{"id":6321,"date":"2021-10-06T10:38:44","date_gmt":"2021-10-06T08:38:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=6321"},"modified":"2021-11-26T11:57:48","modified_gmt":"2021-11-26T10:57:48","slug":"as-consequencias-economicas-da-abolicao-da-escravatura-em-bourbon","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/abolicao-da-escravatura\/apos-a-abolicao\/as-consequencias-economicas-da-abolicao-da-escravatura-em-bourbon\/","title":{"rendered":"As consequ\u00eancias econ\u00f3micas da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura em Bourbon"},"content":{"rendered":"<h2>A primeira aboli\u00e7\u00e3o da escravatura nas col\u00f3nias francesas (1794) n\u00e3o foi aplicada na ilha da Reuni\u00e3o. A segunda foi decidida por decreto de 27 de abril de 1848, promulgado na Reuni\u00e3o por Sarda-Garriga, Comiss\u00e1rio-geral da Rep\u00fablica, a 19 de dezembro de 1848, tendo os escravos da ilha sido alforriados no dia seguinte. No entanto, embora houvesse sido oficialmente abolida, a escravatura n\u00e3o foi efetivamente suprimida de imediato.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-6321-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/poster_ho_hai_quang.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Hai-Quang-HO-PORT_SUB.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Hai-Quang-HO-PORT_SUB.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Hai-Quang-HO-PORT_SUB.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Com efeito, devido \u00e0 car\u00eancia de m\u00e3o de obra, alguns plantadores enviaram recrutadores para \u00c1frica com a miss\u00e3o de comprar escravos que alforriariam imediatamente, fazendo-os, de seguida, \u201cassinar\u201d contratos com um vinculo de dez anos e, por vezes, sem limite de dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Formalmente, os homens e as mulheres assim recrutados chamavam-se \u201c<em>engag\u00e9s<\/em>\u201d (contratados<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7945721636757141\" aria-label=\"Escolha da tradutora\">&nbsp;<\/span>). Na realidade, tratava-se de uma escravatura disfar\u00e7ada que levaria cerca de trinta anos a desaparecer.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia da Aboli\u00e7\u00e3o, toda a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da ilha foi afetada. Para o governo e para os plantadores, a primeira prioridade era reorganizar a economia de planta\u00e7\u00e3o com novas funda\u00e7\u00f5es (I). Para esta reorganiza\u00e7\u00e3o funcionar, foi necess\u00e1rio criar um banco (II). As transforma\u00e7\u00f5es da economia da planta\u00e7\u00e3o levaram ao surgimento de um pequeno sector comercial e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas \u00e0 escala micro. Al\u00e9m disso, os alforriados n\u00e3o integrados na economia da planta\u00e7\u00e3o tiveram de se reorganizar a fim de sobreviver (III). Contrariamente aos receios da \u00e9poca, a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura n\u00e3o gerou uma cat\u00e1strofe econ\u00f3mica, bem pelo contr\u00e1rio (IV).<\/p>\n<h3>\u00a0A restrutura\u00e7\u00e3o da economia da planta\u00e7\u00e3o,<br \/>\nda escravatura ao salariado for\u00e7ado<\/h3>\n<h4>Apresenta\u00e7\u00e3o geral dos dois sistemas<\/h4>\n<p>A escravatura \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio\/submiss\u00e3o absoluta estabelecida entre duas pessoas, uma das quais \u00e9 a propriet\u00e1ria da outra. Quando esta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 generalizada, torna-se ent\u00e3o a base de um sistema econ\u00f3mico e social, o da escravatura, sendo criado um conjunto de regras que definem os direitos dos senhores sobre os seus escravos e implementados instrumentos de repress\u00e3o para as fazer cumprir.<\/p>\n<p>Na Reuni\u00e3o, a escravatura foi instaurada progressivamente entre o final do s\u00e9culo XVII e o in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII. Todavia, foi somente ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o do <em>Code Noir<\/em> (C\u00f3digo Negro), em 1723, que tomou a sua forma definitiva. O seu objetivo era permitir \u00e0 Companhia das \u00cdndias francesa estabelecer planta\u00e7\u00f5es de cafeeiros e enriquecer atrav\u00e9s da exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 para a Europa.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, os cafezais foram destru\u00eddos por ciclones e a Inglaterra apoderou-se da ilha Maur\u00edcia, que at\u00e9 ent\u00e3o havia fornecido a\u00e7\u00facar \u00e0 Fran\u00e7a. Os plantadores da Reuni\u00e3o aproveitaram a oportunidade para desenvolver a economia a\u00e7ucareira que, na altura, se encontrava na sua fase embrion\u00e1ria. Em 1848, as propriedades a\u00e7ucareiras da Reuni\u00e3o operavam com base num sistema esclavagista que pode ser representado da seguinte forma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O sistema esclavagista<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-esclavagista.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6357\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-esclavagista.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-esclavagista.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-esclavagista-300x143.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-esclavagista-768x366.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><br \/>\n<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 1848, este sistema teve que ser completamente remodelado porque os senhores tornam-se \u201cpatr\u00f5es\u201d e os escravos haviam sido alforriados. Concretamente, a propriedade do senhor sobre a pessoa do seu escravo tinha sido suprimida e o <em>Code Noir<\/em>, que j\u00e1 n\u00e3o tinha qualquer raz\u00e3o de ser, desapareceu. A partir da\u00ed, tornou-se indispens\u00e1vel organizar outro regime de trabalho baseado na compra e venda da m\u00e3o de obra do produtor imediato. Simultaneamente, tiveram de ser criadas novas regras jur\u00eddicas para formalizar a rela\u00e7\u00e3o entre empregadores e trabalhadores.<\/p>\n<p>Nada mudou no dom\u00ednio das rela\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas laborais: os \u201cbandos\u201d de trabalhadores labutavam arduamente sob as ordens dos comandantes. As tarefas a desempenhar e os hor\u00e1rios de trabalho permaneciam semelhantes aos do regime esclavagista. Por\u00e9m, aquilo que se transformou fundamentalmente foi o estatuto social do produtor direto: este deixou de ser escravo, para se tornar um <em>assalariado for\u00e7ado<\/em>, que:<br \/>\n\u2022 era juridicamente livre, mas privado de qualquer meio de produ\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u2022 era autorizado a vender temporariamente a sua for\u00e7a de trabalho em troca de um sal\u00e1rio;<br \/>\n\u2022 possu\u00eda um contrato de trabalho que estabelecia tanto o sal\u00e1rio como as condi\u00e7\u00f5es laborais;<br \/>\n\u2022 tinha um contrato, v\u00e1lido por v\u00e1rios anos consecutivos, que n\u00e3o podia ser rescindido em momento algum: da\u00ed a utiliza\u00e7\u00e3o do termo \u201cfor\u00e7ado\u201d em vez de assalariado livre.<\/p>\n<p>A tabela seguinte especifica as diferen\u00e7as entre o estatuto de escravo e o de contratado.<\/p>\n<table style=\"height: 593px;\" width=\"703\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>Liberdades e direitos<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\"><strong>Escravo<\/strong><\/td>\n<td width=\"111\"><strong>Contratado<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>Religi\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\">Ades\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e0 religi\u00e3o cat\u00f3lica apost\u00f3lica e romana.<\/td>\n<td width=\"111\">Liberdade<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>Casamento<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\">Com a permiss\u00e3o do senhor. Proibi\u00e7\u00e3o de casamentos inter-raciais e casamentos entre alforriados e escravos.<\/td>\n<td width=\"111\">Liberdade<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>Direito de reuni\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\">Proibi\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es com escravos de outras propriedades<\/td>\n<td width=\"111\">Liberdade limitada<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>Com\u00e9rcio<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\">Proibi\u00e7\u00e3o de comprar e vender, exceto com a permiss\u00e3o do senhor.<\/td>\n<td width=\"111\">Liberdade<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>Propriedade<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\">Os escravos n\u00e3o podem possuir nada.<\/td>\n<td width=\"111\">Direito de propriedade<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>Deslocamento<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\">Proibi\u00e7\u00e3o de deixar o dom\u00ednio sem a permiss\u00e3o do senhor<\/td>\n<td width=\"111\">Deslocamentos controlados<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"121\"><strong>A\u00e7\u00f5es na justi\u00e7a<\/strong><\/td>\n<td width=\"236\">Incapacidade jur\u00eddica<\/td>\n<td width=\"111\">Capacidade jur\u00eddica<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O esquema abaixo permite visualizar o sistema do salariado for\u00e7ado, a base da nova organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica que se seguiu \u00e0 escravatura a partir de 1849.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>O sistema de salariado for\u00e7ado<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-salariado-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6353\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-salariado-3.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-salariado-3.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-salariado-3-300x149.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/O-sistema-de-salariado-3-768x381.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><br \/>\n<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como \u00e9 que este novo regime foi implementado?<\/p>\n<h4>A implementa\u00e7\u00e3o do salariado for\u00e7ado<\/h4>\n<p>O salariado for\u00e7ado que se aplicava aos alforriados n\u00e3o foi organizado da mesma forma que o dos imigrantes.<\/p>\n<p><strong>Os alforriados: do salariado for\u00e7ado e obrigat\u00f3rio ao trabalho obrigat\u00f3rio<br \/>\n<\/strong>O salariado remunerado e obrigat\u00f3rio aplic\u00e1vel aos alforriados foi criado pela lei de 18 de julho de 1845. Sarda-Garriga inspirou-se nisto, emitindo decretos em 1848 e 1849, for\u00e7ando todos os alforriados a alistarem-se durante um ou dois anos como trabalhadores junto ao seu antigo senhor. Este sistema de trabalho s\u00f3 terminou em dezembro de 1851. Como foi aplicado?<\/p>\n<p>Uma pesquisa de terreno mostra que, em 1de janeiro de 1852, dois ter\u00e7os dos alforriados j\u00e1 n\u00e3o residiam nas planta\u00e7\u00f5es. Como podemos explicar esta diminui\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel?<\/p>\n<p>O trabalho salariado s\u00f3 pode funcionar se os trabalhadores forem remunerados. Todavia, em 1848, os pequenos plantadores n\u00e3o tinham os fundos necess\u00e1rios para pagar aos trabalhadores. \u00c9 certo que o decreto que aboliu a escravatura preconizava que uma indemniza\u00e7\u00e3o deveria ser concedida a todos os propriet\u00e1rios de escravos. Contudo, a lei que previa a indemniza\u00e7\u00e3o s\u00f3 entrou em vigor a 30 de abril de 1849, outorgando a cada antigo propriet\u00e1rio de escravos da Reuni\u00e3o uma soma de 711,59 francos por escravo, que embora inferior ao pre\u00e7o m\u00e9dio de um escravo<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6716225035679373\" aria-label=\"Em 1847, havia 46 090 escravos na Reuni\u00e3o. O montante total \u00e9 de 79 103 800. Portanto, o valor m\u00e9dio de um escravo perfaz 1716. Minist\u00e9rio da Marinha e das Col\u00f3nias, Tableaux de population, de culture, de commerce et de navigation.\">&nbsp;<\/span>, era suficiente para pagar os sal\u00e1rios. No entanto esta indemniza\u00e7\u00e3o foi paga demasiado tarde: a primeira presta\u00e7\u00e3o (33,88 francos por escravo) s\u00f3 foi paga em outubro de 1849, e o restante saldo somente entre 1850 e 1852<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2942898224997421\" aria-label=\"A indemniza\u00e7\u00e3o que cabe \u00e0 ilha da Reuni\u00e3o ascende a 43 159 200 francos, decompondo-se em duas partes. Uma (2 055 200 francos) \u00e9 paga em dinheiro, e a outra (41 104 000 francos) consiste numa renda a 5 %. O n\u00famero de escravos tendo sido estimado em 60 651, a compensa\u00e7\u00e3o por escravo totaliza 711,60 francos dos quais 33,88 francos em dinheiro e 677,71 francos em capital de renda.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Recusando-se a trabalhar de gra\u00e7a, um grande n\u00famero de alforriados abandonou as propriedades produtoras de a\u00e7\u00facar. Este movimento de deser\u00e7\u00e3o afetou os pequenos propriet\u00e1rios de terras que empobreceram drasticamente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a causa da diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de contratados tamb\u00e9m reside na estrat\u00e9gia de alguns plantadores que optaram por expulsar trabalhadores improdutivos ou pouco produtivos dos seus dom\u00ednios. Na \u00e9poca da escravatura, os senhores eram obrigados a garantir a subsist\u00eancia dos seus escravos doentes, idosos, etc. Ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, esta obriga\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o existia, sendo vantajoso simplesmente livrar-se deles, substituindo-os por contratados recrutados do estrangeiro.<br \/>\nO quadro que se segue resume as estrat\u00e9gias de m\u00e3o de obra mais utilizadas pelos plantadores.<\/p>\n<table style=\"height: 381px;\" width=\"701\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"236\"><strong>Estrat\u00e9gias dos plantadores<\/strong><\/td>\n<td width=\"217\"><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"236\"><strong>Pura<\/strong> <strong>desmobiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>: O\u00a0propriet\u00e1rio n\u00e3o contrata os seus antigos escravos nem trabalhadores imigrantes<\/td>\n<td width=\"217\">Abandono da produ\u00e7\u00e3o. Os escravos alforriados encontram-se da noite para o dia sem comida nem dormida.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"236\"><strong>Atra\u00e7\u00e3o-recrutamento:<\/strong> O\u00a0plantador recruta os alforriados desmobilizados e os trabalhadores imigrantes.<\/td>\n<td width=\"217\">Aumento do n\u00famero de trabalhadores e crescimento extensivo da planta\u00e7\u00e3o.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"236\"><strong>Desmobiliza\u00e7\u00e3o-recrutamento: <\/strong>O\u00a0 plantador descarta os seus ex-escravos pouco produtivos, substituindo-os por trabalhadores imigrantes.<\/td>\n<td width=\"217\">O n\u00famero de trabalhadores permanece constante, mas o grupo que formam torna-se mais eficiente.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es sociais e pol\u00edticas, era dificilmente poss\u00edvel manter o sistema de salariado for\u00e7ado para al\u00e9m de 1851. A partir de 1852, o governo organizou um regime de trabalho obrigat\u00f3rio que se estendia a todos aqueles que n\u00e3o tinham os seus pr\u00f3prios meios de subsist\u00eancia. Para tal, foi implementado um sistema de controlo.<br \/>\n\u2022 Os trabalhadores das explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e industriais tinham que possuir um contrato de trabalho.<br \/>\n\u2022 Os outros tinham que ter um livrete de trabalho.<br \/>\n\u2022 Aqueles que n\u00e3o possu\u00edam estes documentos eram considerados como vagabundos.<\/p>\n<p>A fim de reduzir a inseguran\u00e7a p\u00fablica e a mendicidade, o governo alargou a legisla\u00e7\u00e3o nacional relativa \u00e0 vagabundagem \u00e0 Ilha da Reuni\u00e3o, conferindo a este termo uma defini\u00e7\u00e3o mais ampla do que na metr\u00f3pole de modo a poder reprimi-lo de forma mais severa. De facto, esta legisla\u00e7\u00e3o manteve-se praticamente sem efeito, uma vez que a administra\u00e7\u00e3o colonial n\u00e3o tinha meios para a implementar.<\/p>\n<p><strong>O afluxo de imigrantes e o desenvolvimento do salariado for\u00e7ado<\/strong><br \/>\nEm 1815, o Congresso de Viena proibiu o tr\u00e1fico de escravos. Embora tenha sido criado um com\u00e9rcio clandestino, isto n\u00e3o foi suficiente para que a Reuni\u00e3o mantivesse o seu n\u00famero de escravos cujo n\u00famero diminuiu de 71 000 para 60 300 entre 1830 e 1847. Al\u00e9m disso, esta m\u00e3o de obra envelhecia.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, a partir de 1828, a administra\u00e7\u00e3o colonial e, em seguida, os plantadores organizaram a importa\u00e7\u00e3o de trabalhadores indianos e chineses, sendo que foram elaborados alguns textos oficiais para reger as rela\u00e7\u00f5es laborais. Todavia, este novo regime n\u00e3o se desenvolveu. Sobre-explorados, colocados na mesma posi\u00e7\u00e3o que os escravos com quem trabalhavam, os trabalhadores recrutados revoltaram-se. A administra\u00e7\u00e3o teve de repatriar e proibir qualquer novo recrutamento de imigrantes.<\/p>\n<p>No entanto, depois da Aboli\u00e7\u00e3o, tornou-se essencial reabrir as portas da imigra\u00e7\u00e3o. Foi realizada legisla\u00e7\u00e3o para organizar o recrutamento, o transporte e o desembarque na Reuni\u00e3o de trabalhadores contratados, bem como a sua distribui\u00e7\u00e3o entre os plantadores&#8230; Estes contratados eram trabalhadores que tinham assinado voluntariamente contratos de trabalho que os vinculavam duradouramente (cinco anos) ao seu empregador, sendo uma parte do seu sal\u00e1rio pago em esp\u00e9cie e a outra em dinheiro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_393\" aria-describedby=\"caption-attachment-393\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-les-sources-de-l-emigration-non-europeenne-a-la-reunion-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-393 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-les-sources-de-l-emigration-non-europeenne-a-la-reunion-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-les-sources-de-l-emigration-non-europeenne-a-la-reunion-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-les-sources-de-l-emigration-non-europeenne-a-la-reunion-web-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-les-sources-de-l-emigration-non-europeenne-a-la-reunion-web-768x540.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-393\" class=\"wp-caption-text\">As origens da emigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o europeia para a Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>No in\u00edcio, as remessas de imigrantes eram constitu\u00eddas quase exclusivamente por homens jovens e robustos, mas depois a administra\u00e7\u00e3o imp\u00f4s uma pequena percentagem de mulheres. Em 1860, as mulheres constitu\u00edam 20% dos contratados presentes na ilha. No total, entre 1849 e 1881, quase 150 000 trabalhadores foram levados para a ilha da Reuni\u00e3o, principalmente oriundos da \u00cdndia, mas tamb\u00e9m de \u00c1frica e Madag\u00e1scar. Em 1881, perfaziam 46 450, 20% dos quais eram africanos, 65,9% indianos, 13,7% malgaxes e 0,4% chineses.<\/p>\n<figure id=\"attachment_395\" aria-describedby=\"caption-attachment-395\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-les-sources-de-l-emigration-indienne-vers-la-reunionp-361-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-395 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-les-sources-de-l-emigration-indienne-vers-la-reunionp-361-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"876\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-les-sources-de-l-emigration-indienne-vers-la-reunionp-361-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-les-sources-de-l-emigration-indienne-vers-la-reunionp-361-web-274x300.jpg 274w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-les-sources-de-l-emigration-indienne-vers-la-reunionp-361-web-768x841.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-395\" class=\"wp-caption-text\">As origens da emigra\u00e7\u00e3o indiana para a Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>No total, os imigrantes representavam 30% da popula\u00e7\u00e3o da ilha. Para alimentar os indianos recrutados, os plantadores tiveram de importar grandes quantidades de arroz. At\u00e9 ent\u00e3o, isto n\u00e3o tinha sido necess\u00e1rio porque os escravos tinham de se contentar com o que os seus senhores lhes davam, o milho que cultivavam formando a base da sua dieta.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o dos assalariados for\u00e7ados foi realizada de acordo com o princ\u00edpio de uma bomba de suc\u00e7\u00e3o\/expuls\u00e3o: os plantadores recrutavam no estrangeiro; quando estavam desgastados, repatriavam-nos e contratavam trabalhadores novos.<\/p>\n<h3>A cria\u00e7\u00e3o do Banco da Reuni\u00e3o<\/h3>\n<p>Durante o per\u00edodo de escravatura, a economia de mercado era pouco significativa e os escravos n\u00e3o recebiam dinheiro, pelo que os plantadores n\u00e3o precisavam de possuir capitais l\u00edquidos substanciais.<\/p>\n<p>No entanto, a nova economia de planta\u00e7\u00e3o tinha que ser abastecida com cr\u00e9ditos e dispor de uma massa monet\u00e1ria suficiente para funcionar corretamente. Por\u00e9m, em 1848, n\u00e3o havia banco na Reuni\u00e3o. Fundada em 1821, a \u201cCaisse d&#8217;escompte\u201d tinha sido liquidada em 1826 e a \u201cCaisse d&#8217;escompte et de pr\u00eats\u201d, que a veio substituir, cessou as suas atividades em 1834. Para preencher este vazio, Sarda-Garriga criou, por decreto de 16 de abril de 1849, o \u201cComptoir d&#8217;escompte et de pr\u00eats de l&#8217;\u00cele de LaR\u00e9union\u201d. Este banco efetuou um trabalho eficiente, mas a sua exist\u00eancia foi de curta dura\u00e7\u00e3o. A lei de 30 de abril de 1849 ordenou a funda\u00e7\u00e3o, em cada col\u00f3nia, de um banco colonial de emiss\u00e3o de moeda, empr\u00e9stimos e descontos.<\/p>\n<p>Institu\u00eddo pela lei de 11 de julho de 1851, o \u201cBanque Coloniale de la Reunion\u201d substituiu assim o \u201cComptoir d&#8217;escompte\u201d. O BR era um banco comercial: podia receber dep\u00f3sitos, emprestar capitais e conceder empr\u00e9stimos a curto prazo. Detinha tamb\u00e9m o privil\u00e9gio exclusivo de emitir notas, que s\u00f3 podiam circular na Reuni\u00e3o. Esta divisa tinha estatuto legal, o que significa que todos os credores, tanto p\u00fablicos como privados, eram obrigados a aceit\u00e1-la como meio de pagamento. O privil\u00e9gio de emiss\u00e3o \u00e9 uma vantagem absolutamente consider\u00e1vel, pois significa que o BR podia, em princ\u00edpio, emitir tanto dinheiro quanto desejasse, sem ter de suportar outros custos que n\u00e3o os da impress\u00e3o das notas. Para evitar um abuso deste poder, era proibido emitir notas para al\u00e9m do triplo das suas reservas met\u00e1licas.<\/p>\n<p>O capital inicial da BR foi fixado em 3 000 000 francos. Para angariar uma parte, estava previsto que dos 711,59 francos por escravo a receber, os antigos senhores cuja compensa\u00e7\u00e3o ultrapassasse os 1000 francos receberiam sete oitavos, enquanto os restantes seriam retidos para formar o capital do BR do qual se tornavam acionistas.<\/p>\n<p>Este estabelecimento abriu as suas portas em julho de 1853. A sua cria\u00e7\u00e3o foi de extrema import\u00e2ncia, na medida em que facilitou a transi\u00e7\u00e3o da economia esclavagista, que podia funcionar com uma massa monet\u00e1ria muito reduzida, para uma economia capitalista que s\u00f3 poderia desenvolver-se plenamente caso tivesse um aparelho banc\u00e1rio capaz de fornecer cr\u00e9dito \u00e0s empresas e emitisse uma oferta monet\u00e1ria proporcional \u00e0s necessidades da produ\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio.<\/p>\n<h3>Atividades econ\u00f3micas perif\u00e9ricas<\/h3>\n<h4>Os alforriados \u00e0 margem da planta\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>De acordo com um inqu\u00e9rito realizado a pedido dos plantadores, no in\u00edcio de 1848, a popula\u00e7\u00e3o servil que trabalhava em explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas que empregavam mais de dez escravos ascendia a 48 698 pessoas, das quais 53% eram homens, 25,8% mulheres e 21,2% crian\u00e7as<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8075412732993414\" aria-label=\"Patu de Rosemont, Rapport au Comice agricole de Sainte-Suzanne sur la question concernant le travail des affranchis, 1854.\">&nbsp;<\/span>. O que lhe aconteceu depois da Aboli\u00e7\u00e3o? \u00c9 imposs\u00edvel saber precisamente porque n\u00e3o existem estat\u00edsticas sobre ela, o que \u00e9 normal, uma vez que a partir de 1848 apenas havia pessoas livres.<\/p>\n<p>O que \u00e9 certo \u00e9 que a sua integra\u00e7\u00e3o na economia da ilha foi extremamente dif\u00edcil. De facto, enquanto os propriet\u00e1rios de escravos foram indemnizados, os alforriados n\u00e3o receberam qualquer compensa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o poderia ser de outra forma. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o vemos em que base poderia ter sido calculada uma qualquer indemniza\u00e7\u00e3o, como, sobretudo, atribuir aos alforriados uma parcela de terra ou uma soma de dinheiro, ter-lhes-ia permitido viver a partir dela e t\u00ea-los-ia tornado independentes. Por conseguinte, sem m\u00e3o de obra, a economia da planta\u00e7\u00e3o teria sido dizimada, pelo menos momentaneamente, privando assim a metr\u00f3pole de a\u00e7\u00facar e arruinando os plantadores.<\/p>\n<p>Alguns alforriados deixaram as planta\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 aventura nas partes altas da ilha onde, desde o final do s\u00e9culo XVIII, grupos de colonizadores brancos pobres tinham come\u00e7ado a estabelecer-se. Tal como eles, sedentarizaram-se e criaram uma economia de subsist\u00eancia que consistia na recole\u00e7\u00e3o e em algumas atividades agr\u00edcolas rudimentares.<\/p>\n<p>Outros alforriados foram capazes de se integrarem como trabalhadores de tarefas \u00e1rduas nas mais importantes aglomera\u00e7\u00f5es costeiras. Outros foram contratados por homens livres de cor que se haviam tornado agricultores mesmo antes da Aboli\u00e7\u00e3o. Com efeito, 5 865 escravos tinham sido alforriados entre 1830 e 1847, dos quais 299 agricultores que possu\u00edam terras e escravos para as cultivar. No entanto, muitos n\u00e3o conseguiram reintegrar-se normalmente na nova sociedade. Para sobreviver, algumas mulheres n\u00e3o tinham outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o dedicar-se \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. As crian\u00e7as, os idosos, os feridos no trabalho tornaram-se um subproletariado definhando nos arredores das aldeias. O primeiro hosp\u00edcio de Saint-Denis, que abriu as suas portas em 1850 viu chegar \u201cde todos os lados, doentes, inv\u00e1lidos e idosos\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5075775393831088\" aria-label=\"Dr. Az\u00e9ma, Histoire de la ville de Saint-Denis de 1815 \u00e0 1870, p. 102.\">&nbsp;<\/span>. As epidemias causaram desola\u00e7\u00e3o no seio desta popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>A emerg\u00eancia de pequenos propriet\u00e1rios indianos<\/h4>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos escravos que n\u00e3o eram remunerados em dinheiro e que n\u00e3o podiam possuir qualquer bem pr\u00f3prio, os trabalhadores contratados recebiam um sal\u00e1rio que podiam gastar como bem entendessem.<\/p>\n<p>Documentos oficiais da d\u00e9cada de 1860 atestam a exist\u00eancia de pequenas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas detidas por contratados indianos. Na maioria das vezes, era terra indivisa pertencente a v\u00e1rias pessoas. O capital usado para adquiri-las provinha geralmente das poupan\u00e7as que os indianos realizavam gra\u00e7as aos seus sal\u00e1rios. Al\u00e9m disso, no final do seu contrato, alguns deles optaram por ficar na ilha de Reuni\u00e3o, assumindo pequenas parcelas de terra em arrendamento parcel\u00e1rio. Era uma esp\u00e9cie de arrendamento de terras em que o locat\u00e1rio tinha de produzir o que o propriet\u00e1rio ordenava e que era quase sempre cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>O colono tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o um pequeno espa\u00e7o para montar a sua cabana, cultivar algumas plantas alimentares, criar algumas aves, porcos&#8230; A venda destes produtos proporcionava-lhe rendimentos. Foi assim que uma pequena classe de \u201cagricultores-vendedores\u201d p\u00f4de gradualmente emergir.<\/p>\n<h4>Alargamento da economia de mercado e emerg\u00eancia do pequeno com\u00e9rcio<\/h4>\n<p>Na \u00e9poca da escravatura, a economia de mercado era pouco difusa, porque os escravos n\u00e3o eram remunerados em dinheiro, pelo que a procura no mercado local era muito baixa. S\u00f3 o com\u00e9rcio de grandes dimens\u00f5es era consider\u00e1vel e dizia principalmente respeito \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Com o surgimento da contrata\u00e7\u00e3o tudo mudou: os contratados recebiam um sal\u00e1rio que aumentava a procura solv\u00edvel no mercado interno. \u00c9 certo que n\u00e3o foi muito extensa porque em 1859 a Reuni\u00e3o contava apenas 65 000 contratados. Mas esta dimens\u00e3o foi suficiente para atrair para a ilha novos imigrantes de Gujarat (\u00cdndia) e da China, sendo na viragem das d\u00e9cadas de 1850 e 1860 que come\u00e7aram a chegar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_397\" aria-describedby=\"caption-attachment-397\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-source-de-l-emigration-libre-indienne9-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-397 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-source-de-l-emigration-libre-indienne9-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-source-de-l-emigration-libre-indienne9-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-source-de-l-emigration-libre-indienne9-web-300x240.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-source-de-l-emigration-libre-indienne9-web-768x614.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-397\" class=\"wp-caption-text\">A origem da emigra\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria indiana<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_399\" aria-describedby=\"caption-attachment-399\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-foyers-de-l-emigration-chinoise-vers-la-reunion-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-399 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-foyers-de-l-emigration-chinoise-vers-la-reunion-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"908\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-foyers-de-l-emigration-chinoise-vers-la-reunion-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-foyers-de-l-emigration-chinoise-vers-la-reunion-web-264x300.jpg 264w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-4-foyers-de-l-emigration-chinoise-vers-la-reunion-web-768x872.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-399\" class=\"wp-caption-text\">Focos da emigra\u00e7\u00e3o chinesa para a Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estes n\u00e3o eram contratados recrutados pelos plantadores, mas pessoas que vinham voluntariamente para se instalarem na ilha da Reuni\u00e3o e a\u00ed fazerem com\u00e9rcio.<br \/>\nOs contratados constitu\u00edam a maior parte da sua clientela. Os comerciantes chineses propunham principalmente produtos alimentares, ao passo que os comerciantes indianos eram especializados em tecidos e quinquilharia. Em todo o caso, tratava-se de microcom\u00e9rcios que garantiam aos que ali trabalhavam somente o suficiente para viverem, mas n\u00e3o para lucrarem.<\/p>\n<h3>Crescimento da economia de planta\u00e7\u00e3o e escassez de alimentos<\/h3>\n<p>O crescimento da economia a\u00e7ucareira de planta\u00e7\u00e3o pode ser analisado atrav\u00e9s de estat\u00edsticas. O quadro seguinte mostra a extens\u00e3o das \u00e1reas cultivadas com cana-de-a\u00e7\u00facar, o aumento do n\u00famero de trabalhadores e a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"90\"><strong>\u00a0<\/strong><\/td>\n<td width=\"109\"><strong>\u00c1rea da planta\u00e7\u00e3o de cana (ha)<\/strong><\/td>\n<td width=\"109\"><strong>N\u00famero de trabalhadores<\/strong><\/td>\n<td width=\"109\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar (toneladas)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"90\"><strong>1853<\/strong><\/td>\n<td width=\"109\">39 922<\/td>\n<td width=\"109\">45 675<\/td>\n<td width=\"109\">37 794<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"90\"><strong>1859<\/strong><\/td>\n<td width=\"109\">64 207<\/td>\n<td width=\"109\">70 457<\/td>\n<td width=\"109\">61 978<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>HO Hai Quang, Histoire \u00e9conomique de l\u2019\u00eele de La R\u00e9union (1849-1881), <\/em>p. 115.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as superf\u00edcies consagradas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de v\u00edveres estagna, como indicado abaixo.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"67\"><\/td>\n<td width=\"60\"><strong>1852<\/strong><\/td>\n<td width=\"60\"><strong>1853<\/strong><\/td>\n<td width=\"60\"><strong>1854<\/strong><\/td>\n<td width=\"60\"><strong>1855<\/strong><\/td>\n<td width=\"60\"><strong>1856<\/strong><\/td>\n<td width=\"60\"><strong>1857<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"67\"><strong>V\u00edveres<\/strong><\/td>\n<td width=\"60\">33 831<\/td>\n<td width=\"60\">32 209<\/td>\n<td width=\"60\">34 107<\/td>\n<td width=\"60\">31 038<\/td>\n<td width=\"60\">34 120<\/td>\n<td width=\"60\">23 137<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Minist\u00e9rio da Marinha e das Col\u00f3nias, Tabelas de popula\u00e7\u00e3o, cultivo, com\u00e9rcio e navega\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios anos<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o n\u00famero de bocas para alimentar aumentava com a chegada dos novos contratados (a popula\u00e7\u00e3o passou de 100 000 habitantes em 1850 para 178 000 em 1860), a escassez de produtos alimentares fez-se sentir e os pre\u00e7os come\u00e7aram a subir.<\/p>\n<p>A Reuni\u00e3o, que outrora tinha sido o \u201cceleiro das Mascarenhas\u201d e um exportador de v\u00edveres, come\u00e7ou a importar cada vez mais. De 1840 a 1849, a importa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia era de 15,7 milh\u00f5es de francos por ano. O seu valor atingiu os 42,6 em 1859, quase triplicando numa d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O arroz vinha da \u00cdndia, o peixe salgado da Terra Nova, as leguminosas e a carne de Madag\u00e1scar. Em 1857, a Reuni\u00e3o evitou a fome por um triz gra\u00e7as \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o isenta de impostos de cereais nutritivos e \u00e0 compra de arroz malgaxe a um pre\u00e7o elevado. Aprendendo com estes eventos, o governo tomou medidas para incentivar a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e9neros aliment\u00edcios.<\/p>\n<h3>Conclus\u00e3o<\/h3>\n<p>1 &#8211; Na v\u00e9spera da Aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, a economia do a\u00e7\u00facar era v\u00edtima de uma crise de m\u00e3o de obra. Embora a Aboli\u00e7\u00e3o tenha inicialmente agravado esta situa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m ofereceu aos plantadores que tinham os meios, a oportunidade de se livrarem dos seus escravos improdutivos substituindo-os por trabalhadores saud\u00e1veis e jovens, oriundos principalmente da \u00cdndia e de \u00c1frica.<\/p>\n<p>2 \u2013 A escravatura, enquanto sistema econ\u00f3mico, foi substitu\u00edda por m\u00e3o de obra contratada, que se define como um sistema de <em>salariado for\u00e7ado<\/em>. A sua decomposi\u00e7\u00e3o, a partir de 1882, traduzir-se-\u00e1 no desenvolvimento de dois modos de produ\u00e7\u00e3o: por um lado, o colonato (colonato parci\u00e1rio) na agricultura e, por outro, o salariado livre.<\/p>\n<p>3 \u2013 Al\u00e9m disso, na periferia da economia da planta\u00e7\u00e3o, e no seu cerne, assistimos ao surgimento de um pequeno com\u00e9rcio a retalho (nas m\u00e3os dos chineses e dos indo-mu\u00e7ulmanos), bem como de uma propriedade de micro terras, base sobre a qual se formou gradualmente uma classe de \u201cagricultores-vendedores\u201d que se desenvolveria depois de 1882, com a extens\u00e3o do arrendamento parcelar.<\/p>\n<p>4 &#8211; De 1852 a 1960, os produtores de a\u00e7\u00facar mais poderosos conseguiram expandir as suas propriedades, moderniz\u00e1-las, aumentando, assim, a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar. Por sorte, o pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar estava em alta. Para eles, era a &#8220;Belle-\u00c9poque&#8221;;<\/p>\n<p>5 &#8211; Enquanto a riqueza se acumulava num polo da sociedade, no outro polo, os contratados e os alforriados n\u00e3o integrados na economia da planta\u00e7\u00e3o viviam na mis\u00e9ria. Estamos, portanto, perante um crescimento de exclus\u00e3o. O Governador Darricau observou:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEm todo o lado fiquei impressionado com um facto que me tocou profundamente: ao lado da mais exuberante das culturas, ao lado da mais magn\u00edfica produ\u00e7\u00e3o, demarca-se a mais triste escassez; a riqueza num pequeno n\u00famero de m\u00e3os, enquanto a maioria da popula\u00e7\u00e3o vive na mis\u00e9ria\u201d<span style=\"font-size: 1rem;\"><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3878769061716143\" aria-label=\"Antoine Roussin, Album de La R\u00e9union, t. 1, p. 43.\">&nbsp;<\/span>.<\/span><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6322,"parent":5042,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-6321","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/6321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5042"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}