{"id":8399,"date":"2022-05-23T13:25:53","date_gmt":"2022-05-23T11:25:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=8399"},"modified":"2022-12-13T11:25:02","modified_gmt":"2022-12-13T10:25:02","slug":"os-indianos-escravos-e-livres-em-bourbon-no-seculo-xviii","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-escravatura\/condicao-e-vida-quotidiana-do-escravo\/os-indianos-escravos-e-livres-em-bourbon-no-seculo-xviii\/","title":{"rendered":"Os indianos escravos e livres em Bourbon no s\u00e9culo XVIII"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-8399-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Poster_huitelec.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Huitelec_PORT.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Huitelec_PORT.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Huitelec_PORT.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>A hist\u00f3ria da Europa nos s\u00e9culos XVII e XVIII, com o mar e as col\u00f3nias, \u00e9 uma hist\u00f3ria conturbada e dolorosa. No continente americano, do Canad\u00e1 \u00e0s Cara\u00edbas, nas costas de \u00c1frica, \u00cdndia ou China, os Europeus prosseguem as suas descobertas do mundo iniciadas no final do s\u00e9culo XV, tentando construir imp\u00e9rios nessas paragens. A presen\u00e7a europeia no mundo foi afirmada atrav\u00e9s da tomada de posse de novos territ\u00f3rios e da funda\u00e7\u00e3o de entrepostos comerciais ao longo das costas de \u00c1frica e da \u00c1sia, onde foram criadas grandes companhias comerciais.<\/p>\n<p>No seu parecer ao rei de Fran\u00e7a em 1629, Richelieu escreveu que \u201ca primeira coisa que temos que fazer \u00e9 afirmarmos o nosso poder no mar que d\u00e1 entrada a todos os estados do mundo<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.003059386981288048\" aria-label=\"VILLIERS Patrick, DUTEIL Jean-Pierre, L\u2019Europe, la mer et les colonies. XVIIe-XVIIIe si\u00e8cle (A Europa, o mar e as col\u00f3nias. S\u00e9culos XVII-XVIII), Hachette, Paris, 1997, 255 p., p. 21.\">&nbsp;<\/span>\u201d. Colbert relan\u00e7ou a Companhia das \u00cdndias Francesa, que se estabeleceu com sucesso em Surat e em Pondicheri em 1674. Esta \u00faltima tornou-se a capital das prov\u00edncias francesas do oceano \u00cdndico: as ilhas de Fran\u00e7a e Bourbon, Chandernagor e Mah\u00e9, adquiridas em 1725.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7308\" aria-describedby=\"caption-attachment-7308\" style=\"width: 1163px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/btv1b8494887g_1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7308 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/btv1b8494887g_1.jpg\" alt=\"\" width=\"1163\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/btv1b8494887g_1.jpg 1163w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/btv1b8494887g_1-300x181.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/btv1b8494887g_1-768x462.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/btv1b8494887g_1-1024x616.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7308\" class=\"wp-caption-text\">Vista de Pondicheri nas \u00cdndias Orientais. Jacques-Gabriel Huquier. 1750. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca nacional de Fran\u00e7a, Departamento de Mapas e Planos, GE D-17254<\/figcaption><\/figure>\n<p>Embora no caminho para as \u00cdndias, os ingleses e os holandeses tenham visitado a Ilha de Santa Apol\u00f3nia \u2013 tamb\u00e9m chamada de Mascarin \u2013, foi o capit\u00e3o do <em>Saint-Alexis<\/em> que, em 1638, tomou solenemente posse dela em nome da Fran\u00e7a. Em 1649, Flacourt, estabelecido em Fort-Dauphin, nomeou-a Ilha Bourbon, \u201csendo incapaz de encontrar um nome que melhor se adapte \u00e0 sua bondade e fertilidade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.37527959406311995\" aria-label=\"LOUGNON Albert, L\u2019\u00eele de Bourbon pendant la R\u00e9gence (A Ilha Bourbon durante a Reg\u00eancia), N\u00e9rac,1956, p. 14.\">&nbsp;<\/span>\u201d. Bourbon tornou-se uma col\u00f3nia de rendimento atrav\u00e9s do cultivo de um \u201cproduto colonial\u201d de elei\u00e7\u00e3o, o caf\u00e9. A expans\u00e3o econ\u00f3mica carecia de quantidades consider\u00e1veis de m\u00e3o de obra, sendo que a origem dos escravos variou muito sob o dom\u00ednio da Companhia das \u00cdndias (1665-1767) e o per\u00edodo real que se seguiu. Os de origem indiana vinham da costa de Malabar, Bengala e Surat. Ainda que o seu n\u00famero n\u00e3o tenha sido t\u00e3o substancial como o dos migrantes de \u00c1frica ou Madag\u00e1scar, a sua presen\u00e7a n\u00e3o foi certamente fict\u00edcia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7920\" aria-describedby=\"caption-attachment-7920\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/btv1b59730594.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7920 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/btv1b59730594.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"1020\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/btv1b59730594.jpg 1296w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/btv1b59730594-300x236.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/btv1b59730594-768x604.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/btv1b59730594-1024x806.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7920\" class=\"wp-caption-text\">Mapa das costas de Malabar e Coromandel. Guillaume Delisle, cart\u00f3grafo; Marin, sculpsit. 1723. Gravura. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca nacional de Fran\u00e7a, Departamento de Mapas e Planos, GE BB 565 (14, 36).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Juntamente com estes escravos indianos, os indianos livres ocupavam um lugar significativo na paisagem econ\u00f3mica, social e cultural da Ilha da Reuni\u00e3o e do oceano \u00cdndico. A sua hist\u00f3ria e \u201cos marcadores de identidade contribu\u00edram fortemente, e ainda hoje contribuem, para a riqueza cultural da Reuni\u00e3o<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6984497094954696\" aria-label=\"LATCHOUMANIN, Michel, (sob a dire\u00e7\u00e3o de), Engagisme, diaspora et culture indienne dans les anciennes colonies de l\u2019Oc\u00e9an Indien (M\u00e3o de obra contratada, di\u00e1spora e cultura indiana nas antigas col\u00f3nias do oceano \u00cdndico), ODI, Saint-Andr\u00e9, 2013, 117p., p. 9.\">&nbsp;<\/span>\u201d. Interessar-se pelos indianos escravos e livres da sociedade Bourbon no s\u00e9culo XVIII significa abordar uma identidade particular, uma componente da identidade coletiva reunionense.<\/p>\n<p>A abordagem do indianismo em Bourbon no s\u00e9culo XVIII passa pelo conhecimento dos diferentes elementos identit\u00e1rios que, dotados de uma certa flexibilidade, podem evoluir ou integrar outros, nomeadamente durante a mudan\u00e7a de estatuto na sociedade. Quem s\u00e3o estes indianos? De onde v\u00eam exatamente? Quantos s\u00e3o? Como se chamam? Quais s\u00e3o as particularidades dos indianos escravos comparativamente a outros grupos \u00e9tnicos? \u00c9 muito instrutivo conhecer a sua distribui\u00e7\u00e3o por sexo, idade e representa\u00e7\u00e3o no seio das propriedades. Visto que a identidade profissional \u2013 uma forma de identidade social desenvolvida atrav\u00e9s do trabalho \u2013 se ia delineando \u00e0 medida que os trabalhadores indianos chegavam e que certos of\u00edcios espec\u00edficos lhes eram atribu\u00eddos, seria artificial separar a identidade da profissionaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 por essa raz\u00e3o que as conclus\u00f5es relativas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da identidade profissional s\u00e3o um dos elementos identit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o espacial da popula\u00e7\u00e3o indiana no s\u00e9culo XVIII, o estabelecimento profissional e os locais de resid\u00eancia, elucidam-nos sobre a atual distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica na ilha dos habitantes de origem indiana.<\/p>\n<p>Finalmente, as rela\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos e o espa\u00e7o de intera\u00e7\u00e3o social contribuem para ajustar a nossa vis\u00e3o desta popula\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1740\" aria-describedby=\"caption-attachment-1740\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-1740 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes.jpg\" alt=\"\" width=\"493\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes.jpg 493w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/98FI10-indiens-et-indiennes-247x300.jpg 247w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1740\" class=\"wp-caption-text\">Indiana, Tom-Jones, indianos [Outras personagens sem legenda]. <br \/>Jean-Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho, l\u00e1pis, aguarela. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Arquivos departamentais da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Composi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o indiana de Bourbon<\/h3>\n<h4>Demografia<\/h4>\n<p>No regresso \u00e0 Fran\u00e7a, os navios franceses que sa\u00edam da Pen\u00ednsula Indiana, passavam por Bourbon onde deixavam mercadorias e escravos. Estes \u00faltimos tinham boa reputa\u00e7\u00e3o \u2013 dizia-se que eram \u201cs\u00f3brios, fi\u00e9is, d\u00f3ceis, bonitos e<br \/>\ninteligentes<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.40444406370448327\" aria-label=\"\u201cOs Indianos n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a dos Malgaxes, mas t\u00eam um bom temperamento e n\u00e3o s\u00e3o sangu\u00edneos como os Malgaxes\u201d, \u201cMem\u00f3rias do padre Bernardin na Ilha Bourbon\u201d, (1687), R. T. v. IV, p. 63.\">&nbsp;<\/span> \u201d. Em novembro de 1672, o navio <em>Jules<\/em> desembarcou na col\u00f3nia quinze prisioneiros \u201cGentis\u201d, dos quais cerca de uma d\u00fazia sobreviveu, dez anos mais tarde<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.7573392487332338\" aria-label=\"Idem.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>O recrutamento de indianos como escravos nem sempre foi f\u00e1cil. Variou ao longo do s\u00e9culo consoante a influ\u00eancia francesa na pen\u00ednsula, e foi alvo de oposi\u00e7\u00e3o por parte de pr\u00edncipes ind\u00edgenas, de modo que o seu n\u00famero era reduzido. Por vezes eram enviados para Bourbon como presentes oferecidos a particulares; alguns sujeitos livres mas indisciplinados foram tamb\u00e9m enviados como escravos pelas autoridades de Pondicheri que deles se desejavam livrar.<\/p>\n<p>Em 1708, os 51 escravos indianos da col\u00f3nia representavam 20% da popula\u00e7\u00e3o servil. Eram apenas 5% em 1765 com 1100\u00a0indiv\u00edduos. Em 1722, Saint-Paul tinha 116 escravos indianos. Sete anos depois, o governador Beno\u00eet Dumas trouxe de Pondicheri 300 indianos \u2013 trabalhadores livres e escravos origin\u00e1rios de Bengala e da costa de Coromandel \u2013 para o cultivo de cafeeiros. De 1728 a 1731, uma centena de escravos indianos chegavam \u00e0s ilhas todos os anos. Fugiam da fome vendendo-se a si pr\u00f3prios.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7896\" aria-describedby=\"caption-attachment-7896\" style=\"width: 513px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ME-2017-1-80-e1645773875412.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-7896 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ME-2017-1-80-e1645773875412.jpg\" alt=\"\" width=\"513\" height=\"600\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7896\" class=\"wp-caption-text\">A fome na \u00cdndia. Indianos \u00e0 espera de al\u00edvio em Bangalore. Em <em>L&#8217;Univers illustr\u00e9<\/em>. Gravura. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le. Acervo Michel Pol\u00e9nyk<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir do per\u00edodo real (1767-1792), o grupo de pessoas livres aumentou porque os administradores reais encorajavam as alforrias, por\u00e9m os colonos precisavam de m\u00e3o de obra, pelo que a Companhia n\u00e3o encorajou essa iniciativa.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo revolucion\u00e1rio, a m\u00e3o de obra servil, que era tradicionalmente fornecida pela \u00cdndia \u00e0s ilhas, ficou reduzida a apenas algumas dezenas de indiv\u00edduos, sobretudo Bengalis. O n\u00famero de efetivos diminu\u00eda, facto atestado pelos censos que mencionam 238. Quando se instaurou a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar na col\u00f3nia, o n\u00famero de indianos nas propriedades de a\u00e7\u00facar era muito baixo. A diminui\u00e7\u00e3o da sua percentagem na popula\u00e7\u00e3o servil no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX foi o resultado conjunto da pol\u00edtica de emancipa\u00e7\u00e3o, da mortalidade de uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida, bem como do decl\u00ednio do recrutamento na Pen\u00ednsula Indiana.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de origem indiana, por idade e sexo, variou ao longo desse per\u00edodo. Os indiv\u00edduos com menos de 20 anos compunham um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o (32,9%), os adultos entre os 20 e os 54 anos constitu\u00edam quase dois ter\u00e7os (64,7%), e as pessoas com mais de 55, 2,4%.<\/p>\n<p>Os homens eram os mais numerosos em todas as faixas et\u00e1rias. Em 1709, as mulheres representavam apenas um quinto da popula\u00e7\u00e3o indiana servil, a maioria tendo entre os 15 e os 25 anos. De seguida, a discrep\u00e2ncia de g\u00e9nero diminuiu: em 1708, os homens representavam 78,8% e as mulheres 21,2%, ao passo que em 1765 os homens perfaziam 51,7% e as mulheres 48,3%. Em alguns distritos a tend\u00eancia invertia-se. Em Saint-Beno\u00eet e Saint-Pierre, inversamente, as mulheres eram maiorit\u00e1rias. A partir de 1796, a tend\u00eancia voltou a inverter-se, em prol dos homens.<\/p>\n<p>Os indianos livres estavam presentes na ilha a partir do final do s\u00e9culo XVII. No s\u00e9culo seguinte, eram contratados por particulares. De 1665 a 1767, a Companhia das \u00cdndias recrutou trabalhadores indianos livres paralelamente aos escravos.<\/p>\n<p>Em Bourbon, a popula\u00e7\u00e3o indiana livre pertencia ao \u201cgrupo\u201d dos Livres de Cor. O grupo n\u00e3o era uniforme. Muitos eram antigos escravos libertados, outros, um n\u00famero substancial, tinham sido contratados para trabalhar nas propriedades ou servir na cidade nos estabelecimentos dos propriet\u00e1rios. Estes \u00faltimos, distintos dos escravos, auferiam um sal\u00e1rio e tinham um regresso a casa garantido no termo do seu contrato. Alguns eram contratados como trabalhadores, em troca de um sal\u00e1rio mensal e alimenta\u00e7\u00e3o, outros como marinheiros. No caso do s\u00e9culo XVIII, os censos incompletos n\u00e3o permitem a elabora\u00e7\u00e3o de uma lista exata, sendo que o seu n\u00famero parece ter sido baixo. De acordo com os documentos de arquivo leg\u00edveis, de 1708 a 1797, eram 147, incluindo 97 homens e 50 mulheres. No final do s\u00e9culo, os contingentes que a \u00cdndia conseguia fornecer foram-se esmorecendo e essa popula\u00e7\u00e3o livre era caracterizada pelo seu envelhecimento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7899\" aria-describedby=\"caption-attachment-7899\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2002-4-54.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-7899 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2002-4-54.jpg\" alt=\"\" width=\"408\" height=\"609\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2002-4-54.jpg 408w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2002-4-54-201x300.jpg 201w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7899\" class=\"wp-caption-text\">Trabalhadores livres nas Ilhas Mascarenhas. G. Bos, lit\u00f3grafo. 1868. Cromolitografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<h4>O nome<\/h4>\n<p>Em Bourbon, como em outras sociedades esclavagistas, os nomes atribu\u00eddos aos escravos eram um meio de domina\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o \u00e0 ordem social colonial, bem como uma vontade de despersonaliza\u00e7\u00e3o. Poucos mantinham o seu nome indiano e o novo nome assim atribu\u00eddo era revelador das influ\u00eancias culturais do senhor.<\/p>\n<p>Possu\u00edam nomes que eram adjetivos (Modesto, Alegre, Valente, Charmoso), nomes de objetos (Cadeira, Banco), nomes tirados do calend\u00e1rio (Janeiro, Junho, Quinta-feira, Outono), nomes de profiss\u00f5es (Pastor, Mensageiro), nomes de lugares geogr\u00e1ficos (Paris, Viena, Bruges) ou do per\u00edodo revolucion\u00e1rio (Florantine, Flor\u00e9al).<\/p>\n<p>Quanto aos indianos livres, chamavam-se, entre outros, Moutou, Chavry, Vira ou Langata. A grande maioria dos nomes s\u00e3o de origem Tamil e geralmente inspirados em divindades (RANGA, NAGAPA, RAMALINGA, TANDRAYEN, TANAMOUTY, CALIAT, CHARIAPAMESTRY). Alguns apelidos designam lugares sagrados (TIRIMOULU) ou uma qualidade (ARIAPA, \u201cSenhor Benevolente\u201d; TAYLA,\u201cpessoa graciosa\u201d).<\/p>\n<p>Por outro lado, atribu\u00edam frequentemente nomes crist\u00e3os aos seus filhos nascidos na col\u00f3nia, devido a um desejo de integra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m quando se convertiam ao catolicismo.<\/p>\n<h4>A vida profissional<\/h4>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o da ilha no s\u00e9culo XVIII exigiu uma m\u00e3o de obra abundante. O trabalho servil foi a solu\u00e7\u00e3o encontrada pelos colonos. Os escravos eram principalmente colocados nos campos como cultivadores ou lavradores. Os trabalhadores contratados aos quais a col\u00f3nia recorria trabalhavam numa grande variedade de of\u00edcios. Mais de 70% eram pedreiros (Virapa, Raquilous, Chop\u00e9 Commera, Chavria), ferreiros e empregados dom\u00e9sticos (mordomos, cozinheiros, lavadores, jardineiros e palafreneiros). Tamb\u00e9m eram exercidas outras profiss\u00f5es. Jean-Baptiste VIRAPA era ourives em Saint-Denis, CHAVRIAPA declarou-se como \u201cmalabar mestris\u201d, Jean-Louis ALADI, mestre das docas e AZY, chega a ser construtor de pirogas para o Rei. Estes of\u00edcios eram muitas vezes exercidos por antigos escravos indianos que se tinham tornado livres. Ap\u00f3s a sua emancipa\u00e7\u00e3o, muitos permaneciam ao servi\u00e7o dos seus antigos senhores, ocupando as mesmas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7880\" aria-describedby=\"caption-attachment-7880\" style=\"width: 465px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2004-1-19.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-7880 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2004-1-19.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2004-1-19.jpg 465w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2004-1-19-233x300.jpg 233w\" sizes=\"auto, (max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7880\" class=\"wp-caption-text\">Ferreiros. Pierre Sonnerat, [desenhador]; Poisson, gravador. 1782. Gravura. <br \/>Em <em>Voyage aux Indes Orientales et \u00e0 la Chine<\/em>, M. Sonnerat, pl. 20, p. 104. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<h3>O estabelecimento dos Indianos em Bourbon<\/h3>\n<h4>Nos distritos<\/h4>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o escrava indiana dependia dos distritos e dos propriet\u00e1rios de terras. Especificar o seu local de vida equivale a referenciar as propriedades e localiza\u00e7\u00f5es urbanas dos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, Saint-Paul, o primeiro distrito habitado, com 670 pessoas em 1711 (ou seja, 65,4% da popula\u00e7\u00e3o total) era tamb\u00e9m composto por mais de metade da popula\u00e7\u00e3o servil da ilha (53,7%), tratando-se igualmente do lugar onde os escravos indianos estavam mais representados, com 46 recenseados (54,3%). Saint-Denis ocupava o segundo lugar com 35 (41,3%); Sainte-Suzanne, o terceiro com 4 (4,4%). Em 1735 Sainte-Suzanne possu\u00eda a maior percentagem (47%) comparativamente a Saint-Denis (30%) e Saint-Paul (23%). A regi\u00e3o a Barlavento registou um aumento no n\u00famero de escravos indianos, atingindo 79% dos efetivos em 1778. Dez anos depois, com a cria\u00e7\u00e3o de novos distritos, a sua distribui\u00e7\u00e3o era a seguinte: Saint-Denis, 25%; Saint-Beno\u00eet, 21%; Saint-Paul, 16%; Sainte-Suzanne, 11%; Sainte-Marie, 11%; Saint-Pierre 10%; Saint-Joseph, 2%; Saint-Louis, 2% e Saint-Andr\u00e9, 2%.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7953\" aria-describedby=\"caption-attachment-7953\" style=\"width: 864px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1995-9.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7953 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1995-9.jpg\" alt=\"\" width=\"864\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1995-9.jpg 864w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1995-9-300x243.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1995-9-768x622.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7953\" class=\"wp-caption-text\">Vista do burgo de St. Denis na Ilha Bourbon; Vista do burgo de St. Paul na Ilha Bourbon. Porlier, gravador. S\u00e9culo XVIII. Gravura. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os trabalhadores livres viviam nas propriedades dos seus empregadores. At\u00e9 1759, estes \u00faltimos encontravam-se distribu\u00eddos pelos tr\u00eas distritos existentes, Saint-Denis (34%), Saint-Paul (30%) e Sainte-Suzanne (36%). Durante o per\u00edodo seguinte concentravam-se principalmente em Saint-Denis (63%), Saint-Beno\u00eet (21%) e nos distritos de Saint-Andr\u00e9, Saint-Paul e Saint-Pierre (5,3% cada). Finalmente, no in\u00edcio do per\u00edodo revolucion\u00e1rio, a administra\u00e7\u00e3o colonial mostrou-se mais flex\u00edvel em termos de emancipa\u00e7\u00e3o, visto que o n\u00famero de pessoas livres aumentava. Os alforriados concentravam-se principalmente em Saint-Denis. No s\u00e9culo XVIII, os primeiros indianos livres a possu\u00edrem terras eram mulheres casadas com colonos. Estabeleciam-se em tais concess\u00f5es, porque os seus maridos as tinham obtido sob a condi\u00e7\u00e3o de as explorarem.<\/p>\n<p>Em Saint-Denis, a \u00e1rea de terra que esses indianos livres ocupavam, quer atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o da sua emancipa\u00e7\u00e3o ou de compra, varia muito. Na maioria dos casos era inferior a 500 m2 e at\u00e9 inferior a 100 m2. Contudo, na periferia, alguns possu\u00edam parcelas de terreno de dimens\u00f5es consider\u00e1veis (10,7% possu\u00edam mais de 10 000 m2).<\/p>\n<p>A multiplicidade de dimens\u00f5es dos espa\u00e7os ocupados, dentro e fora da cidade (a que alguns chamam de sub\u00farbios), destaca a diversidade das situa\u00e7\u00f5es desta popula\u00e7\u00e3o de mulheres e homens de cor livres. Quer tivessem um pequeno terreno ou gerissem grandes \u00e1reas de terra, todos, cada um \u00e0 sua maneira, tentavam sair-se bem. Tinham a vontade de se posicionar no tecido econ\u00f3mico e social da col\u00f3nia.<\/p>\n<h4><strong>A habita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>De um modo geral, o alojamento dos escravos n\u00e3o se encontra descrita em fontes de arquivo, uma vez que era considerada pelos senhores como rudimentar. Tais constru\u00e7\u00f5es eram, por vezes, realizadas por eles pr\u00f3prios. Entre uma arrecada\u00e7\u00e3o em mau estado, que o senhor j\u00e1 n\u00e3o utilizava, e cabanas feitas de lat\u00e2nia \u2013 cujo telhado geralmente consistia em restos de materiais usados na constru\u00e7\u00e3o da casa principal ou em folhas, com uma s\u00f3 abertura e com ventila\u00e7\u00e3o insuficiente \u2013, essas \u201ccabanas de Pretos\u201d, \u201cbarrac\u00f5es\u201d ou \u201ctelheiros\u201d eram de muito m\u00e1 qualidade. Os escravos dormiam no ch\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7914\" aria-describedby=\"caption-attachment-7914\" style=\"width: 840px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-21.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7914 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-21.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"546\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-21.jpg 840w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-21-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-21-768x499.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7914\" class=\"wp-caption-text\">T\u00f4ttis. Louis Bardel. Antes de 1827. Cromolitografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por outro lado, o alojamento das pessoas livres era composto por toros de madeira redondos, troncos de \u00e1rvore tombados ou pe\u00e7as montadas de modo a garantir a solidez. As casas de pedra eram raras. A \u00e1rea m\u00e9dia das cabanas era de cerca de 60 m2. A casa vendida por Pierre Taouchy a Azy em 31 de outubro de 1785, qualificada como uma mans\u00e3o senhorial de 304\u00a0m2 de superf\u00edcie era uma exce\u00e7\u00e3o. Muitas vezes tinham apenas uma a duas assoalhadas onde a fam\u00edlia comia e dormia. O espa\u00e7o tinha v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es. A casa era o lugar de vida. O mobili\u00e1rio, escasso, era constitu\u00eddo principalmente por ba\u00fas, arcas e caixas para arrumar bens e roupas. O guarda-roupa masculino continha, na melhor das hip\u00f3teses, algumas camisas e duas cal\u00e7as. A casa era tamb\u00e9m o espa\u00e7o de descanso. As bancadas eram compostas por colch\u00f5es, em regra geral guardados nos ba\u00fas e um \u201ccobertor desconfort\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>A sala principal era o espa\u00e7o para as refei\u00e7\u00f5es. A loi\u00e7a, rudimentar, n\u00e3o inclu\u00eda talheres. As pessoas comiam as refei\u00e7\u00f5es com os dedos, como na \u00cdndia, provavelmente sentadas no ch\u00e3o. N\u00e3o havia espa\u00e7o para intimidade, especialmente quando o alojamento possu\u00eda apenas uma assoalhada.<\/p>\n<p>A habita\u00e7\u00e3o era tamb\u00e9m o local de trabalho. Os indianos que viviam na cidade realizavam uma atividade profissional cuja oficina se fundia com o espa\u00e7o de vida. Uma pequena sala adjacente ou separada servia de loja ou local de armazenamento para ferramentas e materiais. Era ali que as muitas costureiras armazenavam os seus panos e tecidos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7923\" aria-describedby=\"caption-attachment-7923\" style=\"width: 569px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-18-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7923 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-18-1.jpg\" alt=\"\" width=\"569\" height=\"478\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-18-1.jpg 569w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2003-10-18-1-300x252.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 569px) 100vw, 569px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7923\" class=\"wp-caption-text\">Tatt\u00e2n ou ourives. Louis Bardel. Antes de 1827. Cromolitografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<h3>A fam\u00edlia<\/h3>\n<h4>O casamento<\/h4>\n<p>Na Ilha Bourbon, no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, os casamentos entre brancos e negros n\u00e3o eram proibidos, pelo que a miscigena\u00e7\u00e3o j\u00e1 fazia parte da paisagem. O desequil\u00edbrio de g\u00e9nero era not\u00e1vel.<\/p>\n<p>Embora o catolicismo gozasse de um monop\u00f3lio religioso na ilha, a imagem do cristianismo exemplar \u00e9 um mito. O principal problema era a resist\u00eancia dos brancos \u00e0 a\u00e7\u00e3o do clero. O obst\u00e1culo derivava da oposi\u00e7\u00e3o entre os interesses dos colonos e os objetivos dos religiosos. De facto, como seria poss\u00edvel algu\u00e9m aceitar desfazer-se de uma escrava rec\u00e9m-casada que deixaria o dom\u00ednio para acompanhar o marido rumo a outra propriedade?<\/p>\n<p>Todavia, os Lazaristas registaram at\u00e9 1730 bons resultados em termos de casamentos da popula\u00e7\u00e3o servil. Os escravos indianos casados surgem em apenas alguns recenseamentos. Em 1708, em Saint-Denis e Saint-Paul, 6 homens e 5 mulheres foram mencionados como casados nos censos dos senhores. Em 1725, 25 homens e 15 mulheres. A primeira prefer\u00eancia dos escravos indianos que se casavam eram as mulheres indianas. De todos os casais registados nos censos, 66,6% dos homens eram casados com mulheres indianas. A segunda escolha reca\u00eda sobre as malgaxes com 23,8% e, por fim, as cafres com 9,6%.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7908\" aria-describedby=\"caption-attachment-7908\" style=\"width: 413px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2009-1-2-17.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-7908 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2009-1-2-17-e1645773836175.jpg\" alt=\"\" width=\"413\" height=\"600\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7908\" class=\"wp-caption-text\">Cesteiro e a sua esposa (morongatis). M. L\u00e9ger, desenhador. 1816. Gravura em madeira. <br \/>Em <em>L&#8217;Hindoustan, ou religion, m\u0153urs, usages, arts et m\u00e9tiers des Hindous<\/em>, Jean Aimable Pannelier, A. Nepveu, 1816, V. 4: ilustra\u00e7\u00e3o adjacente \u00e0 p. 48.<br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le.<\/figcaption><\/figure>\n<p>As uni\u00f5es entre os Livres s\u00f3 eram poss\u00edveis se estes se convertessem ao catolicismo. Havia poucas uni\u00f5es entre indianos livres e brancos no s\u00e9culo XVIII. A pr\u00e1tica de uma forte endogamia na propriedade tendia a solidificar a coes\u00e3o do grupo. Os casamentos mistos representavam um quinto dos casais recenseados. As suas alian\u00e7as iam principalmente para os crioulos, em geral, filhos de indianos; sendo a sua segunda prefer\u00eancia os Malgaxes.<\/p>\n<h4>Os membros da fam\u00edlia<\/h4>\n<p>As fam\u00edlias indianas no s\u00e9culo XVIII n\u00e3o eram homog\u00e9neas. Havia v\u00e1rias formas coexistentes: casais casados, fam\u00edlias monoparentais e fam\u00edlias alargadas. Para sobreviver num sistema colonial rigoroso vigoravam os reagrupamentos, a solidariedade e as pr\u00e1ticas de ajuda m\u00fatua. Os pais albergavam a sua descend\u00eancia j\u00e1 adulta, filhos e netos, com bem mais de 30 anos. Os filhos albergavam os pais, irm\u00e3os e irm\u00e3s, tios, tias e sobrinhos. A administra\u00e7\u00e3o de um terreno de dimens\u00e3o substancial, no qual muitos escravos trabalhavam, requeria a presen\u00e7a de jovens capazes de dirigi-los. Os jovens adultos nem sempre tinham meios financeiros para terem uma atividade por conta pr\u00f3pria e adquirirem um espa\u00e7o para fundar uma fam\u00edlia. Permaneciam portanto no casulo familiar onde contribu\u00edam o m\u00e1ximo poss\u00edvel para a vida do lar, prestando apoio financeiro, ajudando nas tarefas dom\u00e9sticas ou agr\u00edcolas ou na oficina do progenitor que trabalhava. Tamb\u00e9m havia quem se dedicasse a tomar conta dos irm\u00e3os mais novos, substituindo assim os pais nos cuidados dos mais pequenos. Em alguns casos, contribu\u00edam com os \u00fanicos recursos do lar porque os seus pais, envelhecidos, j\u00e1 n\u00e3o podiam trabalhar, especialmente no caso em que havia uma prole numerosa.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_8024\" aria-describedby=\"caption-attachment-8024\" style=\"width: 1113px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/15P1.DC1_.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8024 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/15P1.DC1_-e1647849813324.jpg\" alt=\"\" width=\"1113\" height=\"700\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8024\" class=\"wp-caption-text\">REUNI\u00c3O &#8211; Emigrantes indianos. Tipos de mulheres. P. Advisse-Desruisseaux. [1907-1909]. <br \/>Impress\u00e3o fotomec\u00e2nica (cart\u00e3o postal): a preto e branco. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o privada Jean-Fran\u00e7ois Hibon de Frohen (1947-&#8230;.)<\/figcaption><\/figure>Os filhos que j\u00e1 tinham adquirido a sua independ\u00eancia, acolhiam os seus familiares, especialmente os mais idosos ou os que ainda eram escravos. Quando o senhor o alforriava e lhe dava meios para subsistir, o rec\u00e9m alforriado insistia para que lhe fosse entregue um membro da sua fam\u00edlia \u2013 em geral o pai ou a m\u00e3e \u2013 para que n\u00e3o ficasse ao encargo da col\u00f3nia e a fim de evitar que se tornasse mendigo. Em seguida, instalava-se num pequeno terreno, tamb\u00e9m doado pelo antigo senhor, no qual cultivava alimentos. Tentava ent\u00e3o poupar ao longo dos anos o excedente da venda das suas produ\u00e7\u00f5es, com vista a fazer o pedido de liberta\u00e7\u00e3o do seu progenitor. A situa\u00e7\u00e3o invertia-se quando era um pai alforriado que recebia o filho como escravo.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre membros da popula\u00e7\u00e3o indiana na Ilha Bourbon revelam a grande solidariedade face \u00e0s adversidades do sistema colonial. Escravos ou livres, os indianos que vieram para esta pequena ilha no sudoeste do oceano \u00cdndico n\u00e3o pouparam esfor\u00e7os para se integrarem numa cultura que lhes era estranha. Ao longo do s\u00e9culo seguinte, afirmaram a sua pr\u00f3pria identidade juntamente com os rec\u00e9m-chegados contratados e, assim, contribu\u00edram para a mesti\u00e7agem da popula\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da Reuni\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7961,"parent":5036,"menu_order":50,"template":"","class_list":["post-8399","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/8399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}