{"id":6127,"date":"2021-09-10T09:57:53","date_gmt":"2021-09-10T07:57:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=6127"},"modified":"2022-03-22T11:57:41","modified_gmt":"2022-03-22T10:57:41","slug":"as-mulheres-fugitivas-na-reuniao","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/resistencias-a-escravatura\/as-mulheres-fugitivas-na-reuniao\/","title":{"rendered":"As mulheres fugitivas na Reuni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>Cimendef, Mafate, Dimitile, Anchain: todos eles nomes que encontramos na topon\u00edmia da ilha da Reuni\u00e3o, e na mem\u00f3ria coletiva dos seus habitantes. Estes s\u00e3o os nomes lend\u00e1rios <em>marrons<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7146169851751649\" aria-label=\"Um marron era um escravo fugitivo. (N. da T.)\">&nbsp;<\/span> que simbolizam a busca pela liberdade, a resist\u00eancia \u00e0 escravatura. No entanto, os nomes das mulheres que os acompanhavam permaneceram ocultos na sombra desses grandes fugitivos.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-6127-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/poster_payet.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/PAYET-PORT_SUB.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/PAYET-PORT_SUB.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/PAYET-PORT_SUB.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>N\u00e3o obstante, os seus nomes flutuam nos picos da ilha: H\u00e9va, Raharianne, Marianne, Sarlave, Simangalove. Estas mulheres desempenharam um papel preponderante no <em>marronnage<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5062111959374582\" aria-label=\"O marronnage define-se como a fuga de escravos para as montanhas. (N. da T.)\">&nbsp;<\/span>, participando na vida dos acampamentos, na transmiss\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es, conhecimentos, cren\u00e7as, ritos e pr\u00e1ticas culturais e religiosas. Contribu\u00edram em grande medida para a mesti\u00e7agem da ilha e para a descoberta dos circos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9773263695319165\" aria-label=\"Um circo \u00e9 uma depress\u00e3o rochosa, em forma de bacia, de paredes com grande inclina\u00e7\u00e3o, situada a elevada altitude mas abaixo das cristas superiores das montanhas. (N. da T.)\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_356\" aria-describedby=\"caption-attachment-356\" style=\"width: 1215px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/bandeau-frm1069-2009-01-04-cimandef-mare-a-chicots-piton-d-anchaing-plaine-d-affouches-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-356 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/bandeau-frm1069-2009-01-04-cimandef-mare-a-chicots-piton-d-anchaing-plaine-d-affouches-web.jpg\" alt=\"\" width=\"1215\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/bandeau-frm1069-2009-01-04-cimandef-mare-a-chicots-piton-d-anchaing-plaine-d-affouches-web.jpg 1215w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/bandeau-frm1069-2009-01-04-cimandef-mare-a-chicots-piton-d-anchaing-plaine-d-affouches-web-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/bandeau-frm1069-2009-01-04-cimandef-mare-a-chicots-piton-d-anchaing-plaine-d-affouches-web-768x506.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/bandeau-frm1069-2009-01-04-cimandef-mare-a-chicots-piton-d-anchaing-plaine-d-affouches-web-1024x674.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-356\" class=\"wp-caption-text\">Cimandef, Mare \u00e0 Chicots, Piton d\u2019Anchaing, Plaine d\u2019Affouches. Adolphe Le Roy, desenhador.<br \/>Entre 1875 e 1900. Gravura.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os <em>marrons<\/em> eram muitas vezes descritos no discurso colonial, erroneamente, como indiv\u00edduos que fugiam perpetuamente para os lugares mais remotos e ainda inexplorados da ilha. A hist\u00f3ria mostra que se enraizavam na ilha, criavam verdadeiras redes e ancoravam-se no territ\u00f3rio. Organizavam os acampamentos e asseguravam a sua prote\u00e7\u00e3o contra os ataques dos destacamentos. Aut\u00eanticos n\u00f3madas, faziam incurs\u00f5es\/razias nas planta\u00e7\u00f5es da costa para irem recuperar as mulheres que tinham permanecido na escravid\u00e3o e para se reabastecerem em ferramentas e alimentos.<\/p>\n<p>Reduzido ao estado de escravo na planta\u00e7\u00e3o de um senhor, o Cafre\/Malgaxe era destitu\u00eddo da sua fam\u00edlia, da sua identidade e do seu ambiente. Na sua busca pela liberdade, expressava o desejo e a vontade de reconstituir o seu c\u00edrculo familiar, de construir uma identidade num novo territ\u00f3rio. Atualmente, \u00e9-nos imposs\u00edvel diferenciar entre lenda e realidade. Tenham estas mulheres fugitivas existido ou n\u00e3o, alguns textos liter\u00e1rios, relatos e documentos de arquivo contam-nos a sua exist\u00eancia ao lado dos seus companheiros, reconstituindo a vida de alguns casais de <em>marrons<\/em> lend\u00e1rios.<\/p>\n<h3>H\u00e9va \u2013 Enchaing<\/h3>\n<figure id=\"attachment_8037\" aria-describedby=\"caption-attachment-8037\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6714.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8037 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6714.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6714.jpg 433w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6714-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8037\" class=\"wp-caption-text\">H\u00e9va. Gilbert Clain. 2000. Escultura instalada no Pra\u00e7a de Hell-Bourg<br \/>fotografia Ibrahim Mulin. Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 vest\u00edgios deste casal nos documentos de arquivo. Contudo, o Piton Enchaing no circo de Salazie possui o nome do <em>marron<\/em> que l\u00e1 vivia. A hist\u00f3ria deste casal \u00e9 apresentada como o mito fundador, nas origens do <em>marronnage<\/em>. Por\u00e9m, Enchaing parece ter sido esquecido na mem\u00f3ria coletiva, assumindo muito menos import\u00e2ncia do que o emblem\u00e1tico fugitivo Mafate a quem, infelizmente, a hist\u00f3ria n\u00e3o atribuiu uma companheira. De acordo com os textos de Auguste Vinson, de C.H. Leal e de Eug\u00e8ne Dayot, Enchaing teria sido um <em>marron<\/em> pac\u00edfico, vivendo em paz e autarcia no seu pico. Conta-se que foi o primeiro escravo fugitivo da ilha, tendo, com H\u00e9va, concebido oito filhas que nunca viriam a conhecer os grilh\u00f5es da escravatura. Essas oito filhas teriam ent\u00e3o casado com grandes l\u00edderes de escravos fugitivos, estando assim na origem da dinastia dos grandes chefes marrons da ilha. No acampamento onde viviam s\u00f3s, H\u00e9va cuidava da organiza\u00e7\u00e3o da <em>ajoupa<\/em> , e cozinhava os alimentos que Enchaing respigava nos arredores. Sabe-se que Enchaing era de origem malgaxe, por\u00e9m a identidade de H\u00e9va \u00e9 desconhecida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6162\" aria-describedby=\"caption-attachment-6162\" style=\"width: 605px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ill.1-2003-6_30-une-esclave-fugitive-et-son-enfant.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6162 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ill.1-2003-6_30-une-esclave-fugitive-et-son-enfant.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ill.1-2003-6_30-une-esclave-fugitive-et-son-enfant.jpg 605w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ill.1-2003-6_30-une-esclave-fugitive-et-son-enfant-259x300.jpg 259w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6162\" class=\"wp-caption-text\">Uma escrava fugitiva com o filho. 1889. Gravura. Em La traite des n\u00e8gres et la croisade africaine comprenant la Lettre Encyclique de L\u00e9on XIII sur l&#8217;esclavage, le discours du Cardinal Lavigerie \u00e0 Paris,<br \/>por Alexis M. &#8211; G., 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Paris, C. Poussielgue, Procure g\u00e9n\u00e9rale, 1889, p. 209.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Marianne\/Raharianne \u2013 Cimendef\/Mafate<\/h3>\n<p>Cimendef, <em>marron<\/em> de origem malgaxe, teria tido por companheira Marianne. No mapa geogr\u00e1fico da ilha da Reuni\u00e3o, o cume que se situa no prolongamento da cadeia montanhosa do Cimendef, no circo de Mafate, apresenta o seu nome. O escritor Boris Gamaleya atribui o nome origin\u00e1rio de Madag\u00e1scar, Raharianne, \u00e0 companheira de Cimendef, dando-lhe assim uma identidade malgaxe. Muitas mulheres fugitivas eram chamadas Raharianne ou Marianne, sendo, portanto, dif\u00edcil encontrar o rasto de Marianne \/Rahariane, companheira do <em>marron<\/em> Cimendef. No texto de C.H. Leal, Marianne \u00e9 uma guerreira que luta contra os colonos junto ao seu companheiro Cimendef, n\u00e3o desempenhando o mesmo papel que H\u00e9va. De acordo com J.M. Mac-Auliffe, Marianne era a companheira de um grande chefe <em>marron<\/em> chamado Fanga cujo acampamento se localizava em Cilaos, tendo sido morta pelo ca\u00e7ador de escravos, Edouard Robert. Num documento de arquivo datado de 1751, Fran\u00e7ois Mussard, outro ca\u00e7ador de escravos, mata Raharianne, a bem-amada do chefe Maffack (Mafate)<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.725006354962155\" aria-label=\"Documento de arquivo: ADR C\u00ba994, 24 de setembro de 1751\">&nbsp;<\/span>, na Rivi\u00e8re des Galets. Assim, Mafate teria tido por companheira uma certa Raharianne. Mafate, <em>marron<\/em> de origem malgaxe, era um poderoso feiticeiro que conhecia bem os franceses desde a coloniza\u00e7\u00e3o francesa em Madag\u00e1scar. Evocava sistematicamente os <em>sikidis<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"999999\" aria-label=\"Sikidis: pedras m\u00e1gicas da tradi\u00e7\u00e3o malgaxe (N. da T.)\">&nbsp;<\/span> para indagar sobre o futuro do grupo de <em>marrons<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6696\" aria-describedby=\"caption-attachment-6696\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_7500b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6696 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_7500b.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_7500b.jpg 433w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_7500b-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6696\" class=\"wp-caption-text\">Fam\u00edlia Maroon &#8211; Cimendef e Marianne. Marco Ah-Kiem. Escultura, Saint-Denis &#8211; Barachois. <br \/>Fotografia de Ibrahim Mulin. Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Simangalove &#8211; Matout\u00e9<\/h3>\n<p>Simangalove, de acordo com o relato de C.H. Leal, era a companheira do chefe Matout\u00e9, vivendo numa caverna profunda em Trois Salazes no circo de Cilaos. Descrita como guerreira e conselheira, era a l\u00edder do bando de <em>marrons<\/em> que lutava contra o poder colonial.<\/p>\n<h3>Sarlave \u2013 Laverdure<\/h3>\n<p>O grande rei Laverdure e a sua rainha Sarlave eram temidos pelos destacamentos, sendo constantemente perseguidos por eles. O seu acampamento, Ilet Marron, situava-se no circo de Cilaos. Sarlave teria sido morto pelo ca\u00e7ador de escravos Fran\u00e7ois Mussard em 1752<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07705090539769466\" aria-label=\"Documentos de arquivo: ADR C\u00ba965, 11 de outubro de 1743 \/ ADR C\u00ba995, 30 de agosto de 1752 \/ C\u00ba995, 28 de dezembro de 1752 \/ ADR 996 C\u00ba996, 6 de fevereiro de 1753.\">&nbsp;<\/span>. A mem\u00f3ria coletiva n\u00e3o reteve o nome deste casal de marrons. Em contrapartida, o nome do chefe marron Dimitile, que se localiza geograficamente perto do campo de Sarlave e Laverdure, permaneceu ancorado na imagina\u00e7\u00e3o dos habitantes da Reuni\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8040\" aria-describedby=\"caption-attachment-8040\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6842b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-8040 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6842b.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6842b.jpg 433w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/IMG_6842b-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8040\" class=\"wp-caption-text\">Sarlave, a Rainha. Detalhe da estela instalada no Campo Dimitil &#8211; Entre-Deux.<br \/>Fotografia de Ibrahim Mulin. Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Adzire<\/h3>\n<p>Pode-se considerar esta mulher como fugitiva? Foi acusada de comercializar com os <em>marrons<\/em>. Firmin Lacpatia baseou-se em relat\u00f3rios da pol\u00edcia escritos em 1846<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7813039603614695\" aria-label=\"Documento de Arquivo: ADR 73M6\">&nbsp;<\/span> para contar a sua hist\u00f3ria no seu livro \u00ab<em>Adzire ou le prestige de la nuit<\/em>\u00bb. Esta personagem feminina mostra que a mulher escrava podia ter um duplo estatuto na sociedade colonial da Reuni\u00e3o: ser escrava nas planta\u00e7\u00f5es dos colonos e negociar com os <em>marrons<\/em>.<\/p>\n<h3>Os marrons solit\u00e1rios<\/h3>\n<p>Muitos dos grandes chefes <em>marrons<\/em> marcaram a topon\u00edmia da ilha, tais como Dimitile, S\u00e9mitave, B\u00e2le, P\u00eetre cujo nome \u00e9 encontrado nos relatos de destacamentos, sem que a hist\u00f3ria lhes tenha atribu\u00eddo companheiras.<\/p>\n<p>Quando os campos de <em>marrons<\/em> eram atacados por ca\u00e7adores de escravos, na maioria das vezes as mulheres eram capturadas porque representavam uma importante fonte de informa\u00e7\u00e3o para os colonos sobre a composi\u00e7\u00e3o dos acampamentos, a exist\u00eancia de outros acampamentos, etc.; ao passo que os homens eram frequentemente assassinados, cortando-lhes a m\u00e3o direita ou a cabe\u00e7a como prova, depois de terem sido batizados. Os ca\u00e7adores de escravos recebiam uma recompensa. As m\u00e3os e as cabe\u00e7as cortadas eram ent\u00e3o expostas no \u00ablugar habitual\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.44067510003954413\" aria-label=\"Alguns historiadores situam o \u00ablugar habitual\u00bb na pra\u00e7a da igreja ou sob o tamarindo do bairro dos escravos onde ocorriam os \u00abkabary\u00bb. \">&nbsp;<\/span> como aviso e dissuas\u00e3o para os escravos que ponderassem fugir da planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal como no caso da coloniza\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria fez do <em>marronnage<\/em>, da busca pela liberdade, um acontecimento essencialmente masculino. Poder-se-ia, talvez, pensar que, ao recuperar a sua liberdade a fim de constituir uma fam\u00edlia nas montanhas inacess\u00edveis da ilha, o escravo desejasse proteger o elemento feminino do mundo colonial, tornando-o invis\u00edvel. Isto explicaria porque \u00e9 que o nome das mulheres fugitivas n\u00e3o aparece na topon\u00edmia da ilha. Consequentemente, podemos sugerir que, nas pr\u00e1ticas e costumes dos <em>marrons<\/em>, fossem eles de origem malgaxe ou africana, apenas os homens designavam o territ\u00f3rio com o seu nome ou uma palavra relacionada com a sua pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n<p>Nas hist\u00f3rias e documentos de arquivo relativos ao <em>marronnage<\/em>, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as escravas femininas eram uma fonte de motiva\u00e7\u00e3o para a reconquista da liberdade, incitando, preparando e ajudando os escravos a evadir-se da planta\u00e7\u00e3o. E, a mi\u00fade, juntando-se a eles. Deste modo, elas participavam na sobreviv\u00eancia das culturas, cren\u00e7as, pr\u00e1ticas religiosas e ritos da sua terra natal; das m\u00fasicas, pr\u00e1ticas culin\u00e1rias e conhecimento da natureza envolvente. Principalmente africanas e malgaxes, as mulheres fugitivas est\u00e3o na origem da mesti\u00e7agem nos circos da ilha.<\/p>\n<p>As lend\u00e1rias figuras femininas locais de Madame Desbassayns e de <em>Grandm\u00e8r\u2019 Kalle<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.048446258261516606\" aria-label=\"Madame Desbassayns foi uma grande propriet\u00e1ria da ilha e Grandm\u00e8r\u2019 Kalle uma personagem de lenda aparentada a uma bruxa m\u00e1. (N. da T.)\">&nbsp;<\/span> bem como as curandeiras ou herboristas da Reuni\u00e3o, tal como a Madame Visnelda, herdaram caracter\u00edsticas atribu\u00eddas \u00e0s escravas fugitivas. Gra\u00e7as ao conhecimento que possuem das plantas locais, as curandeiras acalmam as doen\u00e7as do corpo e da mente. <em>Granm\u00e8r&#8217; Kalle<\/em> possui o poder sobre a vida e a morte e seu esp\u00edrito ronda as montanhas da ilha. A alma da Madame Desbassyns arde eternamente no Piton de la Fournaise (o vulc\u00e3o).<\/p>\n<p>Escravo, senhor ou <em>marron<\/em>, estas personagens da hist\u00f3ria misturam-se e fundem-se nos mitos. O <em>marronnage<\/em> \u00e9 certamente uma busca pela liberdade, mas tamb\u00e9m e acima de tudo uma verdadeira hist\u00f3ria de amor dos homens negros pelas suas esposas.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6128,"parent":5038,"menu_order":30,"template":"","class_list":["post-6127","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/6127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}