{"id":5189,"date":"2021-06-10T13:24:41","date_gmt":"2021-06-10T11:24:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5189"},"modified":"2024-06-04T09:05:35","modified_gmt":"2024-06-04T05:05:35","slug":"a-propriedade-segundo-sully-brunet","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/uma-sociedade-de-plantacao\/definicao\/a-propriedade-segundo-sully-brunet\/","title":{"rendered":"A propriedade segundo Sully Brunet"},"content":{"rendered":"<h2>Baseando-se nas suas mem\u00f3rias, o crioulo Sully Brunet d\u00e1-nos a sua vis\u00e3o do que \u00e9 a propriedade (\u201chabitation\u201d), at\u00e9 mesmo a sua defini\u00e7\u00e3o, o que ela lhe evoca e o que representa para a sua col\u00f3nia de Bourbon.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5189-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/poster_boutier.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BOUTIER_ST_PORT.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BOUTIER_ST_PORT.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BOUTIER_ST_PORT.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<blockquote><p>&#8220;Denomina-se <em>propriedade (\u201chabitation\u201d)<\/em> o estabelecimento rural; e <em>propriet\u00e1rio (\u201chabitant\u201d)<\/em> aquele que a possui&#8221;<br \/>\nCap\u00edtulo preliminar<\/p><\/blockquote>\n<h3>Sully Brunet, uma vida passada entre Bourbon e a metr\u00f3pole<\/h3>\n<p>O seu pai, Jacques Brunet, tinha chegado h\u00e1 alguns anos a Bourbon, vindo da regi\u00e3o do P\u00e9rigueux, para assumir a administra\u00e7\u00e3o de uma propriedade em Saint-Andr\u00e9, pertencente \u00e0 fam\u00edlia Rochetin. Jacques Brunet casa-se com uma das filhas da fam\u00edlia, a crioula Jeanne Rochetin, e juntos t\u00eam v\u00e1rios filhos, dos quais Sully Brunet, nascido em Saint-Denis, em 1794, e que cresceu nesta casa.<\/p>\n<p>Em 1811, Sully e o seu irm\u00e3o mais velho recusam-se a prestar juramento de fidelidade aos ingleses que se tinham apoderado da ilha. Por conseguinte, \u00e9 for\u00e7ado a deixar a col\u00f3nia. Cursou Direito em Paris antes de regressar a Bourbon em 1817 como magistrado. Empenhado no caso Furcy, torna-se mais tarde advogado. A prosperidade da sua firma permite-lhe adquirir propriedades, assumindo a administra\u00e7\u00e3o de algumas.<\/p>\n<p>Em 1830 deixa Bourbon por raz\u00f5es de sa\u00fade e estabelece-se em Paris, onde se torna deputado oficioso da col\u00f3nia. Durante esta estadia longe de casa, parece n\u00e3o ter exercido fun\u00e7\u00f5es remuneradas, provavelmente porque os rendimentos das suas propriedades lhe permitem faz\u00ea-lo. Regressa em 1833 a Bourbon, por alguns meses, trazendo consigo a nova lei de 24 de abril de 1833 que institui, designadamente, um conselho colonial eleito. Torna-se membro desta assembleia local e \u00e9 nomeado pelos seus pares para representar os interesses da col\u00f3nia em Paris. Embarca para a metr\u00f3pole em outubro de 1834 e consta que nunca regressou \u00e0 sua terra natal.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o das suas mem\u00f3rias (em meados do s\u00e9culo XIX), documento destinado ao seu filho Eugene, Sully Brunet evoca a no\u00e7\u00e3o de propriedade, singular no contexto de Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5794159425858387\" aria-label=\"A publica\u00e7\u00e3o da transcri\u00e7\u00e3o integral das suas mem\u00f3rias ser\u00e1 publicada em 2023 pela Cic\u00e9ron \u00c9ditions. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9225\" aria-describedby=\"caption-attachment-9225\" style=\"width: 1660px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/M1.4bis.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9225 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/M1.4bis.jpg\" alt=\"\" width=\"1660\" height=\"926\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/M1.4bis.jpg 1660w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/M1.4bis-300x167.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/M1.4bis-768x428.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/M1.4bis-1024x571.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9225\" class=\"wp-caption-text\">Passagem, (CARAN 515Mi1, Sully Brunet, \u00c0 mon fils, 1849-1854)<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Defini\u00e7\u00e3o de propriedade segundo Sully Brunet<\/h3>\n<blockquote><p>&#8220;Aquilo que ligava a comunidade de colonos era a sua honra, sendo a lei de cada um o respeito daquilo que n\u00e3o lhe pertencia; cada propriedade era uma col\u00f3nia individual com o seu senhor absoluto e os seus trabalhadores escravos.\u201d<br \/>\nCap\u00edtulo Preliminar<\/p><\/blockquote>\n<p>Da leitura das suas mem\u00f3rias, constata-se que a propriedade \u00e9 a componente essencial, a engrenagem b\u00e1sica da sociedade colonial de Bourbon. Funciona simultaneamente como n\u00facleo familiar (que inclui os escravos que l\u00e1 vivem) e como n\u00facleo econ\u00f3mico (as for\u00e7as produtivas).<\/p>\n<blockquote>\n<figure id=\"attachment_9227\" aria-describedby=\"caption-attachment-9227\" style=\"width: 1896px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/M1.5.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9227 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/M1.5.jpg\" alt=\"\" width=\"1896\" height=\"1385\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/M1.5.jpg 1896w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/M1.5-300x219.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/M1.5-768x561.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/M1.5-1024x748.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9227\" class=\"wp-caption-text\">Passagem, II, \u00a74 (CARAN 515Mi1, Sully Brunet, \u00c0 mon fils, 1849-1854)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA propriedade (&#8230;) \u00e9 o termo gen\u00e9rico consagrado para qualificar o estabelecimento rural, quer se trate de uma pequena quinta, com uma casa modesta; ou de um latif\u00fandio grandioso caracter\u00edstico destas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas de f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar que produziam milh\u00f5es de quilos; ou desses cafezais, com v\u00e1rias centenas de quintais, que cobriam a ilha antes da introdu\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A propriedade que estou atualmente a retratar formava, nesses tempos distantes, uma esp\u00e9cie de pequeno Estado com o seu pr\u00f3prio governo: a justi\u00e7a dos c\u00f3digos n\u00e3o a penetrava, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o daqueles grandes acontecimentos que emocionam uma sociedade. A pol\u00edcia, de natureza administrativa, era desconhecida. O propriet\u00e1rio era tudo: soberano, juiz, m\u00e9dico, e, apesar desta autoridade absoluta, vivia feliz e tranquilo rodeado da sua fam\u00edlia, sendo frequentemente seu professor, e dos seus escravos, a quem tratava com benevol\u00eancia paterna.\u201d<br \/>\nII, \u00a74<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo ele, a propriedade molda, ao ponto de definir os <em>Bourbonnais<\/em> (habitantes de Bourbon): uma vida r\u00fastica e rural, mas tamb\u00e9m uma topografia particular (relevo e ravinas) que isola os habitantes e promove a sua independ\u00eancia, a tal ponto que torna os propriet\u00e1rios, mestres absolutos, por vezes desconsiderando a lei. Isto ocasionou igualmente muitos abusos da justi\u00e7a dom\u00e9stica levada a cabo pelos senhores sobre os escravos, substituindo assim a justi\u00e7a do direito comum.<\/p>\n<blockquote><p>\n<figure id=\"attachment_3061\" aria-describedby=\"caption-attachment-3061\" style=\"width: 476px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/R03445.315_1-negre-frappe-par-le-fouet-3-e1597661085450.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-3061 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/R03445.315_1-negre-frappe-par-le-fouet-3-e1597661085450.jpg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"600\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3061\" class=\"wp-caption-text\">Escravo preto a ser chicoteado. [1899?]. Gravura. In: \u201cLe journal de Marguerite ou les Deux ann\u00e9es pr\u00e9paratoires \u00e0 la premi\u00e8re communion \/ par Melle V. Monniot\u201d, vol. 2, p\u00e1g. 315.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cA autoridade do governador estava sem prest\u00edgio; tinha sido at\u00e9 aniquilada, do ponto de vista da pol\u00edcia administrativa e repressiva, pelo car\u00e1ter dos colonos: estes \u00faltimos, fechados nas suas propriedades, moldados pela vida r\u00fastica, com afinco no trabalho, s\u00f3brios, senhores de um solo f\u00e9rtil, acidentado e temperado, sem comunica\u00e7\u00e3o f\u00e1cil com a capital, separados entre eles por \u00e1guas torrenciais, adquirindo vontades de independ\u00eancia e resist\u00eancia ao poder que, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, se traduziram em revoltas.\u201d<br \/>\nCap\u00edtulo Preliminar<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta rudeza, independ\u00eancia de car\u00e1cter e propens\u00e3o para a autonomia s\u00e3o caracter\u00edsticas familiares a Sully Brunet e que representam os propriet\u00e1rios, bem como toda a col\u00f3nia, excluindo os escravos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3063\" aria-describedby=\"caption-attachment-3063\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/06-Habitation-de-M.-TH.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3063 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/06-Habitation-de-M.-TH.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"636\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/06-Habitation-de-M.-TH.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/06-Habitation-de-M.-TH-300x191.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/06-Habitation-de-M.-TH-768x488.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3063\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1lbum de Salazie: Propriedade de M. TH. Cazeau em La Source. Louis Antoine Roussin. Litografia. In Promenade \u00e0 Salazie \/ Charles Merme, Antoine Roussin, [et al.]. 1851, p\u00e1g. 6.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p>\u201cFormamos uma civiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 parte, com ind\u00edcios de uma alta intelig\u00eancia, vislumbres de uma forte educa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m misturados com formas r\u00fasticas; assombrada por certas caracter\u00edsticas de uma sociedade primitiva, com as asperezas da rudeza, da independ\u00eancia, do desrespeito pelas leis, da paix\u00e3o pelo duelo.\u201d<br \/>\nV, \u00a712<\/p><\/blockquote>\n<h3>Sully Brunet, um propriet\u00e1rio<\/h3>\n<p>Sully Brunet evoca as propriedades que frequentou durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e o Imp\u00e9rio, evocando, de seguida, as propriedades que possu\u00eda, todas elas localizadas no quarto nordeste da ilha, de Sainte-Marie a Sainte-Rose. As propriedades da sua inf\u00e2ncia remetem para uma imagem antiga da propriedade, a do s\u00e9culo XVIII, que ainda n\u00e3o tinha sido transformada pela ind\u00fastria a\u00e7ucareira. Os propriet\u00e1rios abandonaram ent\u00e3o as culturas de caf\u00e9 e aliment\u00edcias para se consagrarem \u00e0 cana-de-a\u00e7\u00facar. Sully deve-lhe em grande medida a sua fortuna, o que explica o seu interesse pela sua tarifa\u00e7\u00e3o, uma das quest\u00f5es mais importantes para os colonos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3231320074423878\" aria-label=\"Autor de Consid\u00e9rations sur le syst\u00e8me colonial et tatarification des sucres, Selligue, 1832 e Du projet de loi sur les primes et sur la tarification des sucres. Observations, Guiraudet, 1833. \">&nbsp;<\/span>. As suas rela\u00e7\u00f5es em Paris, o seu conhecimento do assunto e o seu envolvimento pessoal fazem dele um candidato ideal para a representa\u00e7\u00e3o dos seus compatriotas na metr\u00f3pole.<\/p>\n<p>Embora esteja recenseado no registo de nascimento do distrito de Saint-Denis, Sully Brunet afirma ter nascido na propriedade de Bras des Chevrettes, em Saint-Andr\u00e9, uma propriedade que era gerida desde h\u00e1 pouco tempo pelo seu pai.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3051\" aria-describedby=\"caption-attachment-3051\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/2017-3-2b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3051 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/2017-3-2b.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/2017-3-2b.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/2017-3-2b-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/2017-3-2b-768x482.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3051\" class=\"wp-caption-text\">Estabelecimento Menciol, refinaria de a\u00e7\u00facar M. Soucaze nos cimos de Bras des Chevrettes, Burgo de St. Andr\u00e9. Louis Antoine Roussin, desenhador e lit\u00f3grafo. 1857. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Mus\u00e9e de Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p>\u201cA propriedade, Bras des Chevrettes (que deve o seu nome \u00e0 esp\u00e9cie de camar\u00e3o, vulgarmente chamado de <em>chevrette<\/em> em Bourbon) &#8230; Estou a v\u00ea-la. Tenho-a diante dos meus olhos. Tenho na mente a sua divis\u00e3o, o caminho, os acidentes de terreno, os riachos, a cascata, as \u00e1rvores; quase aninhada na floresta primitiva, com propor\u00e7\u00f5es gigantescas; \u00e1rvores impenetr\u00e1veis com v\u00e1rios s\u00e9culos de idade; esta propriedade era como uma bacia ladeada por dois lados de montanhas, limitada na frente por uma muralha natural, cujo fundo torrencial \u00e9 quebrado, entrecortado, por \u00e1guas derramadas em cascata. Estava envolta em lugares virgens, atravessados por numerosos riachos. Um cafezal jovem, com produtos abundantes, ilustrava a sua riqueza: por cima dos seus arbustos verdes, viam-se laranjeiras, \u00e1rvores de fruta abundantes crescendo sem necessitar cultivo. Este terra de h\u00famus recebia a semente, alimentava a planta, sem fertilizantes, sem qualquer trabalho al\u00e9m da monda. A ca\u00e7a abundante, os cursos de \u00e1gua repletos de peixe; tudo ali nascia, vivia e multiplicava-se com prodigalidade, de tal modo que se torna dif\u00edcil ter uma no\u00e7\u00e3o exata da dimens\u00e3o desta prodigalidade. A propriedade em forma de aldeia, com a sua casa senhorial, consistia em: uma grande casa principal, dois pavilh\u00f5es para os estrangeiros, grandes lojas de alimentos e uma cozinha isolada; todas constru\u00eddas em madeira; um acampamento de cerca de trinta cubatas (para duas pessoas) cobertas de palha; est\u00e1bulos, e numerosas habita\u00e7\u00f5es para encerrar ou guardar animais: tal era o conjunto desta magn\u00edfica explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.\u201d<br \/>\nII, \u00a73<\/p><\/blockquote>\n<p>Jacques Brunet assume a administra\u00e7\u00e3o da propriedade de Rivi\u00e8res des Roches em 1815, ap\u00f3s a partida de Patu de Rosemont para a metr\u00f3pole. O seu filho Aristide substitui-o nessa administra\u00e7\u00e3o em 1828. Devido a s\u00e9rias dificuldades financeiras, salva a sua propriedade apenas gra\u00e7as ao seu casamento com \u00c9lise F\u00e9ry d&#8217;Esclands, comprando-a \u00e0 sua fam\u00edlia rica, gra\u00e7as ao dinheiro do dote.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3065\" aria-describedby=\"caption-attachment-3065\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_98FI39.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3065 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_98FI39.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"607\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_98FI39.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_98FI39-300x182.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_98FI39-768x466.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3065\" class=\"wp-caption-text\">[Paisagem, propriedade, rio]. Jean-Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho, aguarela..<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p>\u201cA Rivi\u00e8re des Roches \u00e9 uma propriedade de elei\u00e7\u00e3o, formada num terreno plano, numa localidade perfeitamente escolhida; uma torrente com este nome delimita-a; torrente essa rica em peixe, l\u00edmpida, cujo curso \u00e9 irregular, quebrado, por montes de pedras ferrosas, separado por numerosas lagoas. A dois quil\u00f3metros do solar, uma bela cascata de 200 metros projeta-se no meio de \u00e1rvores que nelas se confundindo parece formar-lhes a origem; o mar vem quebrar-se na foz desta torrente. Esta encantadora propriedade, situada a tr\u00eas quartos de l\u00e9gua da cidade de St Beno\u00eet, uma l\u00e9gua da Rivi\u00e8re des Roches, era a minha pris\u00e3o com os seus limites.\u201d<br \/>\nIV, \u00a77<\/p><\/blockquote>\n<p>No seguimento do seu casamento com Catherine Boussu em 1821, Sully Brunet recebe em dote uma propriedade em Sainte-Rose. Sendo ela vi\u00fava do Marqu\u00eas de Saint-Belin, a propriedade chama-se ent\u00e3o dom\u00ednio de Saint-Belin. Torna-se, portanto, propriet\u00e1rio e confia a sua administra\u00e7\u00e3o a um parente.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAo fundo da propriedade, na estrada principal, viro numa longa alameda com 2 fileiras de cravos-da-\u00edndia; observo \u00e0 direita e \u00e0 esquerda um terreno acidentado, rochoso e vulc\u00e2nico do qual emerge uma vegeta\u00e7\u00e3o luxuriante; esta propriedade semi-nova, com 3 hect\u00f3metros de comprimento, termina na inclina\u00e7\u00e3o de uma montanha coberta de \u00e1rvores centen\u00e1rias, cujo topo \u00e9 a cratera do vulc\u00e3o.<br \/>\nChego \u00e0 plataforma do estabelecimento onde se encontra uma pequena casa, lojas e um conjunto de cerca de sessenta cubatas. (&#8230;) Um cavaleiro tinha sido anunciado, desde uma grande dist\u00e2ncia, a Madame de St-Belin(&#8230;); era a \u00e9poca da colheita do cravinho, e um \u00fanico branco, o seu administrador, alojado a um quil\u00f3metro de dist\u00e2ncia, secundava-a.&#8221;<br \/>\nIV, \u00a79<\/p>\n<figure id=\"attachment_3069\" aria-describedby=\"caption-attachment-3069\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_008.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3069 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_008.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_008.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_008-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_008-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3069\" class=\"wp-caption-text\">Cascata da Rivi\u00e8re des Roches na ilha Bourbon. N\u00b0 4. Jean-Joseph Patu de Rosemont. 1818. Desenho em grafite. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/blockquote>\n<p>No ano seguinte, comprou outra propriedade, desta vez mais a norte, perto de Sainte-Marie, gra\u00e7as aos rendimentos que obteve dos bens trazidos pela sua mulher, mas tamb\u00e9m dos da sua firma de advogados.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEm 1822, fiz a aquisi\u00e7\u00e3o de <em>Lilibase<\/em> [&#8230;] certamente a propriedade mais deliciosa da ilha, com doze hectares, modesta em termos da casa senhorial, ocupando uma posi\u00e7\u00e3o encantadora: localizada no munic\u00edpio de Sainte-Marie, a oito quil\u00f3metros de Saint-Denis. Chega-se l\u00e1 de carruagem, em quarenta minutos, pela estrada principal, que delimita Lilibase a sul, no seu comprimento total de setecentas toesas. Uma fileira de <em>futayes<\/em> (\u00e1rvores de grande porte) marca esta linha. Paralelamente, a norte, tamb\u00e9m na sua totalidade, a rebenta\u00e7\u00e3o do mar embate numa rocha \u00edngreme de cerca de sessenta a cem p\u00e9s de altura. <em>Lilibase<\/em> forma o planalto superior, como uma ampla faixa de vegeta\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios tons. Assim, este pequeno dom\u00ednio, estreito e delimitado, isola-se, singulariza-se por uma configura\u00e7\u00e3o excecional. O rio Santa Maria constitui o limite oriental.<\/p>\n<p>As produtivas terras de cultivo ocupam as extremidades leste e oeste. No centro encontra-se a casa, envolvida por quatro hectares de \u00e1rvores e arbustos cuja aglomera\u00e7\u00e3o proporciona as vistas, as sombras, as parcelas cultivadas, os relevos e os perfis, caminhos de pomares brilhantes, criados com intelig\u00eancia, por\u00e9m enriquecidos com \u00e1guas vivas, irregulares, raios de beleza que o homem nunca fornece.<\/p>\n<p>Estas \u00e1rvores e arbustos s\u00e3o constitu\u00eddos por: cafezeiros, laranjeiras, jaqueiras, limoeiros, l\u00edchias, cravos-da-\u00edndia, palmeiras, coqueiros; a maioria de flora\u00e7\u00e3o perfumada.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Na frente do solar abre-se uma bela avenida de mangueiras, com filas triplas de cada lado, deixando no meio, em toda a sua extens\u00e3o um relvado que vai dos degraus da casa, at\u00e9 ao port\u00e3o que faz fronteira com a estrada principal, deixando passagem para as carruagens em ambos os lados.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>No oposto norte da casa, a sala de jantar \u00e9 o ponto de partida de uma paisagem a perder de vista, sob a c\u00fapula de uma avenida de Alb\u00edzias, que termina num rochedo \u00edngreme. A vista estende-se ao mar aberto, que \u00e9 frequentemente navegado por navios com destino a Saint-Denis.\u201d<br \/>\nVI, \u00a75<\/p><\/blockquote>\n<p>Ap\u00f3s a venda de <em>Lilibase<\/em> a um bom pre\u00e7o, ele e o seu amigo Leguidec adquiriram a propriedade <em>Justamond<\/em>, que rebatizaram de <em>La F\u00e9licit\u00e9<\/em>. Leguidec, a quem foi confiada a administra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o consegue obter lucros suficientes e n\u00e3o pode ser ajudado por Sully, que se encontra muito ocupado com outros assuntos e ainda demasiado inexperiente na ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar. Separa-se dela somente em 1833, quando regressa \u00e0 col\u00f3nia, ap\u00f3s ter registado grandes perdas.<\/p>\n<p>Em 1828, adquiriu a propriedade <em>Bruguier<\/em>, que se situa ao lado do dom\u00ednio <em>Bossu<\/em>, do seu sogro, situado em Sainte-Marie, e que adquire igualmente. Re\u00fane ambas numa s\u00f3 propriedade a que chama <em>La R\u00e9serve<\/em>, dota-a de \u201cuma bomba a vapor, negros e todo o equipamento necess\u00e1rio para criar uma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar\u201d.<\/p>\n<p>Compra e depois revende, gra\u00e7as a diversas fortunas, v\u00e1rias propriedades deste tipo. Admite, com alguma humildade, pelo menos a um dado momento, que a habita\u00e7\u00e3o era para ele o s\u00edmbolo do sucesso social:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNa col\u00f3nia, tornar-se propriet\u00e1rio em propor\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis, fundar uma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar na sua propriedade \u00e9 ser-se um grande senhor, \u00e0 moda do pa\u00eds. Eu queria s\u00ea-lo, admito-o.\u201d<br \/>\nIV, \u00a75<\/p><\/blockquote>\n<p>Outras casas marcaram Sully Brunet. Citemos em primeiro lugar a propriedade do seu tio, a Ravine des Ch\u00e8vres (Sainte-Suzanne), que considera ser uma das mais belas da ilha, ou a do Sr. Diris onde frequentou a escola.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3071\" aria-describedby=\"caption-attachment-3071\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRM1069_1983.02.04.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3071 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRM1069_1983.02.04.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"662\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRM1069_1983.02.04.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRM1069_1983.02.04-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRM1069_1983.02.04-768x508.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3071\" class=\"wp-caption-text\">Ponte da Ravine des Ch\u00e8vres. Louis Antoine Roussin, desenhador e lit\u00f3grafo. 1866. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Sully Brunet e a escravatura<\/h3>\n<blockquote><p>\u201cTerei a oportunidade de comparar a escravatura da \u00e9poca com a que existiu durante trinta anos.\u201d<br \/>\nII, \u00a74<\/p><\/blockquote>\n<p>Estas tr\u00eas d\u00e9cadas corresponderam ao seu regresso \u00e0 col\u00f3nia ap\u00f3s 1817 e ao in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o das propriedades, consequ\u00eancia do desenvolvimento da monocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3073\" aria-describedby=\"caption-attachment-3073\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1992-134.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3073 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1992-134.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"716\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1992-134.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1992-134-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1992-134-768x550.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3073\" class=\"wp-caption-text\">Burgo de Ste-Suzanne. Refinaria H. H\u00e9ry: vista a partir da gendarmerie (esquadra de pol\u00edcia). Louis Antoine Roussin. Circa 1860. Litografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A propriedade e a escravatura s\u00e3o indissoci\u00e1veis, uma vez que os escravos trabalham na propriedade. Sully Brunet sempre teve uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua com a escravatura, uma institui\u00e7\u00e3o que descreveu como uma infeliz <em>necessidade<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.32638153025996974\" aria-label=\"Sully Brunet, De l\u2019article 64 de la Charte et observations sur l\u2019ile Bourbon, Selligue, Paris, 1830.\">&nbsp;<\/span>. Em 1817, suspeito de ser demasiado complacente com os escravos, defende-se assim: \u201cEle [o Comiss\u00e1rio-Geral Philippe Desbassayns de Richemont] teme as minhas rela\u00e7\u00f5es com os negros, e afasta-me da sua supervis\u00e3o direta para me exilar num distrito onde tenho apenas amigos, onde a minha fam\u00edlia goza da maior estima numa propriedade onde tenho cem escravos \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8061250066728357\" aria-label=\"ADR, 1 J 350\/69, Lettre de Sully Brunet au ministre de la Marine et des Colonies, 16 de dezembro de 1817.\">&nbsp;<\/span>.Ele defende-se implicitamente enquanto propriet\u00e1rio, mas tamb\u00e9m como representante dos colonos em Paris. Admite, no entanto, que \u00e9 necess\u00e1rio considerar o seu desaparecimento antes que outros (sem interesse no assunto) o fa\u00e7am unilateralmente. Este plano para abolir a escravatura ao longo de dezanove anos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.1952246938493858\" aria-label=\"Sully Brunet, Consid\u00e9rations sur le syst\u00e8me colonial et plan d\u2019abolition de l\u2019esclavage, F\u00e9lix Locquin et Cie, 1840.\">&nbsp;<\/span> valeu-lhe ser posto de lado pelos seus pares da elite colonial local.<\/p>\n<p>Sully Brunet deixa ao leitor a impress\u00e3o de que nas propriedades da fam\u00edlia, os escravos s\u00e3o bem tratados, talvez melhor do que em qualquer outro lugar&#8230; O seu irm\u00e3o mais novo, Auguste, parece ter uma rela\u00e7\u00e3o menos amb\u00edgua com a escravatura. De acordo com a sua biografia escrita pelo seu filho Dufour Brunet (1827-1923), foi um verdadeiro defensor da aboli\u00e7\u00e3o. De um modo geral, Sully Brunet adota sempre uma atitude paternalista em rela\u00e7\u00e3o aos escravos, muitas vezes com uma benevol\u00eancia eivada de um certo desd\u00e9m e um sentimento de superioridade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3075\" aria-describedby=\"caption-attachment-3075\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_012.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3075 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_012.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"734\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_012.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_012-300x220.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/FRAD974_026_6_012-768x564.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3075\" class=\"wp-caption-text\">Erup\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o da ilha Bourbon, 8 de setembro de 1812, 5:30h da tarde, no cume do Piton Rouge. [Jean-Joseph Patu de Rosemont]. 1812. Desenho, aguarela.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h3>O que se pode concluir?<\/h3>\n<p>Sully Brunet fornece informa\u00e7\u00f5es valiosas e descri\u00e7\u00f5es de propriedades. \u00c9 dif\u00edcil encontrar o rasto de algumas, como <em>Lilibase<\/em>. Contudo, para al\u00e9m destas descri\u00e7\u00f5es factuais, transmite-nos acima de tudo uma atmosfera que considera perdida. A sociedade idealizada da sua inf\u00e2ncia, ainda intocada pela industrializa\u00e7\u00e3o, uma sociedade menos desumanizada (independentemente da quest\u00e3o da escravatura), onde ainda existiam la\u00e7os entre as pessoas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAli, como j\u00e1 vi noutros locais da ilha, receio que a especula\u00e7\u00e3o tenha transformado estes deliciosos pomares em campos de canas-de-a\u00e7\u00facar, cuja apar\u00eancia \u00e9 triste, uniforme, e oferece a perspetiva de um oceano de canas amareladas, sem a menor variedade, sem a interposi\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores.\u201d<br \/>\nVI, \u00a75<\/p><\/blockquote>\n<p>Sully Brunet transmite igualmente a nostalgia que tem deste per\u00edodo, mas tamb\u00e9m o seu orgulho em ser crioulo de Bourbon porque esta vida na propriedade teria desenvolvido muitas das suas qualidades e forjado o seu car\u00e1ter (vivendo de modo saud\u00e1vel ao ar livre, relacionando-se com a natureza, desenvolvendo uma robustez f\u00edsica&#8230;).<\/p>\n<p>Olhando retrospetivamente para esta \u00e9poca, mas tamb\u00e9m para esta personagem, muito mais complexa do que ele aceita dizer, Sully Brunet interpela-nos. Transmite uma imagem da propriedade provavelmente demasiado id\u00edlica, idealiza-a, visto esta ilha j\u00e1 n\u00e3o existir como tal. Oferece-nos um retrato das propriedades do final do s\u00e9culo XVIII at\u00e9 \u00e0 sua partida em 1834. Ele pr\u00f3prio lamenta a desnatura\u00e7\u00e3o da propriedade da sua inf\u00e2ncia e da sua industrializa\u00e7\u00e3o. Informa-nos tamb\u00e9m, de maneira precisa, sobre as derivas especulativas das cess\u00f5es de propriedades e recorda-nos a necessidade de uma boa administra\u00e7\u00e3o por parte dos propriet\u00e1rios, bem como a precariedade da monocultura em caso de m\u00e1 colheita. Ser\u00e1 que ele ainda se considerava como um propriet\u00e1rio quando estava na metr\u00f3pole, visto que j\u00e1 n\u00e3o administrava as suas pr\u00f3prias propriedades, contentando-se apenas de auferir uma parte dos rendimentos delas provenientes?<\/p>\n<p>Por fim, e sobretudo, esta imagem aprimorada levanta quest\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida dos escravos que parecem quase f\u00e1ceis de acordo com Sully Brunet, o que provoca perplexidade. Embora a escravatura seja vista pelo autor como uma institui\u00e7\u00e3o que deve desaparecer, ela \u00e9 considerada por ele mais como uma componente da propriedade na sua globalidade, contudo quase nunca de modo exato, em particular o quotidiano dos escravos e as dificuldades das suas tarefas, bem como os abusos perpetrados contra eles, abusos dos quais obviamente tinha conhecimento e que poderia, no m\u00ednimo ter registado nas suas mem\u00f3rias.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9221,"parent":5024,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-5189","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5024"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}