Joseph Desbassayns era o oitavo filho da prole, o sétimo a chegar à idade adulta, de Henri Paulin Panon Desbassayns (1732-1800) e de Marie-Anne Thérèse Ombline Gonneau-Montbrun (1755-1846).
Não é fácil contar a história de um homem que não alcançou qualquer notoriedade histórica durante a sua vida, sendo, aliás, filho de uma figura central e fascinante da história e da mitologia da ilha da Reunião: Madame Desbassayns. A mãe, polarizou, mais ou menos merecidamente, a atenção dos historiadores, retirando qualquer a visibilidade aos filhos. No entanto, foi uma mera proprietária que viveu de acordo com a tradição de finais do século XVIII, não sendo, de todo, audaciosa e inovadora.
À primeira vista, o filho Joseph era um plantador, um proprietário como tantos outros na ilha Bourbon, porém caiu no esquecimento, tal como o irmão Charles, ou até mais do que ele. Não há lugar de memória, tampouco rua, nem sequer um beco sem saída, nenhum elemento do relevo acidentado da Reunião, que tenha o seu nome.

Todavia, Joseph foi um autor obstinado e indubitavelmente promotor da modernização e da modernidade na ilha da Reunião. De facto, no início do século XIX, fez parte da geração empreendedora e destemida que extirpou a ilha da rotina sem perspetivas da cultura do café, em declínio, e do cravinho, que não encontrava comprador, conetando-a ao cultivo da cana e da produção de açúcar: é aquilo a que se chama a passagem ao açúcar da ilha.
O arranque da sua atividade de produtor de açúcar deu-se aquando à afinação de um método de cultura da cana-de-açúcar, que se expandiria na Reunião, no oceano Índico e nas colónias francesas, e que seria recomendado até finais do século XIX.
Este método consistia na rotação de culturas, na codificação da plantação da cana em covas e em especificidades ligadas à manutenção e ao corte da cana. Porém, o mais notável nesta metodologia é a padronização das ferramentas e os atos do escravos: todas as dimensões das alfaias foram descritas, as ações particularizadas ao milímetro, sendo que os Negros eram praticamente transformados em máquinas, num campo que se assemelhava a uma fábrica, numa espécie de prenunciação do taylorismo americano.
Além disso, o proprietário, ofuscado pela paixão do progresso e da produção, arruinar-se-ia devido à importação de máquinas (inglesas) e à compra de propriedades cujos benefícios não bastariam para saldar os custos de aquisição, de tal modo que, a partir dos anos 1830, Joseph Desbassayns viu-se obrigado a uma morosa liquidação de todos os seus bens.
O produtor de açúcar era também um homem doente, sofria de uma doença que na altura se chamava «le barbiers», que impossibilitava gradualmente a mobilidade das pernas. A partir de 1820, com apenas quarenta anos, incapacitado de caminhar, era transportado permanentemente numa cadeira, carregada para todos os lados por Bambaras robustos.
Recorrendo a todas as «mezinhas» que lhe propunham, acreditava ter encontrado a salvação no Mesmerismo ou magnetismo animal, charlatanice que estava na moda em finais do século XVIII e inícios do século XIX.
Ao nível político, era um conservador animado pela fidelidade desmesurada à Bandeira branca e aos Bourbons. Instalado em Paris em 1845, acompanhou a Inglaterra o rei Louis-Philippe, destituído do trono pela revolução de 1848. Ao nível social, Joseph era partidário da manutenção da escravatura, que ele esperava tornar aceitável mediante a construção de uma prisão modelo no seu estabelecimento, cobrindo de gravuras religiosas edificantes as paredes do hospital que acolhia os escravos enfermos, favorecendo a evangelização dos seus Negros.
Faleceu em Paris, para onde havia regressado em 17 de abril de 1850, e encontra-se sepultado no cemitério Père Lachaise. Atualmente, ilustra na perfeição a ambivalência da história da ilha da Reunião, dividida entre lealdades retrógradas, que a perificidade tornava intratáveis, e um desejo desenfreado de modernidade cujos objetivos não eram claramente definidos, nem os efeitos racionalmente avaliados.