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Homenagem a Diana Ferrus (1953–2026), poetisa sul-africana

Nascida a 29 de agosto de 1953 em Worcester, na província do Cabo (União da África do Sul), e falecida em 30 de janeiro de 2026, Diana Ferrus foi uma das grandes vozes poéticas e morais da África do Sul contemporânea. Poetisa, escritora e ativista, consagrou a sua obra ao restabelecimento da dignidade das vozes reduzidas ao silêncio pela escravatura e pelo apartheid.

O seu nome permanece indissociável do de Sarah Baartman (a “Vénus Hotentote”). Em 1998, com A Poem for Sarah Baartman (I’ve Come to Take You Home), Diana Ferrus transformou a poesia em ato de justiça. Este texto desempenhou um papel determinante no repatriamento dos despojos de Sarah Baartman para África do Sul, contribuindo para reparar uma injustiça histórica e devolver a dignidade a uma mulher desumanizada pelo olhar colonial.

Através da sua obra, Diana Ferrus dedicou-se a restituir o nome e a memória às vítimas da escravatura. O seu poema My Name Is February presta homenagem aos escravos naufragados do navio negreiro São José, que soçobrou ao largo da Cidade do Cabo durante uma noite tempestuosa de dezembro de 1794 com cerca de 500 escravos a bordo. Na Cidade do Cabo, os escravos deportados perdiam a sua identidade à chegada, rebatizados com o nome do mês em que desembarcavam, símbolo de uma total espoliação do ser.

Em 20 de dezembro de 2023, esta memória partilhada foi apresentada no Museu Histórico de Villèle por ocasião da celebração da abolição da escravatura, à qual Diana Ferrus foi convidada, juntamente com uma delegação do Museu Iziko da Cidade do Cabo, no âmbito de uma parceria entre a Reunião e a África do Sul. O museu recebia, então, a exposição My Name Is February, tecendo um diálogo entre a história da escravatura da Cidade do Cabo e a da Reunião e do oceano Índico. A presença da poetisa neste lugar emblemático lembrou que a memória da escravatura liga os continentes e que a poesia pode tornar-se um espaço de reconhecimento e de restituição da dignidade.

Hoje, o Departamento da Reunião e o Museu Histórico de Villèle manifestam-lhe a sua gratidão.

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