{"id":13468,"date":"2024-07-11T11:29:20","date_gmt":"2024-07-11T07:29:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?p=13468"},"modified":"2024-07-11T11:29:20","modified_gmt":"2024-07-11T07:29:20","slug":"em-destaque-a-casa-de-kerveguen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/em-destaque-a-casa-de-kerveguen\/","title":{"rendered":"<em>Em Destaque<\/em> <br\/>A \u00abcasa\u00bb de Kerv\u00e9guen"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um artigo redigido por o historiador Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud<\/strong>.<\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os habitantes da Reuni\u00e3o n\u00e3o desconhecem o nome Kerv\u00e9guen, por\u00e9m n\u00e3o lhe conhecem o significado. O nome designa, por exemplo, uma encosta, um armaz\u00e9m, um audit\u00f3rio e algumas ruelas, elementos do patrim\u00f3nio natural ou material. Todavia, n\u00e3o se refere, de forma alguma, a seres humanos, a uma certa fam\u00edlia, quase como se fosse uma dinastia que, no entanto, influenciou a hist\u00f3ria econ\u00f3mica da Reuni\u00e3o, se \u00e9 que n\u00e3o moldou verdadeiramente o seu destino.<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69edc5f7c93cc&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter size-full wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1329\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/01-Le-coteau-Kerveguen.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13416\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/01-Le-coteau-Kerveguen.jpg 2000w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/01-Le-coteau-Kerveguen-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/01-Le-coteau-Kerveguen-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/01-Le-coteau-Kerveguen-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/01-Le-coteau-Kerveguen-1536x1021.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">A encosta Kerv\u00e9guen.<br>Col. Parque Nacional da Reuni\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>De facto, durante quatro gera\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia Kerv\u00e9guen, estabelecida principalmente no sul da ilha, em Saint-Pierre, desenvolveu uma atividade econ\u00f3mica que contribuiu para a prosperidade da ilha e, sobretudo, para o seu pr\u00f3prio enriquecimento. A fam\u00edlia Kerv\u00e9guen \u00e9 um exemplo da abundante migra\u00e7\u00e3o de franceses da Fran\u00e7a continental para as col\u00f3nias e, em particular, para a ilha de Bourbon, ou seja, a Reuni\u00e3o, que, desde o final do s\u00e9culo XVII at\u00e9 ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX, viram na ilha um porto seguro e uma terra de oportunidades. Muitos deles eram oriundos da regi\u00e3o da Bretanha, habituados a fazer-se ao mar, e provavelmente constitu\u00edam 30 % dos primeiros povoadores da ilha, sem que o fluxo se tenha esgotado a partir da\u00ed. Eram tamb\u00e9m fidalgotes provincianos que se sentiam amea\u00e7ados e privados de qualquer perspetiva no contexto da revolu\u00e7\u00e3o francesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Este foi o caso do primeiro Kerv\u00e9guen, que chegou a Saint-Pierre no final do s\u00e9culo XVIII, em 1796, um fidalgote sem renome, mas que colocou a sua habilidade, dinamismo e aud\u00e1cia ao servi\u00e7o de uma hist\u00f3ria de \u00eaxito que se concretizou a pouco e pouco. Os elementos deste sucesso, que seria prosseguido pelos seus descendentes, s\u00e3o o com\u00e9rcio, os casamentos lucrativos e o talento para os neg\u00f3cios resultantes da convers\u00e3o para o a\u00e7\u00facar. A estrat\u00e9gia do primeiro membro da linhagem Kerv\u00e9guen, Denis Marie, \u00e9 retomada de forma quase id\u00eantica pelo filho Gabriel, pelo neto Denis Andr\u00e9 e pelo bisneto Robert.<br>Acumularam terras plantadas com cana-de-a\u00e7\u00facar em Saint-Pierre, Saint-Joseph, Saint-Philippe, \u00c9tang-Sal\u00e9 e, mais tarde, no Quartier Fran\u00e7ais, a leste. Constru\u00edram cerca de uma d\u00fazia de f\u00e1bricas de a\u00e7\u00facar e tr\u00eas destilarias. Ali se concentraram mais de 1500 escravos, seguidos por nada menos que 3200 trabalhadores contratados, que tratavam com a mesma severidade que os outros habitantes propriet\u00e1rios. No entanto, estes propriet\u00e1rios foram sens\u00edveis \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da conjuntura econ\u00f3mica, modernizando e concentrando progressivamente a ferramenta de trabalho e realizando investimentos que, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, se revelariam indiscutivelmente demasiado arriscados. A esta per\u00edcia econ\u00f3mica juntou-se uma destreza financeira que, por vezes, se assemelhava a vigarice. \u00c9 este o retrato de uma fam\u00edlia de imitadores que, contrariamente aos Desbassayns, e pese embora a mudan\u00e7a de escala, n\u00e3o foi genuinamente fundadora nem criadora.<br>A sua ousadia e o seu saber-fazer inscrevem-se num contexto estritamente local, onde rareavam os representantes metropolitanos ou internacionais. Estas compet\u00eancias n\u00e3o bastaram para fazer face \u00e0s dificuldades e aos constrangimentos de uma conjuntura mundial que acabou por se manifestar desfavor\u00e1vel \u00e0 atividade a\u00e7ucareira colonial. Tanto mais que, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, os chefes desta fam\u00edlia continuaram a querer viver o modo de vida on\u00edrico do fidalgote revanchista, subestimando as grandes ruturas sociopol\u00edticas que converteram os escravos em homens livres e que deveriam ter tornado os trabalhadores alforriados ou contratados em homens respons\u00e1veis. Essa classe dominante tentou perpetuar padr\u00f5es autorit\u00e1rios sobre uma popula\u00e7\u00e3o que recusavam ver como independente. O desfasamento relativamente \u00e0 realidade hist\u00f3rica, que se tornou insuport\u00e1vel ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial, provocou, indubitavelmente, no descendente desta dinastia, Robert de Kerv\u00e9guen, um sentimento de irrealiza\u00e7\u00e3o e de fracasso, que o levou a liquidar os seus neg\u00f3cios da Reuni\u00e3o, a abandonar a col\u00f3nia e a regressar \u00e0 Fran\u00e7a continental para viver das rendas obtidas num pa\u00eds cujo destino a sua fam\u00edlia nunca partilhou verdadeiramente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9, pois, de estranhar que estes homens, que se encontravam numa posi\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, n\u00e3o tenham deixado outra mem\u00f3ria para al\u00e9m da mem\u00f3ria, impessoal, plasmada em alguns lugares de segunda categoria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/uma-sociedade-de-plantacao\/as-grandes-familias-de-plantadores\/a-casa-kerveguen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia o artigo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo redigido por o historiador Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud. 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