{"id":5035,"date":"2021-05-19T10:23:36","date_gmt":"2021-05-19T08:23:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5035"},"modified":"2021-11-26T10:48:16","modified_gmt":"2021-11-26T09:48:16","slug":"o-comercio-ilegal-de-escravos","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/o-trafico-de-escravos\/o-comercio-ilegal-de-escravos\/","title":{"rendered":"O com\u00e9rcio ilegal"},"content":{"rendered":"<h1><strong>O com\u00e9rcio ilegal de escravos em Bourbon, no s\u00e9culo XIX<\/strong><\/h1>\n<h2>Na hist\u00f3ria das ilhas do a\u00e7\u00facar, a ilha Bourbon, bem como a sua vizinha, a ilha Maur\u00edcia, representam um caso paradoxal: enquanto nas \u00cdndias Ocidentais o com\u00e9rcio de escravos e a cana-de-a\u00e7\u00facar tinham prosperado em simult\u00e2neo no s\u00e9culo XVIII, os habitantes das ilhas Mascarenhas desenvolveram o cultivo e a ind\u00fastria da cana-de-a\u00e7\u00facar, que tinha a fama de ser devoradora de escravos, no preciso momento em que o com\u00e9rcio de escravos era proibido e a pr\u00f3pria escravatura parecia estar amea\u00e7ada <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8261026611945226\" aria-label=\"test de note\">&nbsp;<\/span>.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5035-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/poster_gerbeau.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/GERBEAU_ST_2.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/GERBEAU_ST_2.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/GERBEAU_ST_2.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios fatores que se combinam para explicar a convers\u00e3o tardia de Bourbon \u00e0 economia do a\u00e7\u00facar, alguns deles de ordem natural, outros pol\u00edticos e econ\u00f3micos. Santo Domingo produziu 86 000 toneladas de a\u00e7\u00facar em 1789. A ilha era o principal produtor mundial de a\u00e7\u00facar e comercializava quase tanto a\u00e7\u00facar como todas as ilhas inglesas juntas. A revolta servil em Santo Domingo levou \u00e0 independ\u00eancia do Haiti, proclamada em 1804. Por um lado, a Fran\u00e7a tinha poucos substitutos para compensar a perda dessa grande col\u00f3nia a\u00e7ucareira. Por outro lado, os terr\u00edveis ciclones que assolaram a ilha de Bourbon em 1806 e 1807 levaram os habitantes a voltarem-se para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e, consequentemente, para o cultivo da cana, mais resistente aos ciclones.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1168\" aria-describedby=\"caption-attachment-1168\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1168\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1168 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2-1.jpg 600w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2-1-300x241.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1168\" class=\"wp-caption-text\">A\u00e7\u00facar. In <em>B\u00e9b\u00e9 devient savant : suite et compl\u00e9ment des albums : \u00abB\u00e9b\u00e9 saura bient\u00f4t lire\u00bb et \u00abB\u00e9b\u00e9 sait lire\u00bb: lectures amusantes et instructives sur les premi\u00e8res connaissances<\/em>. Mme Doudet. Paris : Th. Lef\u00e8vre, [s.d.]. Gravura.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>O com\u00e9rcio de escravos que se praticava no oceano \u00cdndico n\u00e3o era o mesmo que se desenrolava no Atl\u00e2ntico. At\u00e9 \u00e0s viagens de Colombo, o Atl\u00e2ntico era uma barreira. O oceano \u00cdndico, por sua vez, unia pessoas h\u00e1 milhares de anos, atrav\u00e9s do tr\u00e1fico de escravos, do com\u00e9rcio, da guerra ou da aventura, por meio do encontro de ideias e cren\u00e7as. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida sobre a antiguidade do tr\u00e1fico de escravos. A altern\u00e2ncia das mon\u00e7\u00f5es, relatada j\u00e1 no s\u00e9culo I pelo grego Hippalos, rege os movimentos. Quatro meses por ano, durante o inverno boreal, os ventos de nordeste empurram os navios oriundos da Ar\u00e1bia e do noroeste da \u00cdndia para a costa oriental de \u00c1frica. No ver\u00e3o, durante cerca de seis meses, os ventos que sopram de sudoeste permitem o regresso. Portanto, h\u00e1 s\u00e9culos que o com\u00e9rcio de escravos existe, em toda esta imensa \u00e1rea oce\u00e2nica, tanto nas suas formas legais como ilegais. Os europeus, ao contr\u00e1rio do que acontecia no Atl\u00e2ntico, foram capazes de incluir o tr\u00e1fico nas suas pr\u00e1ticas tradicionais. Foi talvez gra\u00e7as a essas pr\u00e1ticas que foram ainda mais bem sucedidos na imposi\u00e7\u00e3o das suas pr\u00f3prias exig\u00eancias e inova\u00e7\u00f5es. Os colonizadores encontraram, neste \u00abconjunto milenar\u00bb, sociedades que h\u00e1 muito estavam organizadas. Paradoxalmente, este espa\u00e7o tamb\u00e9m lhes ofereceu terras desprovidas de pessoas, como as Ilhas Mascarenhas e as Seicheles, enquanto o Atl\u00e2ntico, um \u00abespa\u00e7o de barreira\u00bb, os conduziu a ilhas e a um continente que j\u00e1 estavam povoados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1170\" aria-describedby=\"caption-attachment-1170\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1170\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1170 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"592\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3-1.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3-1-300x231.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1170\" class=\"wp-caption-text\">Mapa do Congo e do pa\u00eds dos Cafres. Guillaume Delisle. 1708. Gravura.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>J. de V. Allen sublinha a exist\u00eancia de tr\u00eas n\u00edveis de unidade neste oceano. O primeiro \u00e9 o resultado das migra\u00e7\u00f5es, particularmente as austron\u00e9sias, anteriormente referidas sob o t\u00edtulo mais expl\u00edcito de malaio-polin\u00e9sio. O segundo \u00e9 marcado por influ\u00eancias culturais irradiadas a partir do subcontinente indiano. O terceiro est\u00e1 ligado ao Isl\u00e3o. H. N. Chittick acredita que o oceano \u00cdndico constituiu o \u00abmaior continuum cultural do mundo durante os primeiros quinze s\u00e9culos da nossa era\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.10854257736321393\" aria-label=\"Permitam-me remeter aqueles que gostariam de ter refer\u00eancias e mais pormenores sobre estas quest\u00f5es para um documento de trabalho elaborado a pedido da UNESCO e apresentado numa \u00abreuni\u00e3o de peritos\u00bb no Haiti: \u00abLa traite esclavagiste dans l'Oc\u00e9an Indien du XVe au XIXe si\u00e8cle; probl\u00e8mes pos\u00e9s \u00e0 l'historien, recherches \u00e0 entreprendre\u00bb, 1975, 39 p. dactyl (publicado em Histoire G\u00e9n\u00e9rale de l'Afrique, Etudes et Documents, vol. 2, La Traite n\u00e9gri\u00e8re du XVe au XIXe si\u00e8cle, Paris, UNESCO, 1979, pp. 194-217. Ver tamb\u00e9m as v\u00e1rias tradu\u00e7\u00f5es deste volume feitas por iniciativa da UNESCO).\">&nbsp;<\/span>. Devido \u00e0 viol\u00eancia a que \u00e9 submetido, o escravo \u00e9 um fator de fratura. N\u00e3o obstante, \u00e9 tamb\u00e9m um elemento do \u00abcontinuum cultural\u00bb, um elo. O tr\u00e1fico de escravos, um insulto \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um facto civilizacional, que ainda hoje est\u00e1 patente nas l\u00ednguas, religi\u00f5es, receitas e v\u00e1rios outros aspetos da sociedade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1172\" aria-describedby=\"caption-attachment-1172\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-4.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1172\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1172 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-4.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"537\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-4.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-4-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1172\" class=\"wp-caption-text\">Slaves on their Way to the coast. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le. Fundo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>V\u00e1rias justifica\u00e7\u00f5es foram apresentadas para o tr\u00e1fico de escravos e a escravatura. Lu\u00eds XIII sentiu, escreve o Padre Labat, imensas dificuldades em consentir que os primeiros habitantes das ilhas tivessem escravos, e apenas se rendeu (&#8230;) porque lhe foi indicado que era um meio infal\u00edvel, e o \u00fanico que havia, para inspirar a adora\u00e7\u00e3o do verdadeiro Deus aos<br \/>\nafricanos\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2390896712765408\" aria-label=\"Nouveau Voyage aux Isles de l'Am\u00e9rique, 1722\">&nbsp;<\/span>. Lu\u00eds XVI, por seu lado, parecia, n\u00e3o sem algum cinismo, prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s virtudes terrenas do cristianismo do que aos seus objetivos long\u00ednquos, ao concordar com os termos do memorando dirigido ao governador da Guiana: \u00ab\u00c9 sobretudo pela conten\u00e7\u00e3o que a religi\u00e3o imp\u00f5e, que os escravos, demasiado infelizes devido \u00e0 pr\u00f3pria escravatura, e igualmente insens\u00edveis \u00e0 honra, \u00e0 vergonha e ao castigo, podem ser comedidos\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4976089411578781\" aria-label=\"Arquivos Nacionais do Ultramar, Aix-en-Provence (ANOM), Col. F 3\/71, p. 95, m\u00e9moire du roi au gouverneur de la Martinique, 25 de janeiro de 1765.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Delabarre de Nanteuil, por sua vez, p\u00f5e a t\u00f3nica na no\u00e7\u00e3o de clima: \u00abReconhece-se que os Europeus n\u00e3o podem, sem perigo para a sua exist\u00eancia, dedicar-se ao cultivo de terras sob a zona t\u00f3rrida, e que apenas os Negros podem faz\u00ea-lo, especialmente aqueles que vivem nos pa\u00edses mais pr\u00f3ximos do equador.\u00bb A possibilidade de confiar trabalho agr\u00edcola a Negros de condi\u00e7\u00e3o livre, origin\u00e1rios destas regi\u00f5es, n\u00e3o parece ser exclu\u00edda pelo autor, se lermos um pouco mais abaixo a seguinte cita\u00e7\u00e3o retirada do <em>Essai de Statistique de l&#8217;\u00eele Bourbon<\/em> de Thomas: \u00abO homem trabalha apenas para satisfazer as suas necessidades e os projetos da sua ambi\u00e7\u00e3o. O homem negro n\u00e3o conhece nenhuma ambi\u00e7\u00e3o e tem muito poucas necessidades. Abandonado \u00e0 sua vontade, nada faz (&#8230;), para sair desta in\u00e9rcia deve ser obrigado a trabalhar e a \u00fanica forma de o conseguir \u00e9 impor-lhe a submiss\u00e3o completa \u00e0s ordens de outrem.\u00bb A conclus\u00e3o de Nanteuil n\u00e3o tardou a chegar: \u00abEstes s\u00e3o os motivos, n\u00e3o h\u00e1 duvidas, que levaram os fundadores da col\u00f3nia a adotar o sistema da escravatura<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7352081992776999\" aria-label=\"Conde Auguste Delabarre de Nanteuil, L\u00e9gislation de l'\u00eele Bourbon, Paris, J.-B. Gros, 1844, 3 vols. XV-616, 672 e 504 p. (D. de N. 2, pp. 89-90). \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que as v\u00e1rias medidas para proibir o tr\u00e1fico de escravos, tomadas esporadicamente a partir do s\u00e9culo XVII, tiveram resultados muito limitados no sudoeste do oceano \u00cdndico. As raz\u00f5es apresentadas, religiosas, clim\u00e1ticas, econ\u00f3micas, forneceram aos comerciantes de escravos e propriet\u00e1rios um arsenal de justifica\u00e7\u00f5es que lhes permitiram permanecer surdos a todas as injun\u00e7\u00f5es. A atitude das autoridades, quer administrativas, militares ou judiciais, foi muitas vezes hesitante. Dispondo de leis mal adaptadas \u00e0s necessidades da repress\u00e3o, recursos materiais insuficientes e pouco convictos da legitimidade da sua a\u00e7\u00e3o, a maioria daqueles que deveriam ter lutado contra os traficantes de escravos tomou o partido da passividade, ou mesmo da cumplicidade. Este balan\u00e7o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as aos testemunhos de alguns contempor\u00e2neos mais l\u00facidos. Ser\u00e1 que as mudan\u00e7as geopol\u00edticas e legislativas que afetam as ilhas Mascarenhas durante as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX ir\u00e3o modificar os dados do problema e o comportamento dos protagonistas?<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, mesmo durante o per\u00edodo de tr\u00e1fico legal, constata-se que h\u00e1 navios envolvidos no tr\u00e1fico clandestino por raz\u00f5es que podem ser de natureza p\u00fablica \u2014 por exemplo, raz\u00f5es fiscais ou diplom\u00e1ticas \u2014 ou de natureza privada, tais como um desacordo entre o armador, o vigilante do navio e o capit\u00e3o. Al\u00e9m disso, em certos momentos, alguns destinos s\u00e3o proibidos, quer pelas autoridades do pa\u00eds fornecedor, quer pelas do local de partida. C. Wanquet observa, por exemplo, que no s\u00e9culo XVIII \u00aba proibi\u00e7\u00e3o de navios privados continuarem o com\u00e9rcio malgaxe era dificilmente respeitada <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4542766472394939\" aria-label=\"Histoire d'une R\u00e9volution. La R\u00e9union 1789-1803, Marselha, J. Laffitte, 1980-1984, 3 t., 779, 514, 622 p. (edi\u00e7\u00e3o de uma tese de doutoramento de V-2211 p. dactyl., que tem o mesmo t\u00edtulo. Preparada sob a dire\u00e7\u00e3o de Jean-Louis Mi\u00e8ge, foi defendida em Aix-en-Provence a 29 de maio de 1978, perante um j\u00fari presidido por Michel Mollat du Jourdin), cf. t.1, p. 48. O autor cita uma carta dirigida ao ministro a 24 de setembro de 1777, onde se l\u00ea \u00abque, desafiando a proibi\u00e7\u00e3o feita por Sua Majestade de comercializar negros em Madag\u00e1scar, todos os navios que regressam de l\u00e1 trouxeram alguns desse pa\u00eds.\u00bb \">&nbsp;<\/span>. \u00c9 certo que em Bourbon \u00abos anos de 1769 a 1793 foram o grande per\u00edodo do com\u00e9rcio\u00bb: \u00e9 prov\u00e1vel que o n\u00famero de novos escravos negros que entram na ilha todos os anos ronde os 3 000. Todavia, existe ainda alguma incerteza sobre este valor, especialmente devido ao tr\u00e1fico de escravos malgaxe, cuja extens\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de avaliar durante os per\u00edodos em que \u00e9 proibido aos particulares<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5923855579961376\" aria-label=\"C. Wanquet, ibid.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica deste tr\u00e1fico, no virar dos dois s\u00e9culos, como escreve A. Toussaint \u00e9 a seguinte: \u00abA corrida \u00e0s Ilhas Mascarenhas atingiu o seu auge durante a Revolu\u00e7\u00e3o e o Imp\u00e9rio. Era uma guerra pelo abastecimento, uma vez que as ilhas estavam isoladas de Fran\u00e7a e n\u00e3o podiam satisfazer sozinhas as suas necessidades. Comerciantes neutros (americanos e dinamarqueses) vieram para comprar o saque e aprovisionar os cors\u00e1rios. Eis o balan\u00e7o de 1793 a 1810: cento e quatro cors\u00e1rios fizeram trezentas e quatro capturas (&#8230;) perdendo eles pr\u00f3prios apenas trinta e um navios (&#8230;). O mais famoso \u00e9 Robert Surcouf que levou quarenta e sete navios. Ele pr\u00f3prio praticou ocasionalmente o tr\u00e1fico de escravos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1174\" aria-describedby=\"caption-attachment-1174\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-4.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1174\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1174 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-4.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"761\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-4.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-4-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-4-300x297.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-4-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1174\" class=\"wp-caption-text\">Robert Surcouf. P. Sellier. S\u00e9culo XIX. Gravura, realce de cor, aguarela.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Ilha da Reuni\u00e3o armou poucos cors\u00e1rios, cerca de dez, por\u00e9m o seu papel estava longe de ser negligenci\u00e1vel. Fornecia constantemente aos ex\u00e9rcitos alimentos e atiradores de elite chamados \u00abvolunt\u00e1rios de Bourbon\u00bb. Quando a ilha de Fran\u00e7a foi bloqueada por cruzadores ingleses, os cors\u00e1rios de Port-Louis e os seus capturados encontraram ref\u00fagio na ilha<br \/>\nvizinha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3543035008759573\" aria-label=\"A. Toussaint, Histoire des corsaires, Paris, PUF, \u00abQue sais-je ?\u00bb, 1978, 128 p., p. 85-86. Os ataques destes cors\u00e1rios desempenharam um certo papel na decis\u00e3o tomada pelos brit\u00e2nicos de confiscar as Ilhas Mascarenhas. Ver tamb\u00e9m: \u00abPirates and Privateers in the Indian Ocean\u00bb, Col\u00f3quio de S\u00e3o Francisco sobre \u00abCourse et piraterie\u00bb, fasc\u00edculo II, Paris, Commission internationale d'Histoire Maritime, 1975, pp. 766-784 (Este documento faz parte de um conjunto intitulado \u00abCourse et piraterie dans l'Oc\u00e9an Indien\u00bb, pp. 702-817. Inclui artigos de A. Toussaint, G. Bouchon, C. Wanquet e P.A. de Wilde. Para o tr\u00e1fico de escravos ver passim).\">&nbsp;<\/span> . Apenas os danos que os cors\u00e1rios infligiram aos brit\u00e2nicos mereceram aten\u00e7\u00e3o, contudo o seu raio de a\u00e7\u00e3o foi muito mais amplo.<\/p>\n<p>O estabelecimento dos brit\u00e2nicos em Bourbon a 9 de julho de 1810, e na Ilha de Fran\u00e7a a 3 de dezembro, seguiu-se, a 14 de maio de 1811, de uma tentativa de aplicar a lei de 1807 relativa \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de escravos aos Mascarenos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1214\" aria-describedby=\"caption-attachment-1214\" style=\"width: 1707px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-7.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1214\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1214 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-7.jpg\" alt=\"\" width=\"1707\" height=\"680\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-7.jpg 1707w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-7-300x120.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-7-768x306.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-7-1024x408.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1214\" class=\"wp-caption-text\">The slave trade in east africa, ships of the British and German Blockading Fleets. In T<em>he Graphic<\/em>, january 19, 1889, p. 56.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le. Fundo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os infratores deviam ser declarados \u00abculpados de crime e transportados para o estrangeiro por um per\u00edodo n\u00e3o superior a catorze anos, ou encarcerados e obrigados a realizar trabalhos for\u00e7ados por um per\u00edodo n\u00e3o superior a cinco anos e n\u00e3o inferior a tr\u00eas anos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.056389793872932636\" aria-label=\"D. de N. 3, p. 372.\">&nbsp;<\/span>. Nos meses ap\u00f3s esta decis\u00e3o, os \u00abcriminosos\u00bb n\u00e3o parecem ter sido perseguidos com muito zelo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1178\" aria-describedby=\"caption-attachment-1178\" style=\"width: 895px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-15.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1178\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1178 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-15.jpg\" alt=\"\" width=\"895\" height=\"508\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-15.jpg 895w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-15-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-15-768x436.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1178\" class=\"wp-caption-text\">TThe east african slave trade : examination of captured slaves in the british consul-general&#8217;s court at Zanzibar. Gravura. 17\/12\/1881. In <em>The illustrated London News<\/em>, 17 de dezembro de 1881.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le. Fundo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como a investiga\u00e7\u00e3o dos comiss\u00e1rios enviados \u00e0 Maur\u00edcia de 1826 a 1828 revelaria, autorizado ou n\u00e3o, o tr\u00e1fico de escravos continuava, os meios previstos para o combater n\u00e3o eram muito eficazes e muitas opera\u00e7\u00f5es bem sucedidas puderam ser realizadas gra\u00e7as \u00e0 passividade, ou \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, das autoridades e por vezes tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 vizinhan\u00e7a de<br \/>\nBourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8897066752961451\" aria-label=\"Arquivos Nacionais da ilha Maur\u00edcia, tamb\u00e9m conhecidos como Arquivos das Maur\u00edcias (AM) IA, 11. 5, Report...., .\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nEm breve eclodiu um conflito na ilha entre o governador e os magistrados, que se recusaram a condenar os habitantes apanhados em flagrante delito, sob o pretexto de que a <em>Lei de Aboli\u00e7\u00e3o<\/em> de George III nunca tinha sido publicada ou registada em Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6990357778320313\" aria-label=\"A.G. Field, The Expedition to Mauritius in 1810 and the establishment of British control, thesis, M. A. (dactyl.), London, 1931, p. 98.\">&nbsp;<\/span>. Na Maur\u00edcia, no entanto, os tribunais foram obrigados a registar a lei a 14 de janeiro de 1813. A 2 de fevereiro de 1813, foi enviada uma ordem de Port-Louis \u00abpara obrigar os comiss\u00e1rios civis a seguir no futuro o procedimento(&#8230;) indicado para a descoberta de todos os delitos contra as leis sobre a aboli\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio negro\u00bb em Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4004378219696857\" aria-label=\"Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o ADR, L 484, carta de Smith, \u00abGrand juge\u00bb, ao Comiss\u00e1rio-geral de Bourbon.\">&nbsp;<\/span>. Por\u00e9m, nesta ilha, em julho de 1813, o tribunal de primeira inst\u00e2ncia ainda se recusou a julgar o caso de um navio que transportava escravos, argumentando que as leis que proibiam o tr\u00e1fico n\u00e3o tinham sido registadas pelos tribunais de Bourbon. O Tribunal de recurso confirmou esta interpreta\u00e7\u00e3o em novembro <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8300897457474727\" aria-label=\"AM, IA, 11. 5, Report.... Ver tamb\u00e9m A.G. Field, The Expedition to Mauritius em 1810 ... op. cit., p. 98.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a repress\u00e3o foi posta em pr\u00e1tica em Bourbon, mas os respons\u00e1veis dessa repress\u00e3o mostraram muita indulg\u00eancia e hesita\u00e7\u00e3o, quer no tocante a apreender navios, visitar casas ou fazer deten\u00e7\u00f5es. Todas estas a\u00e7\u00f5es continuavam a ser alvo de protestos por parte dos interessados, bem como de certos magistrados. Foi o caso da escuna <em>Jos\u00e9phine<\/em>: a embarca\u00e7\u00e3o e os Negros \u00abpresumivelmente introduzidos\u00bb por ela foram apreendidos. Estas \u00abdeten\u00e7\u00f5es (foram) irregulares e arbitr\u00e1rias\u00bb, segundo o procurador-geral Virieux, que acrescentou que tinham come\u00e7ado em Bourbon em dezembro de 1813 e que ainda estavam em curso<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.35068998099802395\" aria-label=\"AM, SA 1, relat\u00f3rio datado de Port Louis, 25 de fevereiro de 1814, pp. 7-29.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1184\" aria-describedby=\"caption-attachment-1184\" style=\"width: 844px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1184\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1184 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8-1.jpg\" alt=\"\" width=\"844\" height=\"561\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8-1.jpg 844w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8-1-768x510.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1184\" class=\"wp-caption-text\">The blockade on the east coast of Africa : overhauling the papers of a suspicious dhow. 1889. Imprimir. In <em>The Illustration London News<\/em>, Feb. 9, 1889. P. 176-177. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lescouble menciona dois casos de captura de escravos que ele testemunhou em dezembro de 1814 e que conduziram a resultados muito fracos:<br \/>\n\u00abO <em>Maguenette<\/em> apreendeu o navio comandado pela Suzor que transportava negros. Foi preso. O imediato do navio, um crioulo local, escapou da pris\u00e3o. Falmon, o propriet\u00e1rio do navio, evadiu-se e foi prometido 2 000 ptres (piastras) \u00e0quele que o encontrasse. Nos \u00faltimos dias, a mesma corveta apreendeu outro navio e levou-o para S\u00e3o Paulo, por\u00e9m foi libertado imediatamente<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.968292076165038\" aria-label=\"ADR, 1 J 19\/3, \u00abJournal d'un colon (...)\u00bb, 15 de dezembro de 1814. Tamb\u00e9m se pode utilizar a transcri\u00e7\u00e3o que foi publicada em 1990 por L'Harmattan: Jean-Baptiste Renoyal de Lescouble, Journal d'un colon de l'\u00eele Bourbon - texto redigido por Norbert Dodille - 3 volumes, XL-1501 p. + 24 p. de pl. Todavia, nestes tr\u00eas volumes, s\u00e3o feitas ligeiras modifica\u00e7\u00f5es, por vezes devido a erros de leitura, ao texto original. Assim \u00abnoirs\u00bb torna-se \u00abNoirs\u00bb, \u00abattrapp\u00e9\u00bb \u00e9 corrigido para \u00abatrap\u00e9\u00bb e \u00able cours de ventre\u00bb \u00e9 infelizmente transformado em \u00abescars de ventre\u00bb). \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1186\" aria-describedby=\"caption-attachment-1186\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1186\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1186 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-2.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-2.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-2-300x203.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1186\" class=\"wp-caption-text\">BB\u00e2timent n\u00e9grier fuyant les croiseurs et jetant ses esclaves \u00e0 la mer. Morel-Fatio. Harrison. 1884. Impress\u00e3o. In <em>Le Magasin pittoresque<\/em>. &#8211; Paris: [s. n.], 1844. P. 52.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>Os truques utilizados pelos compradores e comerciantes de escravos eram variados. Lescouble por vezes especificava a natureza do com\u00e9rcio em linguagem simples, como se a oculta\u00e7\u00e3o no \u00abJornal&#8230;\u00bb fosse mais um jogo do que um receio de ser tra\u00eddo por uma tal confiss\u00e3o. Fosse devido a um desejo de sigilo ou uma preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o comprometer algu\u00e9m pr\u00f3ximo, alguns dos tr\u00e1ficos s\u00e3o descritos em f\u00f3rmulas t\u00e3o codificadas que s\u00e3o quase herm\u00e9ticas. Por\u00e9m, algumas formula\u00e7\u00f5es s\u00e3o transparentes: os cativos tornam-se \u00abdignit\u00e1rios\u00bb ou legumes (<em>cambarres<\/em>) e na maioria das vezes \u00abbois\u00bb. Estes animais, que muitos comerciantes de escravos afirmam transportar, emprestam t\u00e3o frequentemente os seus nomes \u00e0s v\u00edtimas do com\u00e9rcio que um comerciante de escravos distra\u00eddo parece esquecer que este \u00absin\u00f3nimo\u00bb de \u00abnegros\u00bb \u00e9 usado para esconder um tr\u00e1fico &#8211; e que ap\u00f3s ter ocultado e mencionado a presen\u00e7a de \u00abbois\u00bb, \u00e9 desmascarado ao guardar um documento que indica a compra de tecido para vestir os ditos animais: este \u00e9 o infort\u00fanio que ocorreu com Caussade, capit\u00e3o da <em>Eole<\/em>, que, \u00abn\u00e3o tendo sido incapaz de encontrar bois em Madag\u00e1scar\u00bb, indicou no \u00abJornal de navega\u00e7\u00e3o\u00bb que estava a partir \u00absem carga para Bourbon.\u00bb Por\u00e9m, o mesmo Jornal menciona, em rela\u00e7\u00e3o ao dia seguinte, \u00abque foram feitas rondas no por\u00e3o para levantar os <em>bois<\/em>\u00bb. A apreens\u00e3o de uma carta relativa \u00e0 mesma viagem n\u00e3o deixa d\u00favidas sobre a exist\u00eancia de uma carga e a sua natureza: afirma que \u00abo Sr. Bourdon deve, pelo frete de tr\u00eas bois e vitelas\u00bb, sessenta e tr\u00eas piastras; \u00abpara a comida de um total de seis dias\u00bb, nove piastras e \u00abpara a roupa que lhes \u00e9 dada \u00e0 chegada\u00bb,<br \/>\n2,50 piastras<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9013563852107535\" aria-label=\"ADR, U 1502, Registo dos decretos do Conselho especial de revis\u00e3o, p. 69, incluindo extratos do livro de bordo da Eole, datado de 10 a 12 de outubro de 1818, e uma carta assinada por Dupont, datada de 22 de outubro de 1818 em Saint-Paul. O Conselho recusou-se a pronunciar a apreens\u00e3o, \u00abcom o fundamento de que n\u00e3o tinha havido apreens\u00e3o na altura da introdu\u00e7\u00e3o, nem um relat\u00f3rio para o estabelecer, tal como prescrito em mat\u00e9ria aduaneira pela lei de 22 de agosto de 1791\u00bb. \">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nAlguns traficantes de escravos, que receavam ser condenados nas Maur\u00edcias, aparentemente aproveitaram para se refugiarem em Bourbon. Este facto foi recordado alguns anos mais tarde, a prop\u00f3sito das atividades de um certo Salm\u00e3o que, o \u00ab<em>propriet\u00e1rio de um navio chamado Agla\u00e9<\/em>\u00bb, foi acusado de ter transportado \u00ab<em>164 negros<\/em>\u00bb em 1814, e depois se instalou na ilha vizinha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5957598971547816\" aria-label=\"ADR, 56 M 8, carta de Darling, governador interino das Maur\u00edcias, ao governador de Bourbon, 21 de junho de 1819.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>\u00abAs den\u00fancias relacionadas com os chamados novos negros\u00bb podem ser ditadas \u00aba qualquer momento, seja por verdade ou por mal\u00edcia\u00bb e o ardor dos ocupantes brit\u00e2nicos em identificar os suspeitos excede por vezes os limites da legalidade, ou pelo menos os limites que a administra\u00e7\u00e3o e o sistema de justi\u00e7a, cujos funcion\u00e1rios, alguns dos quais franceses, est\u00e3o mais dispostos a respeitar a letra do que o esp\u00edrito dos textos repressivos. O caso de um certo Major Bayly, que se diz ter confundido escravos <em>marrons<\/em> com novos negros, e ter tomado a iniciativa de visitas domicili\u00e1rias e apreens\u00e3o ilegal, \u00e9 repreendido pelo comiss\u00e1rio da justi\u00e7a <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.30674186126464\" aria-label=\"ADR L 484: \u00ab1810-1815. Slavery (...)\u00bb, Ozoux a Pitois, 20 de janeiro de 1815.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>No primeiro Tratado de Paris, a 30 de maio de 1814, foi tomada a decis\u00e3o de devolver a Ilha de Bourbon \u00e0 Fran\u00e7a. A entrega da ilha pelos brit\u00e2nicos teve lugar a 6 de abril de 1815. A \u00abreintegra\u00e7\u00e3o\u00bb foi assegurada por Bouvet de Lozier, o novo governador franc\u00eas, que administraria Bourbon at\u00e9 1817 <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.965492306420773\" aria-label=\"A. Scherer, Guide des archives de la R\u00e9union, Saint-Denis, R\u00e9union, Impr. Cazal, 1974, 84 p., p. 77. Bouvet foi marechal de campo, um posto que corresponde ao de brigadeiro-general atual.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1249\" aria-describedby=\"caption-attachment-1249\" style=\"width: 411px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10-4.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1249\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1249 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10-4.jpg\" alt=\"\" width=\"411\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10-4.jpg 411w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10-4-220x300.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1249\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Bouvet de Lozier, busto, 3\/4 virado \u00e0 esquerda numa oval. Hubert. S\u00e9culo XIX. gravura.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>Cinco semanas antes, no dia 1 de mar\u00e7o, Napole\u00e3o aterrou no Golfe-Juan e no dia 20 retomou o poder em Paris.<br \/>\nQuando a not\u00edcia do regresso de Lu\u00eds XVIII ao trono chegou \u00e0s ilhas Mascarenhas, os brit\u00e2nicos renunciaram a intervir em Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3934667328475092\" aria-label=\"Auguste Brunet Trois Cents Ans de Colonisation. La R\u00e9union (Ancienne \u00eele Bourbon), Paris, Editions de l'Empire Fran\u00e7ais, 1948, 178 p., p. 120. \">&nbsp;<\/span>. No in\u00edcio do seu reinado, o rei comprometeu-se a unir for\u00e7as com a Inglaterra para assegurar que todos os pa\u00edses crist\u00e3os renunciassem ao com\u00e9rcio de escravos.<br \/>\nA partir de 1815, as iniciativas locais iriam envenenar as rela\u00e7\u00f5es entre as autoridades das duas ilhas. Doravante, os rivais discordavam sobre o problema das respetivas presen\u00e7as em Madag\u00e1scar. Foi a quest\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos em Grande \u00cele que deu ao governador da Maur\u00edcia um pretexto para melhor afirmar os direitos que reivindicava ter sobre os postos de com\u00e9rcio que a Fran\u00e7a possu\u00eda em Madag\u00e1scar.<\/p>\n<p>O cerne da quest\u00e3o, no caso do com\u00e9rcio ilegal de escravos em Bourbon, no s\u00e9culo XIX, situa-se durante a Restaura\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio da Monarquia de Julho. Assunto que teria sido apresentado de forma diferente se a cana-de-a\u00e7\u00facar n\u00e3o tivesse sido objeto, no mesmo momento, de uma r\u00e1pida expans\u00e3o na ilha. Esta expans\u00e3o foi uma das consequ\u00eancias do com\u00e9rcio de escravos e, \u00e0 medida que se instalava, parecia ser tamb\u00e9m uma das causas mais certas da sua persist\u00eancia.<\/p>\n<p>Cada um dos cinco portos continentais enviaram um navio de escravos: Bordeaux, Honfleur, Marselha, Paimbeuf e Saint-Malo. Nantes, o primeiro porto de escravos franc\u00eas, enviou por si s\u00f3 dez <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9147952950036188\" aria-label=\"O caso do navio Apollo, que se tornou Orfeu, proporciona um exemplo significativo do que alguns dos tr\u00e1ficos provenientes de Nantes representam: utiliza\u00e7\u00e3o de ardis (mudan\u00e7as de nome e destino, documentos que substituem o termo \u00abbois\u00bb pelo de \u00abnegros\u00bb), dura\u00e7\u00e3o das viagens, dimens\u00e3o da \u00abcarga\u00bb (511 cativos), prov\u00e1vel apelo a capitais internacionais (papel de Antu\u00e9rpia).\">&nbsp;<\/span>. V\u00e1rios navios escravos partiram de portos situados no sudoeste do oceano \u00cdndico: um de Zanzibar, um de Mo\u00e7ambique e seis da Maur\u00edcia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2172940044207986\" aria-label=\"Poder\u00edamos acrescentar Sainte-Marie de Madag\u00e1scar, uma pequena ilha de onde o Bacchante pode ter partido, respons\u00e1vel por um tr\u00e1fico no qual estavam envolvidos oficiais franceses.\">&nbsp;<\/span>. O maior contingente vinha de Bourbon: setenta e nove partidas s\u00e3o atestadas e duas s\u00e3o prov\u00e1veis<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.16208952215357653\" aria-label=\"Obtemos assim um total de 148 partidas, incluindo tr\u00eas prov\u00e1veis partidas, duas de Bourbon e uma de Sainte-Marie de Madag\u00e1scar, mas das quais n\u00e3o consta a partida da Sylphe que, depois de sair de Pointe-\u00e0-Pitre, tinha traficado 400 cativos com destino a Guadalupe. Ap\u00f3s a sua captura, o navio negreiro teve de libertar os escravos em \u00c1frica e foi for\u00e7ado a ir para Bourbon.\">&nbsp;<\/span>. Em quarenta e oito dos casos, o porto ou local de partida dos comerciantes de escravos permanece desconhecido.<br \/>\n\u00c9 certo que, na maioria dos casos, os barcos que sa\u00edram de Bourbon foram fretados por propriet\u00e1rios da ilha, onde muitos dos armadores tamb\u00e9m residem e onde a maioria das tripula\u00e7\u00f5es \u00e9 recrutada.<\/p>\n<p>F\u00f3rmulas como as do Misson podem levar a crer que o com\u00e9rcio forneceu imensos recursos. Todavia, \u00e9 preciso lembrar que a presen\u00e7a de piratas em Madag\u00e1scar data do final do s\u00e9culo XVII ao in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII. Segundo Misson, o pirata proven\u00e7al que fundou a \u00abrep\u00fablica\u00bb da Libertalia na ba\u00eda de Di\u00e9go-Suarez, os lucros podem ser consider\u00e1veis: \u00abUm escravo custa 750 a 1 250 libras nos Barbados, enquanto que em Madag\u00e1scar, com uma d\u00fazia de libras de mercadoria, pode-se comprar o quanto se quiser. Podemos adquirir um bom tipo por tuta e meia <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.01878189226171978\" aria-label=\"A cita\u00e7\u00e3o aparece no Volume III (de 1640 a 1716) da Collection des ouvrages anciens concernant Madagascar, de Alfred e Guillaume Grandidier, Paris, 1905, p. 511. \u00c9 reproduzida num artigo de Jean-Michel Filliot (\u00abPirates et corsaires dans l'Oc\u00e9an Indien\u00bb, Col\u00f3quio de S\u00e3o Francisco sobre \u00abCourse et piraterie\u00bb, fasc\u00edculo II. Paris, 1975, pp. 766-784). O mesmo autor citou-a, substituindo a palavra \u00ablivres\u00bb pela palavra \u00abfrancs\u00bb, no seu livro: La Traite des esclaves vers les Mascareignes au XVIIIe si\u00e8cle, Paris, ORSTOM. 1974, 274 p. (p. 119).\">&nbsp;<\/span>. Na ilha vizinha de Bourbon, os pr\u00f3prios piratas entregam mercadorias e escravos.<br \/>\nA an\u00e1lise efetuada por C. Wanquet focaliza-se na \u00e9poca da Restaura\u00e7\u00e3o, estudando o refor\u00e7o das medidas repressivas implementadas em 1796. A sua tese \u00e9 a de que se pode \u00abduvidar da efic\u00e1cia desta legisla\u00e7\u00e3o porque os benef\u00edcios do tr\u00e1fico de escravos clandestino provavelmente primam sobre todas as outras considera\u00e7\u00f5es<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8889063243177059\" aria-label=\" Hist\u00f3ria de uma Revolu\u00e7\u00e3o... , vol. 3, p. 113. .\">&nbsp;<\/span>.\u00bb<br \/>\nOlivier P\u00e9tr\u00e9-Grenouilleau escreveu: \u00abSobre a quest\u00e3o da rentabilidade do tr\u00e1fico de escravos, os valores mais extravagantes foram banalizados, popularizando a ideia de lucros extraordin\u00e1rios, muitas vezes superiores a 100% por viagem. De facto, embora fossem razo\u00e1veis para a \u00e9poca e em compara\u00e7\u00e3o com outros investimentos, os lucros m\u00e9dios anuais eram bastante pequenos (4 a 6% para os comerciantes de Nantes no s\u00e9culo XVIII).\u00bb<br \/>\nSem minimizar os riscos de apreens\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que os lucros tenham aumentado durante os per\u00edodos de com\u00e9rcio ilegal. Em Bourbon, no mesmo ano em que a escravatura foi abolida, foi publicado na imprensa um artigo afirmando que \u00ab<em>sob o regime<\/em>\u00bb do com\u00e9rcio ilegal, os lucros eram tais que se podia \u00abp\u00f4r em risco tr\u00eas e at\u00e9 cinco armamentos para ter a hip\u00f3tese de salvar um<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7660857650987138\" aria-label=\"Feuille Hebdomadaire de l'Ile Bourbon, No. 1524, 15 de Mar\u00e7o de 1848, p. 3. Lucros consider\u00e1veis se for verdade que a venda de uma \u00fanica carga poderia compensar a perda de cinco navios e da sua carga. \">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nNo s\u00e9culo XIX, o sudoeste do oceano \u00cdndico ainda parecia prop\u00edcio a neg\u00f3cios frutuosos: Serge Daget cita a opini\u00e3o de um contempor\u00e2neo que menciona uma \u00abimpunidade que assegurava enormes lucros para o com\u00e9rcio, 200%, 300%; o que lhe permitiu estender-se ao Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6954362290691061\" aria-label=\"Les croisi\u00e8res fran\u00e7aises de r\u00e9pression de la traite des Noirs sur les c\u00f4tes occidentales de l'Afrique (1817-1850), tese de doutoramento do Estado defendida na Universidade de Paris IV em 12 de Dezembro de 1987, dirigida por Jean Ganiage, 2 t. XIV-596 p. e 297 p., t. 1, p. 304.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1192\" aria-describedby=\"caption-attachment-1192\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/documentaires\/la-traite-des-esclaves\/la-traite-illegale\/fig-11-3\/\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1192\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1192 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-3.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1166\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-3.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-3-198x300.jpg 198w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-3-674x1024.jpg 674w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1192\" class=\"wp-caption-text\">Confiscation au profit du roi de France des cent soixante-douze esclaves de traite saisis sur le lougre Espoir. 19 outubro 1820. Manuscrito.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Inversamente, o tr\u00e1gico destino do jovem Busschop poderia revelar que o com\u00e9rcio por vezes arruinava aqueles que a ele se dedicavam. Charles Fran\u00e7ois Busschop, nascido em 1797, filho de um alto magistrado, conselheiro do Tribunal de Cassa\u00e7\u00e3o, veio para iniciar um neg\u00f3cio. Chegou a Bourbon em 1818 e depois partiu para as ilhas vizinhas. Dayot, \u00abagente do Governo franc\u00eas\u00bb colocado em Tamatave, fornece v\u00e1rios detalhes sobre este assunto. Ch. Busschop, escreve, chegou aqui, vindo das Seicheles \u00abna pequena escuna chamada <em>L&#8217;Espoir<\/em> anteriormente <em>La Bamboche<\/em> e por \u00faltimo <em>Lafara<\/em> capturado como contrabandista na costa de Bourbon, enviado de volta para c\u00e1.\u00bb As mudan\u00e7as na identidade do navio est\u00e3o ligadas \u00e0s suas atividades de com\u00e9rcio de escravos. Dayot continua: \u00abO Busschop foi atingido por febres, (&#8230;) a sua doen\u00e7a tornou-se mais grave de dia para dia, privado de toda a ajuda, em terr\u00edvel mis\u00e9ria (&#8230;), morreu a 6 de junho de 1819<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.40157079107766325\" aria-label=\"Pe\u00e7a anexa \u00e0 carta endere\u00e7ada em 7 de mar\u00e7o de 1821 pelo ministro ao governador (ADR, 42 M 12). Este \u00abRenseignemens\u00bb \u00e9 datado de Tamatave, 17 de abril de 1820. Dayot especifica que \u00abmetade\u00bb do navio l'Espoir pertencia a Busschop e que tinha unido for\u00e7as com \u00abHans Green Danois\u00bb.\">&nbsp;<\/span>.\u00bb As informa\u00e7\u00f5es dadas pelas autoridades locais esclarecem sobre as atividades e o comportamento detest\u00e1veis de um jovem aventureiro de uma boa fam\u00edlia, tanto c\u00ednico como ing\u00e9nuo, que morreu aos vinte e dois anos de idade por ter sido deslumbrado pelo que Toussaint chamou \u00ab<em>a miragem das ilhas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Os infort\u00fanios de Busschop n\u00e3o podem ofuscar os dos cativos. O Governador Milius escreveu ao ministro que os comerciantes de escravos \u00abparecem fazer um jogo de viola\u00e7\u00e3o de tudo o que \u00e9 mais sagrado (honra e humanidade) para satisfazer a sua vil gan\u00e2ncia\u00bb e que conseguiram \u00abpor um refinamento de crueldade a traficar em barcos de oito a dez toneladas, a bordo dos quais encontram os meios para embarcar at\u00e9 quarenta negros <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9142186093929647\" aria-label=\"ADR 45 M 5, carta n\u00b0 344 de 2 de outubro de 1820, Milius acrescenta que o Gagne-petit \u00abest\u00e1 neste caso e que permaneceu no mar durante um m\u00eas antes de poder colocar a sua carga cadav\u00e9rica em terra.\u00bb Alguns anos mais tarde, o deplor\u00e1vel estado em que os escravos da Eur\u00eddice se encontravam quando chegaram a Bourbon provocou mais uma vez a indigna\u00e7\u00e3o dos administradores, que, no entanto, estavam habituados \u00e0 dureza da vida de marinheiro e da escravatura (ADR, 54 M 2, carta de 29 de abril de 1824).\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1208\" aria-describedby=\"caption-attachment-1208\" style=\"width: 459px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-12-6.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1208\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1208 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-12-6.jpg\" alt=\"\" width=\"459\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-12-6.jpg 459w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-12-6-230x300.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1208\" class=\"wp-caption-text\">Running a Cargo of slaves from Sadanni to Pemba Island. 1895. In \u00ab<em>The Illustrated London News<\/em>, outubro 26, 1895. P. 509.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le. Fundo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio multiplicar os exemplos. Entre outros, podemos citar o caso de alguns navios de escravos que, al\u00e9m da sua tripula\u00e7\u00e3o, conseguiram transportar dois a cinco cativos por barril: duzentos escravos nos setenta barris do <em>Deux-Fr\u00e8res<\/em> (II), e outros duzentos nos quarenta e cinco barris do <em>Bon-Accord<\/em> (II). No <em>Mouche<\/em> (I), um navio de cento e noventa e oito toneladas que viria a tornar-se a <em>Carolina<\/em>, havia quatrocentos e sessenta cativos, e no <em>Victor<\/em> (I), que provavelmente veio de Bali, vinham duzentos e sessenta \u00abmalaios negros\u00bb para noventa e tr\u00eas barris. A viagem do <em>Jos\u00e9phine<\/em> (II) foi mais curta, uma vez que este navio de escravos de vinte e tr\u00eas toneladas veio de Madag\u00e1scar, mas talvez seja este navio que, transportando cento e dezassete escravos, det\u00e9m o recorde de sobrelota\u00e7\u00e3o desumana com mais de cinco cativos por barril.<\/p>\n<p>Amontoando em alguns casos cinco, ou at\u00e9 mais de cinco, cativos por barril, os traficantes de escravos que abasteciam Bourbon com tr\u00e1fico clandestino excederam largamente as m\u00e9dias encontradas nos navios de Nantes durante o \u00faltimo per\u00edodo de com\u00e9rcio de escravos legal<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5877504672558527\" aria-label=\"Joseph C. Miller oferece estudos sugestivos sobre \u00absobrelota\u00e7\u00e3o ao estilo portugu\u00eas\u00bb, por exemplo em \u00abOvercrowded and undernourished: The techniques and consequences of tight-packing in the Portuguese Southern Atlantic slave trade\u00bb, in De la traite \u00e0 l'esclavage, ed. Serge Daget, 1988, op. cit. vol. 2, pp. 395-424, bem como em Way of Death. Merchant Capitalism and Angolan Slave Trade, 1730-1830, Londres, James Currey, 1988, 770 pp.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1200\" aria-describedby=\"caption-attachment-1200\" style=\"width: 747px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/documentaires\/la-traite-des-esclaves\/la-traite-illegale\/fig-14\/\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1200\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1200 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-14.jpg\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-14.jpg 747w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-14-219x300.jpg 219w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1200\" class=\"wp-caption-text\">Dimens\u00f5es e plantas do navio de escravos \u00abThe Brookes\u00bb. S\u00e9culo XIX. Gravura.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para al\u00e9m das terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de transporte que os cativos suportavam frequentemente, muitos podiam sofrer de doen\u00e7as que contra\u00edam antes do embarque devido a doen\u00e7as end\u00e9micas ou epid\u00e9micas nas zonas de partida. Um navio de escravos, por exemplo, transportou leprosos. A var\u00edola e a c\u00f3lera s\u00e3o particularmente temidas e podem ser transmitidas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de acolhimento.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos espec\u00edficos que nos permitem calcular a percentagem de mortalidade dos escravos, mesmo na aus\u00eancia de doen\u00e7a grave. O navio <em>C\u00e9cile<\/em> atracou em Saint-Paul em janeiro de 1824 <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.009041104379798326\" aria-label=\"ADR, 50 M 3, carta n\u00ba 37, Gabinete do governador, 29 de janeiro de 1824.\">&nbsp;<\/span>. O governador colocou o <em>C\u00e9cile<\/em> sob sequestro e mandou levar os escravos para o \u00abgabinete do Rei\u00bb. Eram cento e cinquenta quando o navio partiu de Lindy, em \u00c1frica, em agosto de 1823, sendo que a viagem parece ter causado trinta e nove mortes nas suas fileiras, uma perda consider\u00e1vel de 26%. Menos de dois anos ap\u00f3s a chegada dos cento e onze africanos, apenas trinta e quatro ficaram no gabinete do<br \/>\nRei <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.14403704921332083\" aria-label=\"ADR, 174 M 2, recenseamento de 1 de janeiro de 1826.\">&nbsp;<\/span>. O grupo de cativos embarcado em \u00c1frica, em Lindy, que j\u00e1 tinha perdido mais de um quarto do seu efetivo durante a travessia para Bourbon, deve ter chegado \u00e0 ilha em tal estado de decad\u00eancia que, em vinte e tr\u00eas meses, mais de dois ter\u00e7os dos sobreviventes tinham falecido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1202\" aria-describedby=\"caption-attachment-1202\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-15.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1202\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1202 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-15.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"494\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-15.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-15-300x193.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1202\" class=\"wp-caption-text\">The slavery question in eastern Africa. 1873. Gravura. In The Graphic, 8 de mar\u00e7o de 1873, p. 233.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_1204\" aria-describedby=\"caption-attachment-1204\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/documentaires\/la-traite-des-esclaves\/la-traite-illegale\/fig-16\/\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1204\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1204 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-16.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"957\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-16.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-16-241x300.jpg 241w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1204\" class=\"wp-caption-text\">Relat\u00f3rio do m\u00e9dico chefe da col\u00f3nia sobre os escravos desembarcados pelos traficantes na ilha Bourbon. Jean-Baptiste Bataille. 29 de abril de 1829. Manuscrito.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>O n\u00famero anual de deten\u00e7\u00f5es \u00e9 consideravelmente inferior ao do n\u00famero total de cativos importados. Podemos estimar que, em m\u00e9dia, entre 1817 e 1830, houve um excedente de mortes em rela\u00e7\u00e3o aos nascimentos de pelo menos 1 500 escravos por ano. O n\u00famero de escravos aumentou de cerca de 52 000 em 1817<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5885425373775617\" aria-label=\"Thomas, Essai de statistique ..., vol. 1, p. 221: em 1815, 49 369 escravos; em 1818. 54 259.\">&nbsp;<\/span> para 70 927 em 1830 <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.05884119813373678\" aria-label=\"ANOM, Reuni\u00e3o, C 174, d 1402, \u00abM\u00e9moire...\u00bb, p. l32, declara\u00e7\u00f5es oficiais citadas por Barbaroux.\">&nbsp;<\/span>, um aumento de cerca de 19 000 em treze anos, sendo que deveria ter diminu\u00eddo cerca de 19 500 simplesmente devido \u00e0s mortes. Assim, podemos estimar a introdu\u00e7\u00e3o de escravos em 38 500 em treze anos, o que representa uma m\u00e9dia de cerca de 3 000 entradas clandestinas por ano.<\/p>\n<p>Muito habitual em Bourbon at\u00e9 1833, o com\u00e9rcio de escravos clandestino, sem realmente mudar a sua natureza, foi logo orientado para o \u00abfornecimento\u00bb dos chamados trabalhadores \u00ablivres\u00bb, cujos primeiros representantes foram recrutados na \u00cdndia em 1828. Os traficantes aproveitaram a espantosa conjun\u00e7\u00e3o dos dois sistemas de produ\u00e7\u00e3o da ilha, durante cerca de vinte anos, para se adaptarem ao molde do <em>com\u00e9rcio coolie<\/em>. Este sistema foi logo utilizado em grande escala pelos empregadores de Bourbon, que solicitaram \u00e0 \u00cdndia, mas tamb\u00e9m a \u00c1frica e Madag\u00e1scar, uma m\u00e3o-de-obra abundante.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5839,"parent":5003,"menu_order":20,"template":"","class_list":["post-5035","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5003"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}