{"id":5029,"date":"2021-05-19T10:09:00","date_gmt":"2021-05-19T08:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5029"},"modified":"2021-11-26T10:33:31","modified_gmt":"2021-11-26T09:33:31","slug":"estilo-de-vida-vida-social","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/estilo-de-vida-vida-social\/","title":{"rendered":"Estilo de vida &#8211; vida social"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Qual \u00e9 o patrim\u00f3nio de Madame Desbassayns em 1846?<\/strong><\/h2>\n<h2>O testamento de Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau de Montbrun, vi\u00fava de Henri Paulin Panon Desbassayns, \u00e9 conhecido. O invent\u00e1rio realizado ap\u00f3s o seu falecimento, um documento-chave para a compreens\u00e3o cabal do estilo de vida, n\u00e3o foi explorado.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5029-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/poster_jauze.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Jauze_port_sub.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Jauze_port_sub.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Jauze_port_sub.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>\u00c9 realizado a partir de 23 de mar\u00e7o de 1846 pelo not\u00e1rio L\u00e9o de Lanux<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3762819118396197\" aria-label=\"Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o, 3 E 426.\">&nbsp;<\/span> nas propriedades da fam\u00edlia, em Saint-Paul, Saint-Gilles e Bernica. Este artigo, baseado no apuramento completo da minuta, trata do invent\u00e1rio realizado em Saint-Gilles, embora n\u00e3o forne\u00e7a uma descri\u00e7\u00e3o dos seus bens na sua totalidade, em particular o respeitante ao vestu\u00e1rio, tendo Madame Desbassayns realizado a partilha de uma parte substancial a 20 de junho de 1845. A ata do leil\u00e3o dos seus m\u00f3veis e objetos decorativos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8478940653916767\" aria-label=\"Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o, 10 maio 1846, 3 E 426.\">&nbsp;<\/span> compensam esta lacuna.<br \/>\nO valor total dos bens \u00e9 de 53 191,33 Francos. Os de Saint-Gilles ascendem a 46 374,33 Francos, representando 87% do total.<\/p>\n<p>A argentaria constitui uma rubrica impressionante em termos de valor monet\u00e1rio e prest\u00edgio. Situa-se na primeira verba do invent\u00e1rio e estima-se em 160 Francos por kg. A sua composi\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: terrinas de sopa, panelas, rescaldeiros, pratos redondos ou ovais, cafeteiras, bandejas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3071525901321037\" aria-label=\"Em franc\u00eas Band\u00e8ges, termo de origem indo-portuguesa, designando uma bacia com um rebordo, ou uma tina com m\u00faltiplas utiliza\u00e7\u00f5es.\">&nbsp;<\/span> , a\u00e7ucareiros, saleiros, saladeiras, mostardeiras, casti\u00e7ais, talheres com filetes marcados com as iniciais M D; talheres de sobremesa, colheres de sopa, de guisados, de caf\u00e9, de a\u00e7\u00facar, de sal e de mostarda; espetos, tachos grandes e pequenos, chaleiras, girandoles<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.11414675083616488\" aria-label=\"Candelabros multirramificados\">&nbsp;<\/span>. Todos estes objetos perfazem um total de 122 kg de metal, valendo 19 825,40 Francos, ou seja, 43% do valor dos artigos de Saint-Gilles. Duas terrinas de sopa com os pratos respetivos pesam mais de 9 kg, enquanto seis cafeteiras de diferentes tamanhos 4 900 g.<\/p>\n<figure id=\"attachment_253\" aria-describedby=\"caption-attachment-253\" style=\"width: 554px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-2009-2-2-plat-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-253 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-2009-2-2-plat-web.jpg\" alt=\"\" width=\"554\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-2009-2-2-plat-web.jpg 554w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-2009-2-2-plat-web-300x271.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-253\" class=\"wp-caption-text\">Prato. Primeiro quartel do s\u00e9culo XIX. Prata gravada .<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A maior parte da ourivesaria diz respeito ao servi\u00e7o de mesa: os talheres personalizados, o trem de cozinha em prata, tudo isto parte integrante de uma arte de mesa refinada. Sendo um meio de entesouramento, a ourivesaria marca a ostenta\u00e7\u00e3o e a distin\u00e7\u00e3o social, caracter\u00edsticas \u00e0s quais almejavam os propriet\u00e1rios ricos, at\u00e9 mesmo os propriet\u00e1rios mais modestos.<\/p>\n<p>O preciosismo n\u00e3o dispensa os servi\u00e7os de mesa mais comuns, muito diversificados, armazenados em v\u00e1rios locais. O material \u00e9 por vezes citado: porcelana, porcelana da China ou do jap\u00e3o e caulim. A lista \u00e9 edificante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_251\" aria-describedby=\"caption-attachment-251\" style=\"width: 553px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1989-503-1-corbeille-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-251 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1989-503-1-corbeille-web.jpg\" alt=\"\" width=\"553\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1989-503-1-corbeille-web.jpg 553w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-1989-503-1-corbeille-web-300x271.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 553px) 100vw, 553px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-251\" class=\"wp-caption-text\">Cesto. Segundo quartel do s\u00e9culo XIX. Porcelana, biscoito.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Bandejas de garrafas, cesto de p\u00e3o, bule de ch\u00e1 folheado, servi\u00e7o de porcelana branca com bordas douradas com a inscri\u00e7\u00e3o M D composto por pratos planos, pratos fundos, pratos de sobremesa, a\u00e7ucareiros, folhas, saladeiras, coquetiers (copos para ovos quentes), manteigueiras, ch\u00e1venas e pires de caf\u00e9, terrinas de sopa, pratos longos, ovais e redondos, pratinhos para azeitonas, hachardiers<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9616381999989276\" aria-label=\"Um termo n\u00e3o identificado. Utens\u00edlio usado para preparar achards, pratos compostos por pequenos peda\u00e7os de vegetais macerados em molho picante?\">&nbsp;<\/span>, terrinas para molhos, mostardeiras, compoteiras, tigelas e pires de leite e de ch\u00e1, frascos de mousse em vidro, boi\u00f5es pequenos com o seu suporte, cafeteiras do Levante<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5553047264231787\" aria-label=\"Cafeteiras de cobre originalmente importadas de Constantinopla, baratas e famosas. Este era um tipo de cafeteria de cabo direto \u00e0s vezes chamado marabout.\">&nbsp;<\/span>, galheta de azeite. Para al\u00e9m disso, boi\u00f5es de natas, jarros de \u00e1gua, bilhas de leite, pratos com tampas, vasos, copos de \u00e1gua planos e com p\u00e9, tinas azuis, garrafas, c\u00e1lices de vinho, champanhe e licor, gargoulettes<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8320664118270682\" aria-label=\"Grandes recipientes compostos por dois vasos encaixados um no outro, equipados com asas, para manter a \u00e1gua muito fresca.\">&nbsp;<\/span>, sorveteiras, potiches<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6052167770425168\" aria-label=\"Recipiente grande, que pode conter v\u00e1rias garrafas.\">&nbsp;<\/span>, tigelas e bandejas em folha de Flandres, caixas de facas de cabo oco em prata trabalhada ou em marfim, facas de sobremesa, um servi\u00e7o de corte, um jarro com uma bacia, Ademais, um cesto de porcelana dourada com a marca M D, prateleirinhas, saleiros, uma queijeira com o seu prato, galheteiros em \u00e9bano decorados com as suas galhetas, suporte de licor guarnecido com garrafas e copos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_255\" aria-describedby=\"caption-attachment-255\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-2009-2-4-huilier-vinaigrier-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-255 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-2009-2-4-huilier-vinaigrier-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"608\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-2009-2-4-huilier-vinaigrier-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-2009-2-4-huilier-vinaigrier-web-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-2009-2-4-huilier-vinaigrier-web-768x584.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-255\" class=\"wp-caption-text\">Galheteiro, saleira dupla, mostardeira. Quarto quartel do s\u00e9culo XVIII. Cristal azul gravado. metal prateado.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estes servi\u00e7os n\u00e3o destoariam num interior burgu\u00eas franc\u00eas de meados do s\u00e9culo XIX. N\u00e3o h\u00e1 garfos de mesa<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8572318623072381\" aria-label=\"Excetuando os garfos de corte que constam da verba \u00abargentaria\u00bb.\">&nbsp;<\/span>. Para al\u00e9m do \u00abhachardier\u00bb, e de alguns termos de origem ex\u00f3tica, embora tudo pare\u00e7a semelhante aos h\u00e1bitos de consumo franc\u00eas, somos levados a pensar que as receitas francesas e crioulas coexistem.<\/p>\n<p>O not\u00e1rio visita, no andar de cima, o \u00abgabinete\u00bb situado em frente \u00e0 escada. Prossegue pela sala cont\u00edgua. Depois, continua pelo \u00abgabinete\u00bb seguinte, que d\u00e1 sa\u00edda para a varangue (varanda t\u00edpica do oceano \u00edndico) a leste, visitando-a. De seguida, entra no \u00abgabinete\u00bb em frente ao anterior, entra no quarto cont\u00edguo, passando depois para outro quarto adjacente cuja sa\u00edda d\u00e1 para as escadas. Depois de ter passado sob a varangue da entrada, a oeste, entra na sala de estar, e depois pelo \u00abgabinete de of\u00edcio\u00bb.<\/p>\n<p>De seguida, De Lanux sai da casa principal, visita os edif\u00edcios anexos, volta para descrever um \u00abgabinete\u00bb adjacente \u00e0 sala de jantar, e em seguida, parte para inventariar outras constru\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOs edif\u00edcios secund\u00e1rios incluem:<br \/>\n&#8211; Um pavilh\u00e3o a nordeste da casa principal, dividido numa sala principal, um gabinete, um quarto virado a leste, um s\u00f3t\u00e3o;<br \/>\n&#8211; Uma arrecada\u00e7\u00e3o por detr\u00e1s do pavilh\u00e3o;<br \/>\n&#8211; Outra arrecada\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s da cozinha;<br \/>\n&#8211; Outras duas, respetivamente, a nordeste e sudoeste da casa principal;<br \/>\n&#8211; Um grande pavilh\u00e3o a sudeste, composto por dois quartos, quatro salas e um quarto principal no andar de cima;<br \/>\n&#8211; Um pavilh\u00e3o a sul da casa principal, com um quarto;<br \/>\n&#8211; Uma casa de arrecada\u00e7\u00e3o com fun\u00e7\u00e3o de adega;<br \/>\n&#8211; A cozinha;<br \/>\n&#8211; Uma cocheira, tr\u00eas armaz\u00e9ns, um dos quais chamado \u00abcarrosse\u00bb (carruagem) e o outro \u00abhorloge\u00bb (rel\u00f3gio de parede);<br \/>\n&#8211; Um est\u00e1bulo;<br \/>\n&#8211; Um galinheiro;<br \/>\n&#8211; Um pavilh\u00e3o ocupado pelo Sr. Nion<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9947929107850106\" aria-label=\"Trata-se de Fran\u00e7ois Nion, administrador da propriedade (Ver o recenseamento de Madame Desbassayns de 1842, Arquivos do departamento da Reuni\u00e3o, 6 M 679). \">&nbsp;<\/span> .<br \/>\nO parcel\u00e1rio das propriedades \u00e9 pontuado por edif\u00edcios que permitem ao propriet\u00e1rio viver \u00abdos seus bens\u00bb e explorar as suas colheitas.<br \/>\nO galinheiro abriga a cria\u00e7\u00e3o auxiliar (galinhas, patos, perus, gansos). No p\u00e1tio, est\u00e3o dispersas tartarugas e trinta e um porcos. O est\u00e1bulo tem mulas de Buenos Aires e Poitou, uma mula local, uma burra e seu filhote.<br \/>\nAs arrecada\u00e7\u00f5es s\u00e3o utilizadas para armazenar os gr\u00e3os de alimenta\u00e7\u00e3o de escravos (milho), as culturas de rendimento, e s\u00e3o armaz\u00e9ns para recolher, em particular, produtos de consumo di\u00e1rio, entre os quais o vinho ocupa um lugar not\u00e1vel. N\u00e3o se faz men\u00e7\u00e3o ao arack.<br \/>\nOs recipientes s\u00e3o numerosos, as garrafas vazias s\u00e3o guardadas preciosamente para reutiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na arrecada\u00e7\u00e3o por detr\u00e1s do pavilh\u00e3o, estavam guardados contentores (frascos, bacias de cobre, vasos), vinte e duas garrafas de vinho da Madeira, quarenta e oito garrafas vazias, um tacho para cozer peixe. Um \u00abamontoado de miscel\u00e2neas\u00bb n\u00e3o atraiu a aten\u00e7\u00e3o do perito. O mesmo se passa na arrecada\u00e7\u00e3o atr\u00e1s da cozinha, onde tamb\u00e9m est\u00e3o armazenadas garrafas de mel verde, vinho de Xerez e de M\u00e1laga, frascos, objetos de vidro, bacias. H\u00e1 um graf\u00f3metro com lunetas e uma b\u00fassola com o seu suporte <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4856755330564031\" aria-label=\"Instrumento para a realiza\u00e7\u00e3o de levantamentos topogr\u00e1ficos. \">&nbsp;<\/span>, vinte e um retalhos de len\u00e7os (destinados a ser cortados) e trinta e seis len\u00e7os. No caso destes \u00faltimos artigos, \u00e9 de lamentar a natureza sucinta das atas, considerando que muitos invent\u00e1rios da Reuni\u00e3o do s\u00e9culo XIX descrevem len\u00e7os de cabe\u00e7a, de colarinho, de bolso, de m\u00e3o, de assoar, para o pesco\u00e7o; quando s\u00e3o descritos len\u00e7os com vinhetas, em xadrez, de Masulipatam, de seda, de Paliacat, da \u00cdndia, de Rouen ou Chollet, de fantasia, \u00ablen\u00e7os-gravatas\u00bb, \u00ablen\u00e7os-\u00e9charpes\u00bb. No s\u00f3t\u00e3o do armaz\u00e9m, a nordeste da casa principal, estavam armazenados setenta e seis sacos de algod\u00e3o, perfazendo um total de 1465 t; no de sudoeste, sete fardos de a\u00e7\u00facar pesando, no total, 437,50 kg.<\/p>\n<p>A \u00abcasa da arrecada\u00e7\u00e3o com fun\u00e7\u00e3o de adega\u00bb cont\u00e9m garrafas e frascos vazios, dez garrafas de champanhe, garrafas de cerveja, de Porter, de vinho branco velho e dez frascos de frutos em vinagre. H\u00e1 um monte de pequenas marmitas, oito moringues, jarros e barbots<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.27927699397866457\" aria-label=\"Barbots: recipientes contendo garrafas, vasos grandes \u00e0s vezes assimilados a jarros.\">&nbsp;<\/span> vazios, um par de lamparinas novas, vinte e tr\u00eas barris de carv\u00e3o animal pesando, no total, 2800 kg, treze cantis revestidos em pele de camelo.<\/p>\n<p>As outras arrecada\u00e7\u00f5es s\u00e3o de grandes dimens\u00f5es, para proteger, uma, quase 47,5 t de milho, a outra, vinte e seis fardos de caf\u00e9 (a 65 Francos por fardo), e a \u00faltima, duzentos e dois fardos de a\u00e7\u00facar de baixa qualidade com um peso de 12,6 t.<br \/>\nA cocheira alberga viaturas: carruagens em bom ou mau estado, cabriol\u00e9s (pequenas carruagens).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o da cozinha (lareira, forno) que se situa distanciada da casa. O trem de cozinha inclui dezasseis marmitas, tr\u00eas panelas, das quais duas em cobre e uma em ferro, tr\u00eas frigideiras, um grelhador, dois aparelhos de waffles, um espeto e o seu morilho, duas formas de pastelaria, dois almofarizes de m\u00e1rmore, usados para a prepara\u00e7\u00e3o de alimentos, uma balan\u00e7a com os pesos respetivos.<\/p>\n<p>Os gabinetes \u2013 em franc\u00eas \u00abcabinets\u00bb, termo bastante vago\u2013 encontram-se tanto na casa principal (cinco no total), como nos pavilh\u00f5es. O seu emprego est\u00e1 ligado aos seus m\u00f3veis. O gabinete de of\u00edcio adjacente \u00e0 sala de estar \u00e9 um anexo, sendo que uma despensa e duas pequenas mesas foram l\u00e1 armazenadas.<\/p>\n<p>No gabinete face \u00e0 escada do andar de cima h\u00e1 um grande arm\u00e1rio que cont\u00e9m pe\u00e7as de lou\u00e7a. Cont\u00e9m, tamb\u00e9m, oito globos redondos (candeeiros) e oito camp\u00e2nulas banhadas a 20 graus, dois candeeiros ovais com as respetivas camp\u00e2nulas, um globo redondo para o centro com a sua camp\u00e2nula, sendo todos estes elementos decorativos usados para ilumina\u00e7\u00e3o tratando-se, provavelmente, de candelabros. O arm\u00e1rio cont\u00e9m ainda dois casti\u00e7ais e seis pares de tochas em casquinha.<br \/>\nO compartimento seguinte assemelha-se a um quarto. Uma cama de madeira equipada com uma rede mosquiteira e um colch\u00e3o de l\u00e3, uma c\u00f3moda com tampo de m\u00e1rmore, uma mesa com gaveta, onde se encontrava uma caixinha de toilette com um espelho.<br \/>\nA sala defronte apresenta o mesmo conte\u00fado.<br \/>\nFinalmente, h\u00e1 um gabinete dedicado \u00e0 biblioteca.<\/p>\n<p>No pavilh\u00e3o nordeste, h\u00e1 apenas um quarto, com a sua cama de madeira, o colch\u00e3o e dois bacios. O mesmo sucede no pavilh\u00e3o sudeste, sem d\u00favida maior e mais equipado: uma cama de madeira, um colch\u00e3o, um banco de rotim <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.16561289256667844\" aria-label=\"A Caneia.\">&nbsp;<\/span> com costas, um colch\u00e3o de crian\u00e7a, uma mesa com gaveta, um pequeno toucador com espelho, duas cadeiras, uma poltrona. Outros dois aposentos consecutivos apresentam um mobili\u00e1rio heter\u00f3clito e reduzido: um banco, um colch\u00e3o, uma mesa com gaveta; um arm\u00e1rio, um bid\u00e9 e uma cadeira. Por outro lado, o compartimento a norte \u00e9 semelhante a uma arrecada\u00e7\u00e3o, contendo dois palanquins velhos, uma grande arca de madeira, uma grande mesa com os seus cavaletes, quatro cadeiras, uma mesa de madeira, trinta e oito azulejos de Bat\u00e1via, uma liteira, uma cama de crian\u00e7a.<\/p>\n<p>O pavilh\u00e3o a nordeste conta tamb\u00e9m com uma cama de madeira com rede mosquiteira e um colch\u00e3o, inclui um s\u00f3t\u00e3o e um quarto a nascente com uma cama e respetivo colch\u00e3o, uma banheira, um roupeiro e uma grande arca.<br \/>\nO pavilh\u00e3o a sudeste \u00e9 constitu\u00eddo, para al\u00e9m dos gabinetes, por dois quartos no andar de baixo e outro no andar de cima. Cada um est\u00e1 bem equipado e tem dimens\u00f5es consider\u00e1veis. A composi\u00e7\u00e3o do quarto do r\u00e9s-do-ch\u00e3o \u00e9 a seguinte: duas camas com as respetivas redes mosquiteiras, quatro colch\u00f5es (decerto sobrepostos), duas mesas de cabeceira com rodinhas e tampos de m\u00e1rmore, uma mesa, um toucador com espelho em mau estado, um sof\u00e1 em rotim, uma poltrona, um banco, um bid\u00e9. O quarto \u00e0 direita \u00e9 composto por: duas camas com as respetivas redes mosquiteiras, tr\u00eas colch\u00f5es, uma escrivaninha com gavetas, uma mesa de jogo redonda, uma mesa com gaveta, um toucador com espelho, uma mesa redonda, um sof\u00e1 de rotim, duas poltronas de rotim, duas mesinhas de cabeceira. Quanto ao quarto principal, no andar de cima: duas camas com as respetivas redes mosquiteiras, quatro colch\u00f5es, uma mesinha de cabeceira, duas poltronas em rotim, uma cadeira, um banco de rotim, uma c\u00f3moda com tampos de m\u00e1rmore, um espelho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_257\" aria-describedby=\"caption-attachment-257\" style=\"width: 686px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-1989-16-commode-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-257 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-1989-16-commode-web.jpg\" alt=\"\" width=\"686\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-1989-16-commode-web.jpg 686w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-1989-16-commode-web-300x219.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-257\" class=\"wp-caption-text\">C\u00f3moda. Magnien. Quarto quartel do s\u00e9culo XVIII; Estilo Lu\u00eds XVI. Carvalho, m\u00e1rmore, mogno, bronze.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>O alojamento do administrador \u00e9 simples e de m\u00e1 qualidade: oito cadeiras em mau estado, tr\u00eas poltronas, uma pequena mesa, outra em mau estado, uma secret\u00e1ria com gavetas.<br \/>\nO quarto do pavilh\u00e3o a sul da casa principal \u00e9 um aposento contendo um guarda-roupa de madeira local onde s\u00e3o guardadas todas as roupas de mesa e cama (toalhas de mesa, guardanapos, naperons, panos de lou\u00e7a, cobertas brancas acolchoadas, coberta indiana forrada, cobertor de molet\u00e3o, len\u00e7\u00f3is, fronhas, almofadas de l\u00e3 e algod\u00e3o).<\/p>\n<p>Os pavilh\u00f5es s\u00e3o locais bem abastecidos, equipados para os cuidados corporais, a higiene di\u00e1ria, sendo frequentados e habitados. \u00c9 de notar que a \u00fanica banheira mencionada se situe nesse local, assim como os objetos de higiene. N\u00e3o h\u00e1 bid\u00e9s nem outras cadeiras furadas na casa principal<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5321769296556214\" aria-label=\"Na casa principal de Saint-Paul, lista-se um bid\u00e9, 4 bacios, um bid\u00e9 com a sua bacia de faian\u00e7a. \">&nbsp;<\/span>. N\u00e3o h\u00e1 registo de latrinas ou cabinas sanit\u00e1rias. Isto n\u00e3o teria sido necessariamente surpreendente, porque, embora houvesse alguns destes elementos nas propriedades da \u00e9poca, n\u00e3o era, no entanto, a regra geral. Todavia, esta aus\u00eancia n\u00e3o deixa de surpreender, quanto mais n\u00e3o seja pelo estatuto social da falecida, e a qualidade das pessoas que receberia. N\u00e3o seria isto simplesmente um facto revelador dos costumes da \u00e9poca?<\/p>\n<p>Os quartos da casa principal tamb\u00e9m grandes e confortavelmente equipados. No quarto que se segue ao gabinete havia duas camas de madeira, cada uma com uma rede mosquiteira, um colch\u00e3o de l\u00e3, uma mesa antiga com tampo de m\u00e1rmore, um toucador de m\u00e1rmore com vidro por cima, uma mesa de gaveta com varetas de cobre, uma mesa de cabeceira redonda, uma cunha de canto. Um outro quarto \u00e9 modesto, com apenas uma cama de madeira com rede mosquiteira e uma mesa. Por\u00e9m, no quarto ao lado, cuja sa\u00edda d\u00e1 para as escadas, h\u00e1 uma cama de madeira com rede mosquiteira, um colch\u00e3o, uma mesa, um grande guarda-roupa antigo onde est\u00e3o arrumados sobretudo cobertores de l\u00e3, cobertas originais em fios de lat\u00e3o para pratos, pacotes de velas, um casti\u00e7al e v\u00e1rios acess\u00f3rios: um cesto de porcelana dourada para centro de mesa, uma chamin\u00e9 de vidro para candeeiros, quatro vidros de rel\u00f3gio, tr\u00eas globos de candeeiro. No que diz respeito ao material de manuten\u00e7\u00e3o: tr\u00eas vassouras e sete escovas de pavimento.<\/p>\n<p>O invent\u00e1rio da sala de estar, simultaneamente sala de jantar, n\u00e3o deixa de surpreender pelo n\u00famero de objetos e m\u00f3veis, denotando opul\u00eancia, imensid\u00e3o e apar\u00eancias. Est\u00e1 decorado com tr\u00eas espelhos com molduras douradas, duas consolas com guarni\u00e7\u00f5es de cobre e tampos de m\u00e1rmore, um globo e sua corrente de cobre, duas mesas redondas, uma das quais de jogo, dois sof\u00e1s pequenos, pelo menos dezasseis poltronas, vinte e sete cadeiras e uma mesa de jantar.<\/p>\n<p>As varandas s\u00e3o consagradas ao relaxamento. Sob a varanda virada a nascente h\u00e1 cinco bancos em rotim, bem como um velho bilhar fora de servi\u00e7o. A entrada a oeste comporta dois bancos.<br \/>\nO s\u00f3t\u00e3o do pavilh\u00e3o localizado a nordeste encerra uma pe\u00e7a surpreendente e rara. N\u00e3o o habitual monte de sucata e confus\u00e3o, nem o tramail (rede de pesca), mas uma tenda com paredes para banhos de mar, de um valor de 250 Francos, o que \u00e9 revelador de um passatempo inesperado para a \u00e9poca.<br \/>\nUm ba\u00fa em folha de Flandres cont\u00e9m dinheiro, em moedas de 85 Francos, 5,50 Francos e 0,50 Francos, num total de 359,50 Francos.<\/p>\n<p>A Sra. Desbassayns tem uma imponente biblioteca num gabinete adjacente \u00e0 sala de jantar com pelo menos 1266 livros, predominando os formatos in-12\u00b0 e in-octavo.<br \/>\nEis uma tentativa de repartir os volumes por temas:<\/p>\n<p><strong>Filosofia\/Filosofia do Iluminismo<\/strong><br \/>\n<em>Oeuvres compl\u00e8tes de Jean-Jacques Rousseau<\/em><br \/>\n<em>Oeuvres compl\u00e8tes<\/em> de Voltaire<br \/>\n<em>Pens\u00e9es philosophiques<\/em> de Voltaire<br \/>\n<em>Oeuvres<\/em> de Diderot<br \/>\n<em>Recherches philosophiques sur les Grecs<\/em> par Pauw<\/p>\n<p><strong><em>Ci\u00eancia\/tecnologia\/agricultura<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Cours complet d&#8217;agriculture, ou dictionnaire universel d&#8217;agriculture<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 Rozier<br \/>\n<em>Essai sur l&#8217;art de cultiver la canne et d&#8217;en extraire le sucre<\/em><br \/>\n<em>Pr\u00e9cis sur la canne et sur les moyens d&#8217;en extraire le sel essentiel<\/em> par Dutr\u00f4ne<br \/>\n<em>Histoire du galvanisme<\/em> par Sue<br \/>\n<em>R\u00e9cr\u00e9ations math\u00e9matiques et physiques<\/em> par Ozanam<br \/>\n<em>Opuscules physiques et chimiques<\/em> de Lavoisier<br \/>\n<em>Trait\u00e9 \u00e9l\u00e9mentaire de physique<\/em> par Busson<br \/>\n<em>Essai sur l&#8217;\u00e9lectricit\u00e9 des corps<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 Nollet<br \/>\n<em>Recherches sur les causes particuli\u00e8res des ph\u00e9nom\u00e8nes \u00e9lectriques<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 Nollet<br \/>\n<em>Essai sur diff\u00e9rentes esp\u00e8ces de gaz<\/em> par Sigaud de Lafond<br \/>\n<em>Description et usage d&#8217;un cabinet de physique exp\u00e9rimental<\/em> par Sigaud de Lafond<br \/>\n<em>Trait\u00e9 sur la culture et les usages des pommes de terre<\/em> par Parmentier<br \/>\n<em>M\u00e9moires de la Soci\u00e9t\u00e9 d&#8217;Agriculture de Seine-et-Oise<\/em><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\n<em>Dictionnaire historique de la ville de Paris et de ses environs<\/em> par MM. Hartaut et Magny<br \/>\n<em>Histoire d&#8217;Italie<\/em> par Fantin Desodoard<br \/>\n<em>Dictionnaire historique des femmes c\u00e9l\u00e8bre<\/em>s<br \/>\n<em>Histoire du Bas Empire<\/em> par Le Beau<br \/>\n<em>Histoire du peuple de Dieu<\/em> par Berruyer<br \/>\n<em>Histoires choisies de l&#8217;Ancien Testament<\/em><br \/>\n<em>Histoire g\u00e9n\u00e9rale des conjurations<\/em> par Dutertre<br \/>\n<em>Histoire impartiale des \u00e9v\u00e9nements militaires de la guerre d&#8217;Am\u00e9rique<\/em><br \/>\n<em>Histoire de la rivalit\u00e9 de la France et de l&#8217;Espagne<\/em> par Gaillard<br \/>\n<em>L&#8217;esprit de l&#8217;histoire<\/em> par Ferrand<br \/>\n<em>Histoire de la derni\u00e8re r\u00e9volution de Su\u00e8de<\/em> par Le Seine Desmaisons<br \/>\n<em>Histoire des r\u00e9volutions de Su\u00e8de<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 de Vertot<br \/>\n<em>R\u00e9volutions de Portugal<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 de Vertot<br \/>\n<em>Histoire des r\u00e9volution<\/em>s de Perse<br \/>\n<em>Histoire des r\u00e9volutions d&#8217;Angleterre<\/em> par le p\u00e8re d&#8217;Orl\u00e9ans<br \/>\n<em>Histoire des chevaliers de Malte<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 de Vertot<br \/>\n<em>Histoire de la d\u00e9cadence et de la chute de l&#8217;Empire romain<\/em> par Gibbon<br \/>\n<em>Histoire des Juifs<\/em> par Flavius Joseph<br \/>\n<em>Pr\u00e9cis historique et exp\u00e9rimental des ph\u00e9nom\u00e8nes historiques<\/em> par Sigaud de Lafond<br \/>\n<em>Pi\u00e8ces diverses relatives aux op\u00e9rations militaires et politiques<\/em> du g\u00e9n\u00e9ral Bonaparte<br \/>\n<em>Trait\u00e9 de g\u00e9ographie ancienne<\/em> d&#8217;apr\u00e8s d&#8217;Anville<br \/>\n<em>Histoire de l&#8217;Empire de Mysore<\/em> par Michaud<br \/>\n<em>M\u00e9moire pour servir \u00e0 l&#8217;histoire de notre litt\u00e9rature<\/em> par Palissot<br \/>\n<em>Histoire philosophique et politique<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 Raynal<\/p>\n<figure id=\"attachment_259\" aria-describedby=\"caption-attachment-259\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-1993-6-12-10-histoire-philosophique-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-259 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-1993-6-12-10-histoire-philosophique-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"753\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-1993-6-12-10-histoire-philosophique-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-1993-6-12-10-histoire-philosophique-web-300x282.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-1993-6-12-10-histoire-philosophique-web-768x723.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-259\" class=\"wp-caption-text\">Histoire philosophique et politique des \u00e9tablissemens et du commerce des Europ\u00e9ens dans les deux Indes. Tome 1. Guillaume-Thomas Raynal. 1783. Gravura<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Les vies de hommes illustres de Plutarque<\/em> traduites par Dacien<br \/>\n<em>Notes sur l&#8217;histoire des animaux<\/em> d&#8217;Aristote par Camus<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria natural<\/strong><br \/>\n<em>Dictionnaire raisonn\u00e9 universel d&#8217;Histoire naturelle<\/em> par Valmont-Bomare<br \/>\n<em>Oeuvres compl\u00e8tes<\/em> de Buffon<br \/>\n<em>Catalogue des arbres de l&#8217;Am\u00e9rique septentrionale<\/em> par Marshall<br \/>\n<em>Species pantarum<\/em> par Linn\u00e9<\/p>\n<p><strong>Geografia\/viagem<\/strong><br \/>\n<em>Voyage de d\u00e9couvertes \u00e0 l&#8217;oc\u00e9an Pacifique du Nord et autour du monde<\/em> par Vancouver<br \/>\n<em>Voyages de Pythagore<\/em> en \u00c9gypte<br \/>\n<em>Voyage de la troade<\/em> par Lechevalier<br \/>\n<em>Description historique et g\u00e9ographique de l&#8217;Indoustan<\/em> par Rennell<br \/>\n<em>Voyage en Gr\u00e8ce<\/em><br \/>\n<em>G\u00e9ographie naturelle<\/em> par Robert<br \/>\n<em>G\u00e9ographie moderne<\/em> par Pinkerton<br \/>\n<em>Voyages dans les Alpes<\/em> par M. de Saussure<br \/>\n<em>Les nouvelles d\u00e9couvertes des Russes entre l&#8217;Asie et l&#8217;Am\u00e9rique<\/em> par Coxe<br \/>\n<em>Voyages de Richard Pckocke<\/em><br \/>\n<em>Voyages en Italie<\/em> de l&#8217;abb\u00e9 Barth\u00e9lemy<br \/>\n<em>Voyages dans l&#8217;int\u00e9rieur de l&#8217;Afrique<\/em> par Horneman<\/p>\n<p><strong>Dicion\u00e1rios<\/strong><br \/>\n<em>Encyclop\u00e9die ou Dictionnaire raisonn\u00e9 des sciences, des arts et des m\u00e9tiers<\/em> par Diderot et d&#8217;Alembert<br \/>\n<em>Dictionnaire universel historique et critique des\u2026<\/em> par une soci\u00e9t\u00e9 de gens de lettres<br \/>\n<em>Dictionnaire de l&#8217;Acad\u00e9mie fran\u00e7aise<\/em><br \/>\n<em>Dictionnaire grammatical de la langue fran\u00e7aise<\/em> par F\u00e9raud<br \/>\n<em>Dictionnaire biographique<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 Ladvocat<\/p>\n<p><strong>Jurisprud\u00eancia<\/strong><br \/>\n<em>Causes c\u00e9l\u00e8bres<\/em> par des Essarts<\/p>\n<p><strong>Literatura\/teatro\/filologia<\/strong><br \/>\n<em>Oeuvres<\/em> de Brant\u00f4me<br \/>\n<em>Synonymes fran\u00e7ais<\/em> par l&#8217;abb\u00e9 Girard<br \/>\n<em>Les \u00e9pith\u00e8tes fran\u00e7aises rang\u00e9es sous leurs substantifs<\/em> par Daire<br \/>\n<em>Discours sur l&#8217;histoire universelle<\/em> par Bossuet<br \/>\n<em>Oeuvres compl\u00e8tes<\/em> de du Bellay<br \/>\n<em>Th\u00e9\u00e2tre d&#8217;Aristophane<\/em> traduit par Poinsinet de Sivry<br \/>\n<em>Recueil de lettres<\/em> de Wilkelmann<br \/>\n<em>Th\u00e9\u00e2tre de Sophocle<\/em> traduit par Rochefort<br \/>\n<em>Odes de Pindare<\/em> traduites par Gin<br \/>\n<em>Trait\u00e9 de la formation m\u00e9canique des langues et des principes physiques de l&#8217;\u00e9tymologie<\/em><br \/>\nRichardet, <em>po\u00e8me<\/em><br \/>\n<em>Oeuvres de la Harpe<\/em> (?)<\/p>\n<p><strong>Diversos<\/strong><br \/>\n<em>Grammaire allemande<\/em><br \/>\n<em>L&#8217;ami des hommes ou trait\u00e9 de la population<\/em><br \/>\n<em>Oeuvres diverses<\/em> de Pape<br \/>\n<em>Cosmographie \u00e9l\u00e9mentaire<\/em> par Mentelle<br \/>\n<em>Domestic Medicine<\/em> par William Buchan<br \/>\n<em>M\u00e9decine domestique<\/em> traduit de l&#8217;anglais de Buchan par Duplanil<br \/>\n<em>Constitution des principaux \u00c9tats de l&#8217;Eurasie et des \u00c9tats-Unis<\/em> par de Lacroix<br \/>\n<em>Esprit et g\u00e9nie<\/em> de l&#8217;abb\u00e9 Raynal<br \/>\n<em>Esprit des richesses<\/em><\/p>\n<p>Os gostos s\u00e3o ecl\u00e9ticos, com uma clara preval\u00eancia de livros de hist\u00f3ria. N\u00e3o possui livros religiosos.<\/p>\n<p>Estudar um invent\u00e1rio de objetos dom\u00e9sticos ap\u00f3s o falecimento de uma pessoa pode parecer refletir o desejo de se cingir a uma ret\u00f3rica superficial. A fonte permanece aberta a cr\u00edtica devido ao seu car\u00e1ter lapidar e ao facto de n\u00e3o termos acesso aos bens anteriormente partilhados. A compara\u00e7\u00e3o entre o testamento e o invent\u00e1rio \u00e9 instrutiva. O primeiro lista um edif\u00edcio com fun\u00e7\u00f5es de pris\u00e3o, um hospital, e uma cozinha para os escravos. Nenhum destes itens atrai a aten\u00e7\u00e3o das partes interessadas durante o invent\u00e1rio. A cozinha visitada \u00e9 a cozinha \u00abdo amo, em pedra\u00bb mencionada no testamento. N\u00e3o se faz qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0s cubatas dos escravos, nem no testamento, nem no invent\u00e1rio. Os propriet\u00e1rios n\u00e3o lhes atribu\u00edram a merecida aten\u00e7\u00e3o. Esta omiss\u00e3o seletiva n\u00e3o tem o efeito de ocultar, muito pelo contr\u00e1rio, \u00e9 reveladora. Como era costume na \u00e9poca, e dois anos antes da aboli\u00e7\u00e3o, houve um \u00abnegacionismo\u00bb da exist\u00eancia do trabalho for\u00e7ado. No testamento, os escravos apenas s\u00e3o apreciados pela sua for\u00e7a de trabalho. O estabelecimento da f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar n\u00e3o \u00e9 um dos temas da visita. A figura de Madame Desbassayns permanece viva na mem\u00f3ria da Reuni\u00e3o, diz-se que foi uma das maiores propriet\u00e1rias de escravos. A sua propriedade apresenta a mesma disposi\u00e7\u00e3o das dos outros propriet\u00e1rios, sendo que, tal como eles, possui objetos ostentativos, ou livros em grandes quantidades. Ao passar \u00abda adega para o s\u00f3t\u00e3o\u00bb, logramos obter um conhecimento mais fino da propriedade, do ambiente de vida \u00edntimo, dos h\u00e1bitos de consumo.<\/p>\n<p>As atas do leil\u00e3o dos seus m\u00f3veis e objetos de decora\u00e7\u00e3o, efetuadas a pedido dos seus herdeiros, v\u00eam completar parcialmente o invent\u00e1rio. Em Saint-Gilles, s\u00e3o vendidos um certo n\u00famero de m\u00f3veis, designadamente: quatro arm\u00e1rios, treze bancos, tr\u00eas c\u00f3modas, mesas, mesinhas de cabeceira, etc. Al\u00e9m disso faz-se men\u00e7\u00e3o a duas carruagens, dois palanquins e um bilhar. No que diz respeito \u00e0 higiene e limpeza corporal consta da lista: uma banheira, um bid\u00e9, dezasseis bacios, latrinas ou latrinas-mesa. A roupa de casa vendida em Saint-Gilles inclui um n\u00famero de pe\u00e7as consider\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5371,"parent":5002,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-5029","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5002"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}