{"id":6831,"date":"2021-11-30T12:35:05","date_gmt":"2021-11-30T11:35:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=6831"},"modified":"2021-12-01T11:39:42","modified_gmt":"2021-12-01T10:39:42","slug":"maloya-e-sega-legados-musicais-da-escravatura","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/memoria-da-escravatura\/expressoes-artisticas\/maloya-e-sega-legados-musicais-da-escravatura\/","title":{"rendered":"<em>Maloya<\/em> e <em>s\u00e9ga<\/em>, legados musicais da escravatura"},"content":{"rendered":"<h2>G\u00e9neros de m\u00fasica e dan\u00e7a, o <em>maloya<\/em> e o <em>s\u00e9ga<\/em> fazem parte do folclore regional. A sua cria\u00e7\u00e3o, que emana das comunidades culturais africanas, malgaxes, depois, europeias e, em menor medida, da \u00cdndia, baseia-se essencialmente na tradi\u00e7\u00e3o oral e responde \u00e0s expectativas da popula\u00e7\u00e3o da Reuni\u00e3o como express\u00e3o da sua identidade musical e coreogr\u00e1fica.<\/h2>\n<p>A ess\u00eancia desses repert\u00f3rios em si, que se tornaram uma entidade de direito pr\u00f3prio na Reuni\u00e3o, e que encontramos em seis ilhas do Oceano \u00cdndico de diversas formas, \u00e9 a mesti\u00e7agem. As est\u00e9ticas musicais, as coreografias ou, ainda, os instrumentos, resultam efetivamente de sucessivas misturas culturais e sociais.<\/p>\n<p>A fus\u00e3o dos contributos afro-malgaxes deu origem ao <em>maloya<\/em>, enquanto a \u00abcriouliza\u00e7\u00e3o\u00bb dos legados afro-malgaxes e europeus deu origem ao <em>s\u00e9ga<\/em>.<\/p>\n<p>Ao longo da sua hist\u00f3ria, o <em>maloya<\/em> foi sofrendo transforma\u00e7\u00f5es evidentes e cobrindo diversas realidades musicais, passando de \u00abdanse des Noirs\u00bb, \u00abdanse des N\u00e8gres\u00bb e \u00abdanse des Cafres\u00bb, para \u00abt&#8217;siega\u00bb, \u00abtsiega\u00bb, \u00abtchiega\u00bb, \u00abtch\u00e9ga\u00bb, \u00abch\u00e9ga\u00bb, \u00absh\u00e9ga\u00bb e \u00abs\u00e9gah\u00bb at\u00e9 culminar em <em>s\u00e9ga<\/em>, em finais do s\u00e9culo XIX e in\u00edcios do s\u00e9culo XX. Esta antiga forma musical e coreogr\u00e1fica tamb\u00e9m deu origem a uma segunda forma harmonizada, considerada mais popular, fundindo as pr\u00e1ticas das dan\u00e7as de sal\u00e3o de tradi\u00e7\u00e3o europeia com os ritmos afro-malgaxes que j\u00e1 se haviam enraizado e tornado locais, no s\u00e9culo\u00a0XX. Trata-se do <em>s\u00e9ga<\/em> (cujo termo hom\u00f3grafo mais antigo para designar o g\u00e9nero musical na sua g\u00e9nese foi assim substitu\u00eddo pelo voc\u00e1bulo <em>maloya<\/em>). Temos, desde ent\u00e3o, duas grandes est\u00e9ticas musicais e coreogr\u00e1ficas tradicionais na Reuni\u00e3o: o <em>maloya<\/em> (uma fus\u00e3o de contributos afro-malgaxes) e o <em>s\u00e9ga<\/em> (a \u00abcriouliza\u00e7\u00e3o\u00bb do patrim\u00f3nio afro-malgaxe e europeu).<\/p>\n<h3>A m\u00fasica e a dan\u00e7a originais da Reuni\u00e3o: a <em>danse des Noirs<\/em> e, depois, o <em>maloya<\/em> e o <em>s\u00e9ga<\/em><\/h3>\n<p>Seja no contexto sagrado (no ritual) ou no \u00e2mbito secular, os escravos malgaxes e africanos deportados para o Oceano \u00cdndico perpetuaram na Reuni\u00e3o determinados ritos e m\u00fasicas das suas culturas originais, que se \u00abcrioulizaram\u00bb. M\u00fasica essencialmente r\u00edtmica, composta com instrumentos de percuss\u00e3o e, por vezes, um arco musical e um lamelofone, originalmente, o <em>s\u00e9ga<\/em> era tocado nos \u00ab<em>service kabar\u00e9<\/em>\u00bb, \u00ab<em>service malgache<\/em>\u00bb e \u00ab<em>service kaf<\/em>\u00bb (cerim\u00f3nias de homenagem aos antepassados) e no \u00ab<em>bal des Noir<\/em>s\u00bb ou no \u00ab<em>bal des esclaves<\/em>\u00bb que se tornou \u00ab<em>kabar<\/em>\u00bb (em ocasi\u00f5es festivas). A partir de 1921, a palavra \u00ab<em>maloya<\/em>\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.07371475057196353\" aria-label=\"Que aparece, pela primeira vez, num Boletim da Academia das Artes e das Ci\u00eancias da Reuni\u00e3o no artigo \u00abLocutions et proverbes cr\u00e9oles\u00bb, de Marcelle K\u2019ourio.\">&nbsp;<\/span> (que, em malgaxe, evoca as no\u00e7\u00f5es de mal-estar, tristeza e dor) suplantaria a \u00ab<em>s\u00e9ga<\/em>\u00bb original.<\/p>\n<figure id=\"attachment_497\" aria-describedby=\"caption-attachment-497\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-2002-1-6-le-shega-danse-des-noirs-jpg-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-497 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-2002-1-6-le-shega-danse-des-noirs-jpg-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-2002-1-6-le-shega-danse-des-noirs-jpg-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-2002-1-6-le-shega-danse-des-noirs-jpg-web-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-1-2002-1-6-le-shega-danse-des-noirs-jpg-web-768x542.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-497\" class=\"wp-caption-text\">O sh\u00e9ga, dan\u00e7a dos Negros. Etienne-Adolphe d&#8217;Hastrel de Rivedoux. Adolphe Jean-Baptiste Bayot. 1837. <br \/>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XIX, a burguesia \u2014 sobretudo composta por militares de diferentes estratos da popula\u00e7\u00e3o colonizadora \u2014 introduziu a quadrilha e as dan\u00e7as de sal\u00e3o europeias (contradan\u00e7as, valsas, polcas, mazurcas, escocesas,\u00a0etc.) na Reuni\u00e3o. Frequentemente executadas em violino e banjo por menestr\u00e9is e m\u00fasicos chamados jouars (jograis), estas dan\u00e7as \u2014 sobretudo, as quadrilhas \u2014 seriam \u00abcrioulizadas\u00bb nos sal\u00f5es da burguesia local e, mais tarde, nos bailes populares rurais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_499\" aria-describedby=\"caption-attachment-499\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-frad974-3j1-4-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-499 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-frad974-3j1-4-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-frad974-3j1-4-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-frad974-3j1-4-web-300x174.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-2-frad974-3j1-4-web-768x446.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-499\" class=\"wp-caption-text\">Aucourt Lorion &#8211; Mondon &#8211; C\u00e9l\u00e8bres m\u00e9n\u00e9triers&#8230; Grimaud, Antoine-Emile. 1832-1854. <br \/>Col. Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de finais do s\u00e9culo XIX, surgiram as produ\u00e7\u00f5es locais de \u00abquadrilhas sobre melodias crioulas dos Negros, respeitando escrupulosamente o car\u00e1cter ex\u00f3tico\u00bb<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5266989867816836\" aria-label=\"Cita\u00e7\u00e3o de Georges Fourcade no seu di\u00e1rio \u00edntimo datado de 20 de setembro de 1931.\">&nbsp;<\/span>. Muito em breve, acrescentar-se-iam as letras em crioulo \u00e0s melodias tradicionalmente instrumentais: o <em>s\u00e9ga<\/em> contempor\u00e2neo ou \u00abchansonnette cr\u00e9oles\u00bb nasceu e enraizou-se profundamente na paisagem musical da Reuni\u00e3o, a par das dan\u00e7as de sal\u00e3o em voga, da m\u00fasica cl\u00e1ssica e militar, dos romances e das can\u00e7\u00f5es de origem europeia, bem como do <em>maloya<\/em> ritual e festivo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_501\" aria-describedby=\"caption-attachment-501\" style=\"width: 486px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-frm1069-1984-07-04-28-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-501 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-3-frm1069-1984-07-04-28-web-e1603968142203.jpg\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-501\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1lbum da Reuni\u00e3o. O S\u00e9ga. Louis Antoine Roussin. 1881. <br \/>Col. Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_6844\" aria-describedby=\"caption-attachment-6844\" style=\"width: 477px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ill.4-FRAD974_BIB2872.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-6844 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ill.4-FRAD974_BIB2872.jpg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ill.4-FRAD974_BIB2872.jpg 477w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ill.4-FRAD974_BIB2872-204x300.jpg 204w\" sizes=\"auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6844\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1lbum da Reuni\u00e3o: O S\u00e9ga, Quadrilha Crioula. Louis Antoine Roussin. 1861-1865. <br \/>Col. Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Presentes em todas as ocasi\u00f5es cerimoniais ou de entretenimento, indissoci\u00e1veis dos g\u00e9neros musicais <em>maloya<\/em> e <em>s\u00e9ga<\/em>, as dan\u00e7as tamb\u00e9m resultavam da s\u00edntese dos ritmos difundidos por grupos humanos d\u00edspares e desenraizados: no caso do <em>maloya<\/em>, clandestinamente, na \u00e9poca da escravatura; e, no do <em>s\u00e9ga<\/em>, no s\u00e9culo XX, atrav\u00e9s dos contributos mel\u00f3dicos e coreogr\u00e1ficos das quadrilhas europeias.<\/p>\n<p>Am\u00e1lgama de express\u00f5es corporais de diferentes grupos \u00e9tnicos, a dan\u00e7a <em>maloya<\/em> contribuiu para a coes\u00e3o de uma comunidade (inicialmente, de escravos e, depois, de crioulos). A analogia com as dan\u00e7as bantus e mo\u00e7ambicanas tamb\u00e9m \u00e9 muito evidente (pisar, abertura dos bra\u00e7os e saracoteio, sem que os dan\u00e7arinos se toquem entre eles). Uma vez que alguns senhores n\u00e3o permitiam que os seus escravos se divertissem, muitas reuni\u00f5es eram clandestinas e as dan\u00e7as seriam executadas nas sombras at\u00e9 \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, a <em>maloya<\/em> continuou a ser praticada pela popula\u00e7\u00e3o livre, ansiosa por preservar um costume profundamente enraizado, mas geralmente visto pelas autoridades civis e o clero cat\u00f3lico como uma potencial amea\u00e7a para a ordem estabelecida. Apesar da tentativa de \u00abproibi\u00e7\u00e3o\u00bb decretada pelo Prefeito Perreau-Pradier, a partir de 1956, a <em>maloya<\/em> continuou a existir, principalmente, atrav\u00e9s do culto aos antepassados e das celebra\u00e7\u00f5es da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura.<\/p>\n<p>A partir de 1976, recuperado para fins pol\u00edticos pelo Partido Comunista da Reuni\u00e3o, este g\u00e9nero de m\u00fasica e dan\u00e7a passou a encarnar a resist\u00eancia da cultura crioula \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o na cultura francesa. Desde 1981, gra\u00e7as \u00e0 pol\u00edtica cultural nacional de Jack Lang a favor do reconhecimento das identidades regionais, o <em>maloya<\/em> foi oficialmente restabelecido. Por fim, em 2009, o repert\u00f3rio foi inclu\u00eddo na lista do Patrim\u00f3nio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Apoiado pela pol\u00edtica cultural local das institui\u00e7\u00f5es, o <em>maloya<\/em> nunca esteve t\u00e3o presente na rede das artes c\u00e9nicas (palcos locais, nacionais e internacionais, grava\u00e7\u00f5es, etc.) e h\u00e1 mais de 30 anos que se funde continuamente com as diferentes tend\u00eancias musicais mundiais (<em>jazz, rock, pop, folk, reggae, rap, ragga, dance-hall<\/em>, e da\u00ed por diante). Este dinamismo fez com que, desde o virar para o s\u00e9culo XXI, o s\u00e9ga se ressentisse um pouco, assumindo, por vezes, uma imagem ultrapassada e folcl\u00f3rica (no sentido pejorativo do termo) e apesar de fazer parte integrante da m\u00fasica atual, das fontes e especificidades da criatividade musical da ilha.<\/p>\n<h3>Os instrumentos musicais do maloya<\/h3>\n<h4>O chocalho em jangada, <em>kayamb<\/em><\/h4>\n<figure id=\"attachment_507\" aria-describedby=\"caption-attachment-507\" style=\"width: 417px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-5-frad974-40fi100-danse-des-noirs-au-son-du-bobre-et-du-cavir-et-des-cascavelles-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-507 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-5-frad974-40fi100-danse-des-noirs-au-son-du-bobre-et-du-cavir-et-des-cascavelles-web-e1603971319684.jpg\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"694\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-507\" class=\"wp-caption-text\">Dan\u00e7a dos Negros, ao som do Bobre, do Cavir e das Cascavelles. <br \/>Hippolyte Charles Napol\u00e9on Mortier de Tr\u00e9vise. 1861. <br \/>Col. Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Origin\u00e1rio da \u00c1frica, onde lhe chamam <em>chiquisti<\/em> ou <em>kaembe<\/em>, nas prov\u00edncias do sul de Mo\u00e7ambique, e <em>kayamba<\/em>, no Qu\u00e9nia e Zanzibar, este chocalho tornou-se <em>raloba<\/em> em Madag\u00e1scar e <em>mkayamba<\/em> em Anjouan e Mayotte. Tamb\u00e9m conhecido na Reuni\u00e3o como cavir ou kavia, antes de se tornar <em>ca\u00efambre<\/em>, <em>ca\u00efamb<\/em> e <em>kayanm<\/em>, este chocalho em jangada corresponde \u00e0 <em>maravanne<\/em> das Maur\u00edcias. Em malgaxe, a etimologia \u00abkayanm\u00bb significa \u00abque soa\u00bb, enquanto na grande ilha h\u00e1 outro idiofone chamado \u00abkahiamba\u00bb (um idiofone tubular). O seu aparecimento na Reuni\u00e3o poderia ser relativamente recente, uma vez que os primeiros textos e gravuras atestando a sua exist\u00eancia datam de 1848.<\/p>\n<p>Este idiofone que se sacode \u00e9 composto por uma caixa de resson\u00e2ncia retangular (de cerca de 50 cm de comprimento por 30 cm de largura e 3 cm de espessura) feita de uma estrutura de madeira coberta de ambos os lados com caules de flores de cana-de-a\u00e7\u00facar atados ou cravejados. Esse recipiente cont\u00e9m no seu interior guizos, geralmente, sementes de plantas tropicais (<em>cana-da-\u00edndia, job, e da\u00ed por diante<\/em>) cujo choque produz o seu som caracter\u00edstico. O m\u00fasico segura-o na palma das m\u00e3os e ao comprido. Ao agitar o instrumento da esquerda para a direita, pode atingir a caixa de resson\u00e2ncia com ambos os polegares. Uma das litografias de Antoine Roussin, de 1860 (<em>Le s\u00e9ga, danse des Noirs, le dimanche, au bord de la mer<\/em>), por\u00e9m, apresenta um m\u00fasico que, como se fazia nas Maur\u00edcias, segurava o instrumento em amplitude.<\/p>\n<p>O <em>kayamb<\/em> \u00e9 sobretudo um instrumento r\u00edtmico utilizado nas bandas de <em>maloya<\/em> tradicional e, atualmente, numa s\u00e9rie de grupos ligados \u00e0 corrente de <em>world music<\/em>.<\/p>\n<h4>O arco musical bob<\/h4>\n<figure id=\"attachment_505\" aria-describedby=\"caption-attachment-505\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-1992-119-types-malgaches-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-505 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-1992-119-types-malgaches-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"634\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-1992-119-types-malgaches-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-1992-119-types-malgaches-web-300x238.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-6-1992-119-types-malgaches-web-768x609.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-505\" class=\"wp-caption-text\">Tipos malgaches: Mulheres Bet-Sim-Sara. Louis Antoine Roussin. 1863. <br \/>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Compar\u00e1vel ao berimbao brasileiro, este cordofone monoc\u00f3rdio com repercutidor surgiu em v\u00e1rias ilhas do Oceano \u00cdndico, como as Ilhas Maur\u00edcias e Rodrigues (chamado bom), Mayotte (dzendze lava) e as Seicheles (bonm). Poder\u00e1 ter tido origem em Madag\u00e1scar, onde lhe chamam jejilava, e ter-se disseminado por toda a \u00e1rea, como tantos outros instrumentos tradicionais, pela popula\u00e7\u00e3o servil imigrante da Grande \u00cele. Contudo, tamb\u00e9m o encontramos em Mo\u00e7ambique, onde este princ\u00edpio de arco musical com repercutidor \u00e9 conhecido como chitende, n&#8217;thundao ou chiqueane (a sul do Rio Save) e chimatende (na prov\u00edncia de Sofala).<\/p>\n<p>Segundo o etnomusic\u00f3logo Jean-Pierre La Selve<span style=\"font-size: 1rem;\"><span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7842755074024399\" aria-label=\"LA SELVE, Jean-Pierre. Musiques traditionnelles de La R\u00e9union. Azal\u00e9es, Saint Denis 1995, (p.54)\">&nbsp;<\/span>,\u00a0<\/span>o nome vernacular \u00abbob\u00bb (antigamente, <em>bobre<\/em>), atualmente espec\u00edfico da Ilha da Reuni\u00e3o, pode ter tido origem na Europa:<\/p>\n<blockquote><p>Com efeito, o arco musical evoca um instrumento frequentemente retratado na pintura flamenga, o <em>bumbass<\/em>, um monoc\u00f3rdio cujo repercutidor \u00e9 uma bexiga porco seca, que era utilizado no Norte da Europa no Carnaval. \u00c9, portanto, bem poss\u00edvel que os marinheiros flamengos (&#8230;) tenham introduzido esse nome que, por supress\u00e3o da \u00faltima s\u00edlaba, ter\u00e1 passado de <em>bumbass<\/em> para <em>bomb<\/em> e, depois, para bom.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, revelando semelhan\u00e7as entre os repercutidores dos instrumentos europeus e os primeiros modelos da Reuni\u00e3o feitos de bexiga, a iconografia da \u00e9poca sustenta a tese de uma origem europeia.<\/p>\n<p>Encontrar a origem do <em>bobre<\/em> (agora <em>bob<\/em>) n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois, fruto de um sincretismo, tanto a sua execu\u00e7\u00e3o instrumental como a sua evolu\u00e7\u00e3o t\u00eam evolu\u00eddo desde a sua chegada \u00e0 ilha. A bexiga animal que lhe serve de amplificador transformou-se numa caba\u00e7a esvaziada cortada em duas partes que passa pela caixa de ferro branca. Outrora vegetal, a corda passou a ser um fio de a\u00e7o, um cabo el\u00e9trico ou de trav\u00e3o de bicicleta. Feito de um ramo encurvado pela tens\u00e3o de crinas de cavalo, o arco deu lugar ao bast\u00e3o de 30 cm <em>batavek<\/em>, ou <em>tikouti<\/em> (ou, na sua aus\u00eancia, a uma moeda), que percute o instrumento. Atualmente muito raro, o chocalho <em>kaskavel<\/em>, que o m\u00fasico segura tradicionalmente na m\u00e3o direita (se for destro), \u00e9 composto por um inv\u00f3lucro vegetal entran\u00e7ado com granalha no interior (cana-da-\u00edndia, job, etc.).<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de execu\u00e7\u00e3o consiste em agarrar alternadamente a caba\u00e7a contra o peito ou o est\u00f4mago (a altura do repercutidor fixado no bra\u00e7o depende da afina\u00e7\u00e3o desejada) e a bater na corda. Segurando o arco ao n\u00edvel do repercutidor, o m\u00fasico tamb\u00e9m pode influenciar o som tensionando a corda com os dedos. Tocado com fins mel\u00f3dico-r\u00edtmicos como a solo para lamentos e <em>maloya pl\u00e9r\u00e9<\/em> ou no conjunto instrumental dos eventos <em>maloya<\/em> festivos (anteriormente, <em>danse des Noirs<\/em>), o <em>bobre<\/em> tamb\u00e9m era apan\u00e1gio dos marionetistas ambulantes at\u00e9 ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<figure id=\"attachment_509\" aria-describedby=\"caption-attachment-509\" style=\"width: 417px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-7-frad974-5fi35-2-guignol-indigene-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-509 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-7-frad974-5fi35-2-guignol-indigene-web-e1603971669710.jpg\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"648\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-509\" class=\"wp-caption-text\">REUNI\u00c3O \u2014 Fantoche ind\u00edgena: \u00abBernard et Zabeth\u00bb. Clich\u00e9 B. &amp; C. \u2013 N.\u00b0 16. Entre 1903 e 1950. <br \/>Col. Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h4>O tambor <em>roul\u00e8r<\/em><\/h4>\n<figure id=\"attachment_511\" aria-describedby=\"caption-attachment-511\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-8-frad974-21fi9-danse-des-noirs-au-tam-tam-web.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-511 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-8-frad974-21fi9-danse-des-noirs-au-tam-tam-web.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-8-frad974-21fi9-danse-des-noirs-au-tam-tam-web.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-8-frad974-21fi9-danse-des-noirs-au-tam-tam-web-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-8-frad974-21fi9-danse-des-noirs-au-tam-tam-web-768x577.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-511\" class=\"wp-caption-text\">A noite. Dan\u00e7a dos Negros no TamTam. Louis Antoine Roussin. 1848. <br \/>Col. Arquivos do Departamento da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Da fam\u00edlia dos membranofones, o <em>roul\u00e8r<\/em> (anteriormente, <em>rouleur<\/em>) \u00e9 um tambor tubular em forma de tonel espec\u00edfico da Reuni\u00e3o, pois, ao contr\u00e1rio dos outros tambores da regi\u00e3o, que s\u00e3o, sobretudo, tambores de quadro, este \u00e9 o \u00fanico que assenta na horizontal sobre uma calha chamada <em>santy\u00e9<\/em>. Poderia ser legado do tambor c\u00f3nico (tambor <em>vouve<\/em> ou longo) j\u00e1 desaparecido mas outrora representado na Reuni\u00e3o nas iconografias e parente do <em>atabaque<\/em> de Madag\u00e1scar (tendo sobrevivido nas Seicheles como <em>tambour s\u00e9ga<\/em>). \u00c9 tamb\u00e9m ineg\u00e1vel que o <em>roul\u00e8r<\/em> ou a percuss\u00e3o que inspirou a sua cria\u00e7\u00e3o resulta de um cruzamento de heran\u00e7as africanas no per\u00edodo da escravatura. A t\u00edtulo de exemplo, encontramos igualmente em Guadalupe, uma antiga col\u00f3nia francesa povoada por descendentes de escravos africanos, o mesmo tipo de tambor, conhecido como ka. \u00c9, portanto, prov\u00e1vel que, ap\u00f3s a sua chegada \u00e0 ilha, os escravos da Reuni\u00e3o tenham feito tambores algo diferentes daqueles a que estavam habituados, na medida em que os materiais \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o eram os mesmos. Ser\u00e1 por esse motivo que n\u00e3o encontramos tambores id\u00eanticos ao roul\u00e8r no continente africano, de onde ele prov\u00e9m.<br \/>\nO nome vernacular \u00abroleur\u00bb poder\u00e1 advir do movimento das m\u00e3os do m\u00fasico ou do movimento corporal caracter\u00edstico da <em>danse des Noirs<\/em> (antepassada da maloya). Este instrumento que produz a base r\u00edtmica da <em>maloya<\/em> \u00e9 tradicionalmente feito a partir de um tonel truncado em ambas as extremidades, uma das quais \u00e9 coberta com pele de bovino curtida e cravejada. Hoje em dia, a ilha j\u00e1 n\u00e3o importa barricas, os fabricantes de instrumentos come\u00e7aram a faz\u00ea-los com madeiras locais como o <em>champac<\/em>. Para facilitar a afina\u00e7\u00e3o, evitando aquecer a pele para a apertar, tamb\u00e9m tendem a unir a membrana com um sistema de cordas.<\/p>\n<p>Segundo atestam v\u00e1rios documentos da \u00e9poca, no s\u00e9culo XIX, o <em>roul\u00e8r<\/em> era tocado com as m\u00e3os e podia ser percutido com macete. Nesse caso, o m\u00fasico n\u00e3o se encavalitava sobre o instrumento, mas, atualmente, essa posi\u00e7\u00e3o permite-lhe pressionar uma perna contra a pele de bovino para alterar a tens\u00e3o e obter uma varia\u00e7\u00e3o de timbre e tom.<\/p>\n<h4>O <em>piqueur<\/em> (<em>pik\u00e8r<\/em>) e o <em>sati<\/em>, a substituir o <em>timba<\/em><\/h4>\n<figure id=\"attachment_816\" aria-describedby=\"caption-attachment-816\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-9-1998-8-9-1-le-sega-danse-des-noirs-le-dimanche-au-bord-de-la-mer-tif.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-816 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ill-9-1998-8-9-1-le-sega-danse-des-noirs-le-dimanche-au-bord-de-la-mer-tif-e1603971964397.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"920\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-816\" class=\"wp-caption-text\">Pormenor de \u00abO S\u00e9ga, Dan\u00e7a dos Negros \u00e0 beira-mar (em St. Denis)\u00bb. Louis Antoine Roussin. 1860. <br \/>Col. Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Origin\u00e1rio de Mo\u00e7ambique, o <em>timba<\/em> (antepassado da <em>timbila<\/em> ou <em>mbila<\/em>), que desapareceu completamente da instrumenta\u00e7\u00e3o tradicional do <em>maloya<\/em> no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, come\u00e7ou por ser um xilofone feito de l\u00e2minas de madeira de diferentes tamanhos (de modo a obter uma escala), assente sobre caba\u00e7as esvaziadas a servir de caixas de resson\u00e2ncia. V\u00e1rias iconografias comprovam a exist\u00eancia deste instrumento nos finais do s\u00e9culo XIX na Reuni\u00e3o, que tamb\u00e9m se diz ser um legado do xilofone de pernas de Madag\u00e1scar. Com efeito, tanto em Madag\u00e1scar como na Reuni\u00e3o, o lamelofone n\u00e3o requer uma caba\u00e7a, apesar de, na Reuni\u00e3o, ser instalado no ch\u00e3o ou num buraco escavado, e, em Madag\u00e1scar, ser pousado sobre pernas do m\u00fasico. Assim, podemos concluir que o timba resulta de uma simbiose entre os contributos mo\u00e7ambicanos e malgaxes.<\/p>\n<p>Embora a sua estrutura seja totalmente diferente, o <em>pik\u00e8r<\/em> \u00e9 um idiofone igualmente de percuss\u00e3o com duas batutas de madeira, que surgiu para substituir a <em>timba<\/em> no s\u00e9culo XX. Comparando com o <em>tsipetrika<\/em> de Madag\u00e1scar, o <em>pik\u00e8r<\/em> consiste num peda\u00e7o de bambu (cerca de 60 cm de comprimento e 15 cm cent\u00edmetros de di\u00e2metro) que assenta na horizontal sobre um p\u00e9 ou no ch\u00e3o. O seu nome vernacular parece referir-se \u00e0 t\u00e9cnica de execu\u00e7\u00e3o do m\u00fasico, que \u00abpica\u00bb o instrumento para produzir ritmos. Fala-se tamb\u00e9m do <em>sati<\/em> (palavra indiana veiculada pelos trabalhadores contratados para um pequeno tambor t\u00e2mil hemisf\u00e9rico), para designar o mesmo tipo de percuss\u00e3o, em que o corpo vegetal \u00e9 substitu\u00eddo por um recet\u00e1culo em chapa met\u00e1lica, um bid\u00e3o esmagado ou qualquer recipiente met\u00e1lico que possa servir como repercutidor. A <em>sati<\/em> \u00e9, assim, uma derivada do pik\u00e8r, que, por sua vez, substitui o <em>timba<\/em>. Dependendo do timbre desejado resultante do material da cavidade de percuss\u00e3o, os m\u00fasicos de <em>maloya<\/em> utilizam o <em>pik\u00e8r<\/em> (vegetal) ou o <em>sati<\/em> (metal).<\/p>\n<h4>O tri\u00e2ngulo, <em>triyang<\/em> ou <em>ti fer<\/em><\/h4>\n<p>Origin\u00e1rio da Europa, este idiofone por percuss\u00e3o, cujo nome prov\u00e9m da sua morfologia, foi introduzido na Reuni\u00e3o, na segunda metade do s\u00e9culo XIX, ou seja, relativamente tarde, no que respeita \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos outros instrumentos do <em>maloya<\/em>. Se, atualmente, a grande maioria dos tri\u00e2ngulos \u00e9 de fabrico industrial, at\u00e9 aos anos 1970, v\u00e1rios ainda eram artesanais, feitos a partir de pesadas hastes de a\u00e7o, do g\u00e9nero que muitas vezes se utilizava nos alicerces dos edif\u00edcios. Em voga no s\u00e9culo XX, atualmente \u00e9 sobretudo substitu\u00eddo pelo <em>pik\u00e8r<\/em> ou o <em>sati<\/em>.<\/p>\n<h4>Os instrumentos do <em>s\u00e9ga<\/em>, m\u00fasica contempor\u00e2nea<\/h4>\n<p>A chegada \u00e0 ilha dos primeiros instrumentos europeus (piano, bandolim, banjo, guitarra, violino, clarinete, flauta, acorde\u00e3o, etc.) utilizados desde os prim\u00f3rdios do <em>s\u00e9ga<\/em> (na sua forma europeizada) remonta ao s\u00e9culo XIX. Com efeito, esses instrumentos eram principalmente importados, por barco, pelos jovens burgueses que, conclu\u00eddos os estudos nas academias militares europeias, se juntavam \u00e0s suas fam\u00edlias na ilha. Serviam para distrair a alta sociedade nos seus bailes, antes de se generalizarem para as pr\u00e1ticas instrumentais populares (quadrilhas crioulas, valsas, polcas, mazurcas, escocesas, <em>s\u00e9gas<\/em>, etc.).<\/p>\n<p>Em seguida, no s\u00e9culo XX, e, sobretudo, na idade de ouro do <em>s\u00e9ga<\/em> (1950-1980), instrumentos como a bateria, o baixo ou, ainda, a guitarra el\u00e9trica surgiriam para se tornarem parte integrante do repert\u00f3rio atual.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":4999,"parent":5046,"menu_order":10,"template":"","class_list":["post-6831","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/6831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5046"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}