A propriedade Desbassayns

Estilo de vida - vida social

Estilo de vida - vida social
Auteur
Albert JAUZE

Historien


Qual é o património de Madame Desbassayns em 1846?

O testamento de Marie Anne Thérèse Ombline Gonneau de Montbrun, viúva de Henri Paulin Panon Desbassayns, é conhecido. O inventário realizado após o seu falecimento, um documento-chave para a compreensão cabal do estilo de vida, não foi explorado.

É realizado a partir de 23 de março de 1846 pelo notário Léo de Lanux  nas propriedades da família, em Saint-Paul, Saint-Gilles e Bernica. Este artigo, baseado no apuramento completo da minuta, trata do inventário realizado em Saint-Gilles, embora não forneça uma descrição dos seus bens na sua totalidade, em particular o respeitante ao vestuário, tendo Madame Desbassayns realizado a partilha de uma parte substancial a 20 de junho de 1845. A ata do leilão dos seus móveis e objetos decorativos  compensam esta lacuna.
O valor total dos bens é de 53 191,33 Francos. Os de Saint-Gilles ascendem a 46 374,33 Francos, representando 87% do total.

A argentaria constitui uma rubrica impressionante em termos de valor monetário e prestígio. Situa-se na primeira verba do inventário e estima-se em 160 Francos por kg. A sua composição é a seguinte: terrinas de sopa, panelas, rescaldeiros, pratos redondos ou ovais, cafeteiras, bandejas  , açucareiros, saleiros, saladeiras, mostardeiras, castiçais, talheres com filetes marcados com as iniciais M D; talheres de sobremesa, colheres de sopa, de guisados, de café, de açúcar, de sal e de mostarda; espetos, tachos grandes e pequenos, chaleiras, girandoles . Todos estes objetos perfazem um total de 122 kg de metal, valendo 19 825,40 Francos, ou seja, 43% do valor dos artigos de Saint-Gilles. Duas terrinas de sopa com os pratos respetivos pesam mais de 9 kg, enquanto seis cafeteiras de diferentes tamanhos 4 900 g.

Prato. Primeiro quartel do século XIX. Prata gravada .
Coleção Museu Villèle

A maior parte da ourivesaria diz respeito ao serviço de mesa: os talheres personalizados, o trem de cozinha em prata, tudo isto parte integrante de uma arte de mesa refinada. Sendo um meio de entesouramento, a ourivesaria marca a ostentação e a distinção social, características às quais almejavam os proprietários ricos, até mesmo os proprietários mais modestos.

O preciosismo não dispensa os serviços de mesa mais comuns, muito diversificados, armazenados em vários locais. O material é por vezes citado: porcelana, porcelana da China ou do japão e caulim. A lista é edificante.

Cesto. Segundo quartel do século XIX. Porcelana, biscoito.
Coleção Museu Villèle

Bandejas de garrafas, cesto de pão, bule de chá folheado, serviço de porcelana branca com bordas douradas com a inscrição M D composto por pratos planos, pratos fundos, pratos de sobremesa, açucareiros, folhas, saladeiras, coquetiers (copos para ovos quentes), manteigueiras, chávenas e pires de café, terrinas de sopa, pratos longos, ovais e redondos, pratinhos para azeitonas, hachardiers , terrinas para molhos, mostardeiras, compoteiras, tigelas e pires de leite e de chá, frascos de mousse em vidro, boiões pequenos com o seu suporte, cafeteiras do Levante , galheta de azeite. Para além disso, boiões de natas, jarros de água, bilhas de leite, pratos com tampas, vasos, copos de água planos e com pé, tinas azuis, garrafas, cálices de vinho, champanhe e licor, gargoulettes , sorveteiras, potiches , tigelas e bandejas em folha de Flandres, caixas de facas de cabo oco em prata trabalhada ou em marfim, facas de sobremesa, um serviço de corte, um jarro com uma bacia, Ademais, um cesto de porcelana dourada com a marca M D, prateleirinhas, saleiros, uma queijeira com o seu prato, galheteiros em ébano decorados com as suas galhetas, suporte de licor guarnecido com garrafas e copos.

Galheteiro, saleira dupla, mostardeira. Quarto quartel do século XVIII. Cristal azul gravado. metal prateado.
Coleção Museu Villèle

Estes serviços não destoariam num interior burguês francês de meados do século XIX. Não há garfos de mesa . Para além do «hachardier», e de alguns termos de origem exótica, embora tudo pareça semelhante aos hábitos de consumo francês, somos levados a pensar que as receitas francesas e crioulas coexistem.

O notário visita, no andar de cima, o «gabinete» situado em frente à escada. Prossegue pela sala contígua. Depois, continua pelo «gabinete» seguinte, que dá saída para a varangue (varanda típica do oceano índico) a leste, visitando-a. De seguida, entra no «gabinete» em frente ao anterior, entra no quarto contíguo, passando depois para outro quarto adjacente cuja saída dá para as escadas. Depois de ter passado sob a varangue da entrada, a oeste, entra na sala de estar, e depois pelo «gabinete de ofício».

De seguida, De Lanux sai da casa principal, visita os edifícios anexos, volta para descrever um «gabinete» adjacente à sala de jantar, e em seguida, parte para inventariar outras construções.
Os edifícios secundários incluem:
– Um pavilhão a nordeste da casa principal, dividido numa sala principal, um gabinete, um quarto virado a leste, um sótão;
– Uma arrecadação por detrás do pavilhão;
– Outra arrecadação, atrás da cozinha;
– Outras duas, respetivamente, a nordeste e sudoeste da casa principal;
– Um grande pavilhão a sudeste, composto por dois quartos, quatro salas e um quarto principal no andar de cima;
– Um pavilhão a sul da casa principal, com um quarto;
– Uma casa de arrecadação com função de adega;
– A cozinha;
– Uma cocheira, três armazéns, um dos quais chamado «carrosse» (carruagem) e o outro «horloge» (relógio de parede);
– Um estábulo;
– Um galinheiro;
– Um pavilhão ocupado pelo Sr. Nion  .
O parcelário das propriedades é pontuado por edifícios que permitem ao proprietário viver «dos seus bens» e explorar as suas colheitas.
O galinheiro abriga a criação auxiliar (galinhas, patos, perus, gansos). No pátio, estão dispersas tartarugas e trinta e um porcos. O estábulo tem mulas de Buenos Aires e Poitou, uma mula local, uma burra e seu filhote.
As arrecadações são utilizadas para armazenar os grãos de alimentação de escravos (milho), as culturas de rendimento, e são armazéns para recolher, em particular, produtos de consumo diário, entre os quais o vinho ocupa um lugar notável. Não se faz menção ao arack.
Os recipientes são numerosos, as garrafas vazias são guardadas preciosamente para reutilização.

Na arrecadação por detrás do pavilhão, estavam guardados contentores (frascos, bacias de cobre, vasos), vinte e duas garrafas de vinho da Madeira, quarenta e oito garrafas vazias, um tacho para cozer peixe. Um «amontoado de miscelâneas» não atraiu a atenção do perito. O mesmo se passa na arrecadação atrás da cozinha, onde também estão armazenadas garrafas de mel verde, vinho de Xerez e de Málaga, frascos, objetos de vidro, bacias. Há um grafómetro com lunetas e uma bússola com o seu suporte  , vinte e um retalhos de lenços (destinados a ser cortados) e trinta e seis lenços. No caso destes últimos artigos, é de lamentar a natureza sucinta das atas, considerando que muitos inventários da Reunião do século XIX descrevem lenços de cabeça, de colarinho, de bolso, de mão, de assoar, para o pescoço; quando são descritos lenços com vinhetas, em xadrez, de Masulipatam, de seda, de Paliacat, da Índia, de Rouen ou Chollet, de fantasia, «lenços-gravatas», «lenços-écharpes». No sótão do armazém, a nordeste da casa principal, estavam armazenados setenta e seis sacos de algodão, perfazendo um total de 1465 t; no de sudoeste, sete fardos de açúcar pesando, no total, 437,50 kg.

A «casa da arrecadação com função de adega» contém garrafas e frascos vazios, dez garrafas de champanhe, garrafas de cerveja, de Porter, de vinho branco velho e dez frascos de frutos em vinagre. Há um monte de pequenas marmitas, oito moringues, jarros e barbots  vazios, um par de lamparinas novas, vinte e três barris de carvão animal pesando, no total, 2800 kg, treze cantis revestidos em pele de camelo.

As outras arrecadações são de grandes dimensões, para proteger, uma, quase 47,5 t de milho, a outra, vinte e seis fardos de café (a 65 Francos por fardo), e a última, duzentos e dois fardos de açúcar de baixa qualidade com um peso de 12,6 t.
A cocheira alberga viaturas: carruagens em bom ou mau estado, cabriolés (pequenas carruagens).

Não há uma descrição da disposição da cozinha (lareira, forno) que se situa distanciada da casa. O trem de cozinha inclui dezasseis marmitas, três panelas, das quais duas em cobre e uma em ferro, três frigideiras, um grelhador, dois aparelhos de waffles, um espeto e o seu morilho, duas formas de pastelaria, dois almofarizes de mármore, usados para a preparação de alimentos, uma balança com os pesos respetivos.

Os gabinetes – em francês «cabinets», termo bastante vago– encontram-se tanto na casa principal (cinco no total), como nos pavilhões. O seu emprego está ligado aos seus móveis. O gabinete de ofício adjacente à sala de estar é um anexo, sendo que uma despensa e duas pequenas mesas foram lá armazenadas.

No gabinete face à escada do andar de cima há um grande armário que contém peças de louça. Contém, também, oito globos redondos (candeeiros) e oito campânulas banhadas a 20 graus, dois candeeiros ovais com as respetivas campânulas, um globo redondo para o centro com a sua campânula, sendo todos estes elementos decorativos usados para iluminação tratando-se, provavelmente, de candelabros. O armário contém ainda dois castiçais e seis pares de tochas em casquinha.
O compartimento seguinte assemelha-se a um quarto. Uma cama de madeira equipada com uma rede mosquiteira e um colchão de lã, uma cómoda com tampo de mármore, uma mesa com gaveta, onde se encontrava uma caixinha de toilette com um espelho.
A sala defronte apresenta o mesmo conteúdo.
Finalmente, há um gabinete dedicado à biblioteca.

No pavilhão nordeste, há apenas um quarto, com a sua cama de madeira, o colchão e dois bacios. O mesmo sucede no pavilhão sudeste, sem dúvida maior e mais equipado: uma cama de madeira, um colchão, um banco de rotim   com costas, um colchão de criança, uma mesa com gaveta, um pequeno toucador com espelho, duas cadeiras, uma poltrona. Outros dois aposentos consecutivos apresentam um mobiliário heteróclito e reduzido: um banco, um colchão, uma mesa com gaveta; um armário, um bidé e uma cadeira. Por outro lado, o compartimento a norte é semelhante a uma arrecadação, contendo dois palanquins velhos, uma grande arca de madeira, uma grande mesa com os seus cavaletes, quatro cadeiras, uma mesa de madeira, trinta e oito azulejos de Batávia, uma liteira, uma cama de criança.

O pavilhão a nordeste conta também com uma cama de madeira com rede mosquiteira e um colchão, inclui um sótão e um quarto a nascente com uma cama e respetivo colchão, uma banheira, um roupeiro e uma grande arca.
O pavilhão a sudeste é constituído, para além dos gabinetes, por dois quartos no andar de baixo e outro no andar de cima. Cada um está bem equipado e tem dimensões consideráveis. A composição do quarto do rés-do-chão é a seguinte: duas camas com as respetivas redes mosquiteiras, quatro colchões (decerto sobrepostos), duas mesas de cabeceira com rodinhas e tampos de mármore, uma mesa, um toucador com espelho em mau estado, um sofá em rotim, uma poltrona, um banco, um bidé. O quarto à direita é composto por: duas camas com as respetivas redes mosquiteiras, três colchões, uma escrivaninha com gavetas, uma mesa de jogo redonda, uma mesa com gaveta, um toucador com espelho, uma mesa redonda, um sofá de rotim, duas poltronas de rotim, duas mesinhas de cabeceira. Quanto ao quarto principal, no andar de cima: duas camas com as respetivas redes mosquiteiras, quatro colchões, uma mesinha de cabeceira, duas poltronas em rotim, uma cadeira, um banco de rotim, uma cómoda com tampos de mármore, um espelho.

Cómoda. Magnien. Quarto quartel do século XVIII; Estilo Luís XVI. Carvalho, mármore, mogno, bronze.
Coleção Museu Villèle

O alojamento do administrador é simples e de má qualidade: oito cadeiras em mau estado, três poltronas, uma pequena mesa, outra em mau estado, uma secretária com gavetas.
O quarto do pavilhão a sul da casa principal é um aposento contendo um guarda-roupa de madeira local onde são guardadas todas as roupas de mesa e cama (toalhas de mesa, guardanapos, naperons, panos de louça, cobertas brancas acolchoadas, coberta indiana forrada, cobertor de moletão, lençóis, fronhas, almofadas de lã e algodão).

Os pavilhões são locais bem abastecidos, equipados para os cuidados corporais, a higiene diária, sendo frequentados e habitados. É de notar que a única banheira mencionada se situe nesse local, assim como os objetos de higiene. Não há bidés nem outras cadeiras furadas na casa principal . Não há registo de latrinas ou cabinas sanitárias. Isto não teria sido necessariamente surpreendente, porque, embora houvesse alguns destes elementos nas propriedades da época, não era, no entanto, a regra geral. Todavia, esta ausência não deixa de surpreender, quanto mais não seja pelo estatuto social da falecida, e a qualidade das pessoas que receberia. Não seria isto simplesmente um facto revelador dos costumes da época?

Os quartos da casa principal também grandes e confortavelmente equipados. No quarto que se segue ao gabinete havia duas camas de madeira, cada uma com uma rede mosquiteira, um colchão de lã, uma mesa antiga com tampo de mármore, um toucador de mármore com vidro por cima, uma mesa de gaveta com varetas de cobre, uma mesa de cabeceira redonda, uma cunha de canto. Um outro quarto é modesto, com apenas uma cama de madeira com rede mosquiteira e uma mesa. Porém, no quarto ao lado, cuja saída dá para as escadas, há uma cama de madeira com rede mosquiteira, um colchão, uma mesa, um grande guarda-roupa antigo onde estão arrumados sobretudo cobertores de lã, cobertas originais em fios de latão para pratos, pacotes de velas, um castiçal e vários acessórios: um cesto de porcelana dourada para centro de mesa, uma chaminé de vidro para candeeiros, quatro vidros de relógio, três globos de candeeiro. No que diz respeito ao material de manutenção: três vassouras e sete escovas de pavimento.

O inventário da sala de estar, simultaneamente sala de jantar, não deixa de surpreender pelo número de objetos e móveis, denotando opulência, imensidão e aparências. Está decorado com três espelhos com molduras douradas, duas consolas com guarnições de cobre e tampos de mármore, um globo e sua corrente de cobre, duas mesas redondas, uma das quais de jogo, dois sofás pequenos, pelo menos dezasseis poltronas, vinte e sete cadeiras e uma mesa de jantar.

As varandas são consagradas ao relaxamento. Sob a varanda virada a nascente há cinco bancos em rotim, bem como um velho bilhar fora de serviço. A entrada a oeste comporta dois bancos.
O sótão do pavilhão localizado a nordeste encerra uma peça surpreendente e rara. Não o habitual monte de sucata e confusão, nem o tramail (rede de pesca), mas uma tenda com paredes para banhos de mar, de um valor de 250 Francos, o que é revelador de um passatempo inesperado para a época.
Um baú em folha de Flandres contém dinheiro, em moedas de 85 Francos, 5,50 Francos e 0,50 Francos, num total de 359,50 Francos.

A Sra. Desbassayns tem uma imponente biblioteca num gabinete adjacente à sala de jantar com pelo menos 1266 livros, predominando os formatos in-12° e in-octavo.
Eis uma tentativa de repartir os volumes por temas:

Filosofia/Filosofia do Iluminismo
Oeuvres complètes de Jean-Jacques Rousseau
Oeuvres complètes de Voltaire
Pensées philosophiques de Voltaire
Oeuvres de Diderot
Recherches philosophiques sur les Grecs par Pauw

Ciência/tecnologia/agricultura
Cours complet d’agriculture, ou dictionnaire universel d’agriculture par l’abbé Rozier
Essai sur l’art de cultiver la canne et d’en extraire le sucre
Précis sur la canne et sur les moyens d’en extraire le sel essentiel par Dutrône
Histoire du galvanisme par Sue
Récréations mathématiques et physiques par Ozanam
Opuscules physiques et chimiques de Lavoisier
Traité élémentaire de physique par Busson
Essai sur l’électricité des corps par l’abbé Nollet
Recherches sur les causes particulières des phénomènes électriques par l’abbé Nollet
Essai sur différentes espèces de gaz par Sigaud de Lafond
Description et usage d’un cabinet de physique expérimental par Sigaud de Lafond
Traité sur la culture et les usages des pommes de terre par Parmentier
Mémoires de la Société d’Agriculture de Seine-et-Oise

História
Dictionnaire historique de la ville de Paris et de ses environs par MM. Hartaut et Magny
Histoire d’Italie par Fantin Desodoard
Dictionnaire historique des femmes célèbres
Histoire du Bas Empire par Le Beau
Histoire du peuple de Dieu par Berruyer
Histoires choisies de l’Ancien Testament
Histoire générale des conjurations par Dutertre
Histoire impartiale des événements militaires de la guerre d’Amérique
Histoire de la rivalité de la France et de l’Espagne par Gaillard
L’esprit de l’histoire par Ferrand
Histoire de la dernière révolution de Suède par Le Seine Desmaisons
Histoire des révolutions de Suède par l’abbé de Vertot
Révolutions de Portugal par l’abbé de Vertot
Histoire des révolutions de Perse
Histoire des révolutions d’Angleterre par le père d’Orléans
Histoire des chevaliers de Malte par l’abbé de Vertot
Histoire de la décadence et de la chute de l’Empire romain par Gibbon
Histoire des Juifs par Flavius Joseph
Précis historique et expérimental des phénomènes historiques par Sigaud de Lafond
Pièces diverses relatives aux opérations militaires et politiques du général Bonaparte
Traité de géographie ancienne d’après d’Anville
Histoire de l’Empire de Mysore par Michaud
Mémoire pour servir à l’histoire de notre littérature par Palissot
Histoire philosophique et politique par l’abbé Raynal

Histoire philosophique et politique des établissemens et du commerce des Européens dans les deux Indes. Tome 1. Guillaume-Thomas Raynal. 1783. Gravura
Coleção Museu Villèle

Les vies de hommes illustres de Plutarque traduites par Dacien
Notes sur l’histoire des animaux d’Aristote par Camus

História natural
Dictionnaire raisonné universel d’Histoire naturelle par Valmont-Bomare
Oeuvres complètes de Buffon
Catalogue des arbres de l’Amérique septentrionale par Marshall
Species pantarum par Linné

Geografia/viagem
Voyage de découvertes à l’océan Pacifique du Nord et autour du monde par Vancouver
Voyages de Pythagore en Égypte
Voyage de la troade par Lechevalier
Description historique et géographique de l’Indoustan par Rennell
Voyage en Grèce
Géographie naturelle par Robert
Géographie moderne par Pinkerton
Voyages dans les Alpes par M. de Saussure
Les nouvelles découvertes des Russes entre l’Asie et l’Amérique par Coxe
Voyages de Richard Pckocke
Voyages en Italie de l’abbé Barthélemy
Voyages dans l’intérieur de l’Afrique par Horneman

Dicionários
Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers par Diderot et d’Alembert
Dictionnaire universel historique et critique des… par une société de gens de lettres
Dictionnaire de l’Académie française
Dictionnaire grammatical de la langue française par Féraud
Dictionnaire biographique par l’abbé Ladvocat

Jurisprudência
Causes célèbres par des Essarts

Literatura/teatro/filologia
Oeuvres de Brantôme
Synonymes français par l’abbé Girard
Les épithètes françaises rangées sous leurs substantifs par Daire
Discours sur l’histoire universelle par Bossuet
Oeuvres complètes de du Bellay
Théâtre d’Aristophane traduit par Poinsinet de Sivry
Recueil de lettres de Wilkelmann
Théâtre de Sophocle traduit par Rochefort
Odes de Pindare traduites par Gin
Traité de la formation mécanique des langues et des principes physiques de l’étymologie
Richardet, poème
Oeuvres de la Harpe (?)

Diversos
Grammaire allemande
L’ami des hommes ou traité de la population
Oeuvres diverses de Pape
Cosmographie élémentaire par Mentelle
Domestic Medicine par William Buchan
Médecine domestique traduit de l’anglais de Buchan par Duplanil
Constitution des principaux États de l’Eurasie et des États-Unis par de Lacroix
Esprit et génie de l’abbé Raynal
Esprit des richesses

Os gostos são ecléticos, com uma clara prevalência de livros de história. Não possui livros religiosos.

Estudar um inventário de objetos domésticos após o falecimento de uma pessoa pode parecer refletir o desejo de se cingir a uma retórica superficial. A fonte permanece aberta a crítica devido ao seu caráter lapidar e ao facto de não termos acesso aos bens anteriormente partilhados. A comparação entre o testamento e o inventário é instrutiva. O primeiro lista um edifício com funções de prisão, um hospital, e uma cozinha para os escravos. Nenhum destes itens atrai a atenção das partes interessadas durante o inventário. A cozinha visitada é a cozinha «do amo, em pedra» mencionada no testamento. Não se faz qualquer menção às cubatas dos escravos, nem no testamento, nem no inventário. Os proprietários não lhes atribuíram a merecida atenção. Esta omissão seletiva não tem o efeito de ocultar, muito pelo contrário, é reveladora. Como era costume na época, e dois anos antes da abolição, houve um «negacionismo» da existência do trabalho forçado. No testamento, os escravos apenas são apreciados pela sua força de trabalho. O estabelecimento da fábrica de açúcar não é um dos temas da visita. A figura de Madame Desbassayns permanece viva na memória da Reunião, diz-se que foi uma das maiores proprietárias de escravos. A sua propriedade apresenta a mesma disposição das dos outros proprietários, sendo que, tal como eles, possui objetos ostentativos, ou livros em grandes quantidades. Ao passar «da adega para o sótão», logramos obter um conhecimento mais fino da propriedade, do ambiente de vida íntimo, dos hábitos de consumo.

As atas do leilão dos seus móveis e objetos de decoração, efetuadas a pedido dos seus herdeiros, vêm completar parcialmente o inventário. Em Saint-Gilles, são vendidos um certo número de móveis, designadamente: quatro armários, treze bancos, três cómodas, mesas, mesinhas de cabeceira, etc. Além disso faz-se menção a duas carruagens, dois palanquins e um bilhar. No que diz respeito à higiene e limpeza corporal consta da lista: uma banheira, um bidé, dezasseis bacios, latrinas ou latrinas-mesa. A roupa de casa vendida em Saint-Gilles inclui um número de peças considerável.

Notes
[1] Arquivos do Departamento da Reunião, 3 E 426.

[2] Arquivos do Departamento da Reunião, 10 maio 1846, 3 E 426.

[3] Em francês Bandèges, termo de origem indo-portuguesa, designando uma bacia com um rebordo, ou uma tina com múltiplas utilizações.

[4] Candelabros multirramificados

[5] Um termo não identificado. Utensílio usado para preparar achards, pratos compostos por pequenos pedaços de vegetais macerados em molho picante?

[6] Cafeteiras de cobre originalmente importadas de Constantinopla, baratas e famosas. Este era um tipo de cafeteria de cabo direto às vezes chamado marabout.

[7] Grandes recipientes compostos por dois vasos encaixados um no outro, equipados com asas, para manter a água muito fresca.

[8] Recipiente grande, que pode conter várias garrafas.

[9] Excetuando os garfos de corte que constam da verba «argentaria».

[10] Trata-se de François Nion, administrador da propriedade (Ver o recenseamento de Madame Desbassayns de 1842, Arquivos do departamento da Reunião, 6 M 679).

[11] Instrumento para a realização de levantamentos topográficos.

[12] Barbots: recipientes contendo garrafas, vasos grandes às vezes assimilados a jarros.

[13] A Caneia.

[14] Na casa principal de Saint-Paul, lista-se um bidé, 4 bacios, um bidé com a sua bacia de faiança.

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Auteur
Albert JAUZE

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