{"id":5297,"date":"2021-07-05T10:03:41","date_gmt":"2021-07-05T08:03:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5297"},"modified":"2021-11-26T10:28:08","modified_gmt":"2021-11-26T09:28:08","slug":"retrato-de-henri-paulin-panon-desbassayns","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/a-familia-desbassayns\/retrato-de-henri-paulin-panon-desbassayns\/","title":{"rendered":"Retrato de Henri-Paulin Panon Desbassayns"},"content":{"rendered":"<h2>Henri-Paulin Panon nasceu em Saint-Paul a 11 de fevereiro de 1732. Era neto de um carpinteiro da marinha, Augustin Panon conhecido por l\u2019Europe, origin\u00e1rio de Toulon, tendo-se instalado na ilha no final do s\u00e9culo XVII onde conseguiu uma fortuna avultada.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5297-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/poster_wanquet.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/WANQUET_Port_sub.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/WANQUET_Port_sub.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/WANQUET_Port_sub.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>\u00c9 descendente de outra figura famosa da mitologia da Reuni\u00e3o, Fran\u00e7oise Chatelain \u2014 \u00e0s vezes apelidada de Cr\u00e9cy \u2014 que antes de se casar com Augustin Panon tinha enterrado tr\u00eas maridos com os quais tinha tido v\u00e1rios filhos. Isto explica o n\u00famero consider\u00e1vel de familiares, com graus de parentesco variados, relatados nos di\u00e1rios de Henri-Paulin.<\/p>\n<figure id=\"attachment_222\" aria-describedby=\"caption-attachment-222\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-1990-208-mr-desbassayns-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-222 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-1990-208-mr-desbassayns-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"995\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-222\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Henri Paulin Panon-Desbassayns. Dubois. S\u00e9culo XVIII. \u00d3leo sobre tela.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Henri-Paulin teve uma longa e brilhante carreira militar. Oficial de marinha nas mil\u00edcias de Bourbon desde 1744, embarcou em 1751 para a \u00cdndia com os <em>Volontaires de Bourbon<\/em> enviados como refor\u00e7os para Dupleix. Nomeado tenente em 1758 at\u00e9 \u00e0 tomada de Pondicheri pelos ingleses, em 1761, onde se encontrava preso, participou em muitas batalhas durante as quais foi ferido \u2014 ele pr\u00f3prio escreve que \u00e9 \u00abaleijado\u00bb do bra\u00e7o direito. De regresso a Bourbon tornou-se major da mil\u00edcia de Saint-Paul em 1773 e foi condecorado, em 1776, Cavaleiro da Ordem Real e Militar de Saint-Louis, uma distin\u00e7\u00e3o que era um modo de ascender \u00e0 nobreza cujo s\u00edmbolo utilizava no vestu\u00e1rio: uma cruz de ouro com a ef\u00edgie de Saint-Louis no meio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_224\" aria-describedby=\"caption-attachment-224\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-pondicherry-attack-d-by-the-british-fleet-under-admiral-boscawen-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-224 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-pondicherry-attack-d-by-the-british-fleet-under-admiral-boscawen-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-pondicherry-attack-d-by-the-british-fleet-under-admiral-boscawen-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-pondicherry-attack-d-by-the-british-fleet-under-admiral-boscawen-web-300x189.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-pondicherry-attack-d-by-the-british-fleet-under-admiral-boscawen-web-768x484.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224\" class=\"wp-caption-text\">Ataque da Frota Brit\u00e2nica a Pondicheri pelo Almirante Boscawen. 1756. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Mar\u00edtimo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5301\" aria-describedby=\"caption-attachment-5301\" style=\"width: 466px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-2009-2-6-croix-de-saint-louis-web-e1625472040953.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-5301 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-2009-2-6-croix-de-saint-louis-web-e1625472040953.jpg\" alt=\"\" width=\"466\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5301\" class=\"wp-caption-text\">Medalha militar : Cruz da ordem real e militar de Saint-Louis. Antes de 1785. Ouro, grava\u00e7\u00e3o, esmalte.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00ab<em>Poderosamente rico<\/em>\u00bb, como alguns dizem, Henri-Paulin pertence inegavelmente \u00e0 categoria dos \u00abGros Blancs\u00bb (fam\u00edlias brancas poderosas), sendo mesmo o maior propriet\u00e1rio de terras e de escravos da ilha. Em 1763, j\u00e1 possu\u00eda \u00ab<em>duzentos e sessenta arpentes<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2681627340541146\" aria-label=\"Arpente : unidade de medida agr\u00e1ria dos Gauleses (Nota da tradutora)\">&nbsp;<\/span> e tr\u00eas quartos de terra<\/em>\u00bb que tinha herdado da av\u00f3 materna, falecida dez anos antes. Mas a sua fortuna come\u00e7ou quando se casou, a 28 de maio de 1770, com Marie-Anne-Th\u00e9r\u00e8se-Ombline Gonneau-Montbrun, filha \u00fanica do seu primo Julien Gonneau, \u00ab<em>a herdeira mais rica da ilha<\/em>\u00bb, segundo escreveu. Contava 38 anos e Ombline apenas 15! De uma prole de 13 filhos de ambos 9 atingiram a idade adulta, tendo estes, por sua vez, tido muitos descendentes.<\/p>\n<p>Entre este casamento e o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o, o casal constituiu um enorme patrim\u00f3nio fundi\u00e1rio. Em 1789, os Desbassayns eram detentores de 420 hectares em propriedades (seis parcelas de terreno em Saint-Gilles num total de 150 hectares, duas parcelas em La Saline e Trois-Bassins num total de 145 hectares e 125 hectares na regi\u00e3o de Bernica). Em 1784, o casal contava 254 escravos, 348 em 1790; em 1797 este n\u00famero ascendia a 417 e no invent\u00e1rio ap\u00f3s a morte de Henri-Paulin, em 1800, a 451. Possu\u00edam quatro mans\u00f5es, uma em Trois-Bassins e outra em Bois-de-N\u00e8fles que eram usadas principalmente como armaz\u00e9ns, uma terceira em Saint-Paul e a mais importante, a de Saint-Gilles-les-Hauts, sendo o atual museu.<\/p>\n<p>A planta que ocupava a maior \u00e1rea das suas terras era o milho, o alimento b\u00e1sico dos escravos, por\u00e9m tamb\u00e9m consumido por muitos Brancos. Contudo, a verdadeira riqueza e o que lhe dava prest\u00edgio era a venda, na Europa, de caf\u00e9 e algod\u00e3o. Com as grandes somas da\u00ed derivadas, os Desbassayns compraram em Fran\u00e7a muitos artigos para adornar as suas mans\u00f5es ou revend\u00ea-las muito vantajosamente na ilha. Henri-Paulin tamb\u00e9m investiu na arma\u00e7\u00e3o mar\u00edtima e assegurou a sua retaguarda comprando v\u00e1rios t\u00edtulos do tesouro ao Estado.<\/p>\n<p>Henri-Paulin \u00e9 certamente o habitante de Bourbon da \u00e9poca mais conhecido gra\u00e7as \u00e0 quantidade consider\u00e1vel de documentos escritos que deixou para tr\u00e1s. Apesar de ter recebido uma educa\u00e7\u00e3o claramente b\u00e1sica, cujo estilo era pobre e laborioso e que n\u00e3o se importava nada com o rigor ortogr\u00e1fico, aparece como uma esp\u00e9cie de condenado da escrita. Tal como o seu pai antes dele, guardava um livro de contas no qual apontava sobretudo a cobri\u00e7\u00e3o de cavalos e as colheitas de milho, mas tamb\u00e9m os nascimentos dos filhos e dos escravos. Escreveu principalmente o di\u00e1rio das duas viagens que fez a Fran\u00e7a em 1785, e em 1790-1792. V\u00eam completar estes di\u00e1rios listas de compras, feitas ou a efetuar, notas de despesas e faturas, bem como uma correspond\u00eancia muito volumosa com membros da sua fam\u00edlia e v\u00e1rios amigos, dominada por dois grandes conjuntos: a sua correspond\u00eancia com os G\u00e9rard de Lorient, amigos de longa data e s\u00f3cios de neg\u00f3cios, e outra com os seus primos Lagironde. Muito valioso tamb\u00e9m para o conhecimento da personagem \u00e9 o invent\u00e1rio da sua propriedade feito ap\u00f3s a sua morte pelo not\u00e1rio e amigo Elie Philibert Chauvet a 8 de brum\u00e1rio<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2876035292183514\" aria-label=\"Brum\u00e1rio: segundo m\u00eas do calend\u00e1rio criado ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o francesa (que vigorou entre 1793 e 1806), correspondente ao per\u00edodo entre 22 de outubro e 20 de novembro. (Nota da tradutora)\">&nbsp;<\/span> do ano IX (30 de outubro de 1800).<\/p>\n<h4>Que tipo de homem desvendam estes documentos?<\/h4>\n<p>Em primeiro lugar, um not\u00e1vel pai de fam\u00edlia. O objetivo da sua primeira viagem a Fran\u00e7a era visitar os seus tr\u00eas filhos mais velhos admitidos no muito aristocr\u00e1tico col\u00e9gio beneditino de Sor\u00e8ze, uma escola militar real. A sua segunda viagem a Fran\u00e7a foi para acompanhar dois rapazes mais novos e especialmente \u2014 o que era uma grande novidade para a \u00e9poca \u2014 duas meninas, Marie-Euphrasie e M\u00e9lanie (que de volta \u00e0 Reuni\u00e3o se casar\u00e1 a 13 de abril de 1799 com Joseph de Vill\u00e8le, o futuro Primeiro-Ministro) para aperfei\u00e7oarem a sua educa\u00e7\u00e3o. Os di\u00e1rios de Henri-Paulin revelam n\u00e3o s\u00f3 um homem preocupado com os progressos escolares e o sucesso social dos seus filhos, mas tamb\u00e9m um pai muito carinhoso e sens\u00edvel.<\/p>\n<figure id=\"attachment_228\" aria-describedby=\"caption-attachment-228\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-ecole-royale-militaire-de-sora-ze-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-228 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-ecole-royale-militaire-de-sora-ze-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"589\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-ecole-royale-militaire-de-sora-ze-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-ecole-royale-militaire-de-sora-ze-web-300x221.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-ecole-royale-militaire-de-sora-ze-web-768x565.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-228\" class=\"wp-caption-text\">Escola militar de Sor\u00e8ze. Lepaule Guillaume. In\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos do departamento do Tarn<\/figcaption><\/figure>\n<p>Plebeu e dotado de um s\u00f3lido senso comum campon\u00eas, Henri-Paulin teceu muitos esc\u00e1rnios ao snobismo parisiense, em particular o \u00abfuror\u00bb de ver tudo e comentar tudo. Mas, na verdade, este \u00abfuror\u00bb tamb\u00e9m vive nele plenamente e \u00e9 alimentado por uma vitalidade verdadeiramente excecional para um homem relativamente velho para a \u00e9poca. O seu objetivo foi, obviamente, durante o tempo relativamente limitado que teve de passar em Fran\u00e7a, n\u00e3o perder nada de um poss\u00edvel espet\u00e1culo, fosse ele um monumento ou um indiv\u00edduo c\u00e9lebre, um evento de interesse hist\u00f3rico ou social, um mecanismo engenhoso, uma pe\u00e7a na moda ou um simples espet\u00e1culo de rua. Em suma, estar presente onde houvesse algo curioso para ver, qualquer que fosse esta curiosidade.<\/p>\n<p>As suas viagens a Fran\u00e7a eram para ele a oportunidade de realizar velhos sonhos, sobretudo o de ver o rei e os lugares prestigiados onde a corte e os grandes residem. Nas prov\u00edncias, visitou muitos vest\u00edgios rom\u00e2nicos, numerosos catedrais e castelos. Mas n\u00e3o eram s\u00f3 os lugares famosos que lhe interessavam, tendo ido igualmente a lugares muito mais humildes que, aos seus olhos, tamb\u00e9m mereciam uma visita, como oficinas de todos os tipos, mercados, hospitais, asilos, pris\u00f5es&#8230; e at\u00e9, tapando o nariz com um len\u00e7o, a morgue de Ch\u00e2telet!<\/p>\n<p>No entanto, se \u00abo seu furor de ver tudo\u00bb testemunha uma grande abertura de esp\u00edrito, tamb\u00e9m, por vezes, resulta de uma atitude um pouco for\u00e7ada ou mesmo de um certo conformismo. S\u00e3o, portanto, v\u00e1rios espet\u00e1culos que vai ver porque, escreve, deve t\u00ea-los visto \u00abpelo menos uma vez\u00bb. Reconhece ainda que alguns pequenos espet\u00e1culos teatrais no Palais Royal \u00ab<em>n\u00e3o s\u00e3o muito interessantes<\/em>\u00bb mas ainda assim os frequentou sistematicamente porque \u00ab<em>\u00e9 aqui que conhecemos as pessoas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Mostrou uma verdadeira paix\u00e3o pelo teatro e as suas viagens permitiram-lhe comprar uma grande quantidade de livros. Os cl\u00e1ssicos, a come\u00e7ar por Moli\u00e8re, cujo trabalho ele apreciava particularmente, noventa e um volumes de Voltaire, a Enciclop\u00e9dia, mas tamb\u00e9m<em> L&#8217;histoire philosophique et politique du commerce et des \u00e9tablissements des Europ\u00e9ens dans les deux Indes<\/em> por Abb\u00e9 Raynal, considerado na altura um artigo inflamat\u00f3rio anticolonialista e abolicionista, e \u00ablivros clandestinos\u00bb. De destacar, \u00e9 o seu gosto pela hist\u00f3ria, pelas narrativas de viagens e pela pol\u00edtica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_230\" aria-describedby=\"caption-attachment-230\" style=\"width: 501px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-5-1993-6-12-1-1guillaume-thomas-raynal-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-230 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-5-1993-6-12-1-1guillaume-thomas-raynal-web.jpg\" alt=\"\" width=\"501\" height=\"800\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-230\" class=\"wp-caption-text\">Guillaume Thomas de Raynal. Frontisp\u00edcio in \u00ab<em>Histoire philosophique et politique des \u00e9tablissemens et du commerce des Europ\u00e9ens dans les deux Indes.<\/em>\u00bb Volume 1. Raynal, Guillaume-Thomas. 1783. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Devido \u00e0 sua educa\u00e7\u00e3o escolar, sem d\u00favida \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o familiar e como a grande maioria dos seus contempor\u00e2neos, era cat\u00f3lico. Assim, em qualquer cidade onde ele parava, n\u00e3o havia praticamente nenhuma igreja, independentemente da sua import\u00e2ncia ou interesse art\u00edstico, que ele n\u00e3o visitasse. Respeitar bem Deus era uma das prescri\u00e7\u00f5es fundamentais do discurso muito moralizador que dirigia aos seus filhos. Mas, embora frequentasse a missa com frequ\u00eancia, em nenhum momento emana dos seus di\u00e1rios uma verdadeira emo\u00e7\u00e3o religiosa, ou at\u00e9 mesmo um sentido do sagrado. Exceto, talvez, quando ele ouvia, na Abadia de Saint-Antoine, o c\u00e2ntico das freiras carmelitas.<\/p>\n<p>Mostrou grande ceticismo perante certas manifesta\u00e7\u00f5es populares de devo\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ficou contrariado por a Revolu\u00e7\u00e3o ter feito &#8220;o clero regressar \u00e0 ordem dos verdadeiros pastores do Senhor&#8221;. Por conseguinte, aprovou as medidas tomadas contra as ordens mon\u00e1sticas que considerava, como muitos dos seus contempor\u00e2neos, como covis de pregui\u00e7a, gula e v\u00edcio. Chegou at\u00e9 a proferir afirma\u00e7\u00f5es absolutamente anticlericais. Assim, aquando do funeral em Saint-Eustache do seu parente Beaulieu, empenhou-se num ataque em larga escala a \u00ab<em>todas as pessoas predispostas a este tipo de cerim\u00f3nias&#8230;<\/em> [que]<em> parecem abutres ou gatos vaiados que se limitam a viver de cad\u00e1veres&#8230; Todos estes antrop\u00f3fagos grandes, gordos e que se regozijam com a morte dos seus semelhantes.<\/em>\u00bb No entanto, em termos de reforma religiosa, como em qualquer outro campo, ele desejava que uma certa conten\u00e7\u00e3o fosse mantida e os prim\u00f3rdios da descristianiza\u00e7\u00e3o de 1793 preocupavam-no.<\/p>\n<p>Mais do que o catolicismo, foi a ma\u00e7onaria que o inspirou. Mesmo antes da sua primeira viagem a Fran\u00e7a, tinha sido iniciado \u00e0 ma\u00e7onaria e muitos dos seus amigos mais pr\u00f3ximos pertenciam ao mesmo movimento ideol\u00f3gico cujo sucesso era, ent\u00e3o, consider\u00e1vel nos c\u00edrculos mais esclarecidos, desde a funda\u00e7\u00e3o, em 1773, da federa\u00e7\u00e3o do Grande Oriente. Durante a sua segunda viagem frequentou assiduamente, pelo menos em 1792, a rua Pot-de-Fer, onde o Grande Oriente tinha ent\u00e3o a sua sede, a loja <em>La R\u00e9union des Amis Intimes<\/em>, onde foi nomeado Cavaleiro <em>Rose-Croix<\/em> a 26 de julho. Pouco antes da sua partida, em 26 de agosto de 1792, foi recebido como \u00aboficial do Grande Oriente\u00bb.<\/p>\n<figure id=\"attachment_232\" aria-describedby=\"caption-attachment-232\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-assemblee-de-francs-macons-pour-la-reception-des-maitres-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-232 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-assemblee-de-francs-macons-pour-la-reception-des-maitres-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"554\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-assemblee-de-francs-macons-pour-la-reception-des-maitres-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-assemblee-de-francs-macons-pour-la-reception-des-maitres-web-300x208.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-assemblee-de-francs-macons-pour-la-reception-des-maitres-web-768x532.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-232\" class=\"wp-caption-text\">Assembleia de ma\u00e7ons para a rece\u00e7\u00e3o dos mestres. S\u00e9culo XVIII. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>Muitas das suas rela\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas eram tamb\u00e9m ma\u00e7ons. Tal como Pierre Alexandre de Beurnonville, futuro Ministro da Guerra em fevereiro de 1793, que foi, em 1780, vener\u00e1vel da loja de Saint-Denis \u00ab<em> La Parfaite Harmonie<\/em> \u00bb e tamb\u00e9m eleito, em 1778, Gr\u00e3o-Mestre Nacional de todas as lojas da \u00cdndia. E ainda, os tr\u00eas deputados ou futuros deputados de Bourbon\/Reuni\u00e3o: Bertrand, Lemarchand e d&#8217;Etcheverry. A ma\u00e7onaria tamb\u00e9m lhe abriu muitas portas, como a de La Fayette, que estava ent\u00e3o no auge da sua gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Segundo uma passagem do di\u00e1rio da sua segunda viagem a Fran\u00e7a, a pol\u00edtica seria uma \u00e1rea que n\u00e3o somente n\u00e3o apreciava debater em sociedade, como tamb\u00e9m estaria fora do \u00e2mbito das suas compet\u00eancias. Contudo, esta \u00e9 apenas a express\u00e3o de uma exaspera\u00e7\u00e3o passageira, visto ter afirmado que \u00ab<em>j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1<\/em> [mais] <em>prazer en estar na sociedade por causa das opini\u00f5es, sempre indignadas de ambos os lados.<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>No seu primeiro di\u00e1rio, a pol\u00edtica n\u00e3o ocupa um espa\u00e7o relevante. Limita-se a confirmar que \u00e9 um mon\u00e1rquico fervoroso e que quando viu o Rei pela primeira vez, a 12 de junho de 1785 em Versalhes, \u00ab<em>sentiu uma onda de alegria<\/em> [imposs\u00edvel] <em>de expressar<\/em>\u00bb. Todavia, isto n\u00e3o tem nada de surpreendente num homem envelhecido pela vida militar, sendo que nada o diferenciava da grande maioria dos franceses da \u00e9poca, como se pode ler longamente nos \u00abregistos de queixas\u00bb de 1789.<\/p>\n<p>Na segunda viagem evoluiu significativamente a n\u00edvel pol\u00edtico. Mantinha-se bem informado, primeiramente atrav\u00e9s dos jornais, a que chamava de \u00ab<em>papiers-nouvelles<\/em>\u00bb (pap\u00e9is de not\u00edcias), especialmente em quest\u00f5es de pol\u00edtica externa, mas tamb\u00e9m ouvindo o que era dito em locais p\u00fablicos, nas ruas e nos restaurantes. Os seus locais de observa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o privilegiados eram os espa\u00e7os de caminhada: o Jardim das Tulherias, os Campos El\u00edsios e, em especial, o Palais-Royal, onde por vezes passava horas, como por exemplo, durante a crise da P\u00e1scoa de 1791, ouvindo \u00ab<em>grupos que fizeram mo\u00e7\u00f5es e outros que discorriam sobre os assuntos do dia<\/em>\u00bb. Interrogou outros transeuntes curiosos como ele, tendo o prazer de \u00abafiar a l\u00edngua\u00bb e, designadamente, discutia com os seus amigos das col\u00f3nias as \u00faltimas not\u00edcias das Mascarenhas, e falava longamente com eles sobre o que estava a ser preparado em Fran\u00e7a em mat\u00e9ria colonial.<\/p>\n<p>Essencialmente pretendia continuar a ser uma mera testemunha e manter-se numa posi\u00e7\u00e3o de neutralidade. Ouvinte de debates apaixonados entre pessoas que n\u00e3o partilhavam as mesmas opini\u00f5es pol\u00edticas, rejeitava todo o fanatismo e defendia a toler\u00e2ncia e a uni\u00e3o. Mas n\u00e3o permaneceu insens\u00edvel \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es da nova Fran\u00e7a. Foi com prazer que visitou por duas vezes a Assembleia Nacional e n\u00e3o perdeu cerim\u00f3nias importantes do novo regime, tais como o enterro de Mirabeau ou o cortejo em honra de Voltaire, prel\u00fadio da sua Panteoniza\u00e7\u00e3o. Acima de tudo, partilhava o entusiasmo dos grandes momentos em que a uni\u00e3o nacional parecia estar a afirmar-se, as tr\u00eas festas da Federa\u00e7\u00e3o de 1790, 1791 e 1792, e as que marcaram a ado\u00e7\u00e3o da primeira Constitui\u00e7\u00e3o do reino em setembro de 1791. Esteve presente durante a transfer\u00eancia para o Templo da fam\u00edlia real ap\u00f3s a captura das Tulherias e assistiu igualmente \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o solene da P\u00e1tria em perigo. O acaso at\u00e9 o levou a conhecer os federados de Marselha que se tinham deslocado a Paris e que desempenhariam um papel importante na queda da monarquia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_234\" aria-describedby=\"caption-attachment-234\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-7-transfert-des-cendres-de-voltaire-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-234 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-7-transfert-des-cendres-de-voltaire-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"619\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-7-transfert-des-cendres-de-voltaire-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-7-transfert-des-cendres-de-voltaire-web-300x232.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-7-transfert-des-cendres-de-voltaire-web-768x594.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-234\" class=\"wp-caption-text\">Ordem da prociss\u00e3o para a transla\u00e7\u00e3o dos restos mortais de Voltaire segunda-feira 11 de julho 1791. 1791. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estava muito consciente da deteriora\u00e7\u00e3o gradual da imagem mon\u00e1rquica, declarando-se muito hostil aos emigrantes, muito chocado com a tentativa de fuga do Rei. Embora desaprovasse os \u00ab<em>disparates<\/em>\u00bb que o povo dizia e fazia durante a transfer\u00eancia da fam\u00edlia real para o Templo, via claramente que n\u00e3o s\u00f3 \u00ab<em>Paris inteiro<\/em>\u00bb mas tamb\u00e9m os \u00ab<em>departamentos s\u00e3o a favor da deposi\u00e7\u00e3o do Rei<\/em>\u00bb e que este \u00ab<em>n\u00e3o tem a confian\u00e7a do povo, nem, em geral, a amizade dos franceses<\/em> [porque] <em>Ele ter\u00e1 sempre de se culpabilizar pelo massacre dos franceses, cuja responsabilidade, sem margem para d\u00favidas, se lhe atribui<\/em>\u00bb. Na sua opini\u00e3o \u00ab<em>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel<\/em> [que Lu\u00eds XVI] <em>volte a ser o Rei dos Franceses<\/em>\u00bb. No entanto, n\u00e3o foi tanto a monarquia que condenou, mas um mau monarca.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, desejava manter-se otimista e, embora o espet\u00e1culo das divis\u00f5es internas o colocasse \u00ab<em>muitas vezes de mau humor<\/em>\u00bb, confiava no tempo e na sabedoria da elite \u2013 \u00ab<em>uma parte dos homens que podem liderar a maioria<\/em> [dos povos] <em>pela sua filosofia \u00edntegra<\/em>\u00bb \u2013 que, segundo ele, governa a Fran\u00e7a e a Europa. Bela profiss\u00e3o de f\u00e9 no homem e no internacionalismo do esp\u00edrito ma\u00e7\u00f3nico.<\/p>\n<p>Testemunhando as tens\u00f5es extremas que ent\u00e3o agitavam a Fran\u00e7a e temendo que a sua ilha sofresse o mesmo destino que Santo Domingo, devastado por uma terr\u00edvel guerra civil ap\u00f3s a grande insurrei\u00e7\u00e3o escrava de agosto de 1791, decidiu, em meados de 1792, acelerar o seu regresso e o dos filhos a Bourbon. Todavia, ir para Lorient, numa altura em que ocorriam os terr\u00edveis massacres de setembro, revelou-se muito dif\u00edcil e at\u00e9 perigoso e foi necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o de um <em>irm\u00e3o<\/em> da Ma\u00e7onaria para o tirar de Saint-Cloud, livrando-o de uma situa\u00e7\u00e3o que se estava a tornar preocupante.<\/p>\n<p>Chegado a Lorient, soube do massacre, pela popula\u00e7\u00e3o, do seu amigo Jean G\u00e9rard e, para poder deixar a Fran\u00e7a, teve de se submeter a prestar juramento de lealdade \u00e0 muito jovem Rep\u00fablica, tornando-se assim, ele que outrora fora um soldado mon\u00e1rquico, pelo menos \u00e0 luz da lei, um dos primeiros republicanos da Reuni\u00e3o!<\/p>\n<p>De regresso a Bourbon, no in\u00edcio de 1793, parece ter levado a cabo uma exist\u00eancia bastante discreta, deixando a gest\u00e3o das suas propriedades \u00e0 esposa &#8211; que j\u00e1 a tinha assegurado durante as aus\u00eancias do marido &#8211; e ao seu filho mais velho Julien-Augustin, cognominado Desbassayns, para se tornar um dos l\u00edderes do partido conservador. Acometido por uma doen\u00e7a em outubro de 1799, morreu, ap\u00f3s uma agonia intermin\u00e1vel, a 11 de outubro de 1800, tendo recusado &#8211; uma decis\u00e3o surpreendente para um homem em geral muito conformista &#8211; o \u00ab<em>consolo da religi\u00e3o<\/em>\u00bb, como o lamenta Jean-Baptiste de Vill\u00e8le &#8211; que se casar\u00e1 alguns anos depois com a sua filha Gertrude Th\u00e9r\u00e8se &#8211; numa carta ao seu irm\u00e3o Auguste.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 poss\u00edvel concluir que Henri-Paulin Panon Desbassayns, apesar de algumas fraquezas e uma falta de forma\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica, aparece, em muitos aspetos, como um bom representante, pelo menos \u00e0 escala da Reuni\u00e3o, do esp\u00edrito do Iluminismo.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5298,"parent":5028,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-5297","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}