{"id":5023,"date":"2021-07-19T09:52:15","date_gmt":"2021-07-19T07:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5023"},"modified":"2022-05-17T13:52:11","modified_gmt":"2022-05-17T11:52:11","slug":"contexto-historico","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/uma-sociedade-de-plantacao\/contexto-historico\/contexto-historico\/","title":{"rendered":"A Companhia das \u00cdndias e de Bourbon"},"content":{"rendered":"<h2>Todas as na\u00e7\u00f5es europeias envolvidas no grande com\u00e9rcio mar\u00edtimo com a \u00cdndia e a China possuem instala\u00e7\u00f5es na vizinhan\u00e7a da \u00c1frica Austral. Os Portugueses est\u00e3o sediados em Mo\u00e7ambique, os Holandeses no cabo da Boa Esperan\u00e7a e nas Ilhas Maur\u00edcias, os Ingleses na ilha de Santa Helena e os Franceses em Bourbon.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5023-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/poster_haudrere.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/HAUDRERE_ST_PT.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/HAUDRERE_ST_PT.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/HAUDRERE_ST_PT.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Esta \u00e9 uma necessidade que resulta das condi\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o; os navios chegam a esta regi\u00e3o ap\u00f3s quatro a cinco meses de navega\u00e7\u00e3o e os homens precisam obrigatoriamente de uma renova\u00e7\u00e3o da sua alimenta\u00e7\u00e3o. O grande perigo desta longa travessia \u00e9 o aparecimento do escorbuto, uma doen\u00e7a epid\u00e9mica causada por uma car\u00eancia vitam\u00ednica, principalmente em vitamina C. O \u00fanico rem\u00e9dio conhecido \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de produtos alimentares recentemente colhidos e ricos em vitaminas. \u00c9 igualmente necess\u00e1rio renovar o aprovisionamento de \u00e1gua (5 litros por homem e por dia) e de madeira para cozinhar alimentos. Pode ainda ser necess\u00e1rio proceder a algumas repara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os Franceses percorrem pontualmente esta rota desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XVII e est\u00e3o habituados a atracar nas costas de Madag\u00e1scar onde encontram os v\u00edveres de que necessitam. Em 1642, Richelieu, com o objetivo de atribuir um car\u00e1cter permanente \u00e0s trocas entre a Fran\u00e7a e a \u00c1sia Oriental, funda a Companhia do Oriente, bem como o estabelecimento de Forte Delfim (assim batizado em homenagem ao jovem Lu\u00eds XIV) no sudeste de Madag\u00e1scar. Al\u00e9m disso, ordena a tomada da Ilha Mascarin, a que o governador Flacourt chama Bourbon, \u201cincapaz de encontrar um nome que melhor descreva a sua bondade e fertilidade\u201d, e que tinha permanecido, at\u00e9 \u00e0 data, livre de qualquer presen\u00e7a europeia visto que as suas costas n\u00e3o ofereciam abrigo natural.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1296\" aria-describedby=\"caption-attachment-1296\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/documentaires\/societe-de-plantation\/contexte-historique\/frb974115201_r02325_51\/\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1296\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1296 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FRB974115201_R02325_51.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"765\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FRB974115201_R02325_51.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FRB974115201_R02325_51-300x191.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FRB974115201_R02325_51-768x490.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FRB974115201_R02325_51-1024x653.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1296\" class=\"wp-caption-text\">A Ilha de Bourbon chamada Mascarenhas pelos portugueses. 1720. Leguat, Fran\u00e7ois (1638-1735). In \u201cVoyage et aventures de Fran\u00e7ois Leguat, &amp; de ses compagnons, en deux \u00eeles d\u00e9sertes des Indes orientales\u201d&#8230;, v. 1, p. 51.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sob o dom\u00ednio franc\u00eas, a ilha \u00e9 habitada, de modo irregular, por enfermos em repouso, bem como pessoas indesej\u00e1veis afastadas temporariamente de Forte Delfim. Em 1663, a pedido do Marechal de La Meilleraye, o principal acionista da Companhia, os administradores desta criam um posto militar porque: \u201c&#8230; este lugar \u00e9 muito saud\u00e1vel, muito f\u00e9rtil e possui muita abund\u00e2ncia em carne e peixe\u201d.<br \/>\nEm 1664, a Companhia do Oriente \u00e9 associada \u00e0 importante Companhia das \u00cdndias Orientais, fundada pelo controlador geral das finan\u00e7as Colbert, para rivalizar com a muito ativa Companhia holandesa com o mesmo nome. O ministro sonha em transformar o Forte Delfim em outra Batavia, um porto comercial ativo que sirva todo o oceano \u00cdndico, mas n\u00e3o consegue angariar o capital necess\u00e1rio, e o entreposto franc\u00eas desvanece. Em 1674, ap\u00f3s confrontos entre os malgaxes e os colonos, v\u00e1rios destes \u00faltimos s\u00e3o assassinados e os sobreviventes deixam o Forte Delfim para outros destinos, em especial Bourbon.<\/p>\n<p>A falta de dinheiro e a guerra quase permanente entre os Franceses e os Holandeses impediram o desenvolvimento da ilha. No in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, ap\u00f3s quarenta anos de exist\u00eancia, esta conta com 1 100 habitantes, muitos dos quais nasceram in loco, j\u00e1 que a ilha recebe muito poucos novos colonos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.0665561269611793\" aria-label=\"Descri\u00e7\u00e3o nas obras do Padre Jean Barassin: Bourbon des origines jusqu\u2019en 1714, Saint-Denis, 1953, e La vie quotidienne des colons de l\u2019\u00eele Bourbon \u00e0 la fin du r\u00e8gne de Louis XIV, 1700-1715, Saint-Denis, 2005.\">&nbsp;<\/span>. Apesar da abund\u00e2ncia de ca\u00e7a e fruta, os capit\u00e3es dos navios hesitam em lan\u00e7ar \u00e2ncora na ilha porque a explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola mal come\u00e7ou e a disponibilidade alimentar \u00e9 aleat\u00f3ria. Em quarenta anos, apenas dez navios provenientes de Fran\u00e7a e vinte de regresso atracam em Bourbon. A administra\u00e7\u00e3o da Companhia das \u00cdndias e os colonos, n\u00e3o t\u00eam a disponibilidade financeira, e tampouco a vontade de melhorar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>A instala\u00e7\u00e3o de piratas arrependidos<\/h3>\n<p>A mudan\u00e7a \u00e9 trazida pela instala\u00e7\u00e3o de piratas arrependidos. Na d\u00e9cada de 1685, a grande pirataria oriunda das ilhas da Am\u00e9rica tropical alcan\u00e7a o oceano \u00cdndico. Os piratas est\u00e3o a par do elevado valor dos carregamentos de metais preciosos transportados pelos navios europeus, que v\u00eam comprar produtos orientais, e procuram apoderar-se deles. No caminho fazem escalas para se refugiarem e reabastecerem nas costas de Madag\u00e1scar, idealmente situada na rota entre a Europa e a \u00c1sia; al\u00e9m do que nenhuma autoridade exerce justi\u00e7a nessas paragens. Para obter os produtos europeus de que carecem, os piratas, que possuem muito dinheiro, v\u00eam a Bourbon e s\u00e3o bem recebidos. Alguns s\u00e3o seduzidos pelas condi\u00e7\u00f5es da vida quotidiana e assentam definitivamente. J\u00e1 em 1687, o governador envia um pedido aos diretores da Companhia para a instala\u00e7\u00e3o de seis cors\u00e1rios holandeses arrependidos, pedido esse que foi aceite. Mais tarde, aos padres mission\u00e1rios que receiam que: \u201c&#8230; esses selvagens devastem a vinha do Senhor&#8221;, o governador Antoine Boucher responde: &#8220;N\u00e3o devem esquecer que os melhores habitantes de Bourbon eram piratas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.05808981979408534\" aria-label=\"BN Ms. NAF 9343, f\u00b0 185\">&nbsp;<\/span> \u201d.<\/p>\n<p>A pedido dos diretores da Companhia das \u00cdndias, o mesmo Antoine Boucher redige em 1710 <em>uma Nota para servir o conhecimento particular de cada um dos habitantes da Ilha Bourbon<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.27519967290558167\" aria-label=\"Ed. J. Barassin, Sainte-Clotilde, 2015.\">&nbsp;<\/span>, na qual d\u00e1 indica\u00e7\u00f5es precisas. Esses diretores s\u00e3o numerosos &#8211; 40 dos 121 chefes de fam\u00edlia, isto \u00e9, 48% dos habitantes; s\u00e3o ricos, assim sendo, o proven\u00e7al Jacques Siboalle pode dispor de 13 500 libras, o escoc\u00eas Rabin de 12 000 libras, o martinicano Jean Leroy de 8 400 libras, e usam esses fundos para comprar escravos e de seguida dar in\u00edcio ao arroteamento e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de uma propriedade; acima de tudo contribuem com um esp\u00edrito empreendedor cujo efeito \u00e9 decisivo.<\/p>\n<h3>&#8220;N\u00e3o se v\u00ea nada mais bonito do que as planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 que se multiplicam infinitamente.&#8221; Governador Beno\u00eet Dumas aos diretores, 1728<\/h3>\n<p>Esta nota \u00e9 a prova de um interesse renovado por parte da administra\u00e7\u00e3o da Companhia das \u00cdndias pelo desenvolvimento da ilha Bourbon, num momento em que a situa\u00e7\u00e3o financeira melhora, gra\u00e7as \u00e0 cess\u00e3o do monop\u00f3lio das rela\u00e7\u00f5es comerciais entre as \u00cdndias Orientais e a Fran\u00e7a a um grupo de armadores de Saint-Malo associados com o financeiro Crozat. Em dezembro de 1709, esta administra\u00e7\u00e3o nomeia Louis Boyvin d\u2019Hardancourt, filho do seu secret\u00e1rio-geral, \u201cComiss\u00e1rio-geral para a visita dos estabelecimentos da Companhia das \u00cdndias&#8230;\u201d a fim de dar-lhe um conhecimento \u201cmais preciso e seguro\u201d. Louis Boyvin fica em Bourbon de abril a setembro de 1711 e viaja por toda a ilha. No final da sua viagem apresenta duas propostas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.19333595185061248\" aria-label=\"Arquivos do Servi\u00e7o hist\u00f3rico de La D\u00e9fense A\/1\/2565, p\u00e1g. 109 a 142. \">&nbsp;<\/span> : 1.\u00aa \u201c<em>A impossibilidade de ter um porto na Ilha de Bourbon fez-me olhar para as Ilhas Maur\u00edcias, desertas e abandonadas pelos holandeses h\u00e1 muitos anos (1710) (que os holandeses deixaram em 1710). Considero que n\u00e3o h\u00e1 melhor que a Companhia das \u00cdndias de Fran\u00e7a possa fazer do que obter uma instala\u00e7\u00e3o s\u00f3lida para atracar os seus navios, onde ficar\u00e3o resguardados nos dois portos existentes. 2.\u00aa Nunca duvidei que a planta\u00e7\u00e3o de cafezeiros fosse bem sucedida nesta ilha. A prova est\u00e1 nas plantas de caf\u00e9 selvagens que encontrei no planalto por de tr\u00e1s de St. Paul..<\/em>.\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_185\" aria-describedby=\"caption-attachment-185\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1992-2-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-185 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1992-2-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"785\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1992-2-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1992-2-web-300x294.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1992-2-web-768x754.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-185\" class=\"wp-caption-text\">Mapa da Ilha Bourbon, anteriormente Mascarenha, usado em \u201cHistoire G\u00e9n\u00e9rale des Voyages\u201d, pelo Sr. Bellin Ingr. Ordem da Marinha. Jacques-Nicolas Bellin. S\u00e9culo XVIII.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estas duas propostas s\u00e3o aprovadas pela Companhia, pelo Conselho do Rei, e imediatamente implementadas. Um navio \u00e9 enviado \u00e0s Maur\u00edcias e toma posse da ilha rebatizando-a \u201cIlha de Fran\u00e7a\u201d; outro traz 60 cafezeiros de Moka e desembarca em Bourbon em setembro de 1715. Das 20 \u00e1rvores que resistiram \u00e0 travessia, apenas duas ganham raiz e geram a produ\u00e7\u00e3o do \u201c<em>Bourbon rond<\/em>\u201d. O cultivo da variedade local, \u201c<em>Bourbon pointu<\/em>\u201d, \u00e9 abandonado porque a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 irregular e o aroma pouco agrad\u00e1vel. Antoine Boucher, vice-governador e mais tarde governador da ilha tem por car\u00e1ter a impaci\u00eancia dos administradores e prossegue obstinadamente a implementa\u00e7\u00e3o da cultura<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7018480774357689\" aria-label=\"Albert Lougnon, L\u2019\u00eele Bourbon pendant la R\u00e9gence. Desforges-Boucher, les d\u00e9buts du caf\u00e9, Paris, 1957. Todas as medidas de peso s\u00e3o expressas em libras francesas peso de marcos, equivalendo a 489,50 gramas do nosso sistema m\u00e9trico. \">&nbsp;<\/span>. O primeiro carregamento \u2013 3 400 libras &#8211; \u00e9 enviado em 1724 e, de seguida, segue-se um crescimento exponencial, com 100 000 libras em 1727 \u2013 \u201c<em>Por fim, esta planta\u00e7\u00e3o teve \u00eaxito e a Companhia tem agora de esperar por colheitas mais abundantes para compensar todas as despesas que j\u00e1 efetuou<\/em>\u201d, escrevem os diretores, ap\u00f3s receberem 900 000 libras em 1734 &#8211; em 1740 recebem 1 500 000 libras, em 1744 2 500 000 libras e, ap\u00f3s essa data, uma produ\u00e7\u00e3o anual de 2 milh\u00f5es a 2,5 milh\u00f5es de libras.<br \/>\nToda a plan\u00edcie costeira de Bourbon \u00e9 gradualmente transformada por colonizadores a partir de Saint-Paul e Saint-Denis. As par\u00f3quias de Saint-Louis e Sainte-Suzanne s\u00e3o fundadas em 1728, Sainte-Marie em 1733, Saint-Beno\u00eet em 1734, Saint-Pierre em 1735 e Saint-Andr\u00e9 em 1740.<\/p>\n<figure id=\"attachment_187\" aria-describedby=\"caption-attachment-187\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-vue-bourg-st-denis-v-1740-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-187 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-vue-bourg-st-denis-v-1740-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-vue-bourg-st-denis-v-1740-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-vue-bourg-st-denis-v-1740-web-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-vue-bourg-st-denis-v-1740-web-768x538.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-187\" class=\"wp-caption-text\">Vista da ba\u00eda e do burgo de St. Denis na Ilha Mascarenha. 16..-17&#8230;<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o transforma a paisagem. Na costa, os agrimensores delimitam os \u201cpassos da Companhia\u201d. Trata-se de uma faixa de terra de 50 passos, isto \u00e9, cerca de 80 metros, delimitada com &#8220;madeira vertical&#8221; com o intuito de apoiar a defesa em caso de desembarque inimigo. O resto do terreno, a partir desta reserva at\u00e9 ao p\u00e9 da \u201cmuralha\u201d, limite exterior da zona montanhosa, est\u00e1 dividido em \u201cconcess\u00f5es\u201d. S\u00e3o faixas bastante estreitas &#8211; de 25 a 125 metros &#8211; mas muito longas, por vezes com v\u00e1rios quil\u00f3metros de comprimento por corresponderem \u00e0 dist\u00e2ncia entre duas ravinas. A \u00e1rea \u00e9 muito vari\u00e1vel, sobretudo que desde 1732, nas \u00e1reas rec\u00e9m-abertas ao cultivo, os agrimensores, a pedido da Companhia, tra\u00e7am quatro linhas paralelas \u00e0 costa e aos passos da Companhia, a 100, 200, 400 e 600 metros (muitas vezes ainda marcados na divis\u00e3o parcelar atual porque formam limites de propriedade seguidos por caminhos), com vista a criar pequenas concess\u00f5es.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_189\" aria-describedby=\"caption-attachment-189\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-cartier-st-paul-champion-v-1720-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-189 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-cartier-st-paul-champion-v-1720-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"550\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-cartier-st-paul-champion-v-1720-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-cartier-st-paul-champion-v-1720-web-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-cartier-st-paul-champion-v-1720-web-768x528.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-189\" class=\"wp-caption-text\">Mapa do burgo de St. Paul na Ilha Bourbon. \u00c9tienne de Champion. [17..].<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>O estudo realizado por Jean Defos du Rau sobre as dimens\u00f5es das propriedades nos recenseamentos de 1773 a 1778, d\u00e1 uma ideia da sua dimens\u00e3o: 26,2% deles t\u00eam menos de 5 hectares; 10% de 5 a 10 hectares; 40,1% de 10 a 20 hectares; 21,2% de 20 a 100 hectares; 2,5% acima de 100 hectares<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7216012674869818\" aria-label=\"Jean Defos du Rau, L\u2019\u00eele de la R\u00e9union. Etude de g\u00e9ographie humaine, Bordeaux, 1960, p\u00e1g. 181-189 \">&nbsp;<\/span> . As grandes propriedades, ou seja, com mais de 2500 hectares, s\u00e3o raras e resultam sempre da fus\u00e3o de v\u00e1rias concess\u00f5es separadas entre si.<\/p>\n<h3>\u201cAquilo que serve os seus prazeres est\u00e1 molhado com as nossas l\u00e1grimas\u201d J.-M. Moreau, dito O Jovem<\/h3>\n<p>As terra s\u00e3o arroteadas e cultivadas por escravos cada vez mais numerosos. Quando a Companhia das \u00cdndias foi fundada em 1664, a monarquia proibiu a escravatura: \u201c\u00c9 expressamente proibido vender qualquer habitante origin\u00e1rio do pa\u00eds como escravo sob pena de vida; ordena-se a todos os franceses que os alugam ou os ret\u00eam ao seu servi\u00e7o para que os tratem humanamente, sem os molestar ou insultar, sob pena de castigos corporais caso haja tal coisa<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4277883396143989\" aria-label=\"Recueil ou collection des titres \u2026 concernant la Compagnie des Indes \u2026 par le sieur Dernis, Paris, 1755, t. 1, p\u00e1g. 88-90. \">&nbsp;<\/span>\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, os \u201cdom\u00e9sticos\u201d mencionados nos primeiros recenseamentos parecem ter condi\u00e7\u00f5es de vida pr\u00f3ximas das dos escravos. A palavra \u201cescravo\u201d surge em 1690 em correspond\u00eancia oficial, e em 1713-1714 nos recenseamentos. Com o desenvolvimento da cultura do caf\u00e9, a administra\u00e7\u00e3o da Companhia pede ao rei um texto regulamentar para organizar a escravatura nas ilhas do oceano \u00cdndico. Este \u00e9 publicado em dezembro de 1723, e inspirado em grande parte pelo \u201cCode noir\u201d (C\u00f3digo negro) de 1685 destinado \u00e0s ilhas da Am\u00e9rica<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5737062696096699\" aria-label=\"Id.3, 604-618. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>A partir dessa data, a Companhia organiza expedi\u00e7\u00f5es comerciais anuais e vende os escravos aos propriet\u00e1rios das concess\u00f5es. Em 1723 havia cerca de 600 escravos para uma popula\u00e7\u00e3o total de 1 200 pessoas. Em 1730 havia 4 000, ou seja, mais de 80% de uma popula\u00e7\u00e3o total de 4 800 pessoas. A mesma percentagem \u00e9 registada ao longo do resto do s\u00e9culo XVIII, com 8 000 escravos para uma popula\u00e7\u00e3o de 10 000 habitantes em 1740; 11 000 escravos por 13 500 habitantes em 1750; e 15 800 por 20 000 em 1764.<\/p>\n<p>A maioria destes escravos s\u00e3o origin\u00e1rios de Madag\u00e1scar (64% em 1735). A Companhia mant\u00e9m ali um posto com um alto funcion\u00e1rio permanente, em Foulepointe, a norte do atual porto de Tamatave, e prefere os cativos oriundos daquela ilha devido ao menor n\u00famero de mortes durante a travessia (pr\u00f3ximo da dos europeus com 12%, contra 21% no caso de viagens a partir da costa leste de \u00c1frica), n\u00e3o obstante o facto de os colonos recearem que estes roubem uma canoa e tentem regressar ao seu pa\u00eds natal. Durante a segunda metade do s\u00e9culo XVIII, os crioulos formam gradualmente uma minoria significativa (mais de 30% em 1762). H\u00e1 poucos escravos de origem indiana &#8211; sempre menos de 5% &#8211; com uma hesita\u00e7\u00e3o frequente sobre o estatuto entre escravo e artes\u00e3o livre. Quase n\u00e3o h\u00e1 concess\u00f5es de alforria porque a administra\u00e7\u00e3o da Companhia \u00e9 desfavor\u00e1vel a isso.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es da vida quotidiana s\u00e3o organizadas pelo \u00e9dito de 1723. Tal como nas Antilhas, o escravo \u00e9 um \u201cbem mobili\u00e1rio\u201d, julgado como incapaz perante o tribunal e n\u00e3o usufruindo do direito de propriedade exceto o de um \u201cpec\u00falio\u201d. O propriet\u00e1rio \u00e9 respons\u00e1vel pelas a\u00e7\u00f5es do seu escravo e deve-lhe prote\u00e7\u00e3o e comida. A quantidade di\u00e1ria de alimentos \u00e9 fixada pelo \u00e9dito a uma libra e meia de arroz para um homem, uma libra para uma mulher; ao passo que o escravo idoso ou aleijado deve ser mantido pelo mestre. Deve receber instru\u00e7\u00e3o religiosa e n\u00e3o pode ser obrigado a trabalhar aos domingos e feriados. \u00c9 proibido vender o marido, a mulher e os filhos separadamente. O direito de corre\u00e7\u00e3o limita-se \u00e0 flagela\u00e7\u00e3o, por\u00e9m s\u00e3o previstas san\u00e7\u00f5es muito severas no caso de roubo, aglomera\u00e7\u00e3o e fuga.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil entender as condi\u00e7\u00f5es reais da vida quotidiana atrav\u00e9s destas no\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. O texto seguinte, de um propriet\u00e1rio denunciado pela sua severidade, pode dar-nos uma ideia:<em><br \/>\n\u201cRegulamento dos negros do Sr. Desruisseaux. Artigo 1.\u00b0 Os negros que andem pelas noites sem a permiss\u00e3o do mestre ou daquele que o representa dormir\u00e3o, ap\u00f3s a primeira vez, uma noite no bloco, 8 dias aquando da segunda vez, um m\u00eas aquando da terceira e ser\u00e3o amarrados \u00e0 corrente durante um m\u00eas no seguimento da quarta vez.<br \/>\nArtigo 2\u00ba. Aqueles que forem apanhados a roubar os vizinhos ou na propriedade do senhor, dormir\u00e3o, aquando da primeira vez 8 dias no bloco, 15 dias da segunda vez, e permanecer\u00e3o 14 dias amarrados \u00e0s correntes aquando da terceira vez.<br \/>\nArtigo 3\u00ba. Aqueles que tentarem fugir ser\u00e3o punidos com 30 chicotadas aquando da primeira vez, amarrados \u00e0s correntes durante 15 dias e dormir\u00e3o um m\u00eas no bloco aquando da segunda vez.<br \/>\n<\/em><em>Artigo 4\u00ba. Todos os negros que pratiquem uma esp\u00e9cie de com\u00e9rcio com os seus camaradas, vendam ou comprem algo sem a permiss\u00e3o do senhor, ser\u00e3o punidos com 30 chicotadas.<\/em><br \/>\n<em>Artigo 5\u00ba. Nenhum negro, nem sequer o chefe, dormir\u00e1 fora sem o aval do senhor, seja qual for o motivo. Aqueles que quiserem dormir fora depois do trabalho notificar\u00e3o o senhor ou o seu representante, sob pena de 20 chicotadas aquando da primeira vez.<\/em><br \/>\n<em>Artigo 6\u00ba. Os meus negros n\u00e3o admitir\u00e3o negros estranhos na habita\u00e7\u00e3o ou na sua sanzala sem avisar o senhor.<\/em><br \/>\n<em>Artigo 7\u00ba. Todos os guardas que surpreendam ladr\u00f5es na minha casa ser\u00e3o recompensados. Se for um fugitivo, a captura ser\u00e1 para eles.<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5743441658520888\" aria-label=\"AN SOM Colonies E 1, f\u00b0 596. Jean-Mathieu Advisse-Desruisseaux, oficial dos navios da Companhia das \u00cdndias, filho de um negociante de Vannes, correspondante da Companhia neste porte, marido de uma crioula propriet\u00e1ria de duas concess\u00f5es de um total de cerca de 110 hectares na par\u00f3quia de Sainte-Marie. A propriedade \u00e9 cultivada por 40 escravos e nela produz anualmente 60 balas de caf\u00e9, 6 000 libras de arroz, 70 000 libras de milho, 16 000 libras de legumes; e cria 40 porcos e 4 cabritos. Segundo J. Defos du Rau, Op. cit., p\u00e1g. 186.\">&nbsp;<\/span>\u201d<\/p>\n<p>O \u201cmarronnage\u201d (fuga de escravos) existe apesar das san\u00e7\u00f5es, especialmente porque \u00e9 facilitado pelo terreno acidentado dos \u201ccimos\u201d. O n\u00famero de escravos fugitivos \u00e9 dif\u00edcil de estimar porque muitos regressam \u00e0 concess\u00e3o ap\u00f3s alguns dias de liberdade; o governador La Bourdonnais estima-os em 200, em 1735. \u00c0s vezes formam bandos armados e v\u00e3o at\u00e9 \u00e0 costa em busca de ferramentas, armas e mulheres. Por vezes, os colonos s\u00e3o assassinados ao depararem-se com eles e tentarem opor-se \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es, como o cavaleiro de Brossard em 1732 e Fran\u00e7ois Moy em 1737. No rescaldo destes assassinatos, os colonos formam mil\u00edcias sob o comando dos capit\u00e3es distritais, geralmente ex-oficiais do ex\u00e9rcito da Companhia, e organizam batidas nas terras altas para capturar os fugitivos e destruir os seus acampamentos. S\u00e3o bem sucedidos e o perigo de fuga parece ter diminu\u00eddo consideravelmente na segunda metade do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Todavia, as dificuldades dos cativos n\u00e3o devem ser exageradas. A esperan\u00e7a de vida dos escravos de Bourbon \u00e9 superior &#8211; mais de metade dos homens t\u00eam mais de 40 anos em 1765 \u2013 \u00e0 da dos escravos das ilhas da Am\u00e9rica. Na primeira metade do s\u00e9culo XVIII, pelo menos a vida familiar parece ser generalizada (mais de 80% dos nascimentos de escravos s\u00e3o de pais conhecidos na par\u00f3quia de Saint-Paul) e este \u00e9 um bom indicador de estabilidade; \u00e9 poss\u00edvel, no entanto, que tenha sido menos frequente na segunda metade do s\u00e9culo XVIII devido \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n<h3>Fortunas e infort\u00fanios de caf\u00e9<\/h3>\n<p>Com o cultivo do caf\u00e9 o n\u00famero de colonizadores aumenta e \u00e9 proporcional ao sucesso das planta\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s um modesto crescimento de 600 a 800 colonos de 1720 para 1730, este valor passa para 2 000 em 1740 e 2 500 em 1750, e a tend\u00eancia prossegue \u00e0 mesma cad\u00eancia elevada at\u00e9 atingir 4 000 colonos em 1764.<\/p>\n<p>Quarenta por cento destes colonos s\u00e3o empregados ou ex-empregados da Companhia das \u00cdndias, tanto dos escrit\u00f3rios como do ex\u00e9rcito. Al\u00e9m disso, os nobres s\u00e3o mais numerosos em Bourbon do que nas prov\u00edncias da metr\u00f3pole. Na ocasi\u00e3o do recenseamento de 1776 conta-se 6 000 brancos divididos entre 700 fam\u00edlias vindas da Europa, das quais 35 dessas s\u00e3o qualificados de escudeiros ou cavaleiros, uma percentagem de cerca de 5%, substancialmente superior \u00e0 dos nobres da sociedade da metr\u00f3pole. S\u00e3o os benjamins de fam\u00edlias nobres que procuram beneficiar de um sal\u00e1rio pago regularmente pela Companhia das \u00cdndias &#8211; um servi\u00e7o vizinho do da monarquia &#8211; e a partir de 1766 pelo pr\u00f3prio soberano, explorando, ao mesmo tempo, uma propriedade.<\/p>\n<p>\u201c<em>S\u00f3 se vem \u00e0 \u00cdndia para fazer neg\u00f3cios\u201d, escreve o governador La Bourdonnais num breve comunicado enviado ao ministro das Finan\u00e7as, \u201ca opini\u00e3o contr\u00e1ria n\u00e3o pode ser exigida por n\u00e3o ser natural<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.00017901533941488967\" aria-label=\"M\u00e9moire des \u00eeles \u2026, \u00e9d. A. Lougnon, Saint-Denis, 1937, p\u00e1g. 70\">&nbsp;<\/span>\u201d. Os colonos desejam fazer fortuna, alguns alcan\u00e7ando-a com talento, como o governador Beno\u00eet Dumas. Quando foi enviado para as ilhas em 1727, os diretores-gerais emitiram a seguinte ordem: \u201c<em>O Sr. Dumas testemunhou \u00e0 Companhia a sua inten\u00e7\u00e3o de formar propriedades por sua conta, a Companhia ordena que lhe sejam concedidas (a ele) terras que ainda n\u00e3o foram atribu\u00eddas, um terreno na ilha de Bourbon com caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s daquele que foi concedido ao falecido Sr. Boucher, nos mesmos termos e foros que os dos outros habitantes<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3620250502035266\" aria-label=\"AN SOM Col. C\/3\/5, f\u00b0 14 v\u00b0 \">&nbsp;<\/span>\u201d. Dumas tamb\u00e9m adquire 20 000 libras em terras em curso de arroteamento, terras \u00e0s quais os concession\u00e1rios tinham renunciado, e compra, de 1727 a 1732, 143 escravos por 50 000 libras, num total de 70 000 libras. Revende o conjunto em 1735, ao ser nomeado governador de Pondicherry, por 150 000 libras. Duplicou, portanto, a sua fortuna em menos de oito anos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.1700281232096823\" aria-label=\"A. Lougnon, Recueil trimestriel de documents \u2026, 1941, 1943, 1944, 1945. \">&nbsp;<\/span>. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel, como observa um not\u00e1rio em 1756: \u201c<em>\u00c9 do conhecimento geral que os bens im\u00f3veis explorados nesta ilha&#8230; geram (anualmente) mais de dez por cento<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5445730049352017\" aria-label=\"AN SOM Notaires 12\/3\/14 \">&nbsp;<\/span><\/em>\u201d, enquanto o rendimento na metr\u00f3pole \u00e9 de cerca de 5%.<br \/>\nCom exce\u00e7\u00e3o daqueles que casam com uma rica propriet\u00e1ria crioula (geralmente dez a quinze anos mais nova do que eles) a principal dificuldade \u00e9 o endividamento. A concess\u00e3o \u00e9 gratuita, mas \u00e9 necess\u00e1rio dispor de capital para comprar escravos, que s\u00e3o onerosos, e dar in\u00edcio \u00e0 produtividade ao fim de tr\u00eas anos, de acordo com os regulamentos. Assim, em 1737, o oficial Balmane de Montigny \u00e9 preso (e morre) por n\u00e3o ter conseguido saldar uma d\u00edvida contra\u00edda para a compra de 20 escravos; em 1747, o oficial Denis d&#8217;Acqueville morre ap\u00f3s dois anos de perman\u00eancia quando havia acabado de obter uma concess\u00e3o e comprado 29 escravos, deixando um passivo de 17 819 libras por um ativo de 13 245 libras; em 1744, o alto funcion\u00e1rio Joseph Dacian morre, ao cabo de quatro anos de resid\u00eancia, deixando uma fortuna de 9 821 libras e uma d\u00edvida de 5527 libras, ou seja, 56% do ativo; no mesmo ano, o alto funcion\u00e1rio Fran\u00e7ois Mathieu morre, ap\u00f3s dez anos de resid\u00eancia, com um patrim\u00f3nio de 23 332 libras e um passivo de 15 878 libras, o equivalente a um endividamento de 68%<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.22018313361722264\" aria-label=\"Philippe Haudr\u00e8re, La Compagnie fran\u00e7aise des Indes au XVIIIe si\u00e8cle, Paris, 2005, t. 2, p\u00e1g. 604-634.\">&nbsp;<\/span>. Por\u00e9m, h\u00e1 grandes \u00eaxitos, como o de Fran\u00e7ois Bertin, antigo comandante da ilha, que adquire um cargo de secret\u00e1rio do rei por 105 000 libras ao regressar \u00e0 metr\u00f3pole em 1767, mas em geral, as fortunas daqueles que t\u00eam sucesso ascendem a 10 000 a 20 000 libras; estas permitem-lhes viver adequadamente em Bourbon, contudo muito modestamente na metr\u00f3pole.<\/p>\n<p>No geral, as fortunas dos colonos diminuem durante o s\u00e9culo XVIII. Uma das principais causas \u00e9 a queda do pre\u00e7o do caf\u00e9 Bourbon. Em agosto de 1723, a Companhia recebe o privil\u00e9gio exclusivo da venda de caf\u00e9 em Fran\u00e7a e anuncia a Bourbon que \u201ctornando-se o objeto cada vez mais consider\u00e1vel\u201d receber\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o da ilha a 10 solos por libra<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.15136791580347309\" aria-label=\"AN SOM Colonies C\/3\/5, pi\u00e8ce 8 ; Dernis, Recueil \u2026, t. 3, p\u00e1g. 551.\">&nbsp;<\/span>.\u00a0Todavia, o seu privil\u00e9gio \u00e9 duplamente contestado. Primeiro pelas cargas de Moka desembarcadas em Marselha; em teoria, este porto franco \u00e9 separado do resto do reino por uma barreira aduaneira, mas esta \u00e9 ineficiente e o contrabando \u00e9 consider\u00e1vel. De seguida, devido ao aumento da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 das Antilhas que \u00e9 aclimatizado a partir de 1721, apesar da hostilidade dos diretores da Companhia que tentam impedir o envio de plantas de Moka para a Am\u00e9rica. Em junho de 1729, obtiveram uma ordem do Secret\u00e1rio de Estado da Marinha aos administradores das Antilhas para ali proibir o cultivo de caf\u00e9, mas os plantadores n\u00e3o levam isso em considera\u00e7\u00e3o, especialmente porque o seu caf\u00e9 \u00e9 bem escoado no resto da Europa. Em 1732, o tr\u00e2nsito do caf\u00e9 das col\u00f3nias americanas \u00e9 autorizado pela Fran\u00e7a; em 1736, \u00e9-lhe autorizada a entrada no reino. Como consequ\u00eancia, o caf\u00e9 Bourbon, que tem de percorrer 2 600 l\u00e9guas para chegar a Fran\u00e7a, entra em concorr\u00eancia com o das Antilhas, que prov\u00e9m de apenas 1200 l\u00e9guas de dist\u00e2ncia. Al\u00e9m disso, os holandeses desenvolvem o cultivo de caf\u00e9 na sua col\u00f3nia de Java e a sua produ\u00e7\u00e3o inunda os mercados do Norte da Europa. Como resultado, a Companhia reduz o pre\u00e7o de compra a Bourbon para 8 solos por libra em 1730, 5 solos em 1732, 4 solos em 1744 e 3 solos em 1745. E \u00e0 \u00e9poca, alega vend\u00ea-lo a 11 ou 12 solos na metr\u00f3pole apesar do frete custar 6 solos.<\/p>\n<p>Os rendimentos dos colonos s\u00e3o afetados por esta diminui\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de compra. Al\u00e9m disso, os cafezeiros est\u00e3o sujeitos a riscos naturais que provocam uma redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel da colheita, como um furac\u00e3o em 1732, uma invas\u00e3o de pulg\u00f5es de 1747 a 1749, etc.<\/p>\n<p>Ademais, a divis\u00e3o equitativa das heran\u00e7as das concess\u00f5es entre os herdeiros, de acordo com o costume de Paris em vigor nas col\u00f3nias francesas, leva a uma fragmenta\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel \u00e0 explora\u00e7\u00e3o das terras. As parcelas divididas em um ou dois campos cultivados, ao longo de um comprimento substancial, tornam-se corredores imposs\u00edveis de cultivar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.912526425506871\" aria-label=\"Segundo um coment\u00e1rio de Yves P\u00e9rotin.\">&nbsp;<\/span>. O resultado \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o dos \u201c<em>pequenos brancos<\/em>\u201d: em 1735, um homem branco em cada 57 vive sem escravos ou com apenas um ou dois escravos, ou seja, na mis\u00e9ria; em 1779, 10 brancos vivem nestas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O aumento da pobreza \u00e9 um pouco abrandado pelo desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para o reabastecimento de tripula\u00e7\u00f5es, uma necessidade regularmente recordada pela administra\u00e7\u00e3o da Companhia. Nas d\u00e9cadas de 1720 e 1730 esta prescri\u00e7\u00e3o raramente foi seguida, como narra um oficial da Marinha em 1734 durante uma escala: \u201c<em>Pensamos apenas no caf\u00e9 e por isso parece que nos esquecemos de n\u00f3s pr\u00f3prios j\u00e1 que a maioria dos habitantes, apenas preocupados com a sua cultura, n\u00e3o t\u00eam os meios, aquando da chegada dos navios, para fornecer os v\u00edveres que se tornam cada vez mais raros<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6525927980449017\" aria-label=\"Col\u00f3nias SOM C\/2\/75, f 78\">&nbsp;<\/span>\u201d. La Bourdonnais, que chega ao governo das ilhas em 1735, reage contra esta tend\u00eancia, narrando: \u201c&#8230; <em>quase pateticamente aos habitantes, pois a Companhia tinha estabelecido esta ilha apenas para fornecer v\u00edveres aos seus navios<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.25655534519009826\" aria-label=\"M\u00e9moire des \u00eele..., p\u00e1g. 131.\">&nbsp;<\/span>\u201d.E \u00e9 escutado: no final do seu mandato, Bourbon produz 5 500 quintais de trigo, 9 000 quintais de arroz, 40 000 quintais de milho e, simultaneamente, o conselho governamental da ilha observa: \u201c<em>Enquanto a guerra (da Sucess\u00e3o Austr\u00edaca) durou, a ilha de Fran\u00e7a retirou-nos subs\u00eddios consider\u00e1veis em gr\u00e3os e certamente n\u00e3o teria sido capaz de sustentar a grande quantidade de navios que tinha no seu porto, se n\u00e3o tivesse encontrado aqui trigo e milho<\/em>&#8230;<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.907473321844304\" aria-label=\"Correspondance du conseil \u2026 de Bourbon et de la Compagnie\u2026, t. 5, p\u00e1g. 30 \">&nbsp;<\/span>\u201d. Por conseguinte, o essencial \u00e9 fornecido, contudo o fornecimento de arroz e de carne de vaca salgada de Madag\u00e1scar continua a ser necess\u00e1rio.<\/p>\n<h3>A explora\u00e7\u00e3o de Bourbon pela Companhia das \u00cdndias<\/h3>\n<p>Em 1764, quando o governo considerou colocar as ilhas sob a autoridade direta da monarquia, os diretores da Companhia das \u00cdndias afirmaram: \u201cAs ilhas custaram aos acionistas cinquenta milh\u00f5es e os colonos devem \u00e0 Companhia toda a sua riqueza\u201d. Com efeito, a Companhia concede empr\u00e9stimos aos habitantes para lhes permitir comprar escravos e iniciar a explora\u00e7\u00e3o; os juros acumulados sobre estes empr\u00e9stimos &#8211; reembolsados em caf\u00e9 &#8211; devem, naturalmente, fazer parte das despesas da Companhia. Desde 1722, esta \u00faltima manteve um ex\u00e9rcito de 150 homens para a guarda e a pol\u00edcia da ilha e comprometeu-se a pagar um sal\u00e1rio aos administradores civis. Estas despesas s\u00e3o amplamente compensadas, por um lado, pelas receitas da venda dos escravos transportados pelos navios da Companhia e da venda de caf\u00e9 na metr\u00f3pole; por outro lado, de acordo com a portaria de 23 de abril de 1723, a Companhia vende aos colonos mercadorias europeias (ou asi\u00e1ticas) com um lucro de 100%, depois de 125% e mais tarde de 150% do pre\u00e7o da fatura. No caso dos vinhos e bebidas espirituosas este lucro \u00e9 de 200 a 300%. Esta receita, conforme ao princ\u00edpio de exclusividade, \u00e9 a principal fonte de rendimentos da Companhia. A isto deve-se adicionar, a renda de 4 on\u00e7as (em esp\u00e9cie) por arpente de caf\u00e9 e o produto dos direitos de transmiss\u00e3o (aproximadamente 15 000 libras). Assim, a popula\u00e7\u00e3o de Bourbon, uma vez realizado o primeiro esfor\u00e7o de investimento, cobre as suas despesas. Poder-se-ia at\u00e9 considerar que \u00e9 lucrativa, tendo em conta a obriga\u00e7\u00e3o da Companhia de ter uma escala na rota da \u00c1sia Oriental.<\/p>\n<p>Em suma, a explora\u00e7\u00e3o de Bourbon sob o regime da Companhia das \u00cdndias \u00e9 um \u00eaxito material e financeiro. O equil\u00edbrio comercial e financeiro \u00e9 alcan\u00e7ado, por\u00e9m conseguido \u00e0 custa de colonos e escravos.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5213,"parent":8398,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-5023","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/8398"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}