{"id":5989,"date":"2021-09-03T10:36:39","date_gmt":"2021-09-03T08:36:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=5989"},"modified":"2021-11-26T11:29:47","modified_gmt":"2021-11-26T10:29:47","slug":"os-estatutos-do-escravo-no-coracao-da-justica-repressiva","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/o-code-noir\/os-estatutos-do-escravo-no-coracao-da-justica-repressiva\/","title":{"rendered":"Os estatutos do escravo no cora\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a repressiva"},"content":{"rendered":"<h2>O estatuto jur\u00eddico do escravo suscita sempre debate e controv\u00e9rsias no seio da comunidade cient\u00edfica.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-5989-1\" width=\"525\" height=\"295\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MAILLARD-Statuts-de-lesclave_PORT_SUB.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MAILLARD-Statuts-de-lesclave_PORT_SUB.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MAILLARD-Statuts-de-lesclave_PORT_SUB.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Nos termos dos artigos 39.\u00ba e 43.\u00ba do \u00e9dito \u00abrelativo aos escravos negros\u00bb adotado em dezembro de 1723, vulgarmente conhecido como <em>Code Noir<\/em>, o escravo \u00e9 \u00abreputado m\u00f3vel\u00bb ou \u00abim\u00f3vel\u00bb \u2014 consoante o caso \u2014 na ilha de Bourbon. Banalizados ao longo dos anos pelos atos jur\u00eddicos do quotidiano (sucess\u00e3o, doa\u00e7\u00e3o, loca\u00e7\u00e3o, etc.) e sacralizados no 1.\u00ba de brum\u00e1rio, de 14-23 de outubro de 1805, por decreto suplementar no C\u00f3digo Civil, essas prescri\u00e7\u00f5es s\u00e3o rigorosamente mantidas na col\u00f3nia francesa do Oceano \u00cdndico at\u00e9 20 de dezembro de 1848.<\/p>\n<p>Ao recusar-lhe a personalidade jur\u00eddica, o Direito de Bourbon, conjugando legisla\u00e7\u00e3o metropolitana e regulamenta\u00e7\u00e3o local, contudo, reconhece ao escravo uma certa medida de humanidade. Entre outras coisas, autoriza-o a casar-se, possuir um pec\u00falio e a \u00abser educado na religi\u00e3o cat\u00f3lica, apost\u00f3lica e romana\u00bb. De mais a mais, os diversos procedimentos de alforria, incluindo pelo compra legalizada atrav\u00e9s da lei de 18 de julho de 1845, cedem-lhe, em teoria, os \u00abmesmos direitos, privil\u00e9gios e imunidades de que gozam as pessoas nascidas livres\u00bb.<\/p>\n<p>Confirmado muito precocemente tamb\u00e9m como \u00abator potencial\u00bb no quadro da justi\u00e7a repressiva, o escravo v\u00ea as suas figuras de acusado ou queixoso esbo\u00e7arem-se na ilha de Bourbon, entre 1723 e 1848, tanto no Direito como na pr\u00e1tica.<\/p>\n<h3>Escravos acusados<\/h3>\n<p>\u00c9, evidentemente, desde logo, na qualidade de acusado, que o escravo recebe um estatuto no quadro da justi\u00e7a repressiva. Fazendo refer\u00eancia \u00e0 filosofia ou aos direitos das sociedades antigas, tanto os agentes p\u00fablicos metropolitanos como os colonos da ilha de Bourbon lhe reconhecem a capacidade de discernir o bem do mal, pelo menos, o que lhe \u00e9 proibido pela \u00abInstitui\u00e7\u00e3o particular\u00bb \u2014 o que ela lhe autoriza a dizer ou a fazer. Assim, o escravo disp\u00f5e de uma certa medida de livre-arb\u00edtrio na escolha das suas palavras e dos seus gestos. Essa responsabilidade penal do escravo, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 sua qualidade \u00abde objeto de propriedade\u00bb, mas mais intr\u00ednseca. Esperava-se do legislador que o identificasse parcial e pontualmente com um \u00absujeito de direito\u00bb para o tornar imput\u00e1vel pelas suas \u00abinelut\u00e1veis\u00bb oposi\u00e7\u00f5es ao estatuto in\u00edquo ao qual \u00e9 submetido.<\/p>\n<p>Plenamente convencidos do seu \u00abdireito de possess\u00e3o\u00bb, \u00e9 evidente que os senhores sempre se consideraram os \u00fanicos magistrados com legitimidade para exercer a justi\u00e7a repressiva sobre os seus escravos. Essa atribui\u00e7\u00e3o coerciva da soberania dom\u00e9stica imp\u00f5e-se ainda mais facilmente nos primeiros tempos da coloniza\u00e7\u00e3o quando a maioria dos \u00abnegros\u00bb estava isolada em propriedades afastadas do local ou da sede principal do \u00fanico tribunal p\u00fablico da ilha de Bourbon. \u00c9 claro que o poder p\u00fablico nunca se resignou a abandonar completamente as suas prerrogativas judiciais nas col\u00f3nias. Os artigos 26.\u00ba a 32.\u00ba do \u00e9dito de dezembro de 1723 delegam no conselho superior \u2014 a jurisdi\u00e7\u00e3o suprema do direito comum \u2014 a compet\u00eancia exclusiva para estatuir sobre os \u00abcrimes enormes ou graves\u00bb, de acordo com os termos da jurisprud\u00eancia penal do Antigo Regime, cometidos pelos escravos (homic\u00eddios, furtos qualificados, rebeli\u00f5es, etc.). Contestada at\u00e9 1848 por determinados senhores, esta reapropria\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a repressiva pelo poder p\u00fablico ser\u00e1, ali\u00e1s, reafirmada v\u00e1rias vezes por emendas ou pela ado\u00e7\u00e3o de novos textos normativos nessa mat\u00e9ria, como por exemplo, o despacho local de 27 de setembro de 1825.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1797\" aria-describedby=\"caption-attachment-1797\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1797\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1797 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation-300x185.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-2-l-habitation-768x473.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1797\" class=\"wp-caption-text\">A propriedade. Tony de B. del.; F\u00e9lix [sc.]. 1844. Gravura. Em <em>Les Marrons<\/em>, L.-T. Houat, Paris, Ebrard, 1844.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Identificado como um \u00abinimigo no interior\u00bb ou um \u00abindiv\u00edduo perigoso\u00bb, o escravo, contudo, n\u00e3o est\u00e1 sujeito ao mesmo direito penal que uma pessoa de condi\u00e7\u00e3o livre. Enquanto o roubo, em todas as suas variantes, \u00e9 alvo de 22 artigos no C\u00f3digo Penal de 30 de dezembro de 1827, s\u00f3 se contam 4 artigos relativos a subtra\u00e7\u00f5es fraudulentas no direito repressivo dos escravos compilando, no entanto, 11 textos normativos. \u00abA margem concedida aos ju\u00edzes pelas <em>Lettres Patentes<\/em> de 1723\u00bb para \u00abqualificar as infra\u00e7\u00f5es\u00bb \u00e9, ali\u00e1s, explicitamente recordada no artigo 3.\u00ba do despacho local de 27 de setembro de 1825. Al\u00e9m disso, algumas infra\u00e7\u00f5es, \u00e0 semelhan\u00e7a dos atos cometidos sobre uma pessoa de condi\u00e7\u00e3o livre, sobretudo, quando exercidos contra o senhor, s\u00e3o-lhes especificamente reservados. Nesse aspeto, a fuga por mais de um m\u00eas constitui, de longe, a infra\u00e7\u00e3o mais vulgar cometida pelos escravos \u2014 70 % das infra\u00e7\u00f5es julgadas sob a Monarquia de Julho \u2014 e a mais reprimida pelas jurisdi\u00e7\u00f5es de Bourbon.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1799\" aria-describedby=\"caption-attachment-1799\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-la-capture.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1799\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1799 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-la-capture.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-la-capture.jpg 391w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-la-capture-180x300.jpg 180w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1799\" class=\"wp-caption-text\">A captura. Tony de B. del.; F\u00e9lix [sc.]. 1844. Gravura. Em <em>Les Marrons<\/em>, L.-T. Houat, Paris, Ebrard, 1844.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_1823\" aria-describedby=\"caption-attachment-1823\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/22_W_446.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1823 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/22_W_446.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"935\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/22_W_446.jpg 1200w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/22_W_446-300x234.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/22_W_446-768x598.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/22_W_446-1024x798.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1823\" class=\"wp-caption-text\">Documentos relacionados com o marronnage (fuga de escravos) e a captura de escravos fugitivos.<br \/>11 de outubro de 1837. Manuscrito.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>As san\u00e7\u00f5es adotadas para os escravos caracterizam-se pelo mesmo cuidado de distin\u00e7\u00e3o e singulariza\u00e7\u00e3o. Baseando-se, desde logo, em penas corporais (mutila\u00e7\u00f5es, chicote, pelourinhos, etc.) ou capitais (fogueira, enforcamento, roda, etc.), seriam, pouco a pouco, substitu\u00eddas \u2014 sem, apesar de tudo, desaparecerem do arsenal repressivo de Bourbon \u2014 por penas de aprisionamento chamadas de \u00abcorrentes\u00bb ou \u00abferros\u00bb. Sem gozar, por princ\u00edpio, da liberdade de ir e vir, o escravo condenado a uma pena de aprisionamento, v\u00ea-se sujeito a executar um trabalho for\u00e7ado \u00abde utilidade p\u00fablica\u00bb e a usar uma coleira de ferro ligada a uma corrente que o une a outro escravo. Contrariamente \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o penal das pessoas de condi\u00e7\u00e3o livre, a dura\u00e7\u00e3o de deten\u00e7\u00e3o para cada infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 rigorosamente circunscrita por <em>minima<\/em> e\/ou <em>maxima<\/em> para os escravos. O nomeado Elie, \u00abcafre e negro de enxada\u00bb, de 45 anos, escravo do sieur Pajot, \u00e9 condenado a 27 de fevereiro de 1834 a 1 m\u00eas de cadeia pelo roubo de uma galinha. Uns dias depois, o nomeado Victor, \u00abmalgaxe\u00bb, dom\u00e9stico de 25 anos, escravo do <em>sieur<\/em> Lartigue, \u00e9 sancionado com 3 meses de cadeia pelo roubo de um pato! Tal como a qualifica\u00e7\u00e3o dos fatos, a dura\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o varia de acordo com as circunst\u00e2ncias atenuantes ou agravantes reconhecidas \u00e0 escravatura pelos magistrados e, tamb\u00e9m, com os seus \u00abpreconceitos\u00bb a respeito da massa servil.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1801\" aria-describedby=\"caption-attachment-1801\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/98FI19-noirs-de-chaine.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1801\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1801 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/98FI19-noirs-de-chaine.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"655\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/98FI19-noirs-de-chaine.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/98FI19-noirs-de-chaine-300x246.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/98FI19-noirs-de-chaine-768x629.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1801\" class=\"wp-caption-text\">Negros de correntes. Pormenor de \u00abCrioulo; uma correia; Pe\u00e3o do Governador; varredores indianos; negros de correntes\u00bb. Jean-Baptiste Louis Dumas. [1827-1830]. Desenho, l\u00e1pis, aguarela, a cores.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Suspeito de cometer uma infra\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do poder p\u00fablico, o escravo \u00e9, salvo no que se refere \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o do tribunal especial de Saint-Denis entre 1803 e 1816, absolvido de acordo com o artigo 25.\u00ba do \u00e9dito de dezembro de 1723 diante dos mesmos tribunais de direito comum e nos mesmos tr\u00e2mites que uma pessoa de condi\u00e7\u00e3o livre. O despacho criminal de agosto de 1670 e, depois, o C\u00f3digo de Instru\u00e7\u00e3o Criminal de 19 de dezembro de 1827, aplicados, respetiva e sucessivamente na ilha de Bourbon em 1711 e em 1828, preconizam que o acusado seja imperativamente ouvido na instru\u00e7\u00e3o por um magistrado. Ali\u00e1s, deve ser novamente interrogado na audi\u00eancia do julgamento, beneficiando, al\u00e9m disso, da assist\u00eancia de um advogado. Poder\u00e1 mesmo, em certos casos, recorrer do veredicto junto de uma inst\u00e2ncia superior.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1803\" aria-describedby=\"caption-attachment-1803\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/99FI76-palais-de-jusrice-de-saint-denis-.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1803\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1803 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/99FI76-palais-de-jusrice-de-saint-denis-.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/99FI76-palais-de-jusrice-de-saint-denis-.jpg 650w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/99FI76-palais-de-jusrice-de-saint-denis--300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1803\" class=\"wp-caption-text\">Lembran\u00e7a da ilha da Reuni\u00e3o n\u00b0 73. Pal\u00e1cio de Justi\u00e7a de Saint-Denis. Louis Antoine Roussin. 1848. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre 1723 e 1848 os oficiais do juiz conduzem os interrogat\u00f3rios e, depois, os ju\u00edzes de instru\u00e7\u00e3o evidenciam a vontade dos escravos. Os acusados utilizam diversas t\u00e1ticas, oscilando entre a submiss\u00e3o comedida e a contesta\u00e7\u00e3o resoluta, passando por todos os tipos de transa\u00e7\u00f5es audazes para tentar convenc\u00ea-los da sua vers\u00e3o dos factos. Al\u00e9m disso, rebatem uma improced\u00eancia judicial aquando da instru\u00e7\u00e3o ou uma absolvi\u00e7\u00e3o aquando do julgamento, no m\u00ednimo, uma requalifica\u00e7\u00e3o dos factos ou o reconhecimento de circunst\u00e2ncias atenuantes a fim de beneficiar de uma san\u00e7\u00e3o mais clemente. Os magistrados e assessores tamb\u00e9m n\u00e3o podem instruir casos que se revelem mais complexos do que inicialmente pareciam ser \u2014 pejados de inqu\u00e9ritos preliminares ou de flagr\u00e2ncias mal amanhadas \u2014 sem conferirem as declara\u00e7\u00f5es dos escravos.<\/p>\n<h3>O escravo queixoso<\/h3>\n<p>O reconhecimento do estatuto de \u00abqueixoso\u00bb \u2014 para retomar o termo do despacho criminal de 1670, como o do c\u00f3digo de instru\u00e7\u00e3o criminal de 1827 \u2014 foi mais dif\u00edcil de obter. V\u00edtima de uma infra\u00e7\u00e3o ou, at\u00e9, de um crime, o escravo n\u00e3o pode, juridicamente, apresentar queixa contra o autor, seja ele conhecido ou presum\u00edvel, perante uma qualquer autoridade judici\u00e1ria e constituir-se parte civil por sua pr\u00f3pria iniciativa. Na leitura do artigo 24.\u00ba do \u00e9dito de dezembro de 1723, incumbe ao senhor \u00abproceder em mat\u00e9ria criminal \u00e0 repara\u00e7\u00e3o dos ultrajes e excessos que ter\u00e3o sido cometidos contra os seus escravos\u00bb. Mais reparadora do que retribuidora, esta justi\u00e7a repressiva visa menos reconhecer o preju\u00edzo moral e\/ou f\u00edsico sofrido pela v\u00edtima, mas sobretudo indemnizar o propriet\u00e1rio pela destrui\u00e7\u00e3o ou degrada\u00e7\u00e3o do seu \u00abbem\u00bb, que altera definitiva ou temporariamente o seu uso. A morte do escravo resume-se a uma perda absoluta do capital investido aquando da sua aquisi\u00e7\u00e3o e\/ou pelo seu sustento. Cada dia de inatividade da v\u00edtima convalescente constitui uma determinada perda de lucro descontado do trabalho que ele deveria fornecer. A 12 de fevereiro de 1736, o <em>sieur<\/em> Dubois deve, assim, pagar uma indemniza\u00e7\u00e3o de 200 libras ao <em>sieur<\/em> Riquebourg por ter afogado o seu escravo, o nomeado Louis, crioulo, de 7 anos, excluindo os seus pais, tamb\u00e9m eles escravos, do processo. O mesmo se aplica ao <em>sieur<\/em> G\u00e9rard, condenado a 15 de julho de 1828, que ter\u00e1 de pagar uma indemniza\u00e7\u00e3o de 30 piastras, n\u00e3o ao nomeado Jean, \u00abcafre e negro de enxada\u00bb de 30 anos, que \u00abcorrigiu violentamente com um pau\u00bb, deixando-o acamado durante 15 dias, mas ao seu senhor, o <em>sieur<\/em> L\u00e9onard. \u00c9, ent\u00e3o, a potencial produtividade ou o valor real do \u00abbem\u00bb que os magistrados avaliam em numer\u00e1rio nas audi\u00eancias.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1805\" aria-describedby=\"caption-attachment-1805\" style=\"width: 492px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2FI1979-Un-planteur-ent\u00eat\u00e9.-Ces-philosophes-europ\u00e9ens-ont-beau-dire...-Ce-nest-quavec-laide-de-la-canne-quon-peut-faire-du-sucre-....jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1805\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1805 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2FI1979-Un-planteur-ent\u00eat\u00e9.-Ces-philosophes-europ\u00e9ens-ont-beau-dire...-Ce-nest-quavec-laide-de-la-canne-quon-peut-faire-du-sucre-....jpg\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2FI1979-Un-planteur-ent\u00eat\u00e9.-Ces-philosophes-europ\u00e9ens-ont-beau-dire...-Ce-nest-quavec-laide-de-la-canne-quon-peut-faire-du-sucre-....jpg 492w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2FI1979-Un-planteur-ent\u00eat\u00e9.-Ces-philosophes-europ\u00e9ens-ont-beau-dire...-Ce-nest-quavec-laide-de-la-canne-quon-peut-faire-du-sucre-...-246x300.jpg 246w\" sizes=\"auto, (max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1805\" class=\"wp-caption-text\">[Um plantador teimoso. Digam o que disserem esses fil\u00f3sofos europeus&#8230; \u00e9 somente com a ajuda da cana que se pode fazer a\u00e7\u00facar!&#8230;]. [Ch. Jacque del.]. &#8211; [Paris]: [Pannier &amp; Cie], [ca 1830-1840]. Gravura.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Entretanto, se o autor da infra\u00e7\u00e3o for um escravo, \u00e9 para o seu senhor, que o propriet\u00e1rio do escravo v\u00edtima se volta para beneficiar da a\u00e7\u00e3o reparadora ou <em>noxale<\/em> para retomar a terminologia romana. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o do seu pec\u00falio, rigorosamente enquadrado pela lei, em termos jur\u00eddicos, o escravo n\u00e3o disp\u00f5e de patrim\u00f3nio financeiro. S\u00f3 o seu senhor pode responder pelas repara\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias consequentes do crime ou delito que ele tenha cometido, incluindo as custas de justi\u00e7a em prol do poder p\u00fablico. A t\u00edtulo do artigo 30.\u00ba do \u00e9dito de dezembro de 1723, o senhor pode, al\u00e9m disso, \u00abconceder\u00bb o seu escravo ao propriet\u00e1rio lesado num prazo de tr\u00eas dias ap\u00f3s a \u00abnotifica\u00e7\u00e3o do julgamento de condena\u00e7\u00e3o\u00bb. Caso esse mesmo escravo seja condenado \u00e0 morte ou aos ferros perpetuamente, a indemniza\u00e7\u00e3o paga pelo tesouro colonial fica a cargo <em>illico<\/em> do novo propriet\u00e1rio. Assim, a 13 de novembro de 1840, os titulares de direito da senhora Lef\u00e8vre, propriet\u00e1ria do escravo Pierre-Louis, assassinado pelo escravo Pollux, veem-lhes ser atribu\u00edda uma soma de 750 francos. Condenado \u00e0 morte uns dias antes, Pollux foi \u00ababandonado\u00bb pelo seu propriet\u00e1rio, o sieur Laprade na v\u00e9spera. Al\u00e9m da brutal reifica\u00e7\u00e3o do escravo no processo penal, a jurisprud\u00eancia de Bourbon reconhece que os danos causados n\u00e3o devem custar ao senhor, envolvido contra a sua vontade no caso, mais do que o valor do seu escravo reconhecido culpado da infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1807\" aria-describedby=\"caption-attachment-1807\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-14-l-execution.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1807\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1807 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-14-l-execution.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-14-l-execution.jpg 650w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-14-l-execution-300x176.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1807\" class=\"wp-caption-text\">A execu\u00e7\u00e3o. Tony de B. del.; F\u00e9lix [sc.]. Gravura. Em <em>Les Marrons,<\/em> L.-T. Houat, Paris, Ebrard, 1844.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Os casos de <em>homo servilis<\/em> v\u00edtimas de viol\u00eancias f\u00edsicas cometidas pelos pr\u00f3prios propriet\u00e1rios assumem contornos espec\u00edficos na col\u00f3nia. O poder p\u00fablico, de facto, enquadrou muito mal, pelo menos, do ponto de vista jur\u00eddico, o poder disciplinar dos senhores sobre os seus escravos. O artigo 37.\u00ba do \u00e9dito de dezembro de 1723 pro\u00edbe todos os tipos de mutila\u00e7\u00f5es ou torturas sobre os \u00abnegros\u00bb e limita exclusivamente as prerrogativas da soberania dom\u00e9stica de \u00abos acorrentar ou vergastar\u00bb. Consciente, por\u00e9m, da banaliza\u00e7\u00e3o das brutalidades sobre os dom\u00ednios e da crueldade inerente de certos colonos, o legislador concedeu ao escravo \u2014 a t\u00edtulo do artigo 19.\u00ba do mesmo texto normativo \u2014 a possibilidade de \u00abnotificar o procurador\u00bb ou \u00abdeixar nas suas m\u00e3os as suas mem\u00f3rias\u00bb sobre os \u00abcrimes e tratamentos b\u00e1rbaros e desumanos\u00bb cometidos pelo seu senhor. O <em>sieur<\/em> Bavi\u00e8re \u00e9 sem d\u00favida um dos primeiros senhores da ilha de Bourbon a ser acusado e processado pelo minist\u00e9rio p\u00fablico em 1734 pela morte do seu \u00abnegro\u00bb, o nomeado \u00abPhilippe\u00bb, v\u00edtima de uma \u00abcorre\u00e7\u00e3o desmesurada\u00bb.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1809\" aria-describedby=\"caption-attachment-1809\" style=\"width: 365px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-11-les-reves.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-1809\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1809 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-11-les-reves.jpg\" alt=\"\" width=\"365\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-11-les-reves.jpg 365w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/BIB2896-11-les-reves-183x300.jpg 183w\" sizes=\"auto, (max-width: 365px) 100vw, 365px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1809\" class=\"wp-caption-text\">Os sonhos \/ Fauchery del.; F\u00e9lix [sc.]. Gravura. Em <em>Les Marrons<\/em>, L.-T. Houat, Paris, Ebrard, 1844.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Na pr\u00e1tica, raramente se aplicava esse procedimento na col\u00f3nia. Por um lado, muito poucos escravos dominavam as subtilidades de procedimentos judiciais, como a verifica\u00e7\u00e3o das provas para provar a infra\u00e7\u00e3o. Por outro lado, havia o temor das repres\u00e1lias por parte dos senhores, em caso de improced\u00eancia judicial na instru\u00e7\u00e3o ou de absolvi\u00e7\u00e3o no processo. V\u00e1rios magistrados a exercer nas jurisdi\u00e7\u00f5es de direito comum eram, eles pr\u00f3prios, colonos propriet\u00e1rios de escravos ou metropolitanos partid\u00e1rios do sistema servil. Por fim, o escravo n\u00e3o poderia valer-se verdadeiramente do direito \u00abde interpor na justi\u00e7a\u00bb, podendo apenas intercetar o magistrado da barra do tribunal competente. Do alto do seu poder arbitr\u00e1rio, este poderia ou n\u00e3o iniciar processos judiciais. No segundo caso, a v\u00edtima n\u00e3o goza do direito de se constituir parte civil perante um oficial do juiz ou de um juiz de instru\u00e7\u00e3o para contornar a in\u00e9rcia da barra. Assim, entre 1840 e 1843, apenas nove casos desse tipo em cada cento e quatro foram objeto de remessa pelo minist\u00e9rio p\u00fablico da ilha de Bourbon perante um tribunal com jurisdi\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>O estatuto de queixoso do escravo muda um pouco perto do fim da Restaura\u00e7\u00e3o e da Monarquia de Julho. Os artigos 33.\u00ba e 71.\u00ba do c\u00f3digo de instru\u00e7\u00e3o criminal de 30 de setembro de 1827 autorizam, respetivamente, o procurador do rei ou o juiz de instru\u00e7\u00e3o a \u00abreceber as declara\u00e7\u00f5es\u00bb ou a \u00abcitar diante dele e ouvir\u00bb todas as testemunhas, incluindo os escravos, de todas as infra\u00e7\u00f5es, incluindo as que respeitam o pr\u00f3prio senhor. At\u00e9 ent\u00e3o, o artigo 23.\u00ba do \u00e9dito de dezembro de 1723 proibia que os \u00abnegros\u00bb depusessem contra os seus propriet\u00e1rios. Se faltassem ind\u00edcios materiais ou confiss\u00f5es do acusado, os depoimentos dos escravos, sobretudo nos dom\u00ednios longe do olhar das outras pessoas de condi\u00e7\u00e3o livre, constitu\u00edam provas indispens\u00e1veis para demonstrar a culpabilidade ou n\u00e3o do senhor. Apesar disso, nas audi\u00eancias de julgamento policial, correcional ou criminal, os artigos 156.\u00ba (contraven\u00e7\u00f5es), 189.\u00ba (delitos) e 322.\u00ba (crimes) s\u00f3 autorizam esses depoimentos se o pr\u00f3prio acusado o consentir! Nesse caso, contudo, o procedimento permite que a autoridade judici\u00e1ria receba a deposi\u00e7\u00e3o do escravo, mas, claro est\u00e1, sem presta\u00e7\u00e3o de juramento e sim a \u00abt\u00edtulo informativo\u00bb. A condena\u00e7\u00e3o do <em>sieur<\/em> Riquebourg, a 9 de outubro de 1841, a uma pena de cinco anos de pris\u00e3o e a interdi\u00e7\u00e3o do direito de possuir escravos durante dez anos por \u00abtratamentos b\u00e1rbaros e desumanos\u00bb infligidos aos seus escravos \u00e9, neste aspeto, emblem\u00e1tica. A determina\u00e7\u00e3o e clarivid\u00eancia das v\u00edtimas \u2014 os nomeados Estelle, Julie, Brigitte, D\u00e9sir\u00e9 ou Pierre-Louis \u2014 aquando da sua deposi\u00e7\u00e3o, fizeram claramente oscilar a balan\u00e7a na decis\u00e3o do Tribunal Penal de Saint-Denis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1829\" aria-describedby=\"caption-attachment-1829\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/603_W_21_01-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1829 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/603_W_21_01-2.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1467\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/603_W_21_01-2.jpg 2000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/603_W_21_01-2-300x220.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/603_W_21_01-2-768x563.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/603_W_21_01-2-1024x751.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1829\" class=\"wp-caption-text\">Registo das queixas de maus tratos de escravos, apresentadas nos tribunais de Saint-Denis e Saint-Paul. Agosto de 1845-Dezembro de 1848. Manuscrito.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Todavia, as absolvi\u00e7\u00f5es de Z\u00e9non Hibon, a 23 de junho de 1842, pela c\u00e2mara correcional do tribunal real da col\u00f3nia, ou de Casimir Gagnant, a 9 de janeiro de 1843, pelo Tribunal Penal da zona do barlavento, por atos de \u00abcorre\u00e7\u00e3o excessiva\u00bb e \u00absev\u00edcias graves\u00bb sobre v\u00e1rios dos seus escravos, rementem para os sempre indispens\u00e1veis conluios dos magistrados e assessores dos tribunais de direito comum com os propriet\u00e1rios de escravos. Mesmo ap\u00f3s a entrada em vigor da lei de 18 de julho de 1845 na ilha de Bourbon prevendo explicitamente uma pena de dois anos de pris\u00e3o e at\u00e9 tr\u00eas c\u00eantimos de francos de coima para os senhores dados como culpados de \u00absev\u00edcias, viol\u00eancias ou vias de facto fora dos limites disciplinares\u00bb e a altera\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o do tribunal penal, as decis\u00f5es judiciais continuaram a favorecer os senhores. Presente ao Tribunal Penal de Saint-Denis por quatro mortes e diversos \u00abtratamentos b\u00e1rbaros e desumanos\u00bb sobre os escravos da propriedade onde exercia a fun\u00e7\u00e3o de administrador, o <em>sieur<\/em> Morette beneficiou de circunst\u00e2ncias atenuantes pelo j\u00fari e, no dia 16 de janeiro de 1846, s\u00f3 foi condenado a um ano de pris\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5990,"parent":5037,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-5989","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5037"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}