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Os pilares da domesticidade numa casa de plantador. Hierarquia, organização e representações visuais

Um artigo escrito por Thierry-Nicolas C. Tchakaloff, conservador emérito do Museu de Artes Decorativas do Oceano Índico (Reunião).

Numa época em que nada era automatizado, os criados eram indispensáveis para qualquer família abastada. Era necessário haver muita mão-de-obra e tempo para realizar as tarefas diárias necessárias ao bom funcionamento da casa. Esta servidão, colocada sob a autoridade dos senhores, funcionava como uma pequena empresa altamente hierarquizada, com os seus chefes, subchefes, especialistas e executantes.
Os tratados pedagógicos sobre as relações entre senhores e servos, que se multiplicaram ao longo do século XVIII, fazem eco da famosa Maison Rustique, modelo tão influente no oceano Índico. Este tratado estabelecia a organização, tanto espacial como social, de uma propriedade rural centrada na casa senhorial, que ordena os diferentes espaços e intervenientes da atividade agrícola ou doméstica, substituídos pelos escravos nas colónias.

A partir da segunda metade do século XVIII, muitas pinturas têm como tema cenas narrativas que representam servos anónimos e zelosos, absortos nos seus gestos laboriosos.
Em contrapartida, as imagens que chegaram até nós, retratando escravos a trabalhar nas Mascarenhas, são escassas em termos quantitativos, sobretudo em comparação com outros contextos coloniais. Esta perspetiva não carece de exemplos significativos nas cenas retratadas por Jean-Joseph Patu de Rosemont na Ilha Bourbon no início do século XIX ou nas que figuram no álbum de Jacques-Gérard Milbert na Ile de France na mesma época. Os modelos retratados por Jean-Baptiste Dumas no primeiro terço do século XIX completam estas representações de escravos que permanecem sempre anónimos.
Para um historiador da arte, o recurso à iconografia proveniente de outras regiões permite enriquecer a análise, desde que se concentre em contextos semelhantes, próximos das referências da época. Estas imagens testemunham também o facto de que esses escravos não são necessariamente invisíveis. O vasto corpus de imagens temáticas relativas às Caraíbas, ao Brasil, ao México, ao Peru, à Indonésia, às Índias ou aos jovens Estados da América do Norte, testemunha uma realidade histórica que merece um olhar aprofundado para melhor circunscrever, por comparação, a servidão doméstica das Mascarenhas.

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