{"id":5039,"date":"2021-05-19T11:52:31","date_gmt":"2021-05-19T09:52:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5039"},"modified":"2025-05-13T09:38:16","modified_gmt":"2025-05-13T05:38:16","slug":"a-igreja-e-a-escravatura","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/a-igreja-e-a-escravatura\/a-igreja-e-a-escravatura\/","title":{"rendered":"A Igreja e a escravatura em Bourbon\/Reuni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>Em 1664, o rei de Fran\u00e7a concedeu plenos poderes \u00e0 Companhia Francesa das \u00cdndias Orientais para explorar a \u00eele Dauphine e as ilhas circundantes, das quais, a ilha Bourbon, cabendo a esta empresa mercante exercer os tr\u00eas poderes \u2013 executivo, legislativo e judici\u00e1rio \u2013, bem como garantir o bem-estar espiritual dos habitantes desta \u00faltima. Visto que o seu objetivo era obter lucro, por gan\u00e2ncia, a Companhia n\u00e3o cumpriu de modo satisfat\u00f3rio as suas obriga\u00e7\u00f5es. Neste contexto, em 1712, foi assinada uma conven\u00e7\u00e3o entre os diretores parisienses da Companhia Francesa das \u00cdndias Orientais e a Companhia dos Padres de S\u00e3o Vicente.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5039-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/poster-eve1.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/EVE21_ST_2.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/EVE21_ST_2.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/EVE21_ST_2.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Este acordo previa que, para assegurar a sobreviv\u00eancia destes mission\u00e1rios, a Companhia das \u00cdndias Orientais devia fornecer a cada p\u00e1roco terra e escravos para a explorar, uma vez que nesta ilha somente os escravos eram obrigados a efetuar trabalhos manuais. Os diretores parisienses criaram as condi\u00e7\u00f5es para que os padres se pudessem dedicar inteiramente \u00e0 sua tarefa espiritual, pressupondo que estes n\u00e3o podiam ser simultaneamente bons sacerdotes e bons propriet\u00e1rios. Devido a esta simples disposi\u00e7\u00e3o, os primeiros quatro mission\u00e1rios Lazaristas que chegaram a Bourbon em 1714, e todos aqueles que se lhes seguiram, viram-se for\u00e7ados a aceitar escravos nas suas casas, envolvendo-se, involuntariamente, na pr\u00e1tica deste sistema. A sua prioridade n\u00e3o era interferir abertamente nos assuntos socioecon\u00f3micos, porque a Igreja tinha de estar presente em todo o mundo. Os Lazaristas podiam, no m\u00e1ximo, reformar o sistema dentro das suas paredes, uma vez que localmente qualquer a\u00e7\u00e3o hostil \u00e0 escravatura suscitaria a ira da Companhia. A Igreja n\u00e3o teve op\u00e7\u00e3o: ou permanecia fiel aos seus princ\u00edpios, recusando-se a trabalhar em lugares onde reinava a escravatura, ou aceitava trabalhar onde este sistema era aplicado auxiliando aqueles que sofriam.<\/p>\n<p>Dado contexto, que papel desempenhou a Igreja cat\u00f3lica nesta ilha das Mascarenhas?<br \/>\nDe que margem de manobra dispunha no seu trabalho de convers\u00e3o dos escravos face aos governadores e propriet\u00e1rios? Que personalidades se destacaram no seio do clero que serviu a ilha entre 1714 e 1848 e de que maneira?<\/p>\n<h3>Uma miss\u00e3o imposs\u00edvel<\/h3>\n<p>Os Lazaristas da col\u00f3nia n\u00e3o foram permissivos no respeitante ao batismo dos escravos. Desejavam evitar comportar-se como os padres portugueses que batizavam a troco de pagamento sem ministrarem a menor instru\u00e7\u00e3o religiosa. Estipularam duas regras para os escravos, seguindo-as \u00e0 letra: sem forma\u00e7\u00e3o de catecismo n\u00e3o havia batismo e sem batismo n\u00e3o havia casamento. Apenas se outorgavam exce\u00e7\u00f5es aos escravos em perigo, que se resumiam aos escravos do tr\u00e1fico entre cinco e dez anos, aos adultos idosos que tinham \u00abvolvido aos h\u00e1bitos de juventude\u00bb, aos adultos permanentemente incapacitados, desde que demonstrassem muito boa vontade, aos adultos prestes a casar que tinham sido instru\u00eddos e preparados h\u00e1 muito tempo. Todavia, esta pol\u00edtica esbarrou com dois grandes obst\u00e1culos: a l\u00edngua e a impossibilidades de casar devido \u00e0 escassez de mulheres.<\/p>\n<p>A aprendizagem da catequese era dif\u00edcil de organizar uma vez que o p\u00fablico era analfabeto e n\u00e3o dominava o franc\u00eas. Visto que os escravos eram trazidos da \u00cdndia, de Madag\u00e1scar, de \u00c1frica, os padres n\u00e3o conheciam os seus diferentes idiomas, pelo que a comunica\u00e7\u00e3o entre eles requeria int\u00e9rpretes.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1014\" aria-describedby=\"caption-attachment-1014\" style=\"width: 441px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1014\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1014 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-1.jpg\" alt=\"\" width=\"441\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-1.jpg 441w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-1-258x300.jpg 258w\" sizes=\"auto, (max-width: 441px) 100vw, 441px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1014\" class=\"wp-caption-text\">[Suposto retrato do abade Antoine Davelu]. Th\u00e9r\u00e8se Garnier. 1804. \u00d3leo sobre tela.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>Os esfor\u00e7os de alguns mission\u00e1rios como Caulier, Davelu e Durocher para aprender malgaxe ou crioulo e at\u00e9 escrever um dicion\u00e1rio ou catecismos para serem utilizados como instrumentos de trabalho pelos futuros sacerdotes rec\u00e9m-chegados, s\u00e3o louv\u00e1veis mas insuficientes. Como os senhores receavam a revolta, limitavam as idas e vindas dos seus escravos. Para facilitar a tarefa dos padres, apelou-se para que os senhores proporcionassem as bases aos seus escravos em casa. Todavia, n\u00e3o podiam assumir esta tarefa, j\u00e1 que muitos, n\u00e3o sendo cat\u00f3licos fervorosos, tinham rompido com a Igreja. Preferiram permanecer longe dos padres para n\u00e3o os ouvirem denunciar a sua vaidade, a sua pregui\u00e7a e a sua liberdade sexual excessiva. Tampouco os governadores eram modelos a seguir. Todos estes elementos contribu\u00edram para o facto de os senhores n\u00e3o encorajarem os seus escravos a prepararem-se para o batismo. A barreira lingu\u00edstica tornava-se evidente durante a confiss\u00e3o, porque os escravos mal conseguiam explicar a dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia dos seus h\u00e1bitos, nem sempre compreendendo o significado das palavras semana, m\u00eas e ano, pelo que era necess\u00e1rio utilizar termos como \u00abde um domingo para outro\u00bb, \u00abde uma lua para outra\u00bb e \u00abde uma colheita de arroz para outra\u00bb.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1016\" aria-describedby=\"caption-attachment-1016\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1016\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1016 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2.jpg 600w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-2-300x207.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1016\" class=\"wp-caption-text\">Lembran\u00e7a da ilha da Reuni\u00e3o n\u00b0 131. O boucan, Cubatas dos negros. Louis Antoine Roussin. 1949. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para os religiosos, era inconceb\u00edvel batizar os escravos adultos sem os casar, caso contr\u00e1rio tratar-se-ia de condenar o ne\u00f3fito ao concubinato e \u00e0 imoralidade. Os escravos apenas se podiam casar, se os governantes trouxessem tantos escravos homens como mulheres para a col\u00f3nia. Contudo, esta nunca foi a sua preocupa\u00e7\u00e3o. O desequil\u00edbrio de g\u00e9nero constituiu um obst\u00e1culo para os mission\u00e1rios Lazaristas. Al\u00e9m disso, n\u00e3o podiam aceitar que uma das suas escravas os deixasse para seguir o seu marido. A este prop\u00f3sito, o prefeito apost\u00f3lico afirmou ao arcebispo de Paris que esta era a causa da perturba\u00e7\u00e3o da moral na col\u00f3nia. A rela\u00e7\u00e3o desigual entre os dois sexos explica o fracasso deste projeto, sendo que que, j\u00e1 nos anos 1720, os mission\u00e1rios se sentiam desencorajados, exigindo o seu regresso a Fran\u00e7a. Em 1720, o Sr. Renou escreveu ao seu superior: \u00abO nosso trabalho com os escravos n\u00e3o tem, at\u00e9 agora, alcan\u00e7ado o sucesso que esper\u00e1vamos. No entanto, a sua vida de escravid\u00e3o e mis\u00e9ria, que os torna desprez\u00edveis aos olhos de outros homens, n\u00e3o deixando lugar para o respeito pr\u00f3prio naquilo que fazemos por eles, s\u00e3o, creio eu, o que deveria comprometer um filho do Sr. Vincent a dedicar-se a eles de forma mais eficiente\u00bb. Nesta col\u00f3nia, onde a taxa de mortalidade dos escravos necessitava o recrutamento constante de m\u00e3o-de-obra, a recusa em batizar os escravos se esse ato n\u00e3o fosse seguido pelo casamento complicou a cristianiza\u00e7\u00e3o dos escravos. O desequil\u00edbrio entre os g\u00e9neros dificultou a reforma da moral dos escravos, embora estes dessem a impress\u00e3o de aderirem ao que lhes era ensinado.<\/p>\n<p>Os padres encontravam-se impotentes perante a desconfian\u00e7a dos escravos. O prefeito apost\u00f3lico Teste observou: \u00abEles (os Negros) v\u00eaem-nos como os doutores dos Brancos, compreendem que falamos com eles segundo a verdade e em nome de Deus&#8230; e como chefes da religi\u00e3o dominante no mundo\u00bb. \u00c9-lhes dif\u00edcil satisfazer ambos os tipos de fi\u00e9is, sendo, ao mesmo tempo, sacerdotes dos brancos e o mission\u00e1rios dos escravos. No final, continuaram a ser p\u00e1rocos. Os mission\u00e1rios Lazaristas tiveram dificuldade em trabalhar nesta col\u00f3nia, porque era complexo converter os escravos quando os pr\u00f3prios senhores eram pouco praticantes, dificilmente tornando-se modelos. Tanto a igreja como o cemit\u00e9rio confirmam que a sociedade de Bourbon se encontrava enraizada na escravatura. A fim de n\u00e3o desagradar aos senhores, concordaram em limitar o n\u00famero de feriados religiosos e renunciaram a exigir a assiduidade dos escravos no culto aquando dos semiferiados. Na igreja, os bancos estavam reservados para pessoas livres; os escravos tinham de ficar de p\u00e9. Durante o per\u00edodo revolucion\u00e1rio, o p\u00e1roco de Saint-Louis, Jean Lafosse, instalou bancos para os seus escravos no fundo da igreja. Os problemas encontrados por este p\u00e1roco provam que a margem de manobra do padre para anunciar a mensagem de amor e fraternidade de Cristo aos escravos era m\u00ednima nesta sociedade. No cemit\u00e9rio, um muro separava a parte reservada aos brancos da parte reservada aos escravos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1018\" aria-describedby=\"caption-attachment-1018\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1018\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1018 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3.jpg 600w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-3-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1018\" class=\"wp-caption-text\">Capela do distrito de Saint-Louis. Louis Antoine Roussin. 1848. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como a Revolu\u00e7\u00e3o de 1789 levou a uma queda nas voca\u00e7\u00f5es, a congrega\u00e7\u00e3o Lazarista j\u00e1 n\u00e3o podia renovar os seus quadros em Bourbon. Os mission\u00e1rios, idosos e doentes, j\u00e1 n\u00e3o eram eficazes. Os escravos foram abandonados. Estes mission\u00e1rios foram substitu\u00eddos pelos Padres do Esp\u00edrito Santo de 1817. O abade Pastre referiu ent\u00e3o: \u00abOs Negros, que vivem como animais e morrem quase como tal, seriam propensos a alguma instru\u00e7\u00e3o e mesmo a uma mudan\u00e7a de moral, se os seus senhores estivessem dispostos a ajudar-nos, por pouco que fosse. Mas estes \u00faltimos tratam os primeiros com tanto rigor e s\u00e3o t\u00e3o relutantes em faz\u00ea-los selar alian\u00e7as com a igreja que \u00e9 muito dif\u00edcil lev\u00e1-los \u00e0 pr\u00e1tica da religi\u00e3o\u00bb. Por sua vez, o abade Cottineau salientou que \u00aba corrup\u00e7\u00e3o da moral est\u00e1 no seu apogeu\u00bb no mundo dos escravos. Nos anos seguintes, a situa\u00e7\u00e3o agravou-se ainda mais. A pr\u00e1tica religiosa era ocasional entre os homens. Em 1836, o prefeito apost\u00f3lico Poncelet ficou angustiado com a neglig\u00eancia, com o laxismo indefin\u00edvel da moral na ilha. No que diz respeito aos escravos, apenas os rec\u00e9m-nascidos eram batizados. Os adultos permaneciam alheios \u00e0 igreja, apenas sendo batizados em perigo iminente de morte. Numa carta de 1827, o abade Minot foi severo para com os escravos: \u00abOs escravos colocam os maiores obst\u00e1culos \u00e0 pr\u00e1tica da religi\u00e3o em todos os pontos. A sua m\u00e1 vontade, a sua rudeza, a sua irresist\u00edvel inclina\u00e7\u00e3o para o roubo, o seu libertinismo universal e as dificuldades encontradas pelos seus senhores em faz\u00ea-los assistir aos santos of\u00edcios tornam a sua convers\u00e3o quase imposs\u00edvel\u00bb. Os senhores persistem em n\u00e3o os enviarem para a igreja.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1066\" aria-describedby=\"caption-attachment-1066\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1066\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1066 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-3.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-3.jpg 380w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4-3-214x300.jpg 214w\" sizes=\"auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1066\" class=\"wp-caption-text\">O padre L. M. Minot. Louis Antoine Roussin. S\u00e9culo XIX. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1839, o prefeito apost\u00f3lico Poncelet confirmou que \u00abembora a instru\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o seja negligenciada em nenhum lugar para os brancos, infelizmente o mesmo n\u00e3o se pode ser dito dos negros, que foram e continuam a ser demasiado negligenciados em termos de ideias religiosas\u00bb. Desde 1817, os escravos permaneceram ao mesmo n\u00edvel. Um escravo era batizado se fossem cumpridas certas condi\u00e7\u00f5es: instru\u00e7\u00e3o adequada, arrepender-se pelo passado, e desejar uma nova vida. Cada escravo batizado devia renunciar ao concubinato, casando-se. Em 1837, o abade Bertrand mencionou que de 7000 a 8000 escravos numa par\u00f3quia, 5 a 6 eram casados.<\/p>\n<h3>Os mission\u00e1rios que tentaram incutir a moral aos escravos<\/h3>\n<h4>Um vig\u00e1rio de Saint-Pierre, o abade Jean-Baptiste Champ: v\u00edtima do seu zelo para com os escravos em 1841<\/h4>\n<p>O zelo demonstrado pelo jovem vig\u00e1rio Alexandre Monnet, a partir de Junho de 1840, aos escravos da par\u00f3quia de Saint-Denis \u00e9 certamente conhecido dos seus outros confrades. Um dos seus poucos emuladores n\u00e3o defendeu, como ele, o minist\u00e9rio nas propriedades, mas a miss\u00e3o especializada dos Negros. Era este o m\u00e9todo privilegiado pelos mission\u00e1rios da Congrega\u00e7\u00e3o do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria fundada pelos Abades Levavasseur e Tisserant. A 31 de julho de 1841, o Conselho privado mencionou o caso do mission\u00e1rio Jean-Baptiste Champ, cujo zelo foi julgado ineg\u00e1vel, por\u00e9m sendo criticado pela sua precipita\u00e7\u00e3o e car\u00e1cter violento, totalmente incompat\u00edveis com as suas fun\u00e7\u00f5es de vig\u00e1rio da par\u00f3quia de Saint-Pierre. Desejava que lhe fosse atribu\u00edda uma responsabilidade especial para a instru\u00e7\u00e3o religiosa dos escravos, contudo o seu m\u00e9todo foi contestado.<br \/>\nO abade Champ foi levado para o hospital de Saint-Denis para aguardar o seu embarque no navio de tr\u00eas mastros <em>Comte de Chazelles<\/em>, que efetuava o seu regresso a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Os administradores locais exigiram mais do que nunca que a escolha dos cl\u00e9rigos fosse feita com grande circunspe\u00e7\u00e3o. Porque aqueles que pregavam indiscriminadamente, eram considerados in\u00fateis ou perigosos. Tinham dificuldade em aceitar o estado de degrada\u00e7\u00e3o em que o escravo vivia. O mau padre \u00abassusta-o sem o corrigir, e o resultado s\u00e3o apenas mentiras e hipocrisia\u00bb. Ao desenvolverem implacavelmente os v\u00e1rios princ\u00edpios do cristianismo aplicando-os diretamente ao estado social das col\u00f3nias, \u00abtransmitem desconfian\u00e7a aos propriet\u00e1rios que consideram a emancipa\u00e7\u00e3o moral como uma garantia de seguran\u00e7a para o futuro\u00bb. Os mission\u00e1rios quase sempre carecem de paci\u00eancia. Talvez eles gostem da persegui\u00e7\u00e3o que duplica o zelo, mas encontram nos seus ne\u00f3fitos apenas uma for\u00e7a de in\u00e9rcia. \u00abEstranhos ao pa\u00eds no qual s\u00e3o chamados a exercer o minist\u00e9rio sagrado, n\u00e3o compreendendo a moral que t\u00eam por objetivo reformar, acontece frequentemente considerarem como prova de m\u00e1 vontade os esfor\u00e7os de uma administra\u00e7\u00e3o prudente que deseja reter ou dirigir um zelo inquestion\u00e1vel, mas inconsiderada\u00bb.<\/p>\n<h4>Alexandre Monnet : um novo tipo de mission\u00e1rio numa col\u00f3nia francesa<\/h4>\n<p>Alexandre Monnet, um padre fora do comum, conseguiu construir uma reputa\u00e7\u00e3o s\u00f3lida ap\u00f3s ter trabalhado em Bourbon, uma pequena col\u00f3nia francesa no Oceano \u00cdndico, durante apenas cinco anos. Chegou em junho de 1840 e em 1845 demitiu-se da col\u00f3nia para continuar a sua vida como mission\u00e1rio em Madag\u00e1scar. Quando regressou a 12 de setembro de 1847, os colonos consideraram-no indesej\u00e1vel, estando prontos para atentar contra a sua vida. Para acalmar a sua ira, o governador Gra\u00ebb decidiu expuls\u00e1-lo dezasseis dias mais tarde. Quando zarpou das costas de Bourbon na noite de 28 para 29 de setembro de 1847, estava plenamente consciente de que esta san\u00e7\u00e3o visava o seu trabalho. A cr\u00edtica provinha de todos aqueles que tinham um peso nesta col\u00f3nia, os colonos, o aparelho administrativo, a maioria dos padres.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1243\" aria-describedby=\"caption-attachment-1243\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1243\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1243 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8.jpg 420w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8-210x300.jpg 210w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1243\" class=\"wp-caption-text\">A. H. Xavier Monnet. Louis Antoine Roussin. 1862. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o francesa tentou definir a implementa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas a\u00e7\u00f5es diferentes num campo espec\u00edfico: a\u00e7\u00e3o militar, a\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e a\u00e7\u00e3o cultural. Muito frequentemente, a a\u00e7\u00e3o governamental foi precedida por iniciativas individuais. A coloniza\u00e7\u00e3o armada envolveu soldados vindos da Fran\u00e7a continental, para conquistar e administrar. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria dos militares, os plantadores, comerciantes, negociantes e prospetores assumiram o controlo, tornando-se agentes de uma coloniza\u00e7\u00e3o entendida como trazendo transforma\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds, bem como um investimento lucrativo. O desenvolvimento econ\u00f3mico que beneficiou algumas fam\u00edlias importantes, um punhado de propriet\u00e1rios, estabelece a legitimidade da expans\u00e3o pol\u00edtica ultramarina e justifica a sua continua\u00e7\u00e3o. O aspeto mais sens\u00edvel \u00e9 a quest\u00e3o da cultura. Conquistando esp\u00edritos, conquistando cora\u00e7\u00f5es, uma representa\u00e7\u00e3o do objetivo humanista do projeto colonial, ou possivelmente uma miss\u00e3o civilizadora, a abund\u00e2ncia de defini\u00e7\u00f5es testemunha uma realidade dif\u00edcil de definir e que reflete o desejo de se concentrar tanto no ideal religioso como no ideal laico. O colonizador declarou claramente a sua ambi\u00e7\u00e3o. O objetivo era visar a moral de outras popula\u00e7\u00f5es, assimilando-as no seio de uma civiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios s\u00e9culos, de acordo com as perspetivas da Europa Ocidental, o que levou o colonizador a aventurar-se nas mentalidades, sensibilidades e \u00e9tica: o elemento mais profundo do homem, muitas vezes nos limites do inconsciente, do qual a religi\u00e3o \u00e9 apenas uma das express\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Monnet viveu numa altura em que emergia um novo tipo de mission\u00e1rio. Os meios intelectuais e art\u00edsticos do s\u00e9culo XIX nutriam uma atra\u00e7\u00e3o pela Idade M\u00e9dia. A idealiza\u00e7\u00e3o desta era passada deveu-se certamente ao movimento Rom\u00e2ntico, por\u00e9m a obra o G\u00e9nio do Cristianismo de Chateaubriand tamb\u00e9m desempenhou um papel significativo. No entanto, o medo do mundo moderno resultante das revolu\u00e7\u00f5es e do progresso da raz\u00e3o, juntamente com a preocupa\u00e7\u00e3o com a revolu\u00e7\u00e3o industrial em curso, pode ter gerado o mesmo efeito: a valoriza\u00e7\u00e3o dos tempos antigos e dos valores tradicionais. O tradicionalismo denuncia o racionalismo e os perigos identificados no questionamento levado a cabo pelos fil\u00f3sofos do s\u00e9culo XVIII. O renascimento mission\u00e1rio do s\u00e9culo XIX foi definido por toda uma ret\u00f3rica baseada na valoriza\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>O jovem Alexandre Monnet foi um produto desta \u00e9poca de renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Escusado ser\u00e1 dizer que a sua cultura liter\u00e1ria tamb\u00e9m influenciou as suas escolhas metodol\u00f3gicas no meio colonial.<\/p>\n<p>Monnet extraiu os seus conhecimentos da mesma fonte da qual extraiu a sua voca\u00e7\u00e3o, os <em>Annales de la Propagation de la Foi<\/em> (Anais de Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9), uma revista criada no final de 1822 com vista a divulgar not\u00edcias sobre as miss\u00f5es.<br \/>\nAo converter povos distantes, o mission\u00e1rio levava a civiliza\u00e7\u00e3o a povos selvagens, conseguindo assim compensar a devasta\u00e7\u00e3o causada pela incredulidade em Fran\u00e7a e na Europa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1070\" aria-describedby=\"caption-attachment-1070\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1070\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1070 size-full\" title=\"taille-initiale\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-6-2-e1631692197634.jpg\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1070\" class=\"wp-caption-text\">Annales de la propagation de la foi : recueil p\u00e9riodique des lettres des \u00e9v\u00eaques et des missionnaires des missions des deux mondes, et de tous les documents relatifs aux missions et \u00e0 l&#8217;oeuvre de la propagation de la foi. Mars 1840, n\u00b0 LXIX. Oeuvre pontificale missionnaire de la Propagation (Anais de propaga\u00e7\u00e3o da f\u00e9). 1840. Impress\u00e3o.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Formado num c\u00edrculo espiritual em que o movimento mission\u00e1rio se inspira no modelo medieval de conquista e reconquista, Alexandre Monnet, ap\u00f3s se ter forjado um retrato do mission\u00e1rio perfeito gra\u00e7as \u00e0 leitura ass\u00eddua dos <em>Annales de la Propagation de la Foi<\/em>, possu\u00eda todos os trunfos necess\u00e1rios para escrever a \u00abpartitura\u00bb que iria apresentar aos c\u00edrculos evang\u00e9licos da ilha de Bourbon.<\/p>\n<p>Muitos aspetos das a\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias realizadas por este padre mostram que ele n\u00e3o pode ser simplesmente acusado de ter sido o bra\u00e7o direito do colonizador.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, pouco tempo ap\u00f3s a sua chegada \u00e0 col\u00f3nia em junho de 1840, foi-lhe confiada a tarefa de ensinar o catecismo como vig\u00e1rio do p\u00e1roco de Saint-Denis. Ap\u00f3s um primeiro contacto com os poucos escravos presentes na primeira sess\u00e3o, decidiu lecionar na l\u00edngua deles e n\u00e3o na sua, para ser compreendido. Notou que os escravos careciam de escolaridade e n\u00e3o dispunham de livros, pelo que apenas compreendiam algumas palavras da l\u00edngua francesa e ao pronunci\u00e1-las deformavam-nas de forma bastante peculiar. Decidiu ent\u00e3o colocar-se ao seu n\u00edvel. A sua inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era chegar ao franc\u00eas atrav\u00e9s da l\u00edngua crioula, mas aceitar os escravos como eles eram para os levar a Deus tal qual. N\u00e3o via a l\u00edngua deles como um fardo que devia ser absolutamente descartado para conseguir chegar a Deus. Como o legislador tinha tolerado apenas a instru\u00e7\u00e3o religiosa para os escravos, sem declarar que esta deveria passar pela aprendizagem da escrita ou pelo menos da leitura, Monnet decidiu que o \u00fanico m\u00e9todo poss\u00edvel era ensinar o catecismo atrav\u00e9s de perguntas e respostas. Posto que os escravos n\u00e3o possu\u00edam os instrumentos que lhes permitissem compreender todas as subtilezas da l\u00edngua francesa e visto que ele desejava chegar at\u00e9 eles, cabia-lhe a ele fazer o esfor\u00e7o necess\u00e1rio, e n\u00e3o aos escravos. Para alcan\u00e7ar o seu objetivo, p\u00f4s-se imediatamente a escutar os escravos da sua par\u00f3quia, aprendendo a sua l\u00edngua e traduzindo o catecismo para o crioulo, permitindo-lhes compreender. Estava totalmente convencido da necessidade de ensinar na l\u00edngua do aluno, sendo que em 1845, assim que decidiu seguir os jesu\u00edtas em Madag\u00e1scar, come\u00e7ou imediatamente a aprender malgaxe.<\/p>\n<p>Uma vez definido e resolvido o problema da l\u00edngua de comunica\u00e7\u00e3o, existia ainda outra quest\u00e3o, n\u00e3o menos grave, que consistia em chegar at\u00e9 aos escravos. A este respeito, teve de derrubar muitas barreiras e deparou-se com as sensibilidades dos propriet\u00e1rios de terras, uma vez que n\u00e3o estava disposto a consentir todos os seus desejos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1235\" aria-describedby=\"caption-attachment-1235\" style=\"width: 1830px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-16.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1235\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1235 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-16.jpg\" alt=\"\" width=\"1830\" height=\"1500\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-16.jpg 1830w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-16-300x246.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-16-768x630.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-7-16-1024x839.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1235\" class=\"wp-caption-text\">Amostra das li\u00e7\u00f5es de catecismo em crioulo pelo abade Monnet. In Madagascar et ses deux premiers \u00e9v\u00eaques, pelo Monsenhor Amand-Ren\u00e9 Maupoint. &#8211; Paris: C. Dillet, 1864. T. 2, p. 52-53<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em segundo lugar, quando Monnet definiu os resultados que pretendia alcan\u00e7ar, implementando a sua miss\u00e3o itinerante para os escravos, desagradou os representantes da col\u00f3nia, pois minava os seus princ\u00edpios, nomeadamente ao facilitar o casamento entre escravos. Desde os primeiros anos do sistema esclavagista, os padres da ilha Bourbon tiveram de ultrapassar todo o tipo de problemas para poderem evangelizar os escravos. Os senhores consideravam que ao ensinar o catecismo aos escravos, os padres proporcionavam-lhes o acesso a conhecimentos elementares que eram in\u00fateis mas perigosos, uma vez que o padre n\u00e3o podia evitar comunicar a mensagem igualit\u00e1ria de Cristo, nem limitar o seu ensino a um catecismo de resigna\u00e7\u00e3o e de respeito pelo car\u00e1cter permanente da ordem estabelecida na sociedade. Consequentemente, os senhores evitavam colaborar com o processo religioso, que, a longo prazo, poderia resultar na desestabiliza\u00e7\u00e3o da sociedade. Ao aproximar-se dos escravos, Monnet p\u00f4de criticar a imagem do escravo que vigorava em Fran\u00e7a devido a cartas escritas pelos pr\u00f3prios padres. Os escravos n\u00e3o tinham nascido ladr\u00f5es, mentirosos, pregui\u00e7osos, lascivos e rebeldes, contudo tornaram-se assim por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, devido \u00e0 ferocidade dos senhores, ap\u00f3s anos de priva\u00e7\u00e3o e de todo o tipo de abusos. Numa carta datada de 19 de janeiro de 1842, reiterou: \u00abAos olhos de um grande n\u00famero (de padres), eles (os escravos) s\u00e3o apenas bestas e brutos, e no entanto, poder\u00edamos fazer uma obra muito boa junto a eles\u00bb. N\u00e3o considerou que a imoralidade dos escravos fosse uma consequ\u00eancia do paganismo, questionando o pr\u00f3prio sistema de escravatura. \u00abSe eles s\u00e3o maus sujeitos, a culpa \u00e9 dos Brancos, atrav\u00e9s da sua neglig\u00eancia e indiferen\u00e7a\u00bb. Ao posicionar-se contra aqueles que tinham um discurso alarmista sobre os escravos, Monnet incomodou sobremaneira. Esbo\u00e7ou um cristianismo onde o mission\u00e1rio \u00e9 em simult\u00e2neo guia, guardi\u00e3o e protetor, em nome da f\u00e9. S\u00f3 a salva\u00e7\u00e3o contava para ele. Imaginava uma sociedade alicer\u00e7ada na f\u00e9 e dedicada ao culto, escapando ao mundo colonial esclavagista sob a dire\u00e7\u00e3o paterna do padre. Monnet estava consciente das limita\u00e7\u00f5es da sua miss\u00e3o itinerante. Sem a autoriza\u00e7\u00e3o do senhor, n\u00e3o podia entrar numa propriedade. Em Saint-Denis, contudo, s\u00f3 tinha a aprova\u00e7\u00e3o de um punhado de propriet\u00e1rios de terras, n\u00e3o podendo chegar a todos os escravos que viviam nesta vasta par\u00f3quia. Quando se tornou p\u00e1roco de S\u00e3o Paulo em 1843, colidiu com colonos que consideravam que a religi\u00e3o era um assunto privado e que n\u00e3o deviam encorajar os seus escravos a converterem-se ao catolicismo, recusando-se a dar-lhe acesso \u00e0s suas propriedades. Exigiu que o Estado, que desejava a evangeliza\u00e7\u00e3o dos escravos, derrubasse as barreiras impostas pelos senhores. \u00abO meu desejo mais sincero \u00e9 que todos os mission\u00e1rios digam (ao governo): ou nos permitem o acesso a todos os escravos para que os possamos instruir, transformando-os em crist\u00e3os, ou partimos\u00bb. Em janeiro de 1842, prop\u00f4s que o Superior da Congrega\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo enviasse sacerdotes que desejassem tratar exclusivamente dos escravos da ilha. Quando os mission\u00e1rios de uma nova congrega\u00e7\u00e3o, especializada na evangeliza\u00e7\u00e3o dos escravos, chegaram \u00e0 col\u00f3nia, ele deu-lhes carta branca. Demitiu-se do clero de Bourbon e tornou-se um padre totalmente incontrol\u00e1vel.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1028\" aria-describedby=\"caption-attachment-1028\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1028\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1028 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"462\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8.jpg 650w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-8-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1028\" class=\"wp-caption-text\">Igreja de Saint-Paul, erigida por Mr Davelu. Joseph Barr\u00e8re. 1843. Guache, l\u00e1pis pedra negra, goma-ar\u00e1bica.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao questionar o m\u00e9todo de trabalho dos padres, evangelizando os escravos nos seus locais de resid\u00eancia, alienou todos aqueles que serviam a col\u00f3nia h\u00e1 muito tempo e que n\u00e3o suportavam a ideia de um rec\u00e9m-chegado dar-lhes li\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o da abordagem dos escravos e da catequese. Quando anunciou a sua chegada, eles n\u00e3o desejavam parecer menos generosos que o senhores, aceitando a sua presen\u00e7a, sem, no entanto, aprovarem as suas ideias ou as dos senhores. A sua miss\u00e3o itinerante suscitou conflitos de compet\u00eancias entre homens que desejavam proteger a sua posi\u00e7\u00e3o de autoridade. Em 1840, esteve em Rivi\u00e8re-des-Pluies e Boiscourt no territ\u00f3rio do p\u00e1roco de Sainte-Marie, em 1842, em Rivi\u00e8re-du-M\u00e2t na casa de Mme Lory no territ\u00f3rio do p\u00e1roco de Saint-Andr\u00e9, na casa da vi\u00fava do Sr. Desbassayns em Saint-Gilles-les-Hauts no territ\u00f3rio do p\u00e1roco de Saint-Paul, e na casa de Chateauvieux em Les Colima\u00e7ons no territ\u00f3rio do p\u00e1roco de Saint-Leu. Os p\u00e1rocos descontentes n\u00e3o hesitaram em criticar o seu m\u00e9todo de a\u00e7\u00e3o e em repetir que ele avan\u00e7ava demasiado depressa. Monnet distinguiu-se de outros padres nas suas rela\u00e7\u00f5es com os escravos. N\u00e3o limitou a sua tarefa a torn\u00e1-los crist\u00e3os, ouvindo os seus problemas e fornecendo-lhes o que mais precisavam. Guiava-os pelo caminho da solidariedade, aconselhando-os a mutualizar as suas poupan\u00e7as e a geri-las por si pr\u00f3prios. Ao depositar a sua confian\u00e7a neles, cultivava-os e devolvia-lhes a sua humanidade. Todos aqueles que consideravam o escravo como uma pe\u00e7a de mobili\u00e1rio n\u00e3o lhe perdoavam a sua aud\u00e1cia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1074\" aria-describedby=\"caption-attachment-1074\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1074\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1074 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"423\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-1.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-9-1-300x165.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1074\" class=\"wp-caption-text\">Capela de N. Sra. de Bel-Air, erigida por Madame Jurien de la Gravi\u00e8re. Distrito Sainte-Suzanne. Louis Antoine Roussin. 1880. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em terceiro lugar, Monnet n\u00e3o era homem que aceitasse seguir os colonos em todos os seus velhos h\u00e1bitos, n\u00e3o hesitando criticar o sistema esclavagista, que considerava uma heresia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.19411183108770302\" aria-label=\"Numa carta endere\u00e7ada ao Rei de Fran\u00e7a a 20 de setembro de 1814, o Papa Pio VII escreveu: \u00abAo fazer exig\u00eancias desta forma, a pr\u00f3pria religi\u00e3o mostra-nos que desaprova e amaldi\u00e7oa este com\u00e9rcio ign\u00f3bil pelo qual os Africanos s\u00e3o explorados e vendidos como se n\u00e3o fossem homens mas sim animais\u00bb. Ele acrescenta, dirigindo-se aos laicos: \u00abE proibimos qualquer eclesi\u00e1stico ou laico de ousar aceitar, sob qualquer pretexto, este com\u00e9rcio de Negros; ou de pregar, de qualquer modo, algo contr\u00e1rio a esta carta apost\u00f3lica\u00bb (A. Quenum, Les Eglises Chr\u00e9tiennes et la traite atlantique du XV\u00e8 au XIX\u00e8 si\u00e8cle, Karthala, Paris, 1993, p.235-236). Pio VIII, atrav\u00e9s do seu representante, desempenhou um papel importante no Congresso de Viena (1815) a fim de p\u00f4r fim ao com\u00e9rcio e \u00e0 escravatura.\">&nbsp;<\/span> .<\/p>\n<p>A mensagem de amor universal transmitida por Monnet era incompat\u00edvel com o sistema de explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem que negava o elemento humano do trabalhador manual. Monnet declarou abertamente que a escravatura era um verdadeiro obst\u00e1culo encontrado pelo padre na sua tarefa de evangeliza\u00e7\u00e3o e, a este respeito, a sua franqueza s\u00f3 podia atrair hostilidade e impedir o alargamento do seu c\u00edrculo de conhecidos. Chegou em junho de 1840 e, no final do ano, tinha declarado que a evangeliza\u00e7\u00e3o devia andar de m\u00e3os dadas com a emancipa\u00e7\u00e3o. Assim, denunciou abertamente o sistema esclavagista. Declarou muito simplesmente que os mission\u00e1rios n\u00e3o podiam cumprir a sua tarefa at\u00e9 que os escravos fossem livres de expressar a sua f\u00e9 como desejavam, caso contr\u00e1rio seria in\u00fatil realizar qualquer miss\u00e3o. Antes de mais, defendeu a emancipa\u00e7\u00e3o dos escravos, n\u00e3o considerando a evangeliza\u00e7\u00e3o como um prel\u00fadio para uma proclama\u00e7\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Na sua opini\u00e3o, em 1840 os escravos estavam suficientemente maduros para se emanciparem. A sua resposta a todos aqueles que declaravam que os escravos precisavam de ser moralizados, era que os escravos nunca poderiam ser religiosos enquanto tivessem de suportar a tirania dos Brancos e de depender deles, uma vez que estes \u00faltimos \u00abpouco se preocupavam com a verdadeira degrada\u00e7\u00e3o dos seus escravos, desde que realizassem o seu trabalho nos campos ou na f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar\u00bb. Contestou os cen\u00e1rios sombrios da aboli\u00e7\u00e3o prevista pelos colonos. \u00c0queles que, citando o exemplo de S\u00e3o Domingos nas cara\u00edbas, declararam que os escravos iriam causar estragos na col\u00f3nia, respondeu calmamente: \u00abSe os escravos da ilha de Bourbon forem emancipados, n\u00e3o h\u00e1 maior perigo de tumultos e revolu\u00e7\u00e3o (a temer), do que houve na minha aldeia em 1830\u00bb. Era um verdadeiro abolicionista, uma vez que n\u00e3o se limitava a declarar a sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 escravatura, considerando tamb\u00e9m a natureza de uma futura sociedade sem escravos, prevendo uma compensa\u00e7\u00e3o para os senhores, primeiramente para derrubar o argumento de que estavam a ser espoliados dos seus bens como justifica\u00e7\u00e3o da sua recusa da aboli\u00e7\u00e3o. De seguida, evitando que fossem arruinados, desejava, na medida do poss\u00edvel, proteger os escravos, uma vez que seriam os primeiros afetados pela poss\u00edvel fal\u00eancia dos propriet\u00e1rios de terras na sociedade p\u00f3s-abolicionista. Ele n\u00e3o desejava que uma mis\u00e9ria fosse substitu\u00edda por outra.<\/p>\n<p>A sua atitude perante a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura levou a rea\u00e7\u00f5es negativas por parte dos outros padres. Quando em mar\u00e7o de 1848, na qualidade de novo superior da Congrega\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, prop\u00f4s aos seus colegas que libertassem imediatamente os seus escravos, sem esperar que o decreto oficial fosse publicado, as suas palavras foram simplesmente recebidas com riso. A 20 de janeiro de 1847, o governador Gra\u00ebb n\u00e3o encontrou palavras suficientemente severas quando prop\u00f4s que o ministro das col\u00f3nias o retivesse em Fran\u00e7a. \u00abMonsieur Monnet\u00bb, declarou ele, \u00abdeu-se a conhecer em Bourbon como sendo um homem de ardor, de educa\u00e7\u00e3o med\u00edocre e de zelo, mas totalmente desprovido de circunspe\u00e7\u00e3o e cautela. Os mission\u00e1rios mais s\u00e1bios do clero colonial v\u00eaem-no como um mission\u00e1rio perigoso, mais suscet\u00edvel de comprometer do que de fazer avan\u00e7ar o trabalho de moraliza\u00e7\u00e3o dos Negros. Salvo algumas exce\u00e7\u00f5es, os crioulos odeiam-no, vendo-o como um inimigo que os denunciou e denegriu numa carta plena de publicidade infeliz, onde algumas verdades coexistem com exageros lament\u00e1veis, ilustrando, ali\u00e1s, o car\u00e1ter do Sr. Monnet&#8230;\u00bb.<\/p>\n<p>Ao interessar-se pela evangeliza\u00e7\u00e3o dos escravos de Saint Denis e pelos seus problemas quotidianos, Monnet devolveu-lhes a sua dignidade de seres humanos. Eles tiveram finalmente a impress\u00e3o de que algu\u00e9m da sociedade dos brancos se interessava por eles. O padre conseguiu despertar neles o seu sentido de solidariedade, reconetando-os com as suas tradi\u00e7\u00f5es ancestrais. Assim, quando decidiu criar uma capela para eles em la Rivi\u00e8re-des-Pluies, os escravos decidiram trabalhar na constru\u00e7\u00e3o durante o seu tempo livre, gratuitamente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1032\" aria-describedby=\"caption-attachment-1032\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1032\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1032 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10.jpg 600w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-10-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1032\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1lbum da Reuni\u00e3o. Par\u00f3quia de S\u00e3o francisco Xavier. Rivi\u00e8re des Pluies. Louis Antoine Roussin. 1881. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em quarto lugar, quando Monnet, o portador do ideal do amor universal, deixou Bourbon para seguir os Jesu\u00edtas at\u00e9 Madag\u00e1scar, foi principalmente porque estava insatisfeito com os seus resultados. Ap\u00f3s ter pedido aos Jesu\u00edtas, no final de 1844, que organizassem uma miss\u00e3o destinada a despertar e dinamizar a piedade dos seus paroquianos em Saint-Paul, acabou por abandonar tudo no in\u00edcio do ano seguinte. Embora os relat\u00f3rios de miss\u00e3o fossem sempre louv\u00e1veis, j\u00e1 n\u00e3o podia contentar-se com um efeito de fogo de palha. Na aus\u00eancia de apoio dos seus colegas, preferiu partir para um lugar com ainda menos recursos do que o Bourbon. Monnet n\u00e3o veio a Bourbon com a firme inten\u00e7\u00e3o de agradar o colonizador, porque quando reparou que a sua miss\u00e3o era um fracasso quase total, demitiu-se. Os colonos que eram hostis \u00e0 influ\u00eancia do clero no dom\u00ednio social e que exclu\u00edam a interfer\u00eancia da religi\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o social n\u00e3o podiam aplaudir um padre que criava um elo entre cren\u00e7a e moralidade.<\/p>\n<p>Em quinto lugar, se Monnet era o bra\u00e7o direito dos colonos, ent\u00e3o a sua expuls\u00e3o da col\u00f3nia a 28 de setembro de 1847 foi incompreens\u00edvel, para n\u00e3o dizer in\u00fatil. Assume um significado se admitirmos que o seu trabalho n\u00e3o satisfez os colonos locais, que o acusaram de criar problemas na sociedade da ilha. Porque \u00e9 que os representantes dos colonos teriam depreciado o bra\u00e7o direito da sua sociedade a tal ponto?<br \/>\nMonnet permaneceu humilde ao estender a m\u00e3o aos escravos, e eles estavam conscientes disso. Devolveu-lhes a sua dignidade, e eles n\u00e3o permaneceram insens\u00edveis perante isso. Via-os como seus iguais, tratava-os como iguais e considerava-os capazes de assumir responsabilidades. Foi criticado e expulso por defend\u00ea-los e estar ao seu lado. Por conseguinte, Monnet mereceu-os.<\/p>\n<p>Monnet n\u00e3o desejava iniciar uma revolu\u00e7\u00e3o na ilha Bourbon. Como padre, queria levar a cabo a sua miss\u00e3o de padre com o seu cora\u00e7\u00e3o. Na sua miss\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o, via um homem dentro de cada homem. Considerava que as diferen\u00e7as lingu\u00edsticas e culturais eram uma fonte de riqueza e n\u00e3o as utilizava para rejeitar outras. Todavia, tudo isto foi suficiente para fazer dele um suspeito, um p\u00e1ria, bem como um padre invulgar.<\/p>\n<h4>O caso do padre crioulo Fr\u00e9d\u00e9ric Levavasseur<\/h4>\n<p>Em mat\u00e9ria mission\u00e1ria, a ilha Bourbon marcou o ritmo sob a Monarquia de Julho. O impulso dado por Pierre-Louis Fr\u00e9d\u00e9ric Levavasseur, nascido a 25 de fevereiro de 1811 em Sainte-Marie, foi fenomenal. Ainda n\u00e3o tinha atingido a idade da sabedoria, e j\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es de vida degradantes dos escravos do seu pai e a situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as pequenas que n\u00e3o podiam ir \u00e0 escola chamavam a sua aten\u00e7\u00e3o. Depois de ter aprendido a leitura, escrita e aritm\u00e9tica gra\u00e7as a tutores, frequentou o col\u00e9gio real em Saint-Denis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1245\" aria-describedby=\"caption-attachment-1245\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-4.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1245\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1245 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-4.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-4.jpg 450w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-11-4-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1245\" class=\"wp-caption-text\">Fr\u00e9d\u00e9ric Pierre-Louis Levavasseur. Monique Joisseaux . Pintura.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Episcopado da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o do vig\u00e1rio apost\u00f3lico de Bourbon, a 16 de fevereiro de 1842, deixou Brest no navio <em>Sarcelle<\/em>, rumo \u00e0 sua ilha natal<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9767690836774426\" aria-label=\"AESD. ND. V. F-M. P. L, T. III, Carta de Levavasseur (Brest) de 16 de fevereiro de 1842 a Libermann (Neuville), p.488-489.\">&nbsp;<\/span>. Durante a travessia, catequizou os marinheiros e um jovem de Pondicheri. O Sarcelle atracou um m\u00eas no Rio de Janeiro onde o mission\u00e1rio constatou o abandono religioso em que os escravos definhavam, em torno de um clero desprovido de zelo e de igrejas ricamente decoradas, a marca de uma religi\u00e3o que era mais de fachada do que real. Na sexta-feira seguinte, 10 de junho, desembarcou em Bourbon, no final da tarde<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7106408461628186\" aria-label=\"AESD. ND. V. F-M. P. L, T.III, Carta de Levavasseur (Sainte-Suzanne) a Libermann (Neuville), p.508-514.\">&nbsp;<\/span>.No in\u00edcio, viveu com os pais, mandando construir uma cabana de palha na sua propriedade para viver como mission\u00e1rio, temendo o dia em que teria de viver afastado da sua m\u00e3e, pois sabia que ela sofreria<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.657579862969162\" aria-label=\"AESD. ND. V. F-M. P. L, T. III, Carta do abade Levavasseur ao abade Libermann de agosto de 1842, p.516.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Como as palavras por si s\u00f3s n\u00e3o podem mudar o destino das v\u00edtimas, P. L. F. Levavasseur privilegiou os atos como \u00fanica forma de originar esperan\u00e7a. Para ele, o fim do sistema esclavagista n\u00e3o era uma utopia. Refletiu seriamente na quest\u00e3o do fim da escravatura a m\u00e9dio prazo e p\u00f4s em pr\u00e1tica um plano de a\u00e7\u00e3o para facilitar o nascimento desta nova sociedade que seria mais fraterna e generosa para com os homens alforriados. Ainda jovem, o seu sentido de generosidade levou-o a ver os escravos, considerados desprez\u00edveis pelos poderosos, como seres com uma dignidade ontol\u00f3gica inalien\u00e1vel que mereciam ser tratados numa base igualit\u00e1ria e fraterna. Para facilitar a transi\u00e7\u00e3o para a liberdade, usava a B\u00edblia como uma arma, dela tirando a seiva das suas ideias, aproveitando ao m\u00e1ximo o tema da liberta\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no centro da mensagem crist\u00e3. \u00c9 porque a liberta\u00e7\u00e3o social deve ser alcan\u00e7ada aqui na terra que ele se mobiliza, sendo o seu empenho total, a fim de estabelecer esta Igreja atenta ao destino de todos os m\u00e1rtires, de todos os dominados.<\/p>\n<p>Ao considerar os pobres escravos \u2013 totalmente privados material e intelectualmente \u2013, como filhos de Deus, abrindo-lhes as portas da Igreja para distribuir generosamente a palavra divina de Cristo, pretendia criar as condi\u00e7\u00f5es para a sua inser\u00e7\u00e3o numa sociedade que lhes virava as costas, voltada para a inferioridade e degrada\u00e7\u00e3o do outro. O escravo devia n\u00e3o s\u00f3 ser convertido a Deus, mas a um novo conjunto de valores humanos, centrados no amor, na justi\u00e7a e na capacidade de enfrentar, pelos outros, a persegui\u00e7\u00e3o e a morte. Como n\u00e3o era um demagogo, n\u00e3o concebia uma religi\u00e3o inferior feita \u00e0 medida para eles, em prol apenas da forma, para engrossar o n\u00famero de crentes. Atribu\u00eda um interesse particular \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o e agiu para melhorar o seu acolhimento por parte da Igreja. Sem este trabalho preliminar de reuni\u00e3o do dominante e do dominado, o ressentimento acumulado por este \u00faltimo poderia levar a col\u00f3nia \u00e0 sua ru\u00edna, evitando um banho de sangue na v\u00e9spera ou no dia da sua emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6256\" aria-describedby=\"caption-attachment-6256\" style=\"width: 579px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/fig-12b-e1631694137302.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6256 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/fig-12b-e1631699418811.jpg\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"900\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6256\" class=\"wp-caption-text\">Catecismo dos escravos de propriedade utilizado pelo Senhor Boyer de la Giroday, cunhado do P. Levavasseur, na \u00e9poca da chegada dos mission\u00e1rios do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria na ilha Bourbon, que utilizaram inicialmente. Cole\u00e7\u00e3o Arquivos gerais da Congrega\u00e7\u00e3o superior do Esp\u00edrito-Santo<\/figcaption><\/figure>\n<p>P.L.F. Levavasseur quis assumir os valores humanos, preparando, ao mesmo tempo, os caminhos da evangeliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era um projetista nem uma pessoa que dava ordens. Ele empenhou-se, fez o que considerava leg\u00edtimo fazer, escolhendo com sinceridade este caminho por amor aos mais pequenos, os escravos importados &#8211; despersonalizados, \u00abassocializados\u00bb, desenraizados, desumanizados, desprovidos de ancestralidade &#8211; ou os nascidos na ilha, todos eles, abandonados a si mesmos e humilhados da mesma forma, porque Jesus afirma a primazia de Deus atrav\u00e9s da doa\u00e7\u00e3o total da sua vida aos filhos do seu Pai. Uma vez que a sua perten\u00e7a \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica Romana e Apost\u00f3lica o desvia do confinamento, ele n\u00e3o apela apenas para a emancipa\u00e7\u00e3o dos escravos da sua ilha, mas de todos os escravos do mundo, pois todos aqueles que sofrem merecem a mesma aten\u00e7\u00e3o, a mesma compaix\u00e3o, a mesma reden\u00e7\u00e3o. A sua miss\u00e3o libertadora, que rima com amor, estende-se \u00e0s dimens\u00f5es do mundo: das ilhas do Oceano \u00cdndico \u2013 Maur\u00edcias, Madag\u00e1scar \u2013 \u00e0 \u00c1frica, \u00e0s Am\u00e9ricas, \u00e0s Antilhas&#8230;, onde os Negros s\u00e3o explorados, submetidos ao jugo da explora\u00e7\u00e3o, sendo muitas vezes v\u00edtimas de abusos, onde sofrem com a maldade das pessoas no poder. Quebra os limites do espa\u00e7o e do tempo e defende uma solidariedade necess\u00e1ria com toda a humanidade. P. L. F. Levavasseur n\u00e3o obedece a uma l\u00f3gica imperialista ego\u00edsta, n\u00e3o restringe a sua a\u00e7\u00e3o apenas ao interior das fronteiras do imp\u00e9rio colonial franc\u00eas. O seu projeto era trans-imperial; sendo igualmente aplic\u00e1vel a todos os outros imp\u00e9rios. Al\u00e9m disso, a primeira col\u00f3nia a acolher um membro da Congrega\u00e7\u00e3o do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria \u2013 o Padre Jacques-D\u00e9sir\u00e9 Laval, p\u00e1roco de Pinterville<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5173703053660904\" aria-label=\"Nascido a 18 de setembro de 1803 em Croth, na diocese de Evreux, foi inicialmente m\u00e9dico antes de se tornar padre em Pinterville. Juntou-se \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria e partiu para a ilha Maur\u00edcia no final de maio de 1841, onde viria a falecer em 1864. Foi beatificado a 29 de abril de 1979.\">&nbsp;<\/span>\u2013,\u00a0sob a al\u00e7ada do vig\u00e1rio apost\u00f3lico, Monsenhor William Collier, foi a Maur\u00edcia, uma col\u00f3nia sob a tutela dos ingleses. O pr\u00f3prio Padre L.F. Levavasseur candidatou-se para arar este primeiro campo de miss\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1309\" aria-describedby=\"caption-attachment-1309\" style=\"width: 1445px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-13b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1309\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1309 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-13b.jpg\" alt=\"\" width=\"1445\" height=\"1199\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-13b.jpg 1445w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-13b-300x249.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-13b-768x637.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-13b-1024x850.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1309\" class=\"wp-caption-text\">Pequeno catecismo crioulo realizado pelo R. P. Levavasseur para os escravos da ilha Bourbon por volta de 1843, utilizado pelo padre Laval.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos gerais da Congrega\u00e7\u00e3o superior do Esp\u00edrito-Santo<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como estava consciente da natureza injusta e desrespeitosa da sociedade colonial de Bourbon, da sua profunda divis\u00e3o, decidiu agir com sinceridade a favor daqueles que se encontravam na base e que eram considerados como esc\u00f3rias. O primeiro desejo deste Crioulo n\u00e3o era ser o bra\u00e7o direito dos colonizadores, mantendo os mais fracos isolados, embrutecidos, subjugados, mas assegurar a sua ascens\u00e3o, faz\u00ea-los erguer-se, alcan\u00e7ando no final uma ades\u00e3o maci\u00e7a de toda a popula\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica, \u00e0 emerg\u00eancia em toda a parte de um verdadeiro cristianismo unido e fraterno. Ele queria que esta sociedade heterog\u00e9nea se tornasse homog\u00e9nea. A sua decis\u00e3o foi fruto da reflex\u00e3o individual e n\u00e3o da coniv\u00eancia com os representantes do poder pol\u00edtico. Visto que a mis\u00e9ria da grande maioria das pessoas livres na sua ilha natal, bem como a grande dispers\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es, abrandaram a a\u00e7\u00e3o do padre dentro da estrutura presbiteral, decidiu levar a cabo a constru\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie capelas. A sua ideia de descentraliza\u00e7\u00e3o prepararia o futuro, ou seja, a multiplica\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias para melhor servir as popula\u00e7\u00f5es, favorecendo um minist\u00e9rio de proximidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagerado afirmar que ele se distinguiu sobretudo como artes\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos da sua ilha natal, muito antes de o governo franc\u00eas ter tomado a decis\u00e3o de abolir este sistema. O seu pensamento inovador em mat\u00e9ria de gest\u00e3o espiritual destes atores da hist\u00f3ria, quase abandonados a si pr\u00f3prios, d\u00e1-lhe um carisma incontest\u00e1vel. Ele queria trazer-lhes a palavra de liberdade na v\u00e9spera da sua pr\u00f3pria liberta\u00e7\u00e3o, da sua transmuta\u00e7\u00e3o de objeto para indiv\u00edduo. Queria ajud\u00e1-los a sair do seu estado de aliena\u00e7\u00e3o, de depend\u00eancia, de incapacidade de escolha, de aus\u00eancia de iniciativa, de serem \u00abexpropriados\u00bb no sentido mais radical. Para ele, n\u00e3o se tratava apenas de espalhar a f\u00e9 e a esperan\u00e7a, mas de promover uma transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da vida. Ele pensava na verdadeira e eterna dignidade do homem e em condi\u00e7\u00f5es de vida verdadeiras e justas. A esperan\u00e7a \u00e9 o que d\u00e1 ao homem a sua liberdade; leva-o a exteriorizar-se e permite-lhe agarrar possibilidades sempre novas.<\/p>\n<p>Tanto as figuras pol\u00edticas como as religiosas de \u00eele de France (atualmente Maur\u00edcia) concordaram num ponto: a necessidade de esmagar efetivamente a ilha Bourbon. Num contexto que lhe era fundamentalmente desfavor\u00e1vel, apesar de todas as probabilidades, a Igreja Cat\u00f3lica na ilha Bourbon conseguiu evitar seguir os erros dos poderes pol\u00edticos, aplicando uma pol\u00edtica original destinada a preparar a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. O objetivo da Igreja n\u00e3o era servir a causa do colonizador, mas agir para que, nesta sociedade baseada numa total falta de respeito, os mais desfavorecidos pudessem ver que tinham o seu lugar na Igreja e que a sua dignidade humana seria finalmente reconhecida e respeitada. No tocante ao trabalho mission\u00e1rio no seio da Igreja universal, as decis\u00f5es mais importantes emanaram da ilha Bourbon.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6233,"parent":11093,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-5039","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/11093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}