela chegada dos franceses e permaneceu na administra\u00e7\u00e3o colonial como governador de Majunga, Mahanoro e Manjakandriana<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6502101672560135\" aria-label=\"Ravelomanana, J., op.cit, p. 62.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os escravos reais, <em>Tandapa <\/em>exemplares<\/h3>\n\n\n\n<p>Os escravos reais tamb\u00e9m eram hierarquizados. Todos pertenciam aos <em>Maintienindreny <\/em>(literalmente: os Negros das seis m\u00e3es). Por essa raz\u00e3o, o governador Rainisoavahia era um <em>olo-mainty<\/em>: a precis\u00e3o era clara, ele era um s\u00fabdito da rainha com todos os seus direitos, n\u00e3o se devia confundir com aqueles que n\u00e3o tinham direitos ou os tinham perdido por uma raz\u00e3o qualquer&#8230; Esses escravos reais eram classificados em tr\u00eas subgrupos, os <em>Manisotra<\/em>, os <em>Tsiarondahy <\/em>e os <em>Manendy<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A- Os<em>Manisotra<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p>Os Manisotra estavam no topo da hierarquia estabelecida por Andrianampoinimerina (1785-1810). As regras da guerra naquela \u00e9poca reduziam os vencidos a meros objetos de direito. No entanto, durante a unifica\u00e7\u00e3o de Imerina, Andrianampoinimerina teve de realizar quatro expedi\u00e7\u00f5es militares mort\u00edferas para conseguir a rendi\u00e7\u00e3o dos <em>Manisotra<\/em>, instalados no sul do reino, em Ambohijoky. Perante a determina\u00e7\u00e3o dos <em>Manisotra <\/em>em n\u00e3o serem reduzidos \u00e0 servid\u00e3o, perante a sua pugnacidade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.33740688372124295\" aria-label=\"Ravelomanana, J., \u00abLa Femme et la Politique avant 1896\u00bb, op. cit. p. 49-55, \u00abLa Femme \u2013 Le Fokonolona et la guerre\u00bb, e as p\u00e1ginas \u00abDeux exemples d\u2019intervention des femmes manisotra\u00bb, p. 50-53.\">&nbsp;<\/span>, Andrianampoinimerina, magn\u00e2nimo, fez dele seus pr\u00f3prios servos. O R. P. Callet parece ter-lhes prestado homenagem ao narrar longamente, na sua cole\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es merina <em>Tantaran\u2019Ny Andriana<\/em>, os confrontos que opuseram os <em>Manisotra <\/em>aos guerreiros de Andrianampoinimerina<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.056920910917233614\" aria-label=\"R.P. Callet, \u00abTantaran\u2019Ny Andriana\u00bb, \u00abHistoire des Rois\u00bb, Compila\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es merina, transcritas pelo Padre por volta de 1873, contendo 1061 p\u00e1ginas, traduzido por G.S Chapus e E. Ratsimba, com a participa\u00e7\u00e3o da Academia malgaxe, Gr\u00e1fica Nacional, 1974, Volume III, 576 p.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a4c10&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"859\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460.136_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15500\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460.136_1.jpg 859w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460.136_1-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460.136_1-687x1024.jpg 687w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460.136_1-768x1144.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">ANANDRIANAMPOINIMERINA (1787-1810). Fundador da dinastia hova e conquistador de Tananarive. 1939. <br>Impress\u00e3o fotomec\u00e2nica. Em <em>Guide-annuaire illustr\u00e9 des \u00eeles de l&#8217;Oc\u00e9an Indien<\/em>&#8230;<br>Cole\u00e7\u00e3o da Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o, inv. R16460.136_1<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Vamos tamb\u00e9m destacar aqui o car\u00e1ter das mulheres <em>Manisotra <\/em>perante o desejo de Andrianampoinimerina de unificar a regi\u00e3o geogr\u00e1fica de Imerina. \u00abO ataque a esta aldeia foi um dos mais violentos. O rei Andrianampoinimerina, nas suas conquistas, deparou-se por vezes com grande resist\u00eancia, por\u00e9m nenhum senhor da regi\u00e3o estava realmente em condi\u00e7\u00f5es de se opor eficazmente \u00e0s suas manobras. Se ele ficou tanto tempo parado diante da rocha de Ambohijoky, que servia de ref\u00fagio \u00e0s <em>Manisotra<\/em>, foi em grande parte devido \u00e0 vigorosa virilidade dessas \u00abJeanne Hachette\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7743980197102721\" aria-label=\"N. da T.: Hero\u00edna armada com um machado, que defendeu vitoriosamente, junto com seus concidad\u00e3os, Beauvais, sitiada por Carlos, o Temer\u00e1rio, duque de Borgonha.\">&nbsp;<\/span> <em>Manisotra<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante a coragem e a tenacidade destas mulheres, o rei teve de realizar quatro expedi\u00e7\u00f5es contra os <em>Manisotra<\/em>, recorrendo a ast\u00facia e a todo o tipo de estrat\u00e9gias, sem grande resultado: \u00abos <em>Manisotra <\/em>foram submetidos pela fome\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2672991530167981\" aria-label=\"Ravelomanana, J., \u00abLa Femme et la Politique avant 1896 \u00bb,op. cit. p. 51\">&nbsp;<\/span>. Ap\u00f3s a rendi\u00e7\u00e3o deles, o rei Andrianampoinimerina transformou os guerreiros <em>manisotra <\/em>num corpo de elite.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">B- Os <em>Tsiarondahy<\/em>, os <em>Tsiarombavy<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7521432354481096\" aria-label=\"Tsiarondahy era o nome dado aos homens deste subgrupo, e Tsiarombavy, \u00e0s mulheres.\">&nbsp;<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Quem corria o risco de se tornar <em>Tsiarondahy<\/em>, <em>Tsiarombavy<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, os prisioneiros de guerra que o rei tinha escolhido entre os esp\u00f3lios de guerra, que seriam chamados de <em>Tandapa<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8104479657255375\" aria-label=\"Falaremos mais tarde sobre este termo.\">&nbsp;<\/span> <em>mainty <\/em>e integravam o subgrupo dos <em>Tsiarondahy<\/em>. Deviam ser considerados homens de confian\u00e7a, pois era a eles que as mensagens mais importantes eram confiadas. Alguns deles eram <em>Tsimandoa<\/em>. N\u00e3o \u00e9 de admirar, portanto, que a futura Ranavalona I tenha confiado aos <em>Tsimandoa <\/em>o controlo das refei\u00e7\u00f5es reais&#8230;! O exemplo apresentado pelo <em>Firaketana <\/em>\u00e9 o dos derrotados em Kiririoka! Um ter\u00e7o dos vencidos foi dado ao rei e dois ter\u00e7os aos seus sujeitos. Esses dois ter\u00e7os tornaram-se simples escravos <em>Andevo<\/em> ou <em>Harena<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3439556501856008\" aria-label=\"\u00abHarena\u00bb tornou-se, atualmente, um nome assexuado que est\u00e1 na moda\u2026 Os profanos apenas retiveram o seu sentido capitalista. Hoje, \u00abharena\u00bb significa meramente \u00abriqueza\u00bb\">&nbsp;<\/span>, (literalmente: bens). Devido ao seu estatuto de bens reais, eram tamb\u00e9m chamados de <em>Tserok&#8217;Andrianampoinimerina<\/em> (literalmente: o suor de Andrianampoinimerina). Segundo a explica\u00e7\u00e3o dada pelo <em>Firaketana<\/em>, esta denomina\u00e7\u00e3o devia-se ao facto de pertencerem ao rei desde a sua rendi\u00e7\u00e3o. Talvez. Todavia, podem ser avan\u00e7adas outras raz\u00f5es. Esta categoria de pessoas tinha-se mostrado t\u00e3o fiel ao rei que deve ter recebido este apelido por parte dos outros membros da popula\u00e7\u00e3o. Por esc\u00e1rnio, inveja ou simplesmente admira\u00e7\u00e3o, deram-lhe este apelido do qual ela acabou por se apropriar, sentindo-se numa posi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a ou de defesa contra ventos e mar\u00e9s numa sociedade t\u00e3o hierarquizada.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6a01ec92a5962&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"588\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15540\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460-1024x470.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FRB974115201_R16460-768x353.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Tsimandoa<\/em>, portador de correio numa ponte improvisada = Mail carrier on jury bridge. [N\u00e3o identificado]. 1939.<br>Impress\u00e3o fotomec\u00e2nica (ilustra\u00e7\u00e3o de jornal), reprodu\u00e7\u00e3o de fotografia. Em <em>Guide-annuaire illustr\u00e9 des \u00eeles de l&#8217;Oc\u00e9an Indien<\/em>&#8230;, n. p.<br>Cole\u00e7\u00e3o da Biblioteca departamental da Reuni\u00e3o, inv. R16460.304_2<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">C- Os <em>Manendy<\/em>, \u00abaqueles que fazem fritar\u00bb<\/h4>\n\n\n\n<p>Este terceiro subgrupo tem um nome que evoca a forma de se defender contra os seus agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Andrianampoinimerina os atacou, os <em>Manendy <\/em>tentaram derramar pedras aquecidas sobre os seus advers\u00e1rios, mas n\u00e3o conseguiram repelir os guerreiros do rei. Tiveram de sofrer uma segunda derrota. O rei de Imerina tomou-os ent\u00e3o, \u00e0 semelhan\u00e7a dos <em>Manisotra<\/em>, pelo que eles tamb\u00e9m se tornaram escravos reais. Segundo o R.P. Callet, \u00abos <em>Manisotra <\/em>e os <em>Manendy <\/em>constitu\u00edam fam\u00edlias livres como os <em>Ambaniandro<\/em>; no entanto, figuravam na categoria dos Negros com seis m\u00e3es\u00bb. Alasora era o local de resid\u00eancia dos <em>Manisotra<\/em>, que estavam associados aos <em>Vakinisisaony <\/em>e partilhavam as tarefas dos habitantes de Alasora. Os <em>Manendy <\/em>viviam em Anativolo, estavam associados aos <em>Mandiavato <\/em>e partilhavam as suas tarefas&#8230;\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07527614643231317\" aria-label=\"R.P. Callet, op. cit., p. 634\">&nbsp;<\/span>. Esses escravos reais tinham, portanto, os mesmos direitos e deveres que os <em>Ambaniandro<\/em>, como os <em>Vakinisisaony <\/em>e os <em>Mandiavato<\/em>, ou seja, os s\u00fabditos de direito, os s\u00fabditos reais. Apenas a sua origem geogr\u00e1fica os diferenciava, pois \u00abeles tamb\u00e9m podiam ter arrozais\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5740100830389877\" aria-label=\"R.P. Callet op. cit., p. 634.\">&nbsp;<\/span>. Por outro lado, os Tsiarondahy n\u00e3o podiam ter arrozais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mais belos entre esses escravos seriam integrados no subgrupo dos Tsiarondahy e tornar-se-iam <em>TSIMANDOA<\/em>\u2026<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5250614859850018\" aria-label=\"R.P. Callet, op.cit., p. 634 \">&nbsp;<\/span> sob Radama I<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9092605399146636\" aria-label=\"Importa conhecer os crit\u00e9rios de beleza na corte de Antananarivo no s\u00e9culo XIX!\">&nbsp;<\/span> !<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como concluir este artigo?<\/h3>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos destacar o aspeto mais humano do tratamento dado aos escravos reais, se nos referirmos aos testemunhos daqueles que assistiram e puderam observar o quotidiano dos escravos reais<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.40224516755600337\" aria-label=\"Savaron, C., \u00abMes souvenirs \u00e0 Madagascar avant et apr\u00e8s la conqu\u00eate (1885-1898)\u00bb, Tananarive, M.A.M. XIII, 1932,328 p. Citamos esta obra por estar repleta de humor, mas a bibliografia do s\u00e9culo XIX mencionou o sujeito que hoje nos interessa. N\u00e3o obstante, \u00e9 necess\u00e1rio recolher os factos pois s\u00e3o meras alus\u00f5es e historietas.\">&nbsp;<\/span>. Mas vamos apresentar aqui um conceito que define o estatuto desses escravos reais no final do s\u00e9culo XIX e na v\u00e9spera da chegada dos franceses com os seus novos valores. Esse conceito est\u00e1 contido na palavra <em>TANDAPA<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra <em>Tandapa <\/em>significa literalmente \u00abaqueles que habitam no pal\u00e1cio, aqueles que gravitam em torno do rei ou da rainha\u00bb. O termo significa simplesmente cortes\u00e3o, com a conota\u00e7\u00e3o que isso pressup\u00f5e. Andrianampoinimerina instituiu esta categoria social no final do s\u00e9culo XVIII. Ser \u00abescravo\u00bb implica todas as formas de nega\u00e7\u00e3o em todos os dom\u00ednios. No entanto, no final do s\u00e9culo XIX, um pr\u00edncipe de sangue como o Pr\u00edncipe Ramahatra XV Honras, primo da rainha, orgulhava-se de ser um <em>Tandapa <\/em>quando se apresentava \u00e0s portas do Pal\u00e1cio perante os guardas, que eram eles pr\u00f3prios <em>Tsiarondahy-Tandapa<\/em>. Eles haviam-se tornado refer\u00eancias, de tal forma que o R.P. Callet terminou uma das suas p\u00e1ginas sobre os <em>Tsimandoa <\/em>com esta frase muito simples: \u00abFizeram deles os <em>tsimandoa <\/em>de que ainda hoje se fala\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3509815471106489\" aria-label=\"R.P. Callet, op. cit. p. 634. Este coment\u00e1rio do Padre Callet ainda hoje \u00e9 v\u00e1lido, porque a administra\u00e7\u00e3o colonial e a dos tempos atuais empregara e ainda emprega alguns dos seus descendentes, enquanto \u00abaltos oficiais do Estado\u00bb.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":15733,"parent":15764,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-15762","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/15762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/15764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}