{"id":6494,"date":"2021-10-27T09:36:29","date_gmt":"2021-10-27T07:36:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=6494"},"modified":"2021-11-26T11:56:34","modified_gmt":"2021-11-26T10:56:34","slug":"o-trabalho-contratado-indiano-no-seculo-xix-na-reuniao","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/abolicao-da-escravatura\/apos-a-abolicao\/o-trabalho-contratado-indiano-no-seculo-xix-na-reuniao\/","title":{"rendered":"O trabalho contratado indiano no s\u00e9culo XIX na Reuni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>O trabalho contratado foi a forma de trabalho que veio substituir a escravatura nas col\u00f3nias esclavagistas onde a organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o assentava num grande n\u00famero de escravos. Tratava-se de um \u00abtrabalho for\u00e7ado\u00bb, apesar de os trabalhadores serem juridicamente livres.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-6494-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/poster_marimoutou2.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mich\u00e8le-MARIMOUTOU-LEngagisme-Indien-PORT_SUB.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mich\u00e8le-MARIMOUTOU-LEngagisme-Indien-PORT_SUB.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mich\u00e8le-MARIMOUTOU-LEngagisme-Indien-PORT_SUB.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>A partir do s\u00e9culo XVIII, a Companhia das \u00cdndias come\u00e7ou a fazer vir para a Reuni\u00e3o trabalhadores contratados para compensar a falta de m\u00e3o de obra europeia. No entanto, foi com o advento do a\u00e7\u00facar no s\u00e9culo XIX que o recrutamento dessa for\u00e7a de trabalho for\u00e7ado constitu\u00edda pelos contratados realmente se acentuou. De um volume de chegadas que se calcula na ordem de 200 000 pessoas, 70 % provinham do subcontinente indiano. Era, pois, a varia\u00e7\u00e3o de chegadas dos fluxos migrat\u00f3rios de indianos que marcava o ritmo do trabalho contratado na Reuni\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1818\" aria-describedby=\"caption-attachment-1818\" style=\"width: 1493px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1818 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1493\" height=\"1500\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1.jpg 1493w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1-768x772.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1-1019x1024.jpg 1019w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-111-1-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1818\" class=\"wp-caption-text\">Mapa extra\u00eddo de \u00abTableau G\u00e9ographique et Statistique des Possessions fran\u00e7aises orientales\u00bb.<br \/>Baudoin fr\u00e8res. 19e si\u00e8cle. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os contratados indianos foram levados para a ilha em tr\u00eas etapas que diferiram pelos locais de recrutamento e a sua proximidade com o per\u00edodo de escravatura.<br \/>\nQuando a primeira vaga migrat\u00f3ria, de fraca amplitude, chegou, a escravatura ainda era a norma de produ\u00e7\u00e3o na ilha; a segunda vaga deu-se ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura; e a terceira, por fim, sucedeu-se \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do trabalho for\u00e7ado africano, em 1859.<br \/>\nNo total, 117 813<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4193482062073709\" aria-label=\"Segundo Scherer, A. in Histoire de la R\u00e9union, Que sais-je? PUF, 1980, p. 74. Mas n\u00e3o dispomos de documentos suficientes para confirmar este n\u00famero.\">&nbsp;<\/span> contratados indianos tinham sido introduzidos na ilha, mas esses n\u00fameros s\u00e3o reduzidos pela opera\u00e7\u00e3o que consiste em contar por meia ou um quarto de pessoa os beb\u00e9s e crian\u00e7as com menos de dez anos. Enquanto n\u00e3o dispusermos das listas de embarca\u00e7\u00f5es que transportaram os indianos para a Reuni\u00e3o, n\u00e3o poderemos fornecer o n\u00famero exato desses trabalhadores contratados.<\/p>\n<p>Por altura da retrocess\u00e3o da Ilha \u00e0 Fran\u00e7a pela Gr\u00e3-Bretanha, em 1815, inquietos com endurecimento anunciado do tr\u00e1fico dos negros em 1817, os plantadores procuravam solu\u00e7\u00f5es para o problema da m\u00e3o de obra que se avizinhava, apesar do tr\u00e1fico clandestino<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3069767498475987\" aria-label=\"Entre 30 000 e 50 000 indiv\u00edduos, segundo as fontes.\">&nbsp;<\/span> e dos m\u00e9todos utilizados para manter os indiv\u00edduos ao servi\u00e7o<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.16352954763747063\" aria-label=\" A\u00efssaoui M., l\u2019Affaire Furcy ; Marimoutou Oberl\u00e9 M. \u00ab L\u2019esclavisation des Libres de couleur au XIXe si\u00e8cle : le cas de l\u2019Indien Isidore \u00bb in Histoire de la justice, La Documentation fran\u00e7aise, 2020.\">&nbsp;<\/span>. Isto, porque a cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar, em plena ascens\u00e3o, por iniciativa de Charles Desbassayns, exige uma m\u00e3o de obra abundante e f\u00e1cil de controlar.<br \/>\nOra, a partir de 1826, os colonos passaram a ter uma fonte generosa na \u00cdndia: a 12 de mar\u00e7o de 1826, Eug\u00e8ne Panon Desbassayns de Richemont, neto de Ombline Panon Desbassayns, chegou a Pondicheri como comiss\u00e1rio da marinha e administrador dos estabelecimentos coloniais franceses da \u00cdndia; de 18 de junho de 1826 a 2 de agosto de 1828, foi governador de Pondicheri.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1871\" aria-describedby=\"caption-attachment-1871\" style=\"width: 312px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eug\u00e8ne-Desbassayns.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1871 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eug\u00e8ne-Desbassayns.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eug\u00e8ne-Desbassayns.jpg 312w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eug\u00e8ne-Desbassayns-229x300.jpg 229w\" sizes=\"auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1871\" class=\"wp-caption-text\">Eug\u00e8ne Panon Desbassayns Comte de Richement (28 de mar\u00e7o de 1800 &#8211; 26 de junho de 1859). Pormenor de <em>Arbre g\u00e9n\u00e9alogique de la famille Desbassayns<\/em>. J\u00e9han de Vill\u00e8le. Aguarela, l\u00e1pis de carv\u00e3o. 1989.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1826, atribu\u00edram-se concess\u00f5es aos \u00abdom\u00e9sticos indianos\u00bb que desembarcassem na ilha, sob o controlo de um senhor<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4702517075754251\" aria-label=\"Segundo o despacho local de 18 de janeiro de 1826, deveriam trabalhar ao servi\u00e7o de algu\u00e9m domiciliado na ilha, e essa pessoa, por sua vez, comprometer-se-ia a pagar as despesas de um eventual reenvio. Eram contrata\u00e7\u00f5es disfar\u00e7adas.\">&nbsp;<\/span>. Em dezembro de 1827, ap\u00f3s a segunda lei abolicionista de 27 de abril de 1827, essa exig\u00eancia passou a aplicar-se aos contratados.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1740\" aria-describedby=\"caption-attachment-1740\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1740 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes.jpg\" alt=\"\" width=\"493\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes.jpg 493w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes-247x300.jpg 247w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1740\" class=\"wp-caption-text\">Indiana, Tom-Jones, indianos [Outras personagens sem legendas].<br \/>Jean-Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Aguarela.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Em 1828, provavelmente, entre abril e junho<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.09293364730137332\" aria-label=\"Junho, segundo LACPATIA, F. Les Indiens de La R\u00e9union. 3 volumes, 1.\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1983..\">&nbsp;<\/span> desembarcaram os quinze primeiros \u00abcontratados do a\u00e7\u00facar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3778323094597287\" aria-label=\"T\u00edtulos da minha obra publicada em 1986, 1989 e 1998, Les engag\u00e9s du sucre.\">&nbsp;<\/span> \u00bb oficiais do s\u00e9culo XIX. Foram transportados na goleta <em>La Turquoise<\/em>, partida a 16 de mar\u00e7o de 1828, de Yanaon, um pequeno enclave franc\u00eas na costa de Coromandel, na \u00cdndia brit\u00e2nica.<br \/>\nEsses trabalhadores chegaram com o estatuto de homens livres, numa altura em que a m\u00e3o de obra ainda era essencialmente formada por escravos, o que s\u00f3 acabaria a 20 de dezembro de 1848.<br \/>\nAlguns documentos permitem localizar com precis\u00e3o as resid\u00eancias<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.33840395153964287\" aria-label=\"Anexo 1-B, in GOVINDIN, S.S. Les engag\u00e9s indiens, Ile de La R\u00e9union-XIXe si\u00e8cle, Azal\u00e9es \u00e9ditions, 1994, p. 151.\">&nbsp;<\/span> mas a maioria desses indianos indicava Yanaon como local de nascimento, considerando-se \u00abnatural de Yanaon\u00bb. Eram ditos da \u00abcasta dos telingas\u00bb como SOUBA VENCADOU, de 35 anos, em 1830, ou \u00abda casta dos parias\u00bb, como BANLA VINCADOU, de 26 anos, quando chegou em 1830, no navio<em> La Pallas<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1771\" aria-describedby=\"caption-attachment-1771\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-8-FI-30-groupe-dIndiens-dans-les-ann\u00e9es-1860-album-de-C-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1771 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-8-FI-30-groupe-dIndiens-dans-les-ann\u00e9es-1860-album-de-C-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-8-FI-30-groupe-dIndiens-dans-les-ann\u00e9es-1860-album-de-C-1.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-8-FI-30-groupe-dIndiens-dans-les-ann\u00e9es-1860-album-de-C-1-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-8-FI-30-groupe-dIndiens-dans-les-ann\u00e9es-1860-album-de-C-1-768x457.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1771\" class=\"wp-caption-text\">Grupo de indianos nos anos 1860. In<em> Album de Caroline Viard<\/em> . 1860. Fotografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Eram as dificuldades econ\u00f3micas que levavam as pessoas a sair desta costa do Orissa e do pa\u00eds dos telingas. Segundo Pito\u00ebff<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07482755483904513\" aria-label=\"PITO\u00cbFF P., \u00ab Yanaon et les engag\u00e9s de La R\u00e9union : trois exp\u00e9riences d\u2019\u00e9migration au XIXe si\u00e8cle \u00bb in Les relations historiques et culturelles entre la France et l\u2019Inde XVIIe-XXe si\u00e8cles, 1986, t.II, p. 228.\">&nbsp;<\/span>, dos 268 indianos embarcados entre 1828 e 7 de agosto de 1829, 197 eram parias, 27 mu\u00e7ulmanos, 13 tecel\u00f5es, 13\u00a0cultivadores e 5 pescadores.<br \/>\nCom efeito, as condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o apresentadas na \u00cdndia eram atrativas: os trabalhadores dispunham de um contrato adaptado a partir do que era utilizado pela Companhia das \u00cdndias para fazer chegar \u00e0 ilha, no s\u00e9culo XVIII, os trabalhadores indianos especializados necess\u00e1rios para construir edif\u00edcios e infraestrutura.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1768\" aria-describedby=\"caption-attachment-1768\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2013-370_1-travaux-executes-au-port-de-saint-pierre.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1768 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2013-370_1-travaux-executes-au-port-de-saint-pierre.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"479\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2013-370_1-travaux-executes-au-port-de-saint-pierre.jpg 700w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2013-370_1-travaux-executes-au-port-de-saint-pierre-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1768\" class=\"wp-caption-text\">Trabalhos realizados no porto de Saint-Pierre (ilha da Reuni\u00e3o). Biou, gravador; Maurand, gravador; M. Roussin, desenhador. In <em>Le Monde Illustr\u00e9<\/em>. 1861. Estampa. Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<br \/>Acervo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>O contrato tinha uma dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos e uma remunera\u00e7\u00e3o de sete rupias (ou dez francos) mensais, al\u00e9m de alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o. Era dado um adiantamento de tr\u00eas meses na altura da contrata\u00e7\u00e3o na \u00cdndia, e uma parte dos sal\u00e1rios ganhos em Bourbon era transferida para as fam\u00edlias atrav\u00e9s do sistema de delega\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o transporte de ida e volta entre Yanaon e Bourbon ficava a cargo do contratante.<br \/>\nNo local, os indianos tinham o direito de praticar a sua religi\u00e3o e os seus costumes, como o de queimar os seus mortos. O dr.\u00a0Morizot, oficial de sa\u00fade em Saint Paul, de 1832 a 1838, escreve na sua tese: \u00abainda queimavam, h\u00e1 pouco, os seus mortos em locais designados pelas autoridades e bastante afastados das cidades\u2026<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.823745727058707\" aria-label=\" MORIZOT, J. Consid\u00e9rations historiques et m\u00e9dicales sur l\u2019\u00e9tat de l\u2019esclavage \u00e0 l\u2019\u00eele Bourbon (Afrique). Tese apresentada na Faculdade de Medicina de Montpellier, a 25 de julho de 1838, reedi\u00e7\u00e3o Orphie, Reuni\u00e3o 2017, p. 27.\">&nbsp;<\/span> \u00bb. Essa pr\u00e1tica parece ter desaparecido, entretanto, substitu\u00edda por enterros.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1746\" aria-describedby=\"caption-attachment-1746\" style=\"width: 664px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-125-fete-des-travailleurs-indiens.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1746 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-125-fete-des-travailleurs-indiens.jpg\" alt=\"\" width=\"664\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-125-fete-des-travailleurs-indiens.jpg 664w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1990-125-fete-des-travailleurs-indiens-300x194.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1746\" class=\"wp-caption-text\">Festa dos trabalhadores indianos. Louis Antoine Roussin, Paul Eug\u00e8ne Rouhette de Monforand;<br \/>A partir de A. L\u00e9on. 1998. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1830, mais de 3000<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.898804164284734\" aria-label=\"3012, segundo WICKERS, L. L\u2019Immigration r\u00e8glement\u00e9e, op.cit., p.32; 3196, segundo WEBER, Jacques. \u00abLes conventions de 1860 et 1861 sur l\u2019\u00e9migration indienne\u00bb. op.cit., 2000, p. 131. 3211, segundo Pito\u00ebff, op. cit.\">&nbsp;<\/span> contratados indianos chegaram em vinte e uma embarca\u00e7\u00f5es<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07843444939555022\" aria-label=\"N\u00famero atualmente identificado de navios de imigrantes indianos com destino \u00e0 Reuni\u00e3o, entre 1828 e 1830 (20 de Yanaon e 1 de Calcut\u00e1).\">&nbsp;<\/span>, ou seja, 3 % do fluxo total, e foram registados numa matr\u00edcula geral criada em julho de 1829<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4693979733397573\" aria-label=\"Esse documento parece j\u00e1 n\u00e3o existir.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nEra uma emigra\u00e7\u00e3o essencialmente masculina com algumas mulheres, como Naly P\u00e9ry, \u00abindiana livre, da casta dos parias, de cerca de 35 anos, natural de Yanaon \u00bb, que viria a falecer a 23 de novembro de 1830, menos de sete meses ap\u00f3s a sua chegada no navio <em>la Pallas<\/em>. Contratada ao servi\u00e7o do <em>sieur<\/em> Joseph Desbassayns, morrera na resid\u00eancia dele, em Bel Air, Sainte-Suzanne<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7301068994165602\" aria-label=\"ANOM. Certid\u00e3o de \u00f3bito n.\u00b0 18, 24-11-1830.\">&nbsp;<\/span> \u2014\u00a0a sua curta esperan\u00e7a de vida atestando as dificuldades que o local apresentava.<br \/>\nAssim, s\u00f3 na comuna de Sainte-Suzanne, em 1829, encontramos as mortes de quatro indianos \u00ablivres\u00bb e de seis, em 1830, sem men\u00e7\u00e3o das causas. Entre eles, encontrava-se um dos quinze homens que desembarcaram da <em>Turquoise<\/em>, Chinon (ou Chinom), Abigadou Apaya, cultivador a servi\u00e7o do estabelecimento de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar dos <em>sieurs<\/em> Rontaunay e Malavois. Morreu a 6 de outubro de 1829<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.675995372679951\" aria-label=\"ANOM. Certid\u00e3o de \u00f3bito n.\u00b07, 7-10-1829.\">&nbsp;<\/span>, com 23 anos, deixando uma vi\u00fava na \u00cdndia, Chinom Saty<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3332764362028632\" aria-label=\"Anexo 1. In GOVINDIN, S.S. op.cit., 1994, p. 151.\">&nbsp;<\/span>. Quanto aos outros, seis morreram no ano em que chegaram e tr\u00eas no ano seguinte\u2026<\/p>\n<figure id=\"attachment_1748\" aria-describedby=\"caption-attachment-1748\" style=\"width: 457px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-570-suicide.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1748 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-570-suicide.jpg\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"550\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-570-suicide.jpg 457w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-570-suicide-249x300.jpg 249w\" sizes=\"auto, (max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1748\" class=\"wp-caption-text\">A imigra\u00e7\u00e3o indiana. O gendarme constata a morte. An\u00f3nimo. 1888. In <em>Journal des voyages et des aventures de terre et mer.<\/em> N.\u00ba 564. 29 de abril de 1888, 1.\u00aa p\u00e1g.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le. Acervo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ora, o despacho de 3 de julho de 1829 fixa claramente as condi\u00e7\u00f5es do recrutamento e o quadro de trabalho, instituindo uma comiss\u00e3o de supervis\u00e3o para garantir a aplica\u00e7\u00e3o desses regulamentos. Mas, apesar de os textos relembrarem aos contratantes que n\u00e3o devem confundir os contratados indianos com os escravos e apesar de, em 1831, se ter nomeado um sindicato, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tardaria a degradar-se, por falta de aplica\u00e7\u00e3o dos textos e incumprimento dos contratos. Os plantadores justificavam essa situa\u00e7\u00e3o com a falta de rendimento da m\u00e3o de obra livre relativamente ao dos escravos, e da\u00ed a utiliza\u00e7\u00e3o frequente de puni\u00e7\u00f5es corporais n\u00e3o obstante o facto de serem proibidas. Face \u00e0s dificuldades com que se confrontavam, os indianos assumiam diferentes atitudes, desde o abandono do trabalho, at\u00e9 \u00e0 fuga, passando pela rebeli\u00e3o.<br \/>\nA crise da produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar nos anos 1830-1831 s\u00f3 veio piorar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos contratados. A partir de 1832, a maioria dos plantadores deixa de querer recorrer ao \u00abtrabalho livre\u00bb.<br \/>\nEssa primeira emigra\u00e7\u00e3o controlada pelo governo da \u00cdndia francesa mas cujo com\u00e9rcio era deixado aos negociantes, s\u00f3 dura 18 meses. Na verdade, os colonos n\u00e3o respeitavam os seus contratos nem em Bourbon, nem na \u00cdndia onde depressa se colocaria a quest\u00e3o do pagamento das delega\u00e7\u00f5es \u00e0s fam\u00edlias. O governo da \u00cdndia francesa teria de ser substitu\u00eddo por particulares e, por fim, essa emigra\u00e7\u00e3o seria proibida por despacho pondicheriano datado de 6 de mar\u00e7o de 1839.<br \/>\nO n\u00famero de contratados diminuiu rapidamente com o retorno e a morte de muitos. Constatando que a maioria dos indianos tinham abandonado as oficinas e passado \u00aba dedicar-se \u00e0 vagabundagem\u00bb, o governador usa o despacho de 13\u00a0de junho que refor\u00e7a o controlo dos contratados com a cria\u00e7\u00e3o de um registo-matr\u00edcula em cada esquadra da pol\u00edcia, menos em Saint-Denis, onde se encontra a matr\u00edcula geral: doravante, todos deveriam ser registados nos dois tipos de registo-matr\u00edcula.<\/p>\n<p>A ilha de Bourbon\/da Reuni\u00e3o foi o \u00fanico territ\u00f3rio onde, durante alguns anos, vinte anos antes da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, milhares de indianos trabalhariam ao lado dos escravos nas planta\u00e7\u00f5es, antes de esta experi\u00eancia ser proibida e apesar de, na realidade, centenas de contratados continuarem a desembarcar<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.33653918273007855\" aria-label=\"Pelo menos sete transportes vindos da \u00cdndia chegariam entre 1839 e 1848. Sobre a quest\u00e3o das liga\u00e7\u00f5es entre a escravatura na \u00cdndia e o trabalho contratado nas Mascarenhas, ver \u00abLe coolie-trade vers La r\u00e9union au XIXe : une traite d\u00e9guis\u00e9e?\u00bb, in Chaillou-Atrous, V. Penot P-E (s.d.), M\u00e9langes offerts \u00e0 Jacques Weber, les Indes savantes, 2019, pp.135-147.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Seria preciso esperar por 27 de abril de 1848 e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura para que o recrutamento em n\u00famero de trabalhadores indianos fosse novamente autorizado pelo despacho de 29 de julho 1848. A partir de ent\u00e3o, a col\u00f3nia passou a abastecer-se nos Estabelecimentos coloniais franceses da \u00cdndia, sobretudo nos portos da costa de Coromandel \u2014 e o quadro legislativo foi refor\u00e7ado.<br \/>\nA 20 de dezembro de 1848, o navio de tr\u00eas mastros Mah\u00e9 de Labourdonnais desembarcou os primeiros 500 contratados embarcados em Pondicheri e Karaikal.<br \/>\nEra o in\u00edcio da segunda vaga de imigra\u00e7\u00e3o indiana sob contrato que conduziria para a ilha dezenas de milhares de s\u00fabditos teoricamente recrutados em territ\u00f3rio franc\u00eas, mas que tamb\u00e9m traria muitos do interior brit\u00e2nico. O decreto emitido pelo Comiss\u00e1rio da Rep\u00fablica em Pondicheri, a 23 de junho de 1849, fixava a idade m\u00ednima do trabalhador nos 21 anos, bem como a obriga\u00e7\u00e3o, por parte da comiss\u00e3o de emigra\u00e7\u00e3o, de verificar que cada trabalhador partiria voluntariamente e com conhecimento dos termos do seu contrato.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1750\" aria-describedby=\"caption-attachment-1750\" style=\"width: 475px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-68-livret-d-engage.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1750 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-68-livret-d-engage.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-68-livret-d-engage.jpg 475w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-68-livret-d-engage-219x300.jpg 219w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1750\" class=\"wp-caption-text\">Caderneta de contratado. 1901.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1850, os principais negociadores de Pondicheri e Karaikal fundaram a Soci\u00e9t\u00e9 d\u2019\u00e9migration de Pondich\u00e9ry, que detinha o monop\u00f3lio de fornecimento de trabalhadores para os navios de transporte. Tratava-se de um com\u00e9rcio extremamente rent\u00e1vel: em 1850, para 4500 engag\u00e9s entregues na Reuni\u00e3o, os lucros foram de 90 000 rupias, ou seja, 225 000 francos<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.38060851489512515\" aria-label=\"Weber J., \u00ab Entre traite et coolie trade : l\u2019affaire de l\u2019Auguste (1854), in Lettres du CIDIF, n\u00b011, 2010.\">&nbsp;<\/span>. Les armements comme la CGM augmentent leurs b\u00e9n\u00e9fices en refusant les enfants.<br \/>\nArmadores como o CGM aumentaram os seus lucros ao rejeitarem as crian\u00e7as.<br \/>\nNa Reuni\u00e3o, entre 1848 e 1849, uns quantos despachos vieram organizar o trabalho e o funcionamento das oficinas de disciplina; o de 24 de maio de 1849 organizaria o servi\u00e7o de imigra\u00e7\u00e3o e nomearia os sindicatos especiais encarregados de defender os interesses dos imigrantes, controlando-os.<br \/>\nA regulamenta\u00e7\u00e3o, no seu todo, seria retomada nos decretos de 13 de fevereiro e 27 de mar\u00e7o de 1852, que marcaram a interven\u00e7\u00e3o do Estado na imigra\u00e7\u00e3o dos trabalhadores com destino a todas as col\u00f3nias francesas.<br \/>\nPara evitar custos demasiado elevados, em 1853, seria criada uma sociedade de imigra\u00e7\u00e3o na Reuni\u00e3o, que deteria o monop\u00f3lio da introdu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores at\u00e9 1855. Cerca de 47 000 contratados vieram de Karaikal e Pondicheri, entre 1848 e 1859, ou seja, 40 % dos chegados no s\u00e9culo XIX<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7705946904652576\" aria-label=\"CAOM, C 118, D 1011, Immigration-statistiques de 1848 \u00e0 1860 : 46 685 Indiens introduits.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nQuando as Antilhas come\u00e7aram tamb\u00e9m a mandar vir contratados indianos, o fluxo para a Reuni\u00e3o sofreu uma forte redu\u00e7\u00e3o, passando a um ter\u00e7o do que era, a partir de 1854.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1752\" aria-describedby=\"caption-attachment-1752\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-206.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1752 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-206.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-206.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-206-300x137.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ME-2009-01-206-768x350.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1752\" class=\"wp-caption-text\">Chegada, \u00e0 Guadalupe, dos coolies trabalhadores contratados para as Antilhas francesas.<br \/>An\u00f3nimo. 1858. Estampa.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le. Acervo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, o governo brit\u00e2nico, que necessitava de contratados para as suas pr\u00f3prias col\u00f3nias, impunha obst\u00e1culo atr\u00e1s de obst\u00e1culo, proibindo, a partir de 1839, toda a emigra\u00e7\u00e3o para col\u00f3nias estrangeiras. Ali\u00e1s, em 1849, o negociante da Reuni\u00e3o, B\u00e9dier-Prairie, seria inspecionado em Yanaon, na foz do rio Coringuy, apanhado com s\u00fabditos brit\u00e2nicos, e condenado a uma pena de pris\u00e3o de cinco dias: o caso faria um grande estardalha\u00e7o.<br \/>\nEssa concorr\u00eancia entre pa\u00edses e destinos traduzia-se em m\u00e9todos de recrutamento brutais, como o demonstrariam, em 1853, os casos De Souza e o do <em>Auguste<\/em>, em Karaikal, em 1854<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7459734428288393\" aria-label=\"Weber J., l\u2019affaire de l\u2019Auguste, 2010, op.cit.\">&nbsp;<\/span> : De Souza tinha estabelecido uma rede de rapto de jovens menores drogados com haxixe e mantidos por recetadores, para serem embarcados, enganando ou o m\u00e9dico da emigra\u00e7\u00e3o ou a pol\u00edcia<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2829513481640522\" aria-label=\"Weber J., \u00ab les conventions de 1860 et 1861 sur l\u2019\u00e9migration indienne \u00bb, in Cahier des Anneaux de la M\u00e9moire n\u00b02. Esclavage et engagisme dans l\u2019oc\u00e9an Indien, la traite atlantique, Nantes, 2000, pp. 128-168. \">&nbsp;<\/span>. Quanto ao <em>Auguste<\/em>, desde a sua partida de Pondicheri que se tinham exercido todo o tipo de atos de brutais contra os emigrantes, com mulheres v\u00edtimas de viola\u00e7\u00e3o e doentes atirados borda-fora!<\/p>\n<figure id=\"attachment_1754\" aria-describedby=\"caption-attachment-1754\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2017-3-2-etablissement-menciol.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1754 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2017-3-2-etablissement-menciol.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2017-3-2-etablissement-menciol.jpg 700w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2017-3-2-etablissement-menciol-300x186.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1754\" class=\"wp-caption-text\">Estabelecimento Menciol, refinaria de M. Soucaze nos Hauts de Bras des Chevrettes, Quartier St. Andr\u00e9.<br \/>Louis Antoine Roussin.1857. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas explora\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar rurais, os contratados confrontaram-se com condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho dif\u00edceis. Com efeito, o que os contratantes pretendiam era uma m\u00e3o de obra barata e f\u00e1cil de controlar, o que j\u00e1 n\u00e3o era o caso dos 62 000 novos alforriados<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.37462978434864724\" aria-label=\"Le Terrier X. demonstra como as oficinas de trabalho recuperariam rapidamente o seu n\u00edvel e, at\u00e9, o superariam, com a chegada dos contratados indianos (a partir de 1849 para o Norte e Leste, de 1850 para o Oeste e o Sul), evitando, assim, como acontecera nas Antilhas, uma quebra muito grande de produ\u00e7\u00e3o. La main d\u2019\u0153uvre du sucre-De l\u2019engagisme au colonat-Bourbon\/La R\u00e9union 1848-1914, Editions du Mus\u00e9e Stella Matutina, 2016, p. 45 et sq.\">&nbsp;<\/span>. Os contratos passariam a ser de cinco anos, de 12,50 francos para os homens, 7,50 francos para as mulheres e ainda menos para as crian\u00e7as com mais de dez anos. O alojamento garantido pelo contrato era muitas vezes ex\u00edguo: apinhavam-se v\u00e1rios em divis\u00f5es min\u00fasculas; a alimenta\u00e7\u00e3o era reduzida ao essencial e, muitas vezes, o sal\u00e1rio servia para cobrir d\u00edvidas acumuladas na loja da explora\u00e7\u00e3o. Por fim, o sistema de corte duplo (dois dias de trabalho para compensar cada dia de aus\u00eancia) prolongava ainda mais a dura\u00e7\u00e3o do contrato. O delito da vagabundagem permitia punir todos os que fossem encontrados fora da explora\u00e7\u00e3o sem justifica\u00e7\u00e3o: especialmente encarregados de procurar os contratados em fuga, os guardas de controlo de vagabundagem eram diretamente inspirados nos ca\u00e7adores de escravos evadidos. Isto, porque o trabalho contratado se vivia nos mesmos espa\u00e7os e com a mesma organiza\u00e7\u00e3o que a escravatura, essencialmente, nas planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e nas explora\u00e7\u00f5es-refinarias; por\u00e9m, os contratados tinham o direito de propriedade, de transmitir o seu patrim\u00f3nios aos filhos que mantinham os nomes pr\u00f3prios indianos e a liberdade religiosa; entretanto, a Igreja procurava evangelizar esses rec\u00e9m-chegados, recorrendo a jesu\u00edtas como o padre Laroche, que, entre 1855 e 1868, tomou a cargo a miss\u00e3o dos indianos que, na verdade, s\u00f3 envolvia 2000 a 3000 indiv\u00edduos. Enquanto alguns dos grandes propriet\u00e1rios, como, os Desbassayns, Vill\u00e8le ou Kerv\u00e9guen, promoviam a evangeliza\u00e7\u00e3o dos seus trabalhadores, outros mostravam-se renitentes, n\u00e3o s\u00f3 por causa do tempo de trabalho que se perdia, mas tamb\u00e9m por causa do apego dos indianos \u00e0s suas religi\u00f5es<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9021923894057146\" aria-label=\"Delisle P., \u00ab Un \u00e9chec relatif : La mission des engag\u00e9s indiens aux Antilles et \u00e0 La R\u00e9union (seconde moiti\u00e9 du XIXe si\u00e8cle) \u00bb, in Outre-Mers. Revue d\u2019histoire, 2001, pp.189-203.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1756\" aria-describedby=\"caption-attachment-1756\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/R03381-cabanes-ou-paillotes-abritant-les-malabares.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1756 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/R03381-cabanes-ou-paillotes-abritant-les-malabares.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"633\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/R03381-cabanes-ou-paillotes-abritant-les-malabares.jpg 650w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/R03381-cabanes-ou-paillotes-abritant-les-malabares-300x292.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1756\" class=\"wp-caption-text\">Cabanas ou palhotas dos malabars das refinarias em Bourbon. Jules Gaildrau. 1887. Estampa.<br \/>In <em>La France coloniale illustr\u00e9 : Alg\u00e9rie, Tunisie, Congo, Madagascar, Tonkin et autres colonies fran\u00e7aises..<\/em>. A.-M. G.&#8221;, p. 225.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1860, para uma popula\u00e7\u00e3o total de 175 000 habitantes, 65 000 eram trabalhadores contratados, ou seja, 37-38 000\u00a0indianos, 26 000 africanos, 443 chineses e alguns vindos das ilhas do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>O exemplo da prosperidade mauriciana, com a chegada de mais de 264 000 contratados indianos entre 1842 e 1859, conduziria \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o com a Gr\u00e3-Bretanha da possibilidade de recrutar contratados dos territ\u00f3rios brit\u00e2nicos. A condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via seria o despacho registado em janeiro de 1859, que considera a imigra\u00e7\u00e3o africana uma nova forma de tr\u00e1fico negreiro e a pro\u00edbe na Reuni\u00e3o a partir de 18 de mar\u00e7o 1859.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1820\" aria-describedby=\"caption-attachment-1820\" style=\"width: 475px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1998-8-6-3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1820 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1998-8-6-3.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"597\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1998-8-6-3.jpg 475w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1998-8-6-3-239x300.jpg 239w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1820\" class=\"wp-caption-text\">Tipos das Maur\u00edcias: trabalhador indiano = indian labourer. Alfred Richard. 1850. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>A 25 de julho de 1860, foi assinada uma conven\u00e7\u00e3o franco-brit\u00e2nica que autoriza um primeiro recrutamento de 6000\u00a0indianos com destino \u00e0 Reuni\u00e3o. A 1 de agosto de 1861, essa conven\u00e7\u00e3o foi alargada \u00e0s outras col\u00f3nias de explora\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar francesas, sem limite de n\u00famero: essas conven\u00e7\u00f5es regulamentam as modalidades da imigra\u00e7\u00e3o dos anglo-indianos, desde o recrutamento, at\u00e9 aos pormenores da vida quotidiana. A contrapartida local era a presen\u00e7a de um c\u00f4nsul brit\u00e2nico encarregado de zelar pelo cumprimento dos contratos e receber as queixas dos contratados.<br \/>\nO porto de Calcut\u00e1, principal ponto de embarque para as col\u00f3nias brit\u00e2nicas passou a estar aberto ao recrutamento. Cerca de 10 000 \u00abCalcutta\u00bb e \u00abBengali\u00bb seriam desembarcados no lazareto da Grande Chaloupe, mas os colonos consider\u00e1-los-iam inaptos para os duros trabalhos dos campos e rejeit\u00e1-los-iam: esses trabalhadores estavam, com efeito, particularmente afetados pela c\u00f3lera que na altura os dizimava.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1781\" aria-describedby=\"caption-attachment-1781\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-63-liste-des-bateaux-avec-le-chol\u00e9ra-\u00e0-bord-en-1861.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1781 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-63-liste-des-bateaux-avec-le-chol\u00e9ra-\u00e0-bord-en-1861.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"657\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-63-liste-des-bateaux-avec-le-chol\u00e9ra-\u00e0-bord-en-1861.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-63-liste-des-bateaux-avec-le-chol\u00e9ra-\u00e0-bord-en-1861-300x197.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ADR-12-M-63-liste-des-bateaux-avec-le-chol\u00e9ra-\u00e0-bord-en-1861-768x505.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1781\" class=\"wp-caption-text\">Lista dos navios que atracaram com a c\u00f3lera a bordo em 1861. Manuscrito.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os embarques retomariam rapidamente a partir das feitorias francesas \u2014 sobretudo de Pondicheri e Karaikal \u2014 e do porto brit\u00e2nico de Madras.<br \/>\nNo entanto, a partir de meados da d\u00e9cada de 1860, uma importante crise viria abalar o mundo do a\u00e7\u00facar n\u00e3o s\u00f3 com a entrada da beterraba na competi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com surtos de pragas da cana como a broca, a ponto de, em alguns anos, os contratados n\u00e3o encontrarem trabalho. As condi\u00e7\u00f5es de vida degradar-se-iam para os contratados no seu todo; tanto assim seria que o c\u00f4nsul brit\u00e2nico pediria uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito. Formada por um franc\u00eas, o comandante Miot, e um brit\u00e2nico, o major general Goldsmisth, em 1877, a comiss\u00e3o exporia a situa\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel em que se encontravam v\u00e1rios contratados, alguns dos quais a viver na ilha havia vinte anos, apesar de quererem ser repatriados<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8689962860442321\" aria-label=\"CAOM c.277; o relat\u00f3rio confidencial do comandante Miot foi microfilmado e parcialmente publicado em Archives de La R\u00e9union-Recueil de documents et travaux in\u00e9dits pour servir \u00e0 l\u2019histoire des \u00eeles fran\u00e7aises de l\u2019oc\u00e9an Indien, Conseil g\u00e9n\u00e9ral de La R\u00e9union, 1986.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>O governo brit\u00e2nico exigiu, entre outras coisas, que as despesas da imigra\u00e7\u00e3o fossem inscritas no or\u00e7amento da col\u00f3nia como obrigat\u00f3rias, a nomea\u00e7\u00e3o de um protetor dos imigrantes como o que existia nas Maur\u00edcias, o fim das \u201crecontrata\u00e7\u00f5es\u201d antecipadas, a alcooliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e o direito do c\u00f4nsul de visitar os locais de trabalho. Esse \u00faltimo ponto foi totalmente rejeitado pelas inst\u00e2ncias coloniais francesas que consideravam tratar-se de uma inger\u00eancia estrangeira.<br \/>\nPor fim, a 11 de novembro de 1882, a conven\u00e7\u00e3o de 1861 foi suspensa: os \u00faltimos contratados indianos foram penosamente recrutados em Pondicheri e desembarcados do <em>La Marguerite<\/em> em 1885.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido nomeado um Provedor dos imigrantes em 1881, de a dura\u00e7\u00e3o dos contratos ter sido reduzida para tr\u00eas anos, de as condi\u00e7\u00f5es de trabalho terem sido melhoradas e de terem sido redigidas novas conven\u00e7\u00f5es, a emigra\u00e7\u00e3o indiana para a Reuni\u00e3o n\u00e3o voltaria a recuperar e a col\u00f3nia teria de recorrer a outras fontes de recrutamento.<br \/>\nNa aus\u00eancia de fontes fi\u00e1veis, n\u00e3o sabemos o n\u00famero exato de contratados indianos chegados entre 1860 e 1885. Se ficarmos pelo n\u00famero dado por Scherer, seriam 57 % do total, ou seja, cerca de 66 000 pessoas. De momento, s\u00f3 se identificaram 114 envios que teriam entre 40 000 e 46 000 indiv\u00edduos<span style=\"font-size: 1rem;\"><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.26744650732500297\" aria-label=\" Marimoutou-Oberl\u00e9, M. Engagisme et contr\u00f4le sanitaire-Quarantaine et lazarets de quarantaine dans les Mascareignes aux XIXe et d\u00e9but du XXe si\u00e8cle. Tese de Doutoramento defendida em outubro de 2015 sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Jacques Weber, Universidade de Nantes, em curso de publica\u00e7\u00e3o.\">&nbsp;<\/span>.<\/span><\/p>\n<p>O trabalho contratado indiano era, antes de mais nada, uma emigra\u00e7\u00e3o de trabalho totalmente deficit\u00e1ria em mulheres. A chegada de uma maioria de homens, dos quais apenas um quarto poderia regressar \u00e0 \u00cdndia, e a sua instala\u00e7\u00e3o mudariam para sempre a composi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local e as suas pr\u00e1ticas culturais<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6507,"parent":5042,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-6494","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/6494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5042"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6507"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}