{"id":5040,"date":"2021-05-19T11:53:45","date_gmt":"2021-05-19T09:53:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5040"},"modified":"2021-11-26T11:51:40","modified_gmt":"2021-11-26T10:51:40","slug":"movimentos-abolicionistas","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/abolicao-da-escravatura\/movimentos-abolicionistas\/","title":{"rendered":"Movimentos abolicionistas"},"content":{"rendered":"<h2><strong>As aboli\u00e7\u00f5es da escravatura e o caso da Reuni\u00e3o<br \/>\n<\/strong>A Fran\u00e7a apresenta a particularidade de ter abolido a escravatura nas suas col\u00f3nias em duas ocasi\u00f5es, a primeira vez, na altura da Revolu\u00e7\u00e3o, por decreto de 4 de fevereiro de 1794, a segunda por decreto de 27 de abril de 1848 apresentado, em nome da Segunda Rep\u00fablica, por Victor Schoelcher.<\/h2>\n<p>Entre as duas, o Consulado, que levaria Bonaparte a fundar o seu Imp\u00e9rio, decidiu regressar \u00e0 antiga ordem colonial, restabelecendo o com\u00e9rcio de escravos e a escravatura a partir de 1802. A singularidade da Reuni\u00e3o neste contexto nacional \u00e9 ter conhecido apenas a segunda aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>A primeira aboli\u00e7\u00e3o em 1794<\/h3>\n<p>A Fran\u00e7a foi, juntamente com Portugal, a Inglaterra e a Espanha, a quarta grande pot\u00eancia organizadora de com\u00e9rcio de escravos entre os s\u00e9culos XVI e XIX. Este com\u00e9rcio de escravos africano impulsionado pelo Estado real forneceu m\u00e3o de obra aos colonos franceses no Oceano Atl\u00e2ntico (Santo Domingo, Guadalupe, Dominica, Martinica, Santa L\u00facia, Granada e Guiana) e no Oceano \u00cdndico (Ile Bourbon e Ile de France \u2013 atualmente Reuni\u00e3o e Maur\u00edcia \u2013 seguidas de Maiote no s\u00e9culo\u00a0XIX).<\/p>\n<p>A primeira aboli\u00e7\u00e3o de 1794 n\u00e3o se deveu a um simples ato de generosidade por parte dos deputados da jovem Rep\u00fablica Francesa. O deputado e fil\u00f3sofo Condorcet, membro da Sociedade de Amigos dos Negros, denunciara um \u00abcrime contra a esp\u00e9cie humana\u00bb. Mas quem poderia interessar-se por territ\u00f3rios t\u00e3o long\u00ednquos naquela \u00e9poca? Houve, de facto, a pequena comuna de Champagney em Franche-Comt\u00e9 que pediu no caderno de queixas de 1789 que a escravatura fosse abolida, por\u00e9m, foi uma das raras exce\u00e7\u00f5es! A aboli\u00e7\u00e3o de 1794 foi sobretudo consequ\u00eancia da revolta dos escravos em Santo Domingo, a maior col\u00f3nia produtora de a\u00e7\u00facar da Fran\u00e7a, revolta essa que come\u00e7ou na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, com Toussaint Louverture como seu l\u00edder emblem\u00e1tico. Esta situa\u00e7\u00e3o foi agravada pela declara\u00e7\u00e3o de guerra \u00e0 Fran\u00e7a por parte da Espanha e da Inglaterra. L\u00e9ger-F\u00e9licit\u00e9 Sonthonax e Etienne Polverel, comiss\u00e1rios civis da Rep\u00fablica em Santo Domingo decidiram ent\u00e3o, sem o parecer de Paris (e porque precisavam dos escravos para lutar contra os ex\u00e9rcitos brit\u00e2nico e espanhol), proclamar a aboli\u00e7\u00e3o em 29 de agosto de 1793. Perante este facto consumado, a Conven\u00e7\u00e3o Nacional aprovou a decis\u00e3o com urg\u00eancia, alargando a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura a todas as col\u00f3nias francesas em 4 de fevereiro de 1794 (16 pluvioso ano II da Rep\u00fablica). Contudo, esta medida n\u00e3o foi aplicada em Ile de France e na Reuni\u00e3o porque os colonos rejeitaram os emiss\u00e1rios que tinham vindo trazer a not\u00edcia em 1796! No Atl\u00e2ntico, a Martinica, entregue aos brit\u00e2nicos pelos colonos a 22 de mar\u00e7o de 1794, tampouco aplicou a aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5758\" aria-describedby=\"caption-attachment-5758\" style=\"width: 886px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/labolition_de_lesclavage_proclame_a_la_convention.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5758 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/labolition_de_lesclavage_proclame_a_la_convention.jpg\" alt=\"\" width=\"886\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/labolition_de_lesclavage_proclame_a_la_convention.jpg 886w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/labolition_de_lesclavage_proclame_a_la_convention-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/labolition_de_lesclavage_proclame_a_la_convention-768x607.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5758\" class=\"wp-caption-text\">A aboli\u00e7\u00e3o da escravatura proclamada na Conven\u00e7\u00e3o. Nicolas-Andr\u00e9 Monsiau, Charles Th\u00e9venin.<br \/>Desenho, pena, aguarela, guache.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Carnavalet, Histoire de Paris<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tendo estudado em grande pormenor o per\u00edodo revolucion\u00e1rio na ilha da Reuni\u00e3o, o trabalho de Claude Wanquet revela at\u00e9 que ponto a quest\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o permaneceu no centro dos problemas que os colonos enfrentavam nessa altura<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5501608952095933\" aria-label=\" Claude Wanquet, Le rejet formel de l\u2019abolition de l\u2019esclavage, Histoire d\u2019une r\u00e9volution. La R\u00e9union (1799-1803), Genebra, Jeanne Laffitte, 1981, vol.II, pp. 465-497.\">&nbsp;<\/span>. A revolta dos escravos em Santo Domingo assombrou a consci\u00eancia coletiva, posto que o acontecimento era bem conhecido tanto pelos senhores como pelos escravos. N\u00e3o obstante, Nicolas Lemarchand, o representante n\u00e3o oficial da Conven\u00e7\u00e3o Nacional entre 1793 e 1794 e um dos mais ricos propriet\u00e1rios de escravos da ilha, apoiou a causa abolicionista<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5607347287656439\" aria-label=\"Lemarchand era o suplente do deputado Louis Marie Bertrand, admitido na Legislativa de 29 de mar\u00e7o de 1792 aquando da sua dissolu\u00e7\u00e3o a 20 de setembro. Tentou suced\u00ea-lo, por\u00e9m a Conven\u00e7\u00e3o recusou analisar a sua candidatura. No entanto, desempenhou o papel de deputado n\u00e3o oficial. Claude Wanquet, Les premiers d\u00e9put\u00e9s de La R\u00e9union \u00e0 l\u2019Assembl\u00e9e nationale. Quatre insulaires en R\u00e9volution (1790-1798)Paris, 1992.\">&nbsp;<\/span>. F\u00ea-lo por realismo, mas tamb\u00e9m por patriotismo, porque n\u00e3o desejava que a ilha se separasse da Fran\u00e7a, como aconteceu na Martinica. Embora Lemarchand tenha exigido, citando o direito \u00e0 propriedade consagrado na Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o, uma indemniza\u00e7\u00e3o para os propriet\u00e1rios, a Assembleia colonial insular expressou, em 12 de janeiro de 1795, a sua preocupa\u00e7\u00e3o relativamente \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do seu representante em Paris. Ficaram, portanto, ainda mais aliviados quando, durante uma visita \u00e0 ilha, Lemarchand declarou que finalmente desistia do seu papel de representante, regressando definitivamente a Fran\u00e7a. Ele continuou a afirmar as suas convic\u00e7\u00f5es abolicionistas, mantendo, ao mesmo tempo, a sua propriedade esclavagista na Reuni\u00e3o, provavelmente para n\u00e3o perturbar o clima social e n\u00e3o criar problemas aos amigos que lhe tinham sido leais e que permaneceram na ilha.<\/p>\n<p>Os dois deputados que representavam a Reuni\u00e3o na Conven\u00e7\u00e3o em 1795, Jean-Baptiste Detcheverry e Pierre Charles Emanuel Besnard, tamb\u00e9m apoiaram o decreto de 16 pluvioso ano II no panorama nacional. Todavia, de acordo com Claude Wanquet, para al\u00e9m do seu compromisso filantr\u00f3pico, denota-se uma ambiguidade consider\u00e1vel, ou at\u00e9 mesmo um discurso ambivalente. Se por um lado reivindicaram a relev\u00e2ncia a longo prazo da aboli\u00e7\u00e3o, por outro lado insistiram na import\u00e2ncia fundamental de garantir a lei e a ordem antes da aplica\u00e7\u00e3o do decreto na col\u00f3nia. Em particular, defenderam o direito dos colonos a decidirem por si pr\u00f3prios a melhor forma de implementar a medida. Neste sentido, congratularam-se com o facto de os comiss\u00e1rios n\u00e3o terem sido enviados imediatamente ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o do decreto de 1794 para implementar a aboli\u00e7\u00e3o, porque, segundo eles, era necess\u00e1rio prud\u00eancia e reflex\u00e3o antes de levar a cabo uma tal transforma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica. Na verdade, procuraram sobretudo assegurar a autonomia dos colonos nesta decis\u00e3o, pois acreditavam que as realidades da vida na ilha eram mal compreendidas em Paris. Irritado com o sil\u00eancio das assembleias coloniais das ilhas Mascarenhas relativamente ao decreto de aboli\u00e7\u00e3o de 26 de janeiro de 1796, o Diret\u00f3rio franc\u00eas decidiu conceder amplos poderes aos comiss\u00e1rios Ren\u00e9 Baco de la Chapelle e Etienne Burnel, enviando-os para a ilha durante dois anos. Contudo, os deputados da Reuni\u00e3o mostraram-se hostis, em particular \u00e0 escolha deste \u00faltimo considerado demasiado brusco. Quando Baco e Burnel chegaram a Port Louis em 18 de junho, os primeiros encontros correram mal porque os representantes do Diret\u00f3rio declararam \u00e0 Assembleia colonial da Ile de France que estavam dispostos a aplicar rigorosamente a Constitui\u00e7\u00e3o do ano III, fazendo com que as duas ilhas se tornassem departamentos, abolindo, de facto, as Assembleias coloniais. No entanto, antes mesmo de a quest\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o ter sido abordada, os colonos detiveram ambos os homens pela for\u00e7a. Os comiss\u00e1rios foram ent\u00e3o enviados para as Filipinas, com o objetivo de os manter afastados de Paris o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel. Na realidade, eles conseguiram, sem grandes dificuldades, que a tripula\u00e7\u00e3o os levasse de volta para Fran\u00e7a.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5761\" aria-describedby=\"caption-attachment-5761\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agent_du_directoire_executif_dans_les_colonies_francaises.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-5761 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agent_du_directoire_executif_dans_les_colonies_francaises.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agent_du_directoire_executif_dans_les_colonies_francaises.jpg 512w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agent_du_directoire_executif_dans_les_colonies_francaises-219x300.jpg 219w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5761\" class=\"wp-caption-text\">Agente do Diret\u00f3rio Executivo nas Col\u00f3nias Francesas. Pierre Michel Alix, gravador;<br \/>Jean-Fran\u00e7ois Garneray, autor do modelo. Aquatinta.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Carnavalet, Histoire de Paris<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os deputados da reuni\u00e3o, que saudaram o reenvio dos delegados e que asseguraram \u00e0 col\u00f3nia as melhores inten\u00e7\u00f5es por parte de Paris, continuaram, no entanto, a afirmar as suas convic\u00e7\u00f5es abolicionistas. De facto, estavam especialmente preocupados em afirmar o seu patriotismo atrav\u00e9s da import\u00e2ncia geopol\u00edtica de conservar as duas ilhas em Fran\u00e7a no \u00e2mbito da luta pela supremacia mar\u00edtima contra a Inglaterra. Segundo eles, as Mascarenhas tamb\u00e9m podiam desempenhar um papel essencial como ponto de apoio para manter o controlo nas \u00cdndias. Os colonos que recusavam a aboli\u00e7\u00e3o, em nome da ordem social, acabariam por romper com os representantes eleitos e, portanto, de certa forma com Paris, n\u00e3o organizando nenhuma elei\u00e7\u00e3o para substituir os seus deputados. Com efeito, desde 1796, a ilha vivia uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica muito dif\u00edcil, que acabara por levar \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o de todos os \u00f3rg\u00e3os eleitorais devido ao receio constante de uma invas\u00e3o inglesa. Em fevereiro de 1798, a not\u00edcia da tomada do poder por Bonaparte do Diret\u00f3rio franc\u00eas teve o impacto paradoxal de assustar os antiabolicionistas da Reuni\u00e3o que temiam que os republicanos abolicionistas voltassem ao poder. Nessa altura, eclodiu uma insurrei\u00e7\u00e3o no sul que se deveu, por um lado, a um an\u00fancio de que os contribuintes com impostos por pagar veriam os seus bens confiscados, e, por outro lado, ao medo de ver a assembleia colonial aliar-se aos ingleses. Entre os rebeldes, que acabaram por se render, encontrava-se o abolicionista confesso Padre Lafosse que foi detido e expulso da ilha juntamente com os outros cabecilhas.<\/p>\n<p>O receio abolicionista desapareceu com a chegada ao poder de Bonaparte, que, em 1802, decidiu oficializar a manuten\u00e7\u00e3o da escravatura nos locais onde ainda n\u00e3o tinha desaparecido (ou seja, no Oceano \u00cdndico e na Martinica). Em simult\u00e2neo, enviou duas expedi\u00e7\u00f5es militares para esmagar as tropas de Toussaint Louverture, em Santo Domingo, e de Louis Delgr\u00e8s, em Guadalupe, que, ao grito de \u00abViver livre ou morrer!\u00bb, recusou a restaura\u00e7\u00e3o da escravatura. Embora a escravatura tenha sido finalmente restabelecida num banho de sangue em Guadalupe, Santo Domingo tornou-se a primeira rep\u00fablica negra independente em 1804, tendo sido rebatizada Haiti.<\/p>\n<p>Em 1815, aquando da queda de Napole\u00e3o, o Congresso de Viena, que reuniu os vencedores, decidiu proibir o tr\u00e1fico de escravos. Na pr\u00e1tica o tr\u00e1fego continuou, mas em Fran\u00e7a o assunto continuava a ser alvo de pouco interesse. A causa tamb\u00e9m n\u00e3o estava isenta de riscos nas col\u00f3nias. Em 1823, o martinicano Cyrille Bissette escreveu anonimamente um panfleto intitulado \u00abDe la situation des gens de couleur libres aux Antilles fran\u00e7aises\u00bb (A situa\u00e7\u00e3o das pessoas de cor livres nas Antilhas francesas), para denunciar o sistema esclavagista, exigir direitos civis para os Negros livres, e defender a gradual reden\u00e7\u00e3o dos escravos e escolas livres para os novos alforriados. Denunciado, foi preso e condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em territ\u00f3rio franc\u00eas. Ele recorreu, por\u00e9m foi marcado com um ferrete vermelho e sentenciado aos trabalhos for\u00e7ados para o resto da vida. Ap\u00f3s um novo recurso, acabou por ser condenado a dez anos de desterro fora das col\u00f3nias francesas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5764\" aria-describedby=\"caption-attachment-5764\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Cyrille_Bissette2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-5764 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Cyrille_Bissette2.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Cyrille_Bissette2.jpg 525w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Cyrille_Bissette2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5764\" class=\"wp-caption-text\">Cyrille Charles Auguste Bissette. Fran\u00e7ois Le Villain. Litografia.<br \/>Em <em>Pr\u00e9cis historique de la traite des noirs et de l&#8217;esclavage colonial, contenant l&#8217;origine de la traite, son progr\u00e8s, son \u00e9tat actuel<\/em>&#8230; por Joseph-Elz\u00e9ar Mor\u00e9nas, Paris, J.-E. Mor\u00e9nas, 1828, p. 266<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, pelo contr\u00e1rio, houve grandes movimentos de protesto da opini\u00e3o p\u00fablica a favor da aboli\u00e7\u00e3o: peti\u00e7\u00f5es, distribui\u00e7\u00e3o de panfletos e at\u00e9 boicote de mercadorias provenientes de col\u00f3nias esclavagistas. H\u00e1 que dizer que, a partir do final do s\u00e9culo XVII, houve a\u00ed uma maior liberdade de express\u00e3o. Esta mobiliza\u00e7\u00e3o precoce levou a Gr\u00e3-Bretanha a abolir o tr\u00e1fico de escravos j\u00e1 em 1807, e, mais tarde, a escravatura em 1833. O abolicionismo foi ent\u00e3o impulsionado por William Wilberforce e Thomas Clarkson, sendo que este \u00faltimo conseguiu organizar duas conven\u00e7\u00f5es mundiais antiescravatura, realizadas em Londres em 1840 e 1843. Em Fran\u00e7a, foi atrav\u00e9s do movimento protestante que foi criado o Comit\u00e9 para a aboli\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos no seio da Sociedade da Moral Crist\u00e3. Na d\u00e9cada de 1820, o abade Gr\u00e9goire tamb\u00e9m retomou a sua luta contra a escravatura iniciada durante a Revolu\u00e7\u00e3o. Mas foi s\u00f3 depois da aboli\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica da escravatura, em 1834, que a Sociedade Francesa para a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura viu finalmente a luz do dia. Embora n\u00e3o tenha tido qualquer influ\u00eancia pol\u00edtica durante a Monarquia de Julho, os seus membros inclu\u00edam Lamartine, Tocqueville ou Victor Schoelcher. Em mar\u00e7o de 1848, Cyrille Bissette reuniu o Clube dos Amigos dos Negros, que era frequentado por personalidades como Alexandre Dumas (tanto o pai, como o filho). Ali\u00e1s, os dirigentes deste clube convidaram Victor Schoelcher para apresentar as suas ideias sobre a aboli\u00e7\u00e3o, mas este recusou por considerar o pedido inapropriado. Schoelcher e Bissette, embora ligados pela mesma luta abolicionista, opuseram-se assim violentamente.<\/p>\n<h3>A segunda aboli\u00e7\u00e3o de 1848<\/h3>\n<p>Todos os not\u00e1veis da Reuni\u00e3o eram profundamente hostis \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. O Padre Alexandre Monnet,<\/p>\n<figure id=\"attachment_6246\" aria-describedby=\"caption-attachment-6246\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6246 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8.jpg 420w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-5-8-210x300.jpg 210w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6246\" class=\"wp-caption-text\">A. H. Xavier Monnet. Louis Antoine Roussin. 1862. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>considerado um abolicionista, foi instado pelo Governador Gra\u00ebba deixar a ilha em setembro de 1847.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6314\" aria-describedby=\"caption-attachment-6314\" style=\"width: 432px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1990-11.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6314 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1990-11.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1990-11.jpg 432w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1990-11-216x300.jpg 216w\" sizes=\"auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6314\" class=\"wp-caption-text\">E. F. Joseph Graeb, capit\u00e3o de navio, governador da ilha Bourbon de 1846 a outubro de 1848.<br \/>Louis Antoine Roussin. Por volta de 1879. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesta sociedade insular conservadora havia poucas pessoas que n\u00e3o tinham uma posi\u00e7\u00e3o de absoluta intransig\u00eancia sobre o assunto. O escritor Eug\u00e8ne Dayot, que na sua obra Bourbon Pittoresque retrata a realidade da ca\u00e7a aos escravos fugitivos, n\u00e3o se opunha \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, mas recusava qualquer aplica\u00e7\u00e3o precipitada antes que os escravos tivessem beneficiado de um certo n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o. Pr\u00f3ximo do movimento Franc-cr\u00e9ole<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6723577495402595\" aria-label=\"Este movimento procurava mobilizar a classe m\u00e9dia insular contra os grandes propriet\u00e1rios detentores do poder pol\u00edtico e econ\u00f3mico da ilha, reivindicando certas liberdades. No entanto, opunham-se \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o.\">&nbsp;<\/span>, defendeu a liberdade de imprensa para que se pudesse discutir abertamente as condi\u00e7\u00f5es da emancipa\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, em 1841, Louis Bret, recebedor do Registo e dos Dom\u00ednios, prop\u00f4s, em v\u00e3o, publicar um projeto com vista a acompanhar da melhor forma uma aboli\u00e7\u00e3o que considerava inevit\u00e1vel, de modo progressivo e preparado<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7398589375662035\" aria-label=\"Prosper Eve, Le 20 d\u00e9cembre 1848 et sa c\u00e9l\u00e9bration : du d\u00e9ni \u00e0 la r\u00e9habilitation (1848-1980), Paris, L'Harmattan, 2000, pp. 105-109.\">&nbsp;<\/span>. Neste contexto, ele propunha, com a cessa\u00e7\u00e3o total do tr\u00e1fico, uma sa\u00edda da escravatura \u00e0 medida que deixaria de haver escravos, melhorando simultaneamente as condi\u00e7\u00f5es de vida destes. SullyBrunet, nomeado como delegado da col\u00f3nia em Paris em 1830, igualmente pr\u00f3ximo dos Francs-cr\u00e9oles e fortemente oposto \u00e0 aristocracia insular simbolizada pelo cl\u00e3 da fam\u00edlia Desbassayns\u2013Vill\u00e8le, sugeriu por seu lado uma emancipa\u00e7\u00e3o escalonada at\u00e9 31 de dezembro de 1859. Por pragmatismo, considerou essencial que os colonos participassem construtivamente no debate, caso esperassem receber uma indemniza\u00e7\u00e3o, em vez de responderem negativamente de modo sistem\u00e1tico a todos os pedidos de consulta por parte de Paris.<\/p>\n<p>A proclama\u00e7\u00e3o da Segunda Rep\u00fablica, em fevereiro de 1848, abriu a via para a segunda aboli\u00e7\u00e3o da escravatura nas col\u00f3nias francesas. Por\u00e9m, esta tamb\u00e9m n\u00e3o era o resultado de um simples ato de humanidade. Foi o medo de uma insurrei\u00e7\u00e3o de escravos na Martinica e em Guadalupe que for\u00e7ou o governo provis\u00f3rio a seguir Victor Schoelcher<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9491590701797961\" aria-label=\"Nelly Schmidt, Victor Schoelcher, Paris, Fayard, 1994.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6315\" aria-describedby=\"caption-attachment-6315\" style=\"width: 476px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1992-112-Schoelcher.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6315 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1992-112-Schoelcher.jpg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1992-112-Schoelcher.jpg 476w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1992-112-Schoelcher-238x300.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6315\" class=\"wp-caption-text\">Schoelcher. Firmin Gillot. 2\u00aa metade do s\u00e9culo XIX. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo tamb\u00e9m evoluiu: em 1833, na sua obra De l&#8217;esclavage des Noirs et de la l\u00e9gislation coloniale, defendia uma aboli\u00e7\u00e3o gradual ao longo de quarenta a sessenta anos, ao passo que em 1840 apoiava a ideia de uma emancipa\u00e7\u00e3o total e imediata<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5402418760183598\" aria-label=\"Prosper Eve, Petit pr\u00e9cis de remise en cause des id\u00e9es re\u00e7ues sur les affranchis de 1848 \u00e0 La R\u00e9union, St-Denis, CRESOI Oc\u00e9ans-Editions, 2009, p.8.\">&nbsp;<\/span>. Quando Fran\u00e7ois Arago, ministro da Guerra e da Marinha, organizou uma comiss\u00e3o para a aboli\u00e7\u00e3o, confiou a presid\u00eancia a Schoelcher (precavendo-se ao n\u00e3o lhe associar Bisette). A aboli\u00e7\u00e3o, que previa a indemniza\u00e7\u00e3o dos colonos, foi decretada a 27 de abril de 1848, tendo sido previsto um per\u00edodo m\u00ednimo de dois meses para a sua aplica\u00e7\u00e3o. A proposta de Schoelcher de tamb\u00e9m compensar os escravos e de lhes atribuir um terreno foi rejeitada pelo Governo provis\u00f3rio. Contudo, os comiss\u00e1rios da Rep\u00fablica n\u00e3o tiveram tempo de chegar \u00e0s Antilhas, pois as revoltas de escravos impuseram a aboli\u00e7\u00e3o a partir de 23 de maio na Martinica e 27 de maio em Guadalupe. Na Guiana, foi proclamada de acordo com o prazo previsto, dia10 de agosto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6316\" aria-describedby=\"caption-attachment-6316\" style=\"width: 437px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Sarda-garriga.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6316 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Sarda-garriga.jpg\" alt=\"\" width=\"437\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Sarda-garriga.jpg 437w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Sarda-garriga-219x300.jpg 219w\" sizes=\"auto, (max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6316\" class=\"wp-caption-text\">Lembran\u00e7a da ilha da Reuni\u00e3o, N\u00b0 127 : Sr. Sarda-Garriga, Comiss\u00e1rio geral da Rep\u00fablica na ilha da Reuni\u00e3o. Louis Antoine Roussin. 1849. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na ilha da Reuni\u00e3o, o comiss\u00e1rio da Rep\u00fablica, Sarda Garriga, proclamou a aboli\u00e7\u00e3o a 20 de dezembro. O objetivo em todo o lado era manter a ordem social: os novos livres eram obrigados a possuir um contrato de trabalho sob pena de serem declarados vagabundos e levados para oficinas de trabalhos for\u00e7ados. Na realidade, os propriet\u00e1rios de escravos da ilha anteciparam muito cedo as consequ\u00eancias da aboli\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de m\u00e3o de obra. Desde janeiro de 1848, os colonos debateram a necessidade de trazer trabalhadores de fora, com alguns pol\u00edticos a mencionarem mesmo a possibilidade de recrutar trabalhadores irlandeses<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.15968067185967416\" aria-label=\"Ibid., 19.\">&nbsp;<\/span>. No pr\u00f3prio dia da proclama\u00e7\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o, a 20 de dezembro, chegou um navio carregado de trabalhadores contratados. Al\u00e9m disso, Sarda Garriga aceitou o pedido dos propriet\u00e1rios para terminar o corte das canas-de-a\u00e7\u00facar, adiando o an\u00fancio oficial para 20 de dezembro, mas sobretudo, perante o argumento dos colonos que alegavam carecer de liquidez para pagar os sal\u00e1rios previstos dos alforriados, optou por reduzir em dois ter\u00e7os a remunera\u00e7\u00e3o mensal. Os alforriados encontraram-se, assim, reduzidos \u00e0 mis\u00e9ria, obrigados a obter um contrato, e at\u00e9 banidos, nos dias \u00fateis, de qualquer via p\u00fablica. Os colonos ficariam claramente gratos pelas condi\u00e7\u00f5es que lhes tinham sido oferecidas, uma vez que receberam 40 000 francos em doa\u00e7\u00f5es por parte de Sarda Garriga. Al\u00e9m disso, os conselheiros gerais obrigam-no a pagar aos colonos uma pens\u00e3o anual vital\u00edcia de 3 600 francos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4581761156004973\" aria-label=\"Ibid. p.155. Sarda Garriga terminou a sua vida em Mesnil-sur-l'Estr\u00e9e, no Eure, onde o seu t\u00famulo foi edificado.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Em 1848, 67% dos propriet\u00e1rios possu\u00edam menos de dez escravos, sendo que Prosper Eve demonstra e bem que os grandes e m\u00e9dios propriet\u00e1rios \u2013 que afirmavam n\u00e3o ter posses para pagar devidamente aos alforriados \u2013 afinal dispunham de meios para cobrir os custos de recrutamento de trabalhadores indianos e africanos. Estes \u00faltimos aumentaram 528% entre 1849 e 1857, tendo o contrato de trabalho aumentado de menos de 200 francos em 1849 para 1 100 francos em 1857<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5713575664218609\" aria-label=\"Ibid., p.157.\">&nbsp;<\/span>. O recurso aos trabalhadores recrutados era, de facto, justificado por campanhas de imprensa habilmente orquestradas a fim de rotular os homens livres de pregui\u00e7osos, embora estes tenham honrado os contratos de trabalho celebrados no momento da aboli\u00e7\u00e3o. De igual modo, os detentores do poder pol\u00edtico fizeram tudo ao seu alcance para impedir os antigos escravos de exercerem o seu direito de voto.<\/p>\n<h3>A longa luta pela comemora\u00e7\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o na Reuni\u00e3o<\/h3>\n<p>A partir de 1849, tamb\u00e9m foram envidados todos os esfor\u00e7os para garantir que a celebra\u00e7\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura permanecesse exclu\u00edda do espa\u00e7o p\u00fablico, tornando-se evidente que os propriet\u00e1rios da ilha n\u00e3o desejavam honrar esta efem\u00e9ride<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8363751438185041\" aria-label=\"Sobre o assunto remetemos o leitor para o trabalho de Prosper Eve, Le 20 d\u00e9cembre 1848 et sa c\u00e9l\u00e9bration : du d\u00e9ni \u00e0 la r\u00e9habilitation (1848-1980), Paris, L'Harmattan, 2000. Recordamos aqui as principais conclus\u00f5es.\">&nbsp;<\/span>. No in\u00edcio foi voluntariamente esquecida pela Segunda Rep\u00fablica como resultado da cria\u00e7\u00e3o do Dia do Trabalhador a 4 de Maio (dia do anivers\u00e1rio da proclama\u00e7\u00e3o deste mesmo regime), pelo que a comemora\u00e7\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o permaneceu limitada \u00e0 esfera familiar do mundo dos alforriados. Entre 1870 e 1936, n\u00e3o houve qualquer comemora\u00e7\u00e3o oficial do dia 20 de dezembro. Foi atrav\u00e9s do mundo sindical que esta comemora\u00e7\u00e3o surgiu na pra\u00e7a p\u00fablica, gra\u00e7as ao impulso do pequeno industrial Ren\u00e9 Payet<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.012395707804159661\" aria-label=\"Prosper Eve, Le jeu politique \u00e0 La R\u00e9union de 1900 \u00e0 1939, Paris, L\u2019Harmattan, 1994.\">&nbsp;<\/span>. Este \u00faltimo candidatou-se \u00e0s elei\u00e7\u00f5es gerais de 1936 autointitulando-se nada menos do que \u00abo novo Sarda\u00bb. Na rubrica \u00abA voz dos escravos\u00bb do seu jornal Servir, investiu o campo lexical da escravatura e a sua aboli\u00e7\u00e3o reavivando as mem\u00f3rias. A refer\u00eancia a este passado esclavagista tamb\u00e9m foi realizada pelo sindicato de trabalhadores de Gabriel Virapin, que apelava claramente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do dia 20 de dezembro. Para contrariar o sindicalista, Ren\u00e9 Payet n\u00e3o hesitou em proibir qualquer manifesta\u00e7\u00e3o relacionada com a comemora\u00e7\u00e3o da escravatura. Foi apenas quando a Reuni\u00e3o se tornou um departamento ultramarino franc\u00eas que a data de 20 de Dezembro saiu do fenoir<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4879841415734465\" aria-label=\"Termo crioulo para designar a escurid\u00e3o.\">&nbsp;<\/span>, apoiado em primeiro lugar pela federa\u00e7\u00e3o comunista do PCF (Partido Comunista Franc\u00eas), do Dr. Raymond Verg\u00e8s, e depois pelo Partido Comunista da Reuni\u00e3o (PCR), fundado por Paul Verg\u00e8s em 1959. Todavia, vale a pena notar o lugar que Sarda Garriga det\u00e9m na mem\u00f3ria comunista. Com efeito, em 1945, ap\u00f3s ter sido eleito presidente da c\u00e2mara municipal de St-Denis, o Doutor Verg\u00e8s decidiu honrar o comiss\u00e1rio da Rep\u00fablica dando o seu nome a uma pra\u00e7a p\u00fablica. \u00c9, portanto, o not\u00e1vel republicano, e a sua mensagem de ordem e trabalho, que \u00e9 celebrada e n\u00e3o os pr\u00f3prios homens alforriados. Em 1998, por ocasi\u00e3o do cent\u00e9simo quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o, o presidente da c\u00e2mara comunista da cidade Possession, Roland Robert, decidiu destacar, atrav\u00e9s de uma estela comemorativa, o tamarindo \u00e0 sombra do qual Sarda Garriga teria descansado durante a viagem \u00e0 volta da ilha para anunciar a aboli\u00e7\u00e3o. Entretanto, o tema da escravatura tornou-se, no contexto do violento confronto pol\u00edtico entre o PCR autonomista e os departamentalistas reunidos por detr\u00e1s de Michel Debr\u00e9, um dos pilares da cultura comunista insular. Assim, por exemplo, em 1968, enquanto as institui\u00e7\u00f5es oficiais comemoravam o cinquenten\u00e1rio da Primeira Guerra Mundial, em particular em torno da mem\u00f3ria de Roland Garros, uma figura do \u00abher\u00f3i\u00bb da Reuni\u00e3o que morreu em combate em 1918, o PCR valoriza por sua parte \u00aba mem\u00f3ria popular\u00bb em torno do 120.\u00ba anivers\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6023770738137164\" aria-label=\"Gilles Gauvin, Histoire et r\u00e9cup\u00e9ration politique : l\u2019exemple de l\u2019abolition de l\u2019esclavage en 1968, Revue Historique des Mascareignes n\u00b02, AHIOI, p. 167-190. \">&nbsp;<\/span>. Para tal, destaca a poesia \u00abrevolucion\u00e1ria\u00bb de Leconte de Lisle, cujo nascimento 150 anos antes tamb\u00e9m estava a ser celebrado. Na sua obra Sacatove, publicada em 1846, o partido identifica os louvores do marronnage (fuga de escravos) e da resist\u00eancia a que assimila as lutas anticolonialistas no mundo e por extens\u00e3o o combate pela autonomia democr\u00e1tica e popular na ilha.<\/p>\n<p>O dia 20 de dezembro foi finalmente consagrado na pra\u00e7a p\u00fablica em 1983 pelo governo de Fran\u00e7ois Mitterrand, que permitiu a cada uma das regi\u00f5es ultramarinas francesas celebrar oficialmente a data da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura que lhe corresponde. A 10 de maio de 2001, os parlamentares franceses reconheceram a escravatura e o tr\u00e1fico de escravos organizado pelos europeus como um crime contra a humanidade e, desde 2006, o dia 10 de maio tornou-se a efem\u00e9ride em que todos os franceses comemoram esta longa hist\u00f3ria do tr\u00e1fico de escravos, da escravatura e as suas aboli\u00e7\u00f5es. Os naturais da Reuni\u00e3o t\u00eam agora duas datas para celebrar a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, sob diversas formas. N\u00e3o obstante, ainda persistem quest\u00f5es pol\u00edticas em torno daquilo a que alguns preferem chamar de \u00abf\u00e8t kaf\u00bb e o que a Regi\u00e3o de Reuni\u00e3o decidiu comemorar a partir de 2010 atrav\u00e9s do \u00abFestival Libert\u00e9 m\u00e9tisse\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6312,"parent":5006,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-5040","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5006"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}