{"id":6555,"date":"2021-10-28T13:31:40","date_gmt":"2021-10-28T11:31:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=6555"},"modified":"2021-11-26T11:54:12","modified_gmt":"2021-11-26T10:54:12","slug":"o-colonato-parciario-e-a-agricultura-colonial-o-caso-das-propriedades-acucareiras","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/abolicao-da-escravatura\/apos-a-abolicao\/o-colonato-parciario-e-a-agricultura-colonial-o-caso-das-propriedades-acucareiras\/","title":{"rendered":"O colonato parci\u00e1rio e a agricultura colonial: o caso das propriedades a\u00e7ucareiras"},"content":{"rendered":"<h2>Durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX, enquanto a imigra\u00e7\u00e3o forneceu a m\u00e3o de obra necess\u00e1ria para o funcionamento das propriedades produtoras de a\u00e7\u00facar, manteve-se o sistema de explora\u00e7\u00e3o direta pelos contratados, designadamente o cultivo dos terrenos agr\u00edcolas das refinarias.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-6555-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/poster-le-terrier2.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/LE-TERRIER-COLONAT-PORT-SUB.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/LE-TERRIER-COLONAT-PORT-SUB.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/LE-TERRIER-COLONAT-PORT-SUB.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Todavia, os problemas de recrutamento ap\u00f3s 1860, a cessa\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o indiana em 1882 e as dificuldades de substitui\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra a partir dessa data, obrigaram os produtores de a\u00e7\u00facar a reconsiderar o modo de explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola das suas propriedades. O recurso aos jornaleiros e aos plantadores n\u00e3o tinha permitido travar o movimento gradual de redu\u00e7\u00e3o das culturas em torno das f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar cada vez mais \u00e1vidas de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Como o regresso \u00e0 escravatura j\u00e1 n\u00e3o era legalmente poss\u00edvel na Col\u00f3nia e o recrutamento de trabalhadores estrangeiros se havia tornado cada vez mais complexo, certos propriet\u00e1rios propuseram a alguns trabalhadores do a\u00e7\u00facar um tipo de contrato diferente daquele que tradicionalmente os vinculava no contexto da atividade a\u00e7ucareira: o colonato parci\u00e1rio, um modo de explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola conhecido em Fran\u00e7a como <em>m\u00e9tayage<\/em> desde a Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>At\u00e9 ao in\u00edcio da segunda metade do s\u00e9culo XIX, o colonato era, aparentemente, uma forma de explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, raramente utilizada na Col\u00f3nia de um modo geral, particularmente no mundo do a\u00e7\u00facar. A exist\u00eancia de escravos, m\u00e3o de obra \u00abbarata\u00bb, tornou desnecess\u00e1rio generalizar um modo de explora\u00e7\u00e3o em que o propriet\u00e1rio e o trabalhador tinham que partilhar os rendimentos resultantes da explora\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_4269\" aria-describedby=\"caption-attachment-4269\" style=\"width: 524px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R03445.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-4269 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R03445.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R03445.jpg 524w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R03445-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4269\" class=\"wp-caption-text\">Cana-de-a\u00e7\u00facar. [1899 ?]. Gravura. Em <em>Le journal de Marguerite ou les Deux ann\u00e9es pr\u00e9paratoires \u00e0 la premi\u00e8re communion<\/em>, par Melle V. Monniot, vol. 2, p. 183.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>Em tempos de escassez de m\u00e3o de obra e de terras deixadas ao abandono, tratava-se de recorrer a um sistema que, n\u00e3o obstante envolto num certo \u00abpaternalismo agr\u00e1rio\u00bb, procurava atrair para a agricultura ou estabilizar os trabalhadores nas terras, conciliando, ao mesmo tempo, os interesses do capital fundi\u00e1rio e do trabalho. Com efeito, havendo a lamentar a frequ\u00eancia com que a literatura local trata este assunto, considerando-o somente uma estrat\u00e9gia suplementar ou apenas pensada para permitir a alguns ( os propriet\u00e1rios) a manuten\u00e7\u00e3o do seu dom\u00ednio sobre os outros (os colonos), este sistema pretendia permitir que todos beneficiassem com esta situa\u00e7\u00e3o a avaliar pelo Relat\u00f3rio de Lucien Wickers sobre a imigra\u00e7\u00e3o regulamentada da Reuni\u00e3o.<br \/>\nProvavelmente mal informado sobre as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas da Col\u00f3nia, Lucien Wickers alegou que este \u00abcontrato especial\u00bb n\u00e3o tinha sido praticado em grandes explora\u00e7\u00f5es, nomeadamente em explora\u00e7\u00f5es a\u00e7ucareiras.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_4255\" aria-describedby=\"caption-attachment-4255\" style=\"width: 904px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4255 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.jpg\" alt=\"\" width=\"904\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.jpg 904w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_-300x209.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_-768x535.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4255\" class=\"wp-caption-text\">[Reuni\u00e3o &#8211; Vista a\u00e9rea de um dom\u00ednio no meio dos campos de cana-de-a\u00e7\u00facar]. Jean Legros. [1950-1960]. Fotografia.<br \/>Acervo privado Jean Legros (1920-2004). Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure>\u00c9 verdade que a generaliza\u00e7\u00e3o do colonato parci\u00e1rio ocorreu tardiamente nas propriedades a\u00e7ucareiras, por\u00e9m \u00e9 err\u00f3neo escrever, \u00e0 semelhan\u00e7a de Wickers, que os produtores de a\u00e7\u00facar desconheciam este sistema antes de 1882. Muito consciente da realidade agr\u00edcola da Col\u00f3nia por ter visitado as zonas rurais da Reuni\u00e3o, L\u00e9once Potier afirma que o colonato parci\u00e1rio existiu desde meados da d\u00e9cada de 1850, nas propriedades de Charles Desbassayns, localizadas em Rivi\u00e8re des Pluies, numa altura em que o mundo do a\u00e7\u00facar n\u00e3o carecia de m\u00e3o de obra. As afirma\u00e7\u00f5es de Potier s\u00e3o corroboradas por uma escritura notarial de 1856 que menciona a exist\u00eancia de terrenos \u00ab<em>arrendados e trabalhados com vista a partilhar os<br \/>\nfrutos<\/em>\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.21482549024581243\" aria-label=\"ADR 3 E 1204 N\u00ba 6651, Escritura de 3 de maio de 1856.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4257\" aria-describedby=\"caption-attachment-4257\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R14937.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4257 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R14937.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"518\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R14937.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R14937-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRB974115201_R14937-768x497.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4257\" class=\"wp-caption-text\">Ponte e refinaria Desbassayns, Rivi\u00e8re des Pluies. Louis Antoine Roussin. 1867. Litografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca Departamental da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>O mesmo foi registado em Saint-Gilles les Hauts, ent\u00e3o propriedade da fam\u00edlia Vill\u00e8le, parentes dos Desbassayns. O sistema era igualmente praticado noutra propriedade de Saint-Paul, em Savanna, cuja refinaria foi remodelada no final da d\u00e9cada de 1850. No entanto, a avalia\u00e7\u00e3o dos resultados deste modo de explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola relativamente ao n\u00edvel e ao modo de vida dos colonos parci\u00e1rios \u00e9 dif\u00edcil de medir.<\/p>\n<p>A crise, tanto agr\u00edcola (ciclones, pragas, doen\u00e7as) como comercial (problemas de mercados) abrandou seriamente estas primeiras tentativas de trabalho parci\u00e1rio, tal como descrito por Potier. Os colonos, sem meios para enfrentar a simultaneidade de calamidades, teriam desistido. Contudo, foi outra crise, a da escassez de m\u00e3o de obra, que contribuiu para reavivar os interesses dos produtores de a\u00e7\u00facar e dos potenciais colonizadores neste tipo de contrato, que ressurgiu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1880, a fim de voltar a cultivar uma parte das terras do dom\u00ednio a\u00e7ucareiro de Savanna. Este fen\u00f3meno, observado em Saint-Paul, faz parte de um movimento mais abrangente, de acordo com um relat\u00f3rio do Protetor dos Imigrantes datado de 1886 que menciona a exist\u00eancia de \u00abcontratos partilhados\u00bb que ocultavam na realidade contratos fict\u00edcios.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_4259\" aria-describedby=\"caption-attachment-4259\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.239.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4259 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.239.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.239.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.239-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.239-768x527.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4259\" class=\"wp-caption-text\">[Reuni\u00e3o &#8211; Saint-Paul : Vista a\u00e9rea da refinaria de Savanna]. Jean Legros. 1950-1960]. Fotografia.<br \/>Acervo privado Jean Legros (1920-2004). Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure>Ap\u00f3s 1880, o fen\u00f3meno da contrata\u00e7\u00e3o por parcelas foi suficientemente grande para atrair a aten\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o colonial, contudo h\u00e1 que reconhecer que era respeitante a apenas uma minoria de indiv\u00edduos, ou seja, 4,64% de uma popula\u00e7\u00e3o de 44 592 imigrantes oriundos da bacia indiana ou africana.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o fosse amplamente praticado nas propriedades a\u00e7ucareiras, o colonato era, portanto, do conhecimento geral antes de 1882. Todavia, este modo de explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava ao abrigo de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica durante a maior parte do s\u00e9culo XIX, apesar da sua antiguidade e da sua relev\u00e2ncia no mundo rural franc\u00eas. N\u00e3o obstante este vazio jur\u00eddico ter sido preenchido na Fran\u00e7a metropolitana pela lei de 18 de julho de 1889 que previa um quadro legal para usos comuns, esta lei n\u00e3o foi imediatamente transposta para a Col\u00f3nia, sendo necess\u00e1rio esperar mais de um quarto de s\u00e9culo (1915) por um decreto<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.501995143073352\" aria-label=\"Boletim Oficial de Reuni\u00e3o, Decreto de 13 de agosto de 1915.\">&nbsp;<\/span> e uma portaria<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.4509162717951587\" aria-label=\"Boletim Oficial de Reuni\u00e3o, Portaria de 30 setembro 1915\">&nbsp;<\/span> que previam a execu\u00e7\u00e3o, na ilha da Reuni\u00e3o, da lei de 1889 sobre o arrendamento com colonato parci\u00e1rio<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.604166683979612\" aria-label=\"Esta mesma lei foi tornada aplic\u00e1vel em Guadalupe e na Martinica apenas em 1916.\">&nbsp;<\/span>. A promulga\u00e7\u00e3o desta lei est\u00e1 provavelmente na origem da elabora\u00e7\u00e3o de um pequeno <em>Questionnaire d\u2019enqu\u00eate sur la situation des colons et l\u2019exploitation des terres<\/em> (Question\u00e1rio sobre a situa\u00e7\u00e3o dos colonos e a explora\u00e7\u00e3o das terras) de 1915<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.46203606874383363\" aria-label=\"ADR 7M1.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_4263\" aria-describedby=\"caption-attachment-4263\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.229.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4263 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.229.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.229.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.229-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRIHOI_5P2.2007.JL_.SFS_.229-768x529.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4263\" class=\"wp-caption-text\">[Reuni\u00e3o \u2013 Trabalhadoras num campo de canas-de-a\u00e7\u00facar]. Jean Legros. 1950-1960]. Fotografia.<br \/>Acervo privado Jean Legros (1920-2004). Todos os direitos reservados<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNum artigo publicado no <em>Nouveau Journal de l&#8217;\u00eele de La R\u00e9union<\/em>, de 12 de julho de 1911, o deputado da Haute-Loire, \u00c9douard N\u00e9ron, afirmou que o colonato parci\u00e1rio estava a estender-se cada vez mais e que a utiliza\u00e7\u00e3o deste modo de explora\u00e7\u00e3o, tal como o progresso na agricultura, estavam na origem do aumento da produ\u00e7\u00e3o. Segundo o autor, este tipo de contrato \u00ab<em>permitir\u00e1 em breve aos colonos, se forem poupados, adquirir, por sua vez, propriedades<\/em>\u00bb. Os arquivos n\u00e3o abordam a quest\u00e3o do trabalho em regime de partilha de forma suficientemente precisa e pormenorizada. De facto, \u00e9 dif\u00edcil medir o seu impacto na atividade do a\u00e7\u00facar, uma vez que n\u00e3o existe, no caso da Reuni\u00e3o, um inqu\u00e9rito compar\u00e1vel ao realizado nas zonas rurais francesas durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX. Deparamo-nos com a mesma dificuldade quando tentamos avaliar o grau de rentabilidade da atividade do colonato do ponto de vista do propriet\u00e1rio ou colono. Nesta perspetiva, temos de concordar que os destinos devem ter sido variados e as realidades contrastantes. O colonato satisfez os propriet\u00e1rios fundi\u00e1rios que, fossem eles de profiss\u00e3o liberal, comercial ou industrial, n\u00e3o desejavam submeter-se aos constrangimentos da explora\u00e7\u00e3o direta. Em tempos de crise, o seu desenvolvimento proporcionou-lhes um rendimento, sem mobilizar capitais consider\u00e1veis e sem terem que trabalhar a terra, independentemente da colheita. Do ponto de vista dos colonos, alguns, como os De Villeneuve em Saint-Beno\u00eet, arruinados pela crise, desapossados pelo Cr\u00e9dit Foncier Colonial, tendo-se depois tornado \u00abgrandes colonos\u00bb aos olhos dessa institui\u00e7\u00e3o, conseguiram recuperar; outros, como os Mourouvins, gozavam de um certo sucesso econ\u00f3mico ao ponto de se tornarem industriais e serem considerados, pelo pr\u00f3prio \u00c9mile Hugot<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.17202910223710832\" aria-label=\"Hugot (\u00c9.), L\u2019usine et l\u2019\u00e9conomie g\u00e9n\u00e9rale \u00e0 La R\u00e9union, 1961, 36 p.\">&nbsp;<\/span>, como um dos maiores propriet\u00e1rios da Col\u00f3nia, ao mesmo n\u00edvel que Choppy ou do Le Coat de Kerv\u00e9guen.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_4265\" aria-describedby=\"caption-attachment-4265\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRAD974_93FI40.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4265 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRAD974_93FI40.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"678\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRAD974_93FI40.jpg 700w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/FRAD974_93FI40-300x291.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4265\" class=\"wp-caption-text\">[Corte da cana-de-a\u00e7\u00facar]. [G. P. Lagnaux]. &#8211; 1950-1959. Fotografia.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>No entanto, n\u00e3o devemos esquecer que, muitas vezes, a estreiteza das parcelas concedidas e a falta de capital, quando os custos da explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o eram avan\u00e7ados, dificultavam ou abrandavam consideravelmente um certo enriquecimento do colono, que tinha a possibilidade de ter um duplo estatuto socio-profissional, o do colono jornaleiro ou do colono contratado. Este duplo estatuto de contratado\/plantador ou jornaleiro\/colono permitia aos trabalhadores serem pagos na qualidade de plantadores independentes, com a diferen\u00e7a de que a remunera\u00e7\u00e3o recebida era inferior, visto que os contratados\/colonos n\u00e3o eram os propriet\u00e1rios dos terrenos explorados e devido ao pequeno papel que desempenhavam no transporte dos produtos colhidos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>A cessa\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o indiana levou a uma difus\u00e3o deste modo de explora\u00e7\u00e3o nos estabelecimentos de a\u00e7\u00facar, n\u00e3o estando, contudo, de modo algum na sua origem. O colonato vem apenas justapor-se gradualmente a outros modos de explora\u00e7\u00e3o, como em todo o lado onde faltava dinheiro e a concorr\u00eancia agr\u00edcola era pouco desenvolvida. Assim, no final do s\u00e9culo XIX, as propriedades a\u00e7ucareiras eram exploradas tanto pelos trabalhadores contratados, como pelos trabalhadores ao dia ou ao m\u00eas, bem como pelos colonos parci\u00e1rios.<br \/>\nOs produtores de a\u00e7\u00facar recorriam ao colonato parci\u00e1rio por raz\u00f5es puramente econ\u00f3micas. O colonato permitia-lhes fazer cultivar a baixo custo uma parte da terra dos seus dom\u00ednios, que de outra forma n\u00e3o teriam explorado por falta de m\u00e3o de obra. Embora seja verdade que este modo de funcionamento tenha permitido a manuten\u00e7\u00e3o de uma forma de paternalismo patronal no mundo campon\u00eas das propriedades a\u00e7ucareiras, no quadro das mesmas esta \u00abforma de domina\u00e7\u00e3o\u00bb \u2013 visto que foi sob este \u00e2ngulo que o colonato foi visto durante muito tempo e que ainda hoje o \u00e9 \u2013, n\u00e3o provocou, pelo menos at\u00e9 ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX, problemas compar\u00e1veis aos que animaram as zonas rurais da regi\u00e3o das <em>Landes fran\u00e7aises<\/em> na mesma \u00e9poca, numa altura em que este dom\u00ednio assumia contornos insuport\u00e1veis<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.03893746763004269\" aria-label=\"Lafargue (J.) \u00ab Le maniement du droit dans la France rurale du 19e si\u00e8cle. Sur l\u2019efficacit\u00e9 symbolique de champs juridiques incertains\u00bb, em Ruralia, 2004-15. URL: http:\/\/ruralia.revues.org\/document1023.html.\">&nbsp;<\/span>. Por outro lado, apesar das suas imperfei\u00e7\u00f5es e apesar de n\u00e3o ter levado a uma mudan\u00e7a imediata e importante na economia insular, o colonato parci\u00e1rio foi o prel\u00fadio da transi\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o das grandes propriedades que ocorreu no s\u00e9culo XX e que permitiu que as grandes propriedades a\u00e7ucareiras entrassem no caminho da centraliza\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6556,"parent":5042,"menu_order":0,"template":"","class_list":["post-6555","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/6555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5042"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6556"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}