{"id":16033,"date":"2026-02-24T14:54:09","date_gmt":"2026-02-24T10:54:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/?p=16033"},"modified":"2026-02-24T14:54:09","modified_gmt":"2026-02-24T10:54:09","slug":"em-destaquejoseph-desbassayns-1780-1850","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/em-destaquejoseph-desbassayns-1780-1850\/","title":{"rendered":"<em>Em Destaque<\/em><br\/>Joseph Desbassayns (1780-1850)"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um artigo redigido pelo historiador Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud.<\/h2>\n\n\n\n<p>Joseph Desbassayns era o oitavo filho da prole, o s\u00e9timo a chegar \u00e0 idade adulta, de Henri Paulin Panon Desbassayns (1732-1800) e de Marie-Anne Th\u00e9r\u00e8se Ombline Gonneau-Montbrun (1755-1846).<br>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil contar a hist\u00f3ria de um homem que n\u00e3o alcan\u00e7ou qualquer notoriedade hist\u00f3rica durante a sua vida, sendo, ali\u00e1s, filho de uma figura central e fascinante da hist\u00f3ria e da mitologia da ilha da Reuni\u00e3o: Madame Desbassayns. A m\u00e3e, polarizou, mais ou menos merecidamente, a aten\u00e7\u00e3o dos historiadores, retirando qualquer a visibilidade aos filhos. No entanto, foi uma mera propriet\u00e1ria que viveu de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o de finais do s\u00e9culo XVIII, n\u00e3o sendo, de todo, audaciosa e inovadora.<br>\u00c0 primeira vista, o filho Joseph era um plantador, um propriet\u00e1rio como tantos outros na ilha Bourbon, por\u00e9m caiu no esquecimento, tal como o irm\u00e3o Charles, ou at\u00e9 mais do que ele. N\u00e3o h\u00e1 lugar de mem\u00f3ria, tampouco rua, nem sequer um beco sem sa\u00edda, nenhum elemento do relevo acidentado da Reuni\u00e3o, que tenha o seu nome.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"591\" height=\"764\" src=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/D-1911-08-01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16018\" srcset=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/D-1911-08-01.jpg 591w, https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/D-1911-08-01-232x300.jpg 232w\" sizes=\"auto, (max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">[Retrato de Joseph Panon-Desbassayns (1780-1850)]. [Atribu\u00eddo a] Louis L\u00e9opold Boilly.<br>[Entre 1790 e 1800]. Pintura sobre tela: \u00f3leo.<br>Cole\u00e7\u00e3o do Museu L\u00e9on Dierx, inv. 1911.08.01<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Todavia, Joseph foi um autor obstinado e indubitavelmente promotor da moderniza\u00e7\u00e3o e da modernidade na ilha da Reuni\u00e3o. De facto, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, fez parte da gera\u00e7\u00e3o empreendedora e destemida que extirpou a ilha da rotina sem perspetivas da cultura do caf\u00e9, em decl\u00ednio, e do cravinho, que n\u00e3o encontrava comprador, conetando-a ao cultivo da cana e da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar: \u00e9 aquilo a que se chama a passagem ao a\u00e7\u00facar da ilha.<br>O arranque da sua atividade de produtor de a\u00e7\u00facar deu-se aquando \u00e0 afina\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo de cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar, que se expandiria na Reuni\u00e3o, no oceano \u00cdndico e nas col\u00f3nias francesas, e que seria recomendado at\u00e9 finais do s\u00e9culo XIX.<br>Este m\u00e9todo consistia na rota\u00e7\u00e3o de culturas, na codifica\u00e7\u00e3o da planta\u00e7\u00e3o da cana em covas e em especificidades ligadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e ao corte da cana. Por\u00e9m, o mais not\u00e1vel nesta metodologia \u00e9 a padroniza\u00e7\u00e3o das ferramentas e os atos do escravos: todas as dimens\u00f5es das alfaias foram descritas, as a\u00e7\u00f5es particularizadas ao mil\u00edmetro, sendo que os Negros eram praticamente transformados em m\u00e1quinas, num campo que se assemelhava a uma f\u00e1brica, numa esp\u00e9cie de prenuncia\u00e7\u00e3o do taylorismo americano.<br>Al\u00e9m disso, o propriet\u00e1rio, ofuscado pela paix\u00e3o do progresso e da produ\u00e7\u00e3o, arruinar-se-ia devido \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas (inglesas) e \u00e0 compra de propriedades cujos benef\u00edcios n\u00e3o bastariam para saldar os custos de aquisi\u00e7\u00e3o, de tal modo que, a partir dos anos 1830, Joseph Desbassayns viu-se obrigado a uma morosa liquida\u00e7\u00e3o de todos os seus bens.<br>O produtor de a\u00e7\u00facar era tamb\u00e9m um homem doente, sofria de uma doen\u00e7a que na altura se chamava \u00able barbiers\u00bb, que impossibilitava gradualmente a mobilidade das pernas. A partir de 1820, com apenas quarenta anos, incapacitado de caminhar, era transportado permanentemente numa cadeira, carregada para todos os lados por Bambaras robustos.<br>Recorrendo a todas as \u00abmezinhas\u00bb que lhe propunham, acreditava ter encontrado a salva\u00e7\u00e3o no Mesmerismo ou magnetismo animal, charlatanice que estava na moda em finais do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcios do s\u00e9culo XIX.<br>Ao n\u00edvel pol\u00edtico, era um conservador animado pela fidelidade desmesurada \u00e0 Bandeira branca e aos Bourbons. Instalado em Paris em 1845, acompanhou a Inglaterra o rei Louis-Philippe, destitu\u00eddo do trono pela revolu\u00e7\u00e3o de 1848. Ao n\u00edvel social, Joseph era partid\u00e1rio da manuten\u00e7\u00e3o da escravatura, que ele esperava tornar aceit\u00e1vel mediante a constru\u00e7\u00e3o de uma pris\u00e3o modelo no seu estabelecimento, cobrindo de gravuras religiosas edificantes as paredes do hospital que acolhia os escravos enfermos, favorecendo a evangeliza\u00e7\u00e3o dos seus Negros.<\/p>\n\n\n\n<p>Faleceu em Paris, para onde havia regressado em 17 de abril de 1850, e encontra-se sepultado no cemit\u00e9rio P\u00e8re Lachaise. Atualmente, ilustra na perfei\u00e7\u00e3o a ambival\u00eancia da hist\u00f3ria da ilha da Reuni\u00e3o, dividida entre lealdades retr\u00f3gradas, que a perificidade tornava intrat\u00e1veis, e um desejo desenfreado de modernidade cujos objetivos n\u00e3o eram claramente definidos, nem os efeitos racionalmente avaliados.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.portail-esclavage-reunion.fr\/pt-pt\/documentaires\/a-propriedade-desbassayns\/a-familia-desbassayns\/joseph-desbassayns-1780-1850\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ler o artigo<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo redigido pelo historiador Jean-Fran\u00e7ois G\u00e9raud. 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