{"id":17305,"date":"2026-10-02T10:36:06","date_gmt":"2026-10-02T06:36:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?post_type=dossier-documentaire&#038;p=17305"},"modified":"2026-10-02T10:36:08","modified_gmt":"2026-10-02T06:36:08","slug":"os-pequenos-senhores-em-bourbon-durante-o-periodo-da-escravatura","status":"publish","type":"dossier-documentaire","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/dossiers-documentaires\/os-pequenos-senhores-em-bourbon-durante-o-periodo-da-escravatura\/","title":{"rendered":"Os \u00abpequenos senhores\u00bb em Bourbon durante o per\u00edodo da escravatura"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um artigo da autoria do historiador Albert Jauze.<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Resumo<\/h4>\n\n\n\n<p>No seio da sociedade esclavagista da col\u00f3nia da ilha da Reuni\u00e3o, havia propriet\u00e1rios que possu\u00edam apenas um n\u00famero reduzido de escravos, constituindo a classe fict\u00edcia dos \u00abpequenos senhores\u00bb. A primeira tend\u00eancia seria consider\u00e1-los como pessoas sem recursos financeiros. Os invent\u00e1rios elaborados pelos not\u00e1rios permitem conhecer os seus perfis individuais, sendo poss\u00edvel examinar todas as categorias da popula\u00e7\u00e3o insular. O presente estudo incide sobre o per\u00edodo de 1790 a 1848 e determina um limiar de seis escravos por propriet\u00e1rio. Existe uma coincid\u00eancia flagrante entre as sucess\u00f5es modestas e o n\u00famero reduzido de servos. De facto, a incapacidade e, sobretudo, a rotina faziam com que os colonos permanecessem num n\u00edvel med\u00edocre e possu\u00edssem poucos escravos. Contudo, havia tamb\u00e9m patrim\u00f3nios razo\u00e1veis, e at\u00e9 mesmo opulentos, que se destacavam pelo n\u00famero baixo de pessoas escravizadas, inferindo-se que a quantidade estaria em conson\u00e2ncia com as suas necessidades. Trata-se, designadamente, de fam\u00edlias que viviam em meios urbanos e de artes\u00e3os, que tinham sob a sua autoridade, em particular, criados e escravos com compet\u00eancias espec\u00edficas. A posse, mesmo que m\u00ednima, de escravos deve ser examinada \u00e0 luz das situa\u00e7\u00f5es pessoais e familiares. Por conseguinte, a abordagem que consiste em concluir que todos os \u00abpequenos senhores\u00bb eram necessariamente propriet\u00e1rios desfavorecidos \u00e9 redutora e infundada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O termo \u00abpequenos senhores\u00bb designa os propriet\u00e1rios que possu\u00edam apenas um n\u00famero reduzido de pessoas escravizadas. A correla\u00e7\u00e3o teria sido estabelecida, ipso facto, com o grupo de propriet\u00e1rios mais desfavorecido. Investigadores como Yves P\u00e9rotin e Claude Wanquet demonstraram o elo entre o grau de riqueza dos colonos, por um lado, e a quantidade de escravos possu\u00eddos, por outro.<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00abPara avaliar a fortuna dos propriet\u00e1rios de Bourbon, o melhor crit\u00e9rio \u2014 aquele que era mais utilizado no c\u00e1lculo dos impostos \u2014 era o seu patrim\u00f3nio em termos de escravos\u00bb, escreve C. Wanquet em <em>Histoire d\u2019une R\u00e9volution, La R\u00e9union (1780 \u2013 1803)<\/em>. Em 1779, na localidade unanimemente considerada como a mais industrial e rica da ilha (Saint-Paul), de um total de 346 chefes de fam\u00edlia livres, brancos ou homens de cor, cerca de 47 % possu\u00edam, no m\u00e1ximo, 5 escravos, um indicador de uma popula\u00e7\u00e3o insular empobrecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que o facto de possuir poucas pessoas escravizadas \u00e9 uma marca irrevog\u00e1vel de modicidade? Na verdade, este dom\u00ednio da investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tem sido pouco explorado, a fortiori no tocante ao per\u00edodo p\u00f3s-revolucion\u00e1rio. Debru\u00e7amo-nos sobre este tema neste artigo a fim de apurar as observa\u00e7\u00f5es acima referidas. Document\u00e1mo-nos por meio dos invent\u00e1rios sucess\u00f3rios elaborados pelos not\u00e1rios\u2071.\u00a0Os oficiais ministeriais visitavam os locais habitados pelos defuntos e, acompanhados por peritos, procediam \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o dos \u00abm\u00f3veis <em>meublans <\/em>(sic), utens\u00edlios dom\u00e9sticos, roupa de casa, vestu\u00e1rio, argentaria, escravos e outros bens\u00bb. Embora os bens im\u00f3veis raramente constem dos invent\u00e1rios, logr\u00e1mos conhecer o patrim\u00f3nio dos falecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s termos recenseado mais de 900 invent\u00e1rios realizados de 1790 a 1848, opt\u00e1mos por selecionar aqueles que incluem, no m\u00e1ximo, seis escravos, integrando, quando aplic\u00e1vel, neste grupo as crian\u00e7as que tinham sido enumeradas juntamente com as suas m\u00e3es, obtendo, no final, 271 invent\u00e1rios. Deste <em>corpus<\/em>, extra\u00edmos um determinado n\u00famero de casos pertinentes, no intuito de esclarecer a no\u00e7\u00e3o de \u00abpequenos senhores\u00bb. Importa igualmente compreender que o valor fiduci\u00e1rio atribu\u00eddo ao escravo representa, ami\u00fade, uma parte significativa do patrim\u00f3nio, superando mesmo o dos edif\u00edcios (casa, edif\u00edcio, est\u00e1bulo\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p>A sucess\u00e3o de <strong>Fran\u00e7ois Ady<\/strong>, ferreiro (1792)\u2071\u2071, era parca, at\u00e9 porque, para al\u00e9m de algumas ferramentas e outros bens, uma parte das suas reservas de milho estava podre. Deixou apenas um casaco e um par de cal\u00e7as em mau estado, sem qualquer valor e somente uma pessoa escravizada.<br>A senhorita <strong>Louise Suzanne Lefebvre<\/strong> (ano IX) faleceu solteira e m\u00e3e de um filho natural. O seu patrim\u00f3nio comportava apenas roupas de casa e vestu\u00e1rio usado, assim como uma escrava com o respetivo filho.<br>Deduz-se uma mod\u00e9stia indubit\u00e1vel ao ler o invent\u00e1rio da <strong>senhora Mollet<\/strong>, <strong>esposa de Dugoulet<\/strong>, guarda de pris\u00e3o (1808). Embora a casa, o pavilh\u00e3o, a cozinha e a cabana dos Negros n\u00e3o tenham sido avaliados, o mobili\u00e1rio, os animais, as roupas, entre outros, n\u00e3o atingem um valor estimado elevado. Registam-se tr\u00eas escravos, incluindo uma m\u00e3e com os dois filhos, e um barbeiro, que tamb\u00e9m lavava a roupa e passava a ferro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963a83b&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1036\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1997-1-1_detail.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17101\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1997-1-1_detail.jpg 1036w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1997-1-1_detail-243x300.jpg 243w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1997-1-1_detail-829x1024.jpg 829w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1997-1-1_detail-768x949.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Barbeiro. Pormenor de <em>Ile Bourbon. Palanquim<\/em>. L. Berlie, gravador; Danvin, desenhador. S\u00e9culo XIX. Gravura.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu Hist\u00f3rico de Vill\u00e8le, inv. 1997.1.1<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Jacques \u00c9vaneau<\/strong> (1814) caracterizava-se pela escassez de recursos financeiros: algumas cadeiras gastas, uma mesa de jantar, um ba\u00fa, uma estrutura de cama com a respetiva roupa, panelas em mau estado, seis pratos e dois talheres de prata. Tinha igualmente a propriedade de uma escrava com dois filhos e outra escrava fugitiva.<br>O patrim\u00f3nio de <strong>Victoire<\/strong>, alforriada (1815), inclu\u00eda alguns pequenos bens im\u00f3veis, mobili\u00e1rio em mau estado e algumas aves de capoeira. Dois escravos sobreviveram-lhe, um dos quais de sa\u00fade fr\u00e1gil.<br><strong>John Cullen<\/strong> (1815) era major de infantaria ao servi\u00e7o de Sua Majestade Brit\u00e2nica. Faleceu na Ilha Maur\u00edcia, deixando bens em Bourbon, onde se dedicava \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado bovino. Ainda que seja praticamente imposs\u00edvel avaliar a sua riqueza, o seu invent\u00e1rio revela a exist\u00eancia de dois criados e um guardi\u00e3o de gado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963b333&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_40FI60-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17109\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_40FI60-3.jpg 794w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_40FI60-3-186x300.jpg 186w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_40FI60-3-635x1024.jpg 635w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_40FI60-3-768x1238.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jamali Cafre &#8211; Guardi\u00e3o. Hippolyte Charles Napol\u00e9on Mortier de Tr\u00e9vise, desenho de 1861. Aguarela.<br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 40FI60<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A fortuna de <strong>Claude Rouxel<\/strong>, secret\u00e1rio da intend\u00eancia (1817), era escassa. Tinha apenas um escravo, de 13 anos, que trabalhava como ajudante.<br>O volume dos bens inventariados na resid\u00eancia de <strong>H\u00e9l\u00e8ne<\/strong>, uma mulher alforriada (1817), dos quais uma cabana em mau estado de 10 p\u00e9s quadrados, evoca a precariedade. Possu\u00eda tr\u00eas escravos, incluindo uma inv\u00e1lida.<br><strong>Guillaume Leyritz<\/strong>, ausente da ilha (1819), residia na casa de Victoire Naraguy. Todos os m\u00f3veis e utens\u00edlios dom\u00e9sticos que ali se encontravam eram propriedade dela e da filha. Ele possu\u00eda tr\u00eas escravos, dois dos quais com os respetivos filhos.<br>O patrim\u00f3nio deixado por <strong>Jean Baptiste<\/strong>, livre (1823), era diminuto, incluindo designadamente alguns ba\u00fas ou arm\u00e1rios em mau estado, uma pequena cabana de madeira coberta de palha e tr\u00eas pequenos anexos em mau estado. Possu\u00eda apenas uma escrava, de 60 anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963bd91&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"936\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17159\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_01.jpg 936w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_01-219x300.jpg 219w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_01-749x1024.jpg 749w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_01-768x1050.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Invent\u00e1rio na casa de Jean Baptiste. N.\u00ba 2629. 24 de junho de 1823. Manuscrito. <br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 3E1045, p\u00e1gina 1<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963cd8f&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"wp-block-image size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"936\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17164\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_02.jpg 936w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_02-219x300.jpg 219w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_02-749x1024.jpg 749w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_3_E_1045_02-768x1050.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Invent\u00e1rio na casa de Jean Baptiste. N.\u00ba 2629. 24 de junho de 1823. Manuscrito. <br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 3E1045, p\u00e1gina 2<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br>A heran\u00e7a de <strong>Marie Louise<\/strong>, livre (1823), \u00e9 singular, sem que se possa realmente qualific\u00e1-la, consistindo apenas em cinco escravos, todos dedicados ao cultivo da terra, e na roupa de uso pessoal que foi deixada aos nove filhos menores e naturais.<br>Na leitura da sucess\u00e3o efetuada na casa do falecido <strong>Jacques \u00c9tienne Grimaud<\/strong> (1826), propriet\u00e1rio de quatro escravos, declarou-se que os bens seriam vendidos, j\u00e1 que eram de baixo valor e n\u00e3o pass\u00edveis de serem repartidos entre os seis legat\u00e1rios<br>A escassez caracteriza a sucess\u00e3o de <strong>Gr\u00e9goire Alexis Paquet<\/strong>, que detinha um escravo que havia adquirido com o intuito de o alforriar e que era reivindicado por uma terceira pessoa como sendo, na realidade, sua propriedade.<br>\u00abMiser\u00e1vel\u00bb \u00e9 o qualificativo que melhor descreve o esp\u00f3lio de <strong>Vincent Beauvillain<\/strong> (1840): um sof\u00e1 velho, um arm\u00e1rio, casacos em mau estado, mesas velhas, camisas, etc. Apenas foi inventariado um escravo, um Negro aleijado dedicado ao trabalho exterior.<br>Poder\u00edamos questionar-nos sobre a qualifica\u00e7\u00e3o do esp\u00f3lio de <strong>Saysset<\/strong>, arquivista do Conselho Colonial (1847). Mobili\u00e1rio razo\u00e1vel, lou\u00e7a, argentaria, obras de biblioteca, roupa de casa de pouco valor que n\u00e3o foi descrita, e uma \u00fanica escrava. \u00c9 declarado que os escravos tinham sido deixados ao seu servi\u00e7o h\u00e1 muito tempo, mas que n\u00e3o eram sua propriedade.<br>O esp\u00f3lio de <strong>Louis Lauricourt Euger<\/strong> (1848) era ex\u00edguo. N\u00e3o possu\u00eda qualquer m\u00f3vel ou im\u00f3vel. A sua roupa de casa e vestu\u00e1rio eram de valor t\u00e3o \u00ednfimo que se considerou desnecess\u00e1rio inventari\u00e1-los e avali\u00e1-los. Contra\u00edra v\u00e1rias d\u00edvidas. Propriet\u00e1rio de quatro escravos, legou um deles com os respetivos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafogo torna-se evidente ao ler a descri\u00e7\u00e3o pormenorizada dos bens m\u00f3veis e im\u00f3veis (uma casa principal, duas lojas, uma cozinha, duas cabanas para Negros, uma cabana que servia de latrinas) da <strong>senhora Marie \u00c9l\u00e9onore Pinard<\/strong>, <strong>esposa de Michel Fromont<\/strong> (1791). Tr\u00eas escravos estavam ao seu servi\u00e7o: uma cozinheira com dois filhos, um criado dom\u00e9stico e uma ama respons\u00e1vel pelos cuidados da crian\u00e7a Fromont.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963da30&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1073\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI16_7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17113\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI16_7.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI16_7-300x251.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI16_7-1024x858.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI16_7-768x644.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ama de crian\u00e7as. Pormenor de <em>Ad\u00e8le, Jos\u00e9phine, Mulata, Catatua assustada, Ad\u00e8le e outras personagens sem legenda<\/em>.<br>Jean Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho.<br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 98FI16<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O esp\u00f3lio de <strong>Fran\u00e7ois Richard<\/strong>, sapateiro (1792), \u00e9 consider\u00e1vel, incluindo artigos relacionados com a sua profiss\u00e3o (poucas cabras\u2026), as suas ferramentas, o mobili\u00e1rio, a argentaria, etc. O not\u00e1rio regista dois escravos, uma dos quais fugitiva.<br>Apesar de incluir apenas cinco escravos, entre os quais uma parteira e uma lavadeira, os bens de <strong>Antoine Mussard<\/strong> (ano III) eram bastante diversificados e numerosos (dinheiro, ferramentas, roupa de cama, animais, utens\u00edlios\u2026).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963e4a8&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1017\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17117\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_6.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_6-300x238.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_6-1024x814.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_6-768x610.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lavadeira. Detalhe de <em>O Meu Cozinheiro, Rivi\u00e8re St Denis [Outras personagens sem legenda]<\/em>.<br>Jean Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho.<br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 98FI21<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O invent\u00e1rio da comunh\u00e3o entre a <strong>senhorita Gillot e Beurnonville<\/strong>, oficial nas for\u00e7as armadas da Rep\u00fablica (ano VIII), dissolvida pelo div\u00f3rcio, \u00e9 bastante revelador. O patrim\u00f3nio manifesta-se, no geral, consider\u00e1vel, encontrando-se enumerados tr\u00eas escravos. Por\u00e9m, de acordo com as afirma\u00e7\u00f5es de Genevi\u00e8ve Gillot l\u2019\u00c9tang, quando o seu ex-marido partiu para a Europa, deixou-lhe oito escravos, dois dos quais faleceram e um foi vendido para saldar uma d\u00edvida de Beurnonville. Ela viu-se obrigada a vender tr\u00eas escravos, cujo produto foi utilizado para o seu sustento e trocou dois escravos por um com o seu pai.<br><strong>Sidonie<\/strong>, mulher de cor (1807), possu\u00eda apenas dois escravos, embora dispusesse de uma quantidade de bens significativa.<br>Do patrim\u00f3nio avultado de <strong>Mathurin Bouilly<\/strong> (1808), faziam parte cinco escravos, bem como o recheio e as mercadorias de uma loja, g\u00e9neros aliment\u00edcios, piastras em dinheiro, ferramentas, talheres de prata, etc.<br>O esp\u00f3lio de <strong>Armand V\u00e9n\u00e9rozy<\/strong>, antigo capit\u00e3o do Regimento de Ile de France (1809), era not\u00e1vel. Para al\u00e9m do mobili\u00e1rio, das ferramentas, das roupas, da argentaria e do rel\u00f3gio de prata, deixou seis escravos, entre os quais uma lavadeira e engomadeira com o respetivo filho, e um Negro que exercia fun\u00e7\u00f5es de ferreiro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963eeb2&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1006\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI9_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17121\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI9_1.jpg 1280w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI9_1-300x236.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI9_1-1024x805.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI9_1-768x604.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Engomadeira. Pormenor de <em>Engomadeira, Aguadeiro, Negra cozinheira, [outras personagens sem legenda]<\/em>.<br>Jean Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho.<br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 98FI9<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A riqueza de <strong>Jean Baptiste Lebon<\/strong> (1810) era consistente e diversificada (arm\u00e1rio de duas portas, ferramentas, moinho de cana, gado, casa coberta de telhas de madeira, despensa, armaz\u00e9m, cozinha, est\u00e1bulo\u2026). Tinha seis escravos, entre os quais um carpinteiro, um Negro de picareta e serra, uma mulher inv\u00e1lida e uma mulher com dois filhos.<br>O patrim\u00f3nio sucess\u00f3rio de <strong>Genevi\u00e8ve Moreau<\/strong>, <strong>esposa de Jean Arhel<\/strong> (1811), era consider\u00e1vel (mobili\u00e1rio, ferramentas, g\u00e9neros aliment\u00edcios, gado, argentaria, duas cabanas, dois armaz\u00e9ns e uma cozinha). A classe servil era constitu\u00edda por seis indiv\u00edduos, incluindo uma mulher com quatro filhos.<br>A pen\u00faria n\u00e3o afetou <strong>Jean Delpit<\/strong> (1814), pelo que foram necess\u00e1rios v\u00e1rios invent\u00e1rios. Era detentor da concess\u00e3o da padaria e do talho do Estado. Dispunha de quatro escravos, entre os quais um cavalari\u00e7o, um tanoeiro e um criado.<br>A heran\u00e7a da <strong>senhora Picard<\/strong>, <strong>vi\u00fava de \u00c9tienne Pontg\u00e9rard<\/strong> (1815), era razo\u00e1vel, composta de algumas pe\u00e7as de argentaria, vestu\u00e1rio, roupa de casa e mobili\u00e1rio diverso. A classe servil contava cinco escravos: um criado, outro que desemprenhava as fun\u00e7\u00f5es de sapateiro e m\u00fasico, uma criada dom\u00e9stica e costureira, e dois Negros de picareta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e963f89f&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1096\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI18_9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17125\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI18_9.jpg 1096w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI18_9-257x300.jpg 257w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI18_9-877x1024.jpg 877w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI18_9-768x897.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Servo indiano. Pormenor de <em>Aguadeiro; Malabar; Velho negro; Velha crioula mendiga;<br>Servo indiano [Outras personagens sem legenda]<\/em>. Jean Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho.<br>Cole\u00e7\u00e3o dos  Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 98FI18<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A opul\u00eancia caracterizava <strong>Fran\u00e7ois Despeissis<\/strong> (1816), s\u00f3cio com 50% de participa\u00e7\u00e3o numa empresa comercial. Possu\u00eda um escravo, segundo os registos.<br>Apesar de uma modesta cria\u00e7\u00e3o de gado, os bens m\u00f3veis da <strong>senhora Dejean<\/strong>, <strong>esposa do Senhor Delacroix<\/strong>, jurista (1818), indicam uma situa\u00e7\u00e3o pouco confort\u00e1vel. \u00c9 mencionada uma escrava dom\u00e9stica de 20 anos.<br><strong>Joseph Laurent Fouque<\/strong>, m\u00e9dico (1824), possu\u00eda cinco escravos, dos quais constam um cozinheiro e pasteleiro, um mordomo, um cavalari\u00e7o e um pedreiro, enquanto os registos do not\u00e1rio revelam variedade (piano, livros, moedas, argentaria\u2026) e riqueza.<br>O mesmo se aplica a <strong>Gabriel Marcelin Garien<\/strong> (palanquim, pianos, obras, armas, equipamento ingl\u00eas\u2026) (1825). Quatro escravos, incluindo uma criada, constitu\u00edam tamb\u00e9m o seu patrim\u00f3nio.<br>A mesma observa\u00e7\u00e3o aplica-se a <strong>Claude Fran\u00e7ois Chanal<\/strong> (1827) (mobili\u00e1rio variado, espingarda, rel\u00f3gio de prata, numerosos edif\u00edcios\u2026). Est\u00e3o registados seis Negros de picareta; um leproso n\u00e3o se encontra inclu\u00eddo devido a doen\u00e7a de grau avan\u00e7ado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e96402b0&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"992\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI5_2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17129\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI5_2.jpg 992w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI5_2-233x300.jpg 233w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI5_2-794x1024.jpg 794w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI5_2-768x991.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Negro de picareta. Pormenor de <em>Malabar; Negro de picareta; Aguadeiro; Negra ama de crian\u00e7as;<br>tocador de bobre; barril de \u00e1gua [14 personagens]<\/em>. Jean Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho.<br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 98FI5<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O mobili\u00e1rio, a roupa de casa, o vestu\u00e1rio, o rel\u00f3gio de ouro e a argentaria, outros bens e, sobretudo, o dinheiro em moeda detidos por <strong>Duperrel <\/strong>(1830) eram consider\u00e1veis. Do registo constam dois Negros de picareta e um carpinteiro.<br>Ao todo, tr\u00eas escravos, empregados dom\u00e9sticos, encontravam-se na casa de <strong>Charles Taboy<\/strong> (1835), uma figura com posses numerosas e heterog\u00e9neas (mobili\u00e1rio, caixas de vinho, dinheiro\u2026).<br><strong>A senhora Delahogue<\/strong>, <strong>vi\u00fava de Villagrand<\/strong> (1844), possu\u00eda um mobili\u00e1rio consider\u00e1vel, argentaria e livros, bem como um cavalo da ra\u00e7a Batavia. Dispunha de quatro escravos, tr\u00eas dos quais eram criados dom\u00e9sticos.<br>O mestre de forja <strong>Jules Mourgues<\/strong> (1844) era bastante abastado. Para al\u00e9m de roupas, ferramentas, materiais e carrinhos de carga, a rubrica relativa aos servos indica seis escravos com especializa\u00e7\u00f5es: um cozinheiro, um tanoeiro, um mestre-ferreiro, um ferreiro, um serralheiro e um latoeiro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6acd8e9640c4e&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"771\" height=\"1280\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17133\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_1.jpg 771w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_1-181x300.jpg 181w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_1-617x1024.jpg 617w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FRAD974_98FI21_1-768x1275.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">O meu cozinheiro. Pormenor de <em>O meu cozinheiro, Rivi\u00e8re St Denis [Outras personagens sem legenda]<\/em>.<br>Jean Baptiste Louis Dumas. 1827-1830. Desenho.<br>Cole\u00e7\u00e3o dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, inv. 98FI21<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>A senhora R\u00e9breffet, vi\u00fava de Jean Styrnsky<\/strong> (1844), cujo rico acervo da sua loja de retalho, al\u00e9m dos bens pessoais e da posse de moedas de ouro e prata, lhe proporcionou uma heran\u00e7a opulenta, tinha uma \u00fanica escrava, uma vendedora ambulante.<br>Embora o oficial ministerial registasse tr\u00eas escravos, o esp\u00f3lio da <strong>senhora Desprez<\/strong>, <strong>esposa de Jules Hoarau Laroche (1847)<\/strong>, advogado, conta com um vasto mobili\u00e1rio, o valor de um escrit\u00f3rio de advogado, e numerosas d\u00edvidas a cobrar.<br>Inegavelmente, a <strong>senhora Desrieux<\/strong> (1847) fazia parte das camadas superiores da sociedade, a julgar pela ata do not\u00e1rio que registou cinco escravos, incluindo um cozinheiro e um servente, e duas mulheres com os seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo em an\u00e1lise, as unidades monet\u00e1rias variaram: libras, piastras e francos. Durante a Revolu\u00e7\u00e3o, a economia da ilha passou por uma forte fase inflacionista. \u00c9 dif\u00edcil estabelecer uma norma que permita fazer compara\u00e7\u00f5es. No caso de algumas pessoas n\u00e3o se sabe bem qual era a sua situa\u00e7\u00e3o: se era confort\u00e1vel, de \u00absufici\u00eancia\u00bb rotineira, ou se era uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade, de mediania, de acordo com graus vari\u00e1veis. Os invent\u00e1rios abarcam todas as camadas da sociedade: \u00abpropriet\u00e1rios\u00bb, artes\u00e3os, rentistas, pessoas alforriadas, vi\u00favas\u2026 Estamos perante uma classe de propriet\u00e1rios que possu\u00edam poucos escravos, mas aos quais n\u00e3o se pode atribuir qualquer car\u00eancia. Em certos casos, n\u00e3o existe liga\u00e7\u00e3o alguma entre o n\u00famero de escravos e o n\u00edvel de riqueza. As heran\u00e7as confort\u00e1veis, em termos de mobili\u00e1rio, vestu\u00e1rio, argentaria, bens diversos e edif\u00edcios, coexistem com um n\u00famero reduzido de escravos. Pessoas que viviam confortavelmente nas cidades possu\u00edam apenas alguns escravos dedicados aos servi\u00e7os dom\u00e9sticos. Os artes\u00e3os empregavam escravos com especialidade nos seus of\u00edcios. \u00c9 certo que h\u00e1 casos em que a mod\u00e9stia e o n\u00famero reduzido de escravos possu\u00eddos coincidem. Os propriet\u00e1rios com poucas posses n\u00e3o conseguiam, evidentemente, adquirir a quantidade de escravos necess\u00e1ria para explorar as suas propriedades e muito menos para prover \u00e0s suas necessidades e \u00e0s das respetivas fam\u00edlias. Devido \u00e0 rotina, um propriet\u00e1rio podia evitar sobrecarregar-se com uma multid\u00e3o de servos. Das entrelinhas sobressaem casos particulares: concubinato, uma velha ama que permaneceu ao servi\u00e7o da fam\u00edlia, indiv\u00edduos transmitidos por heran\u00e7a\u2026 O propriet\u00e1rio tamb\u00e9m podia alugar escravos ocasionalmente. O estado de celibato e a vida solit\u00e1ria n\u00e3o influem nada em termos de posse de servos, em termos de quantidade. A <strong>senhorita Marie Joseph Lebidan<\/strong> (1816) residiu permanentemente num pavilh\u00e3o na casa do irm\u00e3o Yves Louis, juiz de paz e antigo not\u00e1rio, desde a sua chegada \u00e0 col\u00f3nia. Os bens m\u00f3veis n\u00e3o lhe pertenciam; ela apenas os usava a t\u00edtulo de usufruto que lhe havia sido concedido pelo irm\u00e3o. A maior parte dos seus bens consiste nas suas roupas de cama e vestu\u00e1rio usado. Todavia, possu\u00eda oito escravos.<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de constitu\u00edrem uma categoria homog\u00e9nea, os \u00abpequenos senhores\u00bb re\u00fanem um leque de propriet\u00e1rios que vai desde os mais desfavorecidos at\u00e9 aos mais abastados, n\u00e3o definindo, de forma alguma, de maneira determinante, um indicador de pobreza. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"font-style:normal;font-weight:100\">\u2071 Fundo dos Arquivos Departamentais da Reuni\u00e3o, subs\u00e9rie 3 E.<br>\u2071\u2071 Data do invent\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":17108,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","types-dossiers":[52],"class_list":["post-17305","dossier-documentaire","type-dossier-documentaire","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","types-dossiers-publicacao-cientifica"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/dossier-documentaire\/17305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/dossier-documentaire"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/dossier-documentaire"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17108"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"types-dossiers","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types-dossiers?post=17305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}