{"id":5450,"date":"2021-07-20T11:55:31","date_gmt":"2021-07-20T09:55:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5450"},"modified":"2021-11-26T10:36:47","modified_gmt":"2021-11-26T09:36:47","slug":"o-museu-villele-na-ilha-da-reuniao-entre-a-historia-e-a-memoria-da-escravatura-um-lugar-memoravel-da-historia-social-da-ilha-da-reuniao","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/historia-da-propriedade\/o-museu-villele-na-ilha-da-reuniao-entre-a-historia-e-a-memoria-da-escravatura-um-lugar-memoravel-da-historia-social-da-ilha-da-reuniao\/","title":{"rendered":"O Museu Vill\u00e8le na ilha da Reuni\u00e3o entre a hist\u00f3ria e a mem\u00f3ria da escravatura. Um lugar memor\u00e1vel da hist\u00f3ria social da ilha da Reuni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>O museu Vill\u00e8le evoca a evolu\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica de uma antiga col\u00f3nia que se tornou um departamento ultramarino franc\u00eas em 1946, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de plantadores.<\/h2>\n<p>Embora o museu mostre a hist\u00f3ria dos senhores a partir de um complexo patrimonial diversificado, tamb\u00e9m restitui a mem\u00f3ria daqueles que trabalharam nesta propriedade colonial, primeiro os escravos desde o s\u00e9culo XVIII at\u00e9 1848, depois os trabalhadores contratados ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura at\u00e9 aos anos 1930, e por fim os pequenos colonos, trabalhadores agr\u00edcolas ligados aos propriet\u00e1rios por um contrato de arrendamento.<\/p>\n<p>Tendo em conta a hist\u00f3ria da ilha, o principal objetivo do Museu Vill\u00e8le \u00e9 fornecer aos seus visitantes as chaves para uma melhor compreens\u00e3o daquilo que define a sociedade da planta\u00e7\u00e3o na Reuni\u00e3o e para melhor apreender o princ\u00edpio fundador que est\u00e1 na base da sua economia, a saber a escravatura.<\/p>\n<h3>Um museu insular: a Reuni\u00e3o e o Oceano \u00cdndico<\/h3>\n<p>Antes de apresentar o Museu Hist\u00f3rico Vill\u00e8le e os desafios do seu desenvolvimento, parece-nos necess\u00e1rio colocar este equipamento cultural no seu contexto insular, a ilha da Reuni\u00e3o e a zona indo-oce\u00e2nica, uma vasta \u00e1rea geogr\u00e1fica que se estende desde a \u00c1frica Austral at\u00e9 ao continente australiano.<\/p>\n<p>A ilha da Reuni\u00e3o, anteriormente conhecida como ilha Bourbon, est\u00e1 localizada a sudeste de Madag\u00e1scar, a norte do Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio, a cerca de 10 000 km da Fran\u00e7a continental. Tendo sido, inicialmente, um local de escala na rota mar\u00edtima para navios fretados pelas Companhias das \u00cdndias, foi sobretudo nos s\u00e9culos XVIII e XIX que ali se desenvolveu uma economia de planta\u00e7\u00e3o. A ilha tornou-se um departamento ultramarino franc\u00eas em 1946, e, mais tarde, uma regi\u00e3o de um \u00fanico departamento desde as leis de descentraliza\u00e7\u00e3o de 1982 e 1984 e, finalmente, uma das sete Regi\u00f5es Ultra Perif\u00e9ricas da Uni\u00e3o Europeia desde o Tratado de Amesterd\u00e3o de 1997. A ilha, que conta com uma superf\u00edcie de 2512 km2, tem um relevo muito marcado com um pico de 3070 m de altitude, o Piton des Neiges (fig. n\u00b01). Apresenta paisagens muito diversificadas, por\u00e9m tr\u00eas quartos da sua superf\u00edcie est\u00e3o cobertos por \u00e1reas arborizadas escassamente povoadas que se situam a uma altitude superior a 800 m. Os \u00faltimos n\u00fameros do recenseamento (INSEE, 2011) indicam uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 830 000 habitantes. \u00c9 jovem e culturalmente diversa. A taxa de desemprego segundo a OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho) \u00e9 muito elevada e representa quase 27,2% da popula\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_748\" aria-describedby=\"caption-attachment-748\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-748 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"567\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_1.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_1-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_1-768x544.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-748\" class=\"wp-caption-text\">Fig.1: Mapa da ilha da Reuni\u00e3o desenhado por L. Maillard. 1861. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A ilha s\u00f3 foi permanentemente povoada a partir da d\u00e9cada de 1660 e passou por v\u00e1rias fases de coloniza\u00e7\u00e3o. Os primeiros colonos franceses estabelecem-se em 1665 com uma m\u00e3o-de-obra malgaxe. Com a era do caf\u00e9 e o desenvolvimento de uma economia de planta\u00e7\u00e3o, veio a imigra\u00e7\u00e3o da Europa, especialmente dos colonos franceses, mas tamb\u00e9m dos pa\u00edses da zona indo-oce\u00e2nica: escravos importados de Madag\u00e1scar, \u00c1frica (especialmente Mo\u00e7ambique) e \u00cdndia. Na v\u00e9spera da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a ilha contava 46 000 habitantes, incluindo 35 000 escravos.<\/p>\n<p>A partir de 1815, com o advento da cana-de-a\u00e7\u00facar e apesar da proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de escravos, foram trazidos para a ilha escravos e trabalhadores contratados oriundos da \u00c1frica (fig. n\u00b02) e da \u00cdndia. Em 1847, os escravos representavam 56% da popula\u00e7\u00e3o (58 308 escravos de 103 491 habitantes).<\/p>\n<figure id=\"attachment_750\" aria-describedby=\"caption-attachment-750\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-750 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_2.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1105\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-750\" class=\"wp-caption-text\">Fig.2: Negro Yambane. Mettais. 1861. In <em>Voyage \u00e0 l&#8217;\u00eele de la R\u00e9union (Ile Bourbon)\u00a0<\/em>\/ Louis-Laurent Simonin. 1862. Estampa. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e at\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 1930, a ilha recorreu a uma m\u00e3o de obra constitu\u00edda por trabalhadores contratados, recrutados principalmente na \u00cdndia mas tamb\u00e9m em \u00c1frica, Madag\u00e1scar, China, Comores e ilha Rodrigues. Em 1881, dos 169 493 habitantes da ilha, havia entre 46 000 e 62 000 trabalhadores indianos, cafres (africanos), malgaxes e chineses.<\/p>\n<p>Em tr\u00eas s\u00e9culos e meio, os v\u00e1rios movimentos populacionais foram a origem desta imensa riqueza cultural. \u00c9 a partir desta riqueza humana, da coexist\u00eancia de migrantes de v\u00e1rias origens e da mistura cultural que a identidade da sociedade crioula da Reuni\u00e3o foi gradualmente constru\u00edda, uma identidade em perp\u00e9tua muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Um museu entre outros: museus e locais de mem\u00f3ria na ilha da Reuni\u00e3o<\/h3>\n<p>Desde as leis da descentraliza\u00e7\u00e3o, o Departamento (Conselho departamental) e a Regi\u00e3o (Conselho regional) partilham a gest\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es culturais no quadro das suas compet\u00eancias jur\u00eddicas ou complementares, sendo a express\u00e3o de uma vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O Departamento gere tr\u00eas museus franceses, dois localizados na cidade principal (Saint-Denis) e outro no quartel ocidental da ilha, bem como um lugar de mem\u00f3ria instalado a noroeste.<\/p>\n<p>Localizado em Saint-Denis, no cora\u00e7\u00e3o do Jardin de l&#8217;\u00c9tat, um antigo jardim de aclimata\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica criado pela Companhia das \u00cdndias Francesas no s\u00e9culo XVIII, o Museu de Hist\u00f3ria Natural \u00e9 o primeiro museu da ilha. Foi inaugurado em 1855 com o objetivo de \u00abtransmitir aos jovens um gosto pela ci\u00eancia em geral, pela zoologia e mineralogia em particular.\u00bb Foi apresentado na altura pelo poder colonial como \u00aba sentinela do pensamento franc\u00eas no mar da \u00cdndia.\u00bb Originalmente um museu estatal, passou para a tutela administrativa do Conselho Geral em 1992. Desde 2007, o museu \u00e9 respons\u00e1vel pela gest\u00e3o cient\u00edfica de um anexo de museu aberto nas antigas salinas situadas no munic\u00edpio de Saint-Leu.<\/p>\n<p>O Museu L\u00e9on Dierx foi tamb\u00e9m criado em Saint-Denis pela Col\u00f3nia em 1911, por iniciativa de dois escritores insulares, Marius e Ary Leblond (pseud\u00f3nimos de Georges Ath\u00e9nas e Aim\u00e9 Merlo), a fim de proporcionar um \u00ablugar de educa\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria\u00bb para a ilha da Reuni\u00e3o, que era considerada na altura pelas autoridades coloniais como \u00aba pequena Fran\u00e7a do Oceano \u00cdndico\u00bb. O museu foi guarnecido, gra\u00e7as a cole\u00e7\u00f5es de arte moderna, sob a \u00e9gide de um comit\u00e9 parisiense composto por artistas, comerciantes de arte e intelectuais e, na Reuni\u00e3o, atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es de cole\u00e7\u00f5es locais de arte e hist\u00f3ria. O Museu L\u00e9on Dierx tornou-se essencialmente um museu de arte a partir de 1947, com a chegada de uma doa\u00e7\u00e3o de Lucien Vollard (irm\u00e3o do famoso negociante de arte Ambroise Vollard) composta por 157 obras de arte representativas dos diferentes movimentos da arte moderna em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>O Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le foi criado em 1974, quase trinta anos ap\u00f3s a departamentaliza\u00e7\u00e3o, a fim de salvaguardar os testemunhos arquitet\u00f3nicos de uma propriedade colonial situada no munic\u00edpio de Saint-Paul (fig. n\u00b03) e de dotar a ilha da Reuni\u00e3o de um museu hist\u00f3rico. Desde 2007, existe um lugar de mem\u00f3ria localizado em La Grande Chaloupe vinculado a este museu. \u00c9 constitu\u00edda por antigos lazaretos, edif\u00edcios para a quarentena de pessoas constru\u00eddos a partir dos anos 1860 para proteger a ilha de epidemias e para acolher os v\u00e1rios trabalhadores contratados trazidos para a Reuni\u00e3o. Este s\u00edtio patrimonial tem sido objeto, h\u00e1 v\u00e1rios anos, de trabalhos de restauro e \u00e9 um lugar emblem\u00e1tico da hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o na Reuni\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_752\" aria-describedby=\"caption-attachment-752\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-752 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_3.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_3.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_3-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-752\" class=\"wp-caption-text\">Fig.3: Vista a\u00e9rea do museu hist\u00f3rico e do lugar denominado \u00abVill\u00e8le\u00bb, localiza\u00e7\u00e3o do antigo campo de escravos. Raymond Barthes, 2011. Fotografia. <br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quanto ao Conselho Regional gere dois museus franceses, bem como dois centros de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Criado no in\u00edcio dos anos 1990 numa antiga f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar no munic\u00edpio de Saint-Leu (oeste da ilha), o Museu Stella Matutina \u00e9 dedicado \u00e0 hist\u00f3ria do desenvolvimento industrial da ilha, particularmente \u00e0 hist\u00f3ria do a\u00e7\u00facar. Contudo, nos \u00faltimos anos, o museu avan\u00e7ou para um novo conceito, reorientando a sua voca\u00e7\u00e3o para a mem\u00f3ria das pessoas e do a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s longos anos de gesta\u00e7\u00e3o inaugurou-se um museu de artes decorativas do Oceano \u00cdndico &#8211; o MADOI -, em 2007, na cidade de Saint-Louis ( sul da ilha).<\/p>\n<p>A Maison du Volcan, criada em 1992 no munic\u00edpio de Le Tampon perto do Piton de la Fournaise &#8211; um vulc\u00e3o ainda ativo &#8211; e o centro K\u00e9lonia localizado em Saint-Leu, inaugurado em 2006 e dedicado ao estudo das tartarugas marinhas, representam dois centros cient\u00edficos muito atrativos para o turismo.<\/p>\n<p>Abandonou-se um projeto museol\u00f3gico. Com efeito, as elei\u00e7\u00f5es regionais de maio de 2010 desferiram o \u00faltimo golpe \u00e0 Maison des Civilisations et de l&#8217;Unit\u00e9 R\u00e9unionnaise &#8211; MCUR -, um projeto cultural ambicioso apoiado pelo anterior mandato da Regi\u00e3o e que foi a montra da sua pol\u00edtica cultural. Tal como os grandes projetos museogr\u00e1ficos internacionais iniciados nos \u00faltimos dez anos, o projeto da Reuni\u00e3o foi muito inovador em termos de conce\u00e7\u00e3o e de tradu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f3nica. Foi apresentado tanto como um museu de sociedade como um museu de hist\u00f3ria, sendo, ao mesmo tempo, um espa\u00e7o cient\u00edfico e cultural.<\/p>\n<h3>A voca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Museu Vill\u00e8le<\/h3>\n<p>O Museu Vill\u00e8le \u00e9 acima de tudo um lugar de hist\u00f3ria evocando, a partir dos vest\u00edgios materiais que ainda existem, a evolu\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es de uma propriedade colonial ao longo de um per\u00edodo que abrange quase dois s\u00e9culos. Apresenta a hist\u00f3ria dos protagonistas que a l\u00f3gica do sistema colonial op\u00f5e: por um lado os senhores, colonos imigrantes ou descendentes de colonos origin\u00e1rios da Europa e mais precisamente da Fran\u00e7a, e por outro lado a popula\u00e7\u00e3o servil, quantitativamente mais numerosa e constitu\u00edda por escravos ou trabalhadores contratados provenientes de Madag\u00e1scar, da \u00c1frica Oriental ou da \u00c1sia.<\/p>\n<p>A antiga \u201chabita\u00e7\u00e3o\u201d Desbassayns (fig. n\u00b04) \u2013 termo utilizado nos s\u00e9culos XVIII e XIX para designar a propriedade do plantador \u2013 apresenta todas as caracter\u00edsticas necess\u00e1rias para definir e compreender o sistema da economia de planta\u00e7\u00e3o na ilha da Reuni\u00e3o, quer em termos do modo de produ\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de uma unidade agr\u00edcola, quer em termos da instrumentaliza\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o servil.<\/p>\n<figure id=\"attachment_754\" aria-describedby=\"caption-attachment-754\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_4.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-754 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_4.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"736\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_4.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_4-300x276.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_4-768x707.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-754\" class=\"wp-caption-text\">Fig.4: Propriedade Desbassayns (St-Gilles). Dureau; Louis Antoine Roussin. 1847. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Um lugar de hist\u00f3ria<\/h3>\n<p>Localizada em Saint-Gilles-les-Hauts, esta propriedade foi criada durante a segunda metade do s\u00e9culo XVIII a partir de v\u00e1rias concess\u00f5es emitidas no s\u00e9culo XVII e unidas pela vontade de uma rica fam\u00edlia de colonos crioulos, os Panon-Desbassayns. Henri Paulin e Ombline Panon-Desbassayns, ambos herdeiros de um grande patrim\u00f3nio fundi\u00e1rio, continuaram a aumentar o seu patrim\u00f3nio comum e a estender os limites da sua propriedade que se desenvolveu em faixas a partir da costa, para al\u00e9m dos passos geom\u00e9tricos e dos munic\u00edpios, at\u00e9 \u00e0s alturas do distrito de Saint-Paul, ao n\u00edvel da linha do dom\u00ednio p\u00fablico situada a uma altitude de cerca de 1 400 m.<\/p>\n<p>A prosperidade da propriedade assentava na explora\u00e7\u00e3o da terra em regime direto \u2013 a explora\u00e7\u00e3o era levada a cabo pelo pr\u00f3prio propriet\u00e1rio \u2013, produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o e especialmente de caf\u00e9 no s\u00e9culo XVIII, suplantada pelo cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar a partir do primeiro ter\u00e7o do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o das terras exigiu a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra escrava, essencialmente constitu\u00edda por escravos at\u00e9 1848, africanos (ou Cafres), malgaxes, indianos (sub-representados) mas tamb\u00e9m crioulos (nascidos na ilha) e depois, ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, trabalhadores contratados chamados \u00ab<em>engag\u00e9s<\/em>\u00bb, oriundos tamb\u00e9m de \u00c1frica, Madag\u00e1scar mas especialmente da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Em 1845, a fam\u00edlia Desbassayns possu\u00eda duas propriedades em Saint-Paul perfazendo um total de 492 hectares de terra cultivada e uma for\u00e7a de trabalho de 401 escravos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte da vi\u00fava Desbassayns a 4 de fevereiro de 1846, a propriedade passou pelas m\u00e3os de v\u00e1rios dos seus filhos at\u00e9 ser retomada por C\u00e9line, uma das suas netas, que era casada com o seu primo Fr\u00e9d\u00e9ric de Vill\u00e8le, sobrinho do Ministro das Finan\u00e7as sob a Restaura\u00e7\u00e3o Francesa, Joseph de Vill\u00e8le, que ele pr\u00f3prio tinha casado com M\u00e9lanie Panon Desbassayns em Bourbon em 1799.<\/p>\n<p>Com a crise que afetou a economia a\u00e7ucareira desde o final do s\u00e9culo XIX e que se intensificou durante a primeira metade do s\u00e9culo seguinte, os herdeiros da fam\u00edlia Vill\u00e8le agruparam-se numa sociedade an\u00f3nima, em 1927, a fim de preservarem a unidade da propriedade. (fig. n\u00b05)<br \/>\nContra\u00edram um empr\u00e9stimo para investir em equipamento e melhorar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar, e mudaram para outro m\u00e9todo de gest\u00e3o, o sistema de colonato parci\u00e1rio baseado no princ\u00edpio da explora\u00e7\u00e3o indireta da terra: arrendamento que atribu\u00eda 1\/3 dos rendimentos aos propriet\u00e1rios e 2\/3 aos colonos (agricultores).<\/p>\n<figure id=\"attachment_756\" aria-describedby=\"caption-attachment-756\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_5.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-756 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_5.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_5.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_5-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_5-768x540.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-756\" class=\"wp-caption-text\">Fig.5: Propriedade Desbassayns, fachada este (t\u00edtulo atribu\u00eddo). Primeira metade do s\u00e9culo XX. Fotografia em gelatina sal de prata, vidro.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Finalmente, a propriedade foi vendida em 1960 a uma empresa de cr\u00e9dito, a <em>Cr\u00e9dit Foncier Colonial<\/em>, e os \u00faltimos descendentes mantiveram o usufruto da casa da fam\u00edlia nos termos de um contrato de arrendamento com uma dura\u00e7\u00e3o de trinta anos assinado em 1971. Dois anos ap\u00f3s a sua partida definitiva para a Fran\u00e7a continental, vira-se uma p\u00e1gina da hist\u00f3ria das grandes propriedades a\u00e7ucareiras e acaba a dinastia Desbassayns-Vill\u00e8le.<\/p>\n<p>A fim de preservar este not\u00e1vel complexo patrimonial e de abrir um museu hist\u00f3rico, uma parte da propriedade &#8211; incluindo a casa senhorial- foi cedida ao Conselho Geral da Reuni\u00e3o em 1973 pelo conselho de administra\u00e7\u00e3o da empresa propriet\u00e1ria. Por conseguinte, o Museu Hist\u00f3rico de Saint-Gilles-les-Hauts foi criado em 1974 e inaugurado em 1976.<\/p>\n<h3>Um lugar de mem\u00f3ria<\/h3>\n<p>O museu tamb\u00e9m se apresenta como um lugar de interpreta\u00e7\u00e3o da escravatura atrav\u00e9s da figura emblem\u00e1tica de uma personagem bastante excecional que marcou o inconsciente coletivo da sociedade da Reuni\u00e3o, Madame Desbassayns. Esta mulher crioula governou sozinha e com punho de ferro durante mais de quarenta e seis anos, desde 1800 (data da morte do seu marido) at\u00e9 1846, as duas planta\u00e7\u00f5es localizadas no distrito de Saint-Paul onde viveram e trabalharam mais de quatrocentos escravos.<\/p>\n<p>A personagem de Madame Desbassayns, uma figura hist\u00f3rica invulgar e muito controversa, apresenta duas vertentes em que os antagonismos da sociedade da Reuni\u00e3o se op\u00f5em. Com efeito, \u00e9 ilustrada sob duas representa\u00e7\u00f5es antit\u00e9ticas, metade anjo, metade dem\u00f3nio, tanto como Segunda Provid\u00eancia que administra firmemente o seu dom\u00ednio de acordo com um modelo paternalista, como sob o disfarce de <em>granm\u00e8r Kal<\/em> (uma figura popular nos contos crioulos atr\u00e1s da qual se esconde uma bruxa) a quem se imputa a culpa dos crimes mais abomin\u00e1veis. Ao longo do tempo, as representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas de Madame Desbassayns evolu\u00edram com as transforma\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas da ilha da Reuni\u00e3o, cristalizando o mal-estar e os receios da sociedade p\u00f3s-colonial.<\/p>\n<p>O Museu Vill\u00e8le combina uma abordagem hist\u00f3rica de Madame Desbassayns, que fazia parte da realidade social, pol\u00edtica e religiosa do seu tempo, com a representa\u00e7\u00e3o desta personagem no imagin\u00e1rio coletivo da Reuni\u00e3o, uma esp\u00e9cie de monstro quim\u00e9rico, o modelo do sistema esclavagista.<\/p>\n<p>Na pequena capela dom\u00e9stica (fig. n\u00b06) localizada perto da casa principal encontra-se a l\u00e1pide de Madame Desbassayns colocada a 4 de Fevereiro de 1866 aquando da transfer\u00eancia dos seus restos mortais do local da sepultura inicial no cemit\u00e9rio da cidade de Saint-Paul. Enquanto o epit\u00e1fio gravado no m\u00e1rmore da laje evoca \u00aba Segunda Provid\u00eancia\u00bb, na imagina\u00e7\u00e3o popular, a pedra partida pelo ciclone de 4 de fevereiro de 1932 &#8211; o anivers\u00e1rio da morte da falecida &#8211; revela as provas materiais, o verdadeiro estigma da sua inf\u00e2mia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_758\" aria-describedby=\"caption-attachment-758\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_6.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-758 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_6.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_6.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_6-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_6-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-758\" class=\"wp-caption-text\">Fig.6: Chapelle Pointue. Raymond Barthes, 2010. Fotografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Seguramente, ao longo do tempo, a sua reputa\u00e7\u00e3o como Segunda Provid\u00eancia tem \u00ablevado um duro golpe\u00bb e hoje, para muitos , pronunciar o nome Desbassayns equivale a denunciar a dureza do sistema colonial e o sabor amargo de uma era passada, mas para sempre marcada pelo drama da escravatura.<\/p>\n<h3>Um complexo patrimonial diversificado<\/h3>\n<h4>Os edif\u00edcios<\/h4>\n<p>Este complexo afirma a sua voca\u00e7\u00e3o patrimonial de v\u00e1rias maneiras.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria das suas paredes, com base nos tra\u00e7os bem vis\u00edveis do passado, isto \u00e9, atrav\u00e9s do que deixa ver dos edif\u00edcios antigos preservados <em>in situ<\/em> e que testemunham a organiza\u00e7\u00e3o social, econ\u00f3mica e religiosa de uma propriedade colonial.<br \/>\nA casa senhorial conclu\u00edda em 1788 \u00e9 baseada num modelo arquitet\u00f3nico cl\u00e1ssico importado de Pondicheri (Fig. 7), sendo descrita no s\u00e9culo XIX como \u00abum castelo de arquitetura malabar\u00bb. \u00c9 esta resid\u00eancia que constitui o principal espa\u00e7o museol\u00f3gico. Os quartos est\u00e3o dispostos em dois n\u00edveis, as sete salas do r\u00e9s-do-ch\u00e3o apresentam as cole\u00e7\u00f5es permanentes e as quatro salas do primeiro andar s\u00e3o dedicadas \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_760\" aria-describedby=\"caption-attachment-760\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_7.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-760 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_7.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"572\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_7.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_7-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_7-768x549.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-760\" class=\"wp-caption-text\">Fig.7: Museu hist\u00f3rico, fachada ocidental. Raymond Barthes, 2010. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A cozinha dos senhores (fig. n\u00b08) ocupa parte de um edif\u00edcio anexo situado perto da casa principal, respeitando a tradi\u00e7\u00e3o crioula. No testamento hol\u00f3grafo de Madame Desbassayns escrito em 1845, \u00e9 tamb\u00e9m mencionada uma cozinha para os Negros, um edif\u00edcio que n\u00e3o foi preservado nem localizado at\u00e9 \u00e0 data!<\/p>\n<figure id=\"attachment_762\" aria-describedby=\"caption-attachment-762\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_8.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-762 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_8.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"596\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_8.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_8-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_8-768x572.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-762\" class=\"wp-caption-text\">Fig.8: Vista interior da cozinha. Raymond Barthes, 2010. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um pavilh\u00e3o de madeira coberto de ripas (Fig. 9), provavelmente a antiga casa do administrador, foi convertido numa \u00e1rea de rece\u00e7\u00e3o de visitantes e cont\u00e9m tamb\u00e9m um escrit\u00f3rio e um quarto utilizado como armaz\u00e9m para as cole\u00e7\u00f5es do museu.<\/p>\n<figure id=\"attachment_764\" aria-describedby=\"caption-attachment-764\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_9.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-764 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_9.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_9.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_9-300x189.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_9-768x484.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-764\" class=\"wp-caption-text\">Fig.9: Edif\u00edcio de rece\u00e7\u00e3o do museu hist\u00f3rico. Raymond Barthes, 2010. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na propriedade h\u00e1 um hospital, um edif\u00edcio de pedra constru\u00eddo para tratar escravos e que serviu de dispens\u00e1rio at\u00e9 ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX para as pessoas que viviam na zona. Foram a\u00ed tratados pelos \u00faltimos membros da fam\u00edlia que viveram nesta propriedade at\u00e9 1973! Neste local foi erigido e inaugurado um memorial (fig. n\u00b010) em 1996, a fim de homenagear os escravos da planta\u00e7\u00e3o, cafres, malgaxes, indianos e crioulos. Trata-se de uma instala\u00e7\u00e3o criada a partir de um documento de arquivo (folha de recenseamento) que indica os nomes dados pelos propriet\u00e1rios, como a idade, a origem \u00e9tnica e as fun\u00e7\u00f5es dos escravos. Dois anos antes da celebra\u00e7\u00e3o do 150\u00ba anivers\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, era de facto importante &#8211; atrav\u00e9s de um gesto simb\u00f3lico &#8211; marcar a presen\u00e7a dos escravos na propriedade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_766\" aria-describedby=\"caption-attachment-766\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_10.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-766 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_10.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1251\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_10.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_10-192x300.jpg 192w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_10-768x1201.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_10-655x1024.jpg 655w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-766\" class=\"wp-caption-text\">Fig.10: Memorial do antigo hospital dos escravos. Raymond Barthes, 2010. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os antigos armaz\u00e9ns formam um edif\u00edcio longo e comp\u00f3sito chamado <em>long\u00e8re<\/em>, que alberga v\u00e1rios servi\u00e7os do museu em oito salas mais ou menos bem equipadas. N\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel aos visitantes, por\u00e9m existem planos para reabilitar todo o edif\u00edcio, a fim de abrir novas salas de exposi\u00e7\u00e3o dedicadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos escravos na planta\u00e7\u00e3o, ao <em>marronnage<\/em> (fuga de escravos) e \u00e0s aboli\u00e7\u00f5es de 1794 e 1848.<\/p>\n<p>A sul da casa senhorial, permanecem as ru\u00ednas de uma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar originalmente constru\u00edda em 1823-24 e considerada pelos contempor\u00e2neos como uma f\u00e1brica modelo, equipada com um moinho a vapor para o distrito de Saint-Paul (Fig. 11). O s\u00edtio foi objeto de uma campanha de restaura\u00e7\u00e3o levada a cabo no \u00e2mbito de um projeto de integra\u00e7\u00e3o de 1993 a 1995, sendo hoje em dia ainda uma \u00e1rea pouco acess\u00edvel. Est\u00e1 a ser estudado um projeto de cria\u00e7\u00e3o de um percurso de visitantes com vista a dar ao p\u00fablico uma vis\u00e3o da hist\u00f3ria da f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar, tanto do ponto de vista das t\u00e9cnicas utilizadas no fabrico da cana-de-a\u00e7\u00facar como da organiza\u00e7\u00e3o social dos trabalhadores.<\/p>\n<figure id=\"attachment_768\" aria-describedby=\"caption-attachment-768\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_11.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-768 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_11.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_11.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_11-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_11-768x506.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-768\" class=\"wp-caption-text\">Fig.11: Ru\u00ednas da f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar. Raymond Barthes, 2010. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>No complexo encontra-se uma capela dom\u00e9stica chamada <em>Chapelle Pointue<\/em>, constru\u00edda por Madame Desbassayns para os escravos. O primeiro edif\u00edcio erguido a partir de 1841 ilustrava uma arquitetura original de inspira\u00e7\u00e3o neog\u00f3tica. A capela foi destru\u00edda por um ciclone em 1932 (fig. n\u00b012) e reconstru\u00edda no ano seguinte. Uma campanha de restauro em 2002-2003 permitiu restituir a decora\u00e7\u00e3o interior, que n\u00e3o tinha sido efetuada durante a reconstru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio em 1933.<\/p>\n<figure id=\"attachment_770\" aria-describedby=\"caption-attachment-770\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_12.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-770 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_12.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1123\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-770\" class=\"wp-caption-text\">Fig. 12: Chapelle Pointue : foto de grupo (t\u00edtulo atribu\u00eddo). Primeira metade do s\u00e9culo XX. Fotografia em gelatina sal de prata, vidro.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Importa salientar a localiza\u00e7\u00e3o do campo, fora do museu, onde se agrupavam as cubatas de palha que alojavam os trabalhadores, primeiro os escravos e depois os contratados. Hoje, o antigo campo, que se tornou uma aldeia residencial, apresenta poucos vest\u00edgios materiais da sua hist\u00f3ria, exceto a disposi\u00e7\u00e3o das casas mais antigas em terrenos divididos em lotes, e a rede das vias de circula\u00e7\u00e3o. Em contrapartida, uma parte da popula\u00e7\u00e3o desta aldeia, constitu\u00edda pelos descendentes dos escravos ou dos contratados, guarda mem\u00f3rias muito contrastadas dos antigos propriet\u00e1rios, especialmente dos \u00faltimos membros da fam\u00edlia Vill\u00e8le. As pessoas que quebram a lei do sil\u00eancio \u2013 para muitos deles, o passado ainda \u00e9 um assunto tabu \u2013 ora expressam um forte ressentimento para com os antigos senhores do dom\u00ednio ora um respeito infal\u00edvel, tingido de lamentos nost\u00e1lgicos. Sem d\u00favida, as opini\u00f5es divergem conforme a posi\u00e7\u00e3o que ocupava o membro da sua fam\u00edlia na gest\u00e3o da propriedade.<\/p>\n<h4>As cole\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>De acordo com o seu estatuto, o Museu Vill\u00e8le define-se tamb\u00e9m atrav\u00e9s das suas cole\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o todas elas suportes de conhecimento. \u00c9 apropriado reconhecer que, at\u00e9 aos anos 80, as cole\u00e7\u00f5es do museu formavam um conjunto mais ou menos coerente de objetos e documentos que evocavam diferentes aspetos da hist\u00f3ria da ilha, mas sem abordar verdadeiramente a quest\u00e3o da escravatura, que, conv\u00e9m recordar mais uma vez, deixou poucos vest\u00edgios materiais.<\/p>\n<p>As cole\u00e7\u00f5es est\u00e3o divididas em tr\u00eas grupos: um acervo constitutivo, os dep\u00f3sitos e as aquisi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Um primeiro acervo foi constitu\u00eddo aquando da cria\u00e7\u00e3o do museu em 1974. Um conjunto de objetos de arte decorativa e mobili\u00e1rio foram adquiridos pelo Conselho Geral \u00e0 fam\u00edlia e at\u00e9 hoje, permitem-nos evocar a vida de uma fam\u00edlia de plantadores crioulos (fig. n\u00b013) no r\u00e9s-do-ch\u00e3o da casa da fam\u00edlia no quadro de uma exposi\u00e7\u00e3o permanente. A vida dos senhores, \u00e9 claro, mas n\u00e3o a dos escravos!<\/p>\n<figure id=\"attachment_772\" aria-describedby=\"caption-attachment-772\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_13.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-772 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_13.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_13.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_13-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_13-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-772\" class=\"wp-caption-text\">Fig.13: Casa Desbassayns, o grande sal\u00e3o. Raymond Barthes, 2010. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8211; O segundo conjunto corresponde ao dep\u00f3sito de uma parte das cole\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas com vista \u00e0 abertura de uma sec\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica prevista no Museu L\u00e9on Dierx aquando da sua cria\u00e7\u00e3o em 1911. Os objetos recolhidos, doados pelas grandes fam\u00edlias da Reuni\u00e3o, tinham sido relegados para os espa\u00e7os rec\u00f4nditos das reservas do museu desde 1947, data da chegada das 157 pinturas de arte moderna doadas por Lucien Vollard. Vale a pena notar que entre estes objetos se encontra uma espingarda dada ao tem\u00edvel ca\u00e7ador de <em>marrons<\/em> (escravos fugitivos), o denominado Mussard, bem conhecido dos habitantes da Reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; As aquisi\u00e7\u00f5es feitas para o museu incluem v\u00e1rias cole\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas com vista \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um museu hist\u00f3rico nos anos 1970: maquetes de navios da Companhia das \u00cdndias, numism\u00e1tica (tesouros encontrados na ilha) e porcelanas da Companhia das \u00cdndias doadas por uma associa\u00e7\u00e3o criada para o desenvolvimento dos Museus do Ultramar (ADMOM). Estas cole\u00e7\u00f5es deveriam ser testemunho da expans\u00e3o colonial francesa.<\/p>\n<p>&#8211; Foi a partir dos anos 90 que o Museu Vill\u00e8le come\u00e7ou a orientar a sua pol\u00edtica de aquisi\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar, foi necess\u00e1rio refor\u00e7ar o acervo existente, especialmente a sec\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, comprando documentos iconogr\u00e1ficos e obras sobre v\u00e1rios temas, a expans\u00e3o colonial francesa, a sociedade de planta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o com\u00e9rcio de escravos e a escravatura na Reuni\u00e3o (fig. 14) e nos pa\u00edses e ilhas do Oceano \u00cdndico (fig. 15).<\/p>\n<figure id=\"attachment_774\" aria-describedby=\"caption-attachment-774\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_14.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-774 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_14.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_14.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_14-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_14-768x540.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-774\" class=\"wp-caption-text\">Fig.14: O sh\u00e9ga, dan\u00e7a dos escravos. Etienne-Adolphe d&#8217;Hastrel de Rivedoux; Adolphe Jean-Baptiste Bayot. Entre 1837 e 1847. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_776\" aria-describedby=\"caption-attachment-776\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_15.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-776 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_15.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_15.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_15-300x216.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_15-768x553.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-776\" class=\"wp-caption-text\">Fig. 15: O mercado do escravos em Zanzibar. 1872. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8211; A cria\u00e7\u00e3o de novos acervos permitiu a entrada da arte contempor\u00e2nea nas cole\u00e7\u00f5es do Museu Vill\u00e8le, a fim de evocar certos aspetos da hist\u00f3ria da servid\u00e3o ou de permitir uma abordagem das culturas dos pa\u00edses da regi\u00e3o que contribu\u00edram para o povoamento da Reuni\u00e3o. Desta forma, foram adquiridas obras pict\u00f3ricas da Tanz\u00e2nia representativas do movimento Tingatinga (fig. n\u00b016), desenhos caracter\u00edsticos da tradi\u00e7\u00e3o Madhubani (regi\u00e3o de Bihar no norte da \u00cdndia), esculturas de artistas Makonde de Mo\u00e7ambique, uma cole\u00e7\u00e3o de gravuras do fot\u00f3grafo Dityvon feitas durante uma estadia em Zanzibar, obras de artistas da Reuni\u00e3o ou que trabalham na ilha, Wilhiam Zitte, Antoine Du Vignaux (fig. n\u00b017), Ann Marie Valencia, Marie-Chrystine Miara, Nelson Boyer&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_778\" aria-describedby=\"caption-attachment-778\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_16.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-778 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_16.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"813\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_16.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_16-295x300.jpg 295w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_16-768x780.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-778\" class=\"wp-caption-text\">Fig.16: Escravos. Mohamedi Wasia Charinda . 1998. Pintura, laca.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_780\" aria-describedby=\"caption-attachment-780\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_17.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-780 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_17.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1026\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-780\" class=\"wp-caption-text\">Fig.17: M\u00e3os amarradas. Antoine du Vigneaux, 1992. Pintura a acr\u00edlico, Pastel.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8211; Finalmente, em 1993, o museu empreendeu a salvaguarda de partes de m\u00e1quinas e ferramentas da antiga f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar (fig. n\u00b018) dispersas pela propriedade ou encontradas durante as v\u00e1rias campanhas de escava\u00e7\u00e3o efetuadas por ocasi\u00e3o de um projeto de restaura\u00e7\u00e3o no local da f\u00e1brica. Este material arqueol\u00f3gico foi objeto de um censo, a constitui\u00e7\u00e3o de um ficheiro de identifica\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o de esbo\u00e7os e fotografias. Alguns dos objetos desta cole\u00e7\u00e3o ir\u00e3o beneficiar de uma grande campanha de restauro que ter\u00e1 in\u00edcio no final do ano.<\/p>\n<figure id=\"attachment_782\" aria-describedby=\"caption-attachment-782\" style=\"width: 564px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_18.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-782 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_18.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_18.jpg 564w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_18-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-782\" class=\"wp-caption-text\">Fig.18: Ferramentas encontradas na antiga f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar Desbassayns. Olivier Rouchon, 1993. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<h3>As a\u00e7\u00f5es do museu para a difus\u00e3o do conhecimento<\/h3>\n<p>Desde os anos 90, o Museu Hist\u00f3rico Vill\u00e8le adquiriu uma variedade de recursos para assegurar a sua miss\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de conhecimentos. Sem entrar em mais detalhes sobre o conte\u00fado das a\u00e7\u00f5es planeadas e os m\u00e9todos utilizados para cada uma delas, podemos mencionar alguns eixos priorit\u00e1rios:<\/p>\n<p>&#8211; A a\u00e7\u00e3o cultural do servi\u00e7o educativo e do pessoal da rece\u00e7\u00e3o do museu \u00e9 determinante para iniciar uma abordagem de media\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico escolar e os centros de lazer, incluindo a produ\u00e7\u00e3o de ferramentas pedag\u00f3gicas, a rece\u00e7\u00e3o de equipas de professores das escolas e a cria\u00e7\u00e3o de novas obras.<\/p>\n<p>&#8211; A defini\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias regulares permite diversificar a oferta cultural do museu, produzir instrumentos de reflex\u00e3o e de conhecimento, enriquecer o conte\u00fado da visita museogr\u00e1fica e, em particular, abordar a escravatura sob diferentes aspetos: investiga\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica, estatuto da mulher, condi\u00e7\u00f5es de vida, evoca\u00e7\u00e3o da \u00ab<em>cafritude<\/em>\u00bb (<em>a identidade africana e negr<\/em>a)&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Embora n\u00e3o disponha de uma \u00e1rea suficiente, foi contudo criado um espa\u00e7o a fim de organizar o embri\u00e3o de uma biblioteca especializada em vias de desenvolvimento. Consiste principalmente em trabalhos sobre a escravatura, a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores estrangeiros e as culturas dos pa\u00edses da regi\u00e3o do Oceano \u00cdndico. Em 2011, o acervo foi enriquecido por uma significativa doa\u00e7\u00e3o de livros antigos sobre a \u00c1frica Oriental, narrativas de viagens, expedi\u00e7\u00f5es de exploradores e miss\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>&#8211; Para al\u00e9m da publica\u00e7\u00e3o de cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, o Museu Hist\u00f3rico lan\u00e7ou este ano uma linha editorial intitulada <em>Collection patrimoniale \/ Histoire<\/em> (Acervo patrimonial \/ Hist\u00f3ria). O objetivo \u00e9 promover uma ampla difus\u00e3o do conhecimento sobre a sociedade da Reuni\u00e3o com a contribui\u00e7\u00e3o de investigadores do mundo acad\u00e9mico, favorecendo simultaneamente a qualidade e diversidade dos documentos iconogr\u00e1ficos preservados nas institui\u00e7\u00f5es patrimoniais, nomeadamente os arquivos e museus da Reuni\u00e3o. O primeiro t\u00edtulo publicado, <em>Henri Paulin Panon Desbassayns. Autopsie d&#8217;un gros \u00abBlanc\u00bb r\u00e9unionnais de la fin du XVIIIe si\u00e8cle<\/em> \u00e9 um estudo biogr\u00e1fico do historiador Claude Wanquet.<\/p>\n<p>&#8211; Assemelhando-se a um templo de conserva\u00e7\u00e3o do passado, o museu hist\u00f3rico \u00e9 tamb\u00e9m um gerador de arquivos do futuro. A cria\u00e7\u00e3o de uma cole\u00e7\u00e3o audiovisual (fig. 19) responde \u00e0 necessidade de arquivar os destaques do museu, de enriquecer o discurso museogr\u00e1fico, designadamente durante a apresenta\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, e de recolher os testemunhos de informadores, detentores de mem\u00f3rias, conhecimentos ou saber-fazer.<\/p>\n<figure id=\"attachment_784\" aria-describedby=\"caption-attachment-784\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_19.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-784 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_19.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_19.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_19-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_19-768x491.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-784\" class=\"wp-caption-text\">Fig.19: Antigo hospital dos escravos, sala audiovisual. 1996. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8211; Universit\u00e1rios, historiadores, antrop\u00f3logos e associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o regularmente consultados no dom\u00ednio dos seus conhecimentos para participarem nos projetos de investiga\u00e7\u00e3o do Museu Vill\u00e8le, e constituem um verdadeiro comit\u00e9 cient\u00edfico informal que funciona como uma rede.<\/p>\n<p>&#8211; A assinatura de acordos internacionais com institui\u00e7\u00f5es culturais dos pa\u00edses da zona do oceano \u00cdndico \u00e9 tamb\u00e9m um pr\u00e9-requisito para qualquer projeto de coopera\u00e7\u00e3o. Foi neste \u00e2mbito que o Museu Hist\u00f3rico p\u00f4de conceber duas exposi\u00e7\u00f5es: uma, intitulada <em>Dominique Macond\u00e9<\/em> e apresentada em Saint-Gilles-les-Hauts (fig. n\u00b020), fruto de um trabalho cient\u00edfico realizado em parceria com os museus nacionais de Mo\u00e7ambique; a outra, coproduzida em 2010 com o Instituto Franc\u00eas de Pondicheri, permitindo ao p\u00fablico indiano conhecer as liga\u00e7\u00f5es que existiam entre a \u00cdndia e a ilha da Reuni\u00e3o atrav\u00e9s da hist\u00f3ria do movimento de contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<figure id=\"attachment_786\" aria-describedby=\"caption-attachment-786\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_20.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-786 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_20.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"536\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_20.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_20-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/habitation_web_20-768x515.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-786\" class=\"wp-caption-text\">Fig.20: Exposi\u00e7\u00e3o Dominique Macond\u00e9. Mo\u00e7ambique \u2013 La R\u00e9union. Museu Vill\u00e8le, dezembro 2006 &#8211; setembro 2007. Daniel Auguste, 2007. Fotografia.<br \/>Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Museu local, museu de cole\u00e7\u00f5es, museu da economia da planta\u00e7\u00e3o, museu de descoberta das culturas que forjaram a identidade da sociedade crioula, o Museu Vill\u00e8le deve encontrar o seu caminho a partir de todas estas identidades. Atualmente, n\u00e3o mostra explicitamente a hist\u00f3ria da escravatura, por\u00e9m neste sentido deve afirmar mais claramente este objetivo, que faz parte da sua voca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Aceita assim o desafio de propor um programa museogr\u00e1fico adaptado \u00e0 natureza dos seus edif\u00edcios, que poder\u00e3o por conseguinte revelar os aspetos mais sombrios da sua hist\u00f3ria. N\u00e3o querendo ser o lugar exclusivo da hist\u00f3ria da Reuni\u00e3o, nem tampouco reivindicar o monop\u00f3lio da mesma, \u00e9 uma das testemunhas mais emblem\u00e1ticas e, <em>a fortiori<\/em>, continua a ser a testemunha inelut\u00e1vel da rememora\u00e7\u00e3o da escravatura.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5451,"parent":5031,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-5450","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5450","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5031"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}