{"id":6221,"date":"2021-09-15T09:23:46","date_gmt":"2021-09-15T07:23:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=6221"},"modified":"2022-12-14T12:03:37","modified_gmt":"2022-12-14T11:03:37","slug":"fantaisie-escravo-dos-desbassayns-pisa-o-solo-livre-em-paris","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/resistencias-a-escravatura\/fantaisie-escravo-dos-desbassayns-pisa-o-solo-livre-em-paris\/","title":{"rendered":"Fantaisie, escravo dos Desbassayns, pisa o \u00absolo livre\u00bb em Paris"},"content":{"rendered":"<h2>Em 19 de outubro de 1823, Egl\u00e9 Mourgue, esposa de Philippe Panon Desbassayns, antigo <em>ordonnateur<\/em><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.09015772196618932\" aria-label=\"Ordonnateur: agente que tem autoridade para ordenar a execu\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas e receitas p\u00fablicas (N. da T.)\">&nbsp;<\/span> de Bourbon, conhecida como baronesa de Richemont, informou a Pol\u00edcia de Paris de que o seu escravo, Fantaisie, estava desaparecido.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-6221-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/poster_sue_peabody.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/PEABODY_fr_PORT.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/PEABODY_fr_PORT.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/PEABODY_fr_PORT.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>V\u00e1rios anos ap\u00f3s a sua chegada \u00e0 Ilha Bourbon, Fantaisie tinha \u00ababandonado o servi\u00e7o\u00bb na rua Pigalle n\u00b010. A baronesa pediu \u00e0 pol\u00edcia que prendesse o seu escravo, para que pudesse ser enviado de volta para a Ilha Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.41304159984858857\" aria-label=\"O original da sua carta encontra-se desaparecido, por\u00e9m \u00e9 mencionado na resposta: Guy Delavau, prefet de Police, (Paris), \u00e0 la baronne de Richemont, le 14 novembre 1823 (ANOM, GEN. 629, dos. 2735), a seguir indicado Delavau \u00e0 la baronne, 14 nov. 1823.\">&nbsp;<\/span>. N\u00e3o era a primeira vez que tal situa\u00e7\u00e3o ocorria na hist\u00f3ria da fam\u00edlia. Em 1790, o sogro da baronesa, Henri-Paulin Panon Desbassayns, tinha ficado sem o seu dom\u00e9stico escravizado, Fran\u00e7ois, \u00abum mulato no qual depositava total confian\u00e7a\u00bb, partido rumo \u00e0 liberdade de Paris<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.0799771770058324\" aria-label=\"Anne-Marie Nida e Colette Dubois, Les Panon Desbassayns-de Vill\u00e8le \u00e0 Bourbon : Dans l'intimit\u00e9 d'une grande famille cr\u00e9ole 1676-1821 (Reuni\u00e3o: Surya Editions, 2018), 156. Por\u00e9m n\u00e3o obteve a liberdade gra\u00e7as \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o. Fran\u00e7ois pediu a sua liberdade em aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do \u00absolo livre\u00bb em Fran\u00e7a. Segue-se um resumo da sua hist\u00f3ria. Em 22 de julho de 1790, Henri-Paulin afirma o seguinte no seu di\u00e1rio privado: \u00abFran\u00e7ois fugiu no dia 15 ap\u00f3s o jantar. O que mais me transtorna \u00e9 o facto de se tratar de um escravo do Sr. Montbrun, o meu sogro, que mo emprestou.\u00bb Henri-Paulin Panon-Desbassayns, Petit journal des \u00e9poques pour servir a\u0300 ma m\u00e9moire : 1784-1786, dir. Annie Lafforgue, Saint-Gilles-Les-Hauts; Museu hist\u00f3rico, 1990, 44. O pedido de Fran\u00e7ois permanece nos arquivos da Table de Marbre, Almirantado de Fran\u00e7a, em Paris. Em 23 de julho de 1790, enquanto Henri-Paulin e a sua fam\u00edlia socializavam em Paris, Fran\u00e7ois \u00abQuelville\u00bb, requereu a sua emancipa\u00e7\u00e3o de \u00abM. Pannau de Bassin\u00bb, assistido por um advogado, Pollet de Cresne. O requerimento de Fran\u00e7ois declara: \u00abConsiderando que n\u00e3o h\u00e1 qualquer escravo em Fran\u00e7a e basta aqui viver para que todos os la\u00e7os da escravatura sejam rompidos, (pede-se que se) conceda a liberdade total da sua pessoa e da sua propriedade ao requerente.\u00bb Fran\u00e7ois reclamava \u00abo envio em dinheiro ou em esp\u00e9cie de 200 quilos de caf\u00e9 que pertenciam ao demandante e que foram vendidos e (obtidos?) pelo... Sr. De Bassin... e em caso de contesta\u00e7\u00e3o que os demandados sejam condenados a pagar os custos.\u00bb O tribunal declarou-o livre no pr\u00f3prio dia. Almirantado da Fran\u00e7a, Ac\u00f3rd\u00e3os e Documentos Processuais (Arquivos Nacionais de Fran\u00e7a, Z\/1D\/137, 23 de julho de 1790). Dia 1 de agosto, Henri-Paulin escreve: \u00abNo s\u00e1bado passado, dia 31 de julho (sic), Fran\u00e7ois, o meu negro, ou escravo mulato, que trouxe da ilha Bourbon, pediu que me notificassem que era livre, e que me reclamava dois fardos de caf\u00e9. Esta notifica\u00e7\u00e3o foi-me entregue por um oficial de justi\u00e7a. Se eu fosse um homem mau, t\u00ea-lo-ia punido: ele n\u00e3o saiu da minha casa com as m\u00e3os puras. N\u00e3o falei com ningu\u00e9m sobre esse assunto\u00bb; Panon-Desbassayns, Petit journal, 49.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nEmbora os esp\u00edritos revolucion\u00e1rios j\u00e1 n\u00e3o prevalecessem em 1823, o Prefeito respondeu \u00e0 baronesa que, \u00abap\u00f3s um exame aprofundado [sic] do caso\u00bb, lamentava inform\u00e1-la que as suas m\u00e3os se encontravam atadas; a pol\u00edcia n\u00e3o podia ordenar a pris\u00e3o de Fantaisie. \u00ab[Eu] n\u00e3o tenho outros meios que n\u00e3o seja exercer uma supervis\u00e3o severa sobre ele e at\u00e9 mesmo convoc\u00e1-lo \u00e0 minha Prefeitura para lhe pedir que apresente os seus pap\u00e9is, instando-o a prevenir, atrav\u00e9s da sua submiss\u00e3o, as acusa\u00e7\u00f5es a que a sua m\u00e1 conduta e o seu estado de vagabundagem o puder\u00e3o expor\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3158257302949462\" aria-label=\"Delavau \u00e0 la baronne, 14 nov. 1823.\">&nbsp;<\/span>. A pol\u00edcia podia molest\u00e1-lo, interrog\u00e1-lo e at\u00e9 aprision\u00e1-lo, mas Fantaisie tinha conseguido libertar-se da fam\u00edlia Desbassayns.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4872\" aria-describedby=\"caption-attachment-4872\" style=\"width: 464px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Jeanne_Egl\u00e9_Mourgue_and_Her_Son_Eug\u00e8ne.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-4872 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Jeanne_Egl\u00e9_Mourgue_and_Her_Son_Eug\u00e8ne-e1619165199671.jpg\" alt=\"\" width=\"464\" height=\"600\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4872\" class=\"wp-caption-text\">Madame Philippe Panon Desbassayns de Richemont (Jeanne Egl\u00e9 Mourgue, 1778-1855)<br \/>com o filho, Eug\u00e8ne (1800-1859). Marie Guilhelmine Benoist. 1802. \u00d3leo sobre tela.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Metropolitano de Arte<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1817, Furcy, filho de uma m\u00e3e escrava e de um pai franc\u00eas, tentou libertar-se de Joseph Lory, um colono maur\u00edcio casado com a filha de uma poderosa fam\u00edlia crioula da ilha. Lory obt\u00e9m facilmente o apoio de Philippe Panon Desbassayns de Richemont, um parente afastado, por casamento, do mesmo cl\u00e3 Panon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3887237571165447\" aria-label=\"Ap\u00f3s v\u00e1rias d\u00e9cadas passadas em Paris, Londres e Estados Unidos, e meses antes do conflito Furcy, Desbassayns havia regressado \u00e0 ilha na qualidade de ordonnateur nomeado por Lu\u00eds XVIII. Os seus pais, Henri-Paulin Panon Desbassayns e Ombline Gonneau-Montbrun, tinham enviado Philippe para um internato em Paris em 1780, com a tenra idade de seis anos; a sua chegada em 1817 foi o seu primeiro regresso \u00e0 Bourbon natal ap\u00f3s 37 anos. Nida e Dubois, Les Panon Desbassayns-de Vill\u00e8le, 137.\">&nbsp;<\/span>. No diferendo com Furcy, Desbassayns deu provas da sua lealdade \u00e0 elite esclavagista local, orquestrando a oposi\u00e7\u00e3o aos aliados de Furcy \u2013 a sua irm\u00e3 livre, Constance, o administrador, Toussaint Huard, e dois magistrados formados em Paris (o procurador do rei, Louis Gilbert Boucher, e o procurador substituto do rei, Jacques Sully Brunet). Desbassayns conseguiu contrapor os argumentos dos seus opositores, fazendo com que Furcy fosse detido ilegalmente na pris\u00e3o da ilha durante quase um ano, num estado moribundo. Na altura da ousada fuga de Fantaisie em Paris, Furcy continuava a ser escravo do cl\u00e3 Lory, efetuando trabalhos manuais na sua planta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar nas Maur\u00edcias<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8341939114040247\" aria-label=\"Sue Peabody, Os filhos de Madeleine: fam\u00edlia, liberdade, segredos e mentiras nas col\u00f3nias francesas do Oceano \u00cdndico, traduzido e adaptado por Pierre H. Boulle, Escravaturas, CNRS\/Centro Internacional das Pesquisas sobre as Escravaturas e P\u00f3s- Escravaturas (CIRESC) (Paris: Karthala, 2019), esp. cap.6-7\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4881\" aria-describedby=\"caption-attachment-4881\" style=\"width: 474px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/villele_expo-furcy03.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-4881 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/villele_expo-furcy03-e1619418355694.jpg\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4881\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz da exposi\u00e7\u00e3o \u00abA estranha hist\u00f3ria de Furcy Madeleine: 1786-1856\u00bb organizada pelo Museu Vill\u00e8le, Saint-Gilles-Les-Hauts, de 11 de dezembro de 2019 a 30 de abril de 2020<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Quem era Fantasie? Qual era a sua origem? Como logrou libertar-se da fam\u00edlia Panon Desbassayns, enquanto Furcy, at\u00e9 ent\u00e3o, tinha fracassado?<\/h3>\n<p>Fantaisie nasceu por volta de 1804, presumivelmente algures entre o atual Mo\u00e7ambique e o Qu\u00e9nia, onde se diz ter recebido um nome na l\u00edngua dos seus pais<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6673248155779868\" aria-label=\"O relato da sua estadia em Fran\u00e7a, em 1821, descreve Fantaisie como cafre, isto \u00e9, nascido no continente africano (ao contr\u00e1rio de crioulo ou malgaxe). O mesmo documento define-o como tendo 18 anos, no entanto estas declara\u00e7\u00f5es eram apenas estimativas, uma vez que o ano e as circunst\u00e2ncias do seu nascimento eram desconhecidas. \u00abDespacho de Dez Escravos Dom\u00e9sticos Livres partidos para a Fran\u00e7a desde 12 de dezembro de1818\u00bb, St. Denis, ilha Bourbon, 13 de abril de 1821 (ANOM GEN 629, ficheiro 2735), a seguir, Despacho, 13 de abril de 1821.\">&nbsp;<\/span>. Desconhece-se como e quando foi transportado para a ilha Bourbon, por\u00e9m tornou-se escravo de Ombline Gonneau-Montbrun, vi\u00fava de Henri-Paulin Panon Desbassayns de Saint-Paul<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9319247520021583\" aria-label=\"Henri-Paulin foi neto de uma das primeiras francesas a povoar a ilha Bourbon. \u00d3rf\u00e3 ileg\u00edtima (possivelmente de sangue nobre), Fran\u00e7oise Ch\u00e2telain, chegara em 1676, casando-se com o carpinteiro Augustin Panon. A maioria dos primeiros homens franceses e malgaxes a colonizar a ilha Bourbon tinham constitu\u00eddo fam\u00edlia com mulheres de Madag\u00e1scar e, mais tarde, da \u00cdndia; Nida e Dubois Les Panon Desbassayns-de Vill\u00e8le, 25-26, 40-41, 48.\">&nbsp;<\/span>. Tal como a restante numerosa descend\u00eancia do extens\u00edssimo cl\u00e3 Panon, Ombline comprara uma planta\u00e7\u00e3o numa das principais parcelas de terra da ilha, bem como centenas de escravos para cultivar o milho, o arroz, o caf\u00e9 e, posteriormente, o a\u00e7\u00facar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8372041814357818\" aria-label=\"Censo de Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau- Montbrun, vi\u00fava do Sr. Panon Desbassayns, 1822 (Arquivo Nacional, 696AP\/12\/C).\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nO nome Fantaisie surge tanto na carta endere\u00e7ada pela baronesa ao Comiss\u00e1rio da Pol\u00edcia de Paris em 1823 como num relat\u00f3rio colonial dirigido ao Minist\u00e9rio de 1821, onde Fantaisie \u00e9 descrito como pertencente \u00e0 \u00abVi\u00fava do senhor Panon Debassayns\u00bb, chegando a Rochefort com o neto da \u00faltima, Eug\u00e8ne Desbassayns<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.337663999769819\" aria-label=\"Delavau \u00e0 la baronne, 14 nov. 1823; Despacho, 13 de abril de 1821. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_171\" aria-describedby=\"caption-attachment-171\" style=\"width: 1054px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-eugene-de-villele-2017-3-4-1-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-171 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-eugene-de-villele-2017-3-4-1-web.jpg\" alt=\"\" width=\"1054\" height=\"1153\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-eugene-de-villele-2017-3-4-1-web.jpg 1054w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-eugene-de-villele-2017-3-4-1-web-274x300.jpg 274w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-eugene-de-villele-2017-3-4-1-web-768x840.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ill-6-eugene-de-villele-2017-3-4-1-web-936x1024.jpg 936w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-171\" class=\"wp-caption-text\">Mr. Eug. Desbresseurs [sic] Conde de Richemont, governador de Pondicheri em 1826-28. An\u00f3nimo.<br \/>Entre 1828 e 1842. Desenho, mina de chumbo.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>Todavia, o nome Fantaisie n\u00e3o aparece em nenhum dos recenseamentos existentes da vi\u00fava Ombline para os anos de 1814 a 1823 em Bourbon<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2260070867120605\" aria-label=\"Censos de Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau- Montbrun, vi\u00fava do Sr. Panon Desbassayns, 1809 (A.N. Pierrefitte, 696AP\/12A), 1814 (ibid., 696AP\/12B), 1822 (ibid., 696AP\/12C), 1823 (ibid., 696AP\/12D), 1827 (ibid., 696AP\/12E).\">&nbsp;<\/span>. Um escravo africano de dezoito anos, considerado culturalmente apto para acompanhar a Fran\u00e7a, na qualidade de servo, Eug\u00e8ne (com vinte e um anos), tinha certamente come\u00e7ado a aprender a l\u00edngua francesa, os costumes e a mestria do servi\u00e7o dom\u00e9stico desde tenra idade. Seria de esperar ver o seu nome entre os \u00ab<em>negrinhos de 14 anos e menos<\/em>\u00bb, listados alfabeticamente, no recenseamento da vi\u00fava de 1814. Esta omiss\u00e3o \u00e9 ainda mais desconcertante pelo facto de estes recenseamentos conterem informa\u00e7\u00f5es muito precisas sobre o destino de v\u00e1rios outros escravos ausentes da planta\u00e7\u00e3o<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8267285545214803\" aria-label=\"Por exemplo, Censo de Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau- Montbrun, vi\u00fava do Sr. Panon Desbassayns, 1823: \u00abBastien, indiano, 71 anos, em fuga desde 1820; Olive, na casa do meu filho Joseph \u2013 Vendido a Joseph Desbassayns; L'\u00c9veill\u00e9, cafre, 41 anos, acorrentado por julgamento; Denise, crioula, 20 anos, partida para a Fran\u00e7a com permiss\u00e3o\u00bb (A.N. Pierrefitte, 696AP\/12D).\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para isto. Talvez um dos escravos cafres da vi\u00fava tenha sido renomeado Fantaisie aquando da sua partida para Fran\u00e7a com Eug\u00e8ne em 1821. Os propriet\u00e1rios de escravos nas col\u00f3nias podiam atribuir nomes aos seus escravos como bem entendessem. Dois <em>Cafres<\/em> de 14 anos &#8211; Fleurisson e Philog\u00e8ne &#8211; constam como dom\u00e9sticos no recenseamento de Ombline, sendo que um deles teria a idade adequada na altura da partida de Eug\u00e8ne para Fran\u00e7a. No entanto, ambos os nomes reaparecem como pertencendo a <em>cultivadores<\/em> (com 22 e 23 anos) nos censos de 1822 e 1823, pelo que \u00e9 improv\u00e1vel que qualquer um destes jovens detivesse a identidade secreta de &#8216;Fantasie&#8217;<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.02769384789058471\" aria-label=\" Censo de Marie Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau- Montbrun, vi\u00fava do Sr. Panon Desbassayns, 1814 (A.N. Pierrefitte, 696AP\/12B), 1822 (ibid., 696AP\/12C) e 1823 (ibid., 696AP\/12D).\">&nbsp;<\/span>. Uma explica\u00e7\u00e3o mais plaus\u00edvel \u00e9 que Ombline, como muitos outros plantadores ricos, omitira a declara\u00e7\u00e3o de Fantaisie nos seus recenseamentos porque o detinha ilegalmente, visto que ele teria sido contrabandeado de \u00c1frica para a col\u00f3nia como resultado da proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos de 1811<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.1703807950534877\" aria-label=\"Sob a ocupa\u00e7\u00e3o inglesa, o tr\u00e1fico de escravos no Oceano \u00cdndico foi proibido em 1811 e reinstaurado por Lu\u00eds XVIII aquando da restitui\u00e7\u00e3o da ilha Bourbon a Fran\u00e7a. Slave Trade Felony Act of May 1811 (Reino Unido, 51 Geo III c. 23); H\u00e9lo\u00efse Finch, Comprendre la traite ill\u00e9gale d\u2019esclaves pendant l\u2019occupation britannique de la R\u00e9union \u00e0 travers les archives britanniques, em Lucette Labache, Laurent M\u00e9d\u00e9a &amp; Fran\u00e7oise Verg\u00e8s (dir.), Identit\u00e9 et soci\u00e9t\u00e9 r\u00e9unionnaise. Nouvelles perspectives et nouvelles approches (Paris, Karthala, 2005), 74-75.\">&nbsp;<\/span>. A dada altura, Ombline t\u00ea-lo-ia certamente selecionado para ser formado no servi\u00e7o dom\u00e9stico, e foi nessa qualidade que se tornou companheiro de viagem do neto de Ombline, Eug\u00e8ne Desbassayns, a bordo do corveta do rei La Sapho, que chegou a Rochefort em 13 de abril de 1821<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9909440730524262\" aria-label=\"Despacho, 13 de abril de 1821. Eug\u00e8ne tinha acompanhado os pais, Philippe Desbassayns de Richemont e Jeanne Mourgue durante a sua estadia em Pondicheri no \u00e2mbito do destacamento do seu pai na qualidade de comiss\u00e1rio inspetor do rei nos Estabelecimentos franceses na \u00cdndia. O navio Minerva partiu de Saint-Paul, ilha Bourbon, em dire\u00e7\u00e3o a Pondicheri, a 21 de julho de 1819 (ANOM COL F\/5B\/34). Durante a viagem foram acompanhados por tr\u00eas escravos dom\u00e9sticos chamados Christophe, Ozone e Agathe. A garantia para a sa\u00edda destes tr\u00eas escravos da col\u00f3nia foi apresentada em Saint Paul.\">&nbsp;<\/span>. A terceira possibilidade incorpora as duas primeiras explica\u00e7\u00f5es: contrabandeado para a ilha Bourbon em viola\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o, chamado Fleurisson ou Philog\u00e8ne e formado como dom\u00e9stico, Fantaisie viu-se atribuir um novo nome na v\u00e9spera da sua partida, tendo o nome antigo sido transferido para um novo escravo africano da planta\u00e7\u00e3o da vi\u00fava<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.13580902685227292\" aria-label=\"Uma an\u00e1lise deste recenseamento fornece v\u00e1rios exemplos de senhores que 'reciclavam' os nomes de antigos escravos, especialmente aqueles que chegavam clandestinamente, em viola\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico escravos.\">&nbsp;<\/span>. Finalmente, \u00e9 poss\u00edvel que Ombline tenha comprado o escravo Fantasie a outra fam\u00edlia colonial pouco antes da partida de Eug\u00e8ne, pelo que nunca foi repertoriado nos seus recenseamentos existentes.<\/p>\n<h3>Como \u00e9 que Fantaisie chega a Paris?<\/h3>\n<p>Como \u00e9 que Fantaisie chega a Paris? Na sequ\u00eancia do caso Furcy, Philippe Desbassayns de Richemont foi nomeado inspetor do rei dos Estabelecimentos franceses na \u00cdndia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5328623865924671\" aria-label=\"Em 1818, o minist\u00e9rio substituiu-o por Pierre Bernard Milius, que ocupou um novo cargo conjunto que lhe dava, por um lado, a autoridade do governador e, por outro lado, o poder de gerir os assuntos civis da col\u00f3nia.\">&nbsp;<\/span>. Acompanhado pela esposa Egl\u00e9 Mourgue, o filho Eug\u00e8ne, e tr\u00eas dom\u00e9sticos escravizados, Christophe, Ozone &amp; Agathe, Desbassayns deixou Bourbon para Pondicheri a 21 de julho de 1819<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7074364367014948\" aria-label=\"O governo exigia o pagamento de uma cau\u00e7\u00e3o de 1000 francos por parte de qualquer senhor que partisse acompanhado de escravos, como garantia de que os \u00faltimos seriam trazidos para a col\u00f3nia uma vez a viagem terminada. Relat\u00f3rio sobre as disposi\u00e7\u00f5es da declara\u00e7\u00e3o do rei de 9 de agosto de 1777, que pro\u00edbe a introdu\u00e7\u00e3o de homens de cor em Fran\u00e7a, 25 de setembro de 1817 (ANOM GEN 629, volta. 2735), e Circular do ministro da Marinha aos administradores coloniais sobre o mesmo assunto, 17 de outubro de 1817 in Annales maritimes et coloniales, t. 5, 1817, 1\u00e8re partie : lois et ordonnances (Paris, Imprimerie royale, 1817), p. 385-386, no 86. Ambos os documentos encontram-se em Le droit des Noirs en France au temps de l\u2019esclavage, por Pierre H. Boulle e Sue Peabody, Autrement M\u00eames (Paris: L'Harmattan, 2014), 194-196.<br \/>\nOs agentes do porto, certamente por insist\u00eancia de Desbassayns, anotaram que \u00abA fian\u00e7a para a sa\u00edda destes tr\u00eas Negros da col\u00f3nia foi fornecida em S\u00e3o Paulo.\u00bb \u00ab Ile de Bourbon, Port de St. Paul, \u00c9tat nominatif des passagers partis pour les ports de France ou pour d\u2019autres colonies pendant le 2e semestre 1819\u00bb (ANOM COL F\/5B\/34).\">&nbsp;<\/span>.\u00a0 N\u00e3o se sabe exatamente quando \u00e9 que Eug\u00e8ne deixou a \u00cdndia, mas viu-se obrigado a fazer escala em Bourbon no final de 1820, tendo provavelmente adquirido Fantaisie \u00e0 av\u00f3, Ombline. Eug\u00e8ne viajou ent\u00e3o para Fran\u00e7a, independentemente dos seus pais, e chegou a Rochefort com Fantaisie. De acordo com a lei, nesta fase, Eug\u00e8ne deveria ter tomado dilig\u00eancias para que Fantaisie fosse acomodado no dep\u00f3sito do porto, enquanto aguardava o seu regresso imediato \u00e0 ilha Bourbon, a fim de impedir a sua entrada e liberta\u00e7\u00e3o efetiva no territ\u00f3rio da metr\u00f3pole.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6452\" aria-describedby=\"caption-attachment-6452\" style=\"width: 881px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/btv1b53185627x_2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6452 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/btv1b53185627x_2.jpg\" alt=\"\" width=\"881\" height=\"536\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/btv1b53185627x_2.jpg 881w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/btv1b53185627x_2-300x183.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/btv1b53185627x_2-768x467.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6452\" class=\"wp-caption-text\">O porto de Rochefort. Vista do armaz\u00e9m das col\u00f3nias. Nicolas-Marie Ozanne, del.; Yves-Marie Youaz, sculp. 1776. Gravura a talhe-doce.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca nacional de Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>Modificada ao longo dos s\u00e9culos, a pol\u00edtica francesa do \u00absolo livre\u00bb, segundo a qual qualquer escravo que pisasse o solo franc\u00eas deveria ser emancipado, era complexa. Foi originalmente adotada entre os s\u00e9culos XIV e XVII, principalmente em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 concorr\u00eancia ap\u00f3s a expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Espanhol, e foi desenvolvida sob o reinado de Lu\u00eds XIV. O princ\u00edpio do \u00absolo livre\u00bb foi efetivamente suspenso pelo \u00e9dito real de outubro de 1716 e pela declara\u00e7\u00e3o de 15 de dezembro de 1738, quando os senhores franceses podiam trazer os seus escravos para o solo da Fran\u00e7a metropolitana, sob certas<br \/>\ncondi\u00e7\u00f5es<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07876573163936296\" aria-label=\"Boulle e Sue Peabody, Le droit des Noirs, cap. 1-4. Os senhores tinham que pedir autoriza\u00e7\u00e3o antes da partida, pagar a cau\u00e7\u00e3o e, ap\u00f3s 1738, trazer de volta os escravos para a col\u00f3nia num prazo de tr\u00eas anos, sob pena de esses escravos lhes serem confiscados pelos agentes do rei.\">&nbsp;<\/span>.N\u00e3o obstante, o Tribunal do Almirantado de Paris recusou aplicar estas leis porque o Parlamento n\u00e3o reconhecia a escravatura na metr\u00f3pole, levando \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o de centenas de escravos que tinham acompanhado os seus senhores a Paris<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4930879187957474\" aria-label=\"Ibid., 73.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nEm 1777, Antoine de Sartine, ministro da Marinha e ex-prefeito da Pol\u00edcia de Paris, encontrou uma solu\u00e7\u00e3o: a Declara\u00e7\u00e3o para a pol\u00edcia dos escravos, que proibia a entrada de \u00abqualquer negro, mulato, ou outras pessoas de cor, independentemente do sexo\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5634290834416366\" aria-label=\"Art. 1, D\u00e9claration du Roi pour la police des Noirs, donn\u00e9e \u00e0 Versailles le 9 ao\u00fbt 1777 citado em ibid., 99-100. \u00bb\">&nbsp;<\/span>. Ao usar a linguagem da ra\u00e7a em vez do estatuto de escravo, a lei tem o efeito de contornar a oposi\u00e7\u00e3o judicial. Al\u00e9m disso, a pol\u00edcia dos Negros estabeleceu dep\u00f3sitos nos principais portos da Fran\u00e7a, onde os n\u00e3o-Brancos deviam permanecer confinados enquanto aguardavam o primeiro navio dispon\u00edvel que os trouxesse de volta \u00e0 sua col\u00f3nia de origem. Este sistema, contudo, foi alvo de uma resist\u00eancia constante por parte dos tribunais, dos funcion\u00e1rios portu\u00e1rios e, acima de tudo, dos pr\u00f3prios escravos. Durante a Revolu\u00e7\u00e3o, o decreto da Assembleia Constituinte de 28 de setembro de 1791, ressuscitou o princ\u00edpio do \u00absolo libre\u00bb, declarando que \u00abQualquer indiv\u00edduo \u00e9 livre assim que entrar em Fran\u00e7a\u00bb, mas em 1802 Napole\u00e3o restabeleceu a quarentena racial da pol\u00edcia dos Negros<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7980138115555965\" aria-label=\"Ibid., 149; Arr\u00eat\u00e9 du 13 messidor an X (2 juil. 1802), em ibid., 178.\">&nbsp;<\/span>. Finalmente, em 1817, Mathieu Louis, o conde Mol\u00e9, ministro da Marinha, decidiu modificar esta pol\u00edtica. Retirou o artigo 3.\u00ba da Lei de 1777, que tinha ordenado a deten\u00e7\u00e3o e a deporta\u00e7\u00e3o de todos os \u00abnegros ou mulatos que haviam sido trazidos [ou introduzidos] em Fran\u00e7a\u00bb, o que teve o efeito de colocar nos senhores o fardo de devolver escravos \u00e0s col\u00f3nias<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9493118181701858\" aria-label=\"Circular do Ministro da Marinha aos administradores coloniais, 17 de outubro de 1817, Em ibid., 185, 195-196. \">&nbsp;<\/span>. Os senhores que n\u00e3o deixassem os escravos em dep\u00f3sitos portu\u00e1rios \u00e0 chegada arriscavam a perda dos seus escravos, e o minist\u00e9rio recusava-se a intervir em seu nome.<br \/>\nEug\u00e8ne faz parte dos transgressores, optando por n\u00e3o colocar o seu escravo num dep\u00f3sito portu\u00e1rio com vista ao seu regresso imediato. Chegando a Rochefort, o jovem e o seu escravo continuaram at\u00e9 Le Havre, onde Eug\u00e8ne pediu permiss\u00e3o para levar Fantaisie com ele para Paris. O oficial do porto recusou e o incidente foi comunicado ao ministro da Marinha:<\/p>\n<blockquote><p>O Sr. Desbassayns, um estudante da administra\u00e7\u00e3o da marinha, recebeu do Sr. Governador de Bourbon a autoriza\u00e7\u00e3o para ser acompanhado a Fran\u00e7a por um homem negro habituado a prestar-lhe os cuidados que a sua sa\u00fade exige: valendo-se da mesma raz\u00e3o, o Sr. Desbassayns pede que este servo o siga at\u00e9 Paris. Embora a posi\u00e7\u00e3o de um administrador durante a sua viagem n\u00e3o possa, no presente relat\u00f3rio, ser assimilada \u00e0 de um colono, as disposi\u00e7\u00f5es do despacho de 17 de outubro de 1817 s\u00e3o demasiado expl\u00edcitas para que eu me considere dispensado de informar Vossa Excel\u00eancia sobre o pedido concedido<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.13438733276697157\" aria-label=\"Chabanth, Comiss\u00e1rio-geral da Marinha no H\u00e2vre, 11 de junho de 1822. (ANOM G\u00e9n\u00e9ralit\u00e9s Carton 629, Dossier 2735).\">&nbsp;<\/span>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Juntos, Eug\u00e8ne e Fantaisie viajam para Paris e instalam-se na mans\u00e3o da fam\u00edlia em rue Pigalle n\u00b010, aguardando a chegada dos pais de Eug\u00e8ne da \u00cdndia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7112219827495155\" aria-label=\"A baronesa de Richemont e as filhas deixaram Bourbon em fevereiro de 1822. O Governador Freycinet ao ministro da Marinha, 3 de fevereiro de 1822 (Arquivos departamentais da ilha da Reuni\u00e3o 1M306).\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5100\" aria-describedby=\"caption-attachment-5100\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-8-10-rue-Pigalle-fa\u00e7ades-sur-rue.-9\u00e8me-arrondissement-Paris.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5100 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-8-10-rue-Pigalle-fa\u00e7ades-sur-rue.-9\u00e8me-arrondissement-Paris.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"666\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-8-10-rue-Pigalle-fa\u00e7ades-sur-rue.-9\u00e8me-arrondissement-Paris.jpg 900w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-8-10-rue-Pigalle-fa\u00e7ades-sur-rue.-9\u00e8me-arrondissement-Paris-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-8-10-rue-Pigalle-fa\u00e7ades-sur-rue.-9\u00e8me-arrondissement-Paris-768x568.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5100\" class=\"wp-caption-text\">Rue Pigalle nos 6-8-10, fachadas voltadas para a rua. 9\u00ba distrito, Paris. Charles Joseph Antoine Lansiaux. Fotografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Carnavalet, Hist\u00f3ria de Paris<\/figcaption><\/figure>\n<p>O estado de sa\u00fade fr\u00e1gil de Eug\u00e8ne foi confirmado numa carta \u00edntima \u00e0 av\u00f3 Ombline, enquanto esperava pela chegada iminente do pai a Nantes. Grande parte da carta, muito danificada, \u00e9 dif\u00edcil de decifrar, por\u00e9m Eug\u00e8ne menciona claramente \u00abquase um m\u00eas [com] dor lateral\u00bb e \u00abo Doutor que me sangrou\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9858064322805493\" aria-label=\"Eug\u00e8ne Desbassayns, Vichy, a Ombline Desbassayns, Saint-Paul, Bourbon, 12 de julho de 182(3). Arquivos Nacionais de Pierrefitte-sur-Seine, Acervo Panon-Desbassayns e de Vill\u00e8le (1689-1973), 696AP\/9, dos. 2. Calorosos agradecimentos ao Dr. J\u00e9r\u00e9my Boutier pela transcri\u00e7\u00e3o esclarecedora deste correio.\">&nbsp;<\/span>. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o a Fantaisie, o escravo da av\u00f3, o que provavelmente indica que ele continuou a servir Eug\u00e8ne em Paris sem percal\u00e7os durante algum tempo<\/p>\n<p>A baronesa Desbassayns de Richemont relatou a fuga de Fantaisie mais de um ano depois, no outono de 1823. Nenhum elemento no ficheiro explica porque \u00e9 que ele havia abandonado o servi\u00e7o familiar, por\u00e9m podemos imaginar que a chegada dos pais mudou a din\u00e2mica da rela\u00e7\u00e3o entre Eug\u00e8ne e Fantaisie.<br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel que tenha obtido informa\u00e7\u00f5es e inspira\u00e7\u00e3o para a sua fuga por meio uma rede de pessoas livres de cor em Paris, uma vez que a queixa da Sra. Desbassayns foi apenas a mais recente de uma inunda\u00e7\u00e3o de cartas endere\u00e7adas ao minist\u00e9rio por senhores frustrados que procuravam recuperar os seus escravos fugitivos. No final de 1821, por exemplo, um senhor martinicano queixou-se de que o escravo que o tinha acompanhado a Paris \u00abpretende subtrair-se ao meu direito de propriedade\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8589781859974138\" aria-label=\"Soisson, faubourg St. Honor\u00e9, ao ministro, 23 de dezembro de 1821 (ANOM 629, dos. 2735).\">&nbsp;<\/span>. O Conselho de ministros, que se pronunciou sobre o seu pedido em mar\u00e7o de 1822, deliberou que \u00abas leis em vigor na metr\u00f3pole n\u00e3o permitem, no que diz respeito \u00e0s pessoas, qualquer a\u00e7\u00e3o do tipo por ele solicitada para p\u00f4r termo \u00e0 desobedi\u00eancia do seu escravo\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.40281788750857883\" aria-label=\"Minist\u00e9rio da Marinha e das Col\u00f3nias, Nota, mar\u00e7o de 1822 (ANOM 629, dos. 2735).\">&nbsp;<\/span>. Em junho de 1822, outro escravo de Bourbon, Tranquillin, declarou-se livre do seu senhor Jean-Fran\u00e7ois Dancla em Bagn\u00e8res-de-Bigorre, apelando a um advogado para redigir uma argumenta\u00e7\u00e3o que reivindicasse a sua liberdade \u00abpor efeito da sua estadia prolongada no territ\u00f3rio continental do Reino\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8111343104944377\" aria-label=\"O prefeito dos Hauts Pyren\u00e9es foi citado pela sua declara\u00e7\u00e3o: \u00abTodos os jovens advogados de Bagn\u00e8res, exaltados por ideias filantr\u00f3picas, parecem interessar-se pelo destino deste Negro, tendo-o tomado sob a sua prote\u00e7\u00e3o.\u00bb Comandante-geral de Servi\u00e7o, Auguste Bergerrin, Dire\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia, Minist\u00e9rio do Interior ao Ministro da Marinha, 16 de junho de 1823 (ANOM 629, dos. 2735).\">&nbsp;<\/span>. Atrav\u00e9s deste e de outros casos semelhantes, \u00e9 prov\u00e1vel que Fantaisie tenha tomado conhecimento de que as autoridades n\u00e3o interviriam a favor dos Desbassayns.<\/p>\n<h3>Para onde foi Fantaisie?<\/h3>\n<p>Depois da baronesa apresentar uma queixa ao prefeito Paris, a pol\u00edcia encontrou-o na rua Saint-Nicolas n\u00b065, do outro lado da cidade, na casa de um dito Fran\u00e7ois, um homem de cor e m\u00fasico<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.28329643543141325\" aria-label=\"Delavau \u00e0 la baronne, 14 nov. 1823. Embora pudessemos ser levados a pensar que este Fran\u00e7ois seria o homem que fugiu do servi\u00e7o de Henri-Paulin Desbassayns em 1790, este cen\u00e1rio parece improv\u00e1vel.\">&nbsp;<\/span>. Todavia, a pol\u00edcia n\u00e3o pode emitir uma ordem para prender Fantaisie sem motivo. O caso encontrava-se sob a jurisdi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Marinha, sendo que, sem ordem do Ministro, a pol\u00edcia n\u00e3o podia lev\u00e1-lo para um porto a fim de expuls\u00e1-lo. \u00ab[E]le teria de ser culpado de algum delito ou estar em estado de vagabundagem, e nesse caso deveria ser imediatamente colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da autoridade judici\u00e1ria para julgamento em conformidade com a lei que, na aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es, n\u00e3o admite qualquer distin\u00e7\u00e3o de origem\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6851359279309619\" aria-label=\"Ibid. \">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>A fuga de Fantasie n\u00e3o se resumiu a um caso individual. As suas a\u00e7\u00f5es levaram o minist\u00e9rio a reconsiderar a sua pol\u00edtica relativamente aos escravos coloniais trazidos para o reino e que depois escapavam ao controlo do seu senhor. Em novembro de 1823, aquando de uma revis\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia dos Negros original de 1777, e em particular do artigo 3.\u00ba, que previa a deten\u00e7\u00e3o e devolu\u00e7\u00e3o de negros trazidos para Fran\u00e7a, bem como o artigo 12.\u00ba, que garantia que o seu \u00abestado\u00bb (isto \u00e9, escravatura ou liberdade) se mantivesse inalterado durante a sua estadia em Fran\u00e7a, um oficial colonial an\u00f3nimo escreveu uma carta ao prefeito da Pol\u00edcia em nome do ministro da Marinha. Baseando-se no pre\u00e2mbulo da pol\u00edcia dos Negros de 1777, que justificava a exclus\u00e3o de todos os n\u00e3o-Brancos do solo metropolitano com vista a evitar \u00abas maiores desordens&#8230; especialmente na capital\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8729493738544853\" aria-label=\"D\u00e9claration du Roi pour la police des Noirs, donn\u00e9e \u00e0 Versailles le 9 ao\u00fbt 1777, em Boulle e Peabody, Le droit des Noirs, 99.\">&nbsp;<\/span>, este burocrata declara:<\/p>\n<blockquote><p>Do esp\u00edrito desta legisla\u00e7\u00e3o resulta que \u00e9 inteiramente do interesse das Col\u00f3nias que os escravos trazidos para Fran\u00e7a pelos seus senhores sejam enviados para as suas oficinas; al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 menos do interesse da boa ordem, que a Fran\u00e7a rejeite indiv\u00edduos isolados que apenas incrementariam [sic] o n\u00famero de vagabundos; e cuja presen\u00e7a tende a alterar sem qualquer compensa\u00e7\u00e3o, a pureza do sangue europeu<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5212843150304713\" aria-label=\"Ministro da Marinha, Projet (de lettre au) pr\u00e9fet de Police, (Paris), novembre 1823 (ANOME, GEN. 629, dos. 2735).\">&nbsp;<\/span>.<\/p><\/blockquote>\n<p>O ministro Gaspard de Clermont-Tonnerre, depois de examinar este documento, barra a \u00faltima frase sobre a mistura do sangue. N\u00e3o obstante, validou a proposta do Prefeito de que a pol\u00edcia tivesse o poder de prender os escravos fugitivos e entreg\u00e1-los \u00e0s autoridades portu\u00e1rias, onde estariam novamente sob a jurisdi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Marinha: \u00abDe acordo com esta opini\u00e3o que partilho, n\u00e3o duvido que o Senhor [o prefeito da Pol\u00edcia], possa fazer com que o negro em quest\u00e3o [Fantasie] seja devolvido ao dep\u00f3sito.\u00bb No entanto, n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que a carta, sem data, alguma vez tenha sido enviada. Uma nota a l\u00e1pis indica: \u00abguardar esta informa\u00e7\u00e3o\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5027854085413407\" aria-label=\"Ibid.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4874\" aria-describedby=\"caption-attachment-4874\" style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Gaspard_de_Clermont-Tonnerre.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-4874 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Gaspard_de_Clermont-Tonnerre.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Gaspard_de_Clermont-Tonnerre.jpg 328w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Gaspard_de_Clermont-Tonnerre-197x300.jpg 197w\" sizes=\"auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4874\" class=\"wp-caption-text\">Aim\u00e9 Marie Gaspard de Clermont-Tonnerre. Robert Jefferson Bingham. Por volta de 1860. Fotografia<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entusiasmado com a proposta do Prefeito de utilizar os poderes internos da pol\u00edcia do reino para restituir os escravos fugitivos \u00e0s autoridades navais, Clermont-Tonnerre levou esta ideia ao Conselho de ministros para debate em novembro de 1823. Contudo, o Conselho rejeitou a solu\u00e7\u00e3o proposta e decidiu, em vez disso, \u00abque o transporte de escravos das col\u00f3nias para Fran\u00e7a deveria ser absolutamente interdito\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.18432708916902885\" aria-label=\"Nota Ministerial Interna, nov. 1823, sobre as formas de garantir o regresso \u00e0s col\u00f3nias de escravos fugitivos em Fran\u00e7a (ANOM, GEN. 629, dos. 2735).\">&nbsp;<\/span>. Por conseguinte, em mar\u00e7o de 1824, o ministro enviou uma carta circular a todos os governadores coloniais, suspendendo a pol\u00edcia dos Negros e proibindo os administradores de autorizar o movimento de qualquer escravo que deixasse as col\u00f3nias, rumo a Fran\u00e7a ou qualquer outro destino. A pol\u00edtica real refor\u00e7ou assim a clara divis\u00e3o entre a escravatura colonial e a liberdade na Fran\u00e7a metropolitana (estado), distanciando-se da exclus\u00e3o com base na ra\u00e7a (como tinha feito durante todo o per\u00edodo da Restaura\u00e7\u00e3o)<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.48061219475520345\" aria-label=\"Desde o minist\u00e9rio de Mol\u00e9 em 1817, a pol\u00edtica do rei tinha recuado discretamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hierarquias de ra\u00e7a extremas criada por Napole\u00e3o, permitindo as viagens dos Livres de cor entre as col\u00f3nias e a Fran\u00e7a metropolitana, bem como casamentos entre os Livres de cor e os Brancos na Fran\u00e7a metropolitana. Ver Boulle e Peabody, Le droit des Noirs, cap. 8.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nA proibi\u00e7\u00e3o da mobilidade dos escravos, justificada pela necessidade de reter a m\u00e3o-de-obra nas col\u00f3nias na sequ\u00eancia da interdi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico dos mesmos, continuou a ser a pol\u00edtica aplicada pela Fran\u00e7a at\u00e9 1830, quando a Monarquia de Julho voltou a permitir que os escravos fugidos aos seus senhores em solo metropolitano franc\u00eas se tornassem livres de facto. Em 1835, Furcy iniciou o seu recurso no Tribunal de Cassa\u00e7\u00e3o sobre a sua escravid\u00e3o com base na breve resid\u00eancia da m\u00e3e em \u00absolo livre\u00bb da Fran\u00e7a em 1771<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9885222811357116\" aria-label=\"Peabody, Les enfants de Madeleine, ch. 9. \">&nbsp;<\/span>. No ano seguinte, Louis Philippe oficializou o decreto do princ\u00edpio do \u00absolo livre\u00bb, que reconhecia oficialmente o estado livre de todas as pessoas que chegavam ao territ\u00f3rio da Fran\u00e7a metropolitana<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.25445442225725823\" aria-label=\"Decreto de 29 de abril de 1836, Bulletin des lois, 9\u00aa s\u00e9r., v. 12, 1\u00b0 semestre 1836, No 419, pp. 172-173 (no 6276); Boulle e Peabody, Le droit des noirs, 217-218 e 226.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<h3>E o que aconteceu a Fantasie?<\/h3>\n<p>No Seu Conselho de novembro de 1823, os ministros rejeitaram a proposta do Prefeito que requeria a possibilidade de prend\u00ea-lo e entreg\u00e1-lo ao dep\u00f3sito portu\u00e1rio de Brest, para que pudesse ser reenviado para a Ilha Bourbon num navio real. \u00abPara o indiv\u00edduo em quest\u00e3o, o Conselho considera que n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.348664317931086\" aria-label=\"Nota ministerial interna, nov. 1823, sobre os meios para garantir o regresso \u00e0s col\u00f3nias de escravos fugitivos em Fran\u00e7a (ANOM, GEN. 629, dos. 2735). \">&nbsp;<\/span>. Assim, aparentemente Fantaisie alcan\u00e7ou a sua liberdade e continuou a viver tranquilamente em Paris.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4876\" aria-describedby=\"caption-attachment-4876\" style=\"width: 466px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/moi_libre2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-4876 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/moi_libre2-e1619165217624.jpg\" alt=\"\" width=\"466\" height=\"600\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4876\" class=\"wp-caption-text\">\u00abMoi libre\u00bb Em <em>Recueil. Cole\u00e7\u00e3o Vinck. Um s\u00e9culo de hist\u00f3ria da Fran\u00e7a atrav\u00e9s da gravura, 1770-1870. Vol. 44 (exposi\u00e7\u00f5es 5943-6108), Antigo Regime e Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. 1794. \u00c1gua forte colorida.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional da Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 uma ironia da hist\u00f3ria que, uma vez fora da vigil\u00e2ncia da pol\u00edcia e de outras inst\u00e2ncias do Estado franc\u00eas, Fantaisie tenha desaparecido dos arquivos. Hoje, tamb\u00e9m goza da sua liberdade do nosso exame hist\u00f3rico. Apenas podemos imagin\u00e1-lo a ouvir a m\u00fasica de Fran\u00e7ois, procurando um posto de cozinheiro ou criado, enquanto aguardava pelo regresso da primavera na cidade fria e cinzenta que \u00e9 Paris.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6222,"parent":5038,"menu_order":60,"template":"","class_list":["post-6221","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/6221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}