{"id":5771,"date":"2021-08-05T08:38:41","date_gmt":"2021-08-05T06:38:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5771"},"modified":"2025-10-15T16:47:27","modified_gmt":"2025-10-15T12:47:27","slug":"qual-era-a-origem-dos-escravos-de-bourbon","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/o-trafico-de-escravos\/a-origem-dos-escravos-de-bourbon\/qual-era-a-origem-dos-escravos-de-bourbon\/","title":{"rendered":"Qual era a origem dos escravos de Bourbon?"},"content":{"rendered":"<h2>Atualmente considerado como um insulto \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o e qualificado como um \u00abcrime contra a humanidade\u00bb por muitos Estados<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5474584966775795\" aria-label=\"Incluindo a Rep\u00fablica Francesa (\u00abA Rep\u00fablica Francesa reconhece que o tr\u00e1fico de escravos (...) e a escravatura (...) constituem um crime contra a humanidade.\u00bb Lei de 21 de maio de 2001, artigo 1.\u00b0).\">&nbsp;<\/span>, chocando algumas boas almas j\u00e1 na Idade Moderna<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2768190910279684\" aria-label=\"\u00abN\u00e3o sei se o caf\u00e9 e o a\u00e7\u00facar s\u00e3o necess\u00e1rios para a felicidade da Europa, mas sei que estas duas plantas causaram a desgra\u00e7a de duas partes do mundo\u00bb escreveu Jacques Henri Bernardin de Saint-Pierre em 1769 na sua \u00abVoyage \u00e0 l'isle de France, \u00e0 l'isle Bourbon, au cap de Bonne-Esp\u00e9rance(...) par un officier du roi\u00bb (carta XII). Redigido por um escritor com conhecimento pessoal das col\u00f3nias de planta\u00e7\u00e3o francesas, este livro foi a primeira cr\u00edtica \u00e0 escravatura a ter um impacto genu\u00edno na opini\u00e3o francesa. Algumas pessoas j\u00e1 falavam do \u00abtr\u00e1fico infame\u00bb no final do s\u00e9culo XVIII.\">&nbsp;<\/span>, a pr\u00e1tica do com\u00e9rcio de escravos era filha do seu tempo. Este com\u00e9rcio chegando a ser praticado em nome do rei, este com\u00e9rcio aben\u00e7oado pela Igreja<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7019966356591736\" aria-label=\"Renunciando aos princ\u00edpios da Igreja primitiva, o Papado tinha, j\u00e1 em 1454, legitimado o com\u00e9rcio praticado pelos seus fi\u00e9is aliados portugueses em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s ilhas do oceano Atl\u00e2ntico pr\u00f3ximas da Europa: pela bula \u00abRomanus pontifex\u00bb, o Papa Nicolau V autorizou o rei de Portugal a reduzir \u00e0 escravid\u00e3o perp\u00e9tua os \u00absarracenos, pag\u00e3os, e outros inimigos de Cristo.\u00bb Foi apenas em 1839 que o Papa Greg\u00f3rio XVI condenou oficialmente o tr\u00e1fico de escravos.\">&nbsp;<\/span>, constituiu no s\u00e9culo XVIII uma for\u00e7a motriz da economia, em Bourbon como em qualquer outro lugar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6349345082278675\" aria-label=\" O s\u00e9culo XVIII foi, de longe, o grande per\u00edodo do tr\u00e1fico de escravos do Atl\u00e2ntico. Paradoxalmente, o com\u00e9rcio de escravos ocidental atingiu o seu auge na Era do Iluminismo; neste s\u00e9culo pleno de \u00abbons selvagens\u00bb, o com\u00e9rcio transatl\u00e2ntico baseava-se no tr\u00e1fico de seres humanos capturados, marcados, deportados, escravizados e explorados.\">&nbsp;<\/span>.<\/h2>\n<p>O tr\u00e1fico de escravos em Bourbon come\u00e7ou pouco depois do in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o permanente da ilha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9668040243345943\" aria-label=\"Pelos dez malgaxes e dois brancos que ali se estabeleceram em novembro de 1663.\">&nbsp;<\/span>, numa altura em que os europeus j\u00e1 enviavam escravos para a Am\u00e9rica h\u00e1 mais de um s\u00e9culo e meio<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8895732830697329\" aria-label=\"Olivier P\u00e9tr\u00e9-Grenouilleau data as primeiras expedi\u00e7\u00f5es registadas por volta de 1519.\">&nbsp;<\/span>. Os escravos eram oriundos de uma grande variedade de regi\u00f5es, tal era a necessidade de m\u00e3o de obra<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3896142909055704\" aria-label=\"Numa carta dirigida, em novembro de 1768, ao ministro da Marinha e das Col\u00f3nias, Pierre Guillaume L\u00e9onard Sarrazin de Bellecombe, governador de Bourbon de 1767 a 1773, escreveu: \u00abO com\u00e9rcio de escravos \u00e9, neste momento, o objeto mais importante da minha administra\u00e7\u00e3o. Sem ele, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e3o de obra.\u00bb\">&nbsp;<\/span> : \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias resultantes do com\u00e9rcio ao longo da rota para a \u00cdndia, logo se acrescentou um tr\u00e1fico de escravos regional, que rapidamente se tornou essencial, sendo que Madag\u00e1scar e a costa oriental de \u00c1frica forneciam a grande maioria dos escravos de Bourbon no s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<figure id=\"attachment_264\" aria-describedby=\"caption-attachment-264\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-1998-5-1-l-aurore-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-264 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-1998-5-1-l-aurore-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"634\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-1998-5-1-l-aurore-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-1998-5-1-l-aurore-web-300x238.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-1-1998-5-1-l-aurore-web-768x609.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-264\" class=\"wp-caption-text\">Aurore, navio de escravos de 1784. 1998.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Ao longo da rota da \u00cdndia<\/h3>\n<h4>A partir da \u00c1frica Ocidental<\/h4>\n<figure id=\"attachment_266\" aria-describedby=\"caption-attachment-266\" style=\"width: 688px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-la-traite-depuis-l-afrique-occidentale-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-266 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-la-traite-depuis-l-afrique-occidentale-web.jpg\" alt=\"\" width=\"688\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-la-traite-depuis-l-afrique-occidentale-web.jpg 688w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-2-la-traite-depuis-l-afrique-occidentale-web-300x294.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 688px) 100vw, 688px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-266\" class=\"wp-caption-text\">O com\u00e9rcio de escravos da costa ocidental de \u00c1frica para Bourbon no s\u00e9culo XVIII<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de 1702, alguns escravos vindos aleatoriamente da \u00c1frica Ocidental foram ocasionalmente trocados<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3755290355524785\" aria-label=\" Os historiadores especializados no tr\u00e1fico de escravos estimam que, no \u00e2mbito do com\u00e9rcio de escravos ocidental (todos os com\u00e9rcios que alimentavam o mundo ocidental e os seus diversos territ\u00f3rios), apenas 2% dos cativos foram capturados pelos europeus. Com exce\u00e7\u00e3o de Angola, a \u00abprodu\u00e7\u00e3o\u00bb dos cativos era geralmente um assunto puramente africano; eram os comerciantes negros de escravos que encontravam, transportavam, estacionavam e avaliavam os cativos. O soci\u00f3logo americano nascido na Jamaica, Orlando Patterson, listou as principais categorias de escravatura por africanos da seguinte forma: a captura na guerra, o rapto, o pagamento de tributo e impostos, a d\u00edvida, o castigo por crime, o abandono e a venda de crian\u00e7as, a escravid\u00e3o volunt\u00e1ria e o nascimento. \">&nbsp;<\/span> por navios \u00abinterlopes\u00bb <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9272649083723161\" aria-label=\"Na altura, um navio mercante era chamado \u00abinterlope\u00bb se contrabandeava mercadorias para territ\u00f3rios concedidos a uma companhia comercial, para col\u00f3nias onde n\u00e3o eram permitidos navios estrangeiros, ou para portos sob bloqueio.\">&nbsp;<\/span> (contrabandistas), e depois vendidos em Bourbon; o n\u00famero destes escravos era ent\u00e3o irris\u00f3rio<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9315300458882438\" aria-label=\"10 de 311 escravos na ilha em 1704, 2 de 387 em 1709.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nEmbora os considerasse \u00abexcessivamente caros\u00bb, a Companhia das \u00cdndias francesa mandou ent\u00e3o transportar africanos ocidentais para Bourbon: 200 escravos vindos de Ajud\u00e1<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6384909437126167\" aria-label=\" Ajud\u00e1 (atual Uid\u00e1), a principal cidade costeira do reino de Abomei (atual Rep\u00fablica do Benin), era frequentada por comerciantes de escravos portugueses no s\u00e9culo XVI. Em 1671, os franceses constru\u00edram o forte de Saint-Louis (uma estrutura simples em terra).No s\u00e9culo XVIII, o reino de Abomei tinha-se tornado um verdadeiro estado negreiro ao servi\u00e7o do grupo \u00e9tnico Fons; Ajud\u00e1 foi cuidadosamente isolada do resto do reino a fim de garantir o monop\u00f3lio do rei Kpengla (1774-1789).\">&nbsp;<\/span> em 1729, 76 e 188 escravos da Goreia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07903437348482467\" aria-label=\"Em 1677, os franceses estabeleceram-se na pequena ilha da Goreia, da qual os holandeses se tinham apoderado sessenta anos antes. A Goreia est\u00e1 localizada no Senegal, na ba\u00eda de Dakar.\">&nbsp;<\/span> em 1730 e 1731 respetivamente .<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_268\" aria-describedby=\"caption-attachment-268\" style=\"width: 536px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-marchand-d-esclaves-de-goree-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-268 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-marchand-d-esclaves-de-goree-web.jpg\" alt=\"\" width=\"536\" height=\"769\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-marchand-d-esclaves-de-goree-web.jpg 536w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-3-marchand-d-esclaves-de-goree-web-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-268\" class=\"wp-caption-text\">Comerciante de escravos de Goreia. Labrousse. 1796.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Este tr\u00e1fico, proibido em 1731, foi novamente autorizado em 1737 por Mah\u00e9 de La Bourdonnais<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8862654900694937\" aria-label=\"Nomeado em 1734 como governador-geral das ilhas de Fran\u00e7a e Bourbon, Bertrand Fran\u00e7ois Mah\u00e9 de La Bourdonnais (1699-1753) deu um impulso ao arranque econ\u00f3mico e demogr\u00e1fico das duas ilhas; a ilha de Fran\u00e7a, com os seus dois excelentes portos, foi a que mais beneficiou do trabalho deste marinheiro. As intrigas de Dupleix levaram \u00e0 sua substitui\u00e7\u00e3o (1746), depois \u00e0 sua pris\u00e3o na Bastilha (1748) sob o pretexto de trai\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o.\">&nbsp;<\/span> tendo sido parcialmente retomado de 1739 a 1744.<br \/>\nDe seguida, as importa\u00e7\u00f5es regulares cessaram, e isto apesar dos m\u00faltiplos pedidos dos administradores de Bourbon: os \u00faltimos africanos ocidentais chegaram a Bourbon em 1767.<\/p>\n<h4>A partir da \u00cdndia<\/h4>\n<figure id=\"attachment_270\" aria-describedby=\"caption-attachment-270\" style=\"width: 606px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-la-traite-depuis-l-inde-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-270 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-la-traite-depuis-l-inde-web.jpg\" alt=\"\" width=\"606\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-la-traite-depuis-l-inde-web.jpg 606w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-4-la-traite-depuis-l-inde-web-263x300.jpg 263w\" sizes=\"auto, (max-width: 606px) 100vw, 606px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-270\" class=\"wp-caption-text\">O com\u00e9rcio de escravos da \u00cdndia para Bourbon nos s\u00e9culos XVII e XVIII<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir do final do s\u00e9culo XVII, os escravos foram por vezes tamb\u00e9m trazidos da \u00cdndia em navios que regressavam \u00e0 metr\u00f3pole<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5741997484363959\" aria-label=\" Os quinze Negros de S\u00e3o Tom\u00e9 de Meliapor desembarcados pelo navio \u00abJules\u00bb em novembro de 1672 eram muito provavelmente escravos t\u00e2miles; tinham sido capturados durante o cerco de S\u00e3o Tom\u00e9 e enviados para Bourbon pelo vice-rei da \u00cdndia, Jacob Blanquet de la Haye. S\u00e3o Tom\u00e9 de Meliapor \u00e9 o nome que os europeus deram a Meliapor, hoje um dos distritos do sul de Chenai (Madras).<br \/>\nDatada de 1687, a primeira escritura de venda de um escravo em Bourbon \u00e9 a de um indiano de doze anos de idade. O censo geral de 1704 indica mesmo a presen\u00e7a de um escravo de \u00abMalaca\u00bb e Jean-Michel Filliot observa que os escravos malaios \u00abem n\u00famero insignificante\u00bb chegaram a Bourbon a partir dos anos 70.\">&nbsp;<\/span> . As chegadas tornaram-se mais abundantes a partir de 1728; Pierre-Beno\u00eet Dumas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3428330876592367\" aria-label=\"Pierre-Beno\u00eet Dumas (1696-1746) ocupou o cargo de \u00abpresidente do Conselho superior e diretor-geral da Companhia\u00bb em Bourbon de 1727 a 1735. Nessa altura, Bourbon n\u00e3o tinha oficialmente um governador; o governador-geral das Mascarenhas era representado por um diretor de com\u00e9rcio, vice-comandante e presidente do Conselho superior da ilha.\">&nbsp;<\/span> foi para Pondicheri<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.18289273093323932\" aria-label=\"Localizado na costa de Coromandel (no sudeste da \u00cdndia), Pondicheri era ent\u00e3o o principal entreposto comercial da Companhia Francesa das \u00cdndias Orientais.\">&nbsp;<\/span> em 1729, onde testemunhou o recrutamento de escravos. Interrompido de 1731 a 1734, o com\u00e9rcio foi retomado sob Mah\u00e9 de La Bourdonnais, sendo que centenas de escravos chegaram a Bourbon vindos de Pondicheri. Ap\u00f3s 1767, alguns \u00abtratantes\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.09939173954956915\" aria-label=\"Sob o Antigo Regime, a palavra \u00abtratante\u00bb designava geralmente um comerciante; dizia-se \u00abtraite des bledz\u00bb a prop\u00f3sito do com\u00e9rcio de cereais.\">&nbsp;<\/span> de Bourbon tinham correspondentes em Pondicheri e Chandernagor<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.22925891345828586\" aria-label=\"Localizado em Bengala, Chandernagor era o \u00fanico entreposto de com\u00e9rcio franc\u00eas na \u00cdndia situado no interior. \">&nbsp;<\/span>, enviando navios de escravos de Bourbon para Goa.<\/p>\n<p>Todavia, as guerras entre a Fran\u00e7a e a Gr\u00e3-Bretanha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9323563106169708\" aria-label=\"Os franceses e brit\u00e2nicos lutaram entre si de 1744 a 1748 durante a Guerra da Sucess\u00e3o Austr\u00edaca, de 1756 a 1763 durante a Guerra dos Sete Anos e de 1778 a 1783 durante a Guerra da Independ\u00eancia Americana.\">&nbsp;<\/span> infligiram um golpe quase fatal a este tr\u00e1fico: no final do s\u00e9culo XVIII, era apenas ocasional. No entanto, a sua mem\u00f3ria serviu de refer\u00eancia para a contrata\u00e7\u00e3o<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2977924669768264\" aria-label=\"Uma forma de trabalho assalariado imposto aos trabalhadores imigrantes, oriundos principalmente da \u00cdndia, pelos grandes propriet\u00e1rios das ilhas Mascarenhas e das Antilhas francesas; estes colonos viram-se desprovidos de uma m\u00e3o de obra d\u00f3cil ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura pela Fran\u00e7a em 1848.\">&nbsp;<\/span> de m\u00e3o de obra barata em meados do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<h3>A partir de Madag\u00e1scar<\/h3>\n<figure id=\"attachment_272\" aria-describedby=\"caption-attachment-272\" style=\"width: 596px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-la-traite-malgache-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-272 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-la-traite-malgache-web.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"710\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-la-traite-malgache-web.jpg 596w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-5-la-traite-malgache-web-252x300.jpg 252w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-272\" class=\"wp-caption-text\">O com\u00e9rcio de escravos de Madag\u00e1scar para Bourbon no s\u00e9culo XVIII<\/figcaption><\/figure>\n<h4>As condi\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio de escravos malgaxe<\/h4>\n<p>Madag\u00e1scar foi muito cedo uma fonte de com\u00e9rcio de escravos: j\u00e1 no s\u00e9culo X, e talvez mesmo antes, os Mu\u00e7ulmanos faziam o aprovisionamento de escravos nesse territ\u00f3rio; bem como os Portugueses no s\u00e9culo XVI, e os Holandeses e os Ingleses no s\u00e9culo XVII. Entre 1685 e 1726, os piratas estabelecidos no norte da Ilha Grande forneceram escravos ocasionalmente a Bourbon.<br \/>\nEnsejando por desenvolver Bourbon, a Companhia das \u00cdndias francesa assumiu este tr\u00e1fico em 1717: Madag\u00e1scar, que era supostamente territ\u00f3rio franc\u00eas, era a fonte de escravos mais pr\u00f3xima de Bourbon.<br \/>\nCom as convuls\u00f5es revolucion\u00e1rias, os regulamentos comerciais foram substitu\u00eddos por legisla\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Restringido de 1789 a 1794, proibido de 1794 a 1802, depois novamente autorizado, este com\u00e9rcio foi interrompido pelas interven\u00e7\u00f5es brit\u00e2nicas em Madag\u00e1scar (1810-1811).<\/p>\n<h4>Tr\u00eas lugares de com\u00e9rcio de escravos sucessivos<\/h4>\n<p>Num relat\u00f3rio endere\u00e7ado aos diretores da Companhia em 1681, o ex-comandante R\u00e9gnault<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.29165511139963307\" aria-label=\"\u00abComandante ao servi\u00e7o do Rei e dos nossos Senhores da Companhia das \u00cdndias Orientais\u00bb de 1665 a 1671, \u00c9tienne R\u00e9gnault foi o primeiro a exercer a autoridade oficial em Bourbon.\">&nbsp;<\/span> recomendava o aprovisionamento de escravos malgaxes noutro lugar que n\u00e3o no sul da Grande Ilha.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVIII, o norte da costa oriental de Madag\u00e1scar serviu de verdadeira \u00abreserva de ca\u00e7a\u00bb para as Mascarenhas; dotado de excelentes ancoradouros, oferecia importantes recursos humanos: os Betsimisarakas, os \u00abcafres\u00bb <span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.811050390852528\" aria-label=\"A palavra \u00abcafre\u00bb vem do \u00e1rabe \u00abkafir\u00bb (infiel). Para os \u00e1rabes, a terra dos Kafirs era a \u00c1frica a sul do equador; os europeus limitaram esta \u00e1rea \u00e0s regi\u00f5es costeiras da \u00c1frica oriental, desde a col\u00f3nia do Cabo at\u00e9 \u00e0 bacia do Zambeze. Em Bourbon, a palavra \u00abcafre\u00bb designa todos os Negros de \u00c1frica, apesar de estes descenderem de dezenas de povos diferentes.\">&nbsp;<\/span> que, ap\u00f3s terem atravessado a ilha p\u00e9, foram desembarcar no noroeste da mesma, e por fim os Merinas.<br \/>\nAssim, de 1720 a 1735, a maioria dos escravos malgaxes de Bourbon provinham de Antongil; por\u00e9m, devido \u00e0 profus\u00e3o de escravos trazidos dessa regi\u00e3o, os efetivos escassearam em meados do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Em 1758, Foulpointe tornou-se o centro oficial do com\u00e9rcio de escravos, onde se fundou um posto sumariamente dotado de lojas, uma casa de negros, cubatas e barrac\u00f5es. O decl\u00ednio de Foulpointe ocorreu em 1791, quando o rei Yavi<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.48767470398822743\" aria-label=\"Yavi reinou na regi\u00e3o de Fenerive de 1767 a 1791. Este governante de Betsimisaraka, o principal comerciante de escravos de Madag\u00e1scar, recorria aos seus prisioneiros de guerra para fornecer cativos aos comerciantes de escravos.\">&nbsp;<\/span>. morreu. Em 1797, os brit\u00e2nicos destru\u00edram a pali\u00e7ada do posto de com\u00e9rcio; o tr\u00e1fico de escravos foi ent\u00e3o reduzido a algumas cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>A predomin\u00e2ncia de Tamatave, at\u00e9 ent\u00e3o um local de com\u00e9rcio de escravos secund\u00e1rio, come\u00e7ou entre 1798 e 1801. Embora Tamatave n\u00e3o oferecesse mais do que um perigoso ancoradouro como porto de abrigo, e os terrenos pantanosos causassem por vezes febres, tratava-se do ponto de chegada ao mar dos escravos Merina, vindos das terras altas. Em 1807, o capit\u00e3o geral dos estabelecimentos franceses no Oceano \u00cdndico, Decaen, designou o principal agente comercial cuja autoridade ia \u00abda ba\u00eda de Antongil at\u00e9 Mananzary (Mananjary)\u00bb. Tamatave, contudo, nunca teve a mesma import\u00e2ncia que Foulpointe. Al\u00e9m disso, a partir de 1811, os brit\u00e2nicos for\u00e7aram os franceses a evacuar os seus entrepostos malgaxes.<\/p>\n<h3>A partir da costa oriental de \u00c1frica<\/h3>\n<figure id=\"attachment_274\" aria-describedby=\"caption-attachment-274\" style=\"width: 686px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-la-traite-depuis-la-co-te-orientale-de-l-afrique-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-274 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-la-traite-depuis-la-co-te-orientale-de-l-afrique-web.jpg\" alt=\"\" width=\"686\" height=\"690\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-la-traite-depuis-la-co-te-orientale-de-l-afrique-web.jpg 686w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-la-traite-depuis-la-co-te-orientale-de-l-afrique-web-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-la-traite-depuis-la-co-te-orientale-de-l-afrique-web-298x300.jpg 298w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-la-traite-depuis-la-co-te-orientale-de-l-afrique-web-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-274\" class=\"wp-caption-text\">O com\u00e9rcio de escravos da costa oriental de \u00c1frica para Bourbon no s\u00e9culo XVIII<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Primeiro, a partir de Mo\u00e7ambique<\/h4>\n<figure id=\"attachment_276\" aria-describedby=\"caption-attachment-276\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-me-2009-01-230-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-276 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-me-2009-01-230-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1082\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-me-2009-01-230-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-me-2009-01-230-web-222x300.jpg 222w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-me-2009-01-230-web-768x1039.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-7-me-2009-01-230-web-757x1024.jpg 757w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-276\" class=\"wp-caption-text\">Mapa da ba\u00eda de Mo\u00e7ambique. Jacques-Nicolas Bellin. Por volta de 1750.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Assim que Colbert criou a Companhia francesa para o com\u00e9rcio das \u00cdndias orientais (1664), os seus diretores come\u00e7aram a interessar-se pela costa oriental de \u00c1frica. Todavia, devido \u00e0 falta de recursos, nenhuma expedi\u00e7\u00e3o foi empreendida para esta regi\u00e3o ainda pouco conhecida. De tempos a tempos, os marinheiros portugueses vendiam alguns escravos da \u00c1frica Oriental aos colonos de Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7182732588638514\" aria-label=\"Apesar das amea\u00e7as da Companhia: \u00abFoi ordenado a todos os habitantes do distrito de Saint-Paul que compraram negros aos Portugueses e que ainda n\u00e3o fizeram a sua declara\u00e7\u00e3o, que no-los declarassem, sob pena de multa de 50 libras ou de confisca\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio da Companhia.\u00bb \">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nEm 1721, o vice-rei da \u00cdndia portuguesa<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9838096797977216\" aria-label=\"Lu\u00eds Carlos In\u00e1cio Xavier de Meneses, conde da Ericeira, foi vice-rei da \u00cdndia portuguesa de 1717 a 1721, e depois, ap\u00f3s uma longa desgra\u00e7a devido ao caso de 1721, de 1740 a 1742.\">&nbsp;<\/span> foi obrigado a arribar em Saint-Denis, v\u00edtima de piratas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2927381958787163\" aria-label=\"Tendo deixado Goa a 25 de janeiro de 1721, o seu navio almirante, a \u00abNossa Senhora do Cabo\u00bb, foi atingido por uma violenta tempestade em mar\u00e7o, que o obrigou a arribar em Saint-Denis a 6 de abril para reparar avarias muito graves. A 20 de abril, este navio ancorado foi atacado por dois navios piratas comandados por John Taylor e Olivier Levasseur (conhecido como La Buse) que dele se apossaram e saquearam a sua carga de uma riqueza incr\u00edvel; riqueza essa que, at\u00e9 hoje, alimenta as fantasias em torno do \u00abtesouro de La Buse\u00bb na Ilha da Reuni\u00e3o.\">&nbsp;<\/span>, sendo repatriado para Portugal por um navio da Companhia das \u00cdndias. Em agradecimento, prometeu escrever \u00e0s autoridades de Mo\u00e7ambique, a fim de facilitar o com\u00e9rcio de escravos para Bourbon. No entanto, a primeira troca revelou-se uma dece\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pesada perda de vidas durante a viagem.<\/p>\n<p>Mah\u00e9 de La Bourdonnais foi respons\u00e1vel pelo com\u00e9rcio de escravos sistem\u00e1tico realizado entre Mo\u00e7ambique e Bourbon: todos os anos, duas expedi\u00e7\u00f5es forneciam v\u00e1rias centenas de escravos. Proibido de 1746 a 1750, este tr\u00e1fico foi retomado no final da era da Companhia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6258339956455159\" aria-label=\"A 14 de julho de 1767, a Companhia retrocedeu a Ilha de Bourbon ao Rei. A \u00ab\u00e9poca da Companhia\u00bb foi sucedida pelo \u00abper\u00edodo real.\u00bb\">&nbsp;<\/span>, aproveitando cumplicidades no seio da administra\u00e7\u00e3o portuguesa, a quem, todavia, incumbia reservar o envio dos Negros de Mo\u00e7ambique para o Brasil. As fontes do com\u00e9rcio de escravos deslocaram-se ent\u00e3o para norte: Sofala e Mo\u00e7ambique foram abandonados a favor das ilhas Quirimbas, \u00e0 medida que os entrepostos mu\u00e7ulmanos come\u00e7avam a ser frequentados.<\/p>\n<h4>\u00c1frica Oriental, a principal fonte de escravos para Bourbon<\/h4>\n<figure id=\"attachment_278\" aria-describedby=\"caption-attachment-278\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-8-me-2012-12-2-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-278 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-8-me-2012-12-2-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"605\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-8-me-2012-12-2-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-8-me-2012-12-2-web-300x227.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-8-me-2012-12-2-web-768x581.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-278\" class=\"wp-caption-text\">Caravana de escravos. Em \u00abAventures de six fran\u00e7ais aux colonies\u00bb. Gaston Bonnefont. 1890.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A costa oriental de \u00c1frica superou quantitativamente Madag\u00e1scar desde os \u00faltimos anos da Companhia, e no in\u00edcio do per\u00edodo real, o n\u00famero de \u00abcafres\u00bb desembarcados nas Mascarenhas j\u00e1 era cinco vezes superior ao dos malgaxes.<\/p>\n<p>Nas possess\u00f5es portuguesas, o tr\u00e1fico era alimentado pelos Yao que vendiam no litoral aqueles que tinham capturado na regi\u00e3o interior do lago Niassa<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3779351647164133\" aria-label=\"Agora chamado lago Malawi.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>De Cabo Delgado ao Golfo de Aden, a costa africana estava teoricamente sob a suserania do sult\u00e3o de Mascate; de facto, os poderes locais eram praticamente independentes<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4977440520627183\" aria-label=\"Quase 5 000 quil\u00f3metros separavam esta costa de Mascate.\">&nbsp;<\/span>, o que tornava este com\u00e9rcio incerto. O tr\u00e1fico desse territ\u00f3rio para Bourbon come\u00e7ou em 1754, tornou-se regular ap\u00f3s o fim do monop\u00f3lio da Companhia, e atingiu o seu auge por volta de 1785-1790, per\u00edodo durante o qual os escravos eram mais baratos do que em Mo\u00e7ambique. Dif\u00edcil de localizar (em muitos casos, dizia-se que os navios vinham da \u00abcosta de \u00c1frica\u00bb sem qualquer outra precis\u00e3o), este com\u00e9rcio era realizado nos v\u00e1rios entrepostos comerciais mu\u00e7ulmanos que ponteavam as costas das atuais Tanz\u00e2nia, Qu\u00e9nia e Som\u00e1lia, desde Lindi no sul at\u00e9 Mogad\u00edscio no norte, com Quiloa como centro principal entre 1770 e 1794, e depois Zanzibar a partir de 1802.<\/p>\n<figure id=\"attachment_280\" aria-describedby=\"caption-attachment-280\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-9-me-2009-01-386-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-280 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-9-me-2009-01-386-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"639\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-9-me-2009-01-386-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-9-me-2009-01-386-web-300x240.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-9-me-2009-01-386-web-768x613.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-280\" class=\"wp-caption-text\">O mercado de escravos em Zanzibar. Emile Bayard.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<h3>O com\u00e9rcio de escravos clandestino do s\u00e9culo XIX<\/h3>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, Bourbon voltou-se para a economia do a\u00e7\u00facar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.341303918550224\" aria-label=\"Os ciclones e \u00abavalasses\u00bb (grandes ciclones tropicais) de 1806 e 1807 devastaram os cafeeiros e as especiarias da Ilha Bonaparte (o nome dado \u00e0 Ilha da Reuni\u00e3o de 1806 a 1810); em 1815, a ilha Bourbon, que j\u00e1 n\u00e3o tinha de abastecer as Maur\u00edcias, que se tinham tornado brit\u00e2nicas, abandonou as culturas aliment\u00edcias. O pacto colonial garantia o escoamento do a\u00e7\u00facar no mercado metropolitano cuja procura, na d\u00e9cada de 1920, estava em plena expans\u00e3o. Tudo isto explica porque \u00e9 que, a partir de 1815, a economia de Bourbon entrou num novo ciclo, com alguns colonos ricos a embarcarem na aventura do a\u00e7\u00facar.\">&nbsp;<\/span>, uma cultura e ind\u00fastria devoradoras de escravos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7058693623136862\" aria-label=\"Em \u00abDe l'esprit des lois\u00bb (Livro XV, Cap\u00edtulo V), Montesquieu, decalcando satiricamente as raz\u00f5es geralmente invocadas para justificar a escravatura, escreveu em 1748: \u00abO a\u00e7\u00facar seria demasiado caro, se a planta que o produz n\u00e3o fosse trabalhada por escravos.\u00bb\">&nbsp;<\/span>, no preciso momento em que o com\u00e9rcio de escravos era proibido e a escravatura amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>A 8 de janeiro de 1817, Lu\u00eds XVIII decretou a proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de escravos; Bourbon j\u00e1 n\u00e3o podia opor-se abertamente \u00e0 sua metr\u00f3pole<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.14534534677262267\" aria-label=\"Como tinha feito entre 1794 e 1802 quando os colonos da Ilha da Reuni\u00e3o se recusaram a aplicar o decreto de 16 pluvioso ano II (4 de fevereiro de 1794) abolindo a escravatura.\">&nbsp;<\/span>, j\u00e1 que este decreto foi registado a 27 de julho de 1817. Por\u00e9m, confrontado com o medo obsessivo da falta de m\u00e3o de obra, Bourbon passou \u00e0 clandestinidade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6052336001219916\" aria-label=\" Alguns autores, como por exemplo Serge Daget, rejeitam a express\u00e3o \u00abcom\u00e9rcio clandestino\u00bb sob o pretexto de que isso mancharia a nobreza da clandestinidade da resist\u00eancia contra o nazismo. \">&nbsp;<\/span> sendo que cerca de 50 000 novos escravos foram trazidos ilegalmente para a ilha, a grande maioria deles entre 1817 e 1831<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.17319712245840502\" aria-label=\"Na sua tese defendida em 2005, Hubert Gerbeau apresenta a hip\u00f3tese de 38 500 escravos trazidos para Bourbon entre 1817 e 1830. Nenhuma fonte de abastecimento foi negligenciada: em 1827, o navio \u00abChevrette\u00bb transportou para Bourbon cerca de 300 escravos oriundos da Nova Guin\u00e9.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<h4>O in\u00edcio da luta contra o tr\u00e1fico de escravos (1817-1825)<\/h4>\n<p>A partir de 1817, foram levados a tribunal casos de tr\u00e1fico de escravos. Embora o Governador Milius<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.11330193824795809\" aria-label=\"O Capit\u00e3o do navio Pierre-Bernard Milius assumiu as fun\u00e7\u00f5es de governador bem como de administrador de Bourbon. Foi \u00abcomandante e administrador do rei\u00bb de 11 de setembro de 1818 a 14 de fevereiro de 1821.\">&nbsp;<\/span> tenha feito de Bourbon a col\u00f3nia francesa onde as deten\u00e7\u00f5es por tr\u00e1fico de escravos eram as mais consider\u00e1veis, e implementado, com as autoridades das Maur\u00edcias, uma coordena\u00e7\u00e3o de luta contra os traficantes de escravos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.608763165817287\" aria-label=\"Isto custou-lhe a sua posi\u00e7\u00e3o: sendo um inc\u00f3modo para muitas pessoas, Milius teve de deixar Bourbon para ir para a Guiana.\">&nbsp;<\/span>, os magistrados de Bourbon raramente os condenavam<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9499550495686204\" aria-label=\"Em 1820, o capit\u00e3o Bertrand, que comandou o navio negreiro \u00abSucc\u00e8s\u00bb, escreveu ao seu armador em Nantes: \u00abTodos os ju\u00edzes s\u00e3o tamb\u00e9m colonos, tendo eles pr\u00f3prios comprado negros do nosso carregamento; por isso estamos bastante tranquilos e o senhor tamb\u00e9m pode estar.\u00bb N\u00e3o s\u00f3 os esclavagistas foram frequentemente absolvidos, como at\u00e9 auferiam indeminiza\u00e7\u00f5es e juros de tempos a tempos!\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>O estabelecimento de uma infra\u00e7\u00e3o de tr\u00e1fico de escravos n\u00e3o era f\u00e1cil. Era necess\u00e1rio identificar os navios, sendo que quando eram utilizados no tr\u00e1fico de escravos, eram muitas vezes an\u00f3nimos. A inspe\u00e7\u00e3o de um navio antes do carregamento de cativos ou depois de os descarregar era de pouca utilidade e surpreender um esclavagista no mar podia fazer com que o capit\u00e3o atirasse a sua carga humana borda fora. Deter um traficante de escravos s\u00f3 era poss\u00edvel no momento exato da entrega<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3953671370745453\" aria-label=\"Um ac\u00f3rd\u00e3o de 19 de novembro de 1817, ordenou a restitui\u00e7\u00e3o ao seu propriet\u00e1rio, Sr. Julien Gaultier de Rontaunay, de vinte e tr\u00eas Negros detidos \u00e0 entrada de Saint-Denis, \u00abdado que os Negros apreendidos n\u00e3o foram avistados no momento do seu presum\u00edvel desembarque, e que s\u00f3 poderiam ter sido presos no momento da sua introdu\u00e7\u00e3o, e caso os funcion\u00e1rios aduaneiros n\u00e3o os tivessem perdido de vista desde o momento da sua introdu\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 apreens\u00e3o.\u00bb\">&nbsp;<\/span> ; contudo os traficantes operavam de prefer\u00eancia \u00e0 noite, em locais pouco vigiados por serem perigosos<\/p>\n<figure id=\"attachment_284\" aria-describedby=\"caption-attachment-284\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-11-me-2009-01-85-b-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-284 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-11-me-2009-01-85-b-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"642\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-11-me-2009-01-85-b-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-11-me-2009-01-85-b-web-300x241.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-11-me-2009-01-85-b-web-768x616.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-284\" class=\"wp-caption-text\">Comerciantes de escravos \u00e1rabes a lan\u00e7arem escravos borda fora para evitarem a deten\u00e7\u00e3o. S\u00e9culo XIX.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A busca de novos escravos na ilha provocou a indigna\u00e7\u00e3o dos colonos: segundo eles, tratava-se de perseguir os habitantes, de entravar o trabalho, de instigar sobremaneira um esp\u00edrito de revolta entre os escravos.<\/p>\n<h4>O tempo da hesita\u00e7\u00e3o (1826-1831)<\/h4>\n<p>Michel Eus\u00e8be Mathias Betting de Lancastel, diretor-geral do Minist\u00e9rio do interior desde outubro de 1826, tentou impedir o tr\u00e1fico. Por outro lado, o governador de Cheffontaines<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7542209393746087\" aria-label=\"Achille Guy Marie, conde de Cheffontaines (1766-1835), governou Bourbon de 20 de outubro de 1826 a 4 de julho de 1830.\">&nbsp;<\/span> foi muito menos atento a esta mat\u00e9ria.<br \/>\nA opini\u00e3o p\u00fablica era esmagadoramente a favor do tr\u00e1fico. A popula\u00e7\u00e3o branca viu nisso uma forma de realizar uma esp\u00e9cie de \u00abfa\u00e7anha\u00bb, desafiando o aparelho do Estado, realizando opera\u00e7\u00f5es financeiras altamente lucrativas e assegurando o funcionamento econ\u00f3mico da ilha.<\/p>\n<p>As desvantagens do tr\u00e1fico eram, no entanto, cada vez mais evidentes. Eram de foro pol\u00edtico: a autoridade da administra\u00e7\u00e3o estava comprometida em Bourbon; o fosso entre a metr\u00f3pole e a sua col\u00f3nia estava a aumentar; a press\u00e3o diplom\u00e1tica do Reino Unido sobre a Fran\u00e7a tamb\u00e9m<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9192788853284346\" aria-label=\"Em 1807, o Reino Unido aboliu o tr\u00e1fico de escravos em toda a \u00c1frica. Depois, tornou-se um defensor da luta contra o tr\u00e1fico de escravos, tanto para satisfazer a filantropia da opini\u00e3o brit\u00e2nica como para n\u00e3o deixar a outros um com\u00e9rcio ao qual acabara de renunciar, embora esse com\u00e9rcio se tivesse tornado menos lucrativo do que no passado. A partir de 1811, os navios brit\u00e2nicos navegavam ao longo da costa africana para impedir o tr\u00e1fico de escravos.\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">. Eram de foro sanit\u00e1rio: a aus\u00eancia de quarentena \u00e0 chegada era prejudicial para os novos escravos, e mesmo para toda a popula\u00e7\u00e3o da ilha<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.97084743335323\" aria-label=\"Os navios de escravos clandestinos causaram epidemias de c\u00f3lera (1820) e var\u00edola (1827).\">&nbsp;<\/span><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">. Eram de foro moral: o tr\u00e1fico tinha-se tornado ainda mais atroz ao tornar-se clandestino. A bordo de navios mais pequenos, a sobrelota\u00e7\u00e3o era indescrit\u00edvel<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.980411757309209\" aria-label=\"Um terr\u00edvel recorde foi estabelecido em 1819 na \u00abJos\u00e9phine\u00bb, uma escuna de vinte e tr\u00eas toneladas vinda de Madag\u00e1scar com cento e dezassete prisioneiros!\">&nbsp;<\/span><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">\u00a0enquanto todas as conveni\u00eancias suscet\u00edveis de trair a natureza humana da carga tinham desaparecido ;<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_286\" aria-describedby=\"caption-attachment-286\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-12-2003-6-22-boutre-ou-barque-de-ne-grier-coupe-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-286 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-12-2003-6-22-boutre-ou-barque-de-ne-grier-coupe-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"719\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-12-2003-6-22-boutre-ou-barque-de-ne-grier-coupe-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-12-2003-6-22-boutre-ou-barque-de-ne-grier-coupe-web-300x270.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-12-2003-6-22-boutre-ou-barque-de-ne-grier-coupe-web-768x690.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-286\" class=\"wp-caption-text\">Barco de escravos, corte te\u00f3rico, para mostrar o amontoamento de escravos infelizes agachados e escondidos entre os soalhos. Em \u00abLa traite des n\u00e8gres et la croisade africaine comprenant la Lettre Encyclique de L\u00e9on XIII sur l&#8217;esclavage, le discours du Cardinal Lavigerie \u00e0 Paris,&#8230;.\u00bb Alexis-Marie Gochet. 1889.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>a taxa de mortalidade dos cativos aumentou tanto no mar como \u00e0 chegada, devido a afogamentos provocados por transbordos noturnos apressados. Tudo isto alimentou as campanhas dos abolicionistas em Fran\u00e7a metropolitana.<\/p>\n<h4>A extin\u00e7\u00e3o de um com\u00e9rcio agora seriamente reprimido (1831- ?)<\/h4>\n<p>Com a Monarquia de julho, o com\u00e9rcio j\u00e1 n\u00e3o era considerado um crime, mas sim um delito. A lei de 4 de mar\u00e7o de 1831, promulgada em Bourbon a 26 de julho, previa, para al\u00e9m da apreens\u00e3o do navio e da sua carga, pesadas penas de pris\u00e3o ou trabalhos for\u00e7ados para oficiais, tripula\u00e7\u00f5es, armadores e seguradores de navios escravos, bem como a pris\u00e3o de vendedores, recetores e compradores de novos escravos<\/p>\n<p>Em Bourbon, a \u00faltima condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico (a trig\u00e9sima desde 1818) teve lugar em 1832.<br \/>\nTodavia, isto tamb\u00e9m pode significar que o com\u00e9rcio era apenas mais bem ocultado<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5628603806725903\" aria-label=\"Em 1845, Ange Ren\u00e9 Armand de Mackau, ministro da Marinha, informou o governador de Bourbon de que tinha conhecimento de \u00abtentativas graves de tr\u00e1fico de escravos em Bourbon\u00bb. Enquanto os colonos estavam empenhados numa \u00abprocura fren\u00e9tica de m\u00e3o de obra agr\u00edcola\u00bb (Hubert Gerbeau) e em Bourbon os pr\u00f3prios liberais eram escravos, \u00e9 dif\u00edcil partilhar a certeza do governador Charles L\u00e9on Joseph Bazoche (governador de Bourbon de 15 de outubro de 1841 a 4 de junho de 1846), que respondeu negando a situa\u00e7\u00e3o e afirmando que \u00aba popula\u00e7\u00e3o repeliria unanimemente as introdu\u00e7\u00f5es desta natureza.\u00bb<br \/>\nEste argumento foi novamente encontrado a 15 de mar\u00e7o de 1848 num artigo no \u00abFeuille Hebdomadaire de l'Ile Bourbon\u00bb: \u00abTodos sabem que desde 1830 o tr\u00e1fico de escravos cessou completamente nos territ\u00f3rios franceses. Mesmo que quis\u00e9ssemos importar escravos africanos, n\u00e3o encontrar\u00edamos um \u00fanico senhor para os comprar.\u00bb\">&nbsp;<\/span>. A diminui\u00e7\u00e3o demasiado lenta do n\u00famero de escravos ap\u00f3s 1831 indica que um tr\u00e1fico residual j\u00e1 durava h\u00e1 anos. Segundo Hubert Gerbeau, cerca de 4500 escravos foram desembarcados clandestinamente em Bourbon entre 1832 e 1835; Hai Quang Ho estima que no per\u00edodo 1836-1847 houve cerca de 5000 introdu\u00e7\u00f5es ilegais, e foram relatadas formas de tr\u00e1fico na Reuni\u00e3o depois de 1848.<\/p>\n<p>Bourbon n\u00e3o carecia de fornecedores para o com\u00e9rcio de escravos clandestino do s\u00e9culo XIX. Segundo Serge Daget, entre 1815 e 1832, 43% dos novos escravos de Bourbon cuja origem p\u00f4de ser estabelecida provinham da costa oriental de \u00c1frica (25% de Zanzibar), 36% de Madag\u00e1scar (principalmente Tamatave), 15% da costa ocidental de \u00c1frica (mais precisamente de Bonny, na regi\u00e3o do Delta do N\u00edger) e 6% da regi\u00e3o do Cabo.<\/p>\n<p>Desde o s\u00e9culo VII, o tr\u00e1fico de escravos (da \u00c1frica ocidental, oriental e interior) transformou mais de 40 milh\u00f5es de seres humanos em mercadoria, sendo que ainda s\u00e3o praticadas formas residuais de tr\u00e1fico no mundo mu\u00e7ulmano.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de Bourbon representa, portanto, apenas uma \u00ednfima parte em termos quantitativos. Por outro lado, este mesmo tr\u00e1fico foi um dos principais motores do crescimento demogr\u00e1fico da ilha. E a grande diversidade das origens geogr\u00e1ficas dos escravos de Bourbon, heran\u00e7a de um passado doloroso, \u00e9 obviamente um dos fatores da importante riqueza \u00e9tnica da atual popula\u00e7\u00e3o da Reuni\u00e3o<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.256684547208583\" aria-label=\"Segundo Daniel Vaxelaire, \u00abpelo menos 200 000 pessoas foram provavelmente deportadas do seu pa\u00eds natal para a Reuni\u00e3o.\u00bb\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5772,"parent":5032,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-5771","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5032"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}