{"id":15801,"date":"2026-01-22T14:52:41","date_gmt":"2026-01-22T10:52:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=15801"},"modified":"2026-01-22T14:52:42","modified_gmt":"2026-01-22T10:52:42","slug":"o-sistema-esclavagista-em-imerina-madagascar-no-seculo-xix","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/a-escravatura-no-oceano-indico\/o-sistema-esclavagista-em-imerina-madagascar-no-seculo-xix\/","title":{"rendered":"O sistema esclavagista em Imerina (Madag\u00e1scar) no s\u00e9culo XIX"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em Madag\u00e1scar, antes da sua aboli\u00e7\u00e3o oficial em 1896, a escravatura era definida como a condi\u00e7\u00e3o de uma pessoa totalmente subordinada a um senhor, que dela podia dispor como se de qualquer outro bem se tratasse<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2289335820895264\" aria-label=\"Ignace Rakoto, \u00abL\u2019esclavage dans le Royaume de Madagascar au XIX\u00e8 si\u00e8cle\u00bb, em Ignace Rakoto e Sylvain Urfer, dir., Esclavage et lib\u00e9ration \u00e0 Madagascar, Paris \/Antananarivo, Edi\u00e7\u00f5es Karthala \/ Centre Foi et Justice, 2014, p. 19.\">&nbsp;<\/span>. A pessoa escravizada era um mero instrumento nas m\u00e3os dos governantes e dos homens livres, destinado ao funcionamento das atividades administrativas, econ\u00f3micas e sociais. A regi\u00e3o de Imerina (situada no centro do pa\u00eds), sede do poder central do Reino de Madag\u00e1scar (1810-1896), estava na vanguarda da aplica\u00e7\u00e3o da escravatura. Na hierarquia social pr\u00e9-colonial de Imerina, os escravos ocupavam o \u00faltimo lugar, atr\u00e1s dos Andriana (nobres), dos Hova (plebeus), que constitu\u00edam uma categoria de homens livres, e dos Mainty enin-dreny (os \u00abNegros com seis m\u00e3es\u00bb), que compunham outra categoria de homens livres.<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A escravatura: um sistema com voca\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social<\/h3>\n\n\n\n<p>Antes da coloniza\u00e7\u00e3o francesa, para os europeus que trabalhavam na ilha, Madag\u00e1scar era um \u00abpa\u00eds de escravos\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8877587285963683\" aria-label=\"C. Savaron, \u00abMes souvenirs \u00e0 Madagascar avant et apr\u00e8s la conqu\u00eate\u00bb, Mem\u00f3rias da Academia Malgaxe, Fasc\u00edculo XIII, 1932, p. 13.\">&nbsp;<\/span>, dado que a escravatura representava uma institui\u00e7\u00e3o capital para atender \u00e0s necessidades da economia e da sociedade e devido ao facto desta categoria da popula\u00e7\u00e3o ser numerosa. Com efeito, os escravos constitu\u00edam o mais numeroso de todos os grupos sociais em Imerina. De acordo com o \u00abResidente geral\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6882658205399176\" aria-label=\" N. da T. - Na \u00e9poca colonial, o Residente geral era um alto funcion\u00e1rio que o Estado protetor colocava junto ao soberano de um Estado sob protetorado.\">&nbsp;<\/span> Laroche, em 1896, em Antananarivo, dos 43 028 habitantes, 22 916 eram escravos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.684904659024216\" aria-label=\"IIgnace Rakoto, art. cit. em Ignace Rakoto e Sylvain Urfer, dir., op.cit., 2014, p. 24.\">&nbsp;<\/span>, ou seja, 53 % da popula\u00e7\u00e3o total da capital. Na \u00e9poca do Reino de Madag\u00e1scar, a escravatura era um modo de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social que beneficiava os homens livres. Com a vista a melhor organizar o sistema, a rainha Ranavalona II (1868-1883) instituiu, atrav\u00e9s dos artigos 39 a 49 do C\u00f3digo de 305 artigos, promulgado em 1881, um sistema de controlo do uso de escravos na casa de particulares.<br>De um modo geral, estes s\u00f3 podiam comprar escravos com o objetivo de os empregar nos diversos trabalhos das suas propriedades ou para os seus pr\u00f3prios interesses. Do ponto de vista jur\u00eddico, o <em>andevo <\/em>constitu\u00eda um bem ou uma mercadoria para o seu senhor. Nesse sentido, podia ser vendido, alugado, penhorado, ou ser objeto de qualquer tipo de transa\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o gozava de qualquer direito civil ou pol\u00edtico, n\u00e3o podendo comparecer em julgamento ou intentar uma a\u00e7\u00e3o perante os tribunais. Durante toda a sua vida, n\u00e3o podia possuir o que quer que fosse e apenas lhe era permitido efetuar aquisi\u00e7\u00f5es em nome do seu senhor<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.794384821049875\" aria-label=\"L\u00e9once Jacquier, La main-d\u2019\u0153uvre locale \u00e0 Madagascar, Paris, Imprimerie Henri Jouve, 1904, p. 69. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Imerina, antes do advento da coloniza\u00e7\u00e3o francesa, a escravatura era um meio \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos <em>Andriana <\/em>e de outros homens livres, como os <em>Hova<\/em>, para o trabalho nas suas propriedades ou dom\u00ednios agr\u00edcolas. Os <em>Andevo <\/em>(escravos) representavam instrumentos econ\u00f3micos nas m\u00e3os dos senhores, que manifestavam um profundo desprezo pelo trabalho manual<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.433897136847728\" aria-label=\"Fran\u00e7oise Raison-Jourde, Bible et pouvoir \u00e0 Madagascar au XIX\u00e8 si\u00e8cle, Paris, Karthala, 1991, p. 405.\">&nbsp;<\/span>. realizando trabalhos dom\u00e9sticos, explorando e trabalhando a terra a fim de produzir alimentos destinados a garantir as necessidades dos senhores e respetivas fam\u00edlias, ou ainda realizando trabalhos assalariados por conta dos mesmos. Em suma, os escravos compunham a parte trabalhadora da popula\u00e7\u00e3o, por\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de trabalho de alguns deles estavam longe de ser penosas, pois os amos apenas os obrigavam a efetuar um trabalho razo\u00e1vel, deixando-lhes muito tempo livre<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.32639653842236227\" aria-label=\"L\u00e9once Jacquier, op.cit., 1904, p. 73-74.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69f8c1f0dc6f4&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"858\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_35.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15625\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_35.jpg 858w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_35-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_35-686x1024.jpg 686w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_35-768x1146.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Escravos a debulhar arroz. [A.] Slom. 1895. Gravura.<br>Em <em>Voyage \u00e0 Madagascar: 1889-1890<\/em>, Louis Catat, p. [87].<br>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1995.34.35<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No seio de uma fam\u00edlia, existia uma verdadeira divis\u00e3o das tarefas dos escravos. Em primeiro lugar, havia os escravos dom\u00e9sticos; depois, vinham os escravos agr\u00edcolas, que eram os mais numerosos; de seguida, os escravos pastores, encarregados de guardar e cuidar dos rebanhos; os escravos comerciantes, geralmente os mais inteligentes e que gozavam de uma verdadeira independ\u00eancia, e; finalmente, os escravos carregadores, cujo senhor ami\u00fade alugava a particulares, mediante um sal\u00e1rio do qual eles guardavam uma parte<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4738824872561893\" aria-label=\"L\u00e9once Jacquier, op.cit., 1904, p. 73-74.\">&nbsp;<\/span>. Essas qualifica\u00e7\u00f5es e divis\u00e3o do trabalho eram aplicadas principalmente aos escravos homens, ao passo que as suas semelhantes de sexo feminino viviam noutras condi\u00e7\u00f5es. As mulheres escravas eram, de certa forma, escravas de luxo pois, na maioria das vezes, eram empregadas na casa do senhor ou faziam companhia \u00e0 senhora nas suas sa\u00eddas. Por vezes, acompanhavam o senhor fora de Imerina, servindo-o como <em>tsindry fe<\/em> (literalmente, \u00abaperta-coxas\u00bb), ou seja, escravas concubinas do amo. Em geral, as escravas <em>tsindry fe<\/em> eram aceites pelas senhoras<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9772215623346163\" aria-label=\"C. Savaron, art. cit., M\u00e9moire de l\u2019Acad\u00e9mie Malgache, Fasc\u00edculoXIII, 1932, p. 289. \">&nbsp;<\/span> que adotavam esta atitude para evitar a concubinagem dos seus maridos com mulheres aut\u00f3ctones. Esta situa\u00e7\u00e3o diz respeito, em particular, aos oficiais merina enviados \u00e0s prov\u00edncias conquistadas a fim de se ocuparem de tarefas administrativas e militares.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As condi\u00e7\u00f5es de vida dos escravos<\/h3>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de vida dos escravos variavam consoante o senhor. Se o amo era de condi\u00e7\u00e3o modesta, o escravo empregado na casa era frequentemente tratado com aparente igualdade relativamente aos membros da fam\u00edlia. O escravo cujo senhor n\u00e3o era rico era submetido a trabalhos penosos. Na casa de um senhor rico e poderoso, que possu\u00eda muitos escravos, estes usufru\u00edam frequentemente de uma liberdade relativa<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.29002550915732594\" aria-label=\"A. Martineau, Madagascar en 1894, s.d., p. 399.\">&nbsp;<\/span>. Pour la premi\u00e8re cat\u00e9gorie, les esclaves repr\u00e9sentent le prolongement de la famille<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.27409672858104217\" aria-label=\"C. Savaron, art. cit., M\u00e9moire de l\u2019Acad\u00e9mie Malgache, Fascicule XIII, 1932, p. 292.\">&nbsp;<\/span>, No caso da primeira categoria, os escravos representavam uma extens\u00e3o da fam\u00edlia , enquanto nas outras duas categorias, alguns senhores obrigavam os seus escravos a trabalhar arduamente a fim de enriquecer, retendo um ter\u00e7o ou metade dos seus sal\u00e1rios. Embora os escravos constitu\u00edssem bens pertencentes aos seus senhores, o seu tratamento era, em geral, bom, sendo que a maioria dos senhores manifestava um comportamento \u00abhumanista\u00bb. Segundo Calixte Savaron, no tocante aos Merina<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>os maus senhores eram raros. O Hova era paciente e raramente se zangava; nunca batia num escravo com os p\u00e9s ou com as m\u00e3os. Isso nem lhe passava pela cabe\u00e7a, seria uma exce\u00e7\u00e3o; se tivesse de recorrer ao castigo, ap\u00f3s v\u00e1rias repreens\u00f5es, justificava-o perante a fam\u00edlia e os outros escravos. Nesse caso, o escravo era espancado com uma vergasta ou um nervo de boi, podendo ser punido com grilh\u00f5es quando o delito era grave, por exemplo, roubo fora da propriedade; quando a honra e a responsabilidade do senhor estavam em causa, havendo para isso quer o processo consuetudin\u00e1rio, quer o recurso a tribunais<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7182705689636614\" aria-label=\"C. Savaron, art. cit., M\u00e9moire de l\u2019Acad\u00e9mie Malgache, Fasc\u00edculo XIII, 1932, p. 292.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69f8c1f0dda26&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"938\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_38_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15583\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_38_1.jpg 938w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_38_1-220x300.jpg 220w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_38_1-750x1024.jpg 750w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_38_1-768x1048.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Condenados \u00e0s correntes. Jules-Marie Lav\u00e9e, desenhador; L. Rousseau, gravador. 1895. Gravura.<br>Em <em>Viagem a Madag\u00e1scar: 1889-1890<\/em>, Louis Catat, Hachette et Cie, 1895.<br>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1995.34<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No final do s\u00e9culo XIX, o bom comportamento do senhor para com os seus escravos foi referido por outros autores europeus que observaram o funcionamento da sociedade esclavagista merina. Segundo Ed.-C. Andr\u00e9, \u00abo senhor considera o escravo como um dos seus. O escravo \u00e9, de facto, sua propriedade, seu bem, tal como a sua planta\u00e7\u00e3o de arroz e o seu boi, mas \u00e9 um ser inteligente, pass\u00edvel de interesse e amizade. (\u2026) Desde sempre, a escravatura malgaxe distinguiu-se pelo seu car\u00e1ter patriarcal\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4347397369391848\" aria-label=\"Ed.-C. Andr\u00e9, De l\u2019esclavage \u00e0 Madagascar, Paris, Arthur Rousseau, Editor, 1899.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sociedade merina, o escravo beneficiava de especial aten\u00e7\u00e3o por parte do senhor que o considerava uma riqueza. Segundo o Dr. Charles Ranaivo, vice-presidente do Comit\u00e9 que presidiu \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o das Festas realizadas em Antananarivo, nos dias 8 e 9 de outubro de 1909, por ocasi\u00e3o da coloca\u00e7\u00e3o da primeira pedra do Monumento destinado a comemorar a promulga\u00e7\u00e3o do decreto [de 3 de mar\u00e7o de 1909] sobre a Naturaliza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Sob a monarquia hova [merina], (\u2026) O verdadeiro escravo era mais feliz do que o homem livre porque dependia de um \u00fanico senhor e porque esse senhor n\u00e3o queria perder nem destruir o seu bem. O homem livre tinha de suportar todas as exa\u00e7\u00f5es e todas as vexa\u00e7\u00f5es [por parte das autoridades reais]. Nada lhe pertencia, n\u00e3o tinha direito algum<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.413454844897048\" aria-label=\" Col\u00f3nia de Madag\u00e1scar e Depend\u00eancias \u2013 Cidade de Antananarivo, Discursos proferidos durante as Festas realizadas s\u00e1bado, 9 de outubro de 1909, por ocasi\u00e3o da coloca\u00e7\u00e3o da primeira pedra do monumento destinado a comemorar a promulga\u00e7\u00e3o na Col\u00f3nia do decreto sobre a Naturaliza\u00e7\u00e3o, Antananarivo, Gr\u00e1fica du Progr\u00e8s, 1909.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No entanto, como o escravo era propriedade do senhor, este podia usar o seu t\u00edtulo de propriet\u00e1rio para enriquecer \u00e0s custas do primeiro. Assim, no caso do escravo empregado como carregador, o senhor podia n\u00e3o se contentar em retirar a sua parte do sal\u00e1rio, podendo ainda ficar com os presentes que ele recebia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.13607280342315897\" aria-label=\"A. Martineau, op.cit., s.d., p. 404.\">&nbsp;<\/span>. Pior ainda, alguns senhores sem escr\u00fapulos n\u00e3o hesitavam em se apoderar dos bens dos seus escravos quando estes morriam, fazendo assim o <em>manararao-paty<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6655180075578955\" aria-label=\"Manararao-paty \u00e9 um termo usado em Imerina para designar o ato de tirar proveito da morte de algu\u00e9m. O autor do ato em quest\u00e3o \u00e9 chamado mpanararao-paty.\">&nbsp;<\/span>. Na pr\u00e1tica, assim que um senhor ficava a par da morte de seu escravo, declarava-se seu herdeiro universal, apropriando-se de todas as economias do falecido e tamb\u00e9m confiscando o dinheiro das oferendas feitas aos pais do escravo falecido por ocasi\u00e3o do funeral<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.006410611543758327\" aria-label=\"A. Martineau, op.cit., s.d., p. 405.\">&nbsp;<\/span>. De um modo geral, a escravatura continuava a ser um instrumento de uso econ\u00f3mico e social para a realiza\u00e7\u00e3o de diferentes tarefas: trabalho dom\u00e9stico, trabalho agr\u00edcola ou at\u00e9 o transporte. Por isso, para os europeus que viveram em Madag\u00e1scar no s\u00e9culo XIX, um malgaxe sem escravos era muito infeliz e enfrentava grandes dificuldades<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8800449677911889\" aria-label=\"Sociedade Mission\u00e1ria de Londres, Revista Decenal 1870-80, citada em Chapus e Dandouau, Manuel d\u2019Histoire de Madagascar, Paris, Edi\u00e7\u00f5es Larose, 1961, p. 131.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69f8c1f0de733&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"859\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15587\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_3.jpg 859w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_3-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_3-687x1024.jpg 687w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1995_34_3-768x1144.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma grande estrada em Madag\u00e1scar: o caminho de Antsirabe. Marius Perret, desenhador; Rousseau, gravador. 1895. Gravura. Em <em>Voyage \u00e0 Madagascar: 1889-1890<\/em>, Louis Catat, Paris, Hachette, 1895, frontisp\u00edcio.<br>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1995.34_<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No s\u00e9culo XIX, os dirigentes do Reino de Madag\u00e1scar adotaram como estrat\u00e9gia para resolver o problema da m\u00e3o de obra e todas as quest\u00f5es a ela subjacentes, o recurso ao sistema de escravatura<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.18273306423569635\" aria-label=\"Arquivos Nacionais Ultramarinos (ANOM) (Aix-en-Provence), 6 (5) D 2, Relat\u00f3rio da 4.\u00aa Comiss\u00e3o da Confer\u00eancia Econ\u00f3mica de 25 de janeiro de 1919.\">&nbsp;<\/span>. Esta institui\u00e7\u00e3o foi abolida em Madag\u00e1scar pelo decreto de 26 de setembro de 1896, publicado pelo Residente geral. Com essa medida, as autoridades coloniais pretendiam incentivar o emprego de malgaxes em casas particulares, especialmente de colonos franceses.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":15578,"parent":15764,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-15801","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/15801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/15764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}