{"id":6165,"date":"2021-09-10T10:21:52","date_gmt":"2021-09-10T08:21:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=6165"},"modified":"2021-11-26T11:45:52","modified_gmt":"2021-11-26T10:45:52","slug":"a-arqueologia-do-marronnage-na-ilha-da-reuniao","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/resistencias-a-escravatura\/a-arqueologia-do-marronnage-na-ilha-da-reuniao\/","title":{"rendered":"A arqueologia do <em>marronnage<\/em> na Ilha da Reuni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>O termo \u00abmarronnage<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4068357142306238\" aria-label=\" Termo grafado indiferentemente \u00abmarronnage\u00bb ou \u00abmaronage\u00bb em documentos hist\u00f3ricos.\">&nbsp;<\/span>\u00bb designa um fen\u00f3meno muito particular: a fuga dos escravos para as montanhas ou pelo mar, a fim de escapar \u00e0 servid\u00e3o imposta pelos senhores nas \u00abhabita\u00e7\u00f5es\u00bb (propriedades).<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-6165-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/poster_dijoux.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DIJOUX_ST_2.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DIJOUX_ST_2.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DIJOUX_ST_2.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Este tipo de resist\u00eancia existiu em todos os territ\u00f3rios e em todas as \u00e9pocas sempre que as popula\u00e7\u00f5es eram escravizadas. Derivado da palavra espanhola <em>cimarr\u00f3n<\/em>, que se aplica ao car\u00e1ter \u00abselvagem\u00bb de um animal dom\u00e9stico que voltou a viver em liberdade, o <em>marronnage<\/em> constitui a forma de resist\u00eancia mais direta ao sistema da escravatura, visto que se traduz numa rutura completa e volunt\u00e1ria da condi\u00e7\u00e3o de escravo [CAROTENUTO,2006]. Na ilha da Reuni\u00e3o, o <em>marronnage<\/em> \u00e9 conhecido apenas gra\u00e7as a fontes hist\u00f3ricas, documentos de arquivo e relatos etnohist\u00f3ricos pertencentes ao governo e a colonizadores da \u00e9poca. Na aus\u00eancia de lugares de mem\u00f3ria preservados, o seu impacto \u00e9 principalmente medido atrav\u00e9s da extens\u00e3o da marca topon\u00edmica, de origem essencialmente malgaxe, deixada nas terras interiores da ilha (Cilaos, Mafate, Salazie&#8230;). Este ato de resist\u00eancia-rutura \u00e0 escravatura foi uma grande realidade hist\u00f3rica em Bourbon\/Reuni\u00e3o at\u00e9 \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o definitiva em 1848.<\/p>\n<p>A arqueologia come\u00e7ou a interessar-se pelo tema do <em>marronnage<\/em> desde a d\u00e9cada de 1960-1970 nos Estados Unidos e depois desenvolveu-se noutras partes do mundo, permitindo a descoberta e o estudo de v\u00e1rios locais de moradia de escravos <em>marrons<\/em> no Brasil, nas Cara\u00edbas, no Suriname ou na Maur\u00edcia. Na ilha da Reuni\u00e3o, a geomorfologia consiste em antigas caldeiras de vulc\u00f5es colapsadas, os chamados circos, que proporcionaram um ref\u00fagio natural para os <em>marrons<\/em>, a partir do final do s\u00e9culo XVII. Foi com estes escravos fugitivos que come\u00e7ou a primeira povoa\u00e7\u00e3o destas regi\u00f5es \u00edngremes e impenetr\u00e1veis [\u00c8VE, 2003]. Durante muito tempo documentada apenas por fontes hist\u00f3ricas escritas (relat\u00f3rios de ca\u00e7adores, atas, interrogat\u00f3rios, relatos), o <em>marronnage<\/em> foi recentemente estudado a partir de uma perspetiva nova e tang\u00edvel gra\u00e7as aos m\u00e9todos de arqueologia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.463109522175301\" aria-label=\"A arqueologia, uma ci\u00eancia que se centra no passado do homem, tem como objetivo estudar vest\u00edgios materiais enterrados no solo, em ambiente subaqu\u00e1tico ou submarino.\">&nbsp;<\/span>. Uma vez que as fontes hist\u00f3ricas demonstraram os seus limites, a arqueologia tornou-se hoje a \u00fanica forma de documentar o modo de vida dos escravos <em>marrons<\/em>, tentando procurar e analisar os seus vest\u00edgios materiais, que comportam novas informa\u00e7\u00f5es e, por vezes, revelam factos que a Hist\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o conhece ou que ocultou deliberadamente durante o tempo da escravatura.<\/p>\n<p>Desde o final de 2007, um programa de investiga\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica cient\u00edfica tem como objetivo documentar a ocupa\u00e7\u00e3o das terras altas da Reuni\u00e3o e, em particular, as condi\u00e7\u00f5es de vida e sobreviv\u00eancia dos escravos <em>marrons<\/em>. A cria\u00e7\u00e3o oficial e regulamentar, em 2010, de um servi\u00e7o regional de arqueologia no DAC-OI<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.036443125450004166\" aria-label=\"Dire\u00e7\u00e3o dos Assuntos Culturais do Oceano \u00cdndico.\">&nbsp;<\/span> permitiu iniciar estudos arqueol\u00f3gicos no solo [JACQUOT, 2014]. Esta busca dos<em> arquivos do solo<\/em>, complementada pelos arquivos escritos amplamente despojados, come\u00e7ou a desvendar de que forma \u00e9 que os <em>marrons<\/em> sobreviviam no quotidiano e, recentemente, as primeiras provas materiais da exist\u00eancia do <em>grand marronnage<\/em> na ilha [DIJOUX,2014].<\/p>\n<h3>O \u00abvale secreto\u00bb: o primeiro s\u00edtio arqueol\u00f3gico de <em>marronnage<\/em> comprovado na Reuni\u00e3o<\/h3>\n<figure id=\"attachment_348\" aria-describedby=\"caption-attachment-348\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-site-vallee-secrete-photo-a-l-dijoux-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-348 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-site-vallee-secrete-photo-a-l-dijoux-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-site-vallee-secrete-photo-a-l-dijoux-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-site-vallee-secrete-photo-a-l-dijoux-web-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-site-vallee-secrete-photo-a-l-dijoux-web-768x577.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-348\" class=\"wp-caption-text\">Local VALLEE SECRETE. Fotografia Anne-Laure Dijoux,(direitos reservados)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Descoberto fortuitamente por um guia de alta montanha em 1995, o \u00abvale secreto\u00bb culmina a mais de 2200 m de altitude no circo de Cilaos. Medindo 450 m de comprimento e 50 m de largura, apresenta um forte desn\u00edvel e est\u00e1 alojado entre duas vertiginosas paredes rochosas de 50 m de altura. Desconhecido dos documentos de arquivo e das tradi\u00e7\u00f5es orais, o \u00abvale secreto\u00bb abriga um s\u00edtio arqueol\u00f3gico excecional. A \u00e1rea arqueol\u00f3gica estende-se por cerca de 350 m\u00b2, situando-se no centro do vale onde \u00e9 imposs\u00edvel ser-se visto. A oeste, os vest\u00edgios s\u00e3o constitu\u00eddos por uma plataforma onde h\u00e1 ossos de fauna na superf\u00edcie e, a leste dela, por duas estruturas constru\u00eddas.<\/p>\n<p>As pesquisas arqueol\u00f3gicas puseram a descoberto v\u00e1rias camadas, testemunho de ocupa\u00e7\u00f5es humanas. No centro de cada abrigo, foi desenterrada uma antiga fogueira com muitos restos de fauna, maioritariamente avi\u00e1ria mas tamb\u00e9m terrestre. No total, foram descobertos mais de mil vest\u00edgios de fauna. As an\u00e1lises arqueozool\u00f3gicas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.10998446939182571\" aria-label=\"A arqueozoologia \u00e9 a disciplina que estuda os ossos da fauna descobertos em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos.\">&nbsp;<\/span> demonstraram que as refei\u00e7\u00f5es habituais eram, em grande parte, compostas por carne de aves juvenis incapazes de voar (Petrel de Barau-<em>Pterodroma baraui<\/em>) que a carne de porco\/javali e cabra\/ovelha vinham completar. Uma vez que os Petr\u00e9is s\u00f3 estavam presentes no vale no in\u00edcio do ano, o local consistia numa escala de ca\u00e7a sazonal, vi\u00e1vel, em particular, durante esta temporada. O resto do ano, era um ref\u00fagio inexpugn\u00e1vel, onde era dif\u00edcil viver mais do que alguns dias devido \u00e0 inexist\u00eancia de recursos alimentares.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, os homens deixaram para tr\u00e1s apenas alguns raros vest\u00edgios de objetos: um prego, s\u00edlices provenientes de pederneiras, um fragmento de um cachimbo em caulino e estilha\u00e7os de ferro. A sua presen\u00e7a reflete as atividades dom\u00e9sticas dentro das cabanas: o consumo de subst\u00e2ncias fum\u00e1veis e o facto de acender o fogo com pederneiras usadas como percutores. A data\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do fragmento do cachimbo permitiu datar o seu \u00faltimo aquecimento em 1822 d.C. \u00b1 13 anos, entre 1809 e 1835 d.C., ou seja, em pleno per\u00edodo da escravatura colonial na ilha.<\/p>\n<p>Todos os dados recolhidos pela arqueologia testemunham a frequenta\u00e7\u00e3o do \u00abvale secreto\u00bb como <strong>ref\u00fagio sazonal para grupos de escravos marrons<\/strong> em busca de liberdade. Este local excecional, primeiro e por enquanto \u00fanico testemunho arqueol\u00f3gico comprovado do grande <em>marronnage<\/em> da ilha, ilustra, de forma espetacular, a vontade de sobreviver em condi\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n<h3>O local \u00abHBC13\u00bb: um acampamento tempor\u00e1rio na zona do vulc\u00e3o<\/h3>\n<figure id=\"attachment_350\" aria-describedby=\"caption-attachment-350\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-site-hbc13-photo-a-l-dijoux-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-350 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-site-hbc13-photo-a-l-dijoux-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-site-hbc13-photo-a-l-dijoux-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-site-hbc13-photo-a-l-dijoux-web-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-site-hbc13-photo-a-l-dijoux-web-768x509.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-350\" class=\"wp-caption-text\">Local HBC13. Fotografia Anne-Laure Dijoux,(direitos reservados)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O s\u00edtio arqueol\u00f3gico \u00abHBC13\u00bb tamb\u00e9m se eleva a mais de 2200 m de altitude, no sector do Piton de la Fournaise, zona frequentada pelo homem desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII. Neste local, a ocupa\u00e7\u00e3o humana ocorreu no interior de um abrigo rochoso com uma largura de 6,80 m e 1,70 m de altura, formado por um \u00e1trio aberto \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o. O abrigo foi sumariamente protegido por um pequeno muro de pedras secas de 2,80 m de comprimento e 50 cm de altura, apenas na sua parte oriental e disposto de forma sum\u00e1ria mas eficaz.<\/p>\n<p>Os levantamentos arqueol\u00f3gicos realizados em 2013 revelaram uma sucess\u00e3o de ocupa\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias representadas pela presen\u00e7a de v\u00e1rias pequenas fogueiras dispostas em diferentes locais no interior do abrigo. Foram descobertos aglomerados de fauna num total de 274 ossos. A sua an\u00e1lise confirma mais uma vez uma dieta baseada principalmente na ca\u00e7a de aves juvenis (Petrel de Barau-<em>Pterodroma baraui<\/em>), cujas tocas, que hoje desapareceram, estariam localizadas nas cercanias do abrigo, e, em menor medida, no consumo de cabritos selvagens.<\/p>\n<p>Tal como no \u00abvale secreto\u00bb, foram deixados no abrigo muito poucos objetos: dois fragmentos de s\u00edlices provenientes de pederneiras e uma haste de prego em ferro forjado. Este mobili\u00e1rio da \u00e9poca colonial, muito comum na \u00e9poca, n\u00e3o permite fornecer uma data\u00e7\u00e3o precisa das ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o dos ossos no abrigo indica a utiliza\u00e7\u00e3o do fundo muito estreito como zona de descarga, enquanto a \u00e1rea coberta pelo \u00e1trio e meio protegida pelo muro baixo foi utilizada para cozinhar, consumir alimentos e aquecimento.<\/p>\n<p>Os dados arqueol\u00f3gicos resultantes das sondagens aliadas ao ambiente topogr\u00e1fico do s\u00edtio permitem definir a fun\u00e7\u00e3o do abrigo \u00abHBC13\u00bb como <strong>acampamento tempor\u00e1rio para a explora\u00e7\u00e3o dos recursos de carne<\/strong> (e outros) <strong>circundantes<\/strong>. Todavia, a cronologia das ocupa\u00e7\u00f5es, circunscrita num intervalo entre os s\u00e9culos XVIII e XIX, permanece dif\u00edcil de determinar devido \u00e0 aus\u00eancia de mobili\u00e1rio pass\u00edvel de ser datado.<\/p>\n<p>A autoria das ocupa\u00e7\u00f5es humanas no abrigo \u00abHBC13\u00bb n\u00e3o foi, ainda, tamb\u00e9m, determinada, devido \u00e0 semelhan\u00e7a material entre a ocupa\u00e7\u00e3o de curta dura\u00e7\u00e3o por parte de escravos fugitivos, de ca\u00e7adores de escravos de passagem ou de \u00abPequenos Brancos\u00bb em busca de ca\u00e7a. A probabilidade destes tr\u00eas grupos humanos diversos terem ocupado este abrigo \u2013 em momentos diferentes \u2013 \u00e9 bastante conceb\u00edvel; pelo que, esta observa\u00e7\u00e3o constitui o maior problema da arqueologia do marronnage na Ilha da Reuni\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6166,"parent":5038,"menu_order":30,"template":"","class_list":["post-6165","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/6165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}