Numa época em que nada era automatizado, os criados eram indispensáveis para qualquer família abastada. Era necessário haver muita mão-de-obra e tempo para realizar as tarefas diárias necessárias ao bom funcionamento da casa. Esta servidão, colocada sob a autoridade dos senhores, funcionava como uma pequena empresa altamente hierarquizada, com os seus chefes, subchefes, especialistas e executantes.
Os tratados pedagógicos sobre as relações entre senhores e servos, que se multiplicaram ao longo do século XVIII, fazem eco da famosa Maison Rustique, modelo tão influente no oceano Índico. Este tratado estabelecia a organização, tanto espacial como social, de uma propriedade rural centrada na casa senhorial, que ordena os diferentes espaços e intervenientes da atividade agrícola ou doméstica, substituídos pelos escravos nas colónias.

A partir da segunda metade do século XVIII, muitas pinturas têm como tema cenas narrativas que representam servos anónimos e zelosos, absortos nos seus gestos laboriosos.
Em contrapartida, as imagens que chegaram até nós, retratando escravos a trabalhar nas Mascarenhas, são escassas em termos quantitativos, sobretudo em comparação com outros contextos coloniais. Esta perspetiva não carece de exemplos significativos nas cenas retratadas por Jean-Joseph Patu de Rosemont na Ilha Bourbon no início do século XIX ou nas que figuram no álbum de Jacques-Gérard Milbert na Ile de France na mesma época. Os modelos retratados por Jean-Baptiste Dumas no primeiro terço do século XIX completam estas representações de escravos que permanecem sempre anónimos.
Para um historiador da arte, o recurso à iconografia proveniente de outras regiões permite enriquecer a análise, desde que se concentre em contextos semelhantes, próximos das referências da época. Estas imagens testemunham também o facto de que esses escravos não são necessariamente invisíveis. O vasto corpus de imagens temáticas relativas às Caraíbas, ao Brasil, ao México, ao Peru, à Indonésia, às Índias ou aos jovens Estados da América do Norte, testemunha uma realidade histórica que merece um olhar aprofundado para melhor circunscrever, por comparação, a servidão doméstica das Mascarenhas.