{"id":8401,"date":"2022-05-24T11:47:01","date_gmt":"2022-05-24T09:47:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=documentaire&#038;p=8401"},"modified":"2022-12-14T11:51:56","modified_gmt":"2022-12-14T10:51:56","slug":"camille-jurien-de-la-graviere-1811-1878","status":"publish","type":"documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/a-familia-desbassayns\/camille-jurien-de-la-graviere-1811-1878\/","title":{"rendered":"Camille Jurien de la Gravi\u00e8re (1811-1878)"},"content":{"rendered":"<h2>Nascida a 4 de agosto de 1811 em Saint-Denis, Marie-Antoinette Camille Panon Desbassayns, filha de Joseph Panon Desbassayns e Elisabeth Pajot, era neta de Ombline Desbassayns.<\/h2>\n<div style=\"width: 525px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-8401-1\" width=\"525\" height=\"295\" poster=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/poster-riviere.jpg\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/RIVI\u00c8RE_SRT_PORT.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/RIVI\u00c8RE_SRT_PORT.mp4\">https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/RIVI\u00c8RE_SRT_PORT.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>Era uma mulher excecional na sociedade colonial do s\u00e9culo XIX: uma cat\u00f3lica fervorosa, com uma espiritualidade peculiar e uma consci\u00eancia atormentada, era tamb\u00e9m uma mulher de a\u00e7\u00e3o, incans\u00e1vel e determinada, bem ciente da vida pol\u00edtica e econ\u00f3mica do seu tempo<\/p>\n<h3>A \u00e9poca da submiss\u00e3o aos c\u00f3digos sociais (1811-1847)<\/h3>\n<p>De 1811 a 1847, a jovem Camille Desbassayns conformou-se com os desejos da sua fam\u00edlia e sacrificou-se aos c\u00f3digos de boa conduta das mulheres da sociedade colonial do seu tempo.<\/p>\n<h4>Educa\u00e7\u00e3o austera, longe da col\u00f3nia, da jovem Camille Desbassayns<\/h4>\n<p>Filha \u00fanica, visto que a irm\u00e3 e os dois irm\u00e3os morreram na inf\u00e2ncia, Camille Desbassayns foi enviada para um internato em Fran\u00e7a, ainda adolescente, para receber, longe dos pais e da sua ilha natal, uma educa\u00e7\u00e3o austera, que na \u00e9poca era reservada aos filhos de boas fam\u00edlias da col\u00f3nia.<br \/>\nAos catorze anos, o comportamento da aluna n\u00e3o parecia corresponder \u00e0s expectativas dos que a rodeavam: \u201cela est\u00e1 a sair-se bem, maravilhosamente bem, mas nem sempre se comporta do mesmo modo: j\u00e1 n\u00e3o sai h\u00e1 muito tempo por estar de castigo&#8230;\u201d, escreveu uma das suas primas no dia 28 de abril de 1825<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.0939534144952543\" aria-label=\"Trata-se de Lydia Dodun, filha de Philippe Desbassayns, correspondente passiva de Ombline Panon Desbassayns, Acervo Panon Desbassayns de Vill\u00e8le, Arquivos Nacionais de Fran\u00e7a\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nUm ano depois, por\u00e9m, outra prima, Pauline Desbassayns, anunciou: \u201cTenho muito prazer em informar-vos que Camille fez a sua primeira comunh\u00e3o anteontem, o que \u00e9 a prova de que se est\u00e1 a portar bem [&#8230;] Estou muito satisfeita com as suas maneiras e a sua atitude, e espero que se tenha corrigido&#8230;<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.8803081262182568\" aria-label=\"Pauline Desbassayns, 18 anos, filha de Charles Desbassayns, esteve em Paris, na casa do seu tio Joseph de Vill\u00e8le, presidente do Conselho, de 1823 a 1826; manteve uma correspond\u00eancia consider\u00e1vel com os pais durante este per\u00edodo, Acervo Panon Desbassayns de Vill\u00e8le. \">&nbsp;<\/span>\u201d<br \/>\nNo dia 7 de setembro de 1826, a jovem acrescentou: &#8220;[Ela] parece gostar muito de mim, eu retribuo-lhe bem, porque \u00e9 muito boa menina, \u00f3rf\u00e3 como eu, e numa situa\u00e7\u00e3o muito menos agrad\u00e1vel, j\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 com a sua fam\u00edlia tal como eu, est\u00e1 no internato, do qual s\u00f3 sai uma vez cada 15 dias<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.662655868082134\" aria-label=\"Id.\">&nbsp;<\/span>.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5629\" aria-describedby=\"caption-attachment-5629\" style=\"width: 521px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Camille-Desbassayns-3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-5629 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Camille-Desbassayns-3.jpg\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"550\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Camille-Desbassayns-3.jpg 521w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Camille-Desbassayns-3-284x300.jpg 284w\" sizes=\"auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5629\" class=\"wp-caption-text\">Marie Antoinette Camille Panon Desbassayns. Pormenor da \u00e1rvore geneal\u00f3gica da fam\u00edlia Desbassayns. Jehan de Vill\u00e8le. 1989. Aguarela; l\u00e1pis preto. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu Vill\u00e8le<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Casamento infeliz e in\u00edcio de uma vida dedicada \u00e0 pr\u00e1tica religiosa e \u00e0 a\u00e7\u00e3o social<\/h4>\n<p>Por volta de 1830, Camille Desbassayns regressou a Bourbon. Louis Charles Jurien de la Gravi\u00e8re, Ordenador de Bourbon, pediu a sua m\u00e3o. O casamento ocorreu no dia 25 de abril de 1831. Os rec\u00e9m-casados embarcariam pouco tempo depois para a Fran\u00e7a, onde o Sr. Jurien assumiria as suas fun\u00e7\u00f5es de comiss\u00e1rio-geral da Marinha e prefeito mar\u00edtimo de Rochefort.<br \/>\nNo entanto, seis anos ap\u00f3s o seu casamento, a jovem confidenciou \u00e0 av\u00f3: \u201cInfelizmente, querida av\u00f3, parece que estou destinada [sic] a envergonhar para sempre a sua estirpe e que nunca lhe darei uma pequena Ombline Jurien. Teria sido uma grande alegria para mim dar o seu nome a uma filha, por\u00e9m isso \u00e9-me recusado&#8230;<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.344924457700154\" aria-label=\"Carta de 4 de setembro de 1836, correspond\u00eancia passiva de Ombline Panon Desbassayns, Acervo Panon Desbassayns de Vill\u00e8le.\">&nbsp;<\/span>\u201d<\/p>\n<p>Uma carta de Betsy Desbassayns, datada de 24 de outubro de 1842, revela como Camille Jurien lida com esta situa\u00e7\u00e3o dolorosa:<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0Esta querida prima [&#8230; ] atirou-se com paix\u00e3o, com exagero, para a religi\u00e3o. Vai \u00e0 missa todos os dias, todos os dias acorre sozinha, com um vestido velho, a todos os pobres da cidade, priva-se para enviar aos refugiados espanh\u00f3is em Fran\u00e7a de tal maneira que at\u00e9 parece uma freira, na realidade at\u00e9 faz pena esta pobre amiga que s\u00f3 aspira a ter a sua fortuna para dar a este e \u00e0quela [&#8230;]<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5122698888488053\" aria-label=\" Isabel Desbassayns, filha de Charles Desbassayns, estava de passagem em Fran\u00e7a quando escreveu esta carta \u00e0 sua irm\u00e3 C\u00e9line, que tinha permanecido em Bourbon, Acervo Panon Desbassayns de Vill\u00e8le.\">&nbsp;<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>Alguns anos depois, os c\u00f4njuges poriam termo \u00e0 sua vida matrimonial por m\u00fatuo acordo. Camille Jurien n\u00e3o se queixou e, at\u00e9 \u00e0 sua morte em 5 de setembro de 1858, o Sr. Jurien autorizou-a a usar a sua fortuna como bem entendesse.<\/p>\n<h3>A \u00e9poca da independ\u00eancia e das grandes aventuras (1848-1870)<\/h3>\n<p>De 1847-1848 at\u00e9 1870, Camille Jurien mergulhou de corpo e alma em grandes aventuras, dificilmente se ajustando ao papel atribu\u00eddo \u00e0s mulheres daquela \u00e9poca, obedecendo assim aos movimentos da sua consci\u00eancia e ao que ela entendia como injun\u00e7\u00f5es divinas.<\/p>\n<h4>A obra da expia\u00e7\u00e3o dos crimes da escravatura<\/h4>\n<p>Enquanto Camille Jurien virava a dolorosa p\u00e1gina da sua vida de esposa, questionou o sistema da escravatura em que a sua fortuna assentava. Apoiou a condena\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca da escravatura e do tr\u00e1fico de escravos defendida pelo Padre Lacordaire<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9452450138624129\" aria-label=\"Henri Lacordaire (1802-1861), restabeleceu a ordem dominicana em Fran\u00e7a e foi pregador em Notre-Dame de Paris de 1835 a 1836, mais tarde de 1843-1846 e finalmente de 1847 a 1851. Fundador e diretor do jornal L'\u00c8re Nouvelle (abril de 1848 - agosto de 1848) foi eleito representante do povo na Assembleia Nacional (4 de maio de 1848- 18 de maio de 1848). Tornou-se provincial da prov\u00edncia da Fran\u00e7a (1850-1854 e 1858-1861) e acad\u00e9mico em 1860.\">&nbsp;<\/span>, restaurador da ordem dos irm\u00e3os pregadores em Fran\u00e7a e precursor da doutrina social da Igreja<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.0940268207882391\" aria-label=\"LACORDAIRE H.D, 0.P, Cofer\u00eancias de Lacordaire dos irm\u00e3os pregadores- volume segundo, Vig\u00e9sima quinta confer\u00eancia. De la charit\u00e9 de fraternit\u00e9 produite dans l\u2019\u00e2me par la doctrine catholique (A caridade da fraternidade produzida na alma pela doutrina cat\u00f3lica). p.82.\">&nbsp;<\/span>.<br \/>\nOito anos mais tarde, Lacordaire assinou em nome de Camille Jurien a escritura de compra do local do mosteiro dominicano de Prouilhe, destru\u00eddo durante a Revolu\u00e7\u00e3o, escritura essa que estipulava: &#8220;A presente aquisi\u00e7\u00e3o servir\u00e1 para reutilizar [&#8230;] a indemniza\u00e7\u00e3o concedida pelo governo na sequ\u00eancia das disposi\u00e7\u00f5es do decreto de vinte e sete de abril de mil oitocentos e quarenta e oito relativo \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravatura nas col\u00f3nias francesas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9888962697260979\" aria-label=\"Extrato da escritura de venda, assinada perante Me Caunes, Not\u00e1rio em Fangeaux na regi\u00e3o de Aude, 27 de dezembro de 1855. Arquivos do Mosteiro de Prouilhe.\">&nbsp;<\/span>.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<figure id=\"attachment_5584\" aria-describedby=\"caption-attachment-5584\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Extrait-de-lacte-dachat-du-site-de-Prouilhe-par-Mme-Jurien-Archives-du-monast\u00e8re-de-Prouilhe2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5584 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Extrait-de-lacte-dachat-du-site-de-Prouilhe-par-Mme-Jurien-Archives-du-monast\u00e8re-de-Prouilhe2.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"705\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Extrait-de-lacte-dachat-du-site-de-Prouilhe-par-Mme-Jurien-Archives-du-monast\u00e8re-de-Prouilhe2.jpg 1000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Extrait-de-lacte-dachat-du-site-de-Prouilhe-par-Mme-Jurien-Archives-du-monast\u00e8re-de-Prouilhe2-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Extrait-de-lacte-dachat-du-site-de-Prouilhe-par-Mme-Jurien-Archives-du-monast\u00e8re-de-Prouilhe2-768x541.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5584\" class=\"wp-caption-text\">Extrato da escritura de compra do s\u00edtio Prouilhe pela Sra. Jurien. 1855. <br \/>Manuscrito. Arquivos do mosteiro de Prouilhe<\/figcaption><\/figure><\/blockquote>\n<p>Esta precis\u00e3o \u00e9 fundamental aos olhos daquela que empreenderia uma obra ainda in\u00e9dita de expia\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o, dos crimes da escravatura, como viria a explicar alguns anos antes da sua morte:<\/p>\n<blockquote><p>A indemniza\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o dos nossos negros, parecia-me uma coisa sagrada, mas n\u00e3o adequada, e muitas vezes, perguntei a N.S. para o que ele a destinava,&#8230; ele fez-me ver, quando cheguei a Paris, aquando do meu regresso de Prouille, que esta indemniza\u00e7\u00e3o devia ser usada para reconstruir este convento em expia\u00e7\u00e3o pelos crimes da escravatura e por todos os meus parentes que viveram durante este per\u00edodo<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5446371353888138\" aria-label=\"Excerto da carta que Camille Jurien, arruinada, endere\u00e7ou, em 12 de junho de 1873, ao Bispo de Carcassonne para lhe confiar que n\u00e3o podia terminar a sua obra de reconstru\u00e7\u00e3o. Arquivos do Mosteiro de Prouilhe.\">&nbsp;<\/span>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Camille Jurien investiu mais de um milh\u00e3o de francos nesta obra, mas ap\u00f3s a sua morte, as terras e a constru\u00e7\u00e3o ainda inacabada do mosteiro foram vendidas em leil\u00e3o. Tr\u00eas dominicanas de Nay adquiriram-nas em leil\u00f5es a 11 de julho de 1879, por 60 000 francos, e &#8220;o culto lit\u00fargico foi retomado [em Prouilhe] em 29 de abril de 1880&#8230;<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.2536726252684778\" aria-label=\"DUVAL Andr\u00e9, 0.P., 1880 La vie monastique recommence \u00e0 Prouilhe (A vida mon\u00e1stica recome\u00e7a em Prouilhe), confer\u00eancia dada a 8 de agosto de 1980, em Prouilhe, por ocasi\u00e3o do centen\u00e1rio da Restaura\u00e7\u00e3o do Mosteiro, Arquivos Departamentais de Aude.\">&nbsp;<\/span>\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_5599\" aria-describedby=\"caption-attachment-5599\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Monast\u00e8re_Prouilhe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5599 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Monast\u00e8re_Prouilhe.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Monast\u00e8re_Prouilhe.jpg 800w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Monast\u00e8re_Prouilhe-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Monast\u00e8re_Prouilhe-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5599\" class=\"wp-caption-text\">Mosteiro de Prouilhe, fachada oeste. 19 de novembro de 2019. Fotografia. <br \/>Jcb-caz-11, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<h4>A obra ao servi\u00e7o da Igreja e da Santa S\u00e9<\/h4>\n<p>Camille Jurien tamb\u00e9m financiou hosp\u00edcios, a instala\u00e7\u00e3o da casa-m\u00e3e das Irm\u00e3s Auxiliadoras das Almas do Purgat\u00f3rio em Paris, a constru\u00e7\u00e3o da igreja do semin\u00e1rio franc\u00eas em Roma e muitas outras obras pias.<br \/>\nQuando o Papa Pio IX foi destitu\u00eddo dos seus poderes temporais em 21 de dezembro de 1848, pela Revolu\u00e7\u00e3o Italiana, e depois for\u00e7ado ao ex\u00edlio em Gaeta, ela atravessou o Piemonte \u2013 com uma escolta de bandidos, segundo reza a lenda \u2013 para se juntar a ele e dar-lhe o seu apoio e uma soma de 300 000 francos. Durante os vinte anos seguintes, quando n\u00e3o estava na Reuni\u00e3o ou em Prouilhe, acompanhou e cuidou do batalh\u00e3o internacional dos Zouavos em todos os campos de batalha dos Estados Papais invadidos, at\u00e9 ao cerco e capitula\u00e7\u00e3o de Roma a 20 de setembro de 1870. Durante todos estes anos, &#8220;A Senhora Jurien tinha entrada livre no Quirinal e no Vaticano. O Santo Padre recebia-a muitas vezes em audi\u00eancias privadas e tratava-a como uma filha&#8221;, de acordo com a Dominicana M.D. Constant<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.3690998060061492\" aria-label=\"CONSTANT M.D., O.P, Madame Jurien de la Gravi\u00e8re, L\u2019ann\u00e9e Dominicaine, junho de 1927, pp.285-286\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<h4>A obra dos contratados de Bel-Air<\/h4>\n<p>Quando Camille Jurien se tornou propriet\u00e1ria da vasta propriedade do pai<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.05417252486890467\" aria-label=\"Uma propriedade rural localizada nas Comunas de Sainte Marie e Sainte Suzanne composta por propriedades conhecidas como Sainte Marie de Bel-Air, Ravine des Ch\u00e8vres e Saint Joseph de Bel Air, formando apenas um lote de cerca de 490 ha, de acordo com Adjudica\u00e7\u00e3o de 2 de julho de 1879, arquivos familiares de Christel de Vill\u00e8le.\">&nbsp;<\/span>, em 1850, estava demasiado ocupada na Europa para ali residir permanentemente. Por isso, confiou a gest\u00e3o dos assuntos correntes ao seu primo Albert de Vill\u00e8le. Fez uma longa viagem entre os dois hemisf\u00e9rios uma d\u00fazia de vezes, numa dire\u00e7\u00e3o ou na outra, para ficar alguns meses na sua propriedade. Em 1858, no entanto, a Sra Jurien passou um ano inteiro em Bel-Air, a correspond\u00eancia que ent\u00e3o manteve com a Irm\u00e3 Marie de la Providence atesta a sua proximidade com os trabalhadores contratados e os rec\u00e9m alforriados da propriedade<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9580264868600605\" aria-label=\"200 trabalhadores contratados indianos e 196 outros homens contratados e rec\u00e9m libertados, de acordo com a escritura notarial Invent\u00e1rio dos bens deixados por Joseph Desbassayns de 4 de maio de 1850; 268 trabalhadores e 36 mulheres n\u00e3o sujeitas a trabalho, de acordo com a Adjudica\u00e7\u00e3o de 2 de julho de 1879, ibid.\">&nbsp;<\/span>. N\u00e3o obstante a relut\u00e2ncia da sua fam\u00edlia, decidiu mudar-se para o seu hospital<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.028294324702634377\" aria-label=\"Um edif\u00edcio de argamassa coberto de telhas, para uso como hospital com galeria defronte e composto por sete assoalhadas, contendo quarenta camas de ferro forjado; Outro edif\u00edcio de argamassa, coberto de telhas perpendicular ao anterior; Um edif\u00edcio de argamassa coberto por telhas, usado como habita\u00e7\u00e3o para os enfermeiros e contendo uma pequena farm\u00e1cia; Um pavilh\u00e3o de madeira coberto de telhas que servia de sala de lavores; Uma cozinha de pedra coberta de telhas que servia o hospital, id.\">&nbsp;<\/span>, &#8220;com aqueles a quem devo amar, curar em nome do Salvador, a quem ainda ignoram. A maioria eram id\u00f3latras&#8221;, escreveu a 11 de junho de<br \/>\n1858<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6568782750221602\" aria-label=\"Correspond\u00eancia passiva da Irm\u00e3 Marie de la Providence, arquivos das Auxiliadores do Purgat\u00f3rio, Paris.\">&nbsp;<\/span>. O Bispo da Reuni\u00e3o, escreve a este respeito: &#8220;Ela vive num pequeno quarto do seu hospital onde vi por cadeira apenas um cepo ou uma t\u00e1bua de madeira em mau estado, apoiada em quatro p\u00e9s de madeira<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6942104243807337\" aria-label=\"Carta a Emilie Aussant, citada por CONSTANT M.D., O.P., O Ano Dominicano, junho de 1927, p.284\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5587\" aria-describedby=\"caption-attachment-5587\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/1984.07.04.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5587 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/1984.07.04.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"710\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/1984.07.04.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/1984.07.04-300x166.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/1984.07.04-768x426.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/1984.07.04-1024x568.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5587\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1lbum da reuni\u00e3o: Bel-Air, distrito de Sainte-Suzanne, propriedade de Coat de K\/V\u00e9guen. Vista tirada da estrada nacional \u00e0s 8 horas]. Louis Antoine Roussin 1880. Litografia. <br \/>Cole\u00e7\u00e3o Museu L\u00e9on Dierx<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesse mesmo ano, a Sra. Jurien colocou a primeira pedra de uma capela de pedra, suficientemente grande para acomodar todos os trabalhadores aos domingos, e empreendeu uma expedi\u00e7\u00e3o mar\u00edtima para ir buscar novos trabalhadores a Zanzibar, onde a escravatura ainda estava em vigor.<\/p>\n<p>A Sra. Jurien n\u00e3o confiava nos recrutadores da Reuni\u00e3o que se comportavam como os traficantes de escravos vilipendiados por Lacordaire em 1847, e em 28 de outubro, chegou em pessoa a Zanzibar a bordo do Pallas. Falou em privado com o jovem sult\u00e3o Sayyid Majid bin Said para lhe pedir permiss\u00e3o para instalar um hospital de escravos em Zanzibar, e este \u00faltimo, que anteriormente se tinha recusado a tratar com os comandantes dos navios da Reuni\u00e3o, autorizou a Sra. Jurien a comprar 200 escravos no seu territ\u00f3rio<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.9021199939010356\" aria-label=\"MALECOT Georges, Revue fran\u00e7aise d'histoire d'outre-mer Ano 1971 Volume 58 N\u00famero 212 p. 313.\">&nbsp;<\/span>.<\/p>\n<p>Contudo, a viagem de regresso correu mal: metade dos recrutas morreram de disenteria ou var\u00edola, apesar dos cuidados que lhes foram prestados. O Pallas chegou ao porto de Saint-Denis em 13 de dezembro de 1858 e o pesadelo continuou durante toda a quarentena no navio. Esta cat\u00e1strofe abalou profundamente a Sra. Jurien que, facto extremamente raro na sua correspond\u00eancia, confessou o seu desespero: &#8220;&#8230;tudo parecia em [mim] aniquilado, no fundo do abismo<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.6650811419903677\" aria-label=\"Carta de 20 de janeiro de 1859, correspond\u00eancia passiva da Irm\u00e3 Marie de la Providence.\">&nbsp;<\/span>!\u201d<\/p>\n<p>Sem d\u00favida assombrada pela sua responsabilidade neste desastre e pela epidemia de c\u00f3lera que irrompeu no ano seguinte, a Sra. Jurien trouxe para a ilha, em 1860, uma comunidade de Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo para cuidar de hospitais em Bel-Air e noutros lugares da col\u00f3nia. Uma delas, a Irm\u00e3 Petit, testemunha os cuidados prestados por Camille Jurien aos seus contratados e alforriados:<\/p>\n<blockquote><p>Cheg\u00e1mos a Bourbon a 7 de mar\u00e7o e a 8 de mar\u00e7o a Bel-Air. Havia na sua propriedade uma esp\u00e9cie de enfermaria para os pobres negros, empregados no cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar. Sem tirar um \u00fanico dia de folga, depois de uma viagem t\u00e3o longa, a Sra. Jurien p\u00f4s m\u00e3os \u00e0 obra para arrumar e organizar este quarto onde ficaria connosco durante um m\u00eas. Come\u00e7ou a tratar e a curar estes pobres negros como uma m\u00e3e faria para o seu pr\u00f3prio filho, cuidando dos doentes, dando-lhes a comida preparada por ela, contentando-se com um pouco de arroz e algumas ervas arom\u00e1ticas como alimento para si pr\u00f3pria. [&#8230;] Ningu\u00e9m era infeliz na sua propriedade. Cada escravo libertado em 1848 tinha a sua pequena cabana, o seu peda\u00e7o de terra e o seu pequeno jardim.<\/p><\/blockquote>\n<p>Posteriormente, a ru\u00edna da cana levou \u00e0 ru\u00edna da Senhora Jurien. Em 1868, durante uma \u00faltima estadia na propriedade de Bel-Air, que j\u00e1 n\u00e3o geria, constatou que os compromissos assumidos por ela com os trabalhadores j\u00e1 n\u00e3o eram respeitados: as mulheres eram reenviadas para as suas cabanas, privadas de trabalho e, portanto, de sal\u00e1rio e os idosos j\u00e1 n\u00e3o eram cuidados pelo estabelecimento. A sua correspond\u00eancia com o seu advogado e amigo, Christol de Sigoyer<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.5027311798208978\" aria-label=\"O acervo de Sigoyer, composto por cerca de trinta cartas, foi recentemente descoberto em arquivos privados, e foi cedido pelo seu propriet\u00e1rio ao Memorial Camille Jurien em 2020.\">&nbsp;<\/span>, e as instru\u00e7\u00f5es reiteradas que lhe deu, s\u00e3o uma prova da sua determina\u00e7\u00e3o em restabelecer os direitos e vantagens adquiridos pelos seus trabalhadores contratados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5590\" aria-describedby=\"caption-attachment-5590\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Camille-Jurien-Archives-des-Soeurs-Auxiliatrices-e1627387073404.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"taille-initiale wp-image-5590 size-full\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Camille-Jurien-Archives-des-Soeurs-Auxiliatrices-e1627387176915.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"600\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5590\" class=\"wp-caption-text\">Camille Jurien. Fotografia. <br \/>Arquivos das Irm\u00e3s Auxiliadoras<\/figcaption><\/figure>\n<h3>A \u00e9poca da submiss\u00e3o aos momentos de Deus<br \/>\n(1870-1878)<\/h3>\n<p>Na Europa, at\u00e9 1870, as cartas do advogado de Camille Jurien situavam-na nos Estados Papais. Ao tomar conhecimento da perda de todos os seus bens, escreveu: &#8220;A minha alma sentiu uma como\u00e7\u00e3o inef\u00e1vel ao ouvir: N\u00e3o tens mais nada [&#8230;] Sou livre como [os passarinhos] e pairo sobre este mundo que pensa comprimir-me, mas ao inv\u00e9s me d\u00e1 asas<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.055992977994999915\" aria-label=\"Carta a Mathilde Aussant, citada por CONSTANT M.D., O.P., Senhora Jurien de la Gravi\u00e8re (continua\u00e7\u00e3o e fim), O Ano Dominicano, julho-agosto de 1927, p.358.\">&nbsp;<\/span>.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 1871, a mulher de a\u00e7\u00e3o retirou-se ent\u00e3o para as terras do mosteiro de Prouilhe, onde vivia na pobreza na companhia de duas mulheres alforriadas, Marie-Antoinette, a sua &#8220;filha adotiva&#8221; e Magdeleine, a sua &#8220;filha de confian\u00e7a\u201d<span class=\"NOTE_MARKER\" rel=\"0.36130175860569835\" aria-label=\"De acordo com o certificado de transfer\u00eancia dos seus restos mortais para o cemit\u00e9rio de Fangeaux, 24 de maio de 1880, arquivos do mosteiro de Prouilhe\">&nbsp;<\/span>. Morreu em Paris em 1878 e os seus restos mortais foram transferidos para a cripta do mosteiro, que hoje alberga uma comunidade de monjas dominicanas de todas as nacionalidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5756,"parent":5028,"menu_order":30,"template":"","class_list":["post-8401","documentaire","type-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/8401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/documentaire\/5028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}