A escravatura nas plantações é um fenómeno abrangente, desde logo porque afeta diretamente a maioria da população, mas também porque condiciona a experiência de vida de todos os intervenientes. Neste contexto, as brutalidades são aceites, sendo até valorizadas socialmente e consagradas na lei, banalizando o recurso à violência. O estudo dos arquivos da região de Saint-Louis revela agressões e violências políticas frequentes e persistentes

Várias pessoas cometem atos de brutalidade, seja para reforçarem o seu domínio, seja para lutarem contra uma opressão. O tráfico de cativos constitui a violência primordial. A captura e, posteriormente, a deportação de homens e mulheres inauguram, legitimam e reforçam o uso da força no quotidiano. Os atos de brutalidade são depois perpetuados e remodelados consoante as necessidades de manutenção da ordem na colónia.
A história de vida de dois escravizados malgaxes, Diamfalam e Isaac, bem como a da família Nairac, donos da propriedade de Maison-Rouge em Saint-Louis, ilustram os elos trágicos entre as estratégias executadas por protagonistas locais e o estabelecimento de um sistema globalizado, colonialista e esclavagista.