{"id":16007,"date":"2026-02-24T14:51:51","date_gmt":"2026-02-24T10:51:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=16007"},"modified":"2026-02-24T14:51:52","modified_gmt":"2026-02-24T10:51:52","slug":"joseph-desbassayns-1780-1850","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/a-familia-desbassayns\/joseph-desbassayns-1780-1850\/","title":{"rendered":"Joseph Desbassayns (1780-1850)"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil contar a hist\u00f3ria de um filho cuja imagem materna ambivalente polariza a aten\u00e7\u00e3o, cristaliza a avers\u00e3o e impede de ver, na sua linhagem, outros que n\u00e3o ela. O espanto de que se contenta parte da opini\u00e3o p\u00fablica da Reuni\u00e3o dificulta o acesso a uma realidade hist\u00f3rica. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil contar a hist\u00f3ria de Joseph Desbassayns, um dos filhos de Madame Desbassayns\u2026<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Jean_Francois_Geraud_2.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil narrar a hist\u00f3ria de um homem que deixou uma marca, reconhecida e celebrada no seu tempo, ainda hoje percet\u00edvel, quando ele pr\u00f3prio caiu no esquecimento. Na verdade, o indiv\u00edduo torna-se hist\u00f3rico na medida em que a sua atividade particular apresenta um car\u00e1ter geral, isto \u00e9, na medida em que h\u00e1 consequ\u00eancias gerais decorrentes das suas a\u00e7\u00f5es<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3362521671349532\" aria-label=\"Kosik, K., \u00abO indiv\u00edduo e a hist\u00f3ria\u00bb. Em: L'Homme et la soci\u00e9t\u00e9, n.\u00ba 9, 1968. Sociologie tch\u00e9coslovaque et renouveau de la pens\u00e9e marxiste. p. 79-90.\">&nbsp;<\/span>. Todavia, a hist\u00f3ria apenas existe enquanto continuidade na sua forma tradicional. Ora, as fontes relativas a Joseph Desbassayns, um dos produtores de a\u00e7\u00facar de Bourbon, s\u00e3o simultaneamente raras e descont\u00ednuas. Posto que a descontinuidade \u00e9 ao mesmo tempo um dado adquirido e algo impens\u00e1vel, sob a forma de eventos dispersos e elementos fragmentados, ela deveria, na hist\u00f3ria cl\u00e1ssica, ser contornada pela an\u00e1lise, reduzida, apagada para que a continuidade dos eventos venha a lume<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8151871652425435\" aria-label=\"Foucault, M. L\u2019arch\u00e9ologie du savoir. Gallimard. Paris. 1969.\">&nbsp;<\/span>. Contudo, as descontinuidades que o historiador devia suprimir da hist\u00f3ria tornaram-se agora elementos fundamentais da an\u00e1lise hist\u00f3rica: per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o que associam uma situa\u00e7\u00e3o conhecida a uma nova situa\u00e7\u00e3o, amplamente desconhecida. Desde logo, abre-se o campo da an\u00e1lise transitol\u00f3gica<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5758859604960603\" aria-label=\"O conceito derivado da economia (P. A. David, E. L. Khalil, U. Witt) foi retomado pelos polit\u00f3logos (Paul Pierson, \u00abIncreasing Returns, Path Dependence, and the Study of politics\u00bb, American Political Science Review, vol. 94, n.\u00ba 2, 2000, p. 251-267), inspira os trabalhos do historiador americano David Starck (Post socialist pathway: transforming politics &amp; property in east-central Europe. Cambridge: Cambridge University Press, 1998); \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o pelos polit\u00f3logos franceses da equipa do CERI (Paris, Sciences-Po CNRS), que o utilizam especialmente no contexto do estudo da transi\u00e7\u00e3o das economias dos pa\u00edses de Leste para o capitalismo (Georges Mink, \u00abLa Conversion de la sovi\u00e9tologie apr\u00e8s la disparition de son objet d\u2019\u00e9tudes\u00bb, Revue internationale et strat\u00e9gique, n.\u00ba 47, outono de 2002). O conceito, sem ser rejeitado, foi alvo de cr\u00edticas por parte de Michel Dobry.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abCom o meu sistema, n\u00e3o temo nem a seca nem os ventos fortes\u00bb. Esta frase perent\u00f3ria ilustra o homem, o produtor de a\u00e7\u00facar em causa: tanto nas suas compet\u00eancias agr\u00edcolas, audaciosas e inovadoras, como no seu car\u00e1ter, presun\u00e7oso e envaidecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Joseph Desbassayns insere-se no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o vivenciado na ilha Bourbon, que se estende, de modo global, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa at\u00e9 \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravatura (1848). A ilha, ainda dedicada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, um espa\u00e7o em decl\u00ednio devido ao fim do primeiro imp\u00e9rio colonial franc\u00eas, onde se exercia uma forma perif\u00e9rica de absolutismo mon\u00e1rquico, torna-se um territ\u00f3rio na vanguarda do progresso agroindustrial, em que as exig\u00eancias do lucro e do capitalismo imp\u00f5em uma forma distante, por ser colonial, do liberalismo, cuja marca mais vis\u00edvel \u00e9 a emancipa\u00e7\u00e3o dos Negros.<\/p>\n\n\n\n<p>Este produtor de a\u00e7\u00facar contribuiu para essa transi\u00e7\u00e3o, aplicando na agricultura insular m\u00e9todos que traziam o cunho da modernidade, mas agarrando-se a um passado mon\u00e1rquico cujo simbolismo era paralisante. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 verdade que transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se opera \u00abcontra\u00bb o passado, mas \u00abcom\u00bb os destro\u00e7os do passado?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inf\u00e2ncia e juventude questionadoras<\/h3>\n\n\n\n<p>Joseph Desbassayns nasceu em Saint-Paul, na ilha Bourbon, em 23 de fevereiro de 1780. Era o oitavo de catorze filhos e o s\u00e9timo dos dez filhos que chegaram \u00e0 idade adulta de Henri Paulin Panon Desbassayns (1732-1800) e Marie-Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau-Montbrun (1755-1846), a \u00abMadame Desbassayns\u00bb da hist\u00f3ria e da lenda da Reuni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco se sabe sobre a sua inf\u00e2ncia, exceto que, em dezembro de 1789, partiu \u00abpara Fran\u00e7a\u00bb com o pai, o irm\u00e3o Charles e duas irm\u00e3s, Marie e M\u00e9lanie. O objetivo era inscrever os dois rapazes num curso que lhes permitisse, mais tarde, candidatar-se aos altos cargos aos quais qualquer filho privilegiado de um rico plantador podia legitimamente aspirar. Sabe-se que assistiu \u00e0 festa da federa\u00e7\u00e3o em 1790, mas que recusou firmemente exclamar: \u00abViva a Na\u00e7\u00e3o!\u00bb. Dada a evolu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos, o projeto educativo fracassou, pois o pai e as duas irm\u00e3s embarcaram em setembro de 1792 de regresso \u00e0 ilha natal, e os dois rapazes, que deveriam ter prosseguido os estudos em Fran\u00e7a, n\u00e3o tardaram a juntar-se a ele em \u00cele-de-France, no in\u00edcio de 1793. Tal solu\u00e7\u00e3o deveu-se \u00e0 desorganiza\u00e7\u00e3o das escolas na p\u00e1tria m\u00e3e e a declara\u00e7\u00e3o de guerra \u00e0 Inglaterra, que representava uma amea\u00e7a para todas as viagens mar\u00edtimas. Joseph n\u00e3o teve, portanto, qualquer forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, e a verdadeira instru\u00e7\u00e3o que manifestou posteriormente resultou apenas do seu investimento pessoal e da sua intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c06a503&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1025\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRM1069_2016.5.12.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15872\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRM1069_2016.5.12.jpg 1025w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRM1069_2016.5.12-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRM1069_2016.5.12-820x1024.jpg 820w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRM1069_2016.5.12-768x959.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00c1lbum da Reuni\u00e3o. Bar\u00e3o Joseph Desbassayns: nascido em Saint-Paul, a 26 de fevereiro de 1780, falecido em Paris, a 17 de abril de 1850.<br>Louis Antoine Roussin. 1870. Fotografia.<br>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx, inv. 2016.5.12<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No entanto, dada a incerteza dos tempos, os pais de Joseph, que at\u00e9 ent\u00e3o haviam multiplicado incessantemente os bens imobili\u00e1rios, deixaram de incrementar o n\u00famero de propriedades, enviando para os Estados Unidos parte dos lucros do algod\u00e3o do seu dom\u00ednio de Saint-Gilles-les-Hauts e adquirindo terras e porventura rendas em Nova Iorque, bem como nos estados de Massachusetts e Maine. Era necess\u00e1rio supervisionar de perto essa parte consider\u00e1vel do patrim\u00f3nio, pelo que o pai decidiu enviar o segundo filho (Henri Charles, conhecido como Montbrun) para a Am\u00e9rica a fim de cuidar dos seus neg\u00f3cios, confiando-lhe, ao mesmo tempo, os irm\u00e3os mais novos, Joseph e Charles, para quem essa viagem poderia ser mais \u00fatil do que a perman\u00eancia numa ilha Bourbon limitada e com perspetivas restritas. Os filhos instalaram-se assim em Boston.<br>Essa primeira estadia nos Estados Unidos, que deixou uma lembran\u00e7a muito v\u00edvida em Joseph, permitiu-lhe aprender rapidamente o ingl\u00eas, que sempre falou com muita facilidade, sendo sem d\u00favida a origem de uma anglofilia que nunca se esmoreceu. Teve igualmente outro efeito: conjetura-se que foi l\u00e1, em contacto com os americanos habitados pelo esp\u00edrito empreendedor pr\u00f3prio dos Protestantes \u2013 evidenciado por Max Weber \u2013 e distantes da rotina europeia, que ele adquiriu a ousadia nos neg\u00f3cios e a f\u00e9 cega nos c\u00e1lculos que manifestaria durante toda a sua vida e que, no final, se voltaram contra ele. Joseph regressou \u00e0 ilha Bourbon em 1803, fazendo pelo menos mais duas viagens a Fran\u00e7a, com escala obrigat\u00f3ria nos Estados Unidos, pois, com a guerra em pleno andamento, era necess\u00e1rio embarcar em navios neutros para chegar ao oceano \u00cdndico<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5348828510613983\" aria-label=\"Durante a sua viagem de regresso da ent\u00e3o chamada \u00abilha Bonaparte\u00bb para Fran\u00e7a (14 de mar\u00e7o, 22 de agosto de 1807), Joseph de Vill\u00e8le e a sua fam\u00edlia tiveram de permanecer pouco mais de tr\u00eas semanas em Nova Iorque. Por recomenda\u00e7\u00e3o do seu cunhado Joseph Desbassayns, que se encontrava em Nova Iorque, regressando de Fran\u00e7a \u00e0 \u00abIlha Bonaparte\u00bb, alugou para a sua fam\u00edlia um apartamento na casa do Sr. Marcellin, na Broad-Way. Fourcassi\u00e9 J., Godechot J., \u00abLe retour de Vill\u00e8le de la R\u00e9union \u00e0 Bordeaux via New-York (14 de mar\u00e7o-22 de agosto de 1807)\u00bb, Annales du Midi: revista arqueol\u00f3gica, hist\u00f3rica e filol\u00f3gica do sul da Fran\u00e7a, Tomo 65, n.\u00ba 23, 1953. Homenagem \u00e0 mem\u00f3ria de Joseph Calmette, p. 435-456.\">&nbsp;<\/span>. A \u00faltima estada em Fran\u00e7a, que deveria ser o in\u00edcio de empreendimentos pr\u00f3speros, foi um fiasco, do qual regressou coberto de d\u00edvidas e trazendo galinhas-d\u2019angola dom\u00e9sticas, que introduziu pela primeira vez em Bourbon, onde se multiplicaram. Um ano depois, em 1808, casou-se com Elisabeth Pajot (1783-1844), irm\u00e3 do cunhado, gra\u00e7as \u00e0 generosidade da sua m\u00e3e, que pagou todas as suas d\u00edvidas\u2026 A partir de ent\u00e3o, aos 28 anos, voltou-se para a agricultura. Propriet\u00e1rio de um dom\u00ednio em Sainte-Marie, apostou inicialmente no cultivo do milho, que era consumido pela totalidade dos escravos e pelo menos metade da popula\u00e7\u00e3o livre, modificou-o e melhorou-o significativamente, prefigurando o que mais tarde faria com a cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n\n\n\n<p>Joseph Desbassayns pertence ao punhado de propriet\u00e1rios do nordeste de Bourbon que, a partir de 1810, em poucos meses, se lan\u00e7ariam na fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7094837515860729\" aria-label=\"O pr\u00f3prio irm\u00e3o Charles, Savariau, Montrose Bellier, Dior\u00e9, Florance, Boiscourt filho, Ferdinand Pajot, Fr\u00e9on, Jullienne, Verville Piveteau, F\u00e9ry, Le Houx, Lory, Diomat, Caradec, Villentroy e o doutor Brun.\">&nbsp;<\/span>: a conjuntura parecia favor\u00e1vel, j\u00e1 que o consumo de a\u00e7\u00facar n\u00e3o parava de aumentar em Fran\u00e7a, que, ali\u00e1s, vendeu uma parte significativa das suas importa\u00e7\u00f5es de Saint-Domingue a toda a Europa, e particularmente \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha. Contudo, a Fran\u00e7a acabou por perder o seu celeiro de a\u00e7\u00facar de Saint-Domingue (1804), a produ\u00e7\u00e3o das suas outras col\u00f3nias antilhanas tornou-se insuficiente e a \u00cele-de-France, que se tinha virado para o a\u00e7\u00facar, caiu sob o jugo ingl\u00eas (1810), sob o qual permaneceria definitivamente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O campo como f\u00e1brica<\/h3>\n\n\n\n<p>A primeira originalidade de Joseph Desbassayns foi desenvolver, a partir das suas observa\u00e7\u00f5es, um m\u00e9todo de cultivo da cana<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6142605389465765\" aria-label=\"Ainda proposto como modelo a seguir pelo sobrinho por afinidade, P. J. A. Du Peyrat (1798-1877). Ver Du Peyrat, A., M\u00e9moire sur la situation de l'agriculture \u00e0 l'\u00eele de la R\u00e9union, em 1868. Paris. Vve Bouchard-Huzard. 1872.\">&nbsp;<\/span> que lhe valeria uma reputa\u00e7\u00e3o lisonjeira de ex\u00edmio agr\u00f3nomo, mesmo sem possuir qualquer forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c06b213&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1260\" height=\"986\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/La_canne_a_sucre___.Delteil_Arthur_bpt6k3411776p_11.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15876\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/La_canne_a_sucre___.Delteil_Arthur_bpt6k3411776p_11.jpeg 1260w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/La_canne_a_sucre___.Delteil_Arthur_bpt6k3411776p_11-300x235.jpeg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/La_canne_a_sucre___.Delteil_Arthur_bpt6k3411776p_11-1024x801.jpeg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/La_canne_a_sucre___.Delteil_Arthur_bpt6k3411776p_11-768x601.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cana-de-a\u00e7\u00facar. Gravura. Em La canne \u00e0 sucre, Arthur Delteil, Challamel a\u00een\u00e9 (Paris), 1884, P. I.<br>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a, departamento de Ci\u00eancias e T\u00e9cnicas, 8-S-4228<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Na sua <em>Mem\u00f3ria <\/em>de 1822, Gaudin cita um relato de Lepervanche: \u00abAntes do sistema de cultivo de Joseph Desbassayns, observa Lepervanche, os plantadores seguiam diversos m\u00e9todos\u2026 Mas a experi\u00eancia demonstrou a superioridade do sistema e, h\u00e1 quatro anos, as planta\u00e7\u00f5es sujeitas \u00e0s mesmas regras de cultivo apresentam uma uniformidade perfeita em todas as planta\u00e7\u00f5es\u00bb. O m\u00e9todo permitia produzir mais e tornar f\u00e9rteis terras consideradas est\u00e9reis, mas uniformizava as planta\u00e7\u00f5es, prenunciando a padroniza\u00e7\u00e3o que em breve caracterizaria a ind\u00fastria.<br>A partir de 1816, esse m\u00e9todo difundiu-se em Bourbon; utilizado at\u00e9 1848 e, sem d\u00favida, depois disso, tamb\u00e9m alastrou \u00e0s Maur\u00edcias. \u00abAinda h\u00e1 menos de trinta anos \u2013 explica o pr\u00f3prio Joseph Desbassayns, um homem pouco dado a mod\u00e9stias \u2013 a cana-de-a\u00e7\u00facar era cultivada de forma inadequada em Bourbon, e os propriet\u00e1rios obtinham rendimentos pouco avultados desta planta preciosa. Gra\u00e7as a experi\u00eancias e observa\u00e7\u00f5es minuciosas, fui o primeiro a estabelecer um modo de cultivo racional que foi considerado como a cria\u00e7\u00e3o do verdadeiro cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar na col\u00f3nia. Todos os seus propriet\u00e1rios, bem como os das ilhas Maur\u00edcias n\u00e3o tardaram a adot\u00e1-lo\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.428123303398912\" aria-label=\"Extrato das cartas do bar\u00e3o Desbassayns sobre a cultura. Delval, 17 p., slnd, ADR PB 670.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo de Desbassayns especifica sucessivamente os modos de rota\u00e7\u00e3o de culturas, planta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e corte da cana. \u00abPerpetuar a cana num terreno, afirma Desbassayns, \u00e9 querer arruin\u00e1-lo e consequentemente comprometer os respetivos rendimentos\u00bb. \u00c9 por isso que dividiu as suas terras em oito partes: quatro com cana de diferentes idades, uma com cana pequena (do ano), uma com cana grande (para cortar), uma com primeiros novos rebentos, uma com \u00faltimos novos rebentos ou \u00abcanas filadas\u00bb; as outras quatro partes de \u00abcobertura\u00bb de ervilhas, ervilhas pretas de Mascate ou ervilhas amargas da Holanda, que deviam ser semeadas em dezembro, em fileiras alternadas com feij\u00e3o-b\u00f3er, cujos caules serviam de suporte para as trepadeiras das ervilhas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.09723249428463321\" aria-label=\"Nas terras mais altas, devia-se ter o cuidado de substituir as ervilhas por crotal\u00e1rias.\">&nbsp;<\/span>; em quatro anos, a riqueza do solo era restabelecida.<\/p>\n\n\n\n<p>A planta\u00e7\u00e3o mereceu toda a aten\u00e7\u00e3o de Desbassayns, pois, pensava ele, a sua contribui\u00e7\u00e3o era mais pessoal. Devia-se plantar as terras pobres em junho e julho e as baixas em agosto, setembro e outubro. Em primeiro lugar, era necess\u00e1rio tra\u00e7ar linhas perpendiculares ao declive (para evitar que as chuvas levassem a terra e entupissem os buracos das canas), nas quais eram cavados os buracos (esburacamento); com a terra retirada, fazia-se um sulco entre as linhas de buracos (os \u00abcord\u00f5es\u00bb), onde se plantaria de novo ao cabo de oito anos. A cana era plantada em buracos cavados de mar\u00e7o a maio. O trabalho de cavar buracos era o mais laborioso para os escravos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c06c5d8&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"974\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R16460.225_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15880\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R16460.225_1.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R16460.225_1-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R16460.225_1-1024x779.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R16460.225_1-768x584.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Plantio da cana. [N\u00e3o identificado]. Impress\u00e3o fotomec\u00e2nica. Em <em>Guia-anu\u00e1rio ilustrado das ilhas do oceano \u00cdndico. Madag\u00e1scar, Reuni\u00e3o, Maur\u00edcias, Comores, Ilhas Austrais\u2026<\/em>, Tananarive, Urbain-Faurec e Jean Bichelberger, 1939, n. p..<br>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Departamental da Reuni\u00e3o, inv. R16460.225_1<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Desbassayns desenvolveu uma ferramenta para fazer buracos: tratava-se de uma picareta cuja l\u00e2mina, perpendicular ao cabo, tinha a mesma largura na parte superior e na inferior, com tr\u00eas polegadas de largura (oito cm) e oito polegadas de comprimento (\u00b1 22 cm); a curva permitia que a l\u00e2mina penetrasse na terra \u00e0 primeira tentativa. Os buracos tinham doze polegadas (32,8 cm) de profundidade, dois p\u00e9s de comprimento (\u00b1 66 cm) e tr\u00eas polegadas de largura (pouco mais de oito cm). A dist\u00e2ncia entre os buracos era igual ao comprimento de um buraco (dois p\u00e9s). Este sistema permitia que as canas resistissem melhor ao vento, sofressem menos com a seca e as suas ra\u00edzes tivessem mais espa\u00e7o. Escolhia-se as plantas cujos rebentos estavam bem formados. \u00abUm capataz, especifica Desbassayns, deve sempre assistir \u00e0 planta\u00e7\u00e3o e conduzi-la\u00bb. Depois de a inspecionar, o capataz manda encher cada buraco com palha.<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de crescer sozinha e de ser uma planta que favorece a pregui\u00e7a, como se ouve dizer hoje em dia, a cana requer cuidados constantes at\u00e9 alcan\u00e7ar \u00e0 matura\u00e7\u00e3o. \u00abPara que as canas permane\u00e7am sempre verdes e com um bom crescimento, \u00e9 necess\u00e1rio escov\u00e1-las para mant\u00ea-las sempre limpas e retirar a terra que cai nas covas (esvaziamento das canas ou dos buracos). \u00c9 preciso raspar com frequ\u00eancia, antes que os germes das ervas daninhas apare\u00e7am\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6810525515582188\" aria-label=\"Extrato das cartas do Bar\u00e3o Desbassayns sobre a cultura, op. cit.\">&nbsp;<\/span>. O mesmo campo deve ser esgaravatado a cada quinze dias ou a cada tr\u00eas semanas, ou logo ap\u00f3s uma chuva forte. \u00abO negro deve, portanto, manobrar a sua escova de uma s\u00f3 vez, da borda do buraco at\u00e9 ao meio do sulco, devendo a pr\u00f3xima escovada ser feita ao lado da marca deixada pela anterior, sem sobrepor\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7393028807006664\" aria-label=\"Ibidem.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c06d20d&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"957\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R03445.183_1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15920\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R03445.183_1-1.jpg 957w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R03445.183_1-1-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R03445.183_1-1-766x1024.jpg 766w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/FRB974115201_R03445.183_1-1-768x1027.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cana-de-a\u00e7\u00facar. [N\u00e3o identificado]. Gravura. Em <em>Le journal de Marguerite ou Les deux ann\u00e9es pr\u00e9paratoires \u00e0 la premi\u00e8re communion<\/em>, Victorine Monniot, Paris, P\u00e9risse fr\u00e8res, [1878], vol. 2, p. 183.<br>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Departamental da Reuni\u00e3o, inv. R03445.183_1<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A limpeza dos buracos (retirar a terra que neles caiu) era uma opera\u00e7\u00e3o imperativa: o trabalho era feito \u00e0 m\u00e3o, devendo ser empregados apenas os negros pequenos e as \u00abnegras que t\u00eam m\u00e3os mais pequenas, que s\u00e3o mais h\u00e1beis e se agacham mais facilmente do que os homens\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Desbassayns tamb\u00e9m planeou o corte das canas: devia ocorrer de 1 de julho a 31 de dezembro. Os cortadores eram divididos em v\u00e1rios grupos. O primeiro grupo abatia as canas com um machado estreito que cortava a cana profundamente na terra; o cortador derrubava a cana do lado onde se encontravam os descascadores. Este segundo grupo pegava na cana pelo centro, removia a palha e, em seguida, lan\u00e7ava a cana sobre a pilha situada atr\u00e1s. O terceiro grupo removia os rebentos demasiado grandes com uma catana. Os homens do quarto grupo pegavam na cana com a m\u00e3o esquerda pelo centro, que, cortada, era atirada para o lado; em seguida, cortavam a cana em peda\u00e7os de quatro p\u00e9s (1,3 m), que lan\u00e7avam para as pilhas, localizadas atr\u00e1s, do lado esquerdo. O capataz velava que as canas n\u00e3o fossem cortadas demasiado perto do centro e que os rebentos grandes e m\u00e9dios fossem removidos. Por fim, o quinto grupo removia as canas, dispunha-as ao longo do caminho, em pilhas que seriam carregadas nas carro\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se argumentar que este m\u00e9todo n\u00e3o era original e se assemelhava muito aos descritos pelo padre Labat ou Dutr\u00f4ne Lacouture. A novidade consistia na precis\u00e3o quase milim\u00e9trica das medidas, na obsess\u00e3o metrol\u00f3gica. O m\u00e9todo Desbassayns, que especifica e padroniza os gestos, utilizando a divis\u00e3o do trabalho e exigindo um trabalho massivo dos escravos, transformaria os \u00abNegros da picareta\u00bb em quase obreiros da terra. O cultivo da cana era realizado por uma massa de m\u00e3o de obra treinada para os gestos estereotipados da produ\u00e7\u00e3o e totalmente submissa. Esta configura\u00e7\u00e3o prefigura nos tr\u00f3picos certos aspetos da industrializa\u00e7\u00e3o: a propriedade era o laborat\u00f3rio da empresa, as massas servis anunciavam o proletariado, o campo era o prel\u00fadio da f\u00e1brica. A primeira classe oper\u00e1ria do mundo foi a dos Negros das propriedades de Bourbon.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c06de30&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"952\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/16.-Die-Zuckerrohrernte.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15888\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/16.-Die-Zuckerrohrernte.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/16.-Die-Zuckerrohrernte-300x223.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/16.-Die-Zuckerrohrernte-1024x762.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/16.-Die-Zuckerrohrernte-768x571.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">16. Die Zuckerrohrernte. Eduard Walther. 1891. Cromolitografia. Em <em>Geographische Charakterbilder : <\/em><br><em>ein Bilderbuch enthaltend 24 Bildertafeln in Farbendruck<\/em>, E\u00dflingen, Schreiber, 1891.<br>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Universit\u00e1ria de Brunswick, 3005-0402<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A loucura do a\u00e7\u00facar<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma esp\u00e9cie de paix\u00e3o pelo a\u00e7\u00facar apoderou-se, assim, de Joseph Desbassayns, cujo parente \u00c9lie Pajot atribuiu pudicamente, alguns anos mais tarde, \u00e0s suas viagens aos Estados Unidos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5375760334541043\" aria-label=\"Pajot, \u00c9., Notice biographique sur le baron Joseph Desbassayns. Saint-Denis : Imp. A. Roussin, 1867, 14 p.\">&nbsp;<\/span>, mas que tamb\u00e9m refletia a sua propens\u00e3o para assumir riscos imprudentes nos neg\u00f3cios. Na valiosa correspond\u00eancia que ele enviou aos seus fornecedores na Fran\u00e7a, na Gr\u00e3-Bretanha ou aos membros da pr\u00f3pria fam\u00edlia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5357855342483576\" aria-label=\"C\u00f3pia da correspond\u00eancia de Joseph Desbassayns a v\u00e1rios comerciantes, ao irm\u00e3o Montbrun, principalmente sobre quest\u00f5es relacionadas com o a\u00e7\u00facar e encomendas de material para f\u00e1bricas, 1818-1824, ADR 1 J 20.\">&nbsp;<\/span>, Joseph Desbassayns testemunha esse frenesim; explica a Otard (de Bord\u00e9us), em 1819, que pode aumentar a sua produ\u00e7\u00e3o porque \u00abtem terra suficiente; especulou bem, pois o pre\u00e7o das terras aumentou. Um terreno de 12 000 piastras foi vendido por 35 000 piastras, sem estabelecimento da f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6545793941768537\" aria-label=\"Ibidem.\">&nbsp;<\/span>; assim, obteve uma vantagem sobre os outros a\u00e7ucareiros e \u00abser\u00e1 o \u00fanico em Bourbon capaz de obter um rendimento anual de 1200 milhares de a\u00e7\u00facar (600 t.)\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, entre 1812 e 1830, Joseph Desbassayns comprou: em 1812, duas propriedades em Desrieux (localidade chamada Grand Hazier) e um bosque em Caradec e Tourris; dois outros terrenos com casa, 20 Negros, no ano seguinte, em 1813; em 1819, um pequeno terreno a duas filhas de Fanchon; em 1820, ao irm\u00e3o Montbrun, as metades indivis\u00edveis do Grand Hazier, da propriedade da ravina das Ch\u00e8vres e da propriedade do Tamarin, com 126 escravos por 200 000 francos, ao termo de um neg\u00f3cio bastante opaco. Os onze terrenos e a f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar de Houbert e Gludic em 1827, outro pequeno terreno a Vincent Seusse, uma propriedade cont\u00edgua \u00e0 sua a Auguste Puissant, com quem fazia neg\u00f3cios, uma propriedade e um bosque em Brugui\u00e8s, uma vasta propriedade em Villeneuve; em 1828, a Brunet filho, um terreno de 2,8 hectares enclausurado entre as suas propriedades, e, em Toulguingat de Treffry, uma propriedade a\u00e7ucareira comprada por \u00ab97 500 libras de a\u00e7\u00facar da colheita do pr\u00f3prio terreno ou do terreno de Joseph Desbassayns, entregue no dep\u00f3sito do estabelecimento de Sainte-Marie, ou no de Sainte-Suzanne, se for criado um, em tr\u00eas entregas de 32 500 libras, de finais de 1828 a finais de 1830, mais 21 345 F a pagar em tr\u00eas presta\u00e7\u00f5es com juros em 1831, 1832 e 1833\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.12008427981284919\" aria-label=\"Ibidem.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Concomitantemente, Joseph Desbassayns empenhou-se em equipar-se com as m\u00e1quinas mais eficientes e, mais, em zelar pela modernidade da ind\u00fastria a\u00e7ucareira da ilha. A partir de 1819, passando pelo comerciante Otard, em Bord\u00e9us, e depois por Prosper L\u00e9vesque, em Nantes (pois Otard era demasiado oneroso), encomendou equipamento para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar \u00e0 Fawcett &amp; Littledale, de Liverpool; alguns meses mais tarde, dirigiu-se a Avanzini, representante da empresa Nodler, Bonmary, Lafond et Cie, para encomendar m\u00e1quinas a vapor, desta vez, sempre da Fawcett: uma m\u00e1quina a vapor de 4 CV com a marca CZ (dos s\u00f3cios Commans et Zamudio), uma m\u00e1quina id\u00eantica para Despeissis (marca D), para Dary de Lanux (marca DR), para Joseph de Vill\u00e8le, seu cunhado, com um moinho de cana (marca JV), para Bernard Pajot (marca PJ), etc. Em dezembro de 1819, insatisfeito, substituiu a casa Nodler pela L\u00e9vesque, em Nantes. Desbassayns desvia at\u00e9 mesmo os pedidos que deveriam ir para outras casas, como a de Baudin, e atua como intermedi\u00e1rio em mat\u00e9ria de material de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar: um moinho de \u00e1gua para Xavier Bellier, \u00abparente e amigo\u00bb, um moinho de 4 CV para Pignolet. No in\u00edcio, o neg\u00f3cio era vantajoso, pois as m\u00e1quinas serviam de carga para os navios que partiam de Bourbon carregados com o seu a\u00e7\u00facar. Ent\u00e3o, Desbassayns passou a garantir as assinaturas dos seus s\u00f3cios. No sentido de manifestar a sua boa-f\u00e9 a Avanzini, enviou c\u00f3pias dos compromissos que assinavam todos os particulares \u00abque quisessem trazer f\u00e1bricas da Inglaterra sob a sua garantia\u00bb. Era necess\u00e1rio apenas que a entrega fosse atempada, antes do in\u00edcio da colheita, em julho, e, acima de tudo, que o material n\u00e3o fosse entregue nas Maur\u00edcias! Desbassayns explica claramente, por duas vezes, as suas motiva\u00e7\u00f5es: numa carta de 15 de maio de 1819 a Otard, exp\u00f5e que, quer \u00abhabituar os propriet\u00e1rios a enviar os respetivos produtos para Fran\u00e7a, receber produtos e livrar-se do jugo dos comerciantes, mais mercadores do que negociantes\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8908514992705328\" aria-label=\"Ibidem. \">&nbsp;<\/span>; numa outra carta, mais pormenorizada, mas com um tom desiludido, a Otard, de 8 de fevereiro de 1821, observa: \u00abOs negociantes de Bourbon n\u00e3o t\u00eam dinheiro, o pouco que t\u00eam gastam-no para comprar produtos quando estes n\u00e3o s\u00e3o muito procurados, para depois os revenderem a um pre\u00e7o muito elevado. Os capitalistas s\u00e3o pouqu\u00edssimos; aplicam o seu dinheiro a 18%, descontando notas de comerciantes ou mercadores a 2 ou 3 meses. Os propriet\u00e1rios n\u00e3o podem contrair empr\u00e9stimos a essa taxa e n\u00e3o gozam do cr\u00e9dito que deveriam ter. Eu, mais do que os outros, sou alvo de tudo o que \u00e9 comerciante ou mercador: a raz\u00e3o \u00e9 que fui eu quem incitou os propriet\u00e1rios a enviar os seus produtos para a Europa\u2026 da\u00ed a ira dos comerciantes contra a minha pessoa\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.002069990638691399\" aria-label=\"Ibidem.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Desbassayns parece assim animado pelo duplo desejo de produzir e especular. Todavia, o resultado dessas especula\u00e7\u00f5es arriscadas foi o seu endividamento excessivo, visto que todas essas compras foram feitas a cr\u00e9dito que, no final, n\u00e3o foi reembolsado; assim, se somarmos o valor de algumas obriga\u00e7\u00f5es, calcula-se a soma astron\u00f3mica de 1 294 645 F. A partir de 1832, Desbassayns teve de penhorar 355 escravos coletivamente aos seus credores e, no mesmo dia, a anticrese de tr\u00eas das suas propriedades em Bel-Air, Sainte-Suzanne e Sainte-Marie. A liquida\u00e7\u00e3o da enorme d\u00edvida durou v\u00e1rios anos, \u00abregular, escreve \u00c9lie Pajot, e das mais honrosas: nenhum cr\u00e9dito contestado, embora houvesse ind\u00edcios de usura. Tudo foi pago, hipotec\u00e1rio e quirograf\u00e1rio, em capital e com juros. Foi uma liberta\u00e7\u00e3o da terra pela terra\u00bb, que rendeu milh\u00f5es de francos em receitas durante esse per\u00edodo de liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inovar<\/h3>\n\n\n\n<p>Guiado pelas suas observa\u00e7\u00f5es e intui\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o por uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica que n\u00e3o recebeu, Joseph Desbassayns levou uma vida ativa como produtor de a\u00e7\u00facar. Guiado tamb\u00e9m pelas suas leituras: o invent\u00e1rio ap\u00f3s a sua morte menciona \u00abcento e oitenta volumes de todos os tipos, nomeadamente sobre agricultura, todos desemparelhados e imposs\u00edveis de descrever\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c06ed95&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"694\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/MG_8167_fig25.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15892\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/MG_8167_fig25.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/MG_8167_fig25-300x163.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/MG_8167_fig25-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/MG_8167_fig25-768x416.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fig. 25. Bateria ou \u00abequipamento\u00bb de uma refinaria colonial. Pormenor da imagem I. Em <em>Nouveau manuel complet du fabricant et du raffineur de sucre de cannes, de betteraves, d&#8217;\u00e9rable, de chataignes, de f\u00e9cule, de miel, de raisin, et g\u00e9n\u00e9ralement de diverses substances susceptibles d&#8217;en produire<\/em>, L.-J Blachette, Fr\u00e9d\u00e9ric Salvator Zo\u00e9ga, nova edi\u00e7\u00e3o por M. Julia de Fontenelle, Livraria enciclop\u00e9dica de Roret, 1841, VIII-491 p.-8 pl..<br>Cole\u00e7\u00e3o Bibliotecas de Bord\u00e9us<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Nunca deixou de querer aperfei\u00e7oar o sistema de fabrica\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar. Retirou a bateria da parede lateral onde normalmente ficava encostada, para coloc\u00e1-la em posi\u00e7\u00e3o axial na parede do fundo da f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar: essa disposi\u00e7\u00e3o, que se generalizou, facilitava o acesso, pelos dois lados, \u00e0s caldeiras e permitia, durante a forma\u00e7\u00e3o das espumas, remov\u00ea-las rapidamente e evitar a ebuli\u00e7\u00e3o, facilitando tamb\u00e9m a opera\u00e7\u00e3o de transvase de uma caldeira para outra com a ajuda de colheres grandes. Tamb\u00e9m optou por uma \u00fanica fornalha, mais econ\u00f3mica em combust\u00edvel, embora tivesse uma desvantagem: a fornalha, colocada sob a \u00faltima caldeira (a \u00abbateria\u00bb ou \u00abcozedura\u00bb), via, devido \u00e0 tiragem, a sua chama estender-se e aquecer \u00e0 frente, n\u00e3o a 5a caldeira, mas sim a 4a, o \u00abxarope\u00bb, que entrava em ebuli\u00e7\u00e3o antes da 5a e estragava a cozedura do a\u00e7\u00facar. Joseph Desbassayns remediou isso construindo um \u00abante-fogo\u00bb, colocado \u00e0 frente da 5a caldeira; realizou v\u00e1rias itera\u00e7\u00f5es para apurar a dist\u00e2ncia certa para o posicionar. Este dispositivo, que aumentava o comprimento da bateria e da conduta, enfraquecia a tiragem; assim, foi reativado diminuindo a largura das passagens entre as caldeiras. O pr\u00f3prio Joseph Desbassayns reconstruiu a sua bateria com base neste modelo. Assim nasceu uma tradi\u00e7\u00e3o de Bourbon, a que se chamou bateria \u00ab\u00e0 Adrienne\u00bb. A capacidade de observa\u00e7\u00e3o do nosso produtor de a\u00e7\u00facar resulta num empirismo que n\u00e3o deixa de ser eficaz. A sua correspond\u00eancia est\u00e1 repleta de outras inova\u00e7\u00f5es: assim, ele montou \u00abuma bateria com um novo plano\u00bb, experimentou \u00abnovas caixas para purgar o a\u00e7\u00facar\u00bb, utilizou \u00abcarv\u00e3o animal\u00bb, alterou o tamanho das suas caldeiras, aumentando-lhes o n\u00famero, etc.: ficamos com a impress\u00e3o de que nenhuma manipula\u00e7\u00e3o come\u00e7ava com as mesmas bases que a anterior e, mais ainda, que, numa mesma esta\u00e7\u00e3o, as disposi\u00e7\u00f5es podiam variar.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas anota\u00e7\u00f5es do di\u00e1rio de Lescouble<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.04969712460111775\" aria-label=\"Jean-Baptiste Renoyal de Lescouble (1776-1836), Journal d\u2019un colon de l\u2019\u00eele Bourbon, L\u2019Harmattan-\u00c9ditions du Tramail, tr\u00eas volumes, texto elaborado e apresentado pelo professor Norbert Dodille (\u2020), 1990. Respeit\u00e1mos a sua ortografia irregular em todas as suas cita\u00e7\u00f5es.\">&nbsp;<\/span> ecoam essa atividade que nunca cessa: \u00abEscrevi a J(ose)ph Desbassins, esta manh\u00e3, a respeito de uma experi\u00eancia sobre baterias de a\u00e7\u00facar. Ele respondeu-me que n\u00e3o estava a correr bem e convidou-me a ir a sua casa para conversarmos sobre o assunto\u00bb (1822); \u00abEsta noite, mais chuva. [Joseph] Desbassins enviou-me o seu fundidor ingl\u00eas para obter informa\u00e7\u00f5es sobre como fundir torneiras. Prometi-lhe que iria pessoalmente a sua casa para isso\u00bb (1827), etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem entrar em mais pormenores, apresentemos aqui a principal das suas f\u00e1bricas, a de Bel-Air, em Sainte-Suzanne.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c06fa66&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full image-zoom-interne wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1932\" height=\"1471\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Plan-du-mouillage-de-ste-Suzanne.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15896\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Plan-du-mouillage-de-ste-Suzanne.jpg 1932w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Plan-du-mouillage-de-ste-Suzanne-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Plan-du-mouillage-de-ste-Suzanne-1024x780.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Plan-du-mouillage-de-ste-Suzanne-768x585.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Plan-du-mouillage-de-ste-Suzanne-1536x1169.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Plano de ancoragem de Ste-Suzanne e da costa de Bois Rouge (Ilha da Reuni\u00e3o).<br>Levantamento realizado por M. Georges Clou\u00e9 e R. Le Blanc. 1845.<br>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. CP 694.<br>S\u00e3o indicadas duas f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar, incluindo a de Joseph Desbassayns<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Em terrenos que adquiriu desde 1812, Joseph Panon Desbassayns mandou construir, provavelmente na d\u00e9cada de 1820, uma f\u00e1brica cuja primeira men\u00e7\u00e3o data apenas de 1831. A filha, que a herdaria em 1850, teve de a ceder em 1879 a Denis-Andr\u00e9 de K\/V\u00e9guen.<br>O invent\u00e1rio elaborado ap\u00f3s a morte da esposa, em 1845, permite-nos reconstituir a planta e a descri\u00e7\u00e3o abaixo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c070611&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"931\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Plan-de-la-sucrerie-de-Bel-Air-en-1845-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16012\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Plan-de-la-sucrerie-de-Bel-Air-en-1845-2.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Plan-de-la-sucrerie-de-Bel-Air-en-1845-2-300x218.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Plan-de-la-sucrerie-de-Bel-Air-en-1845-2-1024x745.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Plan-de-la-sucrerie-de-Bel-Air-en-1845-2-768x559.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Planta da f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar de Bel-Air em 1845. Autor<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A f\u00e1brica de 1845 integrou os \u00faltimos avan\u00e7os t\u00e9cnicos, em particular os \u00abrotadores\u00bb ou \u00abcaldeiras de baixa temperatura\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3062097239610584\" aria-label=\"Inven\u00e7\u00e3o local de Wetzell que permite cozinhar o a\u00e7\u00facar \u00aba baixa temperatura\u00bb e evitar assim a carameliza\u00e7\u00e3o. Ver G\u00e9raud, J.-F., \u00abJoseph Martial Wetzell (1793-1857): une r\u00e9volution sucri\u00e8re oubli\u00e9e \u00e0 La R\u00e9union\u00bb, Revue Historique des Mascareignes, n.\u00ba 1, junho de 1998, AHIOI, p. 113-156.\">&nbsp;<\/span> de Wetzell. Este progresso permitiu a Joseph Desbassayns, na vanguarda do pensamento sobre a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, ligar dois edif\u00edcios anteriormente separados, o da bomba, ou moinho, e a purgadora. O edif\u00edcio dos rotadores, onde o a\u00e7\u00facar era agora cozido sem correr o risco de caramelizar, encontrava naturalmente o seu lugar l\u00f3gico entre os dois. Outra f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar, mais antiga (?), situava-se mais a sul, num edif\u00edcio bastante rudimentar: porventura a f\u00e1brica de xarope<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.19616017005173025\" aria-label=\"Onde se recoziam os xaropes que escorriam das formas, durante a purga\u00e7\u00e3o.\">&nbsp;<\/span>. O hangar de baga\u00e7o ficava afastado, para evitar que um eventual inc\u00eandio se propagasse ao resto das instala\u00e7\u00f5es. A leste, \u00e9 de assinalar a exist\u00eancia de um complexo composto por uma casa, um hospital, uma cozinha, uma forja, uma pris\u00e3o e um escrit\u00f3rio. O polo de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar era, portanto, espacialmente individualizado, e a inova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica foi um fator poderoso na evolu\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c071271&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1014\" height=\"538\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Fig-12-chaudiere-wetzell.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15904\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Fig-12-chaudiere-wetzell.jpg 1014w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Fig-12-chaudiere-wetzell-300x159.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Fig-12-chaudiere-wetzell-768x407.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fig. 12. &#8211; Caldeira Wetzell. Gravura. Em<em> Les merveilles de l&#8217;industrie ou, Description des principales industries modernes<\/em>, <br>Louis Giguer, Paris, Furne, Jouvet, 1873, vol. 2, p.47<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 escravatura, parece que Joseph a defendeu de modo ac\u00e9rrimo at\u00e9 \u00e0 sua aboli\u00e7\u00e3o. Como propriet\u00e1rio residente em Paris (desde 1845), esteve associado \u00e0 \u00abProtesta\u00e7\u00e3o apresentada \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados pelos colonos franceses\u00bb, de 8 de maio de 1847, que denunciava as raras e leves altera\u00e7\u00f5es propostas pelas leis Mackau dois anos antes e terminava com a exorta\u00e7\u00e3o, hoje embara\u00e7osa e inadequada, que Joseph certamente teria repetido: \u00abResta-nos o \u00faltimo recurso dos oprimidos; o direito de protestar e de nos queixarmos; o direito de vos dizer: A escravid\u00e3o dos brancos \u00e9 um mau prel\u00fadio para a emancipa\u00e7\u00e3o dos negros!\u00bb\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas algumas anota\u00e7\u00f5es, recolhidas aqui e al\u00e9m, permitem concluir que enquanto senhor ele n\u00e3o era melhor nem pior do que todos os outros da Reuni\u00e3o. Em 1818, encomenda a L\u00e9v\u00eaque, comerciante em Nantes, \u00abseis pe\u00e7as de tecido para cal\u00e7as para os negros, seis pe\u00e7as de tecido grosso com pequenas riscas para cal\u00e7\u00f5es e gal\u00f5es para os negros\u00bb; numa carta a Otard de Bord\u00e9us (agosto de 1819), ele pede \u00ab48 ferros de gal\u00e9s de uma polegada e uma polegada e meia de largura\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9507076093041148\" aria-label=\"C\u00f3pia da correspond\u00eancia de Joseph Desbassayns a v\u00e1rios comerciantes\u2026.\">&nbsp;<\/span>: considerados desumanos, esses instrumentos funestos foram condenados pela lei de 1845, mas muitos senhores continuaram a utiliz\u00e1-los at\u00e9 1848. Sabe-se tamb\u00e9m que, em 1820, importou vinho barato: \u00abEstes vinhos encorpados vendem-se muito bem aqui, porque os negros bebem muito\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.566082792391316\" aria-label=\"Ibidem.\">&nbsp;<\/span>. O procurador Massot indica que havia no seu estabelecimento uma das raras pris\u00f5es que considera estarem bem organizadas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9959368119410196\" aria-label=\"Rapport de patronage du procureur Massot au procureur Barbaroux, janvier 1847.\">&nbsp;<\/span>. Essas pris\u00f5es continham geralmente um catre com um bloco de madeira ou ferro na extremidade dos p\u00e9s e eram locais normalmente bem iluminados, mas nem sempre devidamente estanques. A precariedade dos edif\u00edcios, pouco resistentes, ami\u00fade improvisados em complemento de outros edif\u00edcios, era a regra. O mesmo ato de 1845, citado <em>acima<\/em>, indica que Joseph Desbassayns havia decorado as paredes internas de seu hospital da propriedade com gravuras edificantes e piedosas, sem d\u00favida com o objetivo paternalista de partilhar com os escravos as convic\u00e7\u00f5es religiosas que considerava adequadas, de modo a faz\u00ea-los aceitar um destino ign\u00f3bil e desumano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1848, a propriedade de Bel-Air registava 358 escravos: 154 crioulos, 148 cafres, 42 malgaxes, sete indianos ou malaios. Esta estrutura \u00e9tnica, semelhante \u00e0 de outras grandes propriedades a\u00e7ucareiras, evidencia a criouliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o servil. A propor\u00e7\u00e3o de mulheres, que n\u00e3o excedia 20%, era ligeiramente inferior \u00e0 m\u00e9dia desses mesmos estabelecimentos. Registava-se seis escravos fugitivos (h\u00e1 mais de vinte anos), ou seja, uma propor\u00e7\u00e3o de 1,7%, semelhante \u00e0 calculada para a \u00e9poca na nossa tese, e que mostra que a fuga dos escravos era ent\u00e3o um fen\u00f3meno residual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, aquando \u00e0 morte de Joseph em 1850, o n\u00famero de trabalhadores cresceu para 396 pessoas; das quais 196, ou seja, 49,5%, quase metade, eram alforriados que permaneceram na propriedade; a outra metade dos antigos escravos deixou o estabelecimento; os 200 trabalhadores restantes eram contratados, na sua maioria indianos, dos quais os primeiros (85) chegaram durante o primeiro trimestre de 1849. Esses n\u00fameros, que dispensam coment\u00e1rios, s\u00e3o id\u00eanticos aos de outras propriedades a\u00e7ucareiras. Vale a pena ressaltar que a propriedade deixou de funcionar em 1879.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A com\u00e9dia humana<\/h3>\n\n\n\n<p>O di\u00e1rio de Lescouble menciona frequentemente Joseph Desbassayns, que era seu parente e tamb\u00e9m vivia no nordeste da ilha. Um dos excertos trata da compra a Lescouble de um garanh\u00e3o por 430 piastras (1812). O diarista jantava ou almo\u00e7ava por vezes com ele, frequentemente na companhia seleta dos plantadores da vizinhan\u00e7a. Prestavam pequenos servi\u00e7os uns aos outros, como por exemplo quando Lescouble ajudou a pintar a sua casa, ou quando Joseph aceitou contratar o seu amigo Henri Geslin.<br>Ocasionalmente, o tom pode ser dram\u00e1tico, quando ele observa que \u00abo armaz\u00e9m e o estabelecimento de Jos(e)ph Desbassins em Ste-Suzanne, bem como a sua ponte, tudo foi destru\u00eddo de cima a baixo\u00bb por um \u00abvendaval\u00bb (ciclone) (1831). Ou mais descontra\u00eddo, quando trocavam boas garrafas de vinho<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8362815876026534\" aria-label=\"O invent\u00e1rio ap\u00f3s a morte de Joseph Desbassayns em 1850, al\u00e9m de 600 garrafas vazias, ainda avaliadas por serem caras, enumera 300 garrafas de Bordeaux tinto, 60 de branco e uma abund\u00e2ncia de copos de vidro, nomeadamente copos de champanhe.\">&nbsp;<\/span>; ou quando ele felicita Joseph, com o seu amigo Fr\u00e9on, pelo t\u00edtulo de bar\u00e3o concedido pelo rei e pela condecora\u00e7\u00e3o da Legi\u00e3o de Honra (1827). Algumas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais c\u00f3micas, quando Lescouble \u00abprovoca\u00bb Joseph sobre as suas numerosas \u00abdescobertas\u00bb relacionadas com o a\u00e7\u00facar: \u00abirritei-o um pouco com os seus m\u00e9todos e inven\u00e7\u00f5es, mas atualmente ele leva a brincadeira a bem\u00bb (1826). Elas tornam-se totalmente c\u00f3micas, por exemplo, durante o banquete de casamento entre Hippolyte F\u00e9ry e Tarsile Boyer, \u00abquando chegou a hora de cantar: Marcian cantou versos em que Josephe Desbassayns era tratado como pai, benfeitor e protetor dos crioulos; mas depois veio outra can\u00e7\u00e3o, t\u00e3o compassada quanto a outra, do Sr. H\u00e9ri, o professor, esta inteiramente dedicada ao bom Josephe, mas o seu elogio era t\u00e3o pronunciado e a bajula\u00e7\u00e3o t\u00e3o espantosa que o Sr. Josephe e a sua filha coraram at\u00e9 a ponta dos cabelos e mantiveram a cabe\u00e7a baixa enquanto durou a can\u00e7\u00e3o. Quanto a Josephe, ele engoliu tudo isso como se fosse um prato feito especialmente para ele\u00bb (1831). Ou quando Joseph conta \u00abos detalhes de um jantar oferecido pelo ingl\u00eas Keatings a ele, Fr\u00e9on, Montrose, F\u00e9ri, d&#8217;Ableville, etc., o que resultou numa historieta muito engra\u00e7ada. Aquele miser\u00e1vel camale\u00e3o serviu-lhes como sopa um pato assado duro como uma sola de sapato, uma pobre lebre em guisado, que ele confessou ter conseguido por acaso, mais um pat\u00ea cuja crosta preta e dura como ard\u00f3sia estava recheada com um peda\u00e7o de carne salgada que provavelmente trouxera da Irlanda aquando da conquista da ilha. Al\u00e9m disso, para os mais delicados, havia tr\u00eas pratos de batatas, um de beringela (vi\u00e8daze na Proven\u00e7a). Este prato foi colocado l\u00e1 como patrono do nobre general. Por fim, tudo isso era coroado por outro prato (ainda coberto) de palmito e um ar carrancudo e taciturno. \u00c9 poss\u00edvel imaginar tamanha travessura?\u00bb (1826).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c072206&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1061\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Marie-Antoinette-Camille_Panon_Desbassayns_vicomtesse_Jurien.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15908\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Marie-Antoinette-Camille_Panon_Desbassayns_vicomtesse_Jurien.jpg 1061w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Marie-Antoinette-Camille_Panon_Desbassayns_vicomtesse_Jurien-249x300.jpg 249w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Marie-Antoinette-Camille_Panon_Desbassayns_vicomtesse_Jurien-849x1024.jpg 849w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Marie-Antoinette-Camille_Panon_Desbassayns_vicomtesse_Jurien-768x927.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Retrato de Marie Antoinette-Camille Panon Desbassayns, viscondessa Jurien.<br>Paulin-Jean-Baptiste Gu\u00e9rin. \u00d3leo sobre tela.<br>Cole\u00e7\u00e3o particular<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Contudo, o homem estava gravemente doente. Porventura hipocondr\u00edaco, como muitos propriet\u00e1rios, a come\u00e7ar por Lescouble, que se automedicava com a \u00abmedicina Le Roy\u00bb, mas n\u00e3o deixava de zombar de Joseph: \u00abJoseph veio, n\u00e3o obstante o tempo, visitar-nos. Adotou o cloreto de s\u00f3dio que, segundo ele, o colocaria de p\u00e9 em seis meses. Agora \u00e9 sal esfregado nos pulsos; mais tarde ser\u00e1 \u00e9 pimenta e acabar\u00e1 comendo a salada toda. Enquanto isso, sem usar as pernas, corre por toda a parte [\u2026]. Na sua velha cadeira, carregada por dois negros sujos e nus e a ama atr\u00e1s, trazendo o metro de tecido como um casaco. Nogues deu-lhe not\u00edcias da sua filha, que viu em Paris. Nogues diz que \u00e9 alta e bem feita, mas um pouco contristada [\u2026] no car\u00e1ter. Podia ser pior. Al\u00e9m disso, Josephe pretende ir busc\u00e1-la ele pessoa no pr\u00f3ximo ano, pois, nessa altura, a salada t\u00ea-lo-\u00e1 tornado capaz de correr por todo o lado sobre as pernas [\u2026] da sua poltrona\u00bb (1827). O produtor de a\u00e7\u00facar sofre, de facto, da doen\u00e7a chamada \u00able barbiers\u00bb, descrita por m\u00e9dicos franceses, ingleses e holandeses, que, no s\u00e9culo XIX, assolou a ilha da Reuni\u00e3o, a \u00cdndia e outros locais. O Dr. Vinson, que se debru\u00e7ou longamente sobre ela, explica-a como \u00abuma doen\u00e7a grave, bastante dif\u00edcil de definir bem\u2026 caracterizada por febre, dores violentas nos membros, nos lombos e ao longo da coluna vertebral\u00bb. Na primeira fase, \u00aba paralisia que se manifesta afeta mais frequentemente os membros inferiores\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6886609684895916\" aria-label=\"Vinson, A. \u00ab Observations sur la maladie appel\u00e9e le Barbiers \u00e0 l\u2019\u00eele de La R\u00e9union \u00bb. Bulletin de la soci\u00e9t\u00e9 des Sciences et Arts de l\u2019\u00eele de La R\u00e9union. Ann\u00e9e 1869. A. Roussin \u00e9d. Saint-Denis (R\u00e9union).\">&nbsp;<\/span>. Antes dos 40 anos, totalmente privado do uso das pernas, Joseph Desbassayns s\u00f3 se deslocava em palanquim ou numa cadeira de bra\u00e7os, carregado por robustos Bambaras. Esta incapacidade n\u00e3o parece ter afetado em nada a sua atividade e dinamismo, sendo que o sobrinho \u00c9lie Pajot refere-se a ele como \u00abparalisado como estava foi descido, suspenso, por cordas, no meio de uma muralha, nas margens do rio Sainte-Suzanne, para determinar e indicar os pontos por onde deveria passar o canal, que conduziria a \u00e1gua necess\u00e1ria para as suas f\u00e1bricas\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6332068858293818\" aria-label=\"Pajot, \u00c9., Nota biogr\u00e1fica sobre o bar\u00e3o Joseph Desbassayns, op. cit.\">&nbsp;<\/span>. Para aliviar os seus sofrimentos e tentar curar-se, Joseph Desbassayns tentou tudo, em v\u00e3o, at\u00e9 mesmo o magnetismo que Lescouble, ali\u00e1s, denuncia: \u00ab\u2026 em Belle-Eau. L\u00e1, vi Jos\u00e8phe Desbassayns, que est\u00e1 totalmente louco com o magnetismo\u00bb (1829).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c072bc3&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"776\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lart_de_magnetiser_ou_Le_.Lafontaine_Charles_bpt6k9787970n.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15912\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lart_de_magnetiser_ou_Le_.Lafontaine_Charles_bpt6k9787970n.jpeg 776w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lart_de_magnetiser_ou_Le_.Lafontaine_Charles_bpt6k9787970n-182x300.jpeg 182w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lart_de_magnetiser_ou_Le_.Lafontaine_Charles_bpt6k9787970n-621x1024.jpeg 621w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lart_de_magnetiser_ou_Le_.Lafontaine_Charles_bpt6k9787970n-768x1267.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estado de insensibilidade e catalepsia. Gravura. Em <em>L&#8217;art de magn\u00e9tiser, ou Le magn\u00e9tisme animal consid\u00e9r\u00e9 sous le point de vue th\u00e9orique, pratique et th\u00e9rapeutique<\/em>, de Charles Lafontaine, Paris, G. Bailli\u00e8re, 1847, p\u00e1gina de capa.<br>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a, departamento de Ci\u00eancias e T\u00e9cnicas, 8-TB63-35<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Trata-se de uma das medicinas \u00abrevolucion\u00e1rias\u00bb (juntamente com a frenologia, a acupuntura e a homeopatia) que surgiram em Fran\u00e7a no final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcios do s\u00e9culo XIX, e que n\u00e3o podem ser associadas nem \u00e0s descobertas do s\u00e9culo XVII, nem \u00e0 filia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, como o animismo e o vitalismo. Esta foi, ali\u00e1s, uma das raz\u00f5es da \u00faltima viagem do produtor de a\u00e7\u00facar a Fran\u00e7a em 1845, logo ap\u00f3s a morte da sua esposa: os plantadores acreditavam que uma longa viagem mar\u00edtima e uma mudan\u00e7a de ar na \u00abmetr\u00f3pole\u00bb tinham virtudes curativas. Em Paris, Joseph, que n\u00e3o se curou, caiu sob a influ\u00eancia da \u00abson\u00e2mbula\u00bb, a m\u00e9dium Doralis, de quem Sigoyer falou nestes termos: \u00abO Sr. Joseph Desbassayns ainda vivia, sempre acompanhado pela famosa Doralis. A revolu\u00e7\u00e3o de 1848 fez com que deixasse Paris para ir para Londres\u2026 Quem era Doralis, perguntar-me-\u00e3o? Doralis era uma mulher astuta que, aproveitando-se da fraqueza do Sr. Joseph Desbassayns, fez com que ele a aceitasse como son\u00e2mbula em experi\u00eancias magn\u00e9ticas e soube dominar t\u00e3o bem a mente desse homem que, quando ele morreu, ela herdou metade de todos os seus bens, juntamente com Madame Jurien, sua \u00fanica filha\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5547042945383605\" aria-label=\"Pierre Amable de Bernardy de Sigoyer. Journal intime. Apresentado por Prosper \u00c8ve. \u00c9ditions Universitaires Europ\u00e9ennes.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O conservador<\/h3>\n\n\n\n<p>A famosa cadeira, mencionada v\u00e1rias vezes pela escritora Duxel Dagu\u00e8res<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.23894127377239016\" aria-label=\"Na s\u00e9rie \u00abCha\u00eenes \u00e0 Bourbon\u00bb, nomeadamente Baba sifon (3), La corde vide (4), Le prince des nu\u00e9es (6). Edi\u00e7\u00f5es Cic\u00e9ron.\">&nbsp;<\/span>, era tamb\u00e9m o s\u00edmbolo do conservadorismo de Joseph Desbassayns. Com tend\u00eancia para a modernidade em quest\u00f5es t\u00e9cnicas e agr\u00edcolas, era, contraditoriamente, um conservador ferrenho no campo da escravid\u00e3o \u2013 como vimos \u2013 e na pol\u00edtica. Lescouble menciona o epis\u00f3dio da cadeira, minimizando-o: \u00abNa segunda-feira de manh\u00e3, realizou-se o casamento do Sr. Jurien<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9043154634507594\" aria-label=\"Louis Charles Jurien de La Gravi\u00e8re (1797-1858), comiss\u00e1rio ordenador da Marinha em Bourbon, prefeito mar\u00edtimo de Rochefort (1840), marido (1831) de Camille Panon Desbassayns (1811-1878).\">&nbsp;<\/span>, nosso antigo administrador, e da Srta. Jos\u00e8phe Desbassayns<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5765817211553326\" aria-label=\"Trata-se de Camille Jurien de la Gravi\u00e8re, nascida Desbassayns, \u00abMaman Camille\u00bb (1811-1878), pr\u00f3xima do padre Lacordaire, de quem adota a condena\u00e7\u00e3o irrevog\u00e1vel da escravatura; utilizou parte da indemniza\u00e7\u00e3o paga ao pai para reconstruir o mosteiro de Prouilhe e financiar hosp\u00edcios, a instala\u00e7\u00e3o da casa-m\u00e3e das Irm\u00e3s Auxiliadoras das Almas do Purgat\u00f3rio em Paris, a constru\u00e7\u00e3o da igreja do semin\u00e1rio franc\u00eas de Roma e muitas outras obras piedosas. Tamb\u00e9m passou um ano num quarto do hospital da propriedade de Bel-Air, dedicando-se aos alforriados e contratados.\">&nbsp;<\/span>. Seguindo um antigo costume, os carregadores negros colocaram um len\u00e7o branco na cadeira de Jos\u00e8phe. Os mal-intencionados, sempre prontos para fazer ru\u00eddo, tomaram esse pano como pretexto e pararam o cortejo, gritando \u00abAbaixo os Desbassayns\u00bb, etc., e rasgaram o len\u00e7o. A conduta sensata e firme do Sr. Jurien logo p\u00f4s fim ao tumulto, e todos se retiraram. A festa de casamento foi realizada no Grand Hazier, na casa de Joseph\u00bb. Duchaillu<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.21598515331794343\" aria-label=\"Charles Alexis Duchaillu, contratado pela marinha, chega em 1820 a Bourbon, onde se estabelece como chapeleiro, tamb\u00e9m comercializava produtos tropicais e especiarias com a Europa, enriquecendo rapidamente. Casa-se com uma escrava alforriada (tamb\u00e9m chamada Livre de Cor), e integra-se na burguesia local que se op\u00f5e \u00e0 \u00aba\u00e7\u00facarcracia\u00bb. Foi acusado de praticar o tr\u00e1fico ilegal. Contou \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Saint-Denis a not\u00edcia da revolu\u00e7\u00e3o de 1830, foi preso e exilado em Saint-Paul. Teve que deixar Bourbon para se defender em Paris, mas foi indeferido. Regressa a Bourbon por tr\u00eas anos e, em 1843, instala-se como comerciante no Gab\u00e3o, onde falece em 1855. \u00c9 pai do explorador, ca\u00e7ador e naturalista franco-americano Paul Belloni Du Chaillu (1831-1903).\">&nbsp;<\/span> d\u00e1 uma vers\u00e3o um pouco diferente, que destaca a arrog\u00e2ncia do propriet\u00e1rio, mesmo depois da revolu\u00e7\u00e3o de 1830 e da substitui\u00e7\u00e3o da bandeira branca pela tricolor: \u00abEste casamento foi celebrado na capela do Governo, por um privil\u00e9gio muito especial, sem d\u00favida devido \u00e0 fam\u00edlia Desbassyns. O Sr. Joseph Desbassyns, no meio do cortejo que se dirigia \u00e0 igreja, apareceu num palanquim, com um dos seus negros a arvorar ao seu lado uma bandeira branca. Atravessou assim a cidade, provocando a indigna\u00e7\u00e3o geral\u2026 Este esc\u00e2ndalo reuniu um grande n\u00famero de cidad\u00e3os na pra\u00e7a. O Sr. Duchaillu estava l\u00e1, como muitos outros; arranjaram uma bandeira tricolor e, quando o cortejo saiu da capela, obrigaram Joseph Desbassyns a hastear essa bandeira na sua cadeira. O bom esp\u00edrito dos cidad\u00e3os levou-os a limitar-se a esse tipo de puni\u00e7\u00e3o\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.47858661525653645\" aria-label=\"Duchaillu, Charles-Alexis. De l'Ile Bourbon, depuis les premi\u00e8res nouvelles de la r\u00e9volution de juillet (27 octobre 1830). M\u00e9moire \u00e0 consulter pour M. Duchaillu, n\u00e9gociant \u00e0 Saint-Denis (\u00eele Bourbon), l'une des victimes de la faction contre-r\u00e9volutionnaire. Delaunay. Paris. 1832.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cadeira, que simboliza a doen\u00e7a de Joseph, remete para o magnetismo, que por sua vez remete para o conservadorismo\u2026 Difundido nas col\u00f3nias, o \u00abmesmerismo\u00bb, ou seja, o magnetismo, defendido por um certo n\u00famero de emigrantes alistados nos ex\u00e9rcitos contrarrevolucion\u00e1rios, torna-se posteriormente uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a doutrina da Santa Alian\u00e7a atrav\u00e9s de personagens como Joseph de Maistre<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.12178781518188198\" aria-label=\"Faure, O., \u00ab Le surgissement de m\u00e9decines \u201fr\u00e9volutionnaires\u02ee en France (fin XVIIIe-d\u00e9but XIXe si\u00e8cle) : magn\u00e9tisme, phr\u00e9nologie, acupuncture et hom\u00e9opathie \u00bb, Histoire, m\u00e9decine et sant\u00e9, 14 | 2019, pp. 29-45.\">&nbsp;<\/span>: embora n\u00e3o desprovido de um car\u00e1ter subversivo, o magnetismo nunca deixou de ser praticado por de Maistre, partid\u00e1rio de posi\u00e7\u00f5es ultrarrealistas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Joseph Desbassayns morre em Paris em 17 de abril de 1850, na sua resid\u00eancia no n\u00famero 14 da rue Taitbout<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9781036003186884\" aria-label=\"No bairro da Chauss\u00e9e d'Antin, onde ficava o famoso caf\u00e9 Tortoni e o pintor Isabey viveu at\u00e9 \u00e0 sua morte (1855).\">&nbsp;<\/span>. Foi enterrado longe da sua terra natal, no cemit\u00e9rio do P\u00e8re Lachaise, Divis\u00e3o 06, chemin Lebrun, 1.\u00aa linha. O t\u00famulo retangular ostenta a est\u00e1tua em m\u00e1rmore de uma mulher velada (sem d\u00favida a esposa, enterrada em 1855 com o filho Jules, 1816-1823), sentada no ch\u00e3o, com as m\u00e3os unidas e a cabe\u00e7a inclinada sobre o peito, numa atitude de profunda dor. \u00c0 sua direita, encontra-se uma coluna encimada por uma urna funer\u00e1ria parcialmente coberta por um drapeado que cai ao longo do fuste. O monumento encontra-se muito erodido, o rosto da mulher, deformado. Est\u00e1 assinado por \u00c9tienne Ricci de Florence, mas n\u00e3o datado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69e9d8c0738a6&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"673\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Pere-Lachaise_-_Division_6_-_Desbassayns_01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15916\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Pere-Lachaise_-_Division_6_-_Desbassayns_01.jpg 673w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Pere-Lachaise_-_Division_6_-_Desbassayns_01-158x300.jpg 158w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Pere-Lachaise_-_Division_6_-_Desbassayns_01-538x1024.jpg 538w\" sizes=\"auto, (max-width: 673px) 100vw, 673px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">T\u00famulo de Desbassayns. Pierre-Yves Beaudoin. 2012. Fotografia.<br>Cole\u00e7\u00e3o Cemit\u00e9rio do P\u00e8re Lachaise<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Joseph Desbassayns teve, tanto quanto podemos determinar, um destino contradit\u00f3rio. O de um homem apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, \u00e0s fidelidades e \u00e0s obedi\u00eancias do passado que as sucessivas revolu\u00e7\u00f5es em Fran\u00e7a tornaram obsoletas e praticamente sem sentido, mesmo que n\u00e3o as tivessem apagado completamente. Por outro lado, o de um homem que fomentou, atrav\u00e9s das suas escolhas culturais, t\u00e9cnicas e econ\u00f3micas, a \u00abtransforma\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00facar\u00bb da ilha Bourbon; operando a passagem efetiva deste territ\u00f3rio insular para a modernidade, transi\u00e7\u00e3o essa que inclui a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, que Joseph sem d\u00favida denunciou. A produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar em grande escala teve como efeito constituir a ind\u00fastria de Bourbon como uma ind\u00fastria tecnicamente independente e levar os seus promotores a assumir, de forma n\u00e3o deliberada, posi\u00e7\u00f5es que no fundo representavam uma determinada autonomia da col\u00f3nia. Nesta personagem, os imagin\u00e1rios pol\u00edtico e a\u00e7ucareiro opuseram-se, misturaram-se e enriqueceram-se mutuamente.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":15867,"parent":5028,"menu_order":60,"template":"","class_list":["post-16007","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/16007","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}