{"id":5027,"date":"2021-05-19T10:05:53","date_gmt":"2021-05-19T08:05:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5027"},"modified":"2022-06-29T09:34:19","modified_gmt":"2022-06-29T07:34:19","slug":"a-refinaria-de-acucar","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/uma-sociedade-de-plantacao\/a-refinaria-de-acucar\/a-refinaria-de-acucar\/","title":{"rendered":"A economia de planta\u00e7\u00e3o: a refinaria Desbassayns \u2014 uma f\u00e1brica modelo?"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5027-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/poster_benoist.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/LE_TERRIER_ST_PORT.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/LE_TERRIER_ST_PORT.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/LE_TERRIER_ST_PORT.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<h3>Um contexto que favorece a cria\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas modelo<\/h3>\n<p>Em 1830, no t\u00e9rmino de um per\u00edodo de crescimento da economia a\u00e7ucareira de Bourbon caracterizado pelo crescimento das planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e a multiplica\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas, a ind\u00fastria colonial entra numa fase de crise. Muito embora tenha resultado de v\u00e1rios fatores, a crise \u00e9 sobretudo de natureza comercial e industrial. Passando a enfrentar a concorr\u00eancia do a\u00e7\u00facar de beterraba, com uma tributa\u00e7\u00e3o penalizadora, os industriais locais deixam de conseguir ter condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o favor\u00e1veis para vender o seu a\u00e7\u00facar cuja qualidade, al\u00e9m disso, se reduz drasticamente. Com efeito, as condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis dos terrenos ocupados pela extens\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es da cana-de-a\u00e7\u00facar levam a uma redu\u00e7\u00e3o dos rendimentos da sua cultura e a uma altera\u00e7\u00e3o da qualidade dos respetivos <em><span style=\"color: #800000;\">sumos<\/span><\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.21994580678823383\" aria-label=\"A chamada \u00abgarapa\u00bb no Brasil. (N. da T.)\">&nbsp;<\/span>. Estes \u00faltimos, passando a ser heterog\u00e9neos e mais dif\u00edceis de processar, d\u00e3o origem a a\u00e7\u00facares pouco resistentes para a viagem mar\u00edtima at\u00e9 \u00e0 metr\u00f3pole.<\/p>\n<p>Os estragos provocados pelo ciclone de 1829, que em muito prejudicaram as planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar, as d\u00edvidas resultantes da pol\u00edtica de compra de terras e o refor\u00e7o das suas oficinas de trabalho at\u00e9 ent\u00e3o, levaram a que muitos industriais fossem \u00e0 fal\u00eancia. A crise faz com que os produtores de a\u00e7\u00facar tomem consci\u00eancia da necessidade de reavaliar as suas pr\u00e1ticas industriais.<\/p>\n<p>Alguns desses industriais \u2014 os mais afortunados \u2014, optam por investir na mais avan\u00e7ada tecnologia de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, passando a utilizar nas suas refinarias a tecnologia que se utilizava na metr\u00f3pole para processar a beterraba. A outra via, que pode parecer oposta, mas que, na realidade, \u00e9 complementar, consiste em adotar os processos e os aparelhos desenvolvidos por um engenheiro que o Conselho-geral faz vir da metr\u00f3pole, o polit\u00e9cnico Joseph Martial Wetzell. Mais do que recorrer a uma tecnologia de ponta dispendiosa, o seu objetivo \u00e9 resolver o problema da produtividade na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, otimizando o equipamento local, aplicando o processo de fabrico e utilizando aparelhos adaptados \u00e0s circunst\u00e2ncias locais para obter um produto final de melhor qualidade e que corresponda aos crit\u00e9rios de economia, simplicidade, solidez e efic\u00e1cia.<\/p>\n<h3>A escolha de Saint-Gilles como f\u00e1brica modelo<\/h3>\n<p>Em 1830, ao chegar a Bourbon, Wetzell resolve mandar edificar ou equipar em cada comuna da ilha uma unidade de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar \u00abmodelo\u00bb, que pudesse servir de exemplo aos produtores de a\u00e7\u00facar, inspirando-os e incentivando-os a alterar as suas pr\u00f3prias f\u00e1bricas. A 11 de mar\u00e7o de 1831, o Conselho-geral publica uma circular ordenando que os conselhos municipais de cada comuna escolhessem a f\u00e1brica que \u00abdeve servir de modelo\u00bb. Essa unidade fabril de a\u00e7\u00facar deve ser edificada num \u00abponto central\u00bb da comuna, para que os produtores de a\u00e7\u00facar possam visit\u00e1-la mais facilmente.<\/p>\n<p>A unidade de produ\u00e7\u00e3o da vi\u00fava Desbassayns \u00e9 \u00abnaturalmente\u00bb designada pelo conselho municipal de Saint-Paul para se tornar uma dessas f\u00e1bricas modelo. A notoriedade e o papel desempenhado pela fam\u00edlia Desbassayns (nomeadamente, Joseph e Charles) no arranque da cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar e da ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar, a sua situa\u00e7\u00e3o financeira desafogada (porque alterar uma f\u00e1brica e realizar experi\u00eancias tem os seus custos), a localiza\u00e7\u00e3o do estabelecimento, quase no meio da zona de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar do Oeste, e o seu acesso direto pela estrada foram crit\u00e9rios que pesaram muito nesta escolha. Desse modo, a f\u00e1brica torna-se, desde logo, um dos centros mais importantes do progresso t\u00e9cnico da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar de Bourbon.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1294\" aria-describedby=\"caption-attachment-1294\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/documentaires\/societe-de-plantation\/lusine-sucriere\/usine-desbassayns2\/\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1294\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1294 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/usine-desbassayns2.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"537\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/usine-desbassayns2.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/usine-desbassayns2-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1294\" class=\"wp-caption-text\">F\u00e1brica Desbassayns de Saint-Gilles. Fotografia.<br \/>In Archives nationales, Cole\u00e7\u00e3o Panon-Desbassayns e Vill\u00e8le (1689-1973),<br \/>G\u00e9n\u00e9alogie et histoire des familles PANON-DESBASSAYNS et de VILL\u00c8LE. Cotas: 696AP\/1.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o de Wetzell em Saint-Gilles les Hauts divide-se em duas fases:<br \/>\n&#8211; na primeira fase, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1830, concentrou-se na melhoria global do funcionamento da unidade de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar que responde \u00e0s necessidades urgentes das f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar;<br \/>\n&#8211; na segunda fase, a partir de finais da d\u00e9cada de 1830, desenvolve novos aparelhos de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<h3>Um modelo para revolucionar a ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar local<\/h3>\n<h4>A reforma da f\u00e1brica: primeira metade da d\u00e9cada de 1830<\/h4>\n<p>As primeiras interven\u00e7\u00f5es de Wetzell na f\u00e1brica de Saint-Gilles Les Hauts visaram permitir um processamento mais eficaz do sumo de cana-de-a\u00e7\u00facar para melhorar a qualidade do a\u00e7\u00facar resultante. Com efeito, as condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis dos terrenos ocupados pelas planta\u00e7\u00f5es da cana-de-a\u00e7\u00facar levavam a que a qualidade dos sumos sofresse grandes flutua\u00e7\u00f5es e, consequentemente, a que se obtivesse um produto final med\u00edocre nas f\u00e1bricas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_203\" aria-describedby=\"caption-attachment-203\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig01-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-203 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig01-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"908\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig01-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig01-web-264x300.jpg 264w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig01-web-768x872.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-203\" class=\"wp-caption-text\">Projeto de modifica\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica de Saint-Gilles Les Hauts, 1832.<br \/>Corte da parede de empena virada a norte.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos do departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em finais de mar\u00e7o de 1831, come\u00e7ou-se a pensar, sobretudo, em modificar a <span style=\"color: #800000;\">bateria <\/span>de caldeiras, elemento central da unidade de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar onde se processa o sumo, e nas repercuss\u00f5es dessa modifica\u00e7\u00e3o sobre a organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento geral da f\u00e1brica, evitando grandes disrup\u00e7\u00f5es na arquitetura, por motivos econ\u00f3micos. O plano das altera\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar de 1832 permite compreender o trabalho que Wetzell efetuou na f\u00e1brica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_205\" aria-describedby=\"caption-attachment-205\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig02-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-205 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig02-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"593\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig02-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig02-web-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig02-web-768x569.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-205\" class=\"wp-caption-text\">Projeto de modifica\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica de Saint-Gilles Les Hauts, 1832. Vista em planta.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos do departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>O engenheiro faz instalar uma nova bateria de seis caldeiras, para melhorar as opera\u00e7\u00f5es de <em><span style=\"color: #800000;\">depura\u00e7\u00e3o<\/span><\/em>, respeitar uma certa linearidade das opera\u00e7\u00f5es (rompida por uma segunda bateria, num segundo edif\u00edcio, unicamente dedicada aos xaropes) e minimizar o n\u00famero de homens \u00fateis ao seu funcionamento, num contexto de rarefa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra. Para isso, o engenheiro equipa a bateria de caldeiras de grelha basculante que experimentou no Chaudron, torneiras e uma bomba de capta\u00e7\u00e3o dos sumos que permitem transvasamentos r\u00e1pidos e f\u00e1ceis. A coloca\u00e7\u00e3o de uma <span style=\"color: #800000;\"><em>prensa de escuma<\/em>s<\/span> perto da bateria permite reter o sumo potencialmente convert\u00edvel em a\u00e7\u00facar. Instalam-se <span style=\"color: #800000;\"><em>filtros<\/em> <\/span>no edif\u00edcio dos <span style=\"color: #800000;\">tabuleiros <\/span>que \u00e9 preciso construir de imediato paralelamente \u00e0 unidade de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar para aproximar as opera\u00e7\u00f5es da filtra\u00e7\u00e3o das da bateria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_207\" aria-describedby=\"caption-attachment-207\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig03-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-207 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig03-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig03-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig03-web-300x119.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig03-web-768x305.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-207\" class=\"wp-caption-text\">Tipos de caldeiras utilizadas em Saint-Gilles les Hauts aquando da sua transforma\u00e7\u00e3o por Wetzell<br \/>(segunda metade da d\u00e9cada de 1830). <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos nacionais do ultramar<\/figcaption><\/figure>\n<p>A f\u00e1brica Desbassayns vem revolucionar os c\u00e2nones e introduzir inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, na medida em que, \u00e0 semelhan\u00e7a da unidade do Chaudron, \u00e9 uma das primeiras a utilizar, atrav\u00e9s da filtra\u00e7\u00e3o, um processo normalmente utilizado na ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar de beterraba, at\u00e9 a\u00ed inexistente em Bourbon. Em esquadria com a unidade de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e o novo edif\u00edcio dos tabuleiros, o antigo edif\u00edcio dos tabuleiros, sem os seus tabuleiros e a bateria dos xaropes, \u00e9 transformado em \u00ab<em><span style=\"color: #800000;\">casa de purgar<\/span><\/em>\u00bb \u2014 esta \u00faltima, com novas formas retangulares, distinguindo-se do tipo de formas utilizadas at\u00e9 ent\u00e3o na ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_209\" aria-describedby=\"caption-attachment-209\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig04-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-209 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig04-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"993\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig04-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig04-web-242x300.jpg 242w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig04-web-768x953.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-209\" class=\"wp-caption-text\">Exemplo de filtro instalado por Wetzell na f\u00e1brica (filtro Dumont). In <em>Trait\u00e9 de la fabrication du sucre de betterave et de canne. Volume 1<\/em>, MM. L. Beaudet, H. Pellet, Ch. Saillard. J. Fritsch (Paris), 1894.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Assim, \u00e9 poss\u00edvel reconstituir o processo de fabrico desenvolvido por Wetzell na sua primeira interven\u00e7\u00e3o :<br \/>\nA cana, transportada para o estabelecimento em carro\u00e7as puxadas a mulas, \u00e9 triturada no moinho. O sumo (garapa) obtido \u00e9 encaminhado pela bomba para a unidade de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar onde \u00e9 vertido num recipiente, no qual uma parte dos res\u00edduos da tritura\u00e7\u00e3o fica retida. O sumo passa para a primeira caldeira da bateria (a Grande) para ser depurado: com a ajuda da cal e do calor, o sumo sofre um processo de \u00ab<span style=\"color: #800000;\">defeca\u00e7\u00e3o<\/span>\u00bb: as mat\u00e9rias estranhas coaguladas formam as escumas, que s\u00e3o retiradas e esmagadas pela prensa de escumas. O sumo depurado passa depois por tr\u00eas caldeiras de evapora\u00e7\u00e3o fixas: a \u00e1gua evapora at\u00e9 formar um xarope que \u00e9 transvasado na quinta caldeira, chamada \u00abxarope\u00bb. Esse xarope \u00e9 enviado para os filtros Dumont que ret\u00eam as part\u00edculas mais finas e descoloram (clareiam): o xarope fica pronto para ser concentrado. A bomba f\u00e1-lo chegar \u00e0 caldeira de cozedura, onde permanece at\u00e9 atingir o ponto de cristaliza\u00e7\u00e3o, que se verifica pela \u00abprova do fio\u00bb. J\u00e1 nesse estado, o a\u00e7\u00facar \u00e9 vertido nos tabuleiros de a\u00e7\u00facar: a dispers\u00e3o e o arrefecimento nesses grandes recipientes pouco profundos favorecem a forma\u00e7\u00e3o dos cristais de a\u00e7\u00facar. Uma vez formado, o a\u00e7\u00facar h\u00famido \u00e9 enviado para a \u00abcasa de purgar\u00bb, em <em><span style=\"color: #800000;\">formas<\/span><\/em>, para a\u00ed ser purgado do seu xarope, que \u00e9 remetido para o fabrico. Ao fim de uma a tr\u00eas semanas de \u00ab<em><span style=\"color: #800000;\">enformagem<\/span><\/em>\u00bb, o a\u00e7\u00facar livre de uma grande parte da sua humidade \u00e9 posto a secar ao sol numa plataforma (argamassa) ou num telhado. Uma vez seco, o a\u00e7\u00facar \u00e9 embalado e expedido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_211\" aria-describedby=\"caption-attachment-211\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig05-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-211 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig05-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"635\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig05-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig05-web-300x238.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig05-web-768x610.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-211\" class=\"wp-caption-text\">A f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar em Saint-Gilles les Hauts (ca.1833-1837). Xavier Le Terrier<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Desenvolvimento de um novo tipo de caldeira (segunda metade da d\u00e9cada de 1830)<\/h4>\n<p>Prosseguindo na via de produ\u00e7\u00e3o de um a\u00e7\u00facar de melhor qualidade, Wetzell passa a conceber um aparelho que permite aumentar a sua quantidade. A debilidade do sistema devia-se ao facto de, no momento da delicada cozedura do xarope, uma parte do a\u00e7\u00facar n\u00e3o poder ser cristalizado e se perder no <em><span style=\"color: #800000;\">mela\u00e7o<\/span><\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_213\" aria-describedby=\"caption-attachment-213\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig06-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-213 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig06-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1007\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig06-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig06-web-238x300.jpg 238w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig06-web-768x967.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-213\" class=\"wp-caption-text\">Caldeira de v\u00e1cuo de Derosne. In<em> Trait\u00e9 complet th\u00e9orique et pratique de la fabrication du sucre<\/em>.<br \/>Stammer Charles. P., Eug\u00e8ne Lacroix, s.d. (circa 1870)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para evitar esse inconveniente, os produtores de a\u00e7\u00facar locais tinham um aparelho da ind\u00fastria da beterraba \u2014 a caldeira de cozedura em v\u00e1cuo \u2014 que permitia controlar essa etapa crucial do fabrico. No entanto, adotada com mais ou menos \u00eaxito por alguns industriais mais abastados, essa tecnologia n\u00e3o estava ao alcance de todos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_215\" aria-describedby=\"caption-attachment-215\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig07-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-215 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig07-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig07-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig07-web-300x151.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig07-web-768x387.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-215\" class=\"wp-caption-text\">Caldeira de baixa temperatura Wetzell.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos do departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de 1834, Wetzell cria uma forma de produzir uma evapora\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura mais baixa poss\u00edvel, de forma a evitar acidentes de carameliza\u00e7\u00e3o \u2014 ali\u00e1s, quanto pior for a depura\u00e7\u00e3o do sumo, maior ser\u00e1 o perigo de acidentes de carameliza\u00e7\u00e3o. Wetzell alcan\u00e7a o seu objetivo, desenvolvendo as c\u00e9lebres \u00abcaldeiras de baixas temperaturas\u00bb, igualmente designadas, nos atos notariais ou na literatura t\u00e9cnica e generalista, de \u00abbaixas temperaturas\u00bb, \u00abcaldeiras Wetzell\u00bb, \u00abWetzell\u00bb ou \u00abrotadores\u00bb: as baixas temperaturas, cujo desenvolvimento est\u00e1 intimamente ligado ao apoio da fam\u00edlia Desbassayns, constituem desde logo a alternativa t\u00e9cnica local \u00e0 tecnologia do v\u00e1cuo, exterior \u00e0 Ilha. Essas caldeiras, que assumem diferentes formas, t\u00eam um \u00eaxito consider\u00e1vel juntos dos produtores de a\u00e7\u00facar locais, na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Quatro vezes menos onerosas que as caldeiras a v\u00e1cuo, s\u00f3lidas, eficazes e de f\u00e1cil manuten\u00e7\u00e3o, facilmente se imp\u00f5em na col\u00f3nia: entre 1851 e 1860, 96 % das unidades de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar de Bourbon tinham pelo menos um aparelho desse g\u00e9nero. Mais de 90 % delas ainda coziam os seus xaropes em 1870.<\/p>\n<h4>Conclus\u00e3o<\/h4>\n<p>Com estes sistemas que Wetzell e os seus sucessores aperfei\u00e7oariam em seguida, o engenheiro concebe um modelo industrial que volta as costas \u2014 em parte \u2014 ao maquinismo sem deixar de responder \u00e0s necessidades dos fabricantes. Tal como escreve Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud, nos seus trabalhos: \u00abEle desenvolve uma tecnologia simplificada que deixa entrever a debilidade capital\u00edstica dos produtores de a\u00e7\u00facar. J\u00e1 n\u00e3o se utilizam escravos, e uma vez que a conjuntura tende para a rarefa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra, n\u00e3o se exige que os oper\u00e1rios cumpram tarefas mais complexas porque as suas qualifica\u00e7\u00f5es existem, mas continuam a ser poucas. Apesar disso, o progresso \u00e9 tal que, a partir de 1835, 42 f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar adotam os seus processos.\u00bb A f\u00e1brica de Saint-Gilles, local e vetor dessas melhorias, cumpre perfeitamente a sua miss\u00e3o de estabelecer um modelo, ultrapassando at\u00e9 o espa\u00e7o insular: a partir de ent\u00e3o fabricadas pelos estabelecimentos de constru\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica metropolitanos, encontram-se os aparelhos Wetzell em f\u00e1bricas implantadas n\u00e3o s\u00f3 na zona do sudoeste do Oceano \u00cdndico (Maur\u00edcia, Madag\u00e1scar, Nossi-B\u00e9 e Comores), mas tamb\u00e9m no espa\u00e7o a\u00e7ucareiro das Cara\u00edbas, nas Antilhas francesas, no Brasil e na prov\u00edncia de Wellesley, em Malaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"SP_rubrique_bas_de_texte\">Gloss\u00e1rio<\/div>\n<p><!-- .SP_rubrique_bas_de_texte --><\/p>\n<div class=\"SP_rubrique_bas_de_texte_contenu SP_contenu_collapsed\">\n<p><strong>Bateria<\/strong>: conjunto de caldeiras aquecidas por uma fornalha onde se realiza a depura\u00e7\u00e3o e evapora\u00e7\u00e3o do sumo e a concentra\u00e7\u00e3o do xarope.<\/p>\n<p><strong>Defeca\u00e7\u00e3o<\/strong>: termo pr\u00f3prio da ind\u00fastria a\u00e7ucareira que designa o processo de depura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Enformagem<\/strong>: opera\u00e7\u00e3o que consiste na coloca\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar em formas.<\/p>\n<p><strong>Depura\u00e7\u00e3o<\/strong>: primeira etapa das opera\u00e7\u00f5es que ocorrem numa bateria e que permite retirar as impurezas do sumo.<\/p>\n<p><strong>Filtros<\/strong>: aparelhos que, como o nome indica, filtram o xarope para o livrar de impurezas finas e o clarear.<\/p>\n<p><strong>Formas<\/strong>: recipientes principalmente feitos em madeira na Reuni\u00e3o, onde o a\u00e7\u00facar\u00a0cristaliza\u00a0e se livra (purga) da sua humidade.<\/p>\n<p><strong>Mela\u00e7o<\/strong>: res\u00edduo do fabrico do a\u00e7\u00facar obtido ap\u00f3s a purga.<\/p>\n<p><strong>Prensa de escumas<\/strong>: prensa utilizada para esmagar os res\u00edduos da depura\u00e7\u00e3o (escumas) para obter sumo potencialmente cristaliz\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Casa de purgar<\/strong>: edif\u00edcio onde se deixava provisoriamente o a\u00e7\u00facar \u00a0nas formas a escoar (purga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><strong>Tabuleiros<\/strong>: grandes recipientes pouco profundos (tamb\u00e9m chamados arrefecedores) nos quais o a\u00e7\u00facar \u00e9 vertido depois da cozedura. O arrefecimento do a\u00e7\u00facar nesses tabuleiros promove a forma\u00e7\u00e3o de cristais.<\/p>\n<p><strong>Sumo da cana-de-a\u00e7\u00facar<\/strong>: sumos de cana-de-a\u00e7\u00facar obtidos depois de esmagada no moinho.<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- .SP_rubrique_bas_de_texte_contenu --><\/p>\n<div class=\"SP_BT_TOGGLE SP_BT_TOGGLE_AFFICHER\">+ Afficher<\/div>\n<div class=\"SP_BT_TOGGLE SP_BT_TOGGLE_MASQUER\">\u2014 Masquer<\/div>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5271,"parent":8566,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-5027","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/8566"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}